Arquivos de 'Pra ficar na história'

Gente nova, gente velha

domingo, 17 de janeiro de 2010, às 12:28

E eis que no findar do dia de ontem, dezesseis de janeiro do ano de dois mil e dez (por que será que essa data me traz lembranças?…), nasceu a filha de minha sobrinha.

Bem, na realidade, filha da sobrinha de minha esposa – que não deixa de também ser minha sobrinha…

Enfim, a pequenina nasceu ontem à noite, filha da Jacqueline, nossa sobrinha de apenas vinte anos.

Não, não tenho (ainda) fotos, peso, tamanho, nem detalhe nenhum. Nem mesmo o nome. Mas é só uma questão de tempo!

Definitivamente estou ficando velho.

Afinal de contas, agora já sou tio-avô!

Na terça, uma foto

terça-feira, 8 de dezembro de 2009, às 23:00

Este é meu avô pelo lado materno, Bernardo Claudino Nunes (*24/03/1907 | +31/01/1979). De seu casamento com Maria Dionísia de Jesus (em 31/10/1931), teve apenas duas filhas: minha tia Dionísia Nunes, nascida em 1939 (a que está em pé a seu lado), e minha mãe, Bernardete Nunes, nascida em 1943 (a que está em seu colo). Infelizmente minha avó faleceu em 1945, com apenas 33 anos, deixando ao encargo de meu avô a criação daquelas crianças.

Com o passar do tempo acabou casando-se por mais duas vezes. Seu segundo relacionamento, com uma senhora chamada Benedita, não durou muito. Mas seu terceiro casamento, com Geny de Souza Nunes, durou até o cumprimento da promessa feita no altar, quando, então, foram separarados. Desta feita teve mais nove filhos, entre 1956 e 1969 – aliás, curiosamente, por coisa de pouco mais de um mês eu sou mais velho que minha tia mais nova…

São Thomé das Letras – A Viagem (I)

terça-feira, 3 de novembro de 2009, às 5:20

“Caminhante: não há caminho – o caminho se faz caminhando.”
Ataualpa

I – Preparativos

Não lembro ao certo como o convite surgiu. Só tenho certeza que deve ter sido numa mesa de bar.

- E aí? Vamos pra São Tomé?

- Das Letras?

- De onde mais?

Dei uma longa tragada em meu cigarro e pensei um pouco sobre o assunto. Um feriadão se aproximando, uma oportunidade de fazer algo diferente com a criançada, levar a Dona Patroa a um lugar que ela ainda não conhecia e – por que não? – tentar resgatar um pouco de mim mesmo que parece ter ficado naquele lugar quando estive lá, já tem quase uns vinte anos.

- Legal. Só vou ver com a Dona Patroa e depois a gente se fala.

Tenho certeza absoluta que já era essa a resposta esperada pelo Evandro, autor do convite, copoanheiro eventual e parceiro em desventuras no geral. Sabem, é algo como aquele caboclo que está na mesa do bar – normalmente no mais divertido da festa -, levanta-se e diz algo como “vou até tal lugar e, qualquer coisa, eu volto”. Não adianta protestar ou argumentar. Esse não volta mais. E a resposta que eu dei soou exatamente nesse tom. E eu tinha consciência disso.

Mesmo assim, no final de semana seguinte, conversei com minha amada, idolatrada, salve, salve, Dona Patroa. E ela topou.

Na mesma hora liguei e avisei que iríamos.

E a comoção geral tomou conta da platéia naquele momento…

Os dias seguintes foram, digamos, interessantes. Um meio que preparativo – mas sem preparativos. Tá, na prática a semana se resumiu num feriado maluco – o Dia do Servidor Público – que, em alguns lugares foi adiantado para segunda-feira, em outros foi comemorado no dia mesmo, na quarta-feira, e, em ainda outros, ficou para sexta-feira. E como Murphy é um velho sacana, é lógico que eu e a Dona Patroa tivemos nossos feriados escalados para dias diferentes: ela na quarta e eu na sexta.

Mesmo assim, zuzo bem.

Ela aproveitou a quarta para fazer as compras do que fosse necessário para viagem. Ou seja, zilhares de lanchinhos, frutas, água, refri, etc. O mínimo indispensável para manter calmos os três filhotes – de cinco, sete e dez anos – pelas horas a fio que passariam dentro do carro.

Mas, e na prática, como fazer?

Bem, sendo ela funcionária pública estadual, com direito à chamada licença abonada – uma vez a cada mês, ou bimestre ou a cada seis meses, sei lá – e considerando que em mais de dez anos de serviços prestados nunca utilizou essa prerrogativa, não foi sem surpresa de sua chefe que ela pleiteou esse direito para a sexta seguinte.

E por que na sexta? Bem, como o feriado não seria geral para todos na sexta, mas sim na segunda seguinte (Finados), então seria o melhor dia de pegar a estrada para ir, com um movimento, no máximo, médio, e deixar para voltar no domingo, praticamente sem movimento, enquanto que todo o resto do mundo deixaria para voltar na segunda.

Parecia o plano perfeito.

Já na véspera, quinta-feira, ao combinar com o Evandro o caminho pelo qual iríamos, propus o circuito das águas, pois passei por aquela estrada há uns cinco anos e me pareceu confortável o suficiente para prosseguir até São Tomé. Ele iria propor a SP-50 (também conhecida como estrada para Monteiro Lobato), mas concordou comigo. Avisou que sua irmã e mãe também iriam, em carro próprio. Combinamos um ponto qualquer na Dutra para nos encontrarmos.

Masssss…

Conversando com a Dona Patroa chegamos à conclusão que o “divertido” não seria a viagem propriamente dita, mas sim o “viajar” em si. Daí que um caminho, digamos, mais bucólico, deveria ser bem mais interessante.

Falei com o Evandro novamente e recombinamos o ponto de encontro. Já aí não tive como não vislumbrar alguns acordes do Raul: “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Bons auspícios, em se tratando de São Tome das Letras…

Como eu havia deixado a viatura para alguns ajustes mechânicos, fui gentilmente levado para o serviço pela Dona Patroa. Aliás chegaram inclusive a me perguntar se eu não iria para lá com o Opalão.

- Não. Por mais que eu queira – e eu quero – ainda não confio nele.

- Como assim?

- É que, para mim, todo carro novo que a gente pega – ainda mais sendo velho – passa por um período de adaptação. Eu tenho que pegar confiança nele. Saber que ele não vai me deixar na mão, conhecer seus macetes, manias, cacoetes e birras. Só então daria para encarar uma viagem dessas.

- É, mas isso não é só com carro velho não, carro novo também…

Enfim, ao encerrar o expediente na quinta, após um merecido choppinho com o copoanheiro Bicarato – que, infelizmente, por motivos trabalhísticos não pode se juntar à nossa caravana – a Dona Patroa foi me pegar com as crianças. Deixei a tropa em casa para acabar de arrumar as malas e parti para providências de praxe antes de qualquer viagem. Amortecedores, freios e pneus já eram novos, substituídos há cerca de três meses. Então foi questão de trocar óleo, completar água, calibrar pneus (inclusive o estepe), trocar o extintor vencido há dois anos, completar o tanque e tomar três latinhas nesse processo.

Tudo pronto.

Chegando em casa acabei de fazer também as minhas malas, separei uma muda de roupas para viagem, colocamos tudo no carro – inclusive pensando na logística de acesso aos mantimentos, remédios, blusas, etc.

Celulares carregados e baterias da câmera fotográfica completas.

Algum dinheiro em espécie disponível na carteira.

Tudo preparado.

Heh…

E pensar que, nas minhas viagens de antigamente, o máximo que eu me preocuparia seria em deixar uma graninha à parte para eventualmente pegar o busão de volta caso não conseguisse carona. De resto era carregar o mínimo de peso indispensável para não passar nenhum perrengue. Ou seja, máxima eficiência com mínimo esforço.

Com tudo encaminhado, ansiedade da criançada devidamente controlada e despertadores a postos bastava aguardar o raiar do dia 30 de outubro para a grande viagem.

Mal sabíamos o que nos aguardava.

Continua…

Maria Clara

quinta-feira, 29 de outubro de 2009, às 7:28

E eis aqui uma foto da Maria Clara, minha pequenina priminha, filha de minha prima Ada e do feliz e corujíssimo papai, Sandro – até o momento a mais nova descendente de meus avós, Antonio e Sebastianna – nascida em 09/SET/2009, às 11h53min, com 53cm, pesando 4.200g e, se eu não estiver enganado nas contas, a 111ª da linhagem…

Na terça, uma foto

terça-feira, 15 de setembro de 2009, às 5:38

Olha que coisinha mais gorducha (e birrenta)!

Alguém se habilita a adivinhar quem seja?

Ninguém?

Vocês aí do fundo?…

Ah! Isso mesmo!

É a minha amada, idolatrada, salve, salve Dona Patroa!

Tudo por um sax

quarta-feira, 2 de setembro de 2009, às 6:37

Essa é mais uma do Valtinho.

Sim, aquele excelente fotógrafo lambe-lambe – ele odeia ser chamado assim – que é a uma das pessoas mais fora de série que eu conheço. Definitivamente uma “figura prima”, pois o termo “figura ímpar” é muito pouco para descrevê-lo – já é melhor ir diretamente para os números primos…

Enfim, do nada ele se convenceu que eu tenho que comprar um saxofone.

Aliás, não é qualquer saxofone – tem que ser o saxofone que ele está vendendo…

- Valtinho, mas por que cargas d’água você comprou um sax afinal?

- Ah, sei lá. Nem lembro mais. Sempre achei bonito aquele negócio de sax. É que nem aquele filme que tem um policial que faz uns hominhos com palitinhos!

- “Hominhos com palitinhos”? Do que é que você está falando?

- Um filme do futuro, pô! Que é todo mundo robô e tem um policial que enquanto vai conversando faz, assim, uns hominhos, uns bichinhos – tudo com palitinho – e vai deixando pra trás…

- Robôs? Futuro? Não é o Blade Runner não?

- ISSO!

- Tá. Entendi. Mas não é no filme, é na trilha sonora então. De fato tem umas músicas muito boas lá com sax…

- Então. Mas agora mudei de idéia. Acho que você é que tem que comprar esse meu saxofone.

- EU? Mas o que é que eu vou fazer com isso Valtinho? Eu nem sei tocar esse negócio.

- Ah, sei lá. Passa pros seus filhos então. Já imaginou aqueles japonesinhos tocando sax? Que da hora não ia ficar?

- Não, Valtinho. De jeito nenhum. Não rola.

- Ou então pra você mesmo! Você é uma figuraça, que gosta dessas coisas antigas… Gosta daqueles carrões – como é que é mesmo? Ah é, Passat (ai!). Já imaginou? Você aí… desse jeitão… de chapéu… tocando um sax… Ia ficar igualzinho aquele cara famoso, o Baden Powell (aaaai!)!

- Baden Powell?…

- É, cara!

- Cê tem certeza disso, Valtinho?

- Tô te falando!

- Tá. Entendi. Mas não vou entrar em detalhes com você. Ainda assim, vamos combinar: qual parte do “não rola” você não entendeu? Sinto muito, mas sem chances!

- Pô! Ó o cara…

Enfim, só mesmo o Valtinho para perder tanto tempo querendo que (1) eu gaste um dinheiro que eu não tenho (2) com uma coisa que eu não preciso (3) para fazer algo que eu não quero.

Mas se não fosse assim o Valtinho não era o Valtinho…

Na terça, uma foto

terça-feira, 28 de julho de 2009, às 18:37

E então?

Quem é o galã?

Pr’aqueles que chutaram “Seo Bento”, vulgo meu pai, acertaram!…

Machadadas na tv e o Homem na Lua

quarta-feira, 22 de julho de 2009, às 13:59

Respondendo um e-mail da amiga virtual Clotilde, acabei achando que ficou interessante o suficiente para merecer um post – conforme a regra geral

Pois bem.

Meu pai, vulgo “Seo Bento”, do alto de seus 72 anos, continua firme e ativo – ainda que aposentado – com uma oficininha de conserto de televisores no fundo de sua casa.

Foi mecânico a vida inteira, tendo vindo de trem de Santa Rita de Jacutinga, MG, para São José dos Campos, SP, aos onze anos de idade. Sendo o mais velho de um total de doze irmãos (e irmãs) – maiores detalhes bem aqui – foi para roça para plantar arroz com a família e cerca de dez anos depois resolveu ir para cidade. Conseguiu emprego numa fecularia e mais tarde numa mecânica de caminhões, ambos da família Renó. Quando a empresa faliu, foi para a Johnson e lá ficou até sua aposentadoria.

Tudo isso é só para contextualizar.

Lá na mecânica conheceu o sr. Nobilino, encarregado, e que viria a ser meu padrinho de batismo. Vida dura, casou-se, construiu sua casa e teve três filhos (sendo eu o caçula). Minha mãe contribuía na renda familiar com suas costuras, mas, para ajudar um pouco mais, meu pai fez um curso por correspondência para conserto de rádios e televisores no IUB – Instituto Universal Brasileiro. Sempre após o serviço ficava acordado até tarde, ainda na cozinha de casa, consertando rádios e outros aparelhos.

Numa época em que televisão ainda era um luxo, meu padrinho, seu chefe, sujeito já estabelecido e com mais posses – mas dado a violentos acessos de fúria – havia comprado uma dessas máquinas de fazer doido. Mas não é que a televisão apresentou defeito? Mexe daqui, mexe dali, fuça, vira, tenta, esmurra, acabou ficando puto, levou aquela “geringonça” para fora, bem no meio do quintal, e extravasou sua raiva a golpes de machado no pobre aparelho…

Não sobrou muito.

Ciente de que meu pai estava dando seus primeiros passos naquela arte eletrônica, juntou os cacarecos que sobraram da vítima e levou até em casa.

- Toma, Bento. Se você conseguir fazer essa porcaria funcionar, ela é sua.

O que para outros seriam lixo, para meu pai foi uma oportunidade! Jamais que ele teria como comprar um aparelho daqueles naquela época!

Desmontou tudo, arranjou madeira (sim, as tvs de então possuíam caixas de madeira – ótimas para cupins…), e, usando suas habilidades de marcenaria, fez outra caixa para a televisão. Economiza daqui, compra uma válvula dali, solda acolá e, não demorou muito, o aparelho voltou à vida!

E então, quando eu tinha apenas um mês e meio de idade, na vizinhança a casa de meu pai – ainda que modesta – era a única que tinha televisão. Minha mãe conta que nesse dia todos os vizinhos possíveis e imagináveis se reuniram em casa para ver as fantásticas notícias naquela tv preto e branco à válvulas e recém reformada, a respeito de um homem – quanta ousadia! – que chegara à Lua.

E essa é a história da primeira televisão que tivemos em casa…

E pensar que, quarenta anos depois, ainda ontem comprei um “eme-pê-qualquer-coisa” pro meu filhote, do tamanho de um celular, e que dentre outras funções já possui tv embutida…

Na terça, uma foto

terça-feira, 14 de julho de 2009, às 7:10

Estes dois da direita são meus tios de Jacareí: Ari e Caridade (das três irmãs: , Esperança e Caridade, lembram?). As crianças, provavelmente, devem ser as filhas mais velhas: Cacilda e Sueli.

Tia Caridade vai bem, inclusive, recentemente, nasceu mais uma bisneta – a Manuela!

Já meu tio – Ari Ramos Arantes, na realidade – faleceu há 26 anos. Especificamente no dia 1º de julho de 1983, com apenas 44 anos, vítima de um acidente ocorrido na Rodovia Dom Pedro, em Igaratá, SP…

Na terça, uma foto

quinta-feira, 18 de junho de 2009, às 5:50

Tá.

Eu sei.

“Mas é quinta…”

Tô meio corrido, tá bom?

Mesmo assim, vamos lá. Nessa foto de São José dos Campos – dá pra ver a Igreja Matriz lá no fundo – apesar de estar escrito “Béla Vista” (esqueçam, por favor, as atuais regras ortográficas), a coisa talvez seja um pouquinho diferente. É que hoje o chamado bairro Bela Vista, na realidade, fica à esquerda de quem passa pelo “Viaduto de Santana”, sobre a estrada de ferro, que liga o bairro ao Centro.

Já deu pra perceber que o viaduto ainda não existia quando a foto foi batida…

Apesar de na época ter o nome de Rua Paraíba, trata-se da hoje conhecida Av. Rui Barbosa (aquele morro lá na frente é o ponto onde ela chega na Rodoviária Velha) e a foto deve ter sido tirada perto de onde atualmente está o carrinho de lanches Pascoaleto’s, de meu amigo Edilson (roaylties, please).

Ali à direita, uns cinquenta metros adiante de onde está aquela casinha com um arco na entrada, hoje fica o CooperRhodia Coop, lá de Santana (e eu aqui, sem cobrar nada dessa propaganda gratuita para meus milhares de leitores).

Aliás, essa mesma casinha ainda existia até pouco tempo atrás e foi uma das residências da Dona Victória, uma senhora já idosa quando da minha adolescência, mas com um bom humor insuportável. Ela fazia salgadinhos para vários bares da região e um de meus primeiros empregos foi justamente entregar, de bicicleta e ainda de madrugada, esses salgadinhos – os quais muitas vezes eu mesmo ajudava a fazer…