Um dia de Philippe Pinel

“Dia desses” a empregada lá de casa faltou.

Como a Dona Patroa está em uma nova fase em seu trabalho, prontifiquei-me: “Deixa que eu fico em casa com as crianças, amor”…

O saldo espiritual no final do dia até que foi positivo e relaxante, mas foi uma luta pro dia acabar. Logo após o café da manhã (mais ou menos uma hora e meia entre o primeiro a sentar e o último a sair da mesa), peguei a prole – todos os três – e dei uma passada no meu trabalho pra dar uma ajeitadinha no imprescindível.

Fora o fato de a mesa do estagiário ter ficado toda carimbada, a do assessor toda riscada, o livro de controle de processos todo colorido, e muitos clips e elásticos espalhados pelo chão, não houve nenhum problema (muito) grave.

O resto do dia foi no trivial, entre almoço, arrumação de casa e o leva e traz das crianças para escola.

Mas cheguei a uma conclusão irrefutável: é MUITO mais fácil acudir treze secretarias em uma Prefeitura do que três crianças dentro de uma casa! Ainda que com pouca diferença de idade (2, 4 e 6), as necessidades de cada um são totalmente distintas das dos outros, tendo em comum somente a sua simultaneidade… Todo mundo quer tudo ao mesmo tempo!

Enquanto este está com fome, aquele quer desenhar e aqueloutro pede pra colocar uma fita para assistir, mas o primeiro se cagou todo, logo depois do segundo ter saqueado alguns doces na geladeira (antes do almoço), ao mesmo tempo em que o terceiro derrubou todos os lápis, canetas e papéis pela sala, momentos antes de o caçulinha ter puxado a mangueira do chuveiro e jorrar água pra todo lado, enquanto que o do meio apareceu chorando na porta do banheiro porque o mais velho bateu nele, mas este não podia ter feito isso porque estava andando de bicicleta no quintal e o primeiro não deixava pôr a fralda porque queria brincar com o segundo de correr com a máscara do Batman, pois o terceiro estava montando uma estratégia de defesa do Yu-Gi-Oh baseada nos ataques do Pokémon…

Enfim, um dia digno de internação num manicômio…

Ontem, ao voltar pra tranquilidade de meu trabalho, tive que enfrentar apenas umas três reuniões, duas representações no Tribunal de Contas, uma impugnação a um edital, algumas formalizações de contrato e um outro tanto de pareceres, fora as consultas, cobranças, correrias e atendimentos.

Ah… A paz…

Um dos corolários da Lei de Murphy diz que “se você é o único a estar calmo quando todos os demais já estão desesperados, isso quer dizer que você não entendeu a gravidade da situação”.

Será?…

2 thoughts on “Um dia de Philippe Pinel

  1. Amei o texto!
    Esses homens… ainda bem que vc sabe quão importante é a presença feminina nos seus dias… sejam da dona patroa ou da dona empregada…

  2. Esta história me lembrou um inesquecível entardecer deste último verão, quando, em visita para juntar os nossos pequenos, a “Dona Patroa” me deixou cuidando desses 3 anjinhos, juntamente com os meus 2 amorzinhos enquanto ela iria buscar o “Seu Patrão” lá em Jacapau, às 6 da tarde… (“não demoraria mais que meia hora”…) Quando enfim chegaram, às 20:30(!!!), não encontraram um único cômodo íntegro, um único brinquedo no lugar… aquela foi a “mãe de todas as batalhas”! rsrsrs!! Mas fiquei muito comovido com a confiança, mesmo porque fui eu mesmo quem se ofereceu para tal ato suicida. Um dia eu ainda volto àquela casa, assim que eu melhorar da síndrome do pânico que adquiri desde então. Tirando a eventual ga-ga-gueira e alguns tiques nervosos, praticamente não há seqüelas. …Vai um Diazepan aí?

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