Motorizando – Parte I

Muito bem. Vamos contar um “causo” meio longo. O tema: como é que através dos tempos eu acabei por chegar nos bólidos opalísticos que hoje estão na minha garagem. As fotos a seguir (a maioria de meus arquivos e o restante da Internet) contam um pouco de minhas desventuras automobilísticas desde a mais tenra idade e, diga-se de passagem, faz um bom tempo que estou para escrever sobre isso…

Tudo começou com um bom e velho velocípede! E quando digo “velho”, é verdade! Meu pai, mecânico de caminhões na extinta Mecânica Rennó, arranjou um velocípede num ferro-velho e o reformou para mim. Creio que eu devia ter uns cinco ou seis anos de idade. Lembro-me vagamente dele – e que era vermelho. Não durou muito, pois na primeira capotada feia que eu dei – e por ter ficado desacordado – meu pai, num acesso de fúria, simplesmente destruiu o coitado. Curioso é que, muitos anos depois, a história se repetiria com meu filhote do meio, com cerca de dois a três anos, na mesma casa de meu pai, na mesma rampa, só que, em vez de desacordado o pobrezinho perdeu alguns dentes de leite… Meu pai também destruiu – com muita raiva – a totoca que o derrubou… Creio que a foto a seguir (que achei na Internet) deva ser bem parecida com o que me lembro dele (antigamente não tínhamos costume de tirar fotos como hoje).

Depois disso fiquei, literalmente, a pé durante toda minha infância – apesar de meus constantes protestos por querer um daqueles jipes de lata com pedais (sonho infantil de consumo). Infelizmente o preço do danado, mesmo usado, era proibitivo para nossas condições à época.

Passados muitos anos, já na minha adolescência, uma das primeiras brigas (feias) que tive com meu pai foi por causa de uma bicicleta velha – especificamente uma Monareta aro 20 (não, não aquela motoquinha lançada anos depois – era uma bicicleta mesmo). Acontece que eu queria porque queria uma bicicleta e meu pai achava que do alto de meus 11 anos eu não tivesse maturidade o suficiente para andar numa por aí. Que fez o Jamanta aqui? Fui trabalhar numa bicicletaria, juntei uma graninha e comprei uma bicicleta caindo aos pedaços. Depois de uma acalorada discussão a bicicleta acabou ficando em casa. Sua primeira reforma foi feita pelo meu irmão do meio – que, como “pagamento”, a usava para ir à escola. Algum tempo depois, com o pagamento semanal da bicicletaria (que eu pegava em peças) somado a mais um ou outro rolinho que eu fazia aqui e ali, não demorou muito para que eu fizesse uma bela duma reforma, adaptando-a a meu gosto (da época). Serrei o quadro para tirar o bagageiro, instalei cinco marchas, inventei uma alavanca para o guidão (comum nos dias de hoje), instalei um selim anatômico (da antiga Caloi 10), garfo telescópico da Brandani 26, guidão da Ceci e pedais da Caloicross. Essa bicicleta era ótima para empinar. Eu a chamava carinhosamente de Matilde

Anos depois, ficando valente, alterei seu quadro, encomprindando-o, e a transformei numa aro 26 estilo chopper (pra horror do meu pai). Até hoje não entendo por qual motivo a vendi. Não precisava. E até mesmo gostava do estilão dela…

Pois bem. Mais ou menos à mesma época, quando estava começando a despontar o bicicross na molecada, dei um jeito de arranjar uma bicicleta desse tipo para mim. O preço de uma Caloicross “de verdade” era proibitivo – mesmo usada (e a vida dá voltas…), então, com meus rolos acabei conseguindo uma BMX. Era como uma caloicross mas com acessórios que foram imediatamente dispensados, tais como os pára-lamas, as laterais, o banco e – especialmente – o tanquinho. A merda era o maldito freio contra-pedal. Bastava descuidar que brecava. Empinar, então, nem pensar! Eis uma foto baixada de uma dessas para que tenham uma idéia.

Então eu estava crescendo. E as bicicletas ficando pequenas. Resolvi arranjar uma graúda – e consegui uma Barra Circular, da Monark. Devidamente depenada, troquei seu guidão, sistema varetado de freios, instalei cinco marchas, selim anatômico e fiquei famoso no bairro por ser o bão das empinadas! Tão bom que acabei partindo o quadro da bicicleta ao meio, bem como destruindo seu garfo. Eis mais uma “foto ilustrativa” para que saibam como era a tal da bicicleta.

Mas isso não fez com que eu desistisse. Procurei uma bicicleta mais robusta. Dessa vez uma Barra Forte, da Caloi. Reforcei seu quadro, instalei dez marchas, inventei um sistema de frenagem dupla para a roda traseira e carreguei muitas meninas no exclusivíssimo assento almofadado do quadro… E me especializei na arte de empinar, só perdendo para um camaradinha mais doido que eu à época – o já falecido Nelil…

Minha primeira tentativa de me motorizar foi com uma Garelli (mais um dos frutos de meus intermináveis rolos). No final das contas o motor dela nunca funcionou e acabei transformando-a numa bicicleta. A seguir, um exemplo de como ela era.

Mas, no afã de ter um veículo motorizado, eis que finalmente consegui chegar onde eu queria! Ou pelo menos tão próximo quanto poderia. Uma Mobylette! Tá, já era velha mesmo pr’aquela época – mas e daí? Funcionava direitinho! Me diverti muito com ela e com os amigos nos finais de semana, esmerilhando a bichinha pelas ruas do bairro. E, lógico, de maneira mais bem comportada, indo para escola também – já no colegial, agora. Mas como tudo que é bom dura pouco, num belo dia fui parado num comando. E, ainda que naqueles tempos não fosse obrigatório o uso de capacete, a necessidade de habilitação o era. E lá se foi a coitada para o pátio. E multa. E bronca. E depenação. E desgosto. E, por fim, troquei-a num rádio dois-e-um da Sanyo. Segue outra foto ilustrativa (da Mobil, não do rádio).

Bem, o passo seguinte foi sair do adolescente mundo das bicicletas e passar para a vida adulta das motos e carros. Mas isso fica pra outro dia…

5 comentários em “Motorizando – Parte I”

  1. Não sabia que o senhor era um dos pioneiros em “Tunning” de bicicletas! rsrs

    Mas por favor, não “tune” o 79! AHUAuhAhAuhAuhauhA

    Abraços Seo Adauto! Té mais!

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