“Redes sociais formaram geração de pessoas inseguras”, diz criador do Orkut

Juliana Carpanez

Orkut Buyukkokten é um sujeito que parece gostar de se conectar com pessoas. Na entrevista ao UOL, na cafeteria de um hotel em São Paulo na terça-feira (3), o criador da plataforma que levava seu nome conversou por quase uma hora, olho no olho, sem encostar uma única vez no celular. Quem dos seus amigos altamente ligados em tecnologia faz isso?

Na sessão de fotos, mesmo com hora marcada para outro compromisso, topou fazer poses e trocar de roupa a pedido do fotógrafo. Conhecido por suas camisas exóticas, subiu duas vezes até seu quarto no hotel para variar o look. Apenas quando terminado o dever, pegou o celular e postou no Instagram com apenas 882 seguidores, as imagens que sua assessora havia feito durante a sessão de fotos para o UOL (a tal foto da foto). Em seus stories, esse registro apareceu numa sequência do evento de marketing digital Digitalks 2018 e de muita comida – fartos buffets, amendoim, pudim, pão de café e caipirinha estavam na lista.

No encontro, conversou sobre como as redes sociais prejudicam as pessoas e mostrou como acha que dá para melhorar esse cenário – aqui aproveitou para divulgar sua nova rede, Hello, lançada no Brasil há um ano. Também contou que viu as fake news se aproximando, negou ter lucrado com a criação do Orkut, revelou usar o Tinder e se declarou para o Brasil, que visita pela segunda vez, agora para uma série de palestras. Só se mostrou reservado quando questionado sobre a idade, que prefere não revelar.

Cientista da computação formado em Stanford (EUA), ele deixou o Google em 2014, mesmo ano em que a rede social Orkut foi extinta. Antes disso, Orkut já havia parado de trabalhar em sua plataforma para virar gerente de produto da gigante de tecnologia. Hoje ele mora em San Francisco (Califórnia, EUA), onde disse dedicar seu tempo ao Hello e aos amigos. Seu dinheiro vem dos investidores que apostam neste novo projeto.

Antes de apresentar os principais trechos da entrevista, com as respostas editadas para melhor compreensão, duas curiosidades. Primeira: o turco Orkut fala Orkut.com para referir-se à rede social (e diferenciá-la de seu nome). Segunda: o plano inicial era chamar essa plataforma de Eden. Como a palavra não estava mais disponível para registro de domínio, os chefões do Google decidiram usar Orkut.

UOL – Você é importante para o Brasil, pelo fato de tanta gente ter usado sua rede social. Quanto o Brasil é importante para você?

Orkut Buyukkokten – Vim para o Brasil em 2009, quando conheci as pessoas, a cultura, a comunidade. Fiquei encantado em como todos eram amigáveis, receptivos, apaixonados, cheios de vida. Eu já tinha essa impressão por causa dos brasileiros com quem eu trabalhava no Orkut.com.

Chegamos a ter cerca de 70% dos internautas brasileiros no Orkut, criando momentos mágicos: essas pessoas fizeram amigos, se casaram, encontraram melhores empregos. Queremos trazer de volta todos esses valores e essas conexões autênticas com o Hello.

UOL – Como você quer fazer isso? As outras redes também começaram com propostas parecidas, mas de alguma forma as pessoas acabam transformando a maneira de usá-las.

Orkut – As redes sociais são hoje especialmente desenvolvidas para as pessoas se promoverem: essas plataformas ganham dinheiro quando você mostra interesse no que as outras pessoas exibem. Os algoritmos e feeds de notícia são otimizados para aumentar o engajamento e os minutos gastos nesses serviços, criando valor para os anunciantes, os cocriadores de conteúdo, as marcas e os acionistas. Não são desenvolvidos para aumentar a felicidade humana.

O que acaba acontecendo é que estamos mais atentos à vida das pessoas do que nunca: vemos seus casamentos fabulosos, as férias sem fim de nossos amigos, jantares incríveis, gente de aparência maravilhosa. Criamos assim uma geração insegura, que olha para esses feeds de notícias e acha que nunca poderá se comparar aos outros, nunca poderá fazer o bastante, nunca poderá ser o bastante.

Então além das expectativas de nossas famílias, amigos, vizinhos, temos hoje toda essa ansiedade que vem das redes sociais ao nos compararmos com os outros. Temos uma sociedade que é realmente insegura, ansiosa, deprimida, estressada, infeliz e solitária. E as redes sociais têm um papel nisso. Elas não aumentam a felicidade, não melhoram a qualidade de vida. Elas a torna pior.

Se usarmos a tecnologia da maneira certa, ela pode abrir portas, nos conectar mais, servir às comunidades. Vimos isso acontecendo nos bons tempos do Orkut.com. Hoje as redes sociais não criam engajamentos autênticos, as pessoas pararam de mostrar quem realmente são. Elas compartilham o que pensam que os outros querem ver.

Como resultado, nossa vida é repleta de cascatas de momentos falsos perfeitamente orquestrados. Paramos de nos arriscar, de ser genuínos, criando paredes que nos protegem dos outros. Não nos conectamos, não criamos intimidade, não somos vulneráveis.

UOL – E como você pretende fazer diferente?

Orkut É preciso desenvolver uma plataforma na qual os usuários sejam os campeões, eles devem vir sempre em primeiro lugar. A interação com as pessoas precisa ser divertida, precisa haver um engajamento autêntico. E a forma mais natural de nos conectarmos uns com os outros na vida real é com as comunidades: eram elas as características mais populares no Orkut.com.

Além disso, existe uma combinação de tecnologia, de algoritmos, de aprendizado das máquinas. É possível fazer as iniciativas positivas suprimirem o que não é bom. Para postar anonimamente no Hello, por exemplo, temos um sistema de monetização. Então a pessoa pode falar sobre política ou sexualidade sem se expor. Mas, como é preciso pagar por isso, ela nunca usará o anonimato para praticar bullying ou espalhar o ódio. Trata-se de uma forma de equilibrar o ecossistema e melhorar a experiência do usuário.

UOL – Quando você começou a perceber os impactos ruins das redes sociais?

Orkut – Vi esses primeiros sinais no meu próprio feed de notícias. Um amigo havia postado uma foto feliz em um piquenique com sua mulher, quando eu sabia que eles estavam se separando. Não era um momento real, era um momento falso. Vejo isso o tempo todo.

Vejo pessoas gravando vídeos em um show, não vivendo aquela experiência. Recentemente, na Europa, fui a uma balada e tinha três jovens sentados que estavam o tempo todo olhando seus telefones. Eles não se falavam e só foram dançar para gravar um vídeo.

É preciso olhar nos olhos e para o coração das pessoas. Mas estamos olhando para o smartphone, o que é uma violência contra a humanidade. Somos humanos, não máquinas.

UOL – Você percebeu esses primeiros sinais já no Orkut?

Orkut – Não, foi depois. O Orkut tinha um sistema muito diferente, em que o engajamento acontecia principalmente nos scraps. As pessoas colocavam lá as mensagens para elas mesmas ou para seus amigos. Era mais autêntico: não tinha um feed de notícias que mostrava todo esse conteúdo patrocinado.

Isso é outra coisa que está acontecendo hoje. Tem muito conteúdo que as pessoas postam em benefício próprio e não conseguimos mais distinguir o que é real daquilo que não é. Você vê como isso pode influenciar a política, tem as fake news. As coisas foram se tornando mais superficiais, mais falsas, e assim foi possível ver as fake news chegando.

Olhamos o feed e compartilhamos coisas falsas, mas não acreditamos naquelas que são reais. É muito triste isso.

UOL – O Orkut também teve um final ruim, depois de muitas denúncias de crimes e mau uso.

Orkut – Esse tipo de uso indevido e ilegal realmente vai acontecer, porque são as mesmas pessoas na vida real e no online. Acontece em todas as plataformas, isso eu posso garantir para você. Qualquer serviço que conecta as pessoas, que permite a comunicação, será usado também para fins maliciosos.

UOL – Existe um movimento contrário às redes sociais que denuncia a forma descontrolada como usamos essas ferramentas. Qual sua opinião sobre isso?

Orkut – O problema não é usar muito seu telefone, nem as redes sociais. O problema é usar serviços que o deixam infeliz e, no topo dessa lista, estão coisas como “Candy Crush”, Facebook, Grindr. Acredito do fundo do meu coração que a tecnologia pode estar ligada à felicidade, se você gastar tempo conectado a pessoas e conteúdo de uma maneira significativa.

Não quero falar especificamente do Facebook nem do Instagram. Vou falar do Tinder, Happn, esses aplicativos para encontrar parceiros.

Estou solteiro há dois anos [Orkut teve um longo relacionamento com Derek Holbrook] e, quando interajo com pessoas no Tinder, o que vejo é desespero, solidão, insegurança. As pessoas se esqueceram como se comunicar umas com as outras, como ser respeitosas. Aplicativos como o Tinder tornam as relações descartáveis, você julga alguém em um segundo considerando apenas sua foto. É muito cruel para a sociedade, para a humanidade.

Ghosting virou uma palavra de dicionário. É quando você começa a falar com alguém e depois desaparece. Trata-se de uma das coisas mais cruéis, emocionalmente, que você pode fazer com outro humano, pois é muito doloroso. E quem pratica o ghosting são os mais inseguros, aqueles com mais problemas. Isso tudo me aterroriza e por isso estou tão motivado a criar um ambiente de conexões significativas para as pessoas

UOL – Voltando ao Orkut, você ganhou dinheiro com o site?

Orkut – Desenvolvi esse projeto dentro do Google [na política de 20% do tempo livre] e, quando você é contratado, tudo o que faz é daquela empresa. Então era um produto do Google. Tinha até um rumor que eu ganhava US$ 0,10 por cada scrap postado, mas era um rumor [risos].

A princípio eu era a única pessoa que trabalhava no projeto: eu era o engenheiro, o designer, o gerente de produto e até mexia nos servidores. Quando estava tudo pronto para o lançamento, em uma reunião com [o então CEO] Eric Schmidt e [a então diretora] Marissa Mayer, eles sugeriram usarmos o nome Orkut.com. Isso porque eu era o único funcionário, tinha aquele domínio registrado e era uma palavra de cinco letras, fácil de identificar. No último minuto, decidiram lançar como Orkut.com.

UOL – Como era o outro nome?

Orkut – O nome interno do projeto era Eden, que significa paraíso, um lugar incrível para as pessoas estarem juntas. Mas o domínio não estava disponível e não tínhamos tempo suficiente para comprá-lo.

UOL – Ficou triste com o fechamento?

Orkut – Sim, foi um momento muito triste para mim. Tínhamos uma comunidade com mais de 300 milhões de pessoas, ele as aproximou. Foi triste para mim e para todos. Mas vi isso como o fim de um capítulo, e o Hello como o começo de outro. É uma continuação, uma espécie de sucessor espiritual do Orkut.

Teve vários momentos mágicos que me tocaram. Meu melhor amigo conheceu a mulher no Orkut e pediu que eu fosse padrinho de seu filho.

Hoje, em uma palestra, eu contei como me sentia excluído: nasci na Turquia, cresci na Alemanha, muitas vezes eu não me encaixava. Ou porque era um programador nerd, porque era baixo, porque tinha sotaque, porque era gay. E depois da palestra uma pessoa veio até mim e contou que, quando era mais novo, seus amigos e sua família não sabiam que ele era gay. Mas, por causa do Orkut, ele podia se conectar com outras pessoas que o aceitavam e isso o ajudou.

Essas histórias me tocam, é quando sinto que fiz a diferença na vida das pessoas.

UOL – Os brasileiros dominaram o Orkut. Isso de alguma forma foi negativo para o site?

Orkut – A comunidade cresceu muito rápido e, logo depois de lançarmos, tivemos problemas com os servidores. Havia muitos atrasos, perda de conexão: tinha até aquela mensagem engraçada do “bad, bad service. No donut for you“. Com isso perdemos nossa base de usuários nos Estados Unidos, mas no Brasil ela crescia, crescia, crescia. É difícil dizer se os brasileiros tinham mais paciência ou se estavam acostumados com conexões lentas: na época, muitos usavam cybercafés [o que inclui LAN houses] e conexão discada.

Conseguimos resolver esse problema com os servidores em um ano e chegamos a ter cerca de 70% de todos os internautas brasileiros na plataforma. O Brasil foi incrível para o Orkut.

Darwinismo Informático

Tudo muda.

Tudo sempre muda.

Mas nunca muda totalmente, pois muitas das experiências e situações pelas quais passamos são cíclicas. Vão acontecer de novo. E daí a beleza e a vantagem de todo o conhecimento adquirido e acumulado no decorrer de todas essas mudanças: com o inescapável passar do tempo e através da evolução natural de tudo ao nosso redor, estaremos assim preparados para enfrentar esses novos desafios, essas novas situações, prontos para enfrentar o que é novo – mas não necessariamente desconhecido, para explorar novos mundos, para pesquisar novas vidas, novas civilizações, audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve!!!

NÃO!

Péra.

Desculpa aí, acho que me empolguei…

Mas creio que vocês pegaram o fio da meada, né? E neste nosso causinho de hoje vamos viajar um pouco em algumas relembranças de experiências de um passado não tão remoto, mas que contextualizados numa linha natural de evolução acabaram sendo cruciais para que eu me tornasse este sujeito tão extraordinariamente especial (e modesto!) que hoje vocês conhecem! E não, não estou falando de minha vida pessoal – que já foi contada em minúcias através dos meus livros – e nem tampouco da minha vida profissional – que já foi totalmente destrinchada em Veredas da Vida.

Hoje vamos tratar um tantinho da trajetória do mundo da informática pela minha vida – algo que já contei, em parte, aqui.

Tudo começou antes mesmo da consolidação da era dos computadores – ainda com a boa e velha máquina de escrever! Afinal de contas, para ter me tornado um exímio digitador antes de mais nada eu teria que ter sido um exímio datilógrafo. E isso somente veio depois de longos quatro meses através do bom e velho cursinho de datilografia! Bem, ao menos naquela época essa era uma realidade… Apesar de tudo vejo muita gente digitando através de avançadas técnicas de catamilhografia e que estão satisfeitas com isso. Paciência.


E ói que passei com a nota 8,5!

E lá pelos idos de 85 foi que se deu (ao menos que eu me lembre nesta já provecta idade) o meu primeiro contato com o mundo da microinformática. E a criatura tinha nome: CP-500.


Sim, esse troço era gigante!

Numa época em que as linguagens de programação que “importavam” para o mundo eram o COBOL (COmmon Business Oriented Language – Linguagem Comum Orientada para os Negócios – que era voltada ao processamento de bancos de dados comerciais) e o FORTRAN (IBM Mathematical FORmula TRANslation System, voltada ao campo da ciência da computação e análise numérica), era uma verdadeira inovação aquela molecada aprendendo BASIC (Beginner’s All-purpose Symbolic Instruction Code – Código de Instruções Simbólicas de Uso Geral para Principiantes – criada especificamente para fins didáticos).


Meu primeiro “diploma informático”!

Sim, BASIC, pois ainda não se falava em microcomputadores e Sistema Operacional era uma coisa que simplesmente não existia. Os dados eram carregados no computador e nossos programas eram gravados em fitas cassete (até porque ainda não existiam disquetes no mercado comum). E não, vocês não entenderam errado não: eram fitas K-7 mesmo – para que pudéssemos executar qualquer programa que tivéssemos escrito tínhamos que conectar no equipamento um gravador (um troço de antigamente, mais ou menos do tamanho de uma caixa de sabão em pó pequena) e carregar os dados. É LÓGICO que todo mundo que programava ao menos uma vez já havia tentado colocar aquela bendita fita com dados no aparelho de som de casa (os chamados três-em-um) pra ver que tipo de ruído saía na caixa de som. Parecia coisa do demo…


Tenho até hoje minha coleção de fitas K-7 com músicas daquela época…

E o tempo foi passando e eu fui acompanhando meio de longe a evolução da espécie… Mesmo assim, ainda que sequer computador tivesse em casa, em 1988 fiz um dos “cursinhos” que pipocavam na época – que serviam mais para arrancar dinheiro dos incautos do que necessariamente prepará-los para esse admirável mundo novo que nos batia à porta. E ali aprendi os mais rudimentares conceitos de programação, planilha de cálculos, banco de dados e editor de texto. Traduzindo: Basic, Lotus 1-2-3, DBase III Plus e Wordstar. Ah, sim, e eu GANHEI a piromba do cursinho…


Como dizem por aí: “de grátis, até ônibus pro lugar errado…”

Segue o andor, até que no decorrer do ano de 1991, mais por força da necessidade do que por minha natural curiosidade, voltei a ter contato direto com a vida virtual. Em parte porque meu irmão mais velho havia comprado um “Poderoso PC XT“, com sua romântica tela verde, dois drives para disquetes 5 1/4” e – A-HA ! – não precisava de disco rígido! A inicialização utilizava um dos drives de disquete enquanto você trabalhava com o outro.

Aliás, os disquetes eram um caso à parte. O único disquete que eu havia visto antes era um enorme, de 8 polegadas, quando ainda trabalhava num banco. Já na época do PC XT, os disquetes de 1,44Mb ainda eram um sonho distante e os que usávamos armazenavam somente 360Kb – que era o suficiente para carregar um Sistema Operacional DOS 3.30 completo, mais um Wordstar para textos e dBase III Plus para bancos de dados. Porém as planilhas precisavam de mais espaço, por isso o Lotus 1-2-3 ocupava um disquete inteiro. E desde então, sendo quem somos, já dávamos nó em pingo d’água, pois estava em voga um programinha italiano que enganava o computador, elevando a capacidade do disquete de 360 para inimagináveis 800Kb! Ainda devo ter uma cópia dele perdida nas catacumbas do meu computador…

E no início dos anos noventa vieram os 386 com suas telas coloridas e coprocessadores matemáticos (normalmente só pra quem rodava AutoCAD), bem como a coqueluche do momento: o Windows 3.11, uma nova forma de trabalhar com os computadores através de um ambiente gráfico que rodava muito bem sobre o Sistema Operacional DOS 5.0. Não muito tempo depois os sistemas “estáveis” rodavam com o Windows for Workgroups sobre o DOS 6.22.


Sim, estes disquetes fazem parte de minha coleção pessoal.

Já conhecendo um tanto de configuração de microcomputadores, e, na época, trabalhando na Telesp, eis que o pessoal da CPD (Central de Processamento de Dados) descobriu que havia um funcionário novo que entendia desse novo sistema operacional que estava tomando conta do mercado e para o qual teriam que migrar – enquanto que eles estavam acostumados com os grandes e parrudos computadores e servidores que rodavam sobre o Sistema Operacional Unix. Foi uma via de mão dupla, pois enquanto eu passava para eles meu conhecimento adquirido na prática e na lida, eles me passaram o deles através de cursos nos centros de treinamento da empresa.


Eis “O” Sistema Operacional antes que existissem os demais sistemas operacionais…

E em 1995 o que surgiu? O Windows 95, é claro, trazendo uma nova concepção para o mundo da informática. A multitarefa finalmente parecia que estava saindo dos livros e entrando na vida real. Nessa época eu montava, configurava e vendia computadores em casa, de modo que foi também quando montei meu primeiro computador. Impossível hoje dizer “o que” ele era, pois muitas vezes, a cada vez que chegava um novo computador para conserto ou para montagem, eu precisava abrir o meu próprio computador para testar placas e memórias e outros quetais, de modo que hoje já não tenho mais ideia de qual seria sua configuração.

Mas uma coisa é certa: ele tinha um nome.

Ou melhor, teve vários nomes. A cada vez que eu trocava uma placa-mãe ou instalava uma nova versão do sistema operacional, era como se ele assumisse uma nova identidade, motivo pelo qual eu lhe dava um novo nome.

Nomes são importantes.

Quando você atribui um nome a algo ou a alguém – ainda que seja um nome que somente sirva para você lembrar no seu íntimo – então esse objeto ou ser nomeado passou a ser um indivíduo, não dividual, indiviso. Passou a ter uma forma como um todo reconhecível. Ou seja, ganhou uma personalidade. E, para mim, sempre foi mais fácil lidar com minhas máquinas e equipamentos dessa maneira, atribuindo-lhes características únicas que as diferenciavam de todo o restante – meus computadores de então eram extremamente dedicados a mim, mas geniosos com estranhos; já tive o Brioso, um Fusca extremamente ciumento (deveria ter sido Briosa…); o Cruzador Imperial, um orgulhoso Opala Comodoro; a sempre elegante Madame Zafira; Bilbo, o Ford Ka, também conhecido como o pequeno notável; e, é lógico, Titanic – a Lenda.

Mas deixemos os carros de lado, pois estamos aqui para falar de informática!

No ano de 1996 eu me separei de minha primeira esposa e, de bom grado, saí com somente aquilo que me interessava: a roupa do corpo, minha coleção de gibis e meu bravo computador. Que, não demorou muito, sucumbiu ao mundo capitalista e teve que ser vendido para dar sustento àquele recém-separado estudante do último ano de direito…

Mas o mundo dá voltas e não demorou muito novas e duradouras amizades vieram fazer parte desta minha vida, já um tanto sofrida, inclusive abrindo-me portas para os primeiros passos na carreira profissional de Doutor Adêvogado de Direito Jurídico… Tudo bem que o fato de eu conhecer de informática e viver acertando e configurando todas as máquinas daquele povo também ajudava, né?

Pois bem, naqueles tempos a Internet para o povão era só um mito, uma coisa que acontecia lá fora, em terras estrangeiras, e sobre a qual líamos nas “revistas especializadas”. A solução caseira em terras tupiniquins se dava através dos BBS, uma espécie de rede local via linha discada. Alás, a primeira placa de fax-modem a gente nunca esquece: era uma Zoltrix de velocíssimos 28.800 Kbps!

E então, no final de 1996, finalmente conheci a Internet. Logo após eu ter me formado em Direito, o escritório no qual eu trabalhava resolveu assinar um pacote: míseros R$100,00 por uma hora de acesso no mês (fora a conta telefônica)! Uma verdadeira pechincha! #SQN

Mas os preços foram caindo e as possibilidades se ampliando e o tempo de conexão aumentando. Foi mais ou menos por aí, lá pelos idos de 97, que criei meu primeiro blog. O ano seguinte veio a nos coroar com o Sistema Operacional Windows 98, que durante os anos seguintes reinaria absoluto em termos de estabilidade e segurança – mesmo diante daqueles que tentaram ser seus sucessores dentro da própria Microsoft (Vista e Millennium, pra citar só dois). Também foi nesse período que tive meu primeiro contato com o Linux, mais especificamente um dos primeiros produtos da empresa Conectiva, baseado na Distribuição Red Hat. Mais tarde eu viria a “brincar” bastante também com outras distribuições, em especial o Slackware e mais recentemente com o Ubuntu.

E também foi no ano de 98 que eu viria a me casar pela segunda vez. E ao juntar nossas trouxinhas agora tínhamos dois computadores, o meu e o dela, para administrarmos numa pequena rede em casa – que foi ampliada, reduzida e destruída a cada uma das mudanças que fazíamos (ao todo foram sete). Para nomeá-los resolvi partir para o básico, então simplesmente adotei o Alfabeto Grego. Alfa e Beta.

Mas, ao menos nesse novo período, curta vida teve o caquético Alfa. Exaurido por tanto ser transportado e adaptado desde a época em que estava no escritório, já na nossa segunda mudança ele deu indícios de severa senilidade que o condenaram em definitivo.

As portas estavam abertas para Alfa-2, que foi montado com o que eu tinha à mão e ainda assim sobre os restos mortais de seu antecessor (o que, eu deveria ter previsto, demonstrou ser um erro trágico). Foi vítima de uma tempestade de raios que lhe fritou totalmente os cornos. E, de quebra, meus arquivos.

Estávamos em meados de 2001 quando montei minha primeira “máquina parruda”: ALPHA3 (só pra ser diferentão…). Tinha conexões para todo tipo de cartão de memória, placa de captura de vídeo, dois HDs de gaveta (ainda não existiam HDs externos), o escambau! Desta vez tendo por base o Sistema Operacional Windows XP foi o de mais longeva duração em minhas mãos, mesmo quando do advento do Windows 7 eu me mantive fiel ao sistema anterior – até porque não queria fazer parte daquela obsolescência programada, que nos faz aposentar nossas máquinas atuais sempre que um novo sistema é lançado.

“Mas acontece que tudo tem começo; se começa, um dia acaba…”, como dizia a letra da música… E no decorrer do ano de 2010, após anos de excelentes serviços prestados, inclusive sendo responsável pela maior parte da digitalização das fitas de vídeo que tenho em casa, silenciosamente sua essência partiu para a Grande Nuvem para nunca mais voltar.

E 2010 foi uma complicado. Muito. Alfa-4 se consolidou na figura nada carismática de um computador de loja (da marca Megaware) e sinceramente não me encantou. No final daquele ano, ainda que na época não soubesse, eu viria a passar um bom tempo fora de casa, de modo que depois de alguns meses reconfigurei-o para o uso da Dona Patroa e mandei pra garagem o antigo, mas ainda vigoroso, HP Pavillion que eu havia conseguido numa boa promoção (um leilão de ponta de estoque que merece um causo à parte!).

E então veio ALFA-5… Montei carinhosamente esse computador com tudo que encontrei de melhor à época. Não vou perder tempo aqui descarregando sobre vocês um monte de tecnicidades, velocidades, clocks, megabytes e terabytes que só chateiam a leitura para os “não iniciados”. Entendam que era uma EXCELENTE MÁQUINA. Assim, em caixa alta mesmo. Para usufruir melhor de sua capacidade até mesmo abri mão de minha teimosia (ói que difícil!) e instalei o Windows 7. Tive trabalho para reconfigurar um tanto de outros programas que utilizo desde o Windows 98 – mas que até hoje não encontrei melhores no mercado, em especial no que diz respeito à Genealogia e catálogos de peças do Opala.


Alfa-5, ainda em montagem e configuração, ladeado pelos restos mortais de ALPHA3…

Nesse meio tempo, com a criançada de casa já em plena adolescência, fui atrás de algumas máquinas também para eles. Também de prateleira, todas iguais que era para não dar briga. Um detalhe: o sistema embarcado era o Windows 8. Desde o início já deixei bem claro que não conhecia aquele sistema, não queria conhecer e qualquer problema que tivessem teriam que recorrer uns aos outros e se ajudar. Seguindo a ordem alfabética grega, as máquinas entraram na rede com os nomes de Gama, Delta e Zeta (na verdade esta última era para ser “Épsilon”, mas não gostei do nome…).

Porém, como muitos já sabem, há cerca de uma semana eu soltei a seguinte nota nas redes sociais:

NOTA DE FALECIMENTO: depois de sete anos de excelentes serviços prestados, comunico a passagem do meu aguerrido computador. Há tempos já vinha dando sinais de esgotamento nervoso, com eventuais lapsos de memória e desmaios repentinos. Passou por uma recente cirurgia de transplante, após uma súbita parada de fonte. Parecia estar bem, mas hoje, por volta de 06h10min, teve um colapso fulminante e não reagiu mais aos tratamentos de ressuscitação artificial. Deixará saudades e um grande vazio em minha mesa e outro maior ainda em meu bolso.

Péssimo momento.

Foram anos de intenso uso, com muita, muita digitação, edição de imagens, planilhas e mais planilhas, muitas vezes ficando ligado dias e dias para dar conta de uploads e downloads, bem como para renderização de filmes e vídeos dos mais variados tipos.

Mas nada mais havia a ser feito.

Muitos amigos se ofereceram para me emprestar computadores e notebooks, mas, com todo respeito e profundo agradecimento que devo a cada um deles, sou extremamente sistemático. Trabalho com um gama de programas instalados e uma metodologia que só funciona se eu zerar o computador e reconstruí-lo sob essas condições (eu ia escrever “à minha imagem”, mas fiquei com vergonha…), de modo que soluções de curto prazo não se demonstrariam producentes para meu dia a dia.

Até porque ainda tenho o meu notebook (ganhado), mas que, além de jurássico, é dado a surtos esquizofrênicos, de modo que não tenho como desenvolver um trabalho de peso em cima dele.

Assim, resgatei da aposentadoria (e das teias de aranha) aquele geriátrico HP Pavillion e comecei a reconfigurá-lo até que me sobrasse algum cascalho ($$$) para começar a montar um novo computador. Mas a surpresa viria logo a seguir, de uma maneira totalmente inesperada, pois eu jamais poderia prever que o apelo que lancei à procura de quem ainda tivesse algum disquete disponível (que, diga-se de passagem, foi mera brincadeira) acabasse por surtir efeito!

Mas não basta contar o milagre, tenho que dar nome ao santo. Se bem que, de “santo”, não sei não… Então. Eis que numa bela manhã de sol, me liga o meu amigo Renato Gil e me oferece um computador que estava encostado na casa dele. Argumentou que não tem mais a mínima intenção de trabalhar com desktops e que eu poderia usá-lo à vontade. Eu já estava começando com minha ladainha de que não, muito obrigado, que legal, mas eu sou sistemático e…

“Ô seu Zé Ruela, eu tô DANDO o computador pra você! Nem sei se está funcionando direito. Se você formatar e conseguir usar, tudo bem; se quiser só usar pra arrancar as peças, não tem problema, mas ele é SEU!”

GLUP.

Eu deveria conhecer melhor os amigos que tenho…

Enfim, combinamos o combinado e fui lá buscar o bichinho encostado.

Encontrei um simpático e bem conservado computador com placa Intel DG31PR, processador Pentium E2180 de 2 GHz e com 2 núcleos, 2 GB de RAM DDR2 800, fonte de 450 Watts e um modesto HD de 150 GB. Formatei-o e, mais uma vez dando a mão à palmatória, já sabendo que meu próximo computador vai ter que estar atualizado para os dias atuais, resolvi instalar o Windows 10 – na verdade foi por insistência do filhote mais velho, hoje técnico em informática e estudante de engenharia da computação, que preferia inclusive o sistema de 64 bits, mas que não foi suportado pelo computador.

Instalei em paralelo o HD de 1 TB do Alfa-5, onde estão todos os meus arquivos (fora os backups) e confesso que deu um tanto de trabalho para instalar (malditos pendrives de boot!) e outro tanto para configurar (nada está onde deveria estar – ah, que saudades do Windows 98!), mas enfim consegui. Estável. Leve. Rápido. Sem travamentos. Esse novo sistema impressionou-me de maneira extremamente positiva. Baixei e instalei os programas de uso diário devidamente atualizados (sempre freeware ou software livre) e desci às minúcias de configuração. Tudo bem. Tudo bom. Inclusive é nele que estou escrevendo e publicando essas tortas linhas de sempre. Assim nasceu Alfa-6.


Ladies & Gentlemen: conheçam Alfa-6!

Ainda falta configurar um tanto de cousas, mas estou bastante confiante e otimista, pois esse menino vai ficar comigo por um bom tempo. Ao menos até eu conseguir levantar fundos suficientes para nossa próxima grande aventura neste nosso evolucionário mundo do Darwinismo Informático. Aguardem, pois mais dia, menos dia, vocês virão a conhecer seu sucessor: ALPHA7! 😉

(E, mais uma vez, MUITO OBRIGADO, Renato, seu lindo! Valeu mesmo! 😀 )

Por quê?

Porque eu não sou de pedir ajuda.

Porque eu sou teimoso.

Porque estou cansado.

Porque sofrer cansa.

Porque amar cansa.

Porque demorei demais para abrir meus olhos.

Porque descobri que não enxergo além de minhas escolhas.

Porque a solidão se faz presente mesmo no meio da multidão.

Porque sozinho vim.

Porque sozinho estou.

Porque sozinho irei.

(2011)

Maurício de Sousa, seus filhos e personagens

Todos que conhecem os quadrinhos da Turma da Mônica já sabem de cor e salteado que Maurício de Sousa baseou sua personagem principal em sua própria filha. Mas vocês sabiam que existem vários outros personagens também inspirados nos (vários) outros filhos do Maurício? Pois é. Confiram a listagem:

Marcelinho – Nos quadrinhos, Marcelinho é um garoto de 7, 8 anos. Na vida real, Marcelo Pereira de Sousa tem 19. É o caçula de Mauricio de Sousa e também foi o último a ser incorporado à Turma. O personagem tem mania de ser certinho, não gosta de desperdícios e sabe ser econômico.

Vanda e Valéria – As gêmeas idênticas foram baseadas nas filhas Vanda Signorelli e Sousa e Valéria Signorelli e Sousa, também gêmeas, hoje com 46 anos. As personagens entraram para a Turma da Mônica somente na fase jovem. Estão sempre juntas, mas têm opiniões divergentes nas histórias.

Professor Spada / Dr. Spam – Para criar o personagem duplo, o cartunista usou duas referências: seu filho Maurício Spada e Sousa, 45 anos, e o conto “O médico e o monstro”, de Robert Louis Stevenson. Nas historinhas, o Prof. Spada dá aulas de informática para a turma. Quando nervoso, se trarnsforma no alterego Dr. Spam, que quer dominar o mundo através dos computadores.

Marina – A filha Marina Takeda e Sousa, 31 anos, é Marina também nos quadrinhos. O talento para desenhar é o aspecto principal da personagem. Sua primeira aparição nos gibis foi em 1994.

Nimbus – As características do personagem surgiram da curiosidade que Mauro Takeda e Sousa, 30 anos, tem por meteorologia, clima e tempo. Nimbus também faz mágicas para a turma. Ele foi criado em 1994, mesmo ano que Marina.

Do Contra – Do Contra é irmão de Nimbus nos gibis, eles foram criados juntos. O rapazinho foi inspirado em Maurício Takeda e Sousa, hoje com 28 anos. O personagem, como o nome revela, gosta de fazer as coisas de maneira diferente, como comer iogurte e catchup “porque sim”.

Maria Cebolinha – Nos quadrinhos a filha mais velha de Mauricio se tornou um bebê. Mariângela Spada e Sousa, 57 anos, foi inspiração para Maria Cebolinha, a irmã de cerca de dez meses do Cebolinha. A primeira aparição dela foi em 2001. A personagem é o centro das atenções da família.

Magali – Magali, a melhor amiga de Mônica, foi criada no mesmo ano e inspirada em uma das irmãs da Mônica real: Magali Spada e Sousa, 55 anos. Quando criança, ela comia uma melancia inteira, sem cerimônia. O apetite e a meiguice da filha se tornaram as principais características da personagem.

Mônica – Criada em 1963, a personagem Mônica foi inspirada em Mônica Spada e Sousa, 56 anos, filha de Mauricio. Na época da criação ela demonstrava uma personalidade forte e o cartunista transferiu as características da filha de forma caricata. Afinal a menina é conhecida por se irritar ao ser chamada de gorducha, dentuça e baixinha.

   

Os 100 livros que mudaram a história, segundo a BBC

A BBC Cultura pediu a especialistas de 35 países que indicassem cinco narrativas ficcionais que abalaram o curso da história. Ao todo, 108 escritores, pesquisadores, jornalistas, críticos e tradutores foram ouvidos. Os livros e as histórias mais mencionados por eles foram reunidos em uma lista. Além de obras clássicas da literatura universal, foram lembrados contos folclóricos e poemas. De acordo com o veículo, não se trata de uma lista definitiva, apenas de um ponto inicial de um diálogo sobre o porquê de algumas narrativas perdurarem ao longo dos séculos. Alguns destaques da seleção são “Odisseia” (Séc. 8 a.C.), de Homero, que ocupa a primeira colocação; “A Cabana do Pai Tomás” (1852), de Harriet Beecher Stowe, em segundo lugar; e “Frankenstein” (1818), de Mary Shelley, na terceira posição.

1 — Odisseia (Séc. 8 a.C.), Homero
2 — A Cabana do Pai Tomás (1852), Harriet Beecher Stowe
3 — Frankenstein (1818), Mary Shelley
4 — 1984 (1949), George Orwell
5 — O Mundo se Despedaça (1958), Chinua Achebe
6 — As Mil e Uma Noites (Séc. 8 ao 18), vários autores
7 — Dom Quixote (1605-1615), Miguel de Cervantes
8 — Hamlet (1603), William Shakespeare
9 — Cem Anos de Solidão (1967), Gabriel García Márquez
10 — Ilíada (Séc. 8 a.C), Homero
11 — Amada (1987), Toni Morrison
12 — A Divina Comédia (1308-1320), Dante Alighieri
13 — Romeu e Julieta (1597), William Shakespeare
14 — Epopeia de Gilgamesh (Séc. 22 a.C ao séc.10 a.C.), autor desconhecido
15 — Série Harry Potter (1997-2007), JK Rowling
16 — O Conto da Aia (1985), Margaret Atwood
17 — Ulysses (1922), James Joyce
18 — A Revolução dos Bichos (1945), George Orwell
19 — Jane Eyre (1847), Charlotte Brontë
20 — Madame Bovary (1856), Gustave Flaubert
21 — Romance dos Três Reinos (1321-1323), Luo Guanzhong
22 — Jornada ao Oeste (1592), Wu Cheng’en
23 — Crime e Castigo (1866), Fyodor Dostoyevksy
24 — Orgulho e Preconceito (1813), Jane Austen
25 — Margem da Água (1589), Shi Nai’an
26 — Guerra e Paz (1865-1867), Lev Tolstoy
27 — O Sol é Para Todos (1960), Harper Lee
28 — Vasto Mar de Sargaços (1966), Jean Rhys
29 — Fábulas de Esopo (séc.620 a.C. ao séc.680 a.C.), Esopo
30 — Cândido, ou O Otimismo (1759), Voltaire
31 — Medeia (431 a.C.), Eurípides
32 — Mahabharata (séc. 4 a.C.), Vyasa
33 — Rei Lear (1608), William Shakespeare
34 — Genji Monogatari (1021), Murasaki Shikibu
35 — Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), Johann Wolfgang von Goethe
36 — O Processo (1925), Franz Kafka
37 — Em Busca do Tempo Perdido (1913-1927), Marcel Proust
38 — Morro dos Ventos Uivantes (1847), Emily Brontë
39 — Homem Invisível (1952), Ralph Ellison
40 — Moby Dick (1851), Herman Melville
41 — Seus Olhos Viam Deus (1937), Zora Neale Hurston
42 — Ao Farol (1927), Virginia Woolf
43 — A Verdadeira História de AQ (1921-1922), Lu Xun
44 — Alice no País das Maravilhas (1865), Lewis Carroll
45 — Anna Kariênina (1873-1877), Lev Tolstói
46 — Coração das Trevas (1899), Joseph Conrad
47 — Monkey Grip (1977), Helen Garner
48 — Mrs Dalloway (1925), Virginia Woolf
49 — Édipo Rei (429 a.C.), Sófocles
50 — A Metamorfose (1915), Franz Kafka
51 — Oresteia (séc.5 a.C.), Ésquilo
52 — Cinderela (autor e data desconhecidos)
53 — Uivo e Outros Poemas (1956), Allen Ginsberg
54 — Os Miseráveis (1862), Victor Hugo
55 — Middlemarch (1871-1872), George Eliot
56 — Pedro Páramo (1955), Juan Rulfo
57 — Amantes Borboletas (autor e data desconhecidos)
58 — Os Contos de Cantuária (1387), Geoffrey Chaucer
59 — Panchatantra (300 a.C.), Vishnu Sharma
60 — Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Machado de Assis
61 — Primavera da Srta. Jean Brodie (1961), Muriel Spark
62 — The Ragged-Trousered Philanthropists (1914), Robert Tressell
63 — Canção de Lawino (1966), Okot p’Bitek
64 — O Carnê Dourado (1962), Doris Lessing
65 — Os Filhos da Meia-Noite (1981), Salman Rushdie
66 — Nervous Conditions (1988), Tsitsi Dangarembga
67 — O Pequeno Príncipe (1943), Antoine de Saint-Exupéry
68 — O Mestre e Margarida (1967), Mikhail Bulgakov
69 — Ramáiana (Séc.11 a.C.), Valmiki
70 — Antígona (441 a.C.), Sófocles
71 — Drácula (1897), Bram Stoker
72 — A Mão Esquerda da Escuridão (1969), Ursula K. Le Guin
73 — Um Conto de Natal (1843), Charles Dickens
74 — América (1980), Raúl Otero Reiche
75 — Diante da Lei (1915), Franz Kafka
76 — Children of Gebelawi (1967), Naguib Mahfouz
77 — Il Canzoniere (1374), Petrarca
78 — Kebra Nagast (1322), Vários autores
79 — Mulherzinhas (1868-1869), Louisa May Alcott
80 — Metamorfoses (8 d.C.), Ovídio
81 — Omeros (1990), Derek Walcott
82 — Um Dia na Vida de Ivan Denisovich (1962), Alexander Soljenítsin
83 — Orlando: Uma biografia (1928), Virginia Woolf
84 — A Serpente e o Arco-íris (lenda indígena australiana, data e autor desconhecidos)
85 — Foi Apenas um Sonho (1961), Richard Yates
86 — Robinson Crusoé (1719), Daniel Defoe
87 — Canção de Mim Mesmo (1855), Walt Whitman
88 — As Aventuras de Huckleberry Finn (1884), Mark Twain
89 — As Aventuras de Tom Sawyer (1876), Mark Twain
90 — O Aleph (1945), Jorge Luis Borges,
91 — O Camponês Eloquente (história egípcia antiga, data e autor desconhecidos)
92 — A Roupa Nova do Rei (1837), Hans Christian Andersen
93 — A Selva (1906), Upton Sinclair
94 — The Khamriyyat (séc.9), Abu Nuwas,
95 — Marcha de Radetzky (1932), Joseph Roth
96 — O Corvo (1845), Edgar Allan Poe
97 — Os Versos Satânicos (1988), Salman Rushdie
98 — A História Secreta (1992) Donna Tartt
99 — Um dia de Neve (1962), Ezra Jack Keats
100 — Toba Tek Singh (1955), Saadat Hasan Manto

(Relação roubartilhada lá da Revista Bula)

Anos Oitenta: 200 músicas nacionais de sucesso

E como eu não sei ficar quieto num canto, resolvi montar uma playlist das músicas nacionais que fizeram sucesso nos anos oitenta. Tá certo que vocês vão encontrar algumas dos anos setenta e até mesmo umas poucas dos anos noventa, mas entendam que tudo o que fez sucesso foi nos oitenta!

E, por favor, estamos falando das músicas de rádio, que tocavam nas baladas, que ouvíamos em nossas vitrolas e nossos toca fitas Roadstar (com equalizador!), então não me venham encher o saco com coisas do tipo “ah, mas não tem samba nessa lista”, “puxa, você deixou nomes importantes de fora”, “não a-cre-di-to que você não colocou a música tal”… Gente, é minha lista, ok? É o que tem pra hoje. Só estou compartilhando porque sei que muitos de vocês têm um gosto mais ou menos como o meu; outros não. Simples assim.

É curioso perceber que no início da década de oitenta (ainda durante a ditadura), as músicas eram mais para baladinhas românticas, cheias de sutilezas, quase ingênuas. Entretanto, enquanto os anos passavam, a pegada foi ficando mais forte, uma música mais contestadora. E, também, com mais humor, com mais diversão, com mais sacanagem – mas ainda assim sutil, mais se aproveitando de trocadilhos e não necessariamente com letras escrachadas.

Mas tudo é relativo e dá pra encontrar um pouco de cada em qualquer ponto daquela fase…

Enfim, fui atrás sempre das gravações originais, aquelas de estúdio e dos discos. Nada de shows ao vivo e muito menos de “versões acústicas” (até que tem umas e outras que prestam, mas na minha nada humilde opinião, na maioria das vezes fica uma bela de uma droga). Para aqueles que quiserem, basta baixar lá do Mega, ok? O link é esse grandão aí embaixo:
https://mega.nz/#F!Z8YjUCBY!Xj65uteDpDkWZNuFj0Gj3w .

A cruz e a espada – Paulo Ricardo.mp3
A dois passos Do Paraíso – Blitz.mp3
A Fórmula do Amor – Léo Jaime.mp3
À Francesa – Marina Lima.mp3
A Revolta dos Dândis I – Engenheiros do Hawaii.mp3
A vida nao presta – Léo Jaime.mp3
A vida tem dessas coisas – Ritchie.mp3
Adelaide – Inimigos do Rei.mp3
Adivinha o quê – Lulu Santos.mp3
Admirável Gado Novo – Zé Ramalho.mp3
Ainda é Cedo – Legião Urbana.mp3
Alagados – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Alice (não me escreva mais aquela carta de amor) – Kid Abelha.mp3
Alô, alô, Marciano – Elis Regina.mp3
Aluga-se – Camisa de Vênus.mp3
Amanhã é 23 – Kid Abelha.mp3
Aquarela – Toquinho.mp3
As dores do mundo – Jota Quest.mp3
Até quando esperar – Plebe Rude.mp3
Autonomia – Titãs.mp3
Bandolins – Oswaldo Montenegro.mp3
Barrados no Baile – Eduardo Dusek.mp3
Beat Acelerado – Metrô.mp3
Bem que se quis – Marisa Monte.mp3
Bem-vindo ao mundo adulto – Biquini Cavadão.mp3
Bete Balanço – Barão Vermelho.mp3
Betty Frigida – Blitz.mp3
Bicho de Sete Cabeças – Zeca Baleiro.mp3
Blues Da Piedade – Cazuza.mp3
Brasil – Cazuza.mp3
Burguesia – Cazuza.mp3
Cabelos Negros – Eduardo Dusek.mp3
Cantando no Banheiro – Eduardo Dusek.mp3
Carimbador Maluco – Raul Seixas.mp3
Carpinteiro do Universo – Raul Seixas e Marcelo Nova.mp3
Carta aos Missionários – Uns e Outros.mp3
Casanova – Ritchie.mp3
Chega Mais – Rita Lee.mp3
Cheia de Charme – Guilherme Arantes.mp3
Ciúme – Ultraje a Rigor.mp3
Codinome Beija-Flor – Cazuza.mp3
Coisa mais gostosa – Dr. Silvana & Cia.mp3
Coleção – Banda Eva.mp3
Como eu quero – Kid Abelha.mp3
Como uma onda – Lulu Santos.mp3
Conquistador Barato – Léo Jaime.mp3
Coração de Estudante – Milton Nascimento.mp3
Corações Psicodélicos – Lobão e seus Ronaldos).mp3
Cruel Cruel Esquizofrenético Blues – Blitz.mp3
De Manhã (Aventuras Submarinas) – Blitz.mp3
De volta ao planeta – Jota Quest.mp3
Décadence Avec Élégance – Lobão e seus Ronaldos.mp3
Dentro do Coração – Rádio Táxi.mp3
Descendo o Rio Nilo – Capital Inicial.mp3
Desculpe O Auê – Rita Lee.mp3
Deus me dê grana – Camisa de Vênus.mp3
Dias de Luta – Ira!.mp3
Doce Vampiro – Rita Lee.mp3
Dona – Roupa Nova.mp3
Eduardo e Mônica – Legião Urbana.mp3
Egotrip – Blitz.mp3
Eh! Oh! – Dr. Silvana & Cia.mp3
Envelheço na Cidade – Ira!.mp3
Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones – Engenheiros do Hawaii.mp3
Espanhola – 14 Bis.mp3
Essa noite não – Lobão.mp3
Esse seu jeito sexy de ser – Sempre Livre.mp3
Estação no Inferno – RPM.mp3
Eu era um Lobisomem Juvenil – Legião Urbana.mp3
Eu gosto de Mulher – Ultraje a Rigor.mp3
Eu me amo – Ultraje a Rigor.mp3
Eu não matei Joana D’Arc – Camisa de Vênus.mp3
Eu nasci há dez mil anos atrás – Raul Seixas.mp3
Eu sou Free – Sempre Livre.mp3
Eva – Rádio Táxi.mp3
Exagerado – Cazuza.mp3
Família – Titãs.mp3
Faroeste Caboclo – Legião Urbana.mp3
Fátima – Capital Inicial.mp3
Faz parte do meu Show – Cazuza.mp3
Festa do Interior – Gal Costa.mp3
Filho da Puta – Ultraje a Rigor.mp3
Fixação – Kid Abelha.mp3
Flores em você – Ira!.mp3
Fui Eu – Sempre Livre.mp3
Garota de Berlin – Tokyo.mp3
Garota Dourada – Rádio Táxi.mp3
Gatinha Manhosa – Léo Jaime.mp3
Geração Coca-Cola – Legião Urbana.mp3
Heavy Metal do Senhor – Zeca Baleiro.mp3
Humanos – Tokyo.mp3
Ideologia – Cazuza.mp3
Impossível – Biquini Cavadão.mp3
Independência – Capital Inicial.mp3
Índios – Legião Urbana.mp3
Infinita Highway – Engenheiros do Hawaii.mp3
Insensível – Titãs.mp3
Inútil – Ultraje a Rigor.mp3
Johnny Love – Metrô.mp3
Lança Perfume – Rita Lee.mp3
Lanterna dos Afogados – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Lenha – Zeca Baleiro.mp3
Linda Demais – Roupa Nova.mp3
Louras Geladas – RPM .mp3
Maior Abandonado – Barão Vermelho.mp3
Mais uma de Amor – Blitz.mp3
Malandragem – Cássia Eller.mp3
Maluco Beleza – Raul Seixas.mp3
Mama África – Chico César.mp3
Mamma Maria – Grafite.mp3
Mania De Você – Rita Lee.mp3
Marvin – Titãs.mp3
Marylou – Ultraje a Rigor.mp3
Masculino e Feminino – Pepeu Gomes.mp3
Me chama – Lobão e seus Ronaldos.mp3
Me dê uma chance – Camisa de Vênus.mp3
Me Liga – Paralamas do Sucesso.mp3
Menina Veneno – Ritchie.mp3
Menino do Rio – Baby Consuelo.mp3
Meu Bem Querer – Djavan.mp3
Meu Erro – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Meu Ursinho Blau-Blau – Absyntho.mp3
Mim Quer Tocar – Ultraje a Rigor.mp3
Mistérios da Meia-Noite – Zé Ramalho.mp3
Monte Castelo – Legião Urbana.mp3
Muito Estranho – Dalto.mp3
Múmias – Biquini Cavadao.mp3
Música Urbana 2 – Legião Urbana.mp3
Nada tanto assim – Kid Abelha.mp3
Não vou ficar – Kid Abelha.mp3
Nao vou me adaptar – Titãs.mp3
No mundo da lua – Biquini Cavadão.mp3
Nós vamos invadir sua praia – Ultraje a Rigor.mp3
Nosso Louco Amor – Gang 90 e as Absurdetes.mp3
O Astronauta de Mármore – Nenhum de Nós.mp3
O Beco – Os Paralamas do Sucesso.mp3
O Dia em que a Terra parou – Raul Seixas.mp3
O Exército de um homem só – Engenheiros do Hawaii.mp3
O Papa é Pop – Engenheiros do Hawaii.mp3
O Quê – Titãs.mp3
O Romance da Universitária Otária – Blitz.mp3
Obrigado não – Rita Lee.mp3
Óculos – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Olhar 43 – RPM.mp3
Oxigênio – Jota Quest.mp3
Pacato cidadão – Skank.mp3
Panamericana (sob o sol de Parador) – Lobão.mp3
Pastor João e a Igreja Invisível – Raul Seixas e Marcelo Nova.mp3
Pelado – Ultraje a Rigor.mp3
Pelo Interfone – Ritchie.mp3
Perfeita Simetria – Engenheiros do Hawaii.mp3
Pintura Íntima – Kid Abelha.mp3
Planeta Água – Guilherme Arantes.mp3
Planeta Sonho – 14 Bis.mp3
Polícia – Titãs.mp3
Pra ser sincero – Engenheiros do Hawaii.mp3
Pro Dia Nascer Feliz – Barão Vermelho.mp3
Que País é Este – Legião Urbana.mp3
Rádio Atividade – Blitz.mp3
Rádio Bla – Lobão.mp3
Rádio Pirata – RPM.mp3
Rebelde Sem Causa – Ultraje a Rigor.mp3
Revoluções por Minuto – RPM.mp3
Rolam as pedras – Kiko Zambianchi.mp3
Romance Ideal – Paralamas do Sucesso.mp3
Romaria – Elis Regina.mp3
Seguindo no Trem Azul – Roupa Nova.mp3
Sem pecado e sem juízo – Baby Consuelo.mp3
Será – Legião Urbana.mp3
Serão Extra – Dr. Silvana e Cia.mp3
Serra do Luar – Leila Pinheiro.mp3
Sexo – Ultraje a Rigor.mp3
Show de Rock’n Roll – Roupa Nova.mp3
Simca Chambord – Camisa de Vênus.mp3
Só delírio – Telex.mp3
Só pro meu prazer – Heróis da Resistência.mp3
Somos quem podemos ser – Engenheiros do Hawaii.mp3
Sonho de Ícaro – Biafra.mp3
Sônia – Léo Jaime.mp3
Sonífera Ilha – Titas.mp3
Tédio – Biquini Cavadão.mp3
Televisão – Titãs.mp3
Tempo Perdido – Legião Urbana.mp3
Teoria – Biquini Cavadao.mp3
Terceiro – Ultraje a Rigor.mp3
Terra de Gigantes – Engenheiros do Hawaii.mp3
Ti Ti Ti – Metrô.mp3
Tô Cansado – Titãs.mp3
Tropicana – Alceu Valença.mp3
Tudo pode mudar – Metrô.mp3
Um Amor de Verão – Rádio Táxi.mp3
Um certo alguém – Lulu Santos.mp3
Uma Barata chamada Kafka – Inimigos do Rei.mp3
Vento ventania – Biquini Cavadão.mp3
Vila Do Sossego – Zé Ramalho.mp3
Vital e sua Moto – Os Paralamas do Sucesso.mp3
Voce nao soube me amar – Blitz.mp3
Volta Ao Mundo – Blitz.mp3
Whisky a Go-Go – Roupa Nova.mp3
Zé Ninguém – Biquini Cavadão.mp3

Piloto Automático

Check Point: 04:00 AM

Acordo ao som de violoncelos do despertador do celular. Tonteio um bocadinho durante aquele clássico rápido momento de quemcossô, oncotô, poncovô…

Levanto e vou até o escritório para desativar o alarme – sim, tenho que deixar o celular bem fora de meu alcance, senão eu simplesmente o desligaria e não, “função soneca” não funciona pra mim.

Ato seguinte, já acompanhado pela Nãna, nossa gatinha adolescente, vou para minha ablução matinal (será que mais alguém NO MUNDO além de mim ainda usa palavras desse tipo?), mas antes disso educadamente cumprimento a “Clotilde” – que é o nome que demos à chiadeira meio assoviada que sem explicação ou justificativa surge e desaparece na caixa de descarga do banheiro (mais conhecida como o “Demônio da Caixa de Descarga”). Me encaro no espelho. Sorrio.

– Bom dia, bonitão!

[Pegar o cesto de roupas sujas, colocar duas canecas d’água no fogo, colocar ração para Nãna, colocar ração para a Leia e a Lara (nossas vira-latas de plantão), ir até a área de serviço no fundo de casa, separar a roupa escura do restante, ligar a máquina de lavar, recolher a roupa de ontem ainda pendurada no varal, deixar tudo bem dobradinho (facilita para a Dona Patroa passar e evita que ela me encha o saco), descer de volta para a cozinha, preparar o café da família (forte o suficiente para dar partida no carro), preparar o chá japonês do meu sogro (fraco o suficiente para enxergar o fundo da garrafa), preparar a mesa (canecas de cada um, talheres, Toddy, Nescau, leite, pão de forma, pão francês, maionese, requeijão, margarina, geleia, manteiga e o que mais tiver), preparar e colocar minhas torradas no forninho elétrico (fatias de pão francês amanhecido, azeite, orégano ou chimichurri, Aji-no-moto e sal).]

Check Point: 04:30 AM

Pego o celular, meu óculos pra perto (véinho…) e vou para o “meu íntimo momento matinal”, que é quando dou uma rápida checada nas redes sociais, confiro alguns e-mails e as notícias urgentes do dia. Ato contínuo, uma boa chuveirada e ao passar pela cozinha já aproveito e ligo o forninho elétrico com as minhas torradinhas dentro. Antes de me vestir, confiro meu peso: 104,3kg. Tô me mantendo. Se considerarmos que comecei o ano com 113kg, até que estaria bom, mas ainda tô longe dos esperados dois dígitos…

– Bom dia, filho!

Kevin, o filhote número um, já levantou, se barbeou e veio para a cozinha. Tiro de Guerra é assim mesmo, fazer o quê?… Retiro minhas torradas do forninho e sentamo-nos para o café. Meu primeiro café da manhã. Ele vai de café com leite e eu de café puro, sem açúcar. Mais as torradas.

Depois, enquanto ele vai colocar a farda, volto para a área de serviço.

[Tirar a roupa da máquina, colocar a roupa escura, ligar a máquina de lavar, pendurar a roupa lavada com os prendedores de plástico na ordem azul escuro, azul claro, verde, branco, amarelo, o restante e só depois usar os prendedores de madeira (gente, entendam: eu TENHO que me distrair com algo, nem que seja cultivando um TOC), descer de volta à casa, lavar a louça de ontem que deixaram na pia, colocar o lixo reciclável pra fora (é segunda-feira, único dia em que o caminhão passa), devolver a Nãna pra dentro, pegar a chave do Bilbo (nosso valente Ford Ka).]

Check Point: 05:20 AM

– Bóra, filho!

[Para o Tiro de Guerra: são 15 semáforos, 1 radar de 60km/h, 3 radares de 80km/h e 6 buracos de respeito (entendam “buracos de respeito” como aqueles que você tem que saber exatamente onde estão para, no momento certo, desviar deles – sob o risco até mesmo de amassar o aro da roda). Personagens do trajeto (pessoas que todo santo dia estão ali no mesmo lugar, no mesmo horário, fazendo a mesma coisa e que invariavelmente cumprimento ou não): o alemão palmeirense do segundo posto de gasolina, o motorista de van que sempre me ferra na subida, a moça misteriosa no ponto escuro do ponto de ônibus sem luz. Chegamos. Total: 13,8 quilômetros.]

Check Point: 05:36 AM

– Inté, filho!

[De volta pra casa: são 18 semáforos, 1 radar de 60km/h, 2 radares de 80km/h e 4 buracos. Personagens do Trajeto: a moça loira que sempre está flertando com o porteiro de um prédio e o policial militar pra lá de barrigudo saindo da padaria. Cheguei em casa. Total: 15,7 quilômetros.]

Check Point: 05:53 AM

[Recolher o jornal japonês do meu sogro (sei-lá-o-quê Shimbun), subir direto para a área de serviço, estender a roupa escura respeitando a ordem dos prendedores, pegar minha pilha de roupa passada, descer de volta à casa, conferir se o Erik – o filhote número dois – já levantou, guardar a roupa passada, aproveitar que a Dona Patroa acabou de levantar, já dobrar as cobertas e arrumar a cama, arrancar o Jean – o filhote número três – do embolado de cobertas que todos os dias ele faz, volta para cozinha.]

Agora é hora do meu segundo café da manhã. E olha que nem sou um hobbit! Enquanto saboreio outra xícara de café e termino com o que sobrou das torradinhas, o restante da família vai chegando à mesa. O Erik prepara seu Nescau, a Dona Patroa toma seu café com leite e até mesmo o Jean, que ainda vai levar uns vinte minutos para acordar, mesmo que já esteja tomando seu Toddy. Eles terminam e vão se trocar, bem como arrumar as mochilas: o caçula estuda perto de casa e o do meio está num curso técnico perto do Centro. Eu continuo à mesa, esperando dar o horário.

Check Point: 06:25 AM

– Erik, to the Batmobile!

[Para a escola: são 13 semáforos, 2 radares de 60km/h, 1 radar de 80km/h e 1 buraco. Personagens do Trajeto: a moça loira sempre elegantemente sentada numa mureta enquanto aguarda a carona, um senhorzinho muito magro, de rosto anguloso, longa barba e cabelo escorrido sempre parado na esquina com um carrinho de feira (que apelidei de Wild Bill), o tiozinho meio careca passeando com uma coisa pequena e peluda que vagamente lembra um cachorro, o rapazinho na esquina da escola que deveria estar coordenando o trânsito (mas que só fica enconstado na parede vendo as menininhas passarem) e o rapaz da guarita. Chegamos. Total: 9,6 quilômetros.]

Check Point: 06:48 AM

– Boa aula, filho!

[De volta pra casa: são 7 semáforos, 1 radar de 60km/h, 1 radar de 80km/h e 6 buracos. Personagens do Trajeto: o gordinho de uniforme da Urbam mexendo no celular enquanto espera a carona e só. Novamente cheguei em casa. Total: 10,1 quilômetros.]

Check Point: 07:03 AM

Saldo Parcial: 49,2km e 2 máquinas de roupa

[Subir para a cozinha, medir a pressão de meu sogro de 86 anos (ele SEMPRE levanta pontualmente às sete), separar os remédios da parte da manhã (diabetes e, se o caso, pressão), moer tudo num pilãozinho e passar para um copinho (ele tem dificuldade de engolir aqueles comprimidos gigantes), voltar para a frente da casa, fazer uns dez minutos de alongamentos, sair para a avenida, caminhar um quilômetro rua acima, parar para alguns exercícios básicos, correr um quilômetro rua abaixo, chegar em casa.]

Check Point: 07:50 AM

Depois de um esforço final como esse eu sempre continuo suando por por mais pelo menos meia hora… Mesmo debaixo do chuveiro! Sendo assim, distraio-me com uma ou outra leitura e, por fim, passado esse tempo, vou tomar outra ducha, revigorado.

Check Point Final: 08:30 AM

Concluída essa rotina que tenho de segunda a sábado, finalmente posso me dedicar a seja lá o que vá fazer no dia de hoje: quer seja prestar uma consultoria, visitar um cliente, me reunir com as sócias, trabalhar numa peça jurídica, escrever uma crônica, mexer no meu Opala, enfim, sei lá.

Por ora resolvo simplesmente dar uma conferida numa peça que estou montando. Sirvo-me de um café e sento-me à frente do computador. O telefone toca.

– Pronto?

– E aí, Adauto? Bom dia! Desculpa aí se eu te acordei ligando assim tão cedo.

– Não, não. Estou só tomando um café…

– Êita vida boa, hein? Levantou agorinha mesmo, já encontrou seu cafezinho pronto e agora deve estar aí, pensando na vida. Um dia eu chego lá também!

– …

¯\_(ツ)_/¯