Valorizando seu dinheiro – X

De volta ao Real

Real
(R$1,00 = CR$2.750,00 = US$1.00)

Com o dragão da inflação devidamente sob controle (e que, diferente dos anos anteriores, quando grassavam índices inflacionários usualmente de 4 dígitos, no decorrer dos vinte anos seguintes raramente extrapolariam a 1 dígito) e após quase quinhentos anos de história e de mudanças de moedas, meio que fechando um gigantesco ciclo, voltávamos às origens: tal qual o antigo Real Português da época da colonização, a moeda oficial do Brasil passaria a se chamar Real.

Em 1º de julho de 1994, ainda durante o governo de Itamar Franco, foi instituída como nova moeda brasileira o Real (R$), em conformidade com a Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994 (decorrente da MP nº 482/94), sendo que 1 Real equivalia a 2.750 Cruzeiros Reais (que foi também o último valor atribuído à URV, nessa mesma data), assim como a 1 Dólar Americano, ao qual ficou de início atrelado – ao menos até o começo de 1999, pois, em decorrência dos reflexos das crise financeira asiática de 97, a partir de então o Banco Central do Brasil abandonou esse modelo e passou a deixar o câmbio flutuar livremente.

Com a implantação do Real em 94 foi determinado o recolhimento de todas as cédulas do Cruzeiro Real, bem como quaisquer outras remanescentes dos padrões monetários anteriores, sendo que todas estas perderiam totalmente seu valor a partir de agosto daquele ano.

Ainda que tradicionalmente as cédulas costumassem homenagear personalidades da história nacional, cumpre lembrar que sempre era necessária a negociação e autorização das famílias do homenageado. Ora, uma vez que essas novas cédulas precisariam ser cunhadas muito rapidamente, sem tempo hábil para tal negociação, optou-se pela utilização de animais da fauna brasileira.

Isso mesmo: desta vez nada de carimbos, nada de reaproveitamento dos padrões anteriores. Tinha que ser pra valer!

A Primeira Família de notas de Real, todas com dimensões de 140 x 65mm e com a face contendo a efígie simbólica da República, interpretada sob a forma de escultura, era constituída pelas seguintes cédulas:

R$ 1,00. Lançada em 01/07/1994 e retirada de circulação em 2005, possui no verso a gravura de um Beija-Flor (Amazilia lactea), pássaro típico do continente americano e com mais de cem espécies no Brasil.

R$ 2,00. Lançada em 13/12/2001, possui no verso a gravura de uma Tartaruga Marinha (Eretmochelis imbricata ou tartaruga-de-pente), homenagem a uma espécie que estava em extinção e que, graças ao trabalho desenvolvido pelo Projeto Tamar, agora é preservada no litoral brasileiro.

R$ 5,00. Lançada em 01/07/1994, possui no verso a figura de uma Garça (Casmerodius albus), ave pernalta (família dos ardeídeos), espécie muito representativa da fauna encontrada no território brasileiro.

R$ 10,00. Lançada em 01/07/1994, possui no verso a gravura de uma Arara (Ara chloreptera), ave de grande porte da família dos psitacídeos, típica da fauna do Brasil e de outros países latino-americanos.

R$ 20,00. Lançada em 27/06/2002, possui no verso a figura de um Mico-leão-dourado (Leonthopitecus rosalia), primata de pêlo alaranjado e cauda longa nativo da Mata Atlântica, que é o símbolo da luta pela preservação das espécies brasileiras ameaçadas de extinção.

R$ 50,00. Lançada em 01/07/1994, possui no verso a figura de uma Onça Pintada (Panthera onca), conhecido e belo felídeo de grande porte, ameaçado de extinção, mas ainda encontrado principalmente na Amazônia e no Pantanal Matogrossense.

R$ 100,00. Lançada em 01/07/1994, possui no verso a gravura de uma Garoupa (Epinephelus marginatus), peixe marinho da família dos serranídeos e um dos mais conhecidos dentre os encontrados nas costas brasileiras

A Segunda Família de notas de Real foi lançada visando deixar as cédulas mais modernas e protegidas; ainda que com as mesmas estampas, passou a possuir um novo projeto gráfico e novos elementos de segurança capazes de dificultar as tentativas de falsificação, além de promover a acessibilidade aos portadores de deficiência visual. Outra característica marcante é que passaram a possuir tamanhos diferenciados. Em 13/12/2011 passaram a circular as notas de 50 e 100 Reais; em 27/07/2012, as de 10 e 20 Reais; e em 29/07/2013, as de 2 e 5 Reais. A cédula de 1 Real já havia deixado de ser produzida desde 2005.

121 x 65mm

128 x 65mm

135 x 65mm

142 x 65mm

149 x 65mm

156 x 65mm

E esta é a nossa atual moeda. Já vem se mantendo razoavelmente estável há quase 24 anos. Se não considerarmos o Real Imperial – uma moeda que nem era nossa e muito menos se manteve estável (ainda que tenha circulado por mais de 400 anos) – em termos de longevidade e estabilidade da moeda brasileira, o nosso Real somente perde para o Cruzeiro, criado em 1942 e que permaneceu circulando por aproximadamente 25 anos…


(Início da Saga)

(Continua…)

Livro da Família Andrade

O Livro da Família Andrade foi oficialmente publicado nesta data de 28/02/2018!

Mas, para que entendam melhor, permitam-me contar um pouco dessa “saga”…

Foi no ano de 2014 que descobri o Clube de Autores, um site que permite a elaboração e “autopublicação” de livros. Funciona assim: você prepara seu próprio livro, com todos os detalhes que quiser, utiliza as ferramentas do site para criar sua capa, envia o arquivo, define o preço e eles publicam o livro numa de suas páginas. Caso alguém se interesse por seu livro faz o pedido diretamente na página do Clube de Autores e eles confeccionam o exemplar. Isso mesmo: “o”. Trata-se da chamada impressão sob demanda, ou seja, o livro somente é impresso na medida em que for encomendado. Dessa maneira os mais ilustres e desconhecidos autores – como eu – têm a possibilidade de ver sua obra impressa e publicada, sem a necessidade de gastar uma pequena fortuna com a impressão de uma centena ou mais de livros, que podem ou não vir a ser vendidos.

Pois bem, já há muitos anos sou um curioso no que diz respeito à genealogia – “uma ciência auxiliar da história que estuda a origem, evolução e disseminação das famílias e respectivos sobrenomes ou apelidos” – sendo que comecei os primeiros levantamentos lá pelo início da década de noventa, mas somente a partir de 2002 é que realmente passei a sistematizar aquele mundo de informações no formato de uma árvore genealógica. Ou seja, quando descobri o Clube de Autores eu já tinha um livro da família praticamente pronto (ainda que incompleto, com poucas fotos e com alguns erros). No afã de saber se esse negócio de impressão sob demanda realmente funcionaria, preparei o livro como deu, tendo separado as informações referentes ao ramo Andrade de minha família que eu tinha naquele momento (que eram os registros da família até o ano de 2012), e mandei ver.

Alguns dias depois recebi o resultado. Ficou ótimo! A impressão, a qualidade do material, o acabamento, tudo estava nos conformes! E foi assim que se deu a origem da primeira edição do Livro da Família Andrade, contendo os descendentes de meus avós paternos organizados em ordem cronológica, de modo que que a cada novo nascimento na família, bastaria acrescentar uma nova página no final do livro. E, uma vez que atestada a qualidade e confiança do serviço, as portas se abriram para a publicação de meus outros livros da “série” Filosofices de um Velho Causídico (confiram aí na lateral do blog)…

E agora, cerca de quatro anos após esse primeiro lançamento, temos a segunda edição desse livro da família. Desta vez tive o tempo e o cuidado necessários para poder me esmerar nos detalhes, na organização, no acabamento. Perturbei bem mais de uma vez muitos dos membros da família, encontrando tanto uma excelente receptividade por parte de alguns, quanto uma certa desconfiança por parte de outros. Paciência. Faz parte.

E, desta vez, este livro é bem mais do que uma simples lista dos membros da família!

Em O Início eu conto um pouco da história da Família Andrade, a provável origem desse nome, bem como traço a linha direta entre o mais antigo membro da família que consegui encontrar até os meus avós, Antonio e Sebastianna. E essa história começa em 1629, ano do nascimento de Ângela do Vale e Andrade, na Freguesia de Santa Comba de Fornelos, Distrito de Braga, região norte de Portugal.

Com a Árvore de Descendentes vem o rol em ordem cronológica com cada um dos 137 descendentes diretos até o final do ano de 2017: 12 filhos, 39 netos, 75 bisnetos e 11 trinetos – e a grande maioria com fotos, de modo que dá pra todo mundo se conhecer melhor. Além de permitir dar rosto aos nomes, também dá pra saber quando e onde cada um nasceu, com quem se casou, se por um acaso se separou, quais foram seus filhos e até mesmo quando faleceu. Muitas vezes com uma ou outra curiosidade pra temperar…

Na sequência temos Nosso Presente, um capítulo curtinho, somente para apresentar alguns curiosos gráficos que levam em consideração as datas de nascimentos na família desde seu começo, lá em 1936, ano do casamento de Antonio e Sebastianna.

Em Nosso Passado eu apresento algumas curiosidades que rondaram nossa família, desde quando os primeiros Andrade vieram de Portugal, onde se estabeleceram, para onde foram, assim como trago também alguns genogramas – uma espécie de árvore genealógica simplificada, uma maneira de demonstrar visualmente “quem foi filho de quem”.

Já em Nossos Antepassados tracei uma Árvore de Ascendentes, pois não é só uma única família que dá origem a determinado indivíduo; para cada geração que se sobe, dobra-se o número de antepassados: dois pais, quatro avós, oito bisavós, dezesseis trisavós e assim por diante – na maior parte das vezes cada qual oriundo de uma família diferente. Dessa maneira, a partir de meus filhos, além dos ascendentes da família Andrade, temos ainda as famílias: Nunes, Miura, Mizoguti, Santos, Maia, Antunes, Kumaki, Casaes, Bem, Mello, Faria, Franco, Romana, Novaes, Guimarães e Teixeira – isso para relacionar somente até os trisavós, na sexta geração. Mas neste livro o levantamento segue até a 22ª geração, ali pelo final da Idade Média…

Quase finalizando temos outro capítulo curtinho: Efemérides – uma maneira rápida e prática de saber quando cada um dos descendentes comemora seu aniversário.

Também pra facilitar, no Índice Alfabético tem a relação de praticamente todos os nomes que são citados no livro, quer sejam descendentes ou não, com a respectiva página onde se encontram.

E como não podia deixar de ser, em Terminus eu falo um pouco dos outros livros que publiquei, bem como apresento uma pequena crônica que escrevi há alguns anos e com a qual ainda me emociono a cada vez que leio. É onde também se pode encontrar uma imagem da capa bem como as “orelhas” que foram escritas para cada um desses livros.

Enfim, é isso! Aqueles que já tiveram acesso à primeira edição vão ficar surpresos com a quantidade de informações que trago nesta segunda edição. E, melhor ainda, publiquei duas versões do Livro da Família Andrade: uma em preto e branco e outra em cores. É lógico que o preço desta segunda fica bem mais salgado, mas vai do gosto de cada um, né? Abaixo seguem os links para acesso aos livros, lá no Clube de Autores.

Livro da Família Andrade (P&B)

Livro da Família Andrade (CORES)

E aí? Ainda tá esperando o quê? 😉

Just do it

Quando alguém te insulta, ou te reduz a uma coisa,
Quando te dão um conselho que não solicitaste,
Quando te lançam a culpa pela dor deles,
Quando não te escutam, e apenas falam deles mesmos,
Quando te comparam com os demais,
Quando te ignoram, invalidam, julgam ou zombam de teus pensamentos e sentimentos.

Pare. Respire.

Lembre que a dor não é tua.
Lembre que eles estão sonhando o único sonho que podem sonhar até que despertem.
Lembre que não conhecem a ti, apenas a própria fantasia.

Talvez eles achem demasiado difícil amarem-se a si mesmos.
Talvez eles busquem o seu valor no exterior.
Talvez eles estejam desconectados da sua respiração, de seu corpo, de sua preciosa vitalidade, de sua verdadeira vocação.
Talvez eles vivam em um mundo dualista, onde há o bem e o mal, o certo e o errado, sucesso e fracasso.
Talvez eles tenham esquecido a simples alegria de viver.
Talvez tu compreeendas isto.
Talvez tu tenhas estado onde eles têm estado.

Não tente mudá-los agora. Talvez eles nunca mudem.
Não tente corrigi-los. Eles não estão pedindo ser corrigidos.
Quanto mais os pressiones, mais vão afastar-se de ti.
Não te enredes na teia das tristezas.
Vê com clareza, inclusive tenhas compaixão, mas não pressiones.
Está bem que eles se sintam perturbados. Sim, de fato.
Dê-lhes espaço para que se sintam perturbados.
Está bem que se sintam decepcionados contigo.
Dê-lhes espaço para que se sintam decepcionados.
Está bem que te julguem. Abra um espaço para os seus julgamentos, também.

Acomodes teus próprios pensamentos e sentimentos!
Permita-te sentir-te triste, irritado, culpado, desconfiado.
Deixes que todas essas valiosas energias te banhem por dentro.
Elas não te farão dano, se você permite movimentarem-se.
Sim, conhecerás muitos Guardiões nesta jornada.

Percorra o teu caminho de todos os modos, e permita que os demais percorram os próprios.

Não tens de justificar o teu caminho, nem defendê-lo.
Mantém-te próximo de ti mesmo nestes tempos difíceis.
Não lute contra a escuridão…

SIMPLESMENTE ACENDA TUA LUZ COM MAIS FORÇA!

Jeff Foster

Valorizando seu dinheiro – IX

A mais breve moeda do Brasil

Cruzeiro Real
(CR$1,00 = Cr$1.000,00)

Com o afastamento de Collor, assumiu seu vice: Itamar Franco – também conhecido como “presidente tampão”, já que assumiu o restante do mandato, até o final de 1995. Seu maior feito foi o relançamento do Fusca, que havia deixado de ser produzido no Brasil em 1986, mas voltou à linha de produção entre 1995 e 1996. Ah, sim. Ele também foi o responsável pela estabilização da a moeda brasileira.

Mas vamos com calma. Para não perder o costume, mais uma vez houve o corte de três zeros no sistema monetário nacional e foi instituída como nova moeda o Cruzeiro Real (CR$) – o que se deu através da Medida Provisória nº 336, de 28 de julho de 1993, mais tarde convertida na Lei nº 8.697, de 27 de agosto de 1993. Assim, nesse novo sistema, 1 Cruzeiro Real equivalia a 1.000 Cruzeiros.

E, para também não perder o costume, foi novamente implementada a estratégia de apor um carimbo identificador nas cédulas mais altas do sistema anterior e que desta vez (vejam só!) era redondo, mas sem bordas, com as próprias letras dando-lhe forma. Assim, as cédulas do sistema anterior de 50.000, 100.000 e 500.000 Cruzeiros, após serem devidamente carimbadas, passaram a ser respectivamente de 50, 100 e 500 Cruzeiros Reais.

Como a inflação continuava em plena debandada morro abaixo, já em outubro de 93 foram lançadas as notas de 1.000 e 5.000, sendo que a de 50.000 viria juntar-se a elas somente em agosto de 94.

CR$ 1.000,00. Na face possuía a efígie de Anísio Spínola Teixeira (1900-1971), tendo à esquerda vista parcial da Escola Parque, integrante do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, projeto do arquiteto e engenheiro Diógenes Rebouças, sob orientação do próprio Anísio; no verso, cena alegórica referente à proposta de ensino levada a efeito pela Escola Parque, cujo fundamento e método defendem a educação como processo constante de reorganização e reconstrução de experiências.

CR$ 5.000,00. Na face possuía a efígie de um gaúcho, ladeada por painel que retrata, em visão simultânea, a fachada e o interior das ruínas da Igreja de São Miguel das Missões, RS, construída pelos jesuítas na primeira metade do século XVII; no verso, painel apresentando cena de um gaúcho manejando o laço, na captura do gado; e, ainda, sob as legendas da margem inferior, reproduções de acessórios típicos que o gaúcho usa em sua lida diária, tais como boleadeira, relho, guampa e esporas.

CR$ 50.000,00. Na face possuía a efígie de uma baiana, com torço e colares, tendo à esquerda painel onde figuram alguns de seus mais importantes balagandãs, os quais possuem diversos significados, tais como romã e cacho de uvas (fecundidade), figa de madeira e dentes de animais (proteção), caju (abundância), peixe, cordeiro e pombas do Espírito Santo (elementos resultantes do sincretismo com o catolicismo), no verso, cena com uma baiana trajada com o requinte dos dias de grande festa, com o clássico tabuleiro, preparando o acarajé; e, ainda, ao fundo vê-se perspectiva da Igreja do Bonfim, em Salvador, cenário de uma das mais famosas festas do sincretismo religiosos brasileiro, qual seja, a Lavagem do Bonfim.

A transformação do sistema monetário vigente à época para o Cruzeiro Real foi apenas uma das medidas adotadas pelo Governo Federal para conter a hiperinflação, que já havia fechado o ano de 1993 no patamar de 2.447,15%. Isso fazia parte de um plano maior engedrado por uma equipe de economistas montada pelo Ministério da Fazenda, que, desde maio de 93, era comandado por Fernando Henrique Cardoso.

Também fazia parte desse plano um conjunto de medidas voltadas para a redução e maior eficiência dos gastos da União. Graças a essas providências iniciais a inflação daquele ano de 1994 recuou para “somente” 916,46%. Mas ainda estava muito alta.

Assim, outra das medidas foi a criação da URV (Unidade Real de Valor), a qual foi instituída em 1º de março de 1994 através da Medida Provisória nº 482, de 28 de abril de 1994, mais tarde transformada na Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994. Sim, a legislação é posterior à criação da URV, mas já fixava em seu bojo que o valor inicial da mesma corresponderia a CR$647,50, retroagindo ao início de março daquele ano.

A URV funcionou principalmente como um indexador para o sistema monetário nacional, já que seu valor era diariamente fixado pelo Governo para aquela data, desta maneira corrigindo, estabilizando e unificando os preços praticados no mercado, já que que era obrigatória sua utilização para conversão dos valores. Mas a URV também acabou sendo meio que uma “moeda de transição” e sua vigência se deu até 30 de junho de 1994, quando então houve a implantação da medida final desse plano de estabilização da economia, que ficou mais conhecido como Plano Real.


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – VIII

Collonoscopia econômica!

Cruzeiro
(Cr$1,00 = NCz$1,00)

Antes de mais nada, vamos nos situar. Em março de 1990 finalmente assumiu um presidente verdadeiramente eleito pelo povo (e que iria se demonstrar como uma bela de uma fraude – um verdadeiro estelionato eleitoral!): Fernando Collor de Mello

E desta vez, tal qual aquela outra vez durante a Ditadura, ainda em 1970, não houve corte de zeros. Apesar da desembestada inflação arredia e galopante do início dos anos noventa, e apenas pouco mais de um ano da última alteração da moeda, no dia seguinte ao de sua posse foi anunciado um novo “Plano Econômico” (o primeiro de muitos) no qual o Cruzado Novo voltaria a se chamar Cruzeiro. Aliás foi esse mesmo plano que decretou o confisco bloqueio das cadernetas de poupança e das contas correntes de todos os cidadãos brasileiros por 18 meses!

Mas sejamos técnicos.

Foi a Medida Provisória nº 168, de 15 de março de 1990 – mais tarde convertida na Lei nº 8.024, de 12 de abril de 1990 – que restabeleceu a denominação de Cruzeiro para a moeda brasileira, sendo que 1 Cruzeiro equivalia a 1 Cruzado Novo.

Este foi o primeiro ato da pantomina presidencial que viria a seguir, editando de uma só tacada 23 medidas provisórias visando combater a inflação que em abril de 90 atingiria inconcebíveis 6.238,57% acumulados nos últimos 12 meses – o mais alto pico da inflação já visto no país!

Em tese todo esse pacote tinha por pretensão combater a inflação, eliminar o déficit público e reduzir a máquina estatal. E, assim como os planos de estabilização econômica anteriores, o Plano Collor fracassou estrondosamente. A inflação não foi controlada, o fechamento de empresas estatais com a consequente demissão arbitrária de funcionários desorganizou ainda mais os serviços públicos e o confisco do dinheiro das contas bancárias desagradou absolutamente todos os setores da sociedade.

Também como já feito anteriormente em outras mudanças de moeda, mais uma vez usou-se a estratégia de apor um carimbo identificador nas cédulas e desta vez ele era – uau! – retangular… As primeiras emissões nesse padrão foram cédulas de 50, 100, 200 e 500 Cruzados Novos reaproveitadas com esse carimbo retangular com a nova denominação de de 50, 100, 200 e 500 Cruzeiros.

Com a inflação corroendo diariamente o valor do dinheiro, uma cédula provisória de 5.000 Cruzeiros com projeto simplificado entrou em circulação para atender o aumento da demanda antes da emissão das novas cédulas próprias da nova moeda.

Cr$5.000,00. Na face possuía a efígie da República, tendo, à esquerda, rosácea em guilhochê (desenhos contínuos e simétricos em que a ponta de trabalho retorna ao ponto inicial); no verso, uma representação das Armas Nacionais, ladeada por composição de rosáceas em guilhochê..

Tal qual Sarney no início de seu governo, ainda naquele ano de 90 entraram em circulação as novas cédulas no valor de 100, 200 e 500 Cruzeiros, “aproveitando” os elementos das cédulas lançadas anteriormente, apenas com a adaptação das legendas e do valor facial para o novo padrão.

Cr$100,00. Na face possuía o retrato de Cecília Meireles (1901-1964), tendo à esquerda a reprodução de desenho de sua autoria, ao qual se sobrepõem alguns versos manuscritos extraídos de seus “Cânticos”; no verso, uma gravura, à esquerda, representa o universo da criança, suas fantasias e o momento da aprendizagem e o painel é completado, à direita, com a reprodução de desenhos feitos pela escritora, representativos de seus estudos e pesquisas sobre folclore, músicas e danças populares.

Cr$200,00. Na face possuía a efígie simbólica da República, interpretada sob a forma de escultura e, à esquerda, gravura simbolizando a reunião de ideais republicanos, onde aparecem as personagens históricas de Silva Jardim, Benjamim Constant, Marechal Deodoro da Fonseca e Quintino Bocaiúva; no verso, detalhe do quadro “Pátria”, do pintor Pedro Bruno (1888-1949), onde aparece a bandeira do Brasil sendo bordada no seio de uma família.

Cr$500,00. Na face possuía a efígie do cientista Augusto Ruschi (1915-1986), ladeada por alegorias de flora e fauna, destacando-se uma representação da “Cattleya labiata warneri”, orquídea que, com dezenas de variedades, é a mais típica do Espírito Santo e a maior flor do gênero no Brasil; no verso, Ruschi examinando orquídeas, aparecendo em destaque a figura de um beija-flor.

E, juntamente com essas, também foram lançadas as novas cédulas de 1.000 e de 5.000 Cruzeiros.

Cr$1.000,00. Na face possuía a efígie de Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), tendo à esquerda uma gravura em que aparece uma estação telegráfica pioneira, além da representação de uma floresta e de mapa com contornos do Brasil e da América do Sul; no verso, casal de índios carajás, ladeado pela representação de alimentos e de uma habitação nhambiquara.

Cr$5.000,00. Na face possuía a efígie de Antônio Carlos Gomes (1836-1896), tendo à esquerda três figuras que fazem parte do monumento existente junto ao Teatro Municipal de São Paulo, as quais representam “O Guarani”, “Salvador Rosa” e “O Escravo”, três de suas mais importantes óperas; no verso, à direita, parte do monumento já referido no anverso e, à esquerda, um piano que pertenceu ao homenageado.

Mas a escalada da inflação não dava trégua e o Governo foi obrigado a emitir novas cédulas: em 1991 no valor de 10.000 Cruzeiros e em 1992 no valor de 50.000 e 100.000 Cruzeiros em 1992. E, por fim, no início de 1993, entrou em circulação a cédula de 500.000 Cruzeiros, a última desse padrão monetário.

Cr$ 10.000,00. Na face possuía a Efígie do cientista Vital Brazil (1865-1950), tendo à esquerda uma gravura que representa cena clássica de extração do veneno, tarefa básica para a produção de soros; no verso, um painel calcográfico mostrando um antigo serpentário, com destaque para a cena de cobra muçurana devorando uma jararaca.

Cr$ 50.000,00. Na face possuía a efígie de Luís da Câmara Cascudo (1898-1986), tendo à esquerda cena de jangadeiros; no verso, cena do “Bumba-meu-boi”, bailado popular do folclore brasileiro.

Cr$ 100.000,00. Na face possuía a cena de um beija-flor (Amazilia lactea) alimentando filhotes no ninho; no verso, vista das Cataratas do Iguaçu, situada na fronteira com a Argentina.

Cr$ 500.000,00. Na face possuía a efígie de Mário Raul de Morais Andrade (1893-1945), tendo à esquerda desenho inspirado em fotografia de sua autoria, intitulada “Sombra Minha”, acompanhada pelo último verso do conhecido poema “Eu sou trezentos…”; no verso, cena representando Mário de Andrade conversando com crianças, ladeada por prédios que simbolizam o crescimento vertiginoso da cidade de São Paulo na época do escritor.

Mas o que começou mal certamente iria acabar mal. Já em meados de 91 o outrora “Caçador de Marajás” começou a ser denunciado por esquemas de corrupção, irregularidades e outras safadezas. A imprensa tupiniquim (aquela mesma que o colocou lá) pressionou tanto a população e o circuito político que em fins de 92 foi votado e aprovado o impeachment do Presidente, com seu consequente afastamento do cargo. Em dezembro de 92, poucas horas antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade e ter seus direitos políticos suspensos por oito anos, Collor ainda tentou renunciar. Só que essa “renúncia” não foi reconhecida e ele ainda teve a petulância de procurar a imprensa para se fazer de vítima. Covarde.

E assim fechamos a oitava parte desta saga… O Cruzeiro, moeda que já havia sido sepultada em 67 e novamente em 86, mais uma vez caminhava para seu derradeiro fim. A boa notícia é que a inflação acumulada daquele ano de 92 fechou em “apenas” 1.129,45%


(Início da Saga)

(Continua…)