Piloto Automático

Check Point: 04:00 AM

Acordo ao som de violoncelos do despertador do celular. Tonteio um bocadinho durante aquele clássico rápido momento de quemcossô, oncotô, poncovô…

Levanto e vou até o escritório para desativar o alarme – sim, tenho que deixar o celular bem fora de meu alcance, senão eu simplesmente o desligaria e não, “função soneca” não funciona pra mim.

Ato seguinte, já acompanhado pela Nãna, nossa gatinha adolescente, vou para minha ablução matinal (será que mais alguém NO MUNDO além de mim ainda usa palavras desse tipo?), mas antes disso educadamente cumprimento a “Clotilde” – que é o nome que demos à chiadeira meio assoviada que sem explicação ou justificativa surge e desaparece na caixa de descarga do banheiro (mais conhecida como o “Demônio da Caixa de Descarga”). Me encaro no espelho. Sorrio.

– Bom dia, bonitão!

[Pegar o cesto de roupas sujas, colocar duas canecas d’água no fogo, colocar ração para Nãna, colocar ração para a Leia e a Lara (nossas vira-latas de plantão), ir até a área de serviço no fundo de casa, separar a roupa escura do restante, ligar a máquina de lavar, recolher a roupa de ontem ainda pendurada no varal, deixar tudo bem dobradinho (facilita para a Dona Patroa passar e evita que ela me encha o saco), descer de volta para a cozinha, preparar o café da família (forte o suficiente para dar partida no carro), preparar o chá japonês do meu sogro (fraco o suficiente para enxergar o fundo da garrafa), preparar a mesa (canecas de cada um, talheres, Toddy, Nescau, leite, pão de forma, pão francês, maionese, requeijão, margarina, geleia, manteiga e o que mais tiver), preparar e colocar minhas torradas no forninho elétrico (fatias de pão francês amanhecido, azeite, orégano ou chimichurri, Aji-no-moto e sal).]

Check Point: 04:30 AM

Pego o celular, meu óculos pra perto (véinho…) e vou para o “meu íntimo momento matinal”, que é quando dou uma rápida checada nas redes sociais, confiro alguns e-mails e as notícias urgentes do dia. Ato contínuo, uma boa chuveirada e ao passar pela cozinha já aproveito e ligo o forninho elétrico com as minhas torradinhas dentro. Antes de me vestir, confiro meu peso: 104,3kg. Tô me mantendo. Se considerarmos que comecei o ano com 113kg, até que estaria bom, mas ainda tô longe dos esperados dois dígitos…

– Bom dia, filho!

Kevin, o filhote número um, já levantou, se barbeou e veio para a cozinha. Tiro de Guerra é assim mesmo, fazer o quê?… Retiro minhas torradas do forninho e sentamo-nos para o café. Meu primeiro café da manhã. Ele vai de café com leite e eu de café puro, sem açúcar. Mais as torradas.

Depois, enquanto ele vai colocar a farda, volto para a área de serviço.

[Tirar a roupa da máquina, colocar a roupa escura, ligar a máquina de lavar, pendurar a roupa lavada com os prendedores de plástico na ordem azul escuro, azul claro, verde, branco, amarelo, o restante e só depois usar os prendedores de madeira (gente, entendam: eu TENHO que me distrair com algo, nem que seja cultivando um TOC), descer de volta à casa, lavar a louça de ontem que deixaram na pia, colocar o lixo reciclável pra fora (é segunda-feira, único dia em que o caminhão passa), devolver a Nãna pra dentro, pegar a chave do Bilbo (nosso valente Ford Ka).]

Check Point: 05:20 AM

– Bóra, filho!

[Para o Tiro de Guerra: são 15 semáforos, 1 radar de 60km/h, 3 radares de 80km/h e 6 buracos de respeito (entendam “buracos de respeito” como aqueles que você tem que saber exatamente onde estão para, no momento certo, desviar deles – sob o risco até mesmo de amassar o aro da roda). Personagens do trajeto (pessoas que todo santo dia estão ali no mesmo lugar, no mesmo horário, fazendo a mesma coisa e que invariavelmente cumprimento ou não): o alemão palmeirense do segundo posto de gasolina, o motorista de van que sempre me ferra na subida, a moça misteriosa no ponto escuro do ponto de ônibus sem luz. Chegamos. Total: 13,8 quilômetros.]

Check Point: 05:36 AM

– Inté, filho!

[De volta pra casa: são 18 semáforos, 1 radar de 60km/h, 2 radares de 80km/h e 4 buracos. Personagens do Trajeto: a moça loira que sempre está flertando com o porteiro de um prédio e o policial militar pra lá de barrigudo saindo da padaria. Cheguei em casa. Total: 15,7 quilômetros.]

Check Point: 05:53 AM

[Recolher o jornal japonês do meu sogro (sei-lá-o-quê Shimbun), subir direto para a área de serviço, estender a roupa escura respeitando a ordem dos prendedores, pegar minha pilha de roupa passada, descer de volta à casa, conferir se o Erik – o filhote número dois – já levantou, guardar a roupa passada, aproveitar que a Dona Patroa acabou de levantar, já dobrar as cobertas e arrumar a cama, arrancar o Jean – o filhote número três – do embolado de cobertas que todos os dias ele faz, volta para cozinha.]

Agora é hora do meu segundo café da manhã. E olha que nem sou um hobbit! Enquanto saboreio outra xícara de café e termino com o que sobrou das torradinhas, o restante da família vai chegando à mesa. O Erik prepara seu Nescau, a Dona Patroa toma seu café com leite e até mesmo o Jean, que ainda vai levar uns vinte minutos para acordar, mesmo que já esteja tomando seu Toddy. Eles terminam e vão se trocar, bem como arrumar as mochilas: o caçula estuda perto de casa e o do meio está num curso técnico perto do Centro. Eu continuo à mesa, esperando dar o horário.

Check Point: 06:25 AM

– Erik, to the Batmobile!

[Para a escola: são 13 semáforos, 2 radares de 60km/h, 1 radar de 80km/h e 1 buraco. Personagens do Trajeto: a moça loira sempre elegantemente sentada numa mureta enquanto aguarda a carona, um senhorzinho muito magro, de rosto anguloso, longa barba e cabelo escorrido sempre parado na esquina com um carrinho de feira (que apelidei de Wild Bill), o tiozinho meio careca passeando com uma coisa pequena e peluda que vagamente lembra um cachorro, o rapazinho na esquina da escola que deveria estar coordenando o trânsito (mas que só fica enconstado na parede vendo as menininhas passarem) e o rapaz da guarita. Chegamos. Total: 9,6 quilômetros.]

Check Point: 06:48 AM

– Boa aula, filho!

[De volta pra casa: são 7 semáforos, 1 radar de 60km/h, 1 radar de 80km/h e 6 buracos. Personagens do Trajeto: o gordinho de uniforme da Urbam mexendo no celular enquanto espera a carona e só. Novamente cheguei em casa. Total: 10,1 quilômetros.]

Check Point: 07:03 AM

Saldo Parcial: 49,2km e 2 máquinas de roupa

[Subir para a cozinha, medir a pressão de meu sogro de 86 anos (ele SEMPRE levanta pontualmente às sete), separar os remédios da parte da manhã (diabetes e, se o caso, pressão), moer tudo num pilãozinho e passar para um copinho (ele tem dificuldade de engolir aqueles comprimidos gigantes), voltar para a frente da casa, fazer uns dez minutos de alongamentos, sair para a avenida, caminhar um quilômetro rua acima, parar para alguns exercícios básicos, correr um quilômetro rua abaixo, chegar em casa.]

Check Point: 07:50 AM

Depois de um esforço final como esse eu sempre continuo suando por por mais pelo menos meia hora… Mesmo debaixo do chuveiro! Sendo assim, distraio-me com uma ou outra leitura e, por fim, passado esse tempo, vou tomar outra ducha, revigorado.

Check Point Final: 08:30 AM

Concluída essa rotina que tenho de segunda a sábado, finalmente posso me dedicar a seja lá o que vá fazer no dia de hoje: quer seja prestar uma consultoria, visitar um cliente, me reunir com as sócias, trabalhar numa peça jurídica, escrever uma crônica, mexer no meu Opala, enfim, sei lá.

Por ora resolvo simplesmente dar uma conferida numa peça que estou montando. Sirvo-me de um café e sento-me à frente do computador. O telefone toca.

– Pronto?

– E aí, Adauto? Bom dia! Desculpa aí se eu te acordei ligando assim tão cedo.

– Não, não. Estou só tomando um café…

– Êita vida boa, hein? Levantou agorinha mesmo, já encontrou seu cafezinho pronto e agora deve estar aí, pensando na vida. Um dia eu chego lá também!

– …

¯\_(ツ)_/¯

Vamo pra feira?

Quando eu era criança, um pouco antes de minha adolescência e das aborrecências que a acompanham, o tradicional “programa de domingo” invariavelmente era comparecer na igreja Matriz de Santana para a “Missa das Dez”, ou, melhor dizendo, a chamada “Missa das Crianças”.

Estávamos no final da década de setenta e começo dos anos oitenta. Quem celebrava a missa ainda era o Padre Luiz Gonzaga Alves Cavalheiro – conhecido pelos mais antigos como o “Xerife de Santana”… E ainda lembro-me bem da austeridade dele em diversas situações! Mas ali, naquela missa, ele meio que se divertia, pois cumpria com toda a liturgia e ainda arranjava um jeito de, com um ou outro gracejo, arrancar algumas risadas daquela criançada que preenchia a gigantesca nave da igreja: meninos sempre do lado esquerdo e meninas do lado direito. Ou será que era o contrário?

Enfim, ao final da missa e badalar dos sinos era o momento de enfrentar a fila do pipoqueiro, que sempre se posicionava estrategicamente na praça bem em frente da igreja, já tendo começado a estourar uma nova leva de pipocas fresquinhas momentos antes da saída da criançada.

“Tio, me dá um saquinho, fazfavor, mas com BASTANTE queijo, hein?”

Até hoje não consegui descobrir qual é o segredo místico que esses tiozinhos pipoqueiros passam de geração após geração e que faz com que o sabor daquele queijo de pipoca de carrinho seja único na face da Terra, jamais sendo possível de reproduzir em outros ambientes, não importa as condições ideais de temperatura e pressão que venham a ser aplicadas…

Ainda lá pelo meio do saquinho (tendo guardado uns dois ou três queijinhos para o final, porque não sou besta), virava para o eventual amigo/colega/parceiro que estivesse do lado e já soltava:

“Vamo pra feira?”

Compreendam que naquela época, longe das distrações digitais, televisivas e comerciais comuns nos dias de hoje, invariavelmente nós crianças tínhamos que inventar o que fazer. E a feira tal qual a conhecíamos – ao menos a de domingo – era um lugar divertido para se passear naquele espacinho de tempo que tínhamos antes de voltar pra casa para o tradicional almoço de domingo (feijão, arroz, macarrão e frango, bem como, muito de vez em quando, um tanto de batatas fritas também).

Em comparação às feiras dos dias de hoje, sinceramente não me lembro se existiam os trailers ou barracas de pastéis, já que quem quisesse comer um bom pastel que fosse numa das pastelarias nas esquinas próximas da igreja! Aliás, não percebíamos ainda à época, mas desde então já era também um lugar para os cachaceiros e cervejeiros de plantão darem início aos trabalhos de final de semana…

Aquele ambiente cheio de gente e o teor multicolorido daquelas frutas, legumes e sabe-se lá mais o quê, não importa para onde quer que se olhasse, sempre foi uma coisa que me atraiu. Ainda que, na época, não me importasse muito em chegar até o “final da feira”, onde se concentravam barracas desse tipo, era ali no comecinho, talvez até mais ou menos no meio da feira, que se encontravam os itens de maior interesse. Ao menos para a criançada.

Sabíamos que estávamos nos aproximando de um outro universo paralelo quando já ali, antes mesmo de chegar na rua da feira, começávamos a ouvir:

“Aguuuuuuuuulha di disintupifugão! Ólha a aguuuuuuuuulha di disintupifugão!”

E aquele tradicional pregoar dos feirantes era uma constante por toda a extensão da feira.

“Olha aqui, olha aqui, a promoção! Tudo mais barato! Somente hoje, somente hoje, hein?”

“Peixe, olha o peixe, peixe fresquinho, acabou de chegar, vem conferir madame!”

“Paga dez, leva doze! Pode vir, pode vir! Paga dez, leva doze!”

“Pamonha, pamonha, pamonha! Pamonha fresquinha! Pamonha de Piracicaba!”

Não. Péra. Deleta esse último, que não tem nada a ver. A memória às vezes dá um nó na cabeça da gente…

Isso sem nem contar aquela rapaziada mais “abusada”, que soltava algumas coisas do tipo:

“Olha aí, olha aí! Olha a formosura passando! Moça bonita, hoje, não paga! Só que também não leva!”

Tudo bem que era uma brincadeira – e que até fazia as meninas corarem e soltarem umas risadinhas. Mas as feiras de hoje me parecem muito mais silenciosas, tanto num sentido quanto noutro. Até porque um gracejo desses, nos dias politicamente chatos corretos em que vivemos, poderia ser encarado como assédio e dar todo aquele perrengue que costumamos ver por aí. Uma pena. Com isso um pouco da alma da feira parece que se perdeu através do tempo.

Seguíamos em frente e olhávamos com um olho comprido para aquelas tentadoras garrafinhas de sucos coloridos – não consigo nem de longe imaginar uma coisa com sabor mais artificial do que aquilo! Mas o que na realidade nos interessava eram as garrafas em si: nos formatos de trem, avião e outras bobagens mais que adoraríamos ter para uma ou outra brincadeira. Isso sem falar nos deliciosos sequilhos, como quase tudo na feira vendidos a granel (alguém aí ainda sabe o que é isso?) e, esses sim, “impossível de comer um só”.

Até que finalmente chegávamos na única barraca que realmente justificava nossa presença ali: a de “tranqueiras”. É que, diferente de hoje, em que você acha de um tudo na feira, desde roupas, calçados, produtos importados, CDs, DVDs (suuuuuper originais), brinquedos, etc (e tudo isso em barracas que já têm até mesmo as maquinetas que aceitam cartões de débito, de crédito, parcelam e o escambau), naqueles tempos não existia essa variedade de itens – quando muito uma, talvez duas barraquinhas, cheias de coisinhas que pareciam um baú do tesouro para os nossos infantis olhos ávidos por novidades.

Pentes, espelhinhos ovais, canivetes, baralhos, adornos, chaveiros, muitos chaveiros, lanternas, miniaturas, presilhas, enfeites, alguns tipos inimagináveis de ferramentas, isqueiros, cachimbos, coisas de então e de outrora que faziam ferver nossa imaginação e voltávamos comentando entre nós se tinha visto isso ou aquilo ou então para o que será que servia aqul’outro. Sim, é lógico, raramente comprávamos alguma coisa. Mas, também é lógico, tínhamos assunto para a semana toda, inclusive sonhar se conseguiríamos juntar um dinheirinho para na semana seguinte tentar comprar o objeto de desejo – se é que ainda iria estar por lá.

Ah, essas crianças…

E agora preciso de um favor: você que é vegetariano, vegano, amante dos animais ou outro tipo qualquer de ser com igual teor de pureza e grau de evolução, pare de ler. Isso mesmo. PARE. DE LER. AGORA. O que virá a seguir era uma coisa natural, ao menos pra época, mas tenho certeza que você não vai gostar. Com o que está escrito até agora até que já deu pra matar a saudade daqueles tempos, não deu não?

Continuou, né?

Não diga que não avisei…

As feiras de então não estavam cercadas por açougues, padarias, casas de carnes ou quaisquer outros tipos de estabelecimentos que tivessem dessas assadeiras de frango (“televisões de cachorro”), tão comuns hoje em dia. Você queria um frango para o almoço? Bastava comprar. Vivo. Escolhia um de bom peso e tamanho numa das gaiolas que ficavam por ali, logo na saída da feira, o tiozinho amarrava as pernas da ave, e, pendurada de ponta cabeça junto com a sacola de compras, você a levava para casa, a pé mesmo.

Era o normal. Há muito tempo perdi a conta de quantas e quantas vezes já acompanhei minha mãe nessa tarefa. Ao chegar em casa a operação era a de praxe. Não vou entrar aqui nos detalhes sórdidos sobre o como se sucediam as coisas, mas depois de abatido o frango, as penas eram arrancadas e ainda era necessário “sapecar” (ou seja, chamuscar) as pontinhas que haviam ficado pra trás. Ainda lembro-me do cheiro nada agradável que se espalhava pela casa… Depois disso, uma vez limpo e temperado, seu interior ainda era preenchido com uma deliciosa farofa antes de ir para o forno.

Sim, frango era “comida de domingo”. E, ainda, assado? Veja lá que raridade!

Bem, todo esse texto, todas essas lembranças, somente vieram à baila porque lembrei desse bendito “frango com farofa”. Um daqueles sabores inesquecíveis de infância. Mas me é difícil de recordar o fato isolado, sempre tem que haver um contexto – e a feira daqueles tempos é que fazia esse contexto.

Mesmo nos dias de hoje até que ainda gosto de ir na feira.

Mas, confesso, não é mais a mesma coisa.

Se procurarmos bem ainda encontraremos aquele olhar fraternal, aquela cumplicidade entre os feirantes, entre os clientes, entre ambos, aquela ajuda pronta a ser dada em qualquer oportunidade em que fosse necessária – como era comum antigamente. Mas há que se procurar. Bastante. Tá tudo muito mais comercial, muito mais o produto, o lucro, a venda do que o proseio, do que a curiosidade, do que o passeio. Pessoas vêm e vão, compram o que querem e tomam seu rumo. Feirantes vêm e vão, vendem seus produtos e tomam seu rumo.

Enfim, como sempre acabo fazendo com esses textos que me levam a reminiscências de outrora, só posso concluir de uma mesma maneira: ando com uma gigantesca saudade de não sei o quê…

Carlão

Das inúmeras aventuras e desventuras de minha época de adolescência, uma boa parte passei com aquele que, então, era um de meus melhores amigos daqueles tempos: meu primo, Carlos Antunes, mais conhecido como Carlão.

Nossa diferença de idade até que não era muita, apenas 6 anos – mas para a época era gigantesca: apesar de grandalhão, eu era um pirralho lá com seus 15 pra 16 anos, enquanto que ele já tinha seus 21, 22 anos…

Ainda assim, sabe-se lá o porquê, nossos santos bateram um com o outro e tínhamos uma cumplicidade e uma parceria fora de série!

Naqueles tempos, em plena década de oitenta, existiam somente algumas poucas coisas realmente constantes em todo o universo: o bigode do Carlão, sua boa e velha moto TT 125, que nós dois estaríamos juntos aprontando alguma em algum canto e, muito provavelmente, bêbados…

Sendo assim, numa fria noite qualquer estávamos lá, nós dois bestando, sentados no murão da casa de meu tio (éramos vizinhos). De repente, do nada:

“Vamos pra Monteiro Lobato?”

“Ôpa!”

Invariavelmente fazíamos uma dessas. Saíamos, percorríamos às vezes uma centena de quilômetros ou mais, tomávamos um conhaque (estava frio, vocês se lembram?), quando muito uma ou duas cervejas e voltávamos. Se houvesse alguma moçoila por perto, certamente seria objeto de nossos comentários, talvez até de alguma tentativa de avanço e – outra constante universal de então – daríamos com os burros n’água! Na verdade estávamos mais interessados em sair e nos divertir do que em ter qualquer tipo de amarração.

E então fomos pra Monteiro Lobato, cidadezinha pequena e que não tinha absolutamente NADA, a cerca de uma hora de viagem – uns 50 quilômetros de uma tortuosa e bucólica estradinha cheia de mata, escuridão e NADA. Nem acostamento tinha! Pensando bem, até hoje ainda não tem… No quê? Na boa e velha moto TT 125, é claro. Que sempre teve um barulhinho característico e quase que hipnotizante com seu motor dois tempos, uma espécie de balido de cabra contínuo e interminável…

Chegamos por lá, encontramos um ou outro conhecido, tomamos nossas cajibrinas e, assim, do nada:

“E aí? Vamos embora?”

“Ôpa!”

É, com certeza nossos diálogos não eram assim tão brilhantes, mas tinham um quê de divertidos…

E lá fomos nós, de volta para nossa cidade, já de madrugada, num friozinho de começo de inverno, naquela estradinha escura e tortuosa, já meio bêbados e sonolentos, com aquele barulhinho de fundo do motor da TT: béééééééééééééééé…

É LÓGICO que, ali na garupa, comecei a cochilar.

E, muito no de repente, a moto lentamente começou a sair fora da estrada, vagarosamente passando do asfalto para a terra (sem acostamento, lembram-se?) e na primeira ameaça de solavanco já acordei, super assustado, com a nítida impressão de que uma descarga elétrica tinha acabado de passar pelo meu corpo! Num átimo de segundo (adoro palavras assim!) já pensei comigo mesmo:

“Caramba! Parece que eu cochilei e comecei a pender de lado, desequilibrando a moto e o Carlão não conseguiu segurar, fazendo com que ela saísse da estrada. Putz, que merda! Ele deve estar puto da vida comigo! Deixa eu me equilibrar e até mesmo me desculpar por essa mancada…”

Tudo isso passou pela minha cabeça numa fração de uma fração de momento. Entre o começar a sair da estrada, construir esse raciocínio e me aprumar na moto não deve ter passado mais do que um ou dois segundos. Ainda fora da estrada foi o tempo de eu levantar a mão e dar um um tapinha no ombro do Carlão, já dizendo:

“Putz, cara! Desculpa aí. Acho que dormi…”

E parece que uma outra corrente elétrica voltou a passar, só que desta vez pelo corpo dele.

De imediato ele se aprumou e ACORDOU.

Isso mesmo, crianças, ELE TAMBÉM ESTAVA DORMINDO!!!

Já estávamos fora da estrada mesmo, paramos, apeamos, acendemos um cigarro, xingamos um ao outro, demos risadas e acordamos de vez, prontos para seguir viagem…

Essa foi apenas uma das inúmeras desventuras pelas quais passamos.

O tempo passou, no início de 88 eu me casei pela primeira vez (afinal já tinha 18 anos à época) e em 93 foi a vez dele também se casar. E foi com a Claudete, uma amiga em comum com quem eu adorava ter longos proseios.

Pouquíssimo tempo depois, no final de 97 ele faleceu.

Câncer.

Com apenas 34 anos de idade.

Não, a vida não é justa. Já tem vinte anos que ele se foi e ainda sinto saudades. Lamento não ter estado mais próximo dele em seus últimos tempos, mas eu mesmo também estava passando por meus próprios perrengues. Nada tão sério quanto pelo que ele estava passando, mas quando estamos no meio da tormenta parece que não conseguimos mensurar as coisas direito.

Onde estiver, esteja com Deus, meu primo-amigo-irmão, Carlão…

Vamos começar?

Então é 2018.

Já passamos do Dia de Reis, o Presépio já voltou pro armário, a árvore já foi desmontada, os enfeites já foram retirados.

Você já passou pelo Ano Novo, já fez a contagem regressiva, brindou com champanhe, cidra, vinho, cerveja ou seja lá o que for, guardou suas sementes de romã, pulou sete ondinhas, comeu até se fartar e no dia seguinte de novo e mais um pouco pelo resto da semana.

Então é 2018.

O ano de 2017 foi um ano ímpar (em todos os sentidos), um ano de animação suspensa, meio que de torpor, principalmente no que diz respeito às questões políticas. Com o tempo as pessoas acabaram desistindo de rosnar e bradar em alto e bom tom como a sua verdade era mais verdadeira que a dos outros.

Foi um ano que foi chegando, assim, meio que cheio de esperanças, e quando as pessoas deram por si, já havia passado o carnaval, a Páscoa, o dia das mães, as festas juninas, o dia dos pais, os aniversários, os feriados, o Natal, o Ano Novo. As esperanças minguaram lá atrás, já no primeiro bimestre e o ano passou tão ou mais rápido como os anteriores.

Então é 2018.

O ano passado não foi um ano fácil, mas também não posso dizer que tenha sido difícil. Para mim, em especial, foi um ano de descanso, de recobrar as energias gastas nos 16 anos anteriores. Afinal, se antes eu me sentia indiretamente responsável por mais de 210 mil pessoas, hoje sou de fato responsável por pouco mais de uma dúzia de pessoas. Vá lá: umas duas dúzias.

Para mim não foi um ano de grandes projetos – ainda que tenha participado de alguns – mas sim um ano de tirar o pé do acelerador, de manter o carro em movimento e ao mesmo tempo poder curtir com calma a paisagem. Naturalmente tanto me afastei de algumas pessoas quanto me aproximei de outras, bem como expandi alguns círculos, principalmente os familiares.

Ter saído das rotinas anteriores – ainda que tenha criado algumas outras – fez com que minha percepção de tempo fosse distendida, de modo que o ano de 2017 passou lentamente. Assim como nos princípios da permacultura, foi um ano de deixar a terra descansar, um ano de respirar, um ano de pensar e avaliar tudo aquilo que já havia sido plantado, o que tinha evoluído, o que tinha murchado, o que tinha florescido.

Então é 2018.

É lógico que os céticos sempre vão esfregar na sua cara que o simples completar de uma rotação da Terra em torno do Sol não traz nada de novo, os dias são iguais, o tempo é igual e nós, humanos, é que criamos essa ficção da contagem do tempo.

Mas justamente por sermos humanos é que necessitamos dessa contagem de tempo. Desse ciclo. Desse começo, meio e fim. Todo ano. É preciso, sim, renovar as esperanças, traçar novos planos, focar em novos objetivos, em novos desafios, quebrar a rotina de um modo geral. É preciso deixar o que é velho, repetitivo e que não funciona pra trás, e, ciente de todo o aprendizado que lhe foi proporcionado, buscar o novo, criativo e que talvez até venha a dar certo. E, se não o der, que se repita o ciclo. Até porque o ano que passou não volta mais e o que se desdobra à sua frente vem chegando, sim, cheio de oportunidades.

Então é 2018.

E assim, mais como uma constatação do que como uma divagação, temos que 2018 chegou e creio firmemente, sim, que é hora de renovarmos as esperanças – em todos os sentidos e em todas as áreas. Cada um de nós tem o poder de fazer a diferença e não dependemos de circos políticos e midiáticos para definir nossas próprias vidas. Arregace as mangas e vá em frente. Com foco. Nenhum sonho é pequeno ou grande demais que não possa ser realizado. Vai dar trabalho, sim. Mas se não começar agora, AGORA, jamais vai chegar lá.

De minha parte, a terra já descansou. É hora de arar. De semear. De observar e cuidar de cada uma dessas novas sementes para que cresçam fortes e viçosas.

Afinal é 2018.

É hora de ficar sóbrio.

Feliz Ano Novo.

Disjuntando os pedaços

E eis que ontem à noitinha, depois de um dia pra lá de cansativo – pois fui acompanhar meu pai numa consulta junto ao Pronto Socorro Municipal (levou SÓ seis horas!) -, eis que finalmente consigo chegar em casa… Rotina de sempre: parar o carro em frente ao portão, puxar o freio de mão, descer do carro, entrar pelo portãozinho lateral, acender a luz da garagem (Ué? Não acendeu…), abrir o portão maior, engatar a primeira, entrar com o carro, fechar o portão, etc, etc, etc.

Voltei ao interruptor. Meio bambo, mas sempre foi assim. Esquisito. Acho que deu defeito. Amanhã cedo eu troco.

Foi então que percebi que o carro do meu sogro estava com o capô aberto. O que só poderia significar uma coisa: ele estava tentando fazer algo e (pra variar) não deu certo.

Subi as escadas e já fui ter com os filhotes:

– Então, pai. Nenhuma das tomadas de casa tá funcionando. A gente liga o disjuntor mas desarma…

Fui dar uma conferida no conjunto: temos um par de disjuntores para lâmpadas (10 amperes), outro par para tomadas (um de 25 e outro de 30 amperes, não sei o porquê – um dia desses ainda arrumo essa bagaça) e um terceiro para o chuveiro (50 amperes).

O das tomadas estava desarmado.

Liguei.

Fumaça e desarme imediato!!!

Bão, não tinha jeito. Ao que parece alguma coisa devia ter “fritado” um dos disjuntores e a melhor saída já seria trocar o par de uma vez…. Ao menos o resto da casa estava funcionando (fora as tomadas da parte antiga – onde também está ligada toda a garagem). Somente no dia seguinte pra comprar isso…

Pausa para os leigos – entenda como funciona o sistema elétrico de sua casa. São dois os conceitos a serem compreendidos: Voltagem (tensão) e Amperagem (corrente). Em termos bem simples, imaginemos que a energia elétrica fosse como o seu encanamento d’água. Não o seu, o da sua casa. A voltagem seria a quantidade de água consumida por cada aparelho, ou seja, numa tubulação com fluxo constante de água, sua televisão, que consome mais (220V), teria que ter uma torneira bem larga à disposição; já para carregar seu celular, que consome menos (5V), bastaria uma torneirinha pequenininha, praticamente um conta-gotas. Como nesse exemplo o fluxo de água é constante, caso precise de mais energia então terá que instalar um cano mais largo. Já a amperagem diria respeito à pressão da água. Isto é, ainda que meu encanamento garanta que consigo encher um balde de 220V, talvez as especificações daquele equipamento, digo, balde, determinem que ele tenha que ser enchido rapidamente, ou seja, com uma pressão d’água maior. O problema todo começa se eu tiver pressão demais (muita amperagem) e o encanamento começar a estourar! Daí me surge a figura do disjuntor (ou, em casos mais antigos, do fusível) que tem a função de cortar toda a água do sistema de encanamento antes que tudo fique ferrado demais e o balde transborde, a televisão queime, a torneira arrebente, o celular exploda, a água se espalhe, a casa queime… Basicamente é isso. Sei que tá meio confuso, mas sou advogado, não eletricista, então o que é que vocês esperavam?

Cai o pano, fecha a noite, corta para o dia seguinte.

Seizevintecinco da manhã é o horário que, de segunda a sábado, eu saio de casa para levar o filhote do meio para escola. Nem antes, nem depois. Nesse ritual diário, quando ainda sequer amanheceu direito, eu desço para a garagem, acendo a luz (catzo, esqueci que não tá acendendo), abro o portão, entro no carro (melhor acender o farol, já que tá escuro), engato a ré, ponho o carro pra fora e…

PÉRAÊ!!!!

Dei uma olhada no carro do meu sogro e de relance percebi algo que não deveria estar ali. Tinha alguma coisa errada com esse negócio…

Desci e fui conferir de perto, sob os veementes protestos do filhote que achava que a gente ia acabar se atrasando para a escola. Garanti-lhe que não, que era só um minutinho, mas que precisava entender o que eu tinha visto.

Que raio de tomada é essa? Será que ela ainda estava ligada em alguma coisa que estivesse “fechando curto”? Se fosse assim o disjuntor não estaria desarmando porque tinha pifado, mas simplesmente porque ainda estava cumprindo sua função! Bastaria desligar o que quer que essa tomada estivesse alimentando e o disjuntor voltaria a armar normalmente. Mas, vejamos onde esse fio vai dar…

NÃO, NÃO, NÃO! Eu simplesmente não acredito! Isso não pode ser o que estou pensando! Ele não faria isso, não, não faria. Quer dizer, se aquele fio elétrico estava ligado num cargo de transferência de carga (mais conhecido como “cabo chupeta”), TINHA que ter um transformador no meio do caminho; aquilo não poderia estar ligado direto na bateria. Afinal de contas 220V da tomada não é compatível com 12V da bateria do Gol! Seria como abrir uma torneira de jardim no máximo para tentar encher um copinho de café. De plástico. Do vagabundo!

MÈRDE.

Era.

ODESINFELIZDOMEUSOGROFEZDENOVO!!!!!!!

Bastou, literalmente, tirar o plug da tomada e todos os problemas acabaram…

Menos o meu.

Apesar de tudo, tenho ABSOLUTA CERTEZA que vai acabar sobrando pra mim ter que providenciar a carga da desgraçada dessa bateria!

SE der carga… o_O

Responsabilidade responsiva

Ainda que minha preferência sempre tenha sido pela escrita, com textículos, textáculos e sagas divididas em episódios, volta e meia costumo inserir imagens, vídeos e músicas para ilustrar ainda mais a ideia que pretendo passar.

Desde os primórdios do Legal, já no formato de blog, sempre fui tentando acompanhar a evolução da tecnologia para garantir a acessibilidade visual e auricular de quem costuma me visitar aqui neste nosso cantinho virtual. No início era HTML puro mesmo, esculpido linha por linha, comando por comando e mais uma ou outra coisinha de Java aqui e ali…

Depois eu descobri o WordPress: uma plataforma que já vinha com temas prontos e, por trás, no formato de uma base de dados para inserir os posts, comentários, facilitando buscas, etc. Durante todos esses anos lembro-me de apenas umas três alterações: comecei com um tema “clean”, mudei para um “envelhecido” e, até há pouco tempo, usava o formato de “caderno de notas”. Nada demais em nenhum deles, apenas um visual mais aconchegante e que ainda me permitia um certo domínio das linhas de código.

E eis que o Flash (o da Adobe, não o da DC), de uma hora para outra, não seria mais utilizado como “motor multimídia” no WordPress… Fucei, explorei, cacei plugins estranhos e ferozes nas mais obscuras selvas virtuais e encontrei algo meio que mesclado com o tal do HTML5, mas que manteve os vídeos e músicas funcionais. Ao menos nos computadores. Já nos celulares simplesmente não rodava. Paciência.

Porém, cada vez mais, menos pessoas acessam a Internet por seus computadores. É lógico que ainda os utilizam – e muito! Mas com o advento dos smartphones, celulares com cada vez mais recursos, o acesso se dá a qualquer hora em qualquer lugar. Não é mais necessário chegar no trabalho ou voltar pra casa para poder acessar seu perfil nas redes sociais ou visitar seus blogs favoritos (sim, ainda tem muita gente que nos visita e vamos muito bem, obrigado).

Foi então que percebi que estava na hora de mais uma atualização. Ficar ampliando a tela ou tentando clicar em botões microscópicos pelo celular (ainda que no computador apareçam como “normais”) é simplesmente cansativo. Acaba afugentando as pessoas.

Já havia passado da hora de tornar o Legal um site “responsivo”.

“E que raios é isso?”, perguntar-me-iam vocês. Respondo-lhes eu, com uma explicação de bate-pronto, assim de cabeça (mas, na verdade, descaradamente roubartilhado daqui):

Design Responsivo é quando o site automaticamente se encaixa no dispositivo do usuário (PC, celular, tablet, etc). Um site responsivo muda a sua aparência e disposição com base no tamanho da tela em que o site é exibido. Então, se o usuário tem uma tela pequena, os elementos se reorganizam para lhe mostrar as coisas principais em primeiro lugar.

Locais sensíveis podem ser projetados para tornar o texto na página maior e mais fácil de ler em telas menores. Eles podem também ser configurados para tornar os botões na tela do telefone mais fácil de pressionar. Você terá botões maiores, mais espaço em branco entre os elementos para evitar a ativação acidental, e assim por diante. Formas mais sofisticadas de usar o design responsivo em um dispositivo móvel incluem: a formatação do site para ocultar ou apresentar a informação completamente diferente, mudando radicalmente os gráficos e cores, ou até mesmo reduzindo o site para enfatizar apenas um pedaço da sua mais importante.

Ou seja, não importa através de qual dispositivo você venha a acessar o Legal, ele estará mais “amigável” daqui pra frente.

Fui atrás de algum tema específico pra isso, mas que me permitisse ainda dar meus próprios pitacos no visual e arranjei este que agora está aqui. Tá, tá, sei que não é lá grande coisa, mas ainda tô trabalhando nele, tá bom? Tenham paciência enquanto tento arranjar tempo pra isso, ok?

Enfim, apesar da recém adquirida “responsividade” (que horrível, isso!) do Legal, ainda permanecia o fato de que as mídias simplesmente não funcionavam no celular.

Mas… Seus problemas acabaram! E nem foi preciso ajuda das Organizações Tabajara… Esse novo tema que escolhi funciona de uma maneira bem mais integrada com as últimas versões do WordPress, permitindo o fácil acesso a uma biblioteca de mídia que trabalha totalmente em consonância com os posts!

Oi? Não entendeu nada? Não tem problema. O que interessa é que a bagaça funciona!

Já andei fazendo alguns testes com o vídeo do post anterior, mas ainda estava em dúvida se tudo também daria certo com áudios MP3. Não estou mais.

E para provar isso, nada melhor que The Blues Brothers com a sempre deliciosa Peter Gunn Theme. Não interessa se você está no computador ou no celular, o que interessa é que você VAI ouvir! Divirtam-se! 🙂

 

 

Veredas da Vida – XIII

Uma Nova Esperança

Então, caríssimos, e agora?

Eu havia dito que isso não seria um fim!

Mas, afinal, que ás é esse que tenho na manga?

Pois…

O que vem depois do fim?

Só para recapitular o que eu disse lá no começo desta nossa saga, a minha intenção foi não só a de apresentar para vocês toda minha “experiência profissional”, mas também demonstrar como tudo está conectado, como todas as nuances desta nossa vida estão tão interligadas entre si que nos afetam como um todo. Tanto nossa vida pessoal quanto a profissional são, na verdade, uma só.

E é por isso que um mero curriculum vitae não seria suficiente para demonstrar o necessário. Ora, se buscarmos seu significado temos que trata-se de “um documento com os dados pessoais, a formação escolar ou acadêmica, a experiência profissional ou os trabalhos prestados de determinado indivíduo”, ou seja, é o currículo da vida de alguém, a descrição do curso que sua vida profissional seguiu. E já que seria para descrever a trilha profissional de minha própria vida, muito mais agradável aos meus olhos tratá-la como uma simpática vereda

Um curriculum vitae propriamente dito se limitaria a fornecer informações de onde trabalhei, meus cursos e estudos, o que fiz e que experiência adquiri; tudo de uma maneira por demais fria e sistemática. Sem amor. Sem humor. Sem paixão. Sem tezão. Não demonstraria – como fiz ao longo destes 13 episódios – a verdadeira experiência de vida que acumulei e o que me norteou para decidir passar de um trabalho para outro, como minhas amizades influenciaram minha vida profissional, como meus trabalhos me permitiram conquistar novas amizades, a maneira pela qual meus casamentos tanto afetaram quanto foram afetados pela minha profissão, a alegria das pequenas conquistas, o orgulho dos grandes feitos e por aí segue.

Mas, mais do que isso, ao contar com detalhes todos os altos e baixos que envolveram minha pessoal e profissional, o que eu quis também foi deixar claro que é possível, sim, recomeçar. Sempre. Basta querer, basta estar disposto. Como já disse antes, eu tenho essa minha fé inabalável de que as coisas sempre vão se ajeitar!

E é curioso como muita gente não consegue enxergar a vida dessa maneira. Acho que deve ser o tal do copo meio vazio… E, por falar em copo, quando ainda estava acabando o ano passado, num de nossos conhecidos interlóquios etílicos, o Bicarato estava me contando que, já no finalzinho do governo, as pessoas vinham falar com ele invariavelmente com a seguinte tragicômica pergunta: “Nossa, e agora? Acabou o governo, como é que vocês vão fazer?”.

Cuméquié???

Gente, trabalhamos, sim, por muitos anos na Administração Pública Municipal de Jacareí. Mas antes disso já tínhamos nossas profissões! Já tínhamos nossa própria vida – como deixei bem claro através desta saga. O Bicarato já era jornalista, eu já era advogado, assim como todos aqueles que também saíram da Prefeitura já eram profissionais de alguma área!

Então, a vocês que teimaram em nos fazer tão curiosa pergunta, respondo-lhes tranquilamente: vida que segue!

Aliás, dia desses a Dona Patroa me veio lá com uma sugestão. Como ela trabalha no Juizado Especial Cível começou a perceber uma certa movimentação para um determinado tipo de demanda judicial. Um suposto “nicho” de mercado… E me disse que eu poderia começar a explorar esse filão.

Pensei bem e de bate pronto já lhe respondi que não, eu não iria fazer aquilo. Afinal de contas já tenho uma vida inteira de trabalho, bem como uma experiência gigantesca após 20 anos de formado e 16 anos na Administração Pública. Não, obrigado, não vou “voltar ao mercado” ombro a ombro com quem acabou de se formar. O caminho natural seria continuar o meu trabalho nessa mesma área que já vinha atuando. É o que conheço muito bem. É o que gosto muito de fazer.

E assim, após essas considerações – e após ter reservado estes dois primeiros meses de 2017 para um merecido descanso – acho que podemos voltar à pergunta que lhes fiz lá no início: “o que vem depois do fim?”

A resposta é óbvia: fins são necessários para novos começos!

Simples assim.

E por isso mesmo vou continuar na área! Doravante vou compartilhar todo esse conhecimento que adquiri com outras administrações públicas municipais, com empresas que com elas se relacionam, com fundações, autarquias e quaisquer entidades que venham a precisar de meus serviços.

Afinal de contas, após ter adquirido tanta experiência por tanto tempo, sem nenhuma falsa modéstia posso afirmar ter também adquirido uma condição de excelência em minha própria área. E, justamente por conhecer tanto da administração pública como um todo, em especial no que diz respeito a licitações, contratos e convênios sou, sim, um expert. Sou um ÁS!

E, assim o sendo, nada melhor que atualizar meu cartão de apresentação de acordo com esse perfil, não é mesmo?

   
Meu cartão atual tem frente e verso!

Mas… Por mais que eu conheça bastante sobre determinada matéria, sempre haverá algo que estará além de minhas possibilidades. Isso é normal, afinal de contas, não tem como sabermos tudo

E é por isso mesmo que nessa empreitada, não estarei só!

Minhas amigas Sheila Moreira Fortes e Ana Paula Truss Benazzi toparam o desafio de, comigo, também prestarem esse tipo de serviço, essa forma de consultoria. Até porque ambas também permaneceram na administração pública tempo o suficiente para acumularem uma enorme carga de conhecimento: também são ASES!

   
Eis como ficou o cartão da Sheila…

   
E assim o da Ana Paula!

E nesse sentido, aproveitando a “brincadeira”, resolvemos que o ideal seria montar uma empresa para melhor prestar nossos serviços. E foi assim, foi dessa maneira, que resolvemos criar a Ases Consultoria!

E perguntar-me-iam vocês: “Espadas, Copas, Ouros… Mas e que é do Ás de Paus?” e responder-lhes-ia eu que essa quarta carta, esse quarto elemento também faz parte imprescindível da nossa consultoria, pois mesmo com nossa experiência acumulada, ainda assim poderia não bastar face às inúmeras dificuldades que – sabemos bem – podem surgir em uma administração pública ou para quem com ela se relaciona.

E é por isso mesmo que nessa empreitada, não estaremos sós!

Por conta dos nossos anos de trabalho e experiência fizemos nossa rede de contatos e amigos, tanto dentro quanto fora da administração, tanto em outros setores da área pública quanto junto a diversas empresas e entidades particulares. Também são pessoas que detém um conhecimento excepcional, cada qual em sua área, e estão dispostas a eventualmente colaborar em algum projeto, trabalho, consultoria ou seja lá qualquer outra atividade que venha a surgir, compartilhando também sua próprio expertise. Não fazem parte da empresa em si, mas são pessoas com quem seguramente podemos contar para levar adiante essa tarefa à qual nos propusemos. São os nossos Colaboradores.

Ide, pois, e anunciai ao mundo a boa nova!

Através da Ases Consultoria nós continuamos por aqui…

Pois viemos pra ficar!

Aliás, querem saber quem mais está conosco?

Então, através de um simples clique na nossa logomarca aí em baixo, vocês poderão visitar nossa página de apresentação, conhecer a nossa proposta, nossos objetivos e, inclusive, ficar à vontade para apresentarem suas críticas e sugestões. Ou, até mesmo, juntar-se a nós! Pois, como ficou evidente nesta nossa saga de 13 episódios, ninguém se faz sozinho… E a nossa força está justamente neste nosso mútuo apoio.

Vida que segue!

Clique na imagem para Ases Consultoria!

(Continua… Só que, agora, lá na vida real!)

😉


RESUMÃO GERAL DESSA HISTÓRIA…

ONDE
O QUÊ
DESDE
ATÉ
I – Antes do Início
Bicicletaria do “Seo” Márcio – Técnico em Bicicletas
1982
até 1985 (eventual)
Dona Vitória – Entregador de Salgados
em 1984
Folha de São Paulo – Entregador de Jornais
em 1985
II – O primeiro registro (só que não)
Serralheria Teixeira – Serviços Gerais
06/08/1986
25/08/1986
Chang Assessoria & Marketing – Agente de Marcas e Patentes
NOV/1986
JUN/1987
Autorama Administradora de Consórcios – Vendedor de Cotas de Consórcios
JUL/1987
III – O primeiro registro (de verdade)
Banco Nacional – Caixa
– Supervisor de Processamento Contábil
02/09/1987
01/10/1990
07/11/1991
Organização Contábil Liberdade – Assistente Administrativo
NOV/1991
FEV/1992
Jornal “O Valeparaibano” – Digitador
– Supervisor de Digitação
23/12/1991
01/04/1992
11/06/1992
IV – O início na Administração Pública
Prefeitura Municipal de São José dos Campos – Assistente Administrativo
– Assistente Técnico II
15/06/1992
16/02/1993
31/08/1993
Marcenaria – Serviços Gerais
em FEV/1993
V – Interlúdio
TELESP – Telecomunicações de São Paulo S.A. – Auxiliar Administrativo II
01/09/1993
06/07/1995
Asa Informática e Sistemas – Sócio Proprietário
26/08/1994
JUL/1996
Vectra – Instrutor de Informática
AGO/1994
NOV/1994
Tribunal Regional do Trabalho – Estagiário de Direito
19/06/1995
19/06/1996
VI – De volta à Prefeitura
Empresas de Gás – Instrutor de Informática
1º semestre de 1996
Prefeitura Municipal de São José dos Campos – Estagiário de Direito
11/03/1996
31/12/1996
VII – Outro interlúdio
Advocacia Luís Henrique Homem Alves – Estagiário de Direito
JAN/1997
OUT/1997
Rodrigues, Sanches e Ribeiro – Advogados Associados – Advogado
NOV/1997
ABR/2000
VIII – Tudo junto e misturado…
Advocacia e Assessoria Jurídica Empresarial (escritório próprio) – Advogado
MAI/2000
DEZ/2004
IX – De volta à Administração Pública
Prefeitura Municipal de Jacareí – Procurador para Assuntos Internos
10/09/2001
30/06/2002
Prefeitura Municipal de Jacareí – Procurador de Assuntos de Licitação, Contratos e Convênios
01/07/2002
31/12/2004
X – Fisgado de vez pela Administração Pública
Fundação Cultural de Jacarehy – José Maria de Abreu – Procurador Judicial
05/01/2005
07/05/2005
Prefeitura Municipal de Jacareí – Procurador de Assuntos de Licitação, Contratos e Convênios
05/01/2005
31/12/2008
XI – O desafio de ser um Secretário
Prefeitura Municipal de Jacareí – Secretário de Assuntos Jurídicos
01/01/2009
31/12/2012
XII – O desafio de continuar a ser um Secretário
Prefeitura Municipal de Jacareí – Secretário de Assuntos Jurídicos
01/01/2013
30/12/2016
XIII – Uma Nova Esperança
Ases Consultoria – Sócio Proprietário e Advogado Consultivo
Desde março de 2017…