Imigração Japonesa

O sonho de enriquecimento em terras brasileiras

Antonio Alves da Fonseca
Texto enviado para os participantes da Lista Gentree ( genealogia ).

Os japoneses também imigraram de sua pátria por motivos semelhantes aos dos italianos e dos alemães: a desintegração do sistema feudal após a “restauração Meiji” (1868), bem como a política de industrialização e urbanização.

O Estado japonês passou a taxar fortemente a propriedade rural e a produção agrícola, para poder financiar o desenvolvimento industrial, o que trouxe o empobrecimento aos proprietários rurais, que ficaram à margem do processo de modernização, forçando-os a emigrar.

Foram para Honolulu (Havaí) trabalhar com o açúcar e para as Ilhas de Guam (possessão alemã). Foram, ainda, para os Estados Unidos em grande número e também para o Canadá, trabalhar na indústria madeireira. Na América do Sul, estabeleceram-se no Peru, dedicando-se à indústria pesqueira; no Brasil, vieram trabalhar na lavoura do café.

O Japão tinha uma enorme população num território exíguo. A emigração do “excedente populacional” foi estimulada pelo governo para aliviar as tensões sociais e a explosão demográfica, de sérias consequências, como o desemprego, a miséria, a indigência…

Foram formadas as companhias de imigração, semelhantes àquelas formadas para a imigração italiana. Eram empresas privadas que se beneficiavam dos estímulos que o governo oferecia à imigração.

Os japoneses radicaram-se principalmente em São Paulo, já no início do século XX. Foram trabalhar na “frente de expansão” da lavoura cafeeira. Chegaram quando a imigração italiana sofria forte redução, no momento em que a procura por mão-de-obra para as fazendas de café era muito grande; maior do que a oferta.

Em 1907, o governo japonês e o paulista fizeram um contrato com a Companhia Imperial de Imigração, subvencionando parte dos gastos com o transporte de 3000 japoneses (mil por ano). Atendia-se assim aos interesses dos fazendeiros paulistas e aos do governo japonês.

Em 1908, chegam os primeiros japoneses (800), distribuídos por diversas fazendas do Estado de São Paulo. A relação entre os imigrantes japoneses e os administradores das fazendas foi muito conflituosa. Entre os próprios imigrantes eram frequentes os conflitos. As péssimas condições de trabalho, moradia e remuneração causavam constantes atritos, fazendo com que a maioria dos imigrantes abandonasse as terras já nos primeiros meses de permanência. Apenas 25% conseguiram ficar nas fazendas por mais de um ano.

O governo paulista tentou, diante dessa situação, cancelar os contratos. Para que isso não fosse feito, as companhias prometeram selecionar melhor os imigrantes, impedir as greves, as fugas ou o abandono das fazendas antes do prazo estipulado. Mesmo assim, em 1912, cerca de 60% dos japoneses já haviam abandonado as fazendas para as quais emigraram.

O sonho do enriquecimento

Os japoneses vinham para o Brasil com o objetivo de juntar um bom dinheiro e depois voltar para a sua terra. Trabalhavam como contratistas, diferentemente dos alemães e dos italianos, que eram parceiros. Assumiam a empreitada de cuidar de 4 mil a 8 mil pés de café por “família”, por um período de 4 a 6 anos. Poderiam intercalar o cultivo de café com agricultura de subsistência. Trabalhando dessa forma, alguns conseguiram realizar uma poupança, passando a pequenos proprietários. Era o sonho de todos aqueles que vinham com a família. Para isso, chegavam a dobrar a jornada de trabalho. Os que conseguiram adquirir uma pequena propriedade não retornaram para o Japão.

A partir de 1920, a emigração japonesa passou a ser politicamente orientada, principalmente após 1924, quando os Estados Unidos proibiram a entrada de japoneses no país, temendo o “perigo amarelo”. O governo japonês passou, a partir de então, a subsidiar integralmente a emigração para o Brasil. Fornecia capital para os projetos de colonização e para a produção de matéria-prima para o mercado japonês, atendendo a uma necessidade básica desse país, carente em recursos naturais.

O Japão começou a encarar o Brasil como um mercado potencial para os seus investimentos. Mensalmente, 1500 imigrantes chegavam ao Porto de Santos. Para termos idéia do crescimento dessa imigração, vejamos estes números: de 1908 a 1924, chegaram ao Brasil cerca de 35 mil japoneses; depois, em apenas 10 anos, de 1925 a 1935, foram 141 mil japoneses. A partir de 1936, essa imigração começou a cair, entrando no Brasil, no período de 1936 a 1950, somente 14.600 japoneses. Em 1942, o fluxo foi interrompido devido à Segunda Guerra Mundial.

Getúlio Vargas, com o “Estado Novo”, considerava os núcleos de colonização japonesa como “quistos raciais”. Os japoneses passaram a ser perseguidos, discriminados, falava-se no “perigo amarelo”, como nos Estados Unidos. Mesmo depois de restabelecidas as relações entre Brasil e Japão, no pós-guerra, a política de imigração por parte do governo japonês não foi retomada.

O Brasil também não tinha mais interesse numa política de imigração estrangeira.

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