26 jan 2012 - 12:32  

Educação é tudo…

Vejam o que um consagrado violinista (seja lá ele quem for) teve o bom senso de fazer quando, no meio de sua apresentação, tocou o celular de um sujeito sem senso nenhum. Aumentem o som e ouçam:

Get the Flash Player to see this content.

Aliás, cá entre nós: não consigo imaginar um João Gilberto da vida tendo o mesmo tipo de atitude…


26 jan 2012 - 7:27  

Anonyupload

Então.

O Megaupload já não é mais tão mega assim e também já não uploadeia nem downloadeia mais nada… Aqueles que ainda ousam se aventurar por ali vão acabar encontrando a seguinte mensagem:


Em tais circunstâncias já era de se esperar que os menores (menores?) também tomassem alguma medida para se resguardar da truculência digital. Eis uma sinopse da coisa:

Mas como a Rede é a Rede e todo mundo NO MUNDO sempre dá um jeito de contornar a coisa (ou, ao menos, de tentar), eis que o anúncio da vez é sobre a criação do Anonyupload, com inauguração prevista para a próxima sexta-feira. Os meios noticiosos já tentaram vincular esse novo site com o grupo Anonymous (o que seria, no mínimo, interessante), mas logo na entrada já encontramos a seguinte mensagem: “We are not Anonymous Member, but we defend the anonymity. / IT’S NOT FAKE ! / IT’S NOT A SCAM!”.

Fica difícil de saber se existe realmente um vínculo ou não, mas bastou aventar essa notícia nas plagas internetísticas que os hackers de plantão decidiram apoiar a iniciativa…

Bem a proposta é clara: “100% gratuito, sem limites, sem propagandas e 100% anônimo”.

E, independentemente, de tudo isso, na própria página inicial do Anonyupload temos a seguinte explicação (tradução bem livre deste internauta que vos tecla):

Por que eu deveria utilizar o Anonyupload.com?

Anonyupload.com é, na realidade, um serviço centralizado. Quando você faz o upload de seus arquivos eles são guardados em nossos discos rígidos, num local fixo. E isso não é bom. Isso é justamente o oposto do que a Internet é: descentralizada. A Internet é uma rede global de computadores interconectados e quando seu computador está conectado na Internet (tá bom, menos com a ChinaNet) ele pode se comunicar com qualquer outra máquina que também estiver conectada, da mesma maneira que essa máquina pode se comunicar com a sua – se você assim o permitir. Se você apenas visita sites como o Facebook, Twitter ou Anonyupload, você está sempre se comunicando com as mesmas máquinas. E isso não é bom!

Existem muitas razões pelas quais isso não é bom. A primeira delas é que você acaba armazenando arquivos e informações pessoais em máquinas que não lhe pertencem e sobre as quais não tem nenhum tipo de controle. A segunda razão é que você acaba se conectando às mesmas redes, o que significa que alguém mal intencionado pode espionar, monitorar suas atividades ou decidir te excluir da rede (mais ou menos como aconteceu com o Megaupload). Isso pode ser evitado através da utilização de tecnologias descentralizadas e a primeira coisa a fazer – caso você esteja interessado nisso – é armazenar seu próprio conteúdo em sua própria máquina.

Se você acha que isso não é possível porque, tecnicamente falando, não se considera com habilidade para tanto, porque não tem paciência para ler manuais ou porque sequer possui uma boa conexão com a Internet, então dê uma fuçada sobre como funciona o P2P (rede ponto a ponto). Compartilhar um arquivo através de uma rede p2P implica em multiplicar consideravelmente as cópias desse arquivo através dos computadores conectadas na rede e quando alguém quiser fazer o download desse arquivo, irá buscar pedacinhos dele que estarão distribuídos simultaneamente em diferentes computadores, que serão novamente reconstruídos num único arquivo. Ainda que se desligue ou desconecte alguns desses computadores que hospedam esse arquivo, mesmo assim será possível obtê-lo, porque esses mesmos pedacinhos poderão ser encontrados em muitos outros computadores. E precisamos de mais!

Finalmente, se ainda assim você prefere utilizar serviços de hospedagem tais como o Anonyupload.com, então ao menos envie seus arquivos para outros do mesmo tipo…

Existem muitas outras razões acerca do porquê utilizar apenas um servidor é ruim, e se você conhece um pouquinho da história do Megaupload (ainda que gostasse do site), percebará que seu proprietário ganhou muito mais dinheiro do que aquilo que realmente gastou para montar sua infraestrutura. Grandes e centralizados sites podem render muito dinheiro apenas colocando uma simples advertência em suas páginas.

Então por que do Anonyupload?

Porque é divertido e tecnicamente interessante…

Aliás, tenha em mente que a intenção não é se tornar um substituto do Megaupload.

Se nós conseguirmos um bom pacote de doações – e desde que não falhemos tão logo o site seja lançado – faremos o possível para continuar ampliando. Mas sinceramente tentaremos não fazer parte de um sistema que somente funciona com dinheiro.

Lembre-se: descentralização.


24 jan 2012 - 4:57  

As Aventuras de Tintin

Muito bom!!!

Mesmo!

Ontem fui com a tropa completa para assistir. Ainda que, particularmente, não goste muito (coisas da idade, eu acho), em 3D.

Um ótimo filme desenho animação programa, sem sombra de dúvidas. Ainda que no início não passe essa impressão, capaz de empolgar e emocionar. E, lógico, com ótimas tiradas!

E, mais lógico ainda, sempre acompanhado de um mega-combo saco de pipocas. Doce por baixo. Salgada por cima. E bastante manteiga…


18 jan 2012 - 12:24  

Dicas para começar a ler em Inglês

Este é você, aprendendo a ler em ingLês...

Publicado originalmente lá no Nem Um Pouco Épico. Dicas talvez até óbvias – em especial no que diz respeito a “pensar” em inglês – mas sistematizadas duma forma tão simples e objetiva que não tive como não compartilhar por aqui…

(E, cá entre nós: já baixei um livro para tentar aprimorar o pouco que sei. HP, é lógico…)

:D

Em algum dos posts, alguém pediu que fizéssemos um post com algumas sugestões de títulos para quem quer começar a ler em inglês. Em vez disso, trago UM GUIA MÁGICO dando dicas e respondendo as maiores dúvidas que as pessoas perguntam para quem lê em inglês (ou em qualquer outra língua, na verdade).

O começo é sempre o mesmo para todo mundo: dá medo. Muito medo. E se eu pegar aquele livro, não entender NADA e me sentir uma idiota? E se eu achar que estou entendendo e não estiver entendendo nada? E eu nem sei tanto vocabulário assim… como vou lidar com isso?

NÃO TEMA. É uma verdade universalmente conhecida que ler aumenta o vocabulário, sendo na sua língua natal ou não. Se você não tem vergonha de pegar o dicionário para saber o significado de uma palavra em português, por que deveria ter de fazer o mesmo para o inglês? Da mesma forma, você não vai ler com um dicionário de português do seu lado, adivinhando uma ou outra palavra desconhecida pelo contexto. Além disso, você não vai dar Machado de Assis para uma criança que aprendeu a ler ano passado.

Os mesmos princípios se aplicam ao inglês. Não tenha vergonha de pegar um livro infantil para começar a ler. Você está aprendendo. Tecnicamente, você é como aquela criança de nove anos que está na terceira série e ninguém vai esperar que você comece lendo Shakespeare ou Charles Dickens.

O principal problema das pessoas é a INSEGURANÇA. Por exemplo, eu sempre achei que Senhor dos Anéis devia ser um livro impossível de ler em inglês e nunca nem tinha tentado – até um dia que cheguei na livraria e folheei o livro e vi que é igual aos outros que eu normalmente lia. Vamos ser diretos e objetivos agora, ok?

Dicas (servem para todos os idiomas)

1) Folheie o livro ANTES de comprar. Se você ler a primeira página e sentir muita dificuldade, aquele livro não é para você ainda. Procure outro.

2) Não se desespere se achar uma palavra que não conhece. Tente entender o sentido dela pelo contexto, lendo a frase toda. Se não conseguiu entender mesmo assim, procure no dicionário. Quando eu li Alice no País das Maravilhas, eu tinha um caderninho em que anotei todas as palavras que eu não conhecia e só depois que terminei o livro eu procurei o significado. Algumas eu tinha acertado pelo contexto, outras não. É uma coisa interessante de se fazer se está começando.

3) NÃO LEIA TRADUZINDO! Se você ler “And then she leaped foward, impaling him with her sword”, não leia traduzindo para “E aí ela pulou, empalando-o com sua espada” e sim IMAGINE a cena e o significado. Se você ler traduzindo frase por frase, NUNCA vai conseguir curtir a experiência e a leitura vai ser muito cansativa.

4) Leia um livro que você já leu em português. Como você já conhece a história, fica mais fácil de entender o que está acontecendo enquanto lê.

5) Comece pequeno. Tudo bem que metade das pessoas que eu conheço começaram com Harry Potter movidas pelo desespero, mas isso não é muito recomendado. Livros de fantasia em geral tem muitos termos próprios, o que pode confundir um leitor iniciante. Pegue livros infantis e para pré-adolescentes para ler, como Percy Jackson, livros da Meg Cabot, etc.

6) Não desanime por ler devagar. Cada pessoa tem o seu ritmo e a velocidade de leitura progride quanto mais você lê, assim como todas as outras coisas do universo. Ano passado, por exemplo, eu demorava o dobro do tempo de ler um livro em português para ler um livro em inglês. Hoje em dia, demoro o mesmo tanto. Quanto mais você lê, mas familiarizado você fica com a língua. Quanto mais familiarizado, menos dificuldade. Quanto mais fácil, mais rápido. Simples assim . :)

7) Uma professora de inglês que eu tive disse que são quatro competências que você deve ter em uma língua: leitura, escrita, falar e ouvir. Ler e escrever são duas faces da mesma moeda, assim como falar e ouvir. Então ler melhora a sua escrita, porque te faz se acostumar com as estruturas gramaticais. Para não ficar “capenga” – lendo e escrevendo melhor do que falando e ouvindo – tente ver filmes em inglês com legenda. Pause e repita o que os atores falaram. Volte nas passagens que você mais gosta. Você vai parecer um idiota enquanto estiver fazendo, mas eu garanto que funciona!

Eu acho que tem mais dicas, mas no momento não consigo me lembrar de nenhuma. Não sugeri títulos específicos porque eu não tenho capacidade de discernimento nenhuma para essas coisas. Esse é um dos motivos pelo qual as resenhas em inglês aqui não tem esse negócio de classificação…

Se tiverem mais dicas e títulos para indicar, podem colocar aí nos comentários que vou editando o post com elas.


17 jan 2012 - 12:22  

Pinheirinho

São José dos Campos, fevereiro de 2004.

Teve início a invasão do terreno da massa falida da empresa Selecta S/A, de mais de um milhão de metros quadrados, o que se deu por cerca de 150 famílias que haviam sido despejadas de casas da CDHU no Campo dos Alemães.

São José dos Campos, janeiro de 2012.

Quase oito anos depois, a célere justiça finalmente determina a reintegração de posse da área. Segundo os populescos noticiosos da região, aquele milhão de metros hoje comporta 1.704 casas (casas?), 81 pontos de comércio (comércio?), 6 templos religiosos e um galpão comunitário. População estimada do local: algo entre 5.500 e 10.000 pessoas. O valor do terreno, segundo a massa falida seria de mais de 160 milhões; segundo a Prefeitura, aproximadamente oitenta. Cerca de quinze milhões de dívidas perante o fisco municipal. O Comando da Polícia Militar destacou mais de 1.800 policiais da região para a desocupação. Que poderá ocorrer “a qualquer momento”.

Passo por ali praticamente todos os dias. Entretanto, por enquanto, não mais. Prefiro deixar as coisas se acalmarem um pouco. Se é que vão se acalmar. Penso na massa falida que está “reivindicando” a posse do terreno. Nos oficiais de justiça que, sem nenhuma corporificação dos “verdadeiros proprietários”, estarão ombro a ombro com os policiais nessa ação. Penso em aproximadamente cinquenta por cento daquela população composta por menores e idosos. Penso num grande percentual que deve deixar a área pacificamente, com receio dessa ação. Mas, sobretudo, penso que – mesmo excluindo todo esse povo que acabei de citar – ainda restarão milhares (ei, eu disse MILHARES) de pessoas por ali.

E daí?

Pra onde esse povo todo vai?

Encaminhado? Encarcerado? Transportado? Reprimido?

É uma questão de lógica e de física. Esses corpos (não, não estou dando nenhuma conotação a essa palavra) simplesmente têm que ocupar algum lugar em algum espaço.

E mais: ainda que se consiga retirar toda essa população (e ainda que tenham algum lugar para ir), como ficam as construções existentes? Afinal trata-se de “propriedade particular”… A massa falida terá recursos financeiros para efetuar uma demolição de tudo isso? A corporação militar desguardará o resto da cidade para vigiar o local e impedir um retorno dos “invasores”? A Prefeitura local finalmente entrará no circuito emprestando máquinas não para solucionar um problema habitacional mas para resolver o problema de um particular?

Perguntas, perguntas e mais perguntas…

E, como diria Mino, meus humildes botões calam-se resignados.

Clique aqui para aumentar.


15 jan 2012 - 5:12  

O que importa para o futuro?

Para aqueles (poucos) que lembram de Brainiac como um supervilão, esse aí de cima não é aquele. Melhor dizendo: trata-se do Brainiac 5, super gênio, arrogante, mal humorado, integrante da Legião de Super-Heróis – e de mil anos no futuro!


14 jan 2012 - 9:44  

Gráficos e software livre


Então.

Estava eu cá com minhas planilhas, como de praxe, vendo saldos bancários (pequena pausa para desgosto profundo) e tentando elaborar algum plano de ação para os próximos meses de acordo com as projeções das contas e dívidas futuras.

Sim, eu sou doido e detalhista o suficiente para (tentar) pautar essa parte de minha vida numa planilha. E com gráficos!

Acontece que hoje uso o LibreOffice, sucessor do OpenOffice, que por sua vez sucedeu o StarOffice, que por sua vez não sei de onde veio. O diferencial com relação ao pacote M$-Office: trata-se de software livre, com versões completas e plenamente funcionais tanto para o ambiente Windows quanto para Linux.

Tá, e qual o problema, então? Acontece que com os arquivos no formato ODF (Open Document Format) os gráficos não atualizam em tempo real, fazendo com que, muitas vezes, eu tenha que salvar o arquivo e reabrir para ver essa atualização. Não haveria enrosco nenhum caso eu salvasse no formato XLS (formato proprietário da Microsoft), certo? Errado. Ainda  que o LibreOffice abre normalmente arquivos no formato proprietário, no caso específico dos gráficos ele simplesmente perde a formatação. Melhor dizendo: tá tudo lá, mas ele converte todas as faixas de dados para uma única cor – o que, em termos de graficologia aplicada, torna a imagem total e completamente inútil.

Fuçando a Internet (também como de praxe) fui parar nas páginas do Sistema Rau-Tu da Unicamp. Esclarecimento para os desavisados: esse nome esquisito (Rau-Tu) é uma brincadeira com relação às tradicionais páginas em inglês (How to) que usualmente contém dicas em geral para algum tipo de software. Especificamente neste e neste tópicos.

Resumo da ópera:

Não há compatibilidade entre Os gráficos ODF e o MS-Office. Ao salvar num formato ou noutro não ocorre a “conversão” deles (ainda que estejam lá), mas sim uma mera “incorporação” ao documento. Ou seja, o HEREGE não se converte de jeito nenhum, só permanece incorporado, infiltrando-se nas fileiras do documento… Isso se dá porque o formato dos gráficos do M$-Office é fechado (ah, vá???), de modo que não tem como outros programas realizarem uma importação e, muito menos, criarem um formato cujas regras estão escondidas numa caixa-preta. Por isso é que sempre há perda de alguma formatação. E, até o momento, ainda sem solução.

Tá, e o que fazer?

Simplesmente descobrir os atalhos de teclado. Ou seja, RTFM (“Read The Fucking Manual”).

Assim, sem necessidade de salvar, fechar e reabrir o documento, basta teclar a mágica tecla F9. E pronto! Aliás, caso não esteja “funcionando”, basta acessar o menu de Ferramentas e ativar essa tecla para função de Recalcular.

Simples assim.


12 jan 2012 - 5:24  

O melhor de amanhã

Não preciso ficar repetindo (ao menos pra quem me conhece) sobre o quanto gosto de quadrinhos. Quer seja por causa do traço, do desenho, da arte, da estória, da história, do drama, do humor – não importa! Gosto e ponto final.

E, dentre esses vários motivos, uma das coisas que usualmente me impressiona são conceitos, ideais e idéias muitas vezes colocadas pelos autores personagens…

Tais como essa:

Sim… Uma das características do Barry Allen (o Flash da Era de Prata dos Quadrinhos) é que, sobretudo, ele sempre foi um otimista, ostentando um costumeiro bom humor insuportável…


11 jan 2012 - 8:30  

Música do Dia

Diazinho chuvoso e eu no volante vindo para o trabalho.

Como de praxe, com o som ligado.

No pendrive, rodando aleatoriamente, uma música que teria tudo a ver com o mênstruo dia que se descortinava lá fora. Six cold feet, com Hugh Laurie (sim, aquele cara do House). Também, como de praxe, a mente começou a divagar sobre o que escrever por aqui sob a batuta dessa música…

Mas então percebi que não precisava ser assim. O dia lá fora não tinha necessariamente que refletir meu estado de espírito. Ou o contrário. Meio MIB II isso… Avancei para a próxima música. Desta vez Um blues, com Bruna Caram. Mesma situação. Vamos pra próxima.

Ah, agora sim! Uma música alegre, pra quebrar essa rotina! Essa em especial nunca consegui ouvir sem pensar no tom quase circense que ela traz. Assim, independentemente da letra (até porque praticamente TODAS as letras desse conjunto seguem a mesma regra romântico-cataclísmica), com vocês Los Hermanos e sua contagiante Descoberta!

(Sim, basta clicar no botãozinho “Play” aí embaixo…)

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.


9 jan 2012 - 5:49  

O maior sedutor

O homem que passa protetor solar nas costas da companheira faz sucesso entre as mulheres.

O homem delira com as possibilidades de um protetor solar. Sonha ser abordado por uma desconhecida na praia. Ela deitava, sozinha e indefesa, com mínimas peças, implorando com voz rouca de telessexo:

- Por favor, não alcanço minhas costas, me ajuda?

Mas o mesmo garanhão não é capaz de atender ao pedido recém-feito pela própria mulher. Não sustenta nenhuma fantasia com quem já dorme. Faz a contragosto, com desleixo e obrigação. Realmente envergonhado da tarefa diante dos amigos. Esfrega ao invés de passar. Como se o creme branco e cheiroso fosse um rosado e pegajoso caladryl.

- Calma, amor, senão me queimo.

- Queimado está meu filme.

Não serão os movimentos imaginados e circulares de esponja, mas gestos econômicos e rudes de lixa. Deseja se livrar da incômoda tarefa o quanto antes.

Macho acredita que seduz somente fora do casamento. Quando se fixa demoradamente numa jovem, quando pisca o olho a uma estranha, quando dá em cima de uma beldade, quando examina a bunda de uma gostosa. Confia que flertar e soltar indiretas são suficientes para garantir seu domínio territorial. Sua tese é parecer disponível, ainda que comprometido.

O conceito masculino é esquisito, feito de verdades parciais. Há sutilezas inacreditáveis em seu raciocínio. Não enxerga problema em pular a cerca desde que não visite a casa. Alega que não tem segundas intenções, mas troca sorrisos abobados com terceiras.

Suas desculpas mudam de acordo com o contexto.

Grande parte dos varões erra na arte da conquista. A falha é reforçar a caricatura, confundir ficha corrida com reputação, cair na cilada de provérbios populares como “fama de rico e comedor não se desmente”.

Carrego, portanto a certeza de que o maior sedutor não é o malandro, não é o esperto, mas o monogâmico. O fiel. O que tem olhos apenas para a sua patroa.

Ele não pescará decotes mais profundos na vizinhança. Deslizará protetor em sua mulher, com calma oriental, comovido, o olfato sinceramente interessado. Acompanhará as mãos com o corpo. No fim, se aproximará dos ouvidos para sussurar uma barbaridade. O arrepio feminino produzirá um maremoto de cangas nas proximidades.

Não precisa de mais nada para chamar atenção; toda a praia estará suspirando por ele. Abrirão uma comunidade no Orkut para homenageá-lo.

Nada mais ostensivo e perigoso do que um homem amando sua esposa.

Ninfetas, trintonas, lobas e septuagenárias vão se derreter por aquele barbado gentil e romântico. Vão concluir que ela é uma felizarda. Vão arrastar as pálpebras e tirar binóculos da bolsa para acompanhar detalhes de perto.

Diferente da piada, a fofoca nunca vem inteira, ocorre em capítulos:

- Meu Deus, ele puxa a cadeira.

- Repara como ele a acompanha nas caminhadas?

- Não desgruda um minuto da mão dela!

- Foi buscar água de coco. Não duvido que sirva café na cama…

A conclusão é que ele alcançou a glória, certo?

Não, ainda é uma decisão precipitada. O público feminino não se apaixona pelo homem, mas pela mulher do sujeito. Pretende estar em seu lugar. Ocupar sua posição. Desfrutar de igual admiração. O início do amor é sempre lésbico, depois é que pode ficar heterossexual.

Não custa avisar. Cuide de sua mulher antes que ela se interesse pela vida de outra esposa.

Carpinejar

Do livro “Mulher perdigueira”.


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