Arquivos de 'Pra ficar na história'

Noticia de Ultima Hora

quinta-feira, 2 de setembro de 2010, às 11:22

O Fundo Ultima Hora, parte do acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo, é composto por 166 mil fotografias, 500 mil negativos, 2.223 ilustrações e uma coleção de edições da Ultima Hora1 do Rio de Janeiro entre os anos de 1951 e 1970, em papel ou microfilme. A documentação foi acumulada ao longo da trajetória da edição carioca do jornal.

(…)

As imagens podem ser utilizadas livremente para finalidades educativas, desde que não atendam a interesses comerciais. (…)

Podem fuçar à vontade (principalmente nas fotos e caricaturas!) lá no Arquivo Público do Estado de São Paulo!

Reminiscências escolares

domingo, 22 de agosto de 2010, às 6:47

Ao ler as Palavras Soltas do Renato – em especial este post aqui – por indicação do Copoanheiro, bateu uma nostalgia de minha infância.

Diferente do que vemos hoje, a escola efetivamente começava aos sete anos para a criançada. Até os cinco anos não se cogitava em absoluto nenhuma vida escolar, sendo que aos seis anos, quando muito, havia a figura do “prézinho” (sim, eu sei que a paroxítona tá brigando com o acento da proparoxítona, mas é assim mesmo que chamávamos as pequenas unidades pré-escolares).

Berçários? Infantil 1, 2, 3, o escambau? Nada disso. Tá certo que o mundo era bem outro e numa cidade do interior o comum era que as mães cuidassem da casa e dos filhos enquanto que os pais trabalhavam. E mesmo assim elas ajudavam como podiam. Lá em casa, por exemplo, enquanto meu pai era mecânico de caminhões minha mãe era costureira. E, enquanto não saía para o mundo, sendo o caçula de três (cujos mais velhos já eram adolescentes à época), tive a sorte de ter um quintal enorme para brincar e criar minhas próprias aventuras. Tá, vendo hoje o quintal nem era tão grande assim. Mas vá explicar isso a uma criança de seis anos…

Mas, de volta à vida escolar, estudei numa única escola da primeira à oitava série – a “E.E.P.G. Dr. Rui Rodrigues Dória” – numa época em que sequer se pensava em “progressão continuada”, ou seja, simplesmente quem não estudava não passava. Isso foi entre 1976 e 1983. A escola ficava a três quarteirões da casa em que eu morava (e onde até hoje meus pais moram) e desde sempre fui a pé para as aulas. Talvez seja por isso que hoje, mesmo com uma escola relativamente perto de minha atual casa, me causa uma certa estranheza toda a logística montada para levar e trazer as crianças. Não sei precisar se efetivamente “os tempos eram outros”, pois vivíamos num regime militar propriamente dito (ainda que em seu final), essa coisa de segurança pública era uma grande piada (alguém aí se lembra das baratinhas e camburões?) e policiamento era uma coisa que não se via. Mesmo hoje, nos bairros, a criançada continua indo a pé para escola e – pasmem! – sobrevivem.

Mas estou divagando.

Não tive pré, mas ainda assim entrei na escola já sabendo ler e escrever, graças a meu irmão mais velho que teve paciência de me ensinar como juntar aquela sopa de letrinhas que até então eu enxergava nos livros. Confesso que só tive problemas com o ponto de exclamação (“!”), pois toda frase que terminava com ele, eu terminava com “i”.

- Mas isso não é a letra “i”.

- É sim.

- Não, isso se chama “ponto de exclamação” e serve para indicar que alguém está, por exemplo, gritando.

- Não, não é.

- E o que é então?

- É um “i”. Mas está de cabeça pra baixo…

Teimoso e turrãozinho desde pequeno.

Assim, aos sete anos de idade, já com alguma vantagem com relação a maioria dos meus colegas, não me foi difícil aprender a estudar e tomar gosto pela coisa. Confesso que por essa experiência às vezes me assusto com meu caçulinha que, com seus recém completados seis anos, já sabe ler alguma coisinha. Tanto eu quanto a Dona Patroa nos esforçamos para que nossa criançada não perca o momento de brincadeira que, nessa idade, a eles pertence, mas é preocupante a carga de “responsabilidades” que já lhes é despejada desde tão cedo.

E então fui aprendendo a ter um certo senso de organização e de rotina, pois desde sempre ao tocar do sino (sim, um sino mesmo, na mão da Inspetora de Alunos) os alunos se reuniam no pátio, cada classe em fila dupla (meninos e meninas), do menor para o maior (desde então eu já era o mais alto, lá no final da fila). Dali vinha algum recado que eventualmente fosse necessário o Diretor passar e, após, toca todo mundo pra sala de aula.

Toda quarta-feira era dia de hasteamento das bandeiras, quando então cantávamos o Hino Nacional – ritmo quaternário, segundo a Dona Clélia, Professora de Educação Artística (mas, antes disso, lecionava Música). Aliás, o respeito que se tinha com o pavilhão era bem outro. Nâo que nós, brasileiros, não devamos nos apropriar e até mesmo brincar um pouco com as cores e geometria da bandeira, como hoje fazemos, até porque vejo isso como uma forma de divulgação e orgulho. Mas, naquela época, era uma coisa quase sacrossanta. Ao final do dia tínhamos a cerimônia de arriamento e a bandeira era recolhida e guardada, sendo devidamente dobrada da “forma certa” (não me perguntem qual, não lembro mais). Esses detalhes aprendíamos com o Professor Bosco, de Educação Moral e Cívica.

Aliás, lembro-me pouco das professoras de primário (primeira a quarta série), quando havia uma única por sala de aula para lecionar todas as matérias. Posso citar somente a Dona Maria Antônia e, mais tarde, a Dona Geni – cuja música recém-lançada à época pelo Chico causou uma saia justíssima quando, certa vez, nossa classe inteira começou a cantá-la durante uma ausência temporária da professora (que não foi tão temporária assim).

De vez em quando apareciam alguns professores substitutos, e destes lembro-me de apenas dois. Um deles foi o Professor Aristóbulo – e é só pelo nome que me vem à lembrança. Outra foi a Professora Bete. Um amor de pessoa. Totalmente despirocada e divertida, não tinha quem não gostasse dela. Mais tarde, já formado, encontrei-a por diversas vezes no Fórum, pois hoje ela é advogada. E continua do mesmo jeitinho.

Entretanto tenho um pouco mais de lembranças dos professores do ginásio (quinta a oitava série). Além dos dois que já citei, tínhamos a Dona Ana Lúcia, Professora de Língua Portuguesa (antigamente dava aulas de Francês e era conhecida como “Merci Bocu” – o que mais tarde foi “traduzido” pelos alunos), com quem aprendi regras gramaticais que até hoje tenho na cabeça. O Professor Rotschild, de História, responsável por uma profunda mudança em minha cabeça ao ensinar a história como ela foi e não necessariamente como contavam os livros. O Professor Jaime (mais tarde fiquei sabendo que também foi Diretor da escola), de Ciências – sacana pra caramba em pleno momento de adolescência dos estudantes.

E só.

Lamento profundamente não conseguir me lembrar dos demais professores que, com certeza, ajudaram a influenciar quem hoje sou – e se isso é bom ou ruim, também não sei aquilatar.

E, ainda, minha formação vem da convivência que tive com os demais colegas e amigos com os quais passei esses oito anos, quer tenham estudado comigo ou não. Eis alguns, de cabeça (e desde já peço perdão àqueles que, assim à queima-roupa, deixei de citar): a pequenina Vilma, o também miudinho Jorge, o Fernando Kamezawa – amigo de toda jornada, sua irmã Edna, Marco Antônio, Celsinho, Marcelle (e olhe que não nos dávamos de jeito nenhum), a Alexandra – filha do Cuitelo, do supermercado, Fátima, Regina, Valnice e outras primas, a Ana Lúcia (ah, a Aninha), a Ana Maria, Rosele, Rosália, o Fábio (com quem briguei muito), Josimara, Rose, Eduardo Rosa, Zezé (que, parece, também se tornou professor), Sílvia Helena, João Carlos Dellu – meu mentor baguncístico para a adolescência, Vantuil, Kalil, Alexandre, Lucimara, Sirlei – a ruivinha, os gêmeos Márcio e Maurício (sacanas como eles só), Karla (essa mesma, mãe dos meus sobrinhos) e Edilson Roger Pascoaleto, amigo até os dias de hoje de aventuras e desventuras inomináveis.

Acho que a grande vantagem de se estudar numa mesma escola durante um longo tempo é que seu referencial se torna mais sólido. As amizades são mais duradouras. O terreno é mais conhecido. Enfim, creio que havia uma certa segurança em função disso. E essa “segurança” não só norteia minha vida como também tento passá-la aos meus próprios filhos.

Enfim, são apenas reminiscências deste velho contador de causos que vos tecla. Mas, no próximo dia três de outubro, com certeza ainda vou matar algumas saudades. Até hoje não mudei meu título de eleitor e continuo votando na mesma escola que me viu crescer. Já não é mais exatamente a mesma, mas sempre tem algum detalhe, aquele enfeite, aquela rachadura, aquela marca, que acaba me transportando a uma época em que tudo era bem mais fácil e divertido…

Velinhas virtuais

quarta-feira, 18 de agosto de 2010, às 6:00

E não é que hoje, fazendo uma atualização deste nosso cantinho virtual, enquanto subia alguns textos antigos do finado Ctrl-C, me caiu a ficha!

Agora em agosto faz onze anos que subiu ao ar o seu primeiro número (na verdade foi a edição 00).

Ou seja, já tem um bom tempinho que venho martelando assuntos que, cada vez mais, vão ficando em voga – tais como compartilhamento de informações, software livre, etc…

Com certeza não fui o primeiro a bater nessa tecla e – pior – nesse meio tempo não consegui ser tão ativista quanto gostaria – certo, Bica?

Mas tenho lá dado meus pitacos…

Fora isso – e essa passou em branco – já se vão treze anos (sempre gostei desse número!) desde que conheci a Dona Internet. De madame turrona e desajeitada, lá no começo, acabou por se tornar uma mocinha esguia e pra lá de faceira!

Enfim, este post foi só pra registrar o momento.

Mais tarde brindarei a isso!

Ferpeitamente!

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                                         INFORMATION MUST BE FREE !

Natureza Viva

quinta-feira, 22 de julho de 2010, às 15:28

Diário de bordo, data estelar vinte, dez, sete, ponto, zero, oito. Férias. A fronteira final. Estas são as viagens da família Miura-Andrade em sua missão de quinze dias para explorar novos e estranhos lugares, pesquisar novas formas de divertimento e novas comunidades, audaciosamente indo onde nenhum deles jamais esteve.

No capítulo de hoje vamos ficar com uma pequena aventura básica: uma visita feita ao Viveiro Municipal de Jacareí.

Fantástico!

Vale a pena ir, passear e se divertir. E lá tem tudo para melhorar ainda mais!

Parabéns ao amigo José Roberto – e, em especial, a toda sua competente equipe – pela empreitada!

Não vou perder tempo com vãs descrições, pois as imagens falam por si…

Seleção Nota Dez

sábado, 26 de junho de 2010, às 10:17

Na terça, uma foto

terça-feira, 1 de junho de 2010, às 0:01

QUE PUTZ!!!!!

Isso AINDA existe!!!!

Não tenho nem idéia de onde nem como a Dona Patroa encontrou um pacote de Mandiopã – uma verdadeira “pérola”…

Mas – ainda que fabricado desde 1954 – está dentro do prazo de validade: vai até 2013!

Só quem, como eu, é clássico ( e nunca “velho”) é que vai entender.

Quem diria, hein?…

Definição altamente técnica

quarta-feira, 19 de maio de 2010, às 7:01

E então, ainda ontem, participei de uma visita a uma das grandes fábricas aqui da região.

Coisa impressionante!

Uma “linha de montagem” de quase um quilômetro espalhada em galpões gigantescos…

Entretanto, em determinado momento o nosso “guia” mostrou-nos a diferença entre as técnicas construtivas d’outrora e as atuais. Os pilares e vigas construídos em 82 eram enormes, o diâmetro dos parafusos quase do tamanho de um punho e, com certeza, a ferragem interna digna de um bunker. Já a área paralela, construída no ano passado e que suportava exatamente a mesma carga, apresentava pilares bem mais delgados e parafusos visivelmente mais finos.

Nítida a diferença e supreendente a resistência.

Nesse momento uma das pessoas do grupo de visitantes soltou essa:

- Não é que necessariamente a qualidade da técnica construtiva tenha se alterado, mas sim que provavelmente deve ter diminuído – e muito – o coeficiente de cagaço do engenheiro calculista…

Na terça, uma foto

terça-feira, 18 de maio de 2010, às 5:33

Cara…

Alguém lembra disso?

Ou melhor, AINDA tem alguém com idade suficiente para lembrar disso?

Eu e a molecada da minha geração sempre procurava ter pelo menos uma no bolso – para “emergências” – e, ainda assim, maldizíamos o sistema telefônico brasileiro a cada vez que assistíamos um filme onde as pessoas simplesmente colocavam moedas para suas ligações.

Isso, é lógico, até o momento em que aprendi que em alguns orelhões, sem ficha nenhuma, apenas com alguns toquezinhos no gancho do telefone, era possível (com uma certa paciência, diga-se de passagem) completar ligações…

É… Acho que o espírito da coisa meio que já me dominava antes mesmo de conhecer o mundo da informática…

O tempo passa e nada muda…

quarta-feira, 17 de março de 2010, às 17:05

Gente nova, gente velha

domingo, 17 de janeiro de 2010, às 12:28

E eis que no findar do dia de ontem, dezesseis de janeiro do ano de dois mil e dez (por que será que essa data me traz lembranças?…), nasceu a filha de minha sobrinha.

Bem, na realidade, filha da sobrinha de minha esposa – que não deixa de também ser minha sobrinha…

Enfim, a pequenina nasceu ontem à noite, filha da Jacqueline, nossa sobrinha de apenas vinte anos.

Não, não tenho (ainda) fotos, peso, tamanho, nem detalhe nenhum. Nem mesmo o nome. Mas é só uma questão de tempo!

Definitivamente estou ficando velho.

Afinal de contas, agora já sou tio-avô!

Na terça, uma foto

terça-feira, 8 de dezembro de 2009, às 23:00

Este é meu avô pelo lado materno, Bernardo Claudino Nunes (*24/03/1907 | +31/01/1979). De seu casamento com Maria Dionísia de Jesus (em 31/10/1931), teve apenas duas filhas: minha tia Dionísia Nunes, nascida em 1939 (a que está em pé a seu lado), e minha mãe, Bernardete Nunes, nascida em 1943 (a que está em seu colo). Infelizmente minha avó faleceu em 1945, com apenas 33 anos, deixando ao encargo de meu avô a criação daquelas crianças.

Com o passar do tempo acabou casando-se por mais duas vezes. Seu segundo relacionamento, com uma senhora chamada Benedita, não durou muito. Mas seu terceiro casamento, com Geny de Souza Nunes, durou até o cumprimento da promessa feita no altar, quando, então, foram separarados. Desta feita teve mais nove filhos, entre 1956 e 1969 – aliás, curiosamente, por coisa de pouco mais de um mês eu sou mais velho que minha tia mais nova…

São Thomé das Letras – A Viagem (I)

terça-feira, 3 de novembro de 2009, às 5:20

“Caminhante: não há caminho – o caminho se faz caminhando.”
Ataualpa

I – Preparativos

Não lembro ao certo como o convite surgiu. Só tenho certeza que deve ter sido numa mesa de bar.

- E aí? Vamos pra São Tomé?

- Das Letras?

- De onde mais?

Dei uma longa tragada em meu cigarro e pensei um pouco sobre o assunto. Um feriadão se aproximando, uma oportunidade de fazer algo diferente com a criançada, levar a Dona Patroa a um lugar que ela ainda não conhecia e – por que não? – tentar resgatar um pouco de mim mesmo que parece ter ficado naquele lugar quando estive lá, já tem quase uns vinte anos.

- Legal. Só vou ver com a Dona Patroa e depois a gente se fala.

Tenho certeza absoluta que já era essa a resposta esperada pelo Evandro, autor do convite, copoanheiro eventual e parceiro em desventuras no geral. Sabem, é algo como aquele caboclo que está na mesa do bar – normalmente no mais divertido da festa -, levanta-se e diz algo como “vou até tal lugar e, qualquer coisa, eu volto”. Não adianta protestar ou argumentar. Esse não volta mais. E a resposta que eu dei soou exatamente nesse tom. E eu tinha consciência disso.

Mesmo assim, no final de semana seguinte, conversei com minha amada, idolatrada, salve, salve, Dona Patroa. E ela topou.

Na mesma hora liguei e avisei que iríamos.

E a comoção geral tomou conta da platéia naquele momento…

Os dias seguintes foram, digamos, interessantes. Um meio que preparativo – mas sem preparativos. Tá, na prática a semana se resumiu num feriado maluco – o Dia do Servidor Público – que, em alguns lugares foi adiantado para segunda-feira, em outros foi comemorado no dia mesmo, na quarta-feira, e, em ainda outros, ficou para sexta-feira. E como Murphy é um velho sacana, é lógico que eu e a Dona Patroa tivemos nossos feriados escalados para dias diferentes: ela na quarta e eu na sexta.

Mesmo assim, zuzo bem.

Ela aproveitou a quarta para fazer as compras do que fosse necessário para viagem. Ou seja, zilhares de lanchinhos, frutas, água, refri, etc. O mínimo indispensável para manter calmos os três filhotes – de cinco, sete e dez anos – pelas horas a fio que passariam dentro do carro.

Mas, e na prática, como fazer?

Bem, sendo ela funcionária pública estadual, com direito à chamada licença abonada – uma vez a cada mês, ou bimestre ou a cada seis meses, sei lá – e considerando que em mais de dez anos de serviços prestados nunca utilizou essa prerrogativa, não foi sem surpresa de sua chefe que ela pleiteou esse direito para a sexta seguinte.

E por que na sexta? Bem, como o feriado não seria geral para todos na sexta, mas sim na segunda seguinte (Finados), então seria o melhor dia de pegar a estrada para ir, com um movimento, no máximo, médio, e deixar para voltar no domingo, praticamente sem movimento, enquanto que todo o resto do mundo deixaria para voltar na segunda.

Parecia o plano perfeito.

Já na véspera, quinta-feira, ao combinar com o Evandro o caminho pelo qual iríamos, propus o circuito das águas, pois passei por aquela estrada há uns cinco anos e me pareceu confortável o suficiente para prosseguir até São Tomé. Ele iria propor a SP-50 (também conhecida como estrada para Monteiro Lobato), mas concordou comigo. Avisou que sua irmã e mãe também iriam, em carro próprio. Combinamos um ponto qualquer na Dutra para nos encontrarmos.

Masssss…

Conversando com a Dona Patroa chegamos à conclusão que o “divertido” não seria a viagem propriamente dita, mas sim o “viajar” em si. Daí que um caminho, digamos, mais bucólico, deveria ser bem mais interessante.

Falei com o Evandro novamente e recombinamos o ponto de encontro. Já aí não tive como não vislumbrar alguns acordes do Raul: “eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Bons auspícios, em se tratando de São Tome das Letras…

Como eu havia deixado a viatura para alguns ajustes mechânicos, fui gentilmente levado para o serviço pela Dona Patroa. Aliás chegaram inclusive a me perguntar se eu não iria para lá com o Opalão.

- Não. Por mais que eu queira – e eu quero – ainda não confio nele.

- Como assim?

- É que, para mim, todo carro novo que a gente pega – ainda mais sendo velho – passa por um período de adaptação. Eu tenho que pegar confiança nele. Saber que ele não vai me deixar na mão, conhecer seus macetes, manias, cacoetes e birras. Só então daria para encarar uma viagem dessas.

- É, mas isso não é só com carro velho não, carro novo também…

Enfim, ao encerrar o expediente na quinta, após um merecido choppinho com o copoanheiro Bicarato – que, infelizmente, por motivos trabalhísticos não pode se juntar à nossa caravana – a Dona Patroa foi me pegar com as crianças. Deixei a tropa em casa para acabar de arrumar as malas e parti para providências de praxe antes de qualquer viagem. Amortecedores, freios e pneus já eram novos, substituídos há cerca de três meses. Então foi questão de trocar óleo, completar água, calibrar pneus (inclusive o estepe), trocar o extintor vencido há dois anos, completar o tanque e tomar três latinhas nesse processo.

Tudo pronto.

Chegando em casa acabei de fazer também as minhas malas, separei uma muda de roupas para viagem, colocamos tudo no carro – inclusive pensando na logística de acesso aos mantimentos, remédios, blusas, etc.

Celulares carregados e baterias da câmera fotográfica completas.

Algum dinheiro em espécie disponível na carteira.

Tudo preparado.

Heh…

E pensar que, nas minhas viagens de antigamente, o máximo que eu me preocuparia seria em deixar uma graninha à parte para eventualmente pegar o busão de volta caso não conseguisse carona. De resto era carregar o mínimo de peso indispensável para não passar nenhum perrengue. Ou seja, máxima eficiência com mínimo esforço.

Com tudo encaminhado, ansiedade da criançada devidamente controlada e despertadores a postos bastava aguardar o raiar do dia 30 de outubro para a grande viagem.

Mal sabíamos o que nos aguardava.

Continua…

Maria Clara

quinta-feira, 29 de outubro de 2009, às 7:28

E eis aqui uma foto da Maria Clara, minha pequenina priminha, filha de minha prima Ada e do feliz e corujíssimo papai, Sandro – até o momento a mais nova descendente de meus avós, Antonio e Sebastianna – nascida em 09/SET/2009, às 11h53min, com 53cm, pesando 4.200g e, se eu não estiver enganado nas contas, a 111ª da linhagem…