Só enquanto eu respirar…

De quando em quando me deparo com ilustres desconhecidos que, com suas músicas, textos e poemas, acabam por me chamar a atenção pela beleza e originalidade de suas composições…

E é esse o caso do Fernando Anitelli, lá d’O Teatro Mágico, que compôs a bela música O Anjo Mais Velho.

Músicas como essa são verdadeiros repositórios de nossas lembranças, reavivando medos, anseios, sentimentos – enfim, emoções de um modo geral…

Ultrajeando

Essa é da época em que o Ultraje a Rigor ainda tocava como banda cover, lá no início da década de oitenta. Ainda não tinha lançado nenhum de seus singles e praticamente ninguém os conhecia…

Com vocês, Ultraje a Rigor interpretando Slow Down – Versão Gripada.

(E sim, a música é lenta, longa e ainda dá pra ouvir o barulhinho da agulha ao fundo…)

Made In Dependente Brasil

O CD “Made In Dependente Brasil – O melhor da música independente” foi lançado em 1994 e a cópia à qual tive acesso pertence à coleção particular do Joeci, que – com lágrimas de preocupação pairando nos olhos – emprestou-me por alguns dias.

O CD tem excelentes músicas de Juraíldes da Cruz, Dércio Marques, Paulinho Pedra Azul, Elomar, Rubinho do Vale, Adauto Oliveira, Sérgio Souto, Nilson Chaves, Henrique Abreu, João Omar, Dilson Pinheiro, Nonato Luiz, Xangai, Eudes Fraga, Saulo Laranjeira e Amaro Penna.

Sua característica inovadora (pra época) e underground foi demonstrada pelo trecho a seguir, que faz parte de seu encarte:

MACOJÉQUISSON?! EU, HÉIN?!

Os senhores da guerra e os senhores do dinheiro; prostituição, analfabetismo, Nações Unidas, Militares e Diplomatas das grandes potências; o sonho de desmobilização dos exércitos e a noite eterna da indústria bélica; MITOS e MOTES do Primeiro ao Quinto Mundo, com o silêncio do Segundo e a neutralidade do Quarto; Falência absoluta do Sistema de Radiofusão (?) no Brasil. O poder da mídia, a submissão da mídia, a canalhice da mídia, o entreguismo da mídia, a prepotência da mídia, os crimes da mídia, a mediocridade da mídia, enfim, a burrice da mídia que entrega o ouro da sensibilidade musical brasileira de bandeja para os bandidos nacionais e estrangeiros, e sai caminhando sobre as cabeças e os avisões. Diabéisso?

Tem muita originalidade, sabedoria e sensibilidade escondidas pelas curvas musicais desse país afora, que é preciso botar no ar. E a criação desses artistas será muito mais da alma popular quando ao povo for dada a oportunidade de ouvi-los através das centenas de emissoras desse imenso Brasil. A própria resposta popular ajustará ainda mais a sintonia desses cantadores com as expectativas dos seus ouvintes. (Eu, brasileiro, sinto-me um estrangeiro por aqui, de tanto ouvir lixo barulhento gritado em péssimo inglês nas nossas americanalhadas emissoras). Por isso escrevo assim, sem pé nem cabeça. Como já disse D. Helder Câmara: “Precisamos acabar com a miséria, no Brasil, até o ano 2.000”. Podemos acrescentar, especialmente para o radialista brasileiro: Daqui até o reveillon de 31 de dezembro de 1999, precisamos acabar com o colonialismo radiofônico (de fora e de dentro!) que envergonha a profissão, deixa o cérebro fora do ar e posiciona as nossas bundas no rumo de Manhatan.

Com o elenco reunido neste disco cria-se mais um instrumento de cultura e educação, mais um intercâmbio entre público e artistas de vários Estados brasileiros. E, obviamente, mais uma chance para o radialista brasileiro se… tocar.

E se for necessária uma revolução cultural, uai, sô, vamos lá: é bom que dói, explode corações, não derrama sangue e acaba com essa nossa miséria mental. Não pretendemos, com certeza, que os nossos filhos sejam produtos desse meio.

Vamos ao disco. Poetas e emocionados.

Odilon Camargo