Minha inguinorância é pobrema meu!

Rosana Hermann

Minha Santa Gramática das Últimas Concordâncias! Meu Santo Aurélio da Ordem Alfabética! Herrar é Umano, ninguém é per-feito, cultura não é inteligência, ninguém tem culpa de não ter formação cultural num país que só tem Juiz Lalau mas… o que é essa santa inguinorância da Solange do Big Brother Brasil de Quatro??? Gente, eu temo pela vida dessa moça! Se ela entrar no Zoológico de São Paulo, corre o risco de ser envenenada! De onde ela veio? Do Poço das Antas? Sai Capeta!!!

Não vou nem entrar em detalhes da edição de ontem que mostrou a grande final da 1a. Mar-anta-tona de Asneiras Estratosféricas, com Cida e Solange competindo de pau a pau nos quesitos “brócos” e “personal trem”. A gente sabemos (!) que elas têm origem humilde e que se tivessem tido oportunidade tudo seria diferente. Mas assim como o pior cego é aquele que não quer ver o pior burro é aquele que não quer aprender! Solange QUER ficar na santa inguinorânça, quer ser grossa, faz questã (!) de se manter porquinha!

A Solange é o tipo de pessoa que vai no aeroporto pra dar milho pra avião. Ela acredita piamente que quando sobe, o avião degola e quando desce, aterroriza! Pra ela, prédio moderno é aquele que tem garagem mediterrânea, luz de spock, sistema de esquecimento central e playboy pra criança brincar. Tenho certeza que ela não gosta de casa germinada onde as paredes estão cheias de humildade e nem aceita dormir em cama boliche!

Ela é do tipo que mata dois coelhos com uma caixa d’água e não põe a mãe no fogo por ninguém! E tem mais: garanto que ela nunca aprendeu português porque acha que a matéria é um bife de sete cabeças! Um dia eu posso até fazer uma meia-culpa por falar tudo isso da moça, já que a ignorância é uma questão de forno íntimo, mas eu acho que ela está indo com muita sede ao poste!!! De qualquer forma, ela não me respira confiança!

A ignorância da moça é tão genuína que deveria ser tombada pelo patrimônio histórico! (Já a Marcela deveria ser tombada pelo patrimônio… histérico!)

Aliás, nesta edição que está fadada (pra não dizer mordida…) a ter uma mulher como vencedora, estamos totalmente mal representadas. Além da turma das superpobrinhas de espírito, há várias suspeitas sobre a conduta das moças mais bem afortunadas. Várias matérias já insinuaram que se uma delas for morar na Índia, vai ser considerada uma criatura sagrada! Pegou? Pegou? Então larga que tá doendo!

Mas a vida é como circuito elétrico, sempre tem um lado positivo. E neste caso, o lado positivo é que um dia o programa acaba, a Solange ladra, as caravanas passam e a gente nunca mais vai ter que assistir em horário nobre alguém dizer ‘Jack o Estuprador’ sem saber que está num programa de humor!!

Agora, com licença, que eu tenho que me recompor, de tanto rir desta participante que tem mais sorte do que juiz! Já ri tanto que depilei o fígado!

Um beijo, um browse, um aperto de mouse, da
Rosana Hermann

Na boca do povo

Claudemir Beneli

As expressões populares que colocam a comida na “ponta da língua” dos brasileiros

Quando comecei com essa coluna, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese… etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco.

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata, engorda.

Acompanhamentos

Como vimos, além de rica em cores e sabores a culinária brasileira também oferece ótimos eufemismos e deliciosas metáforas. Desempenhando uma função social que vai muito além da nutrição, a comida, no Brasil, está relacionada a diversas manifestações da cultura popular, entre elas a linguagem.

Dessa interação nasceram várias expressões famosas e corriqueiras, verdadeiras “pérolas” do colóquio nacional. Saber a origem de algumas delas pode ser tão prazeroso quanto provar um bom prato. O difícil é conseguir provar a tal origem, pois quando se trata de expressões populares cada um tem sua própria versão.

As descritas abaixo são as minhas versões, às vezes, inspiradas na de outros, já que andei pesquisando um pouco. Não acredite em tudo. Mas, por mais estapafúrdias que pareçam, certas origens podem muito bem ser verdadeiras.

A carne é fraca – Essa expressão retirada da Bíblia representa a dificuldade de se resistir a certas tentações. A gula (pecado ou não) está sempre nos mostrando isso, porque a carne pode até ser fraca, mas grelhadinha no molho de mostarda… hum! Fica divina. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt. 26:41)

Apressado come cru – Como o micro-ondas e o fast food são invenções recentes, até certo tempo atrás era preciso esperar um pouco mais para a comida ficar pronta, ou então comê-la crua. Nessa época a culinária japonesa ainda não estava na moda, logo comida crua era vista com maus olhos, e a expressão passou a ser usada para significar afobamento, precipitação… etc.

Arroz de festa – Assim são chamadas aquelas pessoas que não perdem uma festa por nada, tendo ou não sido convidadas pra mesma. A origem dessa expressão talvez advenha do costume de se jogar arroz em recém casados. Mas o mais provável é que ela tenha surgido devido a uma antiga tradição portuguesa. Nas festas e comemorações das tradicionais famílias portuguesas nunca faltava uma sobremesa feita com arroz, leite, açúcar e algumas especiarias (arroz doce) e que era conhecida, na época, como “arroz de festa”.

Chorar as pitangas – Pitangas são deliciosas frutinhas vermelhas cultivadas e apreciadas em todo o país, principalmente nas regiões norte e nordeste. A palavra pitanga deriva de pyrang, que em tupi guarani significa vermelho. Sendo assim a provável relação da fruta com o pranto vem do fato de os olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas, quando se chora muito.

Comer o pão que o diabo amassou – Significa passar por uma situação difícil, um sofrimento. Imagino que a origem dessa expressão venha do fato de que deve ser, realmente, indigesto engolir um pão amassado (amassar é o mesmo que fazer a massa) pelo capeta. Além da procedência, nada confiável, do produto (se vem do coisa ruim, boa coisa não pode ser) tem grandes chances desse pão vir queimado, já que foi assado no fogo do inferno.

Dar uma banana – É das poucas expressões que são acompanhadas por um gesto. Aliás, neste caso, o mais provável é que o gesto tenha inspirado a expressão, já que ele existe em vários países como Portugal, Espanha, Itália e Brasil. Em todos esses lugares o gesto significa a mesma coisa: um desabafo ou uma ofensa. Já a alusão à banana é exclusividade tupiniquim e fica por conta da criatividade, tão peculiar ao brasileiro.

Farinha do mesmo saco“Homines sunt ejusdem farinae” esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

Pagar o pato – A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado, sendo assim passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem obter um benefício em troca.

Ser de meia tigela – Na época da monarquia portuguesa muitos jovens habitavam os castelos, eles prestavam serviços domésticos à corte e recebiam alimentação e moradia por isso. Entre estes jovens, haviam vários vindos do interior, que pela pouca experiência e origem humilde, eram desprezados pelos veteranos, sendo ironicamente tratados por “fidalgos de meia tigela”, já que embora habitassem o palácio não participavam de rituais importantes da corte. Como em alguns desses ritos quebravam-se tigelas, dizia-se que eles eram de meia tigela porque nunca quebrariam a tigela, privilégio reservado aos nobres.

Bom, essas são algumas das histórias mais interessantes, mas se você se interessou pelo assunto e quer continuar a desvendar a origem das expressões, pode recorrer a sua própria criatividade, a sua avó e as amigas dela do jogo de biriba ou então aos seguintes livros:

– De onde vêm as palavras, Deonísio da Silva (Editora A Girafa, 2004). – Neste livro se encontram milhares de verbetes explicando a origem etimológica de várias palavras e expressões. Mais do que desvendar a origem, Deonísio explica, em alguns casos, a história das palavras e como elas se modificaram desde o seu surgimento.

– Mas será o Benedito?, Mario Prata (Editora Globo, 1996) – Várias histórias criadas pelo autor para explicar a origem de algumas expressões populares faladas por nós estão presentes neste livro. Privilegiando mais o humor que o rigor científico, Mario Prata assume que inventou a maioria dos verbetes sem se preocupar com a verdade histórica.

Meus secretos amigos

Paulo Sant’Ana

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

“A gente não faz amigos, reconhece-os.”

Apenas um registro…

Diário de Bordo. Data Estelar: centésimo octogésimo sexto dia da Era Covid. Confinamento. A fronteira final. Estas são as viagens, elucubrações e alucinações de um nada ortodoxo causídico cinquentão que teima em ficar em casa, mas nem sempre consegue.

Já faz um bom tempo que estou ensaiando para tentar escrever alguma coisa que preste por aqui. Às vezes tenho lampejos de ideias excelentes para colocar no papel (ou na tela), mas quando percebo, já foi, evanesceu, esvaiu-se…

Desde o início da pandemia publiquei muitos textos alheios que achei interessantes – e alguns excelentes – mas de minha autoria mesmo foi bem pouca coisa: fiz uma comparação da quarentena com o teor do livro Decamerão, escrevi mais um capítulo sobre aquela minha internação na UTI (êita novela sem fim!), contei um causo vexatório envolvendo a Dona Patroa lá da nossa época de namoro, dei algumas dicas sobre higiene em época de quarentena, compartilhei gratuitamente meu livro para quem quisesse baixar, apresentei a melhor justificativa de lei de todos os tempos, falei do uso de máscaras pelos personagens de HQs, expliquei as complicações em minha relação com meus filhos, falei sobre as dificuldades da comunicação nos dias atuais e ainda consegui resgatar uma de minhas primeiras crônicas, antes mesmo de começar a escrever nesse formato aqui no blog. Se considerarmos que essa foi minha “produção” em 186 dias de quarentena, então não é quase nada.

E vinha eu levando mansamente minha vida, quieto cá no meu canto, fazendo meus trabalhos dentro do possível e com alguns esporádicos contatos com alguns de meus poucos amigos – que, justiça seja feita, também já entraram em contato para saber como eu estava, principalmente após a perda de dois amigos fantásticos e que significavam muito para mim: o Flavinho e o Bicarato. Pessoal, valeu mesmo!

Mas foi somente ontem, por conta de uma mensagem da amiga Sheilíssima, que meio que caiu a ficha. Apesar de admitir que já fazia até um tempinho que queria entrar em contato, pela dinâmica de seu dia a dia sempre ia deixando para depois. Mas acontece que ela foi visitar uma amiga doente e, sinceramente, não sei o porquê lembrou-se de mim. Preocupou-se comigo. Quis saber como eu estava.

E isso me tocou.

Muito.

E é lógico, como não podia deixar de ser, sendo eu a Rainha do Drama, somente mesmo escrevendo aqui no blog é que eu iria responder – com detalhes – como tenho passado e o que tenho feito…

Caríssima, o comecinho dessa quarentena foi meio zoado e com um confinamento não levado tão a sério nos primeiros dias. Mas quando começamos a perceber a gravidade da situação rapidamente tomamos medidas sanitárias rigorosas para o controle do que quer que viesse da rua.

Como em casa, apesar das duas portas, sempre entramos pelo corredor lateral diretamente para a cozinha então ali mesmo montamos nossa estratégia. Embaixo do balcão cimentado foi instalada uma sapateira, de modo que nenhum calçado que tenha vindo da rua vá para dentro de casa, onde passamos a andar somente de chinelos – ou de meia ou descalço, conforme for a pressa… Bem “casa de japonês”, mesmo…

No começo deixávamos sobre o balcão um reservatório de álcool gel e um rolo de toalhas de papel para limpeza de chaves, celulares, carteiras, cartões, pacotes, embalagens e o que mais que tivesse vindo da rua. Uma meleca só! Quase estraguei o alarme do carro por conta disso. Mas isso foi até descobrirmos o álcool spray 70! Tcha-rãããã! Muito mais simples, eficiente e prático, inclusive porque seca rapidamente (royalties, please). Não suja, não mancha (só de vez em quando), não arde (exceto nos cortes e arranhados), é barato (de dez a quinze dinheiros), dura bastante, abre tampa emperrada de vidro de azeitonas, ajuda a carregar as compras, faz a lição dos filhotes, vigia a casa, traz a pessoa amada em até sete dias, enfim, é pau-pra-toda-obra! Só perde para a dupla WD-40 e Silver Tape…

Bão, vortando ao assunto, quem quer que tenha chegado da rua já tem a obrigação de colocar as próprias roupas diretamente no cesto de roupas sujas, mas não sem antes ter realizado o “ritual de lavagem das mãos”, pois ali mesmo no corredor, antes da porta da cozinha, já havia antes uma “pia de jardim” que passou a ser devidamente abastecida de sabonete e toalha. Saiba que o sabão ainda é a arma mais eficaz para se livrar de um indesejável Coronavírus que tenha lhe acompanhado até em casa.

Falando no vírus em si (e não tem como deslembrar), confesso, Sheila, que andei meio surtado com tudo isso. Bastava qualquer alteração do tempo e eu já achava que estava com febre. Às vezes ficava experimentando cheirar coisas diferentes para ver se não estava perdendo o olfato. Por mais de uma vez confundi uma certa crise de ansiedade com falta de ar e daí já concluía que estava doente: “Pronto. Fodeu.” Mas bastou passar um pouco o tempo, tomar os devidos cuidados de distanciamento e de higiene, que uma certa serenidade finalmente se estabeleceu. E também depois de fazer um teste rápido, é lógico.

Os dias têm sido relativamente iguais – exceto quando são diferentes. Estabelecemos algumas rotinas aqui em casa, o que ajuda a passar o tempo. Ou não.

Jean, o caçula, segundo ano no curso técnico de informática, está tendo aulas remotamente, de segunda a sábado, e não sai de casa.

Erik, o do meio, concluiu o curso técnico de publicidade e está em seu “ano sabático” para decidir o que fazer, o que já havia sido planejado anteriormente e coincidiu com o isolamento, também sem sair de casa.

Kevin, o mais velho, está fazendo duas faculdades EAD (Ensino a Distância, veja só quanta modernidade!): engenharia informática e marketing. Mas faz estágio de segunda a sexta, então usa o carro praticamente todos os dias. Antes o estágio era na área de informática na Secretaria Municipal de Educação e ele ia de ônibus, o que nos deixava de orelhas em pé. Mas bem no comecinho da pandemia ele mudou e passou a fazer estágio na área de administração e marketing – adivinhe onde? Na área administrativa de uma igreja evangélica! E o fato de o pastor dessa igreja ser o pai da menina que ele namora há anos é meramente uma coincidência…

Levanto bem cedinho todos os dias e preparo o café da trupe inteira, pois a aula do Jean começa às sete e o Kevin sai de casa às nove e meia. Eu e a Dona Patroa temos trabalhado em casa – o que ela já fazia, pois na função de Auxiliar do Juiz tudo passou a ser via “home office” – e praticamente só saímos uma vez por semana: às quintas, bem de manhãzinha, para ir até a feira e reabastecer a geladeira, a fruteira, e o consumo de pastel e de caldo de cana.

Confesso-lhe que no meu caso já ando mais “saidinho”… Sempre que posso e não devo dou uma passada na firma para a qual presto serviços (aquela mesma), na casa de meus pais para ver como estão meus velhinhos e na “Autoelétrica do Japonês” para vagabundear um pouco, que é a oficina do sujeito que fez toda a parte elétrica do meu Opala e acabamos ficando amigos. Aliás, acho que até você já deve saber, mas além do bom e velho Titanic, voltei ao mundo de duas rodas!

Ou seja, além do Opala 1979 – que atualmente está na oficina mecânica do “Seo” Waltair, aí em Jacareí, para a revisão dos 1.000km (isso mesmo, milão, pois foi feito o motor, lembra?) agora também sou o feliz proprietário de uma CB 400 1981 (não deixe se enganar pelo adesivo), uma moto cujo dono anterior mandou fazer o motor, rodou cerca de 300 quilômetros em uma única viagem e em seguida a encostou num canto da casa. Por mais de quatro anos! Comprei a moto “no estado”, levei-a num mecânico especializado em motos antigas que trocou tudo que tinha que trocar por ter se estragado por todo o tempo em que ficou parada (mangueiras, cabos, relação, lonas, pastilhas, etc), revisou parte elétrica, mecânica e pronto! De volta ao mundo dos vivos! Ou seja, só eu mesmo para me sentir realizado com veículos com mais de 40 anos de uso…

No mais, vamos levando. Não consegui ser o abstêmio que pretendia, pois concluí que para mim é mais fácil me associar a alguma professora hare krishna de yoga e fundar um centro público de meditação transcendental lá no meio do mato do que deixar de tomar as minhas cajibrinas de vez em quando. Mas também não acho que seja o alcoólatra que pensava ser, pois tomar umas e outras apenas uma vez por semana não seria sinal de falta de moderação. Bem, só não podemos esquecer que todo viciado sempre encontra meios de defender seus vícios, então…

Falando em vícios, sabia que a Dona Patroa se tornou uma viciada? É sim: em suculentas! E não, não é nada dessa besteira que você pensou aí, não! É que no ano passado ela resolveu que iria presentear a cada uma das mães lá da Igreja Holiness com um vasinho de suculenta e então, desde dezembro, começou a cultivá-las. Apenas algumas dezenas já seriam o suficiente. Mas veio a pandemia, o isolamento, o Dia das Mães chegou e passou e as suculentas continuaram aqui em casa. E ela se encantou com sua variedade. E ela arranjou mais suculentas – “Ah, desse tipo eu ainda não tenho!” – e o negócio foi se multiplicando. E eis que na última contagem que fiz ali na varanda tínhamos nada menos que 166 vasinhos de suculentas! É ou não é um vício?

E vocês, como estão? Pelo que percebi o maridóvski voltou (com todos os cuidados) à ativa, certo? E o escritório? Transferiu pra casa ou ainda vai lá de quando em quando? As crianças estão bem? Seu caçula perdeu aquela mania de ralar a tela do iPhone no chão? 😂

Do tempo livre que passo em casa tenho aproveitado para aprofundar minhas pesquisas genealógicas (em linha reta já consegui chegar no final do século XVI, na Freguesia de Santa Comba de Fornelos, Distrito de Braga, região norte de Portugal), tenho lido um bocado (menos do que gostaria), e assistido muitos filmes e séries, alguns novos e outros repetidos (sempre naquele meu esquema de fuçar até achar na Internet e baixar tudo via Torrent).

Praticamente não tenho me exercitado, mas até que tenho segurado a boca – o que é bem difícil quando você tem um enorme tempo livre em casa e a sua cara metade adora fazer “experimentações culinárias”. Considerando que comecei o ano com 110kg e agora estou com 102kg, até que tá bom. Ainda é um excesso, mas tá bom.

E assim prosseguimos, bem no estilo do Bill Murray no filme Feitiço do Tempo (ou “Dia da Marmota”), lembra?

Ainda estamos nos acostumando ao “novo normal” e ainda não temos ideia de quando tudo isso vai acabar. Nem SE vai acabar. Talvez quando a vacina chegar as coisas mudem um pouco, mas não dá para se ter certeza. Só sei que ainda vai demorar. Mais de 130 mil pessoas (até onde é possível aferir) já morreram diretamente em decorrência do Coronavírus e na presidência do país temos um insano que teima em fazer vista grossa a tudo que está ocorrendo enquanto que uma boa parte da população, por sua vez, também insana, teima em não querer enxergar que essa família de corruptos não possui um projeto de governo, mas sim um projeto de poder. É bem como escrevi outro dia no Twitter: “E eis que as dez pragas do Egito estão sendo reeditadas no Brasil, pois até agora já tivemos, além da pandemia em si, ciclone com cerca de 250 km/h, gafanhotos se aproximando pelo sul, incêndio incontrolável no sudeste e Bolsonaro no Planalto”.

Minha linda amiga, obrigado pela mensagem. Obrigado por me lembrar que as pessoas são importantes e que não podemos deixar de entrar em contato porque estamos muito ocupados aqui em nossa terra de lugar nenhum fazendo nossos inexistentes planos mirabolantes exatamente para ninguém (e sim, isso é da música Nowhere Man). O tempo passa e a gente não percebe. Que eu me lembre a última vez que conversamos pessoalmente foi em novembro do ano passado. Foi a última vez que nos abraçamos – e convenhamos que, de lá pra cá, não tem sido possível abraçar mais ninguém…

Enfim, Sheilíssima, basicamente é isso! Mande notícias suas, quer seja por aqui, pelo zap, por telefone, através de carta, sinal de fumaça, transmimento de pensação, por onde quiser, mas mande! Parafraseando aquela música do Chico, seria mais ou menos assim (dê um play e só leia se for pra cantar junto 😁):


Minha cara amiga, me perdoe, por favor

Se eu não lhe faço uma visita
Mas até agora não tenho um portador
Então mando notícias por esta escrita

Na minha terra eu não jogo futebol
Não tem samba, não tem choro, mas rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Minha cara amiga, eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Não vou pescar, que não tenho vara nem anzol
E na segunda é dia de mudar lençol
As baixelas vou limpando com caol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Minha cara amiga, eu quis até telefonar
Mas a conexão não é de graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Pra esquecimento vou tomando Fosfosol
E de nervoso me ataca o terçol
Só não tem cura pr’esse meu besteirol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Minha cara amiga, eu bem queria lhe escrever
Mas o Whatsapp andou arisco
Se me permite, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas com estes riscos

Outro dia me foi queimando o farol
Mas o motor com afinação de rouxinol
E de moto vou desviando de cerol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Mieko manda um beijo para os seus
Um beijo na família, no Rodrigo e nas crianças
E eu já aproveito pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus!

Tabela de Calorias

Sexo é a maneira mais prática e divertida de perder peso. Segundo esta tabela (ligeiramente baseada no livro Como emagrecer fazendo sexo, de Richard Smith) veja quantas calorias se perde em cada embate, com atenção especial para os valores…

* TIRANDO AS ROUPAS
Com o consentimento dela ............................12 cal
Sem o consentimento dela ...........................187 cal
Tirar as meias sacudindo os pés violentamente ......418 cal

* ABRINDO O SUTIÃ
Com as duas mãos, sem tremer .........................7 cal
Com uma mão, trêmula ................................12 cal
Com uma mão sendo espancado por ela .................37 cal
Com a boca ..........................................85 cal

* COLOCANDO A CAMISINHA
Com ereção ...........................................6 cal
Sem ereção .........................................315 cal

* PRELIMINARES
Tentando encontrar o clitóris ........................8 cal
Tentando encontrar o ponto G ........................92 cal
Não ligar a mínima ...................................0 cal

* NA HORA DE TRANSAR
Pegar no colo .......................................12 cal
Deitar no solo .......................................8 cal
Fazer mulher ........................................12 cal

* POSIÇÕES
Papai-mamãe .........................................12 cal
69 deitado ...........................................8 cal
69 em pé ...........................................112 cal
Carrinho de mão ....................................216 cal
Candelabro italiano ................................912 cal

* TENDO UM ORGASMO
Real ...............................................112 cal
Falso (se for mulher) ...............................36 cal
Falso (se for homem) ...............................315 cal

* PÓS ORGASMO
Ficar na cama abraçadinho ...........................18 cal
Pular da cama logo em seguida .......................36 cal
Explicar para ela porque você pulou logo da cama ...816 cal

* CONSEGUINDO A SEGUNDA EREÇÃO
Se você tem de 16 a 19 anos .........................12 cal
de 20 a 29 ..........................................36 cal
de 30 a  39 ........................................108 cal
de 40 a 49 .........................................324 cal
de 50 a 59 .........................................672 cal
acima de 60 ......................................2.916 cal

* COLOCANDO A ROUPA
Calmamente ..........................................32 cal
Com pressa para se mandar ...........................98 cal
Com o marido dela esmurrando a porta .............1.218 cal

Veja se você está velho…

Em dias de pandemia, distanciamento social e forçada reclusão domiciliar o que nos resta é caprichar nas faxinas – tanto materiais quanto virtuais. E eis que limpando os antigos e-mails acumulados nas catacumbas de meu computador, encontrei estas 100 perguntas enviadas no início de 2003 pela querida amiga Larissa – só porque eu era dez anos mais velho que ela. Bem, continuo sendo… Enfim, o que me chamou a atenção é que eu tive a pachorra de respondê-los! 😀

1. Antes do Ferrorama, que tal o Hit Train (e o Hit Car, que ninguém tinha…)
Lembro bem do Ferrorama, mas nunca tive um…

2. Ouvia o USA For África, cantando We Are The World?
“We are the world, we are the children…” – Adorava as partes com a Cindy Lauper e com o Bruce Springsteen.

3. E o Band Aid, cantando Do They Know It’s Christmas?
Esse eu já não gostei tanto…

4. Assistiu o Rock’n Rio (“-Se a vida começasse agora e o mundo fosse nosso de vez…”)
Olha só! Me lembrei da melodia! Não só assisti, como gravei. Acho que até hoje tenho a fita (de 1985).

5. Passava a tarde na Sessão Desenho da Record.
Lembro-me disso e mais: dos desenhos da TV Tupi, antes do Sílvio Santos comprar a Record.

6. A atração era o desenho do Jambo e Ruivão, com seus longos episódios de 2 minutos.
Esse eu achava sacal.

7. Você teve um Relógio Casio Rei e os com joguinhos (Batalha espacial, batalha naval e pirâmide).
Desse não me lembro.

8. E o joguinhos dos números dos Casio com calculadora?
Nem desse.

9. Jogava Game & Watch, principalmente os com tela dupla.
???

10. Tentava imitar o saque Jornada nas Estrelas do Bernard.
O pior é que eu conseguia (estava na sétima série), mas nem sempre a bola caía dentro da quadra.

11. Assistia o Clip Clip da Globo, o Clip Trip da Gazeta e o Som Pop da Cultura, morrendo de inveja da MTV (lançamento nos EUA).
Oooooo! Gravei uma porrada de clips desses aí! Na gazeta tinha o Mr. Sam, com o boneco Capivara.

12. Fazia origami no Bambalalão.
Nãããão!

13. Não perdia o Globinho Repórter, com a Paula Saldanha.
Não era “Globinho Repórter”, era só “Globinho”. E tinha a música de entrada: “Não existe nada mais antigo do que caubói que dá cem tiros de uma vez…”

14. E assistia A Linha, Miu e Mau, família Barbapapa…
Tudo do Globinho…

15. Para variar, assistia o Amaral Netto, o Repórter.
Putz! Assistia.

16. Ficou emocionado no final de “A Incrível Fábrica de Chocolates.”?
E como não? Mr. Wonka e a Fantástica Fábrica de Chocolates, com Gene Wilder.

17. Usou calça OP verde limão com a camiseta Hang Loose laranja, achando que estava combinando.
Ah, vamos lá! Na época combinava…

18. Para arrematar, o tênis quadriculado.
Com a gente não tinha tênis quadriculado, pintávamos os quadradinhos com caneta esferográfica no Bamba branco que usávamos…

19. E o gel New Wave no cabelo.
Isso não!

20. Tentava imitar o ‘andar para trás’ do Michael Jackson (que ainda era negro).
E nunca consegui…

21. Andava de Caloicross Extra Light, com banco concorde e adesivos Kuwahara.
Que nada! Eu tive uma BMX, aquela com um tanquinho amarelo (é lógico que eu o tirei…).

22. Ou então, andava de Caloi C3, aquela com o cambio de 3 marchas. E a Peugeot com bancos de mola?
Essas são do tempo em que eu trabalhava em bicicletaria. As Peugeots eram ótimas pra sacanear com quem estava andando: um tranco atrás e a bicicleta empinava!

23. Ou então de Ceci ou dobrável.
Tinha a Ceci (feminina) e a Peri (masculina – uma bosta). A dobrável se chamava Berlineta.

24. Assistiu todos os filmes do Jerry Lewis e do Trinity.
Do Jerry Lewis até hoje eu rio. Já do Trinity tem apenas uns poucos realmente engraçados.

25. Assistia (escondido) a Sala Especial nas noites de sexta na Record, para tentar pegar a Vera Fisher nua.
Que nada! Aquilo era a maior enganação! Nunca aparecia nada! Eu mudava para a Bandeirantes para assistir aos filmes B de Terror.

26. Levava o material escolar numa sacola da Tiger.
Nãããão. O que era da hora era a Knapsack.

27. Brincava com o Falcon (olhos de águia) contra o Torak, com a ajuda do Condor.
É. Pois é. Eu tinha um Falcon desses. Aliás tinha também um pessoal que me enchia o saco, tentando me apelidar de Falcon, por causa da cicatriz que tenho no rosto (igual à do boneco). Ainda bem que não pegou.

28. Colecionou as figurinhas do Paulistinha.
Com certeza não.

29. Você se lembra quando inauguraram a TV Manchete?
Perfeitamente! A primeira coisa que passou foi o filme Contatos Imediatos.

30. Você se lembra quando Tancredo morreu e ficavam tocando “Coração de Estudante” o dia todo na TV?
Ô! Fora a teoria da conspiração sobre esse episódio, envolvendo, inclusive, a sem sal da Glória Maria.

31. Você não achava o Bozo um idiota?
Sem chance. Aquilo sempre foi ridículo.

32. Lembra da TV POW, que um mané ficava gritando PAU! no telefone para acertar as naves espaciais?
Lembro. E era mais ridículo ainda.

33. Você ia domingo ao “Jack in the box”?
Não tenho nem ideia do que seja isso.

34. Você chorou com o ursinho da abertura da Olimpíada de Moscou?
Não mesmo.

35. Tem o primeiro número da Superinteressante? E se lembra de Ciência Ilustrada?
Não tenho. Mas colecionei todos os fascículos da Ciência Ilustrada, inclusive as 4 capas duras.

36. Você ouviu Imagine milhares de vezes na semana da morte de John Lennon?
Lembro-me que desenhei um quadro com o rosto dele, em negativo. Onde será que foi parar?…

37. Você aprendeu a desenhar com Daniel Azulay?
Nah! Aprendi sozinho mesmo.

38. Já ouviu falar em contaminação por Radiação em Goiânia?
Para sua informação foi com Césio 147. Você nem imagina quantas piadinhas isso rendeu com relação ao Fiat 147…

39. Relógios Gran Prix para homens e Champions para mulheres (aqueles que trocavam de pulseira) faziam parte do seu dia a dia?
Dei um desses de presente para a ex. Mas as pulseiras eram beeeem vagabundinhas.

40. Assistia com sua vó o Cassino do Chacrinha?
Que nada! Minha avó me excomungaria! Mas desde aquela época eu já não gostava de programas de auditório (mas as chacretes…)

41. Você teve o forte apache e o circo do Playmobil?
Pô! O Forte Apache era caro pra caramba! Eu morria de inveja de um amigo meu que o tinha. Mas até hoje tenho um Playmobil que restou guardado em casa.

42. Você se lembra quando a União Soviética se dissolveu?
Perfeitamente. Passei a noite toda consolando a Evanilda, que chorou amargamente…

43. Você usava discos de vinil?
Tinha uma senhora de uma coleção…

44. Você adorava o lanche paulista no McDonald’s?
Quê! Sou do interior! NO McDonald’s na época.

45. Depois de ter um Stratus, pediu um carrinho de controle remoto como o Pegasus série ouro e prata ou o Colossus vermelho?
Não. Dinheiro era um negócio meio complicado na minha infância.

46. Brincava de autorama com o TCR ou de Ferrorama?
Nem um, nem outro.

47. Você gostava mais de Ultraman, Spectroman ou Ultra Seven?
Ultraman. O resto foi imitação.

48. Você assistiu filme dos Trapalhões no cinema na época em que eles ainda tinham cabelo preto? E Bambi?
Não só esses, como também A Bela Adormecida…

49. Você ria com Guerra dos Sexos, Dancing Days e Roque Santeiro?
Pra caramba!

50. Comprou a fita K-7 do Plunct-Plact-Zum?
Não. Eu emprestava os discos de quem comprava e gravava em casa.

51. E a Blitz, não tinha documentos ou instrumentos? Ia ao aquário de Santos nos tempos áureos do leão marinho?
Tenho minha fitinha K7 da Blitz até hoje. Já em Santos nunca fui quando era pequeno.

52. Usava caneta de 10 cores com cheiro ?
Isso existiu?

53. Comia geleia de mocotó Embasa pela manhã (aquela que a mãe ficava com o copo)?
Bleeaaarghhh! Nossa finíssima coleção de copos era de massa de tomate (o famoso Cristal-Cica).

54. Dava seus pulinhos com o Pogobol?
Com o quê?

55. Pagava um pau para a Gigi do Bambalalão?
Quem?

56. E cantava junto com o Zecão, Lili, Macarrão?
Eeeh. Não conheço esse pessoal não.

57. Ia na matinê da Up-Down?
Não tenho nem ideia do que seja isso.

58. Colecionou o Álbum de figurinhas Amar é…?
Autocolantes, diga-se de passagem. Não colecionei, mas sempre comprava para colar nos cadernos das meninas de classe…

59. Seu pai tinha um Puma e o Miura era o carro importado mais moderno que você via na rua?
Não. Meu pai tinha uma Variant. Aliás, tem até hoje. Lembro-me que, uma vez, o chefe dele na Johnson levou um Miura para arrumar alguma coisa. Era cinza e o supra-sumo da modernidade.

60. Assistia na sessão comédia Super Vicky e Caras e Caretas?
Ela era um robô e Caras e Caretas era com o… fugiu o nome. Aquele do “De Volta para o Futuro”.

61. Chips para você não eram batatas, mas dois policiais?
California HIghway Patrol, com John Baker e Francis Poncherello.

62. Assistia desenhos do Brucutu?
Era meio sem graça…

63. E do homem 6 milhões de dólares e da mulher biônica?
TU-TU-TU-TU-TU-TU… Se eles se moviam super-rápido, por que aparecia tudo em câmera lenta?

64. Você sabe quem é o Tatoo da Ilha da Fantasia?
“Eu sou Holk, seu anfitrião. Bem-vindos à Ilha da Fantasia!” Desse eu gostava.

65. Você se lembra do Halleyfante?
De jeito nenhum.

66. Foi na estreia dos Caça Fantasmas e Goonies no cinema?
Siiiiiim! Ghostbusters! Parará-pá-pá!

67. E na de Tron, War Games e a trilogia de Guerra nas Estrelas?
Lembro-me de todos, com detalhes.

68. Assistia Armação Ilimitada depois que chegava da escola?
Naquela época o André Di Biasi e o Kadu Moliterno ainda tinham cabelo. E tinha a (ahh…) Andréa Beltrão…

69. Depois da novela a sua mãe queria ver o Casal 20 e Dallas?
Não. Era eu mesmo.

70. Sabe com detalhes sobre a reportagem do Jacques Cousteau fez sobre o Pantanal e que passou no Globo Repórter, que era apresentado pelo Hélio Costa?
Desse não.

71. O Jô antes não era tão inteligente e fazia o Capitão Gay na Globo.
Não esqueça seu assistente: Carlos Sueli! O nome do programa era Viva o Gordo.

72. Você jogava Genius?
Sempre ganhava, mas achava um porre.

73. Colecionava Mad?
E ainda era a versão americana, muito mais engraçada que a brasileira.

74. Queria um Kichute, pois era uma chuteira confortável?
É. Tive um sim. Por quê? Vai encarar?

75. Se agoniava quando no domingo no parque trocavam uma bicicleta por uma caixa de fósforos? Ou pelo famoso “milhão”?
Siiiiiiim! Nãããããão! Põe agonia nisso!

76. Se lembra que o tênis Montreal era antimicróbios? E qual era o Slogan?
Não tenho nem ideia.

77. Brincava de Acquaplay?
Outro que era um porre.

78. Sabe o que era Trovão Azul?
Grande seriado de um super-helicóptero. Xarope, mas um grande seriado. Particularmente eu preferia a super-máquina.

79. Se lembra da briga entre VHS e Betamax ? E entre Odissey e Atari?
Venceram os padrões VHS e Atari. Sifudeu quem comprou o resto.

80. Carregou joguinhos de computador com fita-cassete?
Isso foi antes dos microcomputadores. Usávamos os PC-300 e PC-500.

81. Você sabe quem foi O Incrível Hulk? Que cor ele era?
O curioso é que o verdão só se transformava duas vezes em cada episódio.

82. Você se lembra quem matou Odette Roitman? E o Barbosa (TV Pirata)?
Grande atuação de Beatriz Segall. E não tem como esquecer o Barboooooooooosa…

83. Você já usou roupas US TOP?
E LEVIS também!

84. Você já teve uma sandalinha Ortopé? Ou um tênis Bubble Gummers com cherinho de chiclet?
Nai.

85. Você assistia Fantástico, só pra ver as garotas do final?
Nai, também.

86. Você foi ver a Monga no Playcenter? E Nandú e Samôa, a baleias assassinas?
Levei um PUSTA susto quando estourou a jaula da Monga…

87. Você usou o Passaporte que vinha no disco do Bozo para ir ao Playcenter?
Insuportável Sem chance de comprar um disco do bofe.

88. Você comia Cremogema?
Não, mas me lembro da musiquinha: cre-cremo-cremo-cremoge-ma…

89. Você assistia “As aventura de Cacá” no SBT, durante seu café da manhã?
De quem?

90. Você assitia Clube da Criança na Manchete, só pra ver a Lucinha Lins naquelas roupinhas brilhantes?
Nossa! Isso foi antes da Xuxa!

91. E o Programa do Palhaço Carequinha?
Cacirda! Desse eu me lembro!

92. Você já usou Conga? E Conguinha?
Antes mesmo do Kichute…

93. Assistia o Fusquinha Herbbie?
Quando passava na Disneylândia, aos sábados, na Globo.

94. Você se lembra do “Balança Mas não Cai”?
Sim, desde quando ainda era um programa de rádio.

95. Tinha medo do “Homem do Saco”?
Não. Mas a “loira-com-algodão-na-boca” que se escondia no banheiro deixava a gente meio cabreiro.

96. Teve um patins de rodas paralelas?
Não, mas já caí com uma porcaria dessas que tinha emprestado de uma amiga.

97. Já foi ameaçado pelos seus pais, de ter que comer pimenta ou lavar a boca com sabão?
Acredite em mim: o gosto do sabão é horrível!

98. Brincava de Barra-Manteiga, Balança Caixão e Alerta?
Pra caramba!

99. Gostava do picolé Fura Bolo?
Não. Era sem graça.

100. Assistia o Clube do Mickey (aquele que aparecia várias crianças brincando com o famoso chapeuzinho de orelhas do ratinho)?
Siiim! Tinha, inclusive, uma japonesinha linda, pré-adolescente, que eu adorava…

Você sabe qual é a origem da arroba?

Reinaldo Pimenta
No livro: A Casa da Mãe Joana

Na Idade Média os livros eram escritos pelos copistas à mão. Precursores da taquigrafia, os copistas simplificavam o trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios, por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido (tempo era o que não faltava naquele tempo). O motivo era de ordem econômica: tinta e papel eram valiosíssimos.

Foi assim que surgiu o til (~), para substituir uma letra (um “m” ou um “n”) que nasalizava a vogal anterior. Um til é um enezinho sobre a letra, pode olhar.

O nome espanhol Francisco, que também era grafado “Phrancisco”, ficou com a abreviatura “Phco.” e “Pco”. Daí foi fácil Francisco ganhar em espanhol o apelido Paco.

Os santos, ao serem citados pelos copistas, eram identificados por um feito significativo em suas vidas. Assim, o nome de São José aparecia seguido de “Jesus Christi PaterPutativus”, ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde os copistas passaram a adotar a abreviatura “JHS PP” e depois “PP”. A pronúncia dessas letras em sequência explica porque José em espanhol tem o apelido de Pepe.

Já para substituir a palavra latina et (e), os copistas criaram um símbolo que é o resultado do entrelaçamento dessas duas letras: &. Esse sinal é popularmente conhecido como “e comercial” e em inglês, tem o nome de ampersand, que vem do and (e em inglês) + per se (do latim por si) + and.

Com o mesmo recurso do entrelaçamento de suas letras, os copistas criaram o símbolo @ para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de “casa de”.

Veio à imprensa, foram-se os copistas, mas os símbolos @ e & continuaram a ser usados nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço – por exemplo: o registro contábil “10@£3” significava “10 unidades ao preço de 3 libras cada uma”. Nessa época o símbolo @ já ficou conhecido como, em inglês como at (a ou em).

No século XIX, nos portos da Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar práticas comerciais e contábeis dos ingleses. Como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses atribuíam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo seria uma unidade de peso. Para o entendimento contribuíram duas coincidências:

1 – a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo “a” inicial lembra a forma do símbolo;

2 – os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Dessa forma, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registro de “10@£3” assim: “dez arrobas custando 3 libras cada uma”. Então o símbolo @ passou a ser usado pelos espanhóis para significar arroba.

Arroba veio do árabe ar-ruba, que significa “a quarta parte”: arroba (15 kg em números redondos) correspondia a ¼ de outra medida de origem árabe (quintar), o quintal (58,75 kg).

As máquinas de escrever, na sua forma definitiva, começaram a ser comercializadas em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais datilografados). O teclado tinha o símbolo “@”, que sobreviveu nos teclados dos computadores.

Em 1872, ao desenvolver o primeiro programa de correio eletrônico (e-mail), Roy Tomlinson aproveitou o sentido “@” (at), disponível no teclado, e utilizou-o entre o nome do usuário e o nome do provedor. Assim “Fulano@Provedor X” ficou significando “Fulano no provedor X”.

Em diversos idiomas, o símbolo “@” ficou com o nome de alguma coisa parecida com sua forma, em italiano chiocciola (caracol), em sueco snabel (tromba de elefante), em holandês, apestaart (rabo de macaco); em outros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel, em Israel; strudel, na Áustria; pretzel, em vários países europeus.

Perda de tempo (ou Panapaná)

[Não lembrava mais de ter escrito isso… Faz parte daquelas coisas que eu escrevinhava daqui e dali antes mesmo de começar a blogar “oficialmente”. Este foi um texto que enviei para alguns amigos, lá em meados de 2003, e foi encontrado nas sombrias catacumbas de meu computador durante uma faxina de e-mails decorrente desse modorrento ócio imputado pela pandemia.]

Buenas!

Hoje pela manhã, correndo até à padaria para compra de meus pãezinhos matinais, apressado para não perder tempo, quase fui atropelado por uma bicicleta.

Naquele milésimo de segundo de indecisão entre sair para um lado e a bicicleta para o outro, tudo que a ciclista pôde fazer foi sorrir.

E aí eu soube o que fazer.

Saí calmamente de lado e lhe sorri de volta.

Perdi segundos de minha vida sorrindo para uma completa estranha – e isso me fez bem!

Aí decidi perder meu tempo.

Perdi meu tempo no meio do caminho, olhando para uma árvore e ela sorriu pra mim, me revelando uma ninhada(1) – será mesmo esse o nome? – de borboletas que se abrigava sob suas folhas.

Perdi meu tempo espreguiçando e olhando para o céu, o qual sorriu pra mim através de sua limpidez azul.

Perdi meu tempo sorrindo para a balconista, que, sorrindo, escolheu os melhores e mais quentinhos pães.

Perdi meu tempo afagando a cabeça de um cachorro na rua, que, grato, me acompanhou por dois quarteirões, abanando seu rabinho – sorrindo.

Perdi meu tempo fazendo cócegas na barriga de meu filho caçula, que também sorriu – ou melhor, gargalhou – pra mim.

Perdi meu tempo ajudando meu filho mais velho a resolver o quebra-cabeça de uma revista, e, com o resultado, ganhei um iluminado sorriso.

Perdi meu tempo, quando saía para o trabalho, num longo beijo em minha esposa, recebendo de volta um sorriso apaixonado.

Perdi meu tempo, enquanto dirigia, pensando em coisas boas e soluções práticas para os problemas no trabalho, e sorri para mim mesmo.

E querem saber?

Não perdi nem um minuto de minha vida, chegando no mesmo horário de sempre, encontrando os mesmos problemas de sempre, e as mesmas pessoas de sempre. Mas, como o sorriso é um vírus contagioso, tudo está um pouco melhor hoje.

Portanto, ladies and gentleman, melhorem sua qualidade de vida:

Percam tempo.

Sorriam.

E comam morangos(2) !

Notas:

(1) Comentário do brother-san Adilson:

Verbete: borboleta (ê) [De *belbellita, calcado em belo.] S. f.
1. Designação comum aos insetos lepidópteros diurnos, cujas antenas são clavadas. [As larvas das borboletas não tecem casulos, passando o período ninfal sob forma de crisálidas. Sin.: panapaná, panapanã. Cf. mariposa (1).]

Verbete: panapaná [Do tupi panapa’ná.] S. m. Bras.
1. Migração de borboletas em certas épocas, que chega a formar verdadeiras nuvens.
2. Bando de borboletas.
3. V. borboleta (1).

Ou seja, panapaná, que é sinônimo de borboleta, também é a palavra para o coletivo…

(2) Não tenho nem ideia do porquê dos morangos!

Dieta de uma Executiva

Patrícia Daltro

Querido Diário:

Hoje começo a fazer dieta. Preciso perder 8 kg. O médico aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito. Sinto-me de volta à adolescência, mas estou muito empolgada com tudo. Por mais que dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto maravilhoso, vai ser tudo de bom.

Primeiro dia de dieta.
Um queijo branco. Um copo de diet shake. Meu humor está maravilhoso. Me sinto mais leve. Uma leve dor de cabeça talvez.

Segundo dia de dieta.
Uma saladinha básica. Algumas torradas e um copo de iogurte. Ainda me sinto maravilhosa. A cabeça dói um pouquinho mais forte, mas nada que uma Aspirina não resolva.

Terceiro dia de dieta.
Acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão. Mas depois de um tempo percebi que era o meu próprio estômago. Roncando de dar medo. Tomei um litro de chá. Fiquei mijando o resto da noite.
Anotação: Nunca mais tomo chá de camomila.

Quarto dia de dieta.
Estou começando a odiar salada. Me sinto uma vaca mascando capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Minha cabeça parece um tambor. J. comeu uma torta alemã hoje no almoço. Mas eu resisti.
Anotação: Odeio J.

Quinta dia de dieta.
Juro por Deus que se ver mais um pedaço de queijo branco na minha frente, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Gritei com o boy hoje! E com a J. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar. Comprei uma revista com a Gisele na capa. Minha meta. Não posso perder o foco.

Sexto dia de dieta.
Estou um caco. Não dormi nada essa noite. E o pouco que consegui sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria hoje por um pedaço de brigadeiro…

Sétimo dia de dieta.
Fui ao médico. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem! A semana toda comendo mato. Só faltando mugir e perdi apenas 250 gramas! Ele explicou que isso é normal. Mulher demora mais para emagrecer, ainda mais na minha idade. O FDP me chamou de gorda e velha!
Anotação: Procurar outro médico.

Oitavo dia de dieta.
Fui acordada hoje por um frango assado. Juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can.
Anotação: O pessoal do escritório ficou me olhando esquisito hoje, J. que é porque estou parecendo o Jack do “Iluminado”.

Nono dia de dieta.
Não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me acordar, dançando dança do ventre dessa vez. Passei o dia no sofá vendo TV. Acho que existe um complô. Todos os canais passavam receitas culinárias. Ensinaram a fazer Torta de morangos, salpicão e sanduíche de rocambole.
Anotação: Comprar outro controle remoto, pois, num acesso de fúria, joguei o meu pela janela.

Décimo dia de dieta.
Eu odeio Gisele B.

Décimo primeiro dia de dieta.
Chutei o cachorro da vizinha. Gritei com o porteiro. O boy não entra mais na minha sala e as secretárias encostam na parede quando eu passo.

Décimo segundo dia de dieta.
Sopa.
Anotação: Nunca mais jogo pôquer com o frango assado. Ele rouba.

Décimo terceiro dia de dieta.
A balança não se moveu. Ela não se moveu! Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustado o médico sugeriu um psicólogo. Acho que chegou a falar em psiquiatra. Será porque eu o ameacei com um bisturi?
Anotação: Não volto mais ao médico, o frango acha que ele é um charlatão.

Décimo quarto dia de dieta.
O frango me apresentou uns amigos. A picanha é super gente boa, e a torta, embora meio enfezada, é um doce.

Décimo quinto dia de dieta.
Matei a Gisele B! Cortei ela em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que tinha em casa.
Anotação: O frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do Sr. Pão. Mas foi em legítima defesa. Ele me ameaçou com um pedaço de salame.

Décimo sexto dia.
Não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão. E arrematei com a torta. Ela realmente era um doce.

Noé da Silva

Autor Desconhecido

Um dia, o Senhor chamou Noé da Silva e ordenou-lhe:

– Dentro de seis meses, farei chover ininterruptamente durante 40 dias e 40 noites, até que todo o Brasil seja coberto pelas águas. Os maus serão destruídos, mas quero salvar os justos e um casal de cada espécie animal. Vai e constrói uma arca de madeira.

No tempo certo, os trovões deram o aviso e os relâmpagos cruzaram o céu. Noé da Silva chorava, ajoelhado no quintal de sua casa, quando ouviu a voz do Senhor soar, furiosa, entre as nuvens:

– Onde está a arca, Noé?

– Perdoe-me, Senhor – suplicou o homem. Fiz o que pude, mas encontrei dificuldades imensas. Primeiro tentei obter uma licença da Prefeitura, mas para isto, além das altas taxas para obter o alvará, me pediram ainda uma contribuição para a campanha do prefeito à reeleição. Precisando de dinheiro, fui aos bancos e não consegui empréstimos, mesmo aceitando aquelas altíssimas taxas de juros. Afinal, nem teriam mesmo como me cobrar depois do dilúvio. O Corpo de Bombeiros exigiu um sistema de prevenção de incêndio, mas consegui contornar, subornando um funcionário. Começaram então os problemas com o Ibama para a extração da madeira. Eu disse que eram ordens Suas mas eles só queriam saber se eu tinha um tal de “projeto de reflorestamento” e uma coisa chamada “plano de manejo”. Nesse meio tempo, o Ibama descobriu também uns casais de animais que eu já estava guardando em meu quintal. Além da pesada multa, o fiscal falou em “prisão inafiançável” e eu acabei tendo que matar o fiscal, pois a lei é mais branda para o crime de assassinato do que para o crime contra a natureza. Quando resolvi começar a obra na raça, apareceu o CREA e me multou porque eu não tinha um engenheiro naval responsável pela construção. Depois, apareceu o Sindicato exigindo que eu contratasse seus marceneiros com garantia de emprego por um ano. Veio em seguida a Receita Federal, falando em “sinais exteriores de riqueza” e também me multou. Finalmente, quando a Secretaria de Meio Ambiente pediu o “Relatório de Impacto Ambiental” sobre a zona a ser inundada, mostrei todo o mapa do Brasil. Aí quiseram me internar num hospital psiquiátrico!

Noé da Silva terminou o relato chorando mas notou que o céu clareava.

– Senhor, então não irás mais destruir o Brasil?

– Não, – respondeu a voz entre as nuvens – pois pelo que ouvi de ti, Noé, cheguei tarde… Os próprios brasileiros já se encarregaram de fazer isso!

O Alfarrábio de Paulo Bicarato

[Este é o prefácio que escrevi para o 1º Volume do livro “O Alfarrábio”, de Paulo Bicarato.]

“O Alfarrábio” é o nome do blog escrito pelo jornalista Paulo Henrique de Almeida Bicarato para expor suas elucubrações (quase) diárias desde sua criação, em 2001, até o presente ano de 2020.

Alfarrábio. [Do antr. ár. al-Färäbi, lat. Alfarabius, filósofo muçulmano estabelecido em Bagdá (c.870-950).] S. m. 1. Livro antigo ou velho e de pouco préstimo, ou valioso por ser antigo.

Blog. [Acrônimo de weblog] S.m. Página pessoal da web (rede) em que o log de dados (registro de eventos) tem atualizações periódicas, como num diário, mas organizadas cronologicamente de forma inversa, permitindo aos usuários trocar experiências e comentários, geralmente relacionada a uma determinada área de interesse.

Parece meio redundante ter que lembrar isso, mas realmente ainda existe nos dias de hoje gente que não sabe o que é uma coisa nem outra…

Sujeito sempre antenado com jornais, blogs e outros veículos de comunicação, era através do próprio blog que compartilhava tudo aquilo de interessante que vinha a cair em seu eclético radar.

Tinha por costume fazer a linkania entre os mais diversos blogs com os mais variados temas, postava notícias de política, cultura, arte, encontros e, lá no início, a grande discussão que era a disseminação dos blogs em contraponto ao meio jornalístico, sempre sob a premissa de que não deveriam “monetizar” suas atividades. Mais tarde começou a se aproximar de outros movimentos que cultuavam a utilização do software livre, a reciclagem de computadores e produtos de informática, tudo sempre voltado ao social e sua utilização em comunidades carentes. Sobretudo prezava o coletivo.

Também era de seu feitio pinçar pequenos trechos de músicas, de livros ou de poesias, bem como exprimir suas opiniões acerca do mundo que o cercava através de suas frases preferidas, tolices encontradas na Rede e seus inúmeros pensamentos aleatórios, os quais serviam para demonstrar como sua cabeça não linear pensava, inclusive com seu estilo de humor por muitas vezes nonsense… Seus pensamentos, relatos e principalmente suas críticas compõem uma foto do mosaico daquele início da Internet no Brasil.

A gênese d’O Alfarrábio se deu no Blogspot em junho de 2001 com um visual que, como ele mesmo definia, parecia mais o de uma cantina italiana… Aos poucos e sempre com a ajuda dos amigos mais ligados nas traquitanas tecnológicas de formatação de sites foi se arrumando, turbinando seu blog com livros de visitas, sistemas de comentários (que volta e meia perdia), e outros quetais. Sei que nos dias de hoje pode parecer meio óbvio ter todas essas ferramentas disponíveis, mas naquela romântica era pré-diluviana da Internet, quando seu caldo cósmico era formado de sites, e-zines e HTML puro, tudo era mais complicado e invariavelmente tínhamos que escrever nossos próprios códigos na unha.

Mais tarde, no decorrer de dezembro de 2004 – e sempre com a ajuda dos amigos –, migrou para um novo endereço .ORG, adotou um sistema específico para gestão blogs, o Nucleus, e mudou a cara do blog, a qual permaneceria praticamente inalterada até meados de 2017. Como o Nucleus há muito havia sido descontinuado acabou transferindo os arquivos do blog para o sistema do WordPress – e mais uma vez perdeu um tanto daquilo que já havia publicado, praticamente tudo entre 2001 e 2004 (coincidência ou não, os arquivos do tempo do Blogspot).

Cada um conheceu o Paulo Bicarato de uma maneira peculiar: o jornalista, o blogueiro, o viajante, o leitor, o copoanheiro… De minha parte somente posso descrever como foi que EU o conheci, o que por si só já é de uma ótica bem restrita.

Olhando pra trás, por tantos anos que trabalhamos juntos parece que eu já o conhecia pela minha vida toda – ou ao menos desde que comecei a trabalhar na Prefeitura de Jacareí, em 2001. Mas não. Apesar de termos convivido no mesmo período quando estávamos na Prefeitura de São José dos Campos (entre 93 e 96), eu como estagiário de direito e ele no setor de comunicação – e talvez já termos cruzado nossos caminhos entre uma ou outra viagem de elevador – não foi ali que nos conhecemos.

Toda quinta-feira era dia de fechamento do Boletim Oficial do Município na Prefeitura de Jacareí, quando invariavelmente eu ficava até um pouco mais tarde e, antes de tomar o rumo de casa, passava ali no Armazém da esquina para tomar uma breja gelada. Se não me falha minha escassa memória, estávamos em março de 2006 e eu nessa rotina de sempre. Quando cheguei para o solilóquio etílico de costume, me deparei com aquele sujeito de rabo de cavalo, numa atenta leitura, com seus óculos de perna quebrada, de um dos inúmeros recortes de páginas de jornal que sempre carregava em seu embornal, sem nem contar a mochila-casa que sempre levava consigo encostada ali do lado…

Sabíamos que trabalhávamos no mesmo lugar, mas não sei bem o porquê de ter batido na nossa veneta de repartimos a mesa, a breja, a companhia e o proseio. O que simplesmente continuou se dando por anos a fio.

Entretanto, agora em 2 de junho de 2020, como já devem saber, o Bicarato partiu de vez para outras veredas do grande sertão celeste…

Mas o Alfarrábio ficou. Desde sempre eu o instigava a publicar um livro com todo esse material do blog, mas acabou que não deu tempo. Então eis que decidi fazer isso por mim mesmo.

Eu já sabia que compilar tudo que já foi publicado seria uma tarefa gigantesca e, apesar de tanta coisa interessante que já foi noticiada, talvez um tanto inócua. Isso porque estamos falando de publicações inclusive de quase 20 anos atrás. Naqueles tempos, além do e-mail e suas listas de discussão (equiparáveis aos grupos de WhatsApp dos dias de hoje), a comunicação se dava principalmente através dos programas de mensagens instantâneas, primeiramente o ICQ e mais tarde o MSN, sendo que o advento dos blogs meio que revolucionou tudo isso. Mas o mundo virtual é extremamente dinâmico e a grande maioria dos blogs citados naquela época dos desbravadores da Rede – “era tudo mato aqui” – já nem sequer existe mais. Mesmo as redes sociais abertas ao grande público ainda demorariam alguns anos para surgir: Orkut em 2004, o Twitter e o Facebook em 2006.

Por isso neste livro limitei-me a trazer aquilo que mais dizia respeito ao Bicarato: seus textos, seus artigos, seus recadinhos, suas impressões, suas citações. Quem o conheceu pessoalmente (ou mesmo virtualmente) há de sorrir ao ler determinados trechos, citações ou elucubrações e provavelmente pensará consigo mesmo: “de fato, esse é o Bica”.

Este livro abrange o conteúdo do Alfarrábio no período que vai de junho de 2001 até dezembro de 2004, ou seja, praticamente todo o tempo em que ficou hospedado no Blogspot. E foi somente lá pelo final de novembro de 2004 que o Bica começou a classificar seus posts em “categorias”, de modo que para acomodar o que foi publicado nessa época resolvi dividir o livro em alguns tópicos específicos.

Difícil divisão, pois de acordo com seu “modus scribentes” seus textos invariavelmente tratavam de tudo ao mesmo tempo aqui e agora. Ainda assim consegui encaixá-los da seguinte forma: Preto no Branco, que trata da vida de jornalista, política e análises; Blogosfera, redes sociais, informática, blogs; Biblios, crônicas, escritos e referências a livros; Escrevinhações, textos esparsos que não consegui encaixar em lugar nenhum; e Pensatas, meu preferido, textos médios, curtos ou curtíssimos, citações, impressões, recadinhos, etc. Era através desse último que, pelo blog, ele usualmente escrevia diretamente aos seus leitores, como se simplesmente estivesse proseando ao vivo e a cores com eles. Saborosíssimo.

Mas, afinal de contas, quem foi Paulo Bicarato? Ele foi um jornalista, fã incondicional da obra de Guimarães Rosa, riponga, palmeirense, ativista, canhoto, blogueiro das antigas, viajandão, mochileiro, cachaceiro, amante da língua portuguesa, agitador de movimentos sociais, dono de um texto impecável, apaixonado pelo Brasil, de uma inteligência fora de série, um cara sincero, poeta de guardanapo de boteco, humilde, teimoso, com um coração de ouro, o senhor das crases, extremamente confiável, excelente copoanheiro, desapegado, de fina verve humorística e o melhor escritor que já conheci. Foi tudo isso e muito mais. Porém, sobretudo – ao menos para mim – o mais importante: Paulo Bicarato foi meu amigo.

Adauto de Andrade,
na hercúlea tentativa
de organizar essas
elucubrações do Bica.

Comer, rezar, amar

Já tem uns dez anos que eu li esse livro de Elizabeth Gilbert, inclusive já citei alguns bons trechos aqui no blog (aqui, aqui e aqui). Mas dando uma geral no escritório em casa encontrei uma folha com algumas anotações interessantes que fiz e para não perdê-las transcrevo-as cá neste nosso cantinho virtual…

“A ideia e passarmos uma hora sentados em silêncio, mas fico contando os minutos como se fossem quilômetros – 60 cruciantes quilômetros que preciso aguentar.”

“Isso (o ego) não te ajuda. A função do seu ego não é te ajudar. A única função dele é se manter no poder. E, nesse momento, o seu ego está morrendo de medo, porque as asas dele estão prestes a serem cortadas. Se você continuar neste caminho espiritual, baby, os dias desse menino mau estão contados. Muito em breve o seu ego vai estar desempregado, e o seu coração vai estar tomando todas as decisões. Então o seu ego está lutando pela própria sobrevivência, jogando com a sua mente, tentando mostrar a autoridade dele, tentando te manter encurralada em um cubículo, afastada do resto do universo. Não dê ouvidos a ele.”

“As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho, a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma lama gêmea para sempre? não. Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesmo, e depois vão embora.”

“A gente precisa ter o coração partido algumas vezes. Isso é um bom sinal, ter o coração partido. Quer dizer que a gente tentou  alguma coisa.”

“Reconheço que você ainda não me ama do jeito que eu amo você, mas a verdade é que não ligo muito para isso. (…) Você pode sentir o que quiser, mas eu te amo e vou te amar sempre. mesmo que a gente nunca mais se veja, você já me trouxe de volta à vida, e isso é muita coisa. E é claro que eu gostaria de compartilhar minha vida com você.”