Arquivos de 'Criança dá trabalho'

Dia dos Pais

domingo, 8 de agosto de 2010, às 8:41

Pensei em dizer muita coisa hoje.

Afinal de contas, o Dia dos Pais, para mim, vem em triplicata…

Mas resolvi ficar no básico do básico.

E assim fui buscar uma imagem de onze anos atrás, quando minha esposa e nosso primeiro pequerrucho bebê me presentearam nessa mesma data.

Aliás, o que todo pai deve hoje fazer é agradecer à mãe de seus filhos, pois sem ela não teríamos o que comemorar…

De minha parte já agradeci à Dona Patroa!

Em tempo: meninas, essa é para vocês. Luana, Gleice, Milena e Moyra. Tenho certeza que seus respectivos maridos estão meio bobos no dia de hoje… Parabéns a todos(as). Em tempo do em tempo: Paulo K., que está com um pãozinho no forno, também já deve estar todo, todo, hoje…

Levado da breca

sexta-feira, 6 de agosto de 2010, às 5:56

O veículo da frente é o Corsa da Dona Patroa.

O veículo do fundo é meu Opala.

O gato da frente, com mais de 14 anos, é a Lua – mal-humorada e descansando.

O gato do fundo, com poucos meses, é o Nimbus – lambeta e prestes a levar uma surra memorável da Lua pelo susto dado quando pulou sobre ela…

Tal e qual Nermal e Garfield…

Família Santa Clara

sexta-feira, 28 de maio de 2010, às 16:39

Algumas coisas a gente tem que simplesmente replicar, no bom e velho recortar-e-colar, para aqueles que não acessam os mesmos blogs que a gente também tenham conhecimento. O texto a seguir teve origem no Eneaotil e, como dito pelo copoanheiro Bicarato, “é longo, mas vale cada palavra”.

Tem razão.

Realmente vale cada palavra e deve ser lido na íntegra.

Aos leitores do Eneaotil, nunca pedi nada por aqui. Mas gostaria de fazer um barulho em relação a essa história. Peço que leiam até o final e que divulguem. Que contem a seus amigos jornalistas, que enviem esta história para os jornais, que relatem tudo o que eu contei aqui hoje, na mesa do jantar. Que compartilhem este escândalo no Google Reader, no Twitter, em listas de discussões. Que ajudem. Porque todo mundo aqui teve a oportunidade de ter uma família e sabe o quanto isto foi importante.

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SantaClara
O casamento da Claudinha e do Pablo

Conheci a Família Santa Clara no casamento da Claudinha e do Pablo, em 2006, quando fui até o Rio de Janeiro para prestigiar a boda dos amigos e passar uns dias com meu irmão. Nunca tinha ido a um casamento daqueles, com uma família tão grande. Tão grande que não tinha espaço no altar montado na sala da casa para todos os padrinhos. Nem espaço para todos os amigos, primos, irmãos, tios, tias acompanharem a cerimônia sentados.

É melhor explicar tudo do começo: o Pablo é filho do Seu Cícero e da Dona Eliete, casal que, apesar do sobrenome Soares de Castro Rosa, criou a Família Santa Clara. Fazem parte desta família, além dos três já citados anteriormente e de Claudinha que se juntou a todos em 2006, Thiago e Diogo, filhos de sangue de Seu Cícero e da Dona Eliete, e outras dezenas de crianças, adolescentes e jovens que a sociedade abandonou, renegou, nem quis saber.

É isso mesmo: além de ter três filhos de sangue, Dona Eliete e Seu Cícero resolveram cuidar de gente que vinha das ruas, que tinha sido abandonada pela família biológica, órfãos e todos os outros tipos de vulnerabilidade social que se pode imaginar.

Desde que a Santa Clara surgiu mais de 1000 pessoas já fizeram parte desta família, cresceram e se desenvolveram naquela casa gigante de Vargem Grande, no Rio. Foram incluídos na sociedade, receberam estudo, proteção e, sobretudo, amor. Alguns saíram dali direto para uma Universidade, um futuro que parecia impossível. Outros saíram dali para construir sua própria família. E só pode ter sua própria família quem sabe o que significa ter uma.

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No casamento de 2006, entendi que ali não era um simples abrigo. Eu, que trabalho com educação e projetos sociais há 10 anos, vi que o clima era mesmo diferente. Não era uma associação, um abrigo frio onde crianças e adolescentes esperavam uma adoção, um lugar simplesmente provisório onde se podia sonhar com uma vida melhor. O sonho era ali, acontecia todos os dias.

Ter uma família significa muito mais do que ter oportunidade de cursar uma faculdade, de fazer uma oficina de costura, de dança, de leitura e produção de textos, de agricultura, de informática e de artesanato, como a maioria dos projetos sociais oferece por aí (e, diga-se de passagem, a Santa Clara oferece também).

Ter uma família é poder assistir à novela junto antes de dormir, sentar à mesa para comer e contar como foi o dia, esfolar os joelhos e receber um beijo da mãe para sarar, tomar bronca do pai quando comeu o biscoito antes da refeição e perdeu a fome. É brincar com o cachorro, correr no quintal, sentar com as irmãs na cama para fazer fofoca, receber visita dos tios no fim de semana, ouvir música que a maioria gosta (ou que só você gosta). É aprender com os pais a ter senso crítico, a ter responsabilidades. É ficar de castigo quando foi para a Diretoria na escola, é ter alguém para ir à reunião de pais e mestres pegar as suas notas. É alguém te chamar pelo nome, é ter um nome e um sobrenome. É poder ir ao casamento do seu irmão sem mesmo precisar ter o mesmo sangue.

Todos eles estavam no casamento, centenas de pessoas. Todas as crianças de vestido, bem arrumadas, bem penteadas. Talvez a única oportunidade que tenham tido para ir a um casamento.

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Conheci William Prudêncio durante a cerimônia. Lindo, com a mesma idade que eu. Em 2006, tínhamos 23 anos e ele morava na Família Santa Clara desde 1998. Chegou lá aos 15 anos, transferido de outra instituição onde só se podia ficar até esta idade.

Sua mãe está viva, mas William não sabe dela. Deixou-o ainda pequeno com uma senhora que faleceu quando ele tinha 8 anos de idade. A idade que o Lucas tem hoje. E dos 8 aos 13 morou no morro, na favela e em outras comunidades. Até morar na rua.

Aí, aos 13 anos, pediu ajuda em uma instituição, onde só pode ficar até os 15 e depois foi para a Santa Clara. Até os 13 anos, nunca tinha sentado em uma sala de aula. Depois começou a freqüentar a escola. E quando foi para a Santa Clara, ganhou uma família. A influência de Seu Cícero e Dona Eliete, pessoas simples, mas cultas, fizeram com que William decolasse.

Hoje, aos 27 anos, já é economista formado e este ano conseguirá a graduação no curso de Relações Internacionais.

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Voltei para visitar a família Santa Clara em julho de 2008. Conheci a tradicional festa junina (em 2008 foi julina), gigante também, do tamanho daquela família. As crianças brincavam à vontade na barraca (assim como meu filho Lucas), dançaram quadrilha, se divertiram. Uma grande fogueira queimava no canto da festa. A casa estava toda enfeitava.

Me lembro que eu estava em uma fase difícil. Tinha terminado um namoro de uma maneira sofrida, fui para distrair a cabeça. E só ali eu consegui. Não por causa do velho papo de que a gente esquece os nossos problemas quando conhece alguém em situação pior, pelo contrário. Eu não acredito nisso. A gente só esquece os nossos problemas do lado de gente feliz. E era ali onde eu estava: do lado de gente muito feliz.

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Nesta semana, a Justiça foi até a Família Santa Clara e levou todas as crianças. Alegaram que a casa era inabitável e que aquele não era um ambiente bom para morarem. Uma bagunça ou outra, talvez, o que é normal em uma casa com bastante criança. Tenho medo de receber uma visita de um promotor público porque é capaz de levarem o Lucas embora já que ao entrar no meu apartamento é possível tropeçar em uma porção de brinquedos. O Lucas é bagunceiro. Isso não significa que a casa dele, junto da família dele, não é um ambiente bom para ele morar.

O Ministério Público alegou que a casa precisava de reformas, mas não havia dinheiro para tais reformas já que a Família Santa Clara funcionava da boa vontade de instituições e pessoas parceiras. Ninguém cuidava de crianças ali para gerar renda, para trabalho infantil, para produzir retorno financeiro. Só havia gastos, grandes gastos e nenhum incentivo público. Em 2006, o principal apoiador financeiro deixou de contribuir com a Santa Clara e eles passavam por dificuldades. Ao invés de apoiar com o pouco necessário, o poder público resolveu enterrar a família de vez. Tirou os filhos do convívio de seus pais, afastou irmãos do convívio de irmãos.

As crianças e os adolescentes menores de idade foram mandados para abrigos diferentes, em diversas regiões da cidade. E foram afastados das escolas por 10 meses, já que estavam matriculados em unidades escolares ali da região de Vargem Grande. Só poderão voltar a freqüentar as aulas no ano que vem.

Não entendo como isso pode ser melhor do que estar na Família Santa Clara. Não compreendo leis que determinam que os abrigos devem ser provisórios, por exemplo. A nova lei da adoção diz que a criança deve ficar no máximo dois anos. E depois? O que acontece se essas crianças não forem adotadas por uma família?

Tiraram crianças de 07 a 16 anos da Família Santa Clara. Quem adota um adolescente de 12 anos? 14 anos? 16 anos? O pior é a gente saber que tiraram essas crianças da única família que tiveram para mandar para família nenhuma.

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Abaixo, a lista de crianças e adolescentes que foram retirados da Família Santa Clara:

W. tem 7 anos e é o mais novo. Estudava no Colégio Vargem Grande, que é particular. É irmão de U., de 8 anos, e N., de 13 anos. Estavam na casa há 5 anos aproximadamente. Não tinham nenhuma referência familiar. W. chorou a noite toda no novo abrigo e ainda não entendeu o que está acontecendo.

L. tem 9 anos e é irmã da menina G., de 10 anos e do adolescente G., de 15 anos. Estão na Família Santa Clara desde muito pequenos, as meninas desde bebê. A mãe faleceu e as duas estão começando a aceitar isso só agora, depois de muito acompanhamento psicológico e colo da Dona Eliete e Seu Cícero.

As meninas foram separadas do irmão, que foi enviado para outro abrigo.

L. tem 14 anos e é irmão de C., de 13 anos. Estão na família Santa Clara há 5 anos. Não tinham nenhuma referência familiar.

A. tem 13 anos e é irmão de A., de 9 anos. Os dois tem pai biológico, mas são visitados por ele no máximo uma vez ao ano.

A. tem 8 anos e é irmã de J., de 10 anos e do adolescente J., de 13 anos. Os três tem mãe, mas ela os mandou para a Santa Clara por diversos motivos. As meninas foram separadas do irmão e mandadas para abrigos diferentes.

A adolescente A. é a mais velha de todos os que foram separados da família Santa Clara pelo Ministério Público. Ela tem 16 anos e é órfã.

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Para saber mais sobre a Família Santa Clara, acesse: http://www.familiasantaclara.org.br.

Assista à reportagem do RJTV, pelo link: http://g1.globo.com/videos/v/justica-fecha-associacao-santa-clara-em-vargem-grande/1271468/#/Todos%20os%20v%C3%ADdeos/page/1

Dominando a área

quarta-feira, 26 de maio de 2010, às 9:14

Cento e sessenta e oito.

Um.

Meia.

Oito.

É essa a quantidade de “bolinhas” que existe num jogo de dominó.

Certeza absoluta!

Isso porque o Jean, vulgo caçulinha, fez com que a Dona Patroa contasse.

E eu conferi…

Santa cegonha, Batman!

quinta-feira, 20 de maio de 2010, às 9:26

Bem, primeiro, com a Sheila, veio a Ana Clara.

Na sequência, disputando a linha de chegada, vieram o Davi, com a Luana, e o Artur, pelo Michel.

Na mesma época em que a Ana Paula juntou-se à turma, já tinha acabado de aterrisar o Murilo – pelo que tranquilamente considero que o caboclinho faz parte desse bolo.

Daí, praticamente com um empate técnico, a Mariana, da Gleice, e o Artur, da Milena.

Agora, já pelas horas, vem também chegando a Catarina, pela Moyra.

E, como se já não bastasse essa creche toda, o Paulo me avisa que também está com um pãozinho no forno!

Definitivamente.

Já está na hora de abrir a temporada de caça à cegonha…

;)

Why I want my daughter be a hacker

sexta-feira, 14 de maio de 2010, às 6:49

Artigo recortado-e-colado lá do Blogaro! – até porque tenho três filhos…

E, sim, no sentido deste texto eu também quero que eles sejam hackers!

:D

Ontem no caminho de casa, eu li um post de um blog com o título “Why I want my daughter to be a hacker” onde o autor falava sobre os motivos de ele querer que a filha seja uma hacker, mas não no sentido apenas de hacker de computador, mas no âmbito geral.

Eu, pai de duas bebês, estava pensando nesse assunto desde que ela nasceu. Qual a melhor forma de educá-la para a vida ? E eu estava com algo bem próximo do que ele falou em mente.

O que é um hacker, e o que eu quero ensinar às minhas filhas?

Um hacker é uma pessoa que lê um artigo e questiona-se a si mesma sobre a veracidade do fato. É uma pessoa que tem um senso crítico aprimorado. Se é dito a um hacker como ele deve agir, ele faz só se concordar. É um curioso e investigador por natureza. Se minhas filhas tiverem essa característica, eu vou certamente dar-lhes a oportunidade de desenvolvê-la.

Hackers são curiosos e investigadores. Se eu der um rádio, vou explicar o funcionamento, falar sobre ondulação, etc. Aprender não ocupa espaço e em uma mente jovem e capaz, as coisas são aprendidas com rapidez. Hackers não se satisfazem no uso de uma ferramenta, mas no entendimento e muitas vezes construção de uma.

O computador delas – quando tiverem um ;) – vai rodar linux ? Claro!

Eu sei, e tenho certeza, que um hacker não precisa usar linux, mas linux e o movimento open-source têm muita relação com o hacker. As ferramentas abertas, sendo abertas, te dão todo o poder de modificá-las se for assim quisto. O sistema aberto idem. Os sistemas proprietários não dão essa possibilidade. Eu não posso, por exemplo, alterar o kernel de um sistema proprietário. Se eu comprei um hardware, ele é meu, e eu posso usá-lo e fazer dele o que me der vontade. Hackers dão suporte a sistemas abertos pois gostam da liberdade. Eu dou suporte pois quero que minha filha possa usar ferramentas sem limitações.

Antes de qualquer discurso como “existem sistemas mais fáceis”, ou coisa do gênero, eu digo: Podem existir. Eu quero que as minhas filhas sejam cabeças pensantes e não cabeças que pensam o que lhes foi dito. Um hacker não pensa o que lhes ensinaram, mas ele é um desenvolvedor. Desenvolve suas teorias, seus pensamentos. Ele adquire conhecimento e não simplesmente recebe. Conforme dito no texto original, os hackers preferem a habilidade ao conhecimento, pois o conhecimento, quando necessário será adquirido. Um hacker é um pensador e não um repetidor.

Talvez uma das coisas que me fez gostar do texto é dele lembrar eu mesmo. Eu me lembro de mim ao ler esse texto. Lembro dos problemas e sucessos pelo comportamento hacker.

Um hacker não é um rebelde/revoltado. É um pesquisador, cientista. É um curioso que tem sua opinião e age pela própria cabeça.

Aliás, aqui está a referência do post inspirador: Why I want my daughter to be a hacker.

E termino com a frase de praxe:

Happy hacking!

Esse Nimbus é o cúmulo

quarta-feira, 12 de maio de 2010, às 9:47

Pois é.

Infelizmente o Luke não sobreviveu.

A criançada ficou triste pelo tempo que uma criança normalmente costuma ficar…

Mas, não tardou, arranjaram um “substituto” mais que à altura – o Nimbus !

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Questão de orgulho

segunda-feira, 10 de maio de 2010, às 22:16

Kevin

Luke Meowalker

domingo, 11 de abril de 2010, às 7:16

A gente fuça, fuça, fuça e sempre tem alguma coisinha nova pra aprender…

Já cansado de ficar linkando vídeos no Youtube decidi armazenar no meu próprio espaço os vídeos que quero “upar” (ou “uploadear” – decidam o que é menos pior). Daí lembrei de um plugin do Wordpress para MP3 (falei dele aqui) e imaginei que houvesse algo parecido para vídeos.

De fato!

Descobri o Flash Video Player que facilmente resolveu o meu “problema”.

Taí embaixo o primeiro teste – com participação exclusiva do Luke, o novo membro da família…

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Código Divino

sexta-feira, 2 de abril de 2010, às 15:24

- Mãe, amém é tipo enter, né?

A difícil arte de ser pai

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010, às 8:42

E eis que o filhote caçulinha, o Vermelho 3, estava com uma crise de tosse.

Coisa que, sei lá, ainda não identificamos muito bem. Normalmente com a virada brusca do tempo é que ocorre. Mais à noite, antes de dormir, e logo pela manhã. Nada (creio eu) muito sério – mas, ainda assim, preocupante.

Então, num arroubo vindo sabe-se lá de onde, fui ajudar a Dona Patroa a preparar uma inalação e dosar o remédio (na verdade mesmo… “manda quem pode, obedece quem tem juízo”!).

Ok. Então era questão de pegar o remédio x-y-z e preparar a dose.

- Não tá aqui, não.

- Como não? É o de uma caixinha rosa.

- TODOS parecem que têm caixinha rosa…

E lá vem ela, bufando, e mostra o bendito remédio bem na minha frente, como se ele sempre estivesse ficado ali.

- Vocês, homens… Nunca acham nada mesmo! Agora dá uma olhada na bula e vê quanto que tem que dar.

Bem, nesse momento eu acabei ativando meu modo Simpson/Silvassauro de ser e já comecei a ficar resmungando pelos cantos…

- O quê?

- Nada, amor…

Tá. Vamos ver a porra do remédio. Não tinha nada a ver com o nome que ela falou. “É genérico”, tinha me explicado. É lógico! Era minha obrigação saber que o tal do medicamento x-y-z tinha o óbvio nome de “Fosfato Sódico de Prednisolona”? Quem não sabe disso, afinal de contas? Tinha que castigar esse caboclos que inventam esses nomes…

Mas tá bom. Vejamos. Uso adulto… Informações ao paciente… Farmacocinética? Que raios vem a ser isso? Ah, tá. É onde falam das indicações e contra-indicações. Hein? “Infecções fúngicas sistêmicas”? “Lesão dos nervos ópticos”? “Elevação da pressão arterial”? “Aumento da excreção de potássio”? “Ativação de focos primários de tuberculose”?

- Amor?…

- Quié?

- Você tem certeza que a gente tem que dar esse troço aqui pro filhote? Tô vendo aqui as contra-indicações e tá parecendo mais um misto de cicuta com diabo verde ligeiramente temperado com ácido sulfúrico…

- (Suspiro) Tenho, amor. Esquece isso, senão você nunca mais vai tomar remédio nenhum na vida. Prepara essa dose logo, vai.

- Tá bom. Mas, vendo aqui os casos mais graves, você tem certeza que o filhote não tá com “insuficiência adrenocortical”, gravidez ou mesmo lactação?…

- PREPARA. LOGO. ESSE. REMÉDIO!!!!

- Tá bom, tá bom! Deixa eu ver aqui…

Melhor eu acelerar essa leitura. Vamos lá. Reações adversas… Melhor eu pular essa parte. Uso pediátrico… Ah, é por aqui! Posologia! Agora fica fácil!

“A dosagem inicial pode variar de 5 a 60 mg por dia, dependendo da doença específica que está sendo tratada.”

Ah. Tá bom. “5 a 60″. Que raio de faixa de atuação é essa? E como assim “mg”? O troço é líquido! Mas vejamos….

“A dose pediátrica inicial pode variar de 0,14 a 2 mg/kg de peso por dia…”

Assifudê! “0,14 a 2″? Tá. Calma. Respira. Inspira. Expira. Ainda que tratemos do limite máximo, que é 2, bem, se o filhote tem 19 kg, ele vai precisar de 38 mg… Acho que é isso. Deixa eu continuar a leitura.

“…ou de 4 a 60 mg por metro quadrado de superfície corporal por dia, administrados de 3 a 4 vezes por dia.”

Fudeu.

“Metro quadrado de superfície corporal”? Tão achando que meu filhote é o que? Um tapete? Isso me torna um carpete? Talvez, quando muito, um capacho… Mas – catzo! – como eu transformo essa droga de “mg” em uma coisa administrável? Tem que ter algum outro lugar que fale sobre isso.

“1 ml de solução equivale a 3 mg, sendo que cada mg equivale a 1,34 mg de fosfato sódico de prednisolona.”

(Silêncio, triste, meio boquiaberto e com cara de interrogação).

- E aí, amor?

- Tá quase, paixão… Péra um pouquinho!

Taquiôspa! Será que não tem nada mais direto aqui? Pior que eu nem posso procurar nas letras miúdas, pois TUDO tá com letras miúdas!

“Na síndrome nefrótica utiliza-se 60 mg/m²/dia em 3 vezes ao dia por 4 semanas, seguidas de 40 mg/m² em dias alternados por 4 semanas.”

Ah, tá! Por que é que não disseram isso antes? Agora ficou claro. Calma. CALMA. Vamos raciocinar. Você consegue.

Vejamos a matemágica da coisa: o filhote tem 19 kg (confere); a base é de 2 mg por kg por dia (confere); então ele precisa de 38 mg por dia (confere); mas cada ml que está no frasco corresponde a 3 mg (confere); então tenho que dividir os 38 por 3 para saber quantos ml deve dar (acho que é isso). Merda. Deu dízima. Arredondo para 13, então. Mas, EPA! Os 38 mg originais que se converteram em 13 ml são POR DIA! E o medicamento tem que ser administrado de 3 a 4 vezes por dia – então vou de 4, que é pra não arriscar. Isso significa que cada dose deve ser de 3,25 ml – arredondando, 3 ml!!!

- AMOR! A inalação tá quase acabando! Esse remédio sai ou não sai?

Depois desse hercúleo esforço em traduzir o que deveria ser óbvio numa situação de emergência, ficou fácil de resolver a questão!

- Só mais um segundinho, amor…

Não tive dúvidas.

Peguei o remédio na mão esquerda e, com o telefone na mão direita, fiz o que qualquer pai ajuizado deve fazer numa situação como essa:

LIGAR PARA O PEDIATRA!

Do contra

sábado, 13 de fevereiro de 2010, às 7:30

E eis que a Dona Patroa vem incutindo na cabecinha da nossa criançada (a Tropinha de Elite) a boa e velha educação religiosa. Nessa linha, pelo menos numa das refeições do dia – normalmente o jantar – uma das crianças faz a oração.

Tem dia que é o mais velho.

Tem dia que é o do meio.

Mas nunca o caçula.

Ou ele não quer, ou fala que é depois, ou fica com vergonha, ou fica com graça, eu fica sem graça, enfim, nunca é ele.

Entretanto, numa das inúmeras correrias desse ser chamado mãe, pararam todos numa pastelaria para um lanche (pastel, é óbvio).

E então ele QUIS fazer a oração.

Apesar do lugar, sempre é bom incentivar essa criançada.

Deram-se as mãos, baixaram a cabeça e aguardaram a oração.

- Papai do Céu…

…eu quero Coca-Cola!

Sogra

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010, às 12:52

Fantástica essa crônica (mas… será mesmo uma crônica?…) vinda direta lá do Eneaotil por deduração do copoanheiro de plantão.

Virei sogra. Não estava preparada ainda. Eu sabia que um dia isso iria acontecer, mas achei que fosse ser em 2025, mais ou menos. Não com um filho de 8 anos.

Até então eu só tinha sido meio sogra. Só gra. Ou melhor: ogra. Porque o Lucas tinha namorado outras cem vezes, mas as meninas não. Ele namorava sozinho. Milenca, Giovana, Gabriela, Morgana. Elas nem imaginavam que já tinham tido o seu primeiro namorado.

**

Não sei ser sogra. Já experimentei de vários tipos: nova, velha, palmeirense, corinthiana, descolada, reacionária, legal, chata, boa cozinheira, péssima cozinheira, que me fazia rir, que me fazia chorar, maldita, abençoada, mãezona, sogra sogra. Me dei bem com a maioria delas, mesmo quando tive que engolir uma sopa de couve ou um caldo de chuchu com macarrão integral. Ainda assim, perdoei.

Se eu tivesse feito um filho aos 30 e meu filho tivesse arrumado uma namorada aos 30, eu seria daquelas sogras com dupla personalidade, que faz um cachecol para a nora e em seguida envenena os bolinhos de chuva.

Se eu tivesse feito um filho aos 19 e meu filho tivesse arrumado uma namorada aos 15, eu seria daquelas sogras que dá o primeiro porre na nora e vai parar na cadeia depois de ser processada por oferecer bebida alcoólica para menor de idade.

Mas eu fiz um filho aos 19 anos e o dito cujo resolveu arranjar a sua primeira namorada aos 8 anos! Agora eu não posso nem dar um porre de cerveja na criança sem matá-la, muito menos envenenar bolinho de chuva. Porque eu não sei fazer bolinho de chuva!

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O Lucas sempre namorou sozinho até conhecer a Rebecca. Foi tudo muito rápido, uns dois dias depois de conhecer a Morgana. A Rebecca também é da escola nova do Lucas. E tenho que dizer, meninas, que a Rebecca podia fazer uma apostila de abordagem masculina porque venderia como água.

Acompanhe:

Na segunda-feira desta semana, a Rebecca se tornou amiga do Lucas. Na terça-feira, ela pediu seu MSN e telefone. Ligou 17 vezes durante a tarde, sem exagero. Lá pela 16ª vez, o Lucas já estava escondido de medo da Rebecca e não podia nem ouvir o telefone tocar que começava a tremer. Tive que mentir e dizer que ele havia saído, porque senão teríamos a madrugada toda de telefonemas. Na quarta-feira, ela deu uma sumida e o Lucas sentiu sua falta. Até que ela conectou no MSN de noite e apareceu na webcam para ele, com um monte de emoticons de coraçãozinho. Nesta altura do campeonato, a Morgana já tinha ido para o espaço. Hoje a mãe dela me cumprimentou na porta da escola e eu achei aquilo tudo muito estranho.

**

Na volta da escola, o Lucas me contou:

- Mãe, acho que a Rebecca gosta de mim. Ela me olha a aula toda.

- Ih…

- Toda vez que eu olho, ela olha…

- Ih…

Aí chegamos em casa, não deu nem 5 minutos e a pentelha Rebecca ligou. Eu disse que ele ia almoçar e que ligasse depois. Vim trabalhar e minha mãe me contou via gtalk:

- O Lucas está há meia hora no telefone com a menininha, fechado no quarto.

E me mandou a seguinte conversa, que o Lucas deixou aberta no MSN:

Lucas diz:
porque na aula voce fica o tempo todo olhando para mim?

Rebecca diz:
eu não fico

Lucas diz:
fica sim
não minta

Rebecca diz:
eu não to mintindo

Lucas diz:
ta sim
fala a verdade

Rebecca diz:
não to

Lucas diz:
eu quero a verdade
vc gosta de min?
não tenha vergonha de falar a verdade
e ve se fala a verdade

Rebecca diz:
fala vc primeiro sinao eu não falo

Lucas diz:
eu não vou falar para niguem
isso e verdade

Rebecca diz:
senão eu não falo

Lucas diz:
ta eu falo

Rebecca diz:
fala

Lucas diz:
vc promete que não conta para nimguem

Rebecca diz:
sim eu juro

Lucas diz:
verdade

Lucas diz:
quer dizer que vc gosta de min?

Rebecca diz:
descubril
descubriu

Lucas diz:
liga para min

Rebecca diz:
ta

Lucas diz:
ta bom

Rebecca diz:
pera

**

Não deu cinco minutos desta conversa com a minha mãe e ele me chamou no MSN:

Lucas diz:
mãe

Leonor Macedo diz:
oi amor

Lucas diz:
Não fala para niguem
eu vou te contar uma coisa

Leonor Macedo diz:
conta sim
pode contar
não vou falar pra ninguém

Lucas diz:
eu to namorando a Rebecca

Leonor Macedo diz:
tá namorando????

Lucas diz:
sim

Leonor Macedo diz:
você gosta dela???

Lucas diz:
sim e ela de min

Leonor Macedo diz:
mas como é namorar, Lu?
namoro de criança é diferente, né?

Lucas diz:
è
esse namoro è dar as mãos

Leonor Macedo diz:
só isso, né?

Lucas diz:
é sim

Leonor Macedo diz:
você é um fofo!

Lucas diz:
so sim

**

Não deu cinco minutos, eu chamei minha mãe no gtalk, mas esqueci que quem estava usando o computador era o Lucas:

eu: MORRI

Rosemarí: porque

eu: ele tá namorando
pediu pra não contar pra ninguém
vou contar pro mundo já já
mas você não sabe, hein?

Rosemarí: sou eu mãe, no gtalk da vovó
e não conta para o mundo, purfavor

**

Sou uma vaca de estar aqui dividindo isso com vocês.

**

Parece que nesta conversa de meia hora pelo telefone que ele e a Rebecca tiveram, ela o pediu em namoro. E ele aceitou. Porque se convenceu de que ama a Rebecca.

“Foi um verdadeiro milagre alguém ter aceitado namorar comigo, mãe”, ele me disse pelo telefone. Lindo daquele jeito. Homem é tudo besta.

Então expliquei para ele que ele só tinha 8 anos e que era natural que nunca ninguém tivesse aceitado namorar com ele. Contei da corrente que acredita que a vida começa aos 40 e pedi para que ele pensasse nisso.

- Tá, tá… Quando eu posso chamá-la para vir em casa?

**

Alguém sabe uma receita rápida de bolinho de chuva?