Evangélico, eu?

Comecemos pelo princípio. Minha querida, amada, idolatrada, salve, salve Dona Patroa faz parte de um Pequeno Grupo da igreja evangélica que ela frequenta e, para fins de estudar a Bíblia, praticamente todas as sextas feiras eles se reúnem – e não me venham com críticas, pois em tempos de pandemia a reunião é virtual, tá o seus incréus!

Dia desses o foco do estudo foi a oração do Pai Nosso. Aqueles que a conhecem poderiam perguntar: “mas o que há para estudar numa oração tão curtinha que todo mundo já sabe de cor e salteado?”… Para de perguntar, ô criatura! Eu vou chegar lá. E a questão, na minha opinião, é exatamente essa. Esse Pequeno Grupo realmente se preocupa em compreender o conteúdo daquilo que professam.

Diferentemente da igreja católica, que acabou promovendo um Grande Cisma em decorrência principalmente das bulas papais – a história na realidade é bem mais complexa, mas basicamente essas bulas seriam “cartas de graças ou indulgências” por atos meritórios ($$$) -, as igrejas evangélicas de um modo geral parecem seguir mais o conteúdo dos Evangelhos do que o rastro do dinheiro.

E entendam que quando falo de igrejas evangélicas estou me referindo àquelas que verdadeiramente estão preocupadas e voltadas aos ensinamentos de Cristo e não aquelas reuniões caricatas para “expulsão do demo” ou para venda de canetas e vassouras “consagradas” pela bagatela de mil reais a unidade. Isso, para mim, juridicamente tem outro nome. E moral e pessoalmente tem um ainda pior, mas este aqui continua sendo um blog de família e me recuso a transcrever palavras (muito) chulas neste nosso espaço virtual.

Mas, para variar, estou perdendo o foco. Estávamos falando da oração do Pai Nosso. Comecei a pensar nisso tudo ao me pegar ainda hoje, quase dormitando, naqueles últimos momentos de sanidade enquanto o sono vai nos inebriando e começando a tomar conta da gente e que, no modo “piloto automático”, fiz minhas preces – que se resumem a recitar mentalmente as orações da Ave Maria e do Pai Nosso. É um hábito que adquiri há muito, muito tempo, da época de adolescência em que ainda era frequentador da igreja católica.

E então tive um momento de lucidez (e lá se foi o sono pelo ralo abaixo!) e perguntei para mim mesmo: “mim mesmo, qual é o porquê disso?”, quero dizer, por que repetir mecanicamente determinadas “fórmulas” e acreditar que nisso aí estaria a salvação? No fundo, no fundo, como eu disse, é mais um hábito que uma convicção, pois na prática – ainda que participe e comungue da fé de muitas – não frequento nenhuma igreja ou grupo religioso, pois ainda prefiro um bom proseio sem intermediários (como já lhes contei aqui e aqui)…

E isso me fez lembrar que as “novas bulas papais” já estão inseridas no contexto da igreja católica há tempos, na forma dos confessionários e a nova moeda seria a quantidade de reza e não a qualidade da oração. Pecou? Ora, não se preocupe! Seus problemas acabaram! Vá até o confessionário, ouça um entediante sermão e retire seu boleto de rezas! Mentiu? Dez ave marias! Roubou? Cinquenta pai nossos! Traiu? Trinta terços completos e suba de joelhos os 382 degraus da Escadaria da Penha! E pronto! Tá tudo resolvido, pois lavou, tá novo: a alma tá lavada e novinha em folha para os próximos pecados!

Tá, é exagero, eu sei, mas eu sou assim mesmo, fazer o quê? “Vocês sabem que não posso resistir ao dramático”… Aliás, disso tudo o terço me parece ainda mais inócuo agora que parei para pensar. Você recita dezenas de vezes as mesmas fórmulas sem se ater a uma só palavra do que está repetindo! Isso é reza, não é oração… Lembro-me de uma vida que já não mais me pertence que das diversas vezes que já participei de novenas, minha boca se mexia em consonância com todas as demais, mas a minha alma e pensamentos divagavam em outras plagas bem distantes de onde eu estava.

Antes de encerrar, quero que entendam que não vim aqui para ofender nenhuma igreja, religião, grupo, congregação ou seja lá como for que se autodenominem. Este texto simplesmente traduz meu modo de ver as coisas e não tem nada do que escrevi que já não seja do conhecimento e entendimento até mesmo do reino mineral…

E mesmo que eu esteja falando do Evangelho, também é bom deixar claro que na verdade nenhum livro, qualquer que seja, teria a capacidade de trazer um “manual para a vida”. Não existe “receita de bolo”. Temos, sim, que pensar muito, interpretar muito, compreender seu conteúdo e ter o tirocínio pessoal acerca de sua aplicabilidade ou não nesta nossa existência terrena. E conviver com as consequências de nossas decisões.

Enfim, o que eu estou tentando lhes dizer é que acho incrível a atitude desse grupo de pessoas que dedicou mais de uma reunião para estudar uma oração que pode ser repetida em menos de um minuto (cerca de sete segundos se for rezando o terço), pois eles não estão preocupados em simplesmente seguir o conteúdo do Evangelho, mas sim em compreender as palavras de Cristo.

E creio que talvez seja nisso que estaria o que realmente diferencia esse Pequeno Grupo dessa longeva dicotomia assimétrica que tanto caracteriza a distinção entre católicos e evangélicos, pois eles não se enquadram em nenhuma “definição clássica” para nenhum desses grupos, pois eles são simplesmente o que são: cristãos.

Simples assim.

E após todas essas elucubrações mentais que me vieram à tona (e acabaram com meu sono), para que não digam que não lhes deixei uma mensagem de Páscoa, então lá vai! 😁

Twitescas

E eu aqui pensando nas tranqueiras que já aprontamos… Quando eu era um mero adolescente e você, Carlão, meu primo, era um jovem inconsequente… Faleceu cedo, fiadaputa, mardito câncer, mas deixou tantas saudades… Quantas viagens, quantos passeios, quantos porres homéricos, quantas cantadas inconsequentes, quantas danceterias, quantos parquinhos nós já não fomos naquele raio de moto TT 125 e nos divertíamos tanto naquela longínqua década de oitenta! Eu tinha uns 15, você uns 30, mas nossas idades não eram compatíveis com nossas almas! E ainda assim éramos almas gêmeas… Trinta e tantos anos já se passaram, mas ainda sinto como se tivesse sido ontem! Que falta lhe sinto… Teríamos tanto, mas TANTO pra prosear… O mundo tá cada vez mais pequeno e as pessoas que realmente me importam teimaram em ir embora mais cedo do que deviam… Que saudades docê primo Carlão!

Tudo por um brinco?

Então.

Estávamos na década de oitenta.

Tudo era proibido, tudo não era permitido e tudo era maravilhoso.

Nossa função, enquanto adolescentes era de compurscar esse limite que nos era impingido.

Daí eu tinha meus 14 anos e fiz uma tatuagem. Daí eu tinha meus 14 anos e furei a orelha. Brinco. Contestadores de fundo de quintal. Escondidos dos pais. Sim, esse era eu.

Cai o pano.

Trinta anos se passaram. A tatuagem ainda estava lá (um lixo, confesso, eu a fiz quando tinha 14 e 70kg, aos 50 e 105, ficou MUITO diferente…) e o furo na orelha ainda presente. Quase tapado.

Boteco. Pé sujo. Eu encontro com meu amigo Flávio. “Cara, o dia que você encontrar um brinco igual a esse que você usa, me avisa. Eu quero. Assim, argola.”.

Na hora: “Este?” Meteu a mão na orelha e tirou o próprio brinco. “É seu.” Só me restou, entre descrédito e estupefato: “Cumassim????”. Ele mo deu. O brinco. “É prata espanhola. Cuida bem dele”. Quase não acreditei. Foda-se se é prata espanhola ou não, meu amigo tirou ali, na hora, o que estava usando e me deu. Do nada. É meu maior tesouro.

Flávio se foi. Pra sempre. Talvez um dia nos encontremos, ou não. Depende de nossa fé. Mas o brinco está comigo. Meu maior tesouro. Cuido dele como Jack Sparrow cuidava de sua bússola. A cada dia que eu o coloco, lembro-me de meu amigo. E sempre me pergunto: “O que ele faria nesta situação? Como ele iria se livrar desta encrenca?” Vejo o tempo passar e ele a me ajudar, ainda agora, depois de seu tempo passado, pois consigo ver seu sorriso infantil, seus olhos brilhantes e sua gargalhada contagiante a me orientar.

Obrigado, Flávio. De minha vida inteira eu posso contar nos dedos de uma mão quem foram meus melhores amigos. E todos já se foram. Mas você, dentre poucos, ainda continua presente, meu indicador e meu orientador. Continuemos juntos. Sempre.

Até já…

Pais sendo pais…

É certo que nós pais sempre, SEMPRE, nos preocuparemos com nossos filhos. Não importa a idade que tenham. Mas algumas situações acabam sendo pra lá de inusitadas! Confiram este pequeno rol que encontrei lá no Instagram de O Lado Bom das Coisas


E hoje que fui no meu pai e ele “E aí, como vão os trabalhos de escola?” (Ele quis perguntar do meu Mestrado).


No último aniversário de minha avó, 98 anos, liguei para ela e perguntei se ia ter festa. Ela respondeu: “não, minha filha, só as meninas é que vêm merendar aqui.” As meninas são as filhas dela, 77, 76 e 74 anos.


Eu passei na residência e quando fui fazer a matrícula meu pai perguntou se ele ou minha mãe precisavam assinar algum documento lá. Eu tenho 24 anos e quase dois anos de formada.


Minha bisa todo dia me dando dinheiro para eu merendar (estou no 5º período da Faculdade). Eu acho a coisa mais fofa!


Meu pai pergunta todo dia o que eu comi no recreio ou se levei lanchinho. Tô na Faculdade…


Eu estava explicando pra minha mãe que estava meio estressada negociando faltas porque adoeci mas não tinha atestado, aí ela deu a sugestão: “Não tem como falar com a diretora não? Se precisar eu falo com ela.” (Estou fazendo Doutorado).


E meu pai que pediu o boletim, eu estando na Universidade, e ainda perguntou quando era a reunião de pais…


Quando comecei na Faculdade fui morar com meus avós e meu avô preparava o meu lanche e ia me levar na facul todas as manhãs. Uma fofura!


Na minha formatura minha mãe achou que ela também iria pra Aula da Saudade. Eu disse: “não, mãinha, vai ser só minha turma mesmo”. E ela: “ôxe, e não vai ter nenhum adulto nessa festa não?”


Tenho 26 anos e quando eu ia para a academia (antes da pandemia) meu pai dizia que eu ia para Educação Física.


Minha mãe até hoje manda quentinha pra mim porque acho que passo fome porque moro sozinha.


Mâmis já foi na Faculdade para conversar com uma professora!


Meu pai até hoje pergunta se eu paguei a mensalidade do “colégio”. Estou quase concluindo minha graduação…


Meu vôzinho uma vez me deu R$50,00 dizendo que era para ajudar a pagar minha Faculdade (faço Mestrado em uma instituição pública). Achei a coisa mas linda do mundo!


Meu pai falava que “a perua chegou”. Era a van da empresa; eu já tinha mais de 20 anos.


Eu faço graduação EAD (Ensino à Distância) em casa e toda vez que me levanto para esticar as pernas um pouco minha mãe fala: “aproveita que está no recreio e come alguma coisa”.


Meu pai fala que eu saí com uma amiguinha. Tenho 38 anos.


Minha mãe passou a minha Faculdade inteira chamando o intervalo de recreio. Quando eu ia de short (aos sábados) ela falava que a diretora ia chamar minha atenção.


Minha vó, brava porque eu vou mudar de cidade para fazer o Doutorado, ligou para minha mãe: “Como é que você vai deixar a menina mudar de cidade, quem vai cuidar dela lá?”


E meu pai que me manda ter cuidado pra atravessar a rua. Tenho 32 anos.


Minha mãe trabalha em uma papelaria. Quando chega no começo do semestre ela me traz cadernos do Snoopy, da Minie, canetas coloridas… Vou para Faculdade parecendo criança!


Já comigo, eu tirando plantão noturno, minha mãe me liga às duas da madrugada e pergunta se eu não vou dormir porque tá tarde.


Meu vô esperava todo dia meu ônibus da Faculdade pra me dar tchauzinho. Todo mundo do busão dava tchau pra ele! Ele é o amor da minha vida!


Meu pai, a cada domingo que vou pra lá (ele mora no interior), me oferece Danoninho. Eu tenho 25 anos e sou casada há sete…


E, mesmo fugindo um pouco do tema, eis mais um pra fechar essa lista com chave de ouro (juro que me identifiquei):

“Meu pai subiu em cima da mesa para trocar uma lâmpada e minha mãe achou ruim e brigou com ele. Alexandre, adulto, pai e advogado apresentou um argumento muito maduro e convincente para minha mãe parar de brigar, que foi: AH, EU NÃO POSSO, MAS O GATO PODE???”

E vocês? Alguém tem alguma história assim para contar? Fiquem à vontade para compartilhar aí nos comentários! 🙂

Plantinhas

Como eu já havia comentado antes, A Dona Patroa se tornou uma viciada em suculentas! E não, não é nada dessa besteira que você pensou aí, não! É que no ano passado ela resolveu que iria presentear a cada uma das mães lá da Igreja Holiness com um vasinho de suculenta e então, desde dezembro, começou a cultivá-las. Apenas algumas dezenas já seriam o suficiente. Mas veio a pandemia, o isolamento, o Dia das Mães chegou e passou e as suculentas continuaram aqui em casa. Inclusive se multiplicando. E ela se encantou com sua variedade. E ela arranjou mais suculentas – “Ah, desse tipo eu ainda não tenho!” – e o negócio foi se aumentando cada vez mais. E eis que na última contagem que fiz ali na varanda (já há alguns meses) tínhamos nada menos que 166 vasinhos de suculentas! É ou não é um vício?

E eis que descobri que o Fábio Coala, um excelente cartunista/chargista/desenhista/artista (ou seja lá como queira ser chamado) tem o mesmo tipo de “problema” em casa, pois a Senhora Coala também é uma amante de plantinhas, mudinhas e outros quetais, o que rendeu – até o momento – uma série bem divertida do que é o dia a dia com essas adoráveis criaturas que têm o “dedo verde”…

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