Eu bebo sim, e sô sabichão =^)

Clique na imagem para ampliar!
( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Bicarato

Ok, vamos combinar o seguinte: beber não vai te deixar mais inteligente, mas se você bebe é porque você é mais inteligente. Mas não sou eu que afirmo isso não, até porque minha modéstia intelectual me impede. A constatação científica vem embasada em duas pesquisas, de duas renomadas (!) instituições lá das gringas, o National Child Development Study e o National Longitudinal Study of Adolescent Health. Tá duvidando, é? Confira então a matéria aqui. E tim-tim!

Manifesto

Clique na imagem para ampliar!
( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Bicarato

[copy&paste lá do Alfarrábio, mas perfeitamente justificado por uma questão de pertinência para com os princípios aqui do Copoanheiros]

Tem de tudo lá na MetaRec, podem crer. Mais um exemplo notório dessa diversidade fantástica veio pelas mãos da Lelê [cansô de blogar, muié?], numa convocação pra uma *desconferência intergalática que trata sobre “mulheres e  tecnologia: mulheres de antenas e suas panelas de expressão”*. Diz a Lelê que o Chico Buarque gostou da idéia e deu aval pra fazermos uma nova versão da música: *…mirem-se no exemplo daquelas mulheres de antenas…*

Mas, na convocatória, a Lelê deixa claro que a desconferência não quer ser nenhum encontro de luluzinhas, e chama também os *masculinistas*. Ok, dirão vocês, mais um *ismo* pra encher o saco, né? Concordo, também não tô a fim de embarcar nessa, mas de qualquer maneira vale o Manifesto Masculinista que a Lelê anexou, com a ressalva de que é de 1985 — relevem-se alguns exageros e expressões, portanto. Destaque pra um item importantíssimo: *Pelo amparo aos pais solteiros e abandonados pelas mulheres amadas desalmadas: creches nos bares*.

[O manifesto (semi)original tá aqui.]

1 – CABECINHA
Nas questões ligadas à discriminação e aos papéis sexuais, as mulheres já estão na sua, os homossexuais idem, os bi também, e até os machões se organizam e se solidarizam, como se viu no caso daquele cara que ferrou a mulher no rosto e teve apoio da Associação dos Maridos Traídos, fundada no Ceará. Todos os setores se mobilizam. E como ficamos nós, que não somos mulheres, nem homossexuais, nem bi, e rejeitamos o modelo machista que nos é imposto desde criancinhas como a marca da masculinidade? A resposta está no masculinismo — uma movimentação crítico-autocrítica, reivindicativa, desfrutativa, solidarista e convivencial.

Sabendo que de carta de princípio e discursos generosos a humanidade já está de sacos e ovários repletíssimos, colocamos os dedos nas feridas através de um manifesto e proclamamos, indicativamente, o que rejeitamos e pretendemos transformar para viver melhor.

2 – COMEÇO DE PENETRAÇÃO
MMN – Movimentação Masculina Nordestina.
Símbolo: um cacto ereto ou em repouso.
Observação: um cacto sem espinhos.

* contra o terror machista.
* contra a ditadura clitoriana.
* contra o homossexualismo autoritário.
* pela reconciliação do espermatozóide com o óvulo.

Renunciamos a todas as prerrogativas do poder machista.

Que omem seja escrito sem “H”.

Não nos consideramos superiores nem inferiores às mulheres, aos homossexuais e aos bi: somos diferentes e iguais.

Rejeitamos todos os modelos pré-fabricados de sexualidade, caretosos ou vanguardeiros, partindo de três princípios: 1) carência não se inventa; 2) receita, somente de bolo; 3) vanguarda também é massa.

Somos solidários com qualquer saída (ou entrada) sexual que a humanidade venha a inventar e curtir, desde que não haja imposição e violência. E exigimos que se respeite a nossa opção fundamental: gostamos é de mulher.

3 – APROFUNDANDO A ENTRADA

* Abaixo o guarda-chuva preto. Não somos urubus.
* Abaixo as exigências do paletó e da gravata.
* Contra o relógio bolachão.
* Pelo direito de mijar sentado.
* Pelo respeito ao pudor masculino: mictórios privativos.
* Pelo amparo aos pais solteiros e abandonados pelas mulheres amadas desalmadas: creches nos bares.
* Queremos pensão por viuvez, auxílio alimentação e licença paternidade.
* Não amamentamos mas podemos trocar fraldinha.
* Pela liberação da lágrima masculina.
* Contra o fechamento do mercado de trabalho aos homens: queremos ser secretários, telefonistas, babás, etc.
* Não queremos ser “chefes” de família nem regentes sexuais. Igualdade fora e em cima da cama.
* Queremos trepar mais por baixo.
* Queremos ser tirados pra dançar.
* Queremos ser cantados e comidos.
* Pelo nosso direito de dizer não sem grilos nem questionamentos da nossa masculinidade.
* Pelo direito de brochar sem explicação. Mulher também brocha. Aquele ou aquela que nunca brochou que atire a primeira pedra.
* Abaixo a máscara da fortaleza masculina. Queremos ter o direito de assumir nossas fragilidades.
* Abaixo o complexo de corno. Por que mulher não é corna? Fidelidade ou infidelidade recíproca.
* Cavalheirismo é cansativo e custoso. Delicadeza é unissex. Que seja extinto o cavalheirismo ou se instaure, também, o damismo.
* Queremos receber flores.
* Exigimos a modificação do Pai Nosso:
a) Pai e Mãe nossos que estais no céu…;
b) bendito seja o fruto do vosso ventre, do nosso semen.
* Pela capacitação dos homens, desde a infância, para as tarefas tidas como “essencialmente feministas”. Reciclagem geral. Queremos aprender corte e costura, culinária, cuidado de crianças etc. Em contrapartida, ensinaremos às mulheres: trocar pneu de carro, bujão e fusível; dar porrada, atirar e espantar ladrão; matar barata e rato.
* Pela paternidade responsável e contra a gravidez e os filhos serem utilizados como elementos de chantagem sentimental sobre nós.
* Pelo respeito à intuição masculina.
* Denunciamos a utilização depreciativa das expressões “cacete”, “caralho”, “pra cacete”, “pra caralho”. Exigimos que cada um ou cada uma se posicione: cacete/caralho é bom ou não é? Se é bom, respeitem como ao seu pai ou a sua mãe.
* Protestamos contra o fato do nosso órgão do amor ser representado, simbolicamente, por espadas, canhões, porretes, e outros instrumentos de agressão e guerra. Só aceitamos a simbolização a partir de coisas gostosas e sadias: chocolates, biscoitos, bananas, batons, picolés, pirulitos, etc.
* Denunciamos como principais vias condutoras do machismo: as vovozinhas cândidas, as mulherezinhas dondocas, as mãezinhas possessivas e as professoronas assexuadas.

4 – EMPURRADINHA FINAL
Considerando que muitos masculinistas trabalham dois expedientes, estudam e frequentam um milhão de reuniões e eventos, sem falar das poligamias possíveis, não iríamos incorrer na atitude fascista de inventar mais uma reunião para a comunidade masculinista. Portanto, o nosso princípio de organização é o seguinte: grupos de um, cada grupo obedece a seu chefe. Assembléias gerais com ego, id e superego. Voto de minerva para ego.

Convencidos de que a perfeição não é uma meta e é um mito, procuramos fazer um esforço no sentido de romper com 70% do nosso machismo atual e acrescentar sempre novos itens neste manifesto, aceitando a contribuição crítica e propositiva de todos os masculinistas e outros segmentos sexuais, preservada a nossa opção fundamental pelas mulheres.

Denunciamos os machões enrustidos, que utilizando o discurso masculinista, pretendem apenas dar os anéis para não perder os dedos: recuam em 30% de machismo para manter os 70%. É a Nova República do machismo.

Somos todos oprimidos. E sendo os homens, estatisticamente, minoritários diante das mulheres, isto já nos caracteriza como minoria oprimida. Nós, homens masculinistas, sofremos a pressão dos machões, das feministas sectárias e dos homossexuais autoritários — o que nos caracteriza como a menor minoria oprimida. Requeremos, portanto, o apoio extremo e a solidariedade máxima por parte da sociedade inservil.

Sabedoria etílica

Clique na imagem para ampliar!
( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Bicarato

Ok, é fato que, vira-e-mexe, algumas mensagens de anos atrás voltam a cair na nossa caixa postal. Mas algumas contêm certas verdades absolutas que merecem ser replicadas. É o caso desta a seguir — tenho certeza de que todxs já a recebeam pelo menos uma vez, mas que fique, definitivamente, registrada aqui no Copoanheiros!

BOTECO!!!

Por que será que é mais fácil freqüentar um bar do que uma academia?
Para resolver esse grande dilema, foi necessário frequentar os dois (o bar e a academia) por uma semana.
Vejam o resultado desta importante pesquisa:

– Vantagem numérica:
– Existem mais bares do que academias. Logo, é mais fácil encontrar um bar no seu caminho: 1×0 pro bar.

– Ambiente:
– No bar, todo mundo está alegre. É o lugar onde a dureza do dia-a-dia amolece no primeiro gole de cerveja.
– Na academia, todo mundo fica suando, carregando peso, bufando e fazendo cara feia: 2×0.

– Amizade simples e sincera:
– No bar, ninguém fica reparando se você está usando o tênis da moda.
– Os companheiros do bar só reparam se o seu copo está cheio ou vazio: 3×0.

– Compaixão:
– Alguém já te deu uma semana de ginástica de graça?
– No bar, com certeza, você já ganhou uma cerveja ‘por conta’: 4×0.

– Liberdade:
– Você pode falar palavrão na academia? 5×0.

– Libertinagem e democracia:
– No bar, você pode dividir um banco com outra pessoa do sexo oposto, ou do mesmo sexo, problema é seu…
– Na academia, dividir um aparelho dá até briga: 6×0.

– Saúde:
– Você já viu um ‘barista’ (freqüentador de bar) reclamando de dores musculares, joelho bichado, tendinite? 7×0. [Observação minha: este é o único item que gera controvérsias. Copoanheiros véios e enferrujados são cada vez mais frequentes…]

– Saudosismo:
– Alguém já tocou a sua música romântica preferida na academia?
– É só ‘bate-estaca’, né? 8×0.

– Emoção:
– Onde você comemora a vitória do seu time?
– No bar ou na academia? 9×0.


– Memória:
– Você já aprontou algo na academia digno de contar para os seus netos?

– 10×0 pro BAR!

– Portanto, se você tem amigos na academia, repasse este e-mail para salvá-los do mau caminho!

PS.: Você já fez amizade com alguém bebendo Gatorade?

O caminho para a paz interior

Clique na imagem para ampliar!
( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Adauto de Andrade

Li um artigo de uma conceituada revista que dizia:

“O caminho para encontrar a paz interior é terminar todas as coisas que você começou.”

Refleti bem e…

Então, neste último sábado, olhei ao meu redor para ver todas as coisas que eu tinha começado e não havia acabado.

Em seguida, eu terminei… com duas caixas de Skol, o final de uma garrafa de Black Label, o resto de uma Jose Cuervo e uma garrafa aberta de Smirnoff, e uns ¾ de um garrafão de 5 litros de uma cachacinha da hora.

Você não tem idéia de como eu fiquei em paz… até flutuava…

Sabedoria etílica

Clique na imagem para ampliar!
( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Bicarato

Besteirol, pra ser besteirol mesmo, tem que necessariamente ser politicamente incorreto. Taí a Desciclopédia pra confirmar. Basta ver, por exemplo, o verbete sobre Cerveja. Mas, pra compensar, fiquemos com uma belíssima e sábia seleção de citações históricas sobre a loira:

*Sábio o homem que inventou a cerveja.* – Platão
*Comecei a beber por causa de uma mulher… E nem tive a oportunidade de agradecê-la!* – W. C. Fields
*É tão natural e necessário quanto comer. Jamais faria uma refeição sem beber… cerveja!* – Ernest Hemingway
*Eu não confio em camelos e em ninguém que possa passar uma semana sem uma cerveja.* – J. Lewis
*Eu bebo quando comemoro… e às vezes quando não há nada para comemorar!* – Miguel de Cervantes
*Não há boa vida onde não há boa bebida.* – Benjamin Franklin
*In Vino Veritas… In Cerevisia Felicitas!*
*Gastei metade do meu dinheiro com mulheres e cerveja… o resto desperdicei.* (…)
*Cerveja é a prova de que Deus nos ama e quer que sejamos felizes.* – Benjamin Franklin
*24 horas no dia… 24 cervejas em uma caixa… Coincidência?* – S. Wright
*Sem dúvida, a maior invenção da história da humanidade foi a cerveja. Ok, reconheço que a roda também foi uma boa invenção, mas uma roda não combina tão bem com um salsichão.* – D. Berry
*Não é *apenas cerveja*, mas uma nobre e antiga bebida que, como o vinho, comida e comerciais de televisão, podem ser extraordinariamente bons ou imperdoavelmente ruins.* – S. Beaumont
*Abstêmio: pessoa fraca que se rende à tentação de negar um prazer a si próprio.* – Ambroise Pierce
*Um brinde à cerveja, a causa e a solução de todos os problemas da vida!* – Homer Simpson
*Um país não pode ser levado a sério se não tiver a própria cerveja e uma companhia aérea. Ajuda se tiver um bom time de futebol e alguma armas nucleares, mas o mais importante é ter a própria cerveja.* – Frank Zappa
*A vida é muito curta para beber cerveja barata.*
*A fermentação foi a maior invenção do homem depois do fogo.* – D. Wallace
*Uma boa cerveja faz até um gato falar.* – Velho provérbio inglês
*A boca de um homem totalmente feliz está cheia de cerveja.* – Pensamento egípcio 2.200 a.C.
*Dê-me uma mulher que ama cerveja e eu conquistarei o mundo!* – Kaiser Wilhelm
*Eu recomendo pão, carne, vegetais e cerveja.* – Sófocles
*Muitas batalhas foram lutadas e vencidas por soldados lotados de cerveja.* – Frederico, o Grande
*É uma pena que todas as pessoas que sabem como governar o mundo estão neste momento ocupadas tomando cerveja.* – G. Beerns
*Cerveja é simplesmente uma maneira engraçada de ficar sério.*
*Pessoas boas bebem boas cervejas.* – Antigo provérbio celta
*Cerevisia marolum… Divina medicina* (Um pouco de cerveja é uma medicina divina – Paracelsus, físico do séc. XVI
*Cerveja é a única realidade virtual de que preciso.* – Lockhorn
*Cerveja é o melhor remédio.* – Provérbio alemão
*Nós cervejeiros não fazemos cerveja, apenas misturamos os ingredientes e como mágica ela se faz sozinha.*
*A cerveja traz felicidade, enquanto a água te deixa molhado.* – L. Wilson
*Eu bebo, para a alegria geral da… mesa toda!* – William Shakespeare, McBeth
*Um homem que só bebe água tem um segredo a ocultar de seus semelhantes.* – Charles Baudelaire
*Todo mundo precisa crer em algo… Creio que preciso de outra cerveja!*
*Eu aproveitei mais da cerveja do que a cerveja se aproveitou de mim.* – K. Floyd
*Cervejas! Nas vitórias é merecida, nas derrotas é necessária!* – G. Nathan
*A penicilina cura os homens, mas a cerveja é que os torna felizes!* – D. Daye
*A cerveja não faz as pessoas fazerem as coisas melhores. Faz com que elas fiquem menos envergonhadas de fazê-las errado.* – O. Khayam
*Economize água. Beba cerveja!*
*A cerveja e a cachaça são os piores inimigos do homem. Mas o homem que foge dos seus inimigos é um covarde.* – Zeca Pagodinho, sambista e sangue-bom

[Oferecimento: Alfarrábio]

Crash no Buteco

Clique na imagem para ampliar!
( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Bicarato

( Publicado no Alfarrábio em 03/10/2008 )

Ok, você não tá entendendo nada dessa crise lá nos estêites, com o povo falando em bilhões, trilhões de dólares como se fosse uns trocados, os bancos caindo como peças de dominó… Tudo bem, não precisa se desesperar. O Sérgio Pamplona, lá no blog do Azenha explica como é que a coisa aconteceu.

O buteco do Biu

Tudo começa no “Buteco do Biu”. É assim: o seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bebuns e quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito e o aumento da margem para compensar o risco). O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia. Uns zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, PQP, TDA, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer. Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu). Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países. Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência.

Um brinde ao ócio

Clique na imagem para ampliar!
( Publicado originalmente no blog etílico Copoanheiros… )

Adauto de Andrade

( Publicado no Legal em 04/04/2007 )

Plena terça-feira. Feriado na cidade de Jacareí – aniversário de 355 anos. Fomos agraciados com um dia de descanso no meio da loucura burocrática que usualmente nos afoga.

Moro na cidade vizinha, onde o comércio funcionou normalmente e “aproveitei” (lema da Dona Patroa) para fazer inúmeras coisas. Desde providenciar algumas “cópias para avaliação perpétua” de alguns DVDs para um amigo, passando pela compra (e armazenamento – na pá!) de meio metro de areia, bem como levar o carro no mecânico, procurar e comprar algumas peças para restauração, levar os filhotes para escola (pelo menos um dia de folga também para a Dona Patroa), até outras compras e tarefas básicas – e eis que me deparei com as duas da tarde.

O mecânico pediu para que eu lhe ligasse lá pelas três, então teria uma hora para matar pela frente.

Com o calor que está fazendo (sei lá, uns 35 graus?) e já suando em bicas, decidi passar essa hora “proseando” com uma loura. Gelada. Estupidamente gelada.

Das diversas opções à minha frente, restaurantes, bares, happy-hours e outros, decidi por um resgate à simplicidade. Um mero boteco em pleno centro comercial de São José dos Campos, próximo do velho shopping e da antiga Câmara Municipal.

Boteco mesmo. Com ovos cozidos na estufa e garrafas empoeiradas de cachaça espalhadas por todas as paredes.

Aliás, essa é a melhor maneira de se tornar total e completamente invisível. Ninguém olha pros capiaus que estão num lugar como esse.

– Pode fumar aqui? – o atendente me olha com uma cara de incredulidade. Tolo que fui. É LÓGICO que pode.

Passei a hora seguinte sentado ao balcão exercendo a mais doce arte do ócio. Sem pensar no passado, presente ou futuro, simplesmente vendo o movimento de pessoas na calçada enquanto me refrescava com uma Brahma (royalties, please) ignorantemente gelada. Acendi um cigarro.

Após a primeira baforada, comecei a prestar mais atenção no desfile humano que passava a minha frente. Inúmeras moças, moçoilas e senhoras, todas com pressa e certeza de que têm que chegar logo a seu destino – seja ele qual for. Em comum entre elas somente o fato de que quase todas estão “na moda”, usando aquelas sandálias, chinelos e tamancos plataformas. Coisas gigantes. Ainda bem que não nasci mulher. Certamente eu cairia daquele troço no primeiro passo.

Passam dois ébrios, um mais encardido e encachaçado que o outro, com os tradicionais cachorros vira-latas os seguindo (alguém sabe explicar esse mistério?). Pelo menos nenhum deles veio me pedir um real para “ir” sabe lá Deus pra onde.

Um carro com um equipamento de som potentíssimo passa na rua, democratizando a todos que não querem ouvir uma música de qualidade muito abaixo do nível do discutível. Outra indagação de cunho universal se faz presente: por que desses caboclos que gastam milhares – sim, milhares – de reais para colocar um equipamento de som desses num carro, nenhum deles têm sequer um mínimo de bom gosto cultural? Não sou nenhum expert na área musical, mas conheço o suficiente para saber que “tô ficando atoladinha” não é nenhum clássico da MPB ou do rock progressivo mundial.

Dois policiais militares passam eu suas motos. Alguém se lembra de CHiPs? Pois é. Totalmente diferentes. Sob suas fardas e coletes à prova de balas (sinal dos tempos), devem estar derretendo com esse calor.

Encho meu copo e acendo outro cigarro.

Como já trabalhei nos mais diversos lugares e profissões, desde entregador de jornais, bicicleteiro, “fazedor” e “entregador” de salgados, passando por bancário, funcionário público, e até mesmo junto à redação de jornais locais e agências de publicidade, conheço MUITA gente. Mais do que sou capaz de lembrar. E dos inúmeros rostos que passam pela minha frente, muitos são de velhos conhecidos, que, em algum momento, pertenceram ao meu passado.

Dentre esses, vejo passar, todo apressado, um rapaz que foi meu funcionário. A última notícia que tive dele foi que assumiu a gerência de uma agência bancária. Está engravatado e com uma camisa de mangas compridas. “Quente”, penso eu. E velho. Marcas de constantes preocupações e estresse estão bem delineadas em sua face. Cabelo grisalho. Ar de cansado.

Mas, como disse, estou invisível e ele não me vê. Pergunto-me intimamente se também não estou tão velho e marcado como ele, apesar de meus parcos 38 anos.

Uma criança, com sua jovem mãe (quanto terá? apenas de uns 16 a 17 anos?) passa saboreando uma espiga de milho verde. Um negro, rastafari, camiseta estampada com uma foto do Bob Marley, passa com um estampado ar de dignidade. Alguns executivos se vangloriando do quão bons eles são, logo são seguidos por algumas prostitutas discutindo quem sairá na próxima etapa do Big Brother.

Um pequeno interlúdio para atender um amigo que me liga no celular, contando uma das inúmeras desventuras que sempre encontra no mister de sua profissão. Hilário. Inenarrável. Mas, ainda assim, hilário.

Mas o desfile continua e meu tempo vai chegando ao fim.

Acendo outro cigarro.

Crianças suando, dormindo no colo de suas mães. Portadores de deficiências (desculpem-me, não sei qual o “termo politicamente correto” em voga) passam lentamente. Quarentões, barrigudos, cobertos de correntes “de ouro”, com suas camisas abertas até o umbigo, mesclam-se com patricinhas e office-boys apressados. Um sujeito que parece saído de uma festa country – ostentando uma gigantesca fivela em seu cinto – pára, tira o chapéu, enxuga o suor da testa, enquanto aguarda alguns momentos para seu cavalo defecar bolotas em plena via pública.

Mesmo assim, o show de horrores e maravilhas continua incessantemente.

Mais rostos conhecidos desfilam à minha frente – alguns me fazem lembrar de nomes e lugares, outros não. Mas minha hora de ócio está praticamente no fim.

No decorrer dessa hora não me tornei mais sábio ou mais inteligente. Não desvendei os segredos do universo, nem tampouco me tornei um ser humano melhor.

Mas, no decorrer das duas cervejas que tomei, tive um momento de sobriedade na vida, constatando quão efêmera ela é.

Estamos aqui de passagem. Invisíveis, apenas observando ou correndo, efetivamente participando. Podemos assumir um papel ativo ou passivo no decorrer das coisas.

Particularmente, creio que o caminho do meio ainda é o melhor. Um pouco de cada. Acho que seria a melhor maneira de não desperdiçar nosso tempo.

E encerro meu relato sob a discussão acalorada de duas meninas que procuram decidir qual seria o melhor meio de retocar a tatuagem de uma delas, enquanto meu vizinho de balcão chuta o cesto de lixo em meus pés e corre para o banheiro (o qual, aliás, é como qualquer banheiro de qualquer boteco).

Minha última imagem?

A passagem de um saltitante pequerrucho, de uns dois anos, segurando a mão de sua mãe, divertindo-se a valer com sua bexiga, fazendo de conta que era um balão.

Esperança. Imaginação criativa. De fato, estas ainda são as melhores opções!