Homens e mulheres que fazem a DC Comics

Karen Berger

Antes de trabalhar na DC, Karen Berger nunca foi fã de quadrinhos. Isso não a impediu de ser uma das mais respeitadas editoras do meio. “Bem, fiz o tipo de quadrinhos que eu gostaria de ler. Felizmente, muitas outras pessoas também gostaram!” Ela ficou com a edição das revistas da área de horror e fantasia.

Karen foi essencial para transformar o Monstro do Pântano num dos títulos mais premiados, e seus esforços em sofisticar o horror continuam ainda hoje. Mesmo os títulos de heróis que edita não seguem a regra – Mulher-Maravilha e Homem-Animal são aclamados por não serem comuns. “Uma coisa que aprendi com os argumentistas talentosos com quem convivi foi trabalhar por uma outra perspectiva situações já muito exploradas”.

Karen gastou muita energia para se tornar a ligação britânica oficial da DC. “É incrível a quantidade de talentos que existe lá”. Ela descobriu que, vindos de uma cultura diferente, os ingleses trabalham HQs de modo diferente. “Alan (Moore) nos mostrou que quadrinhos de terror não precisam ser violentos e assustadores”.

Perguntada sobre qual o lançamento mais excitante que está preparando: “É duro responder. Um editor é como um pai. Tenta amar todas as revistas igualmente. Até estremeço ao pensar no que Grant (Morrison) e Dave (McKean) fizeram com o Asilo Arkham. É de assustar!”.

Mike Carlin

“Algumas pessoas dizem que nasci para editar as revistas do super-herói mais famoso do mundo! Bem… na verdade, só a minha mãe disse isso”, admite Mike Carlin. Ele foi apresentado aos quadrinhos pela sua mãe, grande fã do Super-Homem. “Enquanto estive na Marvel, ela nunca foi me visitar. Mas, assim que fui pra DC e comecei a editar o Super-Homem, ela apareceu”!

O amor de Mike por super-heróis se expressa na grande quantidade de títulos antigos que edita. “Trabalhar com o Super é legal, mas também é muito bom lidar com os personagens criados pelo Kirby”.

Mike ajudou a relançar os Novos Deuses em Odisséia Cósmica e no título mensal Novos Deuses. Sua linha de publicações inclui Doc Savage e Rapina & Columba. “R&C decolou mesmo! Isso é gratificante, já que a dupla vinha sendo pouco publicada”. Ele também gosta de trabalhar com personagens menos tradicionais, como Sombra, Justice Inc. e Adam Strange.

De tudo o que fez desde que entrou na editora, Carlin se orgulha mesmo é de manter fortes os vários títulos do Super-Homem. “Trabalhar com gente como o Ordster (Jerry Ordway), Sterno (Roger Stern) e Gammilmeister (Kerry Gammil) tem sido um sonho”. Mike impôs uma aproximação consistente e variada do herói, criando uma superequipe para tanto. A mais recente aquisição é George Pérez. “Aí está um cara que conhece o Super! Ele se encaixa como uma luva na equipe”.

Quando elogiado por sua superfaçanha, Carlin responde: “Manter os supertítulos na linha não é nada… tirar um argumento de Andy Helfer… isso é um problema!”.

Mike Gold

Um dos trabalhos mais gratificantes que Mike Gold faz é por trás dos cenários. A maioria deles são esforços como diretor de desenvolvimento da DC. “Basicamente, a equipe de desenvolvimento da DC deve descobrir novas áreas onde a editora possa atuar. Tentamos expandir o material que fazemos, e isso inclui desenvolver propriedades dinâmicas em outras áreas e meios de comunicação”.

Como editor, Gold é responsável por alguns dos títulos mais famosos da DC. “Tenho sorte de estar trabalhando com pessoas muito criativas no mundo dos quadrinhos, de Denny O’Neil e Denys Cowan no ‘Questão’ até Mike Grell, Dan Jurgens e Ed Hannigan em ‘Arqueiro Verde’, fora o projeto Swamp Angel, de Grell”.

A ressureição do Gavião Negro é outro sucesso de Mike na revitalização dos personagens mais venerados da DC, incluindo o Arqueiro Verde e o Flash. Outra grande obra do editor foi selecionar histórias para as coletâneas “Melhores Histórias do Batman” e “Melhores Histórias do Coringa”. Entretanto, é a estréia de novas séries que mais agrada a Mike. “Considero cada lançamento um grande projeto. A criação de um título é a parte mais gostosa do negócio”. Ele e e seu grupo têm várias propostas interessantes em mente, incluindo adaptações de tiras de jornal e de grandes filmes de cinema.

Andy Helfer

Se comparássemos a edição de quadrinhos a crianças brincando na praia, você não poderia deixar de notar um garoto construindo os castelos de areia mais incríveis que já viu. Andy Helfer atribui seu sucesso como editor ao fato de que permaneceu criança em seu coração. “Se não é legal, por que fazer?”. O amor que dedica aos livros, quadrinhos, brinquedos, jogos, filmes, música e tudo o que for colecionável transmite frescor e atualidade às revistas por ele editadas.

O sucesso da revitalização da Liga da Justiça é uma evidência. “Quando os ‘cabeças’ me disseram que eu poderia fazer o que quisesse para a revista vender, pensei: ‘Vamos fazer exatamente o contrário do que o pessoal vem fazendo!'”. Embora a lógica não pareça muito clara, a teoria de Andy se mostrou correta. “As outras publicações estavam sérias demais. Então, pensei: ‘Por que não fazer revistas engraçadas de novo?’ Aí veio o sucesso. Parecia que todos queriam gostar da liga, mas não havia muito do que gostar nela”.

Ele trabalhou para montar uma equipe de heróis que hoje aparecem em duas revistas mensais e em diversos cross-overs (interligações de histórias de duas ou mais revistas). “Vamos encarar os fatos: se houvesse super-heróis no mundo, todos eles se conheceriam. Talvez até se agrupassem. Como os astros de rock, sabe?”

O atual trabalho de Andy inclui vários livros, nem todos engraçados ou de jogos. Há uma bela edição de luxo (de capa dura), Enemy Ace, de George Pratt, mini-séries de ficção em “prestige format”, Twilight (feita por Chaykin e Garcia-López) e a volta de Lanterna Verde, uma revista que ele já fez famosa um dia. “Ei, não esqueça a ‘seríssima’ Caçadora (Huntress) do Joey (Cavalieri) e Joe (Staton)! É até engraçada… a seu modo!”

Denny O’Neil

Denny O’Neil é um daqueles caras que viraram lenda na indústria dos quadrinhos, “o que não rejuvenesce nada!”. Entretanto, é sua maneira jovem de editar as revistas que as deixa modernas e interessantes. “Não esperava passar minha vida nos quadrinhos, mas, olhando pra trás, valeu a pena. Fiz várias histórias de que me orgulho. Como editor, pude melhorar muitas”.

Denny começou sua carreira como jornalista e ficou famoso pela produção de boas histórias em quadrinhos no final dos anos 60 e começo dos 70. “Não queríamos mudar o mundo, mas achávamos que as HQs, como qualquer outro meio, poderiam expressar idéias e valores importantes – além de divertir”.

E os leitores se divertiram (na verdade, se deliciaram) quando Denny passou a editar Batman com um realismo impressionante, o que popularizou ainda mais o herói. Essa aproximação do personagem é hoje mais importante do que nunca, e ninguém melhor que Denny para editá-lo. “O Batman é um herói de quadrinhos mais complexo que os outros. Os aprofundamentos psicológicos me mantiveram por perto. As pessoas estão gostando muito dele assim”. Denny ainda tem vários planos emocionantes para o Cavaleiro das Trevas, incluindo mini-séries inteiras às revistas mensais, graphic novels e cross-overs. “Com o filme atraindo tanto interesse para o personagem, sinto uma grande responsabilidade em fazer alguma coisa nova e diferente com ele. É uma pressão positiva. Do tipo que deixa você atento e sua mente ativa”. Uma ótima atitude para a lenda mais jovem da indústria dos quadrinhos.


Texto publicado na revista DC 2000 nr 02

  (Publicado originalmente em algum dos sites gratuitos que armazenavam o e-zine CTRL-C)

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