A hora do capuz

Ou, se preferirem, “do capô”…

Pois bem.

Como minhas “atividades opalísticas” limitam-se aos momentos em que consigo ter um tempo livre para ir lá na oficina do japonês então já deu para facilmente perceberem que as coisas vão meio que devagar, certo?

Em julho foi quando coloquei a fechadura do tampão traseiro, em agosto foi a vez deixar o painel pronto para ser instalado e em setembro foi quando eu instalei os interruptores da luz de cortesia e de quebra ainda aproveitei para dar uma boa arrumada lá na garagem de casa, pois a bagunça parece ter uma capacidade de se auto-proliferar ilimitadamente ainda que num espaço limitado…

E assim chegamos ao mês de outubro de 2018 e agora é hora de fazer a catança das partes perdidas da trava do capô para também já deixá-la instalada (ainda que o capô propriamente dito eu somente vá colocar mais tarde). Na realidade neste momento o que nos basta é a fechadura que vai na lataria e o cabo acionador que vai lá dentro, embaixo do painel. Pra variar a peça estava uma beleza, vejam só:

Mas nada que não possa ser resolvido com um tanto de gasolina, uma faquinha para limpar os cantinhos e mais um bocado de paciência!

Uma vez que feita a devida limpeza, ainda tive que emprestar de novo do Seo Bento (vulgo Meu Pai) o macho para dar uma limpada na rosca e daí bastou pegar alguns daqueles parafusos novos de 10mm que comprei quando da instalação dos para-lamas.

E quanto ao cabo, depois de devidamente encaixado no seu lugar bastou fixá-lo no trinco. Ou seja, tirando a parte da limpeza, foi tudo um mamãozinho com açúcar. Fácil, fácil.

E ainda neste mês de outubro serão colocados os quebra-ventos e as máquinas dos vidros traseiro e dianteiro…

Assim que der eu volto!

E faltou o furo…

É, o Projeto continua…

Agradeço a presença dos meus quase quatro fiéis leitores que ainda teimam em aparecer por aqui, talvez movidos mais por fé do que por esperança…

Mas o último ano e meio foi bastante atribulado para mim, conforme eu já havia explicado lá em dezembro de 2016. Em que pese eu ter montado uma empresa de consultoria (Ases Consultoria), também voltei a advogar – mas só que no muito específico ramo de licitações e contratos perante a Administração Pública. Afinal foram 16 anos de experiência acumulada nessa área que eu não poderia simplesmente descartar para voltar ao mercado ombro a ombro com outros advogados, às vezes até mesmo recém-formados.

Ou seja, voltei àquela vida de vagabundo que pedi a Deus! #SQN

E desde abril de 2017, quando demos início à Sexta Fase deste nosso Projeto, ou seja, a reconstrução da parte elétrica do Titanic, o bólido está lá com o Japonês (ou “Osvaldinho”), que trabalha sozinho e nem sempre tem tempo pra ele. Mas tudo bem, faz parte do combinado. Apesar que nos últimos tempos eu tenho dado uma pressão em cima dele…

E por essas e outras, mesmo eu tenho estado um pouco afastado aqui do blog – desde novembro do ano passado, quando a última coisa que lhes contei foi acerca da montagem dos faróis. Apesar de já termos evoluído em outras frentes, tais como as fechaduras das portas e do tampão traseiro, bem como a trava do capô, fora a “retífica” pela qual passou o painel, outra hora eu volto pra contar sobre isso – ainda que fora da nossa rigorosa “ordem cronológica”, mas verão que não fará mal nenhum ao desenvolvimento d’O Projeto.

Enfim, agora não falta muito para terminar a parte elétrica: basicamente só testar e providenciar a montagem do painel. Todo o restante (faróis, setas, lanternas, etc) já está devidamente no lugar e funcionando. Ah, mas ainda faltava a luz de teto, ou como é denominada nos manuais, “Luz de Cortesia”. Como a que estava originalmente instalada encontrava-se numa situação digna de pena, resolvi dar uma fuçada numa lojinha lá do Centro da cidade – “O Lanterneiro” (royalties, please) – para ver se encontrava alguma coisa. E não é que encontrei?

Beleza! Uma vez instalada com a fiação, seria só questão de conectá-la nos botões da porta, certo? Daí vocês poderiam me perguntar se eu tenho esses botões e responder-lhes-ia eu com um sonoro “YES, I DO”!!! É esse caboclinho do esquema aí de baixo…

E minha certeza de que os tinha se deu porque quando eu e meu pai passamos pela Segunda Fase, ou seja, a “funilaria grossa”, desmontamos e guardamos todas essas miudezas. Até porque foi mesmo preciso trocar a chapa da coluna da porta…

GLUP.

Foi só então que minha ficha caiu.

Não só nós não furamos o local onde seriam instalados esses botões, como também sequer tiramos o molde dos furos da chapa anterior que descartamos…

Bem, como praguejar não adiantava (muito), o negócio era meter mãos à obra e construir um molde a partir do próprio botão interruptor da porta que eu tinha em mãos. Já em casa, bem lá no meio das tralhas do meu sogro encontrei o que eu precisava: uma pequena chapa de alumínio, perfeita para construir um gabarito. Pelo desenho do esquema lá do começo ficou claro que o parafuso a ser utilizado seria um de rosca soberba, ou seja, a ser fixado na própria lataria do carro. Encontrei o que melhor se ajustava ao botão e daí fiz as marcas iniciais na chapa de alumínio para montar o gabarito.

Com um paquímetro medi o diâmetro interno do parafuso (isto é, sem considerar a própria rosca dele). Três milímetros. Ato contínuo medi o diâmetro do botão interruptor. Onze milímetros.

Não vou cansá-los contando detalhes da desventura que se seguiu, pelo fato de eu não ter uma broca de 3 milímetros e precisar emprestar do meu sogro japonês, que mora conosco, tem 86 anos, mal fala português e é surdo como uma porta de carvalho dupla, pois foi só com muito custo – e depois de recusar várias vezes o arco de pua que ele queria que eu usasse – que consegui encontrar a bendita broca.

Também não vou nem citar que eu também não tinha uma broca de 11 milímetros, pedi para meu filho comprar uma no caminho da escola até em casa, somente para descobrir que o mandril da minha furadeira era de 10 milímetros – e não, a broca não era rebaixada, pelo que tive que perder ainda mais um tempo considerável indo até a loja trocá-la.

E muito menos vou relatar a maneira como eu, cabaço, mesmo tendo à minha disposiçã na minha bancada uma morsa de bom tamanho, alguns grampos sargentos guardados na gaveta e mesmo um bom alicate de pressão, ainda assim resolvi segurar a chapa de alumínio com a mão enquanto a furava com a outra. É LÓGICO que a chapinha travou na furadeira, rodopiando igual uma hélice de um avião monomotor e fez UM SENHOR DE UM TALHO no dedão da minha mão esquerda.

Não, não, não. Não vou perturbá-los com essas histórias que fogem do nosso contexto, que é a efetiva instalação do botão interruptor das portas para acender a luz de cortesia do meu Opala 1979, vulgo Titanic.

Enfim, vamos ao nosso passo a passo de hoje. Tendo o gabarito em mãos bastou localizar o ponto em que eu pretendia fazer os furos na coluna da porta. Para isso tive que fazer umas buscas pela Internet até encontrar alguém que tivesse tirado alguma foto de um veículo similar com as portas abertas e daí eu pudesse ter uma noção aproximada da posição dos furos. O primeiro passo foi desenhar sua posição na coluna da porta.

Se algum de vocês já tentou furar uma chapa de aço utilizando uma broca de metal então já deve saber que nessa hora a furadeira vira uma bailarina russa, com a broca bailando pra tudo quanto é lado, menos no lugar que a gente quer que ela fure. Por isso mesmo, antes de começar a furar, o negócio é pegar um bom punção e com uma boa martelada marcar a posição inicial dos furos.

Não, não tentem já furar diretamente com a broca de 11 milímetros, pois é arriscado até mesmo perder a broca com o superaquecimento. Então vamos por etapas. Façam os dois furos iniciais usando a broca de 3 milímetros. Um deles já vai ser o definitivo, enquanto que o outro ainda vai sofrer mais algumas intervenções…

Ato contínuo vamos usar uma broca intermediária para ampliar o furo onde vai efetivamente ser encaixado o interruptor. No meu caso usei uma de 7 milímetros.

Agora sim, com um furo já bem desenvolvido e fortinho podemos tranquilamente meter-lhe a broca de 11 milímetros goela abaixo. Para todos os furos comecem devagar e com firmeza, com cuidado para que quando a broca atravessar não deem uma cacetada com o mandril da furadeira no buraco, o que só iria estragar a pintura, ok?

E só para fins de comparação, eis o gabarito que eu criei (e que me custou somente um dedão) em relação aos furos que fiz na lataria do carro. Perfeito!

E este, meus caros, é o nosso herói do dia. É o sujeitinho que vai garantir o acender e apagar da nossa luz do teto – ops, quer dizer, “Luz de Cortesia”. Reparem que ao instalá-lo no furo maior a parte de metal vai fazer contato direto com a lataria, fechando assim a fase do terra sempre que o botão estiver desarmado (ou seja, com a porta do veículo aberta), fazendo com que a luz se acenda.

E quando a porta se fechar, pressionará o botão, fazendo com que se desconecte da fase do terra, apagando assim a luz. E, por favor, nem reparem no sangue coagulado ali do meu dedão, ok?

Eis aqui o botão devidamente instalado, num encaixe perfeito com os furos que fiz.

Aqui vocês podem vê-lo mais de esgueio, ficando fácil de perceber como o bichinho funciona.

Enfim, caríssimos, não tem segredo. Apenas é um pouquinho trabalhoso, mas nada impossível de ser feito – desde que munidos de um pouco de paciência, bom senso e as ferramentas certas. Ah, e diferente de mim, para vocês não haverá necessidade de realizar um sacrifício de sangue aos deuses da ferrugem e do antigomobilismo…

Sexta-fotos

A sessão de fotos de hoje é bem especial. Ao menos para mim. Eis que num domingo desses (no dia último dia 16/09/2018 para ser bem exato) estava eu lá na feirinha de automóveis de sempre, dando uma fuçada sem comprar nada, mais para ver o povo, as ofertas e tomar uma brejinha, quando não mais que de repente eu o vi. Parado bem ali na esquina, brilhando como ele só, com a pintura completamente restaurada e pneus zerados: o Cruzador Imperial!

Mais talvez pelas histórias e aventuras que já passamos, juro que se tivesse dinheiro eu teria recomprado esse meu bom e velho Opala 90…

E mais um detalhe final: como muita gente me conheceu com esse carro, eles ainda facilmente o identificam na rua. Tanto é que um amigo meu me mandou um Zap com essa foto a seguir.

Zerando tudo

Bom dia senhoras e senhores!

Hoje o nosso proseio é rápido, mas essencial.

Pois já estamos em agosto de 2018.

Com a pressão que tenho colocado em cima do japonês (até porque quase todos os dias apareço lá na oficina, nem que seja para tomar daquela cachacinha), ele já está nos finalmentes da parte elétrica. Ou seja, está quase na hora de instalar aquele painel que eu reformei.

Só que eu tinha minhas dúvidas se ele realmente estaria funcionando perfeitamente. Quer dizer, as lâmpadas e a placa de circuito impresso eu tinha (quase) certeza que sim. Mas como desmontei ele inteirinho eu gostaria de testá-lo antes de aparafusá-lo no lugar. Foi daí que o japonês sugeriu:

– Ué? Então leva ele lá no Barbosa.

– Cuméquié?

Daí ele me explicou que aqui na cidade de São José dos Campos tem uma oficina chamada Barbosa Velocímetro e Instrumento de Precisão (royalties, please), inclusive autorizada do Inmetro, que faz conserto, manutenção, regulagem e aferição de velocímetros, tacógrafos e outros quetais.

Levei o painel lá e fiquei de buscar dentro de dois dias.

Quando voltei, dentro do prazo, estava prontinho. Já estava colocando debaixo do braço e saindo quando, sei lá de onde, surgiu uma ideia, vinda de parte alguma, mais como um raio atravessando meu cérebro.

– Dá pra zerar?

– Oi?

– Zerar o hodômetro. Dá pra fazer isso? É demorado?

– Não, não é demorado não. Mas isso pode te dar um problemão, hein?

– Fique tranquilo. O carro está desmontado, com mais dez anos de documentação para regularizar, mudei a cor dele e ainda troquei o motor. Um velocímetro zerado vai ser o menor de meus problemas!

O sujeito deu uma gostosa gargalhada e foi lá para o cantinho dele na oficina para zerar o bichinho. Enquanto isso eu pensava comigo: por que não? Afinal de contas o Titanic de fato está zerado: suspensão nova, freios novos, parte elétrica reconstruída e com o motor retificado. E praticamente não rodou sequer um quilômetro por conta própria (sempre foi guinchado, lembram?). Então nada mais justo que quando ele estiver pronto para rodar começarmos do zero, inclusive com o velocímetro!

Ah, e nessa brincadeira morri com quatrocentos contos…

Acabando o fechamento

Agora que as portas estão funcionando perfeitamente ainda temos a questão do porta-malas. Já estamos em julho de 2018 e o trabalho maior não foi nem a limpeza da máquina da fechadura, mas o tanto de Bombril que tive que utilizar para limpar cada cantinho das peças cromadas…

Na realidade a fechadura do tampão traseiro é bem mais simples do que as das portas…

É composta basicamente por esse fecho com lingueta aí debaixo, que quando está sem a chave fica com os pinos de fora para travamento.

Mas, como podemos ver a seguir, ao colocarmos a chave os pinos se retraem, permitindo girar o tambor e abrir o porta-malas.

Essa lingueta atravessa um suporte com rosca, o qual vai ser fixado na própria lataria do veículo.

   

E eis o conjunto montado!

Basta colocá-lo no lugar e rosqueá-lo com a respectiva porca, deixando a lingueta pronta para encaixar na fechadura, como mostra a foto seguinte e as outras duas da parte interna do porta-malas.

   

E, por fim, aparafusar a fechadura no devido lugar, tomando o cuidado de que a lingueta encaixe perfeitamente em sua posição para poder abrir e fechar a máquina.

   

Agora essa fechadura também está pronta e apta a funcionar!

E eu digo “apta a funcionar” somente porque ainda não coloquei o tampão traseiro propriamente dito, que é onde vai o engate para o travamento da fechadura. Isso vou deixar para colocar quando levar o Titanic para casa, quando também já aproveitarei e colocarei o capô.

Aliás, um pouquinho de cultura inútil para vocês: ainda que já esteja consagrada a palavra capô em termos automobilísticos, constando com esse formato até mesmo nos dicionários da vida, sabiam que, ao menos até por volta da década de setenta, essa peça era chamada de “capuz”? É como consta, inclusive, no próprio Manual do Proprietário do Opala 1978 (também disponível aí do lado, na sessão Enfiado no Porta-Luvas). Vejam só:

Enfim, ainda ficou um perrengue para trás: acontece que fui fazer uma catança no meio das peças guardadas para montagem do carro para localizar as chaves das portas. Encontrei umas quinze. Uma boa parte do tambor de partida (ou “cilindro de ignição”, se preferirem) e outras tantas esparsas sabe-se lá Deus de onde.

Testei todas.

Ficamos assim: a porta direita não tem chave, uma chave para a porta esquerda, uma chave para partida e uma única chave para o tampão traseiro e a tampa de combustível – se bem que desconfio que até com a unha dá pra abrir essa tampa…

Já consultei um chaveiro das antigas (todos os profissionais que arranjo para mexer com o Titanic obrigatoriamente tem que ser “das antigas”) e para unificar todas deve ficar nuns R$150,00. Isso mesmo. Cento e cinquenta contos. Mas como isso não é prioridade por enquanto vai ficando assim mesmo…

Fechando uma etapa

Sim, é hora de fechar mais uma etapa neste nosso Projeto.

No caso, as portas! 😀

Como vocês devem se lembrar, nossas últimas atividades foram em dezembro de 2017. Pois bem. Após um conturbado início de ano (pra variar…) agora já estamos no final de junho de 2018. O chicote já foi distribuído de ponta a ponta e as laterais, setas, faróis e lanternas já estão no lugar.

E já que o negócio do japonês é cuidar da parte elétrica e ultimamente eu tenho tido mais tempo livre do que gostaria, o negócio é aportar lá na oficina dele e começar a montar o que eu puder, certo?

Então decidi começar pelas portas.

Só para não deslembrar elas estavam assim:

   

E agora estão assim:

   

Bão, o primeiro passo a ser dado é o seguinte: “como é mesmo que monta essa bagaça”???

Antes de mais nada resolvi dar uma consultada nos alfarrábios da vida e fui conferir o que temos lá no Catálogo de Peças e Acessórios da Chevrolet (o link de acesso tá aí do lado, na sessão Jogado no Assoalho). Capítulo 12: pára-brisa – portas – controles.

Ok. O esquema é até interessante, mas por si só não me responde como o que vai onde. Por isso me precavi e lá atrás, quando desmontei as portas, tive o cuidado de registrar o antes e o depois, só para não correr o risco de me perder…

Comecemos pela limpeza das peças para que fique tudo razoavelmente apresentável, certo? A que estava em estado mais lastimável era a fechadura, entre óleo, graxa e sujeira acumulada.

Mas nada que não se resolva com um bom banho de gasolina acompanhado de um pincel (trincha) para cutucar todos os cantinhos que puder. A bichinha já ficou com outra aparência…

Mas como eu sou eu e Murphy parece ser um sujeito que tem dedicado sua vida para me infernizar, alguma coisa tinha que acontecer, certo? Ou melhor, errado. Pois bem. Temos duas fechaduras e ambas deveriam estar funcionando perfeitamente. Só que após a limpeza, ao testar todos os cliques e claques e vais e vens que elas teriam que fazer, percebi que uma não estava funcionando direitinho. Comparando uma e outra para descobrir o que poderia estar errado, acabei descobrindo. Acontece que ambas têm uma mola (se bem me lembro para dar o retorno da lingueta) que deveriam estar na mesma situação dessa aí embaixo.

E como é que estava a mola da outra fechadura?

Merda.

E a fechadura sem a mola não tinha como dar o retorno.

Fui fuçar no monte de tralhas que tenho guardado na garagem – que nem é tanto assim, mas sempre acabo me surpreendendo por ter guardado alguma coisa que já deveria ter jogado fora e que no final das contas acaba me servindo – e acabei por encontrar uma mola mais ou menos parecida…

Paciência. Não é bem a mesma, mas a pressão dela está boa e dá para encaixar no lugar. É o que tem pra hoje e vai ter que servir. Aperta daqui, torce dali, enfia acolá, arranja um novo pino pra prender, fecha o conjunto, testa tudo. Perfeito!

Muito bem. Continuando a “operação limpeza” as vítimas seguintes foram os batentes. Esqueci de registrar como estava o “antes”, mas garanto-lhes que estava bem ruinzinho, pois antes mesmo de limpá-los ainda tive que raspar toda a tinta que os recobria, pois algum esperto proprietário anterior resolveu que não era necessário tirá-los para pintar o carro. Ficaram assim:

Detalhe importante: ainda que não pareça, essas arruelas não são arruelas comuns, pois elas têm ranhuras e ressaltos que servem para travar os batentes no lugar, já que eles possuem uma certa regulagem para poder acertar o ponto certo de fechamento das portas. Como nesse momento não haveria nenhum problema maior em já deixá-los no lugar, já aproveitei e aparafusei-os no canto deles.

   

Um trabalho um pouco maior, que foi além da limpeza, foi com a chapa que serve para travar a maçaneta externa da porta. Mesmo que sua maior parte fique escondidinha, ainda assim uma parte fica exposta – que é justamente a que usamos para poder tirar a maçaneta. Então o negócio seria também jogar uma tinta nela.

      

(Por gentileza, ignorem as latas de cerveja ao fundo, pois eu só as mantenho ali para… bem… para… quer dizer… Ah, sim! “Fins medicinais”. Isso mesmo. Para fins medicinais, ok?)

Com tudo limpo e (em tese) funcionando, agora começa a operação para colocar cada peça no seu devido lugar. Então comecei a montagem com tudo aquilo que fosse possível de encaixar antes mesmo de fixar, a começar pela alavanca que liga e controla a vareta que vem da fechadura com o liame – mais conhecido como “o pininho da porta”…

Percebam que essas travas existem para que não se corra o risco de que escapem à toa.

E após estarem no lugar devem estar firmes.

E depois é só já conectá-lo com o outro balancim da própria fechadura.

Uma fez afixado no seu devido lugar, o pininho da porta, desculpem, o liame já voltou a ter uma função ativa!

É lógico que vocês não vão fazer como o cabaço aqui que, encantado com a fechadura já instalada, simplesmente fechou a porta para ver se travava. Só que sem as maçanetas interna e externa como mesmo que eu iria abrir a porta? Então. Besta quadrada que sou…

Bom, para garantir que eu não cometa novamente a mesma gafe, melhor já colocar a maçaneta interna de uma vez, conforme dá para se ver pela foto a seguir. Detalhe: aquele protetor de borracha que fica ali bem na altura da metade da vareta foi colado com Super Bonder mesmo.

Agora é a vez da maçaneta externa – que recebeu um acabamento em Bombril para voltar a ter o brilho de outrora!

A lingueta que vocês viram na foto anterior vai ter que encaixar perfeitamente no respectivo buraco da fechadura, que, se tudo estiver no gabarito, vai estar na mesma posição dessa foto a seguir.

E para travar a maçaneta externa? Como fazer? Lembram-se daquela chapa que eu pintei. Então. Basta simplesmente encaixá-la na maçaneta por dentro, como se fosse uma gaveta.

   

E, finalmente, eis a porta como estava antes e como ficou agora:

   

Ou seja, as portas do Titanic voltaram a funcionar perfeitamente!

   

E para provar que é verdade verdadeira, vejam só isso:

Esse clique-claque de porta de geladeira antiga é simplesmente maravilhoso, não é mesmo? E, de fato, como vocês viram no finalzinho do filme, o mardito japonês continua usando o porta-malas do Opala como depósito mundial de qualquer coisa que tenha que jogar em qualquer lugar…

Ao menos o garrafão de cachaça continua ali… E é da boa! 🙂