Compreendendo a gravidez da situação

Não, vocês não leram errado, nem tampouco eu a escrevi errado: a palavra é essa mesma. Mas, como todos já sabem, eu tenho uma certa tendência ao dramático e não podia deixar de dar todo um colorido nessa história – que, inclusive, aconteceu de verdade – como vocês verão…

E lá estava o casalzinho, bem de boa, juntos há pouco tempo e ela já gravidinha. De repente, assim do nada, ela dispara:

– Amô-ôr…

– Oi, vida?

– Sabe… É que eu estou com muita vontade de tomar sorvete…

– Não por isso! É pra já!

E sem dar nenhum tempo para um segundo pensamento sequer, já saiu, foi até a padaria mais próxima e logo em seguida voltou com o melhor que poderia pescar dos freezers de sorvetes: flocos, napolitano, morango, chocolate e por aí afora.

Ela sorriu, meio sem jeito, enquanto que ele estava ali, quase que se pavoneando, orgulhoso em se sentir o melhor dos maridos e de já achar que seria um futuro pai pra lá de dedicado!

Enquanto isso ela abriu um pote, olhou, abriu outro, pegou uma colherinha, experimentou, deu um passo pra trás, pensou e arrematou:

– Amô-ôr…

– Oi, vida?

– Sabe… É que você não me deu um tempo pra explicar… Mas é que a minha vontade era de tomar sorvete do Seu Robertinho…

– Do Seu Robertinho? O mesmo “Seu Robertinho” lá da nossa cidade, do Sul de Minas, a mais de 100 quilômetros de distância???

– É…

– Ah, amor, aí não tem jeito. Você vai ter que se virar com o que temos! Antes do próximo final de semana, com certeza não como a gente ir pra lá. Fecha os olhos e faz de conta que esse é do Seu Robertinho, vai?

– Mas não é!

– Mas, vida…

– A grávida sou eu!

Pronto. Discussão encerrada. Impossível retrucar contra esse argumento. Foram dormir daquele jeito, meio que chateados, meio que decepcionados e com a geladeira cheia de sorvete.

Já no dia seguinte ele teve uma brilhante ideia! O problema era aquele sorvete industrializado, enquanto que o do Seu Robertinho era totalmente caseiro. O único lugar que ele conhecia em toda cidade que também produzia seu próprio sorvete caseiro e de qualidade era lá na Sorveteria do Canário, na Zona Norte. Propôs a ela que fossem até lá para, pelo menos, que ela experimentasse – mas ele tinha certeza absoluta que isso resolveria o problema.

Atravessaram a cidade, chegaram na sorveteria, ela ainda com uma carinha de desconfiada, decidiu arriscar uma Banana Split (que, diga-se de passagem, quem conheceu a Banana Split do Canário sabe do que eu tô falando em termos de qualidade, sabor, consistência e tamanheza)…

Bastou uma colheradinha.

Empurrou a taça, quase com cara de choro, e cheio de súplica encarou seu mais uma vez frustrado marido:

– Não é que nem a do Seu Robertinho.

Bem, daí não teve jeito. Foi o resto da semana pilotando as variações de humor da patroa até que pudessem, no final de semana, viajar até o Sul de Minas e matar a vontade da gravidinha.

Foi uma loooonga semana…

Enfim chegou o final de semana, pegaram a estrada e o mau humor dela parece ter ficado em casa, no fundo da última gaveta, junto com as meias. Parecia uma criança! Finalmente ia matar a vontade e se deleitar com os sorvetes do Seu Robertinho!

Mas ele já estava daquele jeito, com uma pulga atrás da orelha… Nada, repito, NADA, na vida dele se resolvia tão fácil…

E, é lógico, ele tinha razão. Afinal de contas eles estavam em Agosto, ou seja, Inverno. O que as sorveterias fazem no inverno? FECHAM. Simples assim.

Antevendo a gravidade de um súbito ataque gravídico, ele não teve dúvidas: deixou-a em casa de parentes e foi pessoalmente até a casa do Seu Robertinho!

– Oi, fio! B’as tarde!

– Seu Robertinho, PELAMORDEDEUS, me ajuda! Só o senhor pode me ajudar!

– Êita! Carma, fio. Que é que assucede?

– Minha mulher, seu Robertinho. Minha mulher. Ela tá grávida e já faz quase uma semana que não para de falar do sorvete que o senhor faz. É vontade, Seu Robertinho, vontade de grávida! Diz pra mim, por favor, que o senhor tem algum sorvete aqui na casa do senhor pra me vender, POR FAVOR!!!

– Heh… É, já vi isso antes. Mas fique carmo e vâmo chegá ali na cozinha pra modo de você escolhê…

Ele estava salvo! Finalmente! Acompanhou Seu Robertinho até sua “despensa de sorvetes” e pra que não tivesse mais nenhum tipo de problema, pegou um potinho de cada sabor. De todos os possíveis e imagináveis. Voltou abarrotado! Tinha de uva, morango, côco, chocolate, creme, flocos, abacaxi, limão, amora, pistache, o escambau!

Encontrou sua mulher daquele jeito: tal qual criança esperando brinquedo no dia do aniversário! Os olhos brilhando! Desceu sua carga na mesa e respirou fundo, descansado, certo de que agora não tinha como ter errado, enquanto que ela conferia e alinhava um a um todos os potinhos, quase pulando de alegria e já ficava nítido o prazer que ela ia antevendo em saboreá-los.

E assim, num suspiro aliviado, ele virou de lado e tentou até sorrir…

E mesmo extasiada, ela assim do nada, voltou a repetir:

– Amô-ôr?

(GLUP!)

– Oi, vida?…

– Não tinha de goiaba?

Livro da Família Andrade

Muito bem, família! Vocês devem se lembrar do quanto aporrinhei todo mundo até conseguir levantar todas as informações para montar esse livro aí do lado… Só que tem um detalhe: ele somente tem os registros de nossa família até 2012! E como já estamos em 2017, como todos sabem muito bem, tem muita gente que já casou, que separou, outros tantos nasceram e infelizmente alguns também morreram…

Então, família, conto com vocês para me ajudar a atualizar este nosso livro!

Pra facilitar procês, eu dividi o livro de acordo com cada ramo da família – ou melhor, cada um(a) dos(as) filho(as) do Vô Antonio e da Vó Bastiana – bastando clicar na respectiva imagenzinha aí embaixo para ter acesso ao arquivo PDF.

Reitero que esse livro é nosso: cada indivíduo descendente tem um par de páginas à sua disposição. As informações básicas, como data e local de nascimento, peso e altura quando nasceu, quando e com quem se casou, quantos e quais filhos teve, bem, esse geralzão em sua maioria já tá lá. Mas caso queiram inserir uma ou mais fotos, trocar a foto que está no livro, acrescentar ou alterar um texto ou uma mensagem, enfim, dar uma personalizada como um todo, agora é a hora!

Aliás, confiram os dados de cada arquivo e assim que possível me mandem as atualizações e correções, ok? E mais: não se limitem ao seu ramo da família não! Até porque não custa nada dar uma fuçada nos arquivos do resto do nosso povo, né?

Vocês podem escrever aqui nos comentários mesmo, ou, se preferirem, basta me encaminhar as informações diretamente para o meu e-mail: adauto@andrade.sjc.br .

E aí? Tão esperando o quê? Bóra atualizar issaí, moçada! 😀

José Bento de Andrade
ZÉ BENTO

Fé dos Santos de Andrade

Esperança dos Santos Andrade
ESPERANÇA

Caridade de Andrade
CARIDADE

Felizberto de Andrade
DINHO

Jorge Andrade
JORGE

Maria Madalena de Andrade
MADALENA

Pedrina de Fátima Andrade
PEDRINA

Maria Laura de Andrade
LAURA

Roberto de Andrade e Geraldo de Andrade
ALEMÃO E GÊRA

Valorizando seu dinheiro – VII

Uma moeda que não durou muito…

Cruzado Novo
(NCz$1,00 = Cz$1.000,00)

Apenas três anos depois da última mudança, foi ainda o presidente Sarney que instituiu o Cruzado Novo (NCz$) através da Medida Provisória nº 32, de 16 de janeiro de 1989 (mais tarde convertida na Lei nº 7.730, de 31 de janeiro de 1989), tendo havido novamente um corte de três zeros no sistema monetário nacional.

Novamente usou-se a estratégia de apor um carimbo identificador nas cédulas mais altas do sistema anterior, só que desta vez ele era – a-ha! – triangular… As primeiras emissões foram cédulas de 1.000, 5.000 e 10.000 cruzados reaproveitadas com esse carimbo triangular com a nova denominação em cruzados novos, respectivamente 1, 5 e 10 cruzados novos.

No decorrer do ano de 89 e início do ano 90 entraram em circulação as novas cédulas no valor de 50, 100, 200 e 500 cruzados novos.

NCz$50,00. Na face possuía a efígie de Carlos Drumond de Andrade (1902-1987), aparecendo, ao fundo, o casario e as montanhas de Itabira, MG; no verso, uma gravura representa o poeta em sua mesa, no ofício de escrever e, à direita da gravura, estão reproduzidos os versos do poema “Canção Amiga”.

NCz$100,00. Na face possuía o retrato de Cecília Meireles (1901-1964), tendo à esquerda a reprodução de desenho de sua autoria, ao qual se sobrepõem alguns versos manuscritos extraídos de seus “Cânticos”; no verso, uma gravura, à esquerda, representa o universo da criança, suas fantasias e o momento da aprendizagem e o painel é completado, à direita, com a reprodução de desenhos feitos pela escritora, representativos de seus estudos e pesquisas sobre folclore, músicas e danças populares.

NCz$200,00. Na face possuía a efígie simbólica da República, interpretada sob a forma de escultura e, à esquerda, gravura simbolizando a reunião de ideais republicanos, onde aparecem as personagens históricas de Silva Jardim, Benjamim Constant, Marechal Deodoro da Fonseca e Quintino Bocaiúva; no verso, detalhe do quadro “Pátria”, do pintor Pedro Bruno (1888-1949), onde aparece a bandeira do Brasil sendo bordada no seio de uma família.

NCz$500,00. Na face possuía a efígie do cientista Augusto Ruschi (1915-1986), ladeada por alegorias de flora e fauna, destacando-se uma representação da “Cattleya labiata warneri”, orquídea que, com dezenas de variedades, é a mais típica do Espírito Santo e a maior flor do gênero no Brasil; no verso, Ruschi examinando orquídeas, aparecendo em destaque a figura de um beija-flor.

Mas…

Curta vida teve o Cruzado Novo…

Apesar de todas as medidas que tomou (e lembro-me bem da famosa campanha chamando a população para que fossem “Fiscais do Sarney”) a inflação seguia em desvairado galope. Em fevereiro de 1990 Sarney deixava para seu sucessor tanto o governo quanto uma inflação anual acumulada batendo na casa de 3.348,74%!


E a Família Andrade, como vai?

Um ano. Apenas um ano durou essa moeda! E nesse ano de 89 foi a vez de meu irmão mais velho, o Adilson se casar – com a Catarina Trone. Fora isso, não tivemos mais nenhum evento familiar digno de nota…


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – VI

O fim da Ditadura Militar
(e o começo da encrenca civil…)

Cruzado
(Cz$1,00 = Cr$1.000,00)

Marcando o fim da Ditadura Militar no Brasil, foi o presidente José Sarney que instituiu o Cruzado (Cz$) através do Decreto-Lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986, tendo havido novamente um corte de três zeros no sistema monetário nacional. O nome da nova moeda foi inspirado numa antiga moeda de ouro portuguesa que circulou durante o período colonial.

Assim como aconteceu com o Cruzeiro Novo no final da década de sessenta, parte das cédulas do Cruzado foi aproveitada do sistema anterior, quer seja na simples aposição de um carimbo identificador, quer seja na reedição da mesma arte com três zeros a menos. As primeiras emissões foram cédulas de 10.000, 50.000 e 100.000 cruzeiros aproveitadas com um carimbo circular com a nova denominação em cruzados, respectivamente 10, 50 e 100 cruzados.

Ainda em 1986 entraram em circulação as novas cédulas no valor de 10, 50 e 100 cruzados, “aproveitando” os elementos das cédulas lançadas anteriormente, apenas com a adaptação das legendas e do valor facial para o novo padrão.

Cz$10,00. Na face possuía Rui Barbosa de Oliveira (1849-1923) à direita, e uma composição representando sua mesa de trabalho ao centro; no verso, Rui Barbosa discursando na Segunda Conferência da Paz, realizada em Haia em 1907.

Cz$50,00. Na face possuía Oswaldo Cruz (1872-1917) à direita, e um microscópio óptico ao centro; no verso; no verso, o Edifício principal do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Cz$100,00. Na face possuía Juscelino Kubitschek de Oliveira, Presidente da República de 1956 a 1961, à direita, bem como estradas e redes de transmissão de energia elétrica ao centro; no verso, o Congresso Nacional em primeiro plano; ao fundo, à esquerda, “Catetinho” e, à direita, o Palácio da Alvorada.

Entre 1986 e 1988 foram colocadas em circulação novas cédulas, desta vez no valor de 500, 1.000, 5.000 e 10.000 cruzados, acompanhando a vertiginosa escalada da inflação, à época…

Cz$500,00. Na face possuía o retrato de Heitor Villa-Lobos (1887-1959), ladeado por representação de vitórias-régias, em alusão a Amazônia; no verso, Villa-Lobos regendo e, ao fundo, vista de uma floresta brasileira, fonte de inspiração permanente do artista, baseada em gravura de Rugendas.

Cz$1.000,00. Na face possuía o retrato de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908), tendo a esquerda o emblema da Academia Brasileira de Letras; no verso, a estampa representativa da Rua Primeiro de Março, no Rio de Janeiro, (antiga Rua Direita), baseada em foto de 1905.

Cz$5.000,00. Na face possuía o retrato de Cândido Torquato Portinari (1903-1962), tendo, à esquerda, gravura com trecho final do painel épico “Tiradentes”, concluído em 1949; no verso, à esquerda, gravura baseada em foto que mostra Portinari desenhando o painel “Baianas”, e à direita, outra gravura lembra elementos do painel “Paz”, que evoca cenas da infância do artista em Brodósqui, SP.

Cz$10.000,00. Na face possuía o retrato de Carlos Chagas (1879-1934), baseado em foto de 1931, tendo, à esquerda, gravura representando esquema clássico do ciclo evolutivo do protozoário “Trypanosoma cruzi” (o barbeiro); no verso, uma gravura mostrando Carlos Chagas trabalhando em laboratório.

Essa Crise – com “C” maiúsculo – já vinha desde o final dos anos setenta e início dos oitenta, herança do modelo econômico adotado durante a Ditadura Militar e que trouxe como resultados a redução do investimento estatal, a expansão da dívida pública, altíssimas taxas de inflação, a deterioração do valor da moeda, perdas reais nos salários e ampla estagnação econômica.

Todos os planos de (tentativa de) estabilização econômica lançados durante o governo de Sarney – Plano Cruzado, Cruzado II, Bresser e Verão – fracassaram no que diz respeito ao combate à inflação e ao crescimento da dívida pública. Apesar de um certo otimismo por parte da população por finalmente haver um presidente civil após mais de duas décadas de Ditadura Militar, essa sensação rapidamente deteriorou, juntamente com os salários e a própria economia brasileira, destacando-se a estagnação dos setores produtivos, o sucateamento dos serviços públicos e a acentuação das desigualdades sociais.

Para se ter uma vaga ideia do que foi aquela época, considerando que em 2016 (pela variação anual acumulada do IPC-FIPE) tivemos uma inflação anual de 6,55% – o que para muitos é considerado um “absurdo” -, quando Sarney iniciou seu governo já teve que encarar a inflação de 1985, que havia fechado em 228,22%! Mesmo mudando a moeda e tomando as medidas que entendeu necessárias, seu primeiro ano de governo conseguiu fechar com uma inflação de “apenas” 68,08%… E no final desse mesmo ano os preços seriam congelados – assim como os salários dos brasileiros.

Entretanto o dragão da inflação voltaria a rugir – e forte! Em 1987 a inflação anual estava em 367,13%, em 1988 fechou em 891,67% e em seu último ano de governo atingiu o inacreditável percentual de 1.635,85% ao ano!!!

Mas, como veremos a seguir, nada nunca está tão ruim que não possa piorar…


E a Família Andrade, como vai?

Dentro do nosso núcleo familiar tivemos, em 87, o primeiro casamento de meu irmão Anselmo – com a Karla Monteiro. E nesses parcos três anos que durou a moeda chamada Cruzado, de 86 a 88, foram suficientes para que eu passasse pela primeira (mas não última) grande reviravolta de minha vida: casei-me! Conheci a Evanilda em 30 de agosto de 86, ficamos noivos em 8 de julho de 87 e nos casamos em 16 de janeiro de 88. Foi também no ano de 87 que comecei a trabalhar no Banco Nacional, onde viria a acompanhar bem de perto a crise institucional que nosso sistema monetário estaria prestes a sofrer…

     


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – V

Ditadura Militar

Cruzeiro Novo
(NCr$1,00 = Cr$1.000,00)

O Cruzeiro Novo (NCr$) começou a circular em 13/02/1967, criado pelo Decreto-Lei nº 1, de 13/11/65 e pelo Decreto nº 60.190, de 02/02/67, já com o presidente Artur da Costa e Silva. O Cruzeiro Novo foi criado como um padrão de caráter apenas temporário, para vigorar durante o tempo necessário ao preparo das novas cédulas e à adaptação da sociedade ao corte de três zeros. Para isso não houve a emissão de novas cédulas, para circular com o Cruzeiro Novo simplesmente foram utilizadas exatamente as mesmas cédulas do padrão anterior, só que carimbadas pelo Governo com os novos valores. Os centavos foram também representados em moedas metálicas, criadas especialmente para esse padrão.

Isso se deu em decorrência, mais uma vez, da desvalorização do moeda – fruto da instabilidade política e das contas públicas em descontrole – de modo que era necessário criar um novo padrão de cédulas, o que ficaria a cargo do recém-criado Banco Central do Brasil (1964), mas era preciso algum tempo para esse preparo. Por isso o caráter temporário do Cruzeiro Novo, feito para durar apenas até o próximo ficar pronto.

Aliás, não só não houve a emissão de novas cédulas como algumas também já foram sendo paulatinamente tiradas de circulação (é o caso das cédulas de 1, 2, 5, 20 e 200 Cruzeiros). Com o corte de três zeros o que era Cr$10,00 passou a ser um NCr$0,01, o que era Cr$50,00 passou a ser NCr$0,05 e assim sucessivamente. Foram carimbadas as cédulas do padrão anterior de modo a colocar em circulação os valores de 0,01, 0,05, 0,10, 0,50, 1,00, 5,00 e 10,00 Cruzeiros Novos.

     

     

     

Cruzeiro
(Cr$1,00 = NCr$1,00)

Como o padrão anterior foi apenas um intermediário para a volta do Cruzeiro (Cr$), o que se deu em 15/05/1970, já com o presidente Emílio Garrastazu Médici, através da Resolução 144, de 31/03/1970, do Conselho Monetário Nacional, não houve “tempo suficiente” para a inflação corroer o poder aquisitivo do dinheiro, de modo que um Cruzeiro era equivalente a um Cruzeiro Novo. Todas as cédulas do período anterior foram substituídas por outras com novas efígies e o dinheiro passou a ser impresso em definitivo somente pela Casa da Moeda do Brasil.

Ou seja, a moeda em vigor voltou a se chamar somente Cruzeiro e as cédulas em circulação foram substituídas pela nova série, nos valores de 1, 5, 10, 50 e 100 Cruzeiros.

Cr$1,00. Na face possuía a Efígie da República à direita; no verso, o Edifício da Caixa de Amortização à esquerda.

Cr$5,00. Na face possuía D. Pedro I à direita; no verso, a Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, à esquerda.

Cr$10,00. Na face possuía D. Pedro II à direita; no verso, o “Profeta Daniel”, escultura em pedra sabão de Aleijadinho, no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos-Congonhas do Campo, à esquerda.

Cr$50,00. Na face possuía o Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, à direita; no verso, “Embarque do Café”, Cândido Portinari, à esquerda.

Cr$100,00. Na face possuía o Marechal Floriano Vieira Peixoto, Presidente da República de 1891 a 1894, à direita; no verso, o Congresso Nacional à esquerda.

Em 1972, em comemoração aos 150 anos da Independência do Brasil, foi lançada a cédula de 500 Cruzeiros.

Cr$500,00. Na face possuía uma representação da evolução étnica brasileira; no verso, mapas histórico-geográficos.

Em 1978, já quase no final do mandato do presidente Ernesto Geisel, foi lançada a cédula de 1.000 Cruzeiros, que seria a primeira dessa segunda família do Cruzeiro, inspirada no padrão de cartas de baralho, ou seja, com imagens duplicadas tanto na frente quanto no verso, permitindo a leitura tanto num sentido quanto noutro. Popularmente foi quando se começou a chamar qualquer unidade monetária de dinheiro de “Barão”, por conta da efígie do Barão do Rio Branco na frente da cédula.

Cr$1.000,00. Na face possuía a figura de José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912); no verso, Delimitação das Fronteiras.

Mais tarde, em 1981, durante a presidência do último ditador (militar), João Figueiredo, novas cédulas foram incrementadas, com os valores de 100, 200, 500 e 1.000 Cruzeiros. Tanto a cédula de 100 quanto a de 1.000 foram reformuladas, mantendo o mesmo padrão de tamanho de desenho das demais, o que valeu à antiga cédula de 1.000 o apelido de “Barão Cabeção”…

Cr$100,00. Na face possuía Luís Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias (1803-1880); no verso, a Pacificação Interna.

Cr$200,00. Na face possuía a figura da Princesa Isabel (1846-1921); no verso, a Abolição da Escravatura.

Cr$500,00. Na face possuía o Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente do Brasil de 1889 a 1891; no verso, a Proclamação da República.

Cr$1.000,00. Na face possuía José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912); no verso, Delimitação das Fronteiras.

Cr$5.000,00. Na face possuía Humberto de Alencar Castello Branco, Presidente da República durante a Ditadura Militar (1964-67); no verso, Usinas hidroelétricas e telecomunicações.

Em 1984, em decorrência de uma absurda inflação que não parava de crescer, as cédulas de 1, 5, 10 e 50 Cruzeiros deixaram de circular. Nesse mesmo ano houve a emissão de novas cédulas, nos valores de 10.000 e 50.000 Cruzeiros. Já em 1985 a cédula de 100.000 cruzeiros viria acompanhá-las.

Cr$10.000,00. Na face possuía Rui Barbosa de Oliveira (1849-1923) à direita, e uma composição representando sua mesa de trabalho ao centro; no verso, Rui Barbosa discursando na Segunda Conferência da Paz, realizada em Haia em 1907.

Cr$50.000,00. Na face possuía Oswaldo Cruz (1872-1917) à direita, e um microscópio óptico ao centro; no verso; no verso, o Edifício principal do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Cr$100.000,00. Na face possuía Juscelino Kubitschek de Oliveira, Presidente da República de 1956 a 1961, à direita, bem como estradas e redes de transmissão de energia elétrica ao centro; no verso, o Congresso Nacional em primeiro plano; ao fundo, à esquerda, “Catetinho” e, à direita, o Palácio da Alvorada.

Aliás, estas são as cédulas que me acompanharam durante toda minha infância e boa parte da adolescência…

Esta quinta parte de nossa história durou 16 anos, que, somados aos 3 anos da época do Cruzeiro Novo, nos dá um total de 19 anos sem “cortes de zeros”. Mas o final da década de setenta trouxe a crise do petróleo e o premente fim da ditadura, já em meados da década de oitenta, levou a inflação do Brasil a patamares inimagináveis!


E a Família Andrade, como vai?

Tendo passado minha infância na década de setenta e minha adolescência na década de oitenta, acompanhei toda a trajetória econômica de nossa moeda que acabaria nos levando a índices inflacionários sequer imaginados! Não que eu me preocupasse com isso na época…

     

     

     


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – IV

Do Estado Novo ao Fim do Estado…

Cruzeiro
(Cr$1,00 = Rs1:000$000)

O Cruzeiro (Cr$) começou a circular em 01/11/1942, criado pelo Decreto-Lei nº 4.791, de 05/10/42. Nessa troca de moeda do Brasil, os Réis foram substituídos pelo Cruzeiro e 1 mil Réis passaram a valer 1 Cruzeiro, tendo sido este o primeiro corte de três zeros da história monetária do país. É aí que surge também o centavo.

Ainda que desde o início de 1930 o então presidente Washington Luís já viesse pretendendo uma reforma monetária, esta somente se deu durante o governo de Getúlio Vargas. Foram vários os motivos para postergá-la por mais de uma década, dentre eles, a crise do capitalismo de 1929, a Revolução de 30, e, em especial, em decorrência da inflação gerada durante a Segunda Guerra Mundial.

A escolha do nome dessa nova moeda baseou-se na constelação do Cruzeiro do Sul, escolhida como símbolo da pátria.

Os valores eram de 10, 20, 50, 100, 200, 500 e 1.000 Cruzeiros. Por um curto período existiram também as notas de 1, 2 e 5 Cruzeiros, mas essas somente foram introduzidas em circulação por conta da situação de guerra, uma vez que havia falta de condições para a emissão de moedas metálicas.

Pelos próximos 25 anos seriam estas as cédulas que circulariam pelo Brasil, paulatinamente eliminando o sistema monetário anterior que, em última instância, ainda havia sido herdado do antigo Governo Português. Diferente do antigo sistema, não houve diversas estampas para cédulas do mesmo valor, de modo que elas perduraram no tempo e facilitaram o seu reconhecimento pela população. Foram as seguintes as cédulas lançadas (as originais não tinham esses carimbos – mais pra frente eu o explicarei):

Cr$1,00. Na face possuía Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré (1807-1897), ao centro; no verso, a Escola Naval do Rio de Janeiro.

Cr$2,00. Na face possuía Luiz Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias (1803-1880), ao centro; no verso, a Escola Militar de Resende, fundada em 1944 (em 1951 teve o nome mudado para Academia Militar das Agulhas Negras).

Cr$5,00. Na face possuía José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912), ao centro; no verso, “A Conquista do Amazonas”, de Antônio da Silva Parreiras.

Cr$10,00. Na face possuía Getúlio Vargas, Presidente da República de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, ao centro; no verso, a Alegoria Unidade Nacional.

Cr$20,00. Na face possuía Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, ao centro; no verso, “Proclamação da República”, tela de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$50,00. Na face possuía a Princesa Isabel (1846-1921) ao centro; no verso, “Lei Áurea”, tela de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$100,00. Na face possuía D. Pedro II ao centro; no verso, “Cultura Nacional”, quadro de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$200,00. Na face possuía D. Pedro I ao centro; no verso, “Independência ou Morte”, óleo sobre tela de Pedro Américo.

Cr$500,00. Na face possuía D. João VI ao centro; no verso, “Abertura dos Portos”, alegoria de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$1.000,00. Na face possuía Pedro Álvares Cabral (1467-1520) ao centro; no verso, “A Primeira Missa no Brasil”, óleo sobre tela de Victor Meirelles.

Em 1961, já tendo passado pelos presidentes Eurico Gaspar Dutra, novamente Getúlio Vargas, Café Filho, Juscelino Kubischek, Jânio Quadros e João Goulart, houve a primeira experiência de emissão de cédulas por parte da Casa da Moeda do Brasil, que emitiu uma nota de 5 Cruzeiros que passou a ser conhecida como a Nota do Índio.

Cr$5,00. Na face possuía a figura de um índio à direita; no verso, ao centro, um lago com vitórias régias.

Mais uma vez a inflação voltou a assombrar o Brasil e, por conta disso, em 1963 foi lançada a nota de 5.000 Cruzeiros e, mais tarde, em 1966, já em plena Ditadura, durante o governo de Humberto de Alencar Castelo Branco, também foi lançada a de 10.000 Cruzeiros. A primeira fabricação ficou a cargo da American Bank Note Company e a segunda, da Thomas de La Rue & Company Limited.

Cr$5.000,00. Na face possuía Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (1746-1792), ao centro; no verso, “Tiradentes ante o Carrasco”, quadro de Rafael Falco.

Cr$10.000,00. Na face possuía Alberto Santos Dumont (1873-1932) à direita; no verso, 14-bis à direita.

Mas a essa altura do campeonato a Ditadura Militar já estava estabelecida e novas medidas seriam necessárias… O AI-5, o mais infame de todos os Atos Institucionais, foi emitido em 13 de dezembro de 1968 e resultou no imediato fechamento do Congresso Nacional, na perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções ordenadas pelo presidente nos municípios e estados e também na suspensão de quaisquer garantias constitucionais que eventualmente resultaram na institucionalização da tortura, comumente usada como instrumento pelo Estado.

Com tudo que estava acontecendo no país naquele momento parece até bobagem tratar de uma coisinha boba e pueril como o sistema monetário nacional e esse tal de negócio chamado inflação… Mas era necessário. E uma nova moeda estava a caminho…


E a Família Andrade, como vai?

Em eis que José Bento de Andrade, meu pai, em 1960 casou-se com minha mãe, Bernardete Nunes, nascida em 10 de setembro de 1943, descendente dos mineiros Antunes e dos joseenses Nunes. Dessa união é que viemos, eu e meus irmãos: Adilson Aparecido de Andrade em 1962, Anselmo Aparecido de Andrade em 1963 e este que vos tecla, Adauto de Andrade, em 1969…

     


(Início da Saga)

(Continua…)