Velhas paixões não morrem jamais

De fato.

Ou, no mínimo, são muito difíceis de morrer.

Ou de matar.

Depende da ótica.

Ou do que se queira.

Por mais que se sonhe com isso…

Assim acontece com o chamado heavy metal, gênero musical que permaneceu vivo nos limiares de minha consciência durante anos a fio e foi “redescoberto” graças ao entusiasmo e dedicação do amigo Bellini.

Te devo essa, cara!

Para quem não sabe – ou não acredita – o heavy metal é simplesmente um tipo de música, nada mais nada menos que uma variação do bom e velho rock’n roll. Seus precursores podem ser encontrados nas pessoas de, por exemplo, The Who, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Jeff Beck, Deep Purple, Uriah Heep, dentre outros. Nas palavras de Krusher *, DJ, Designer e Jornalista:

“É um som pesado, sabe, é isso que é para mim… e toda essa besteira sobre novo metal e o imo metal, fucking metal, doom metal, death metal, todo tipo de metal! Mas que droga, é metal, é rock’n roll! É isso o que é na verdade. No fim das contas é apenas rock’n roll…”

Curioso é que, até onde se sabe, o termo heavy metal foi cunhado de forma pejorativa, no início da década de setenta, por um crítico ao referir-se a um dos primeiros álbuns do Black Sabbath, pois teceu um infeliz comentário dizendo que, na sua opinião, aquilo que ouviu não era música, não podia sequer ser chamado de rock pesado (heavy rock), soava mais como um monte de metal pesado (heavy metal) batendo e rangendo entre si. Como sempre , o tiro saiu pela culatra e não só aquele novo tipo de música como o próprio termo recém-inventado caiu no gosto do povo…

Aliás, provando que gambiarra que é gambiarra sobrevive no tempo, sobre esse “álbum inovador” com um tipo de música e batida diferentes, Geezer Butler *, baixista do Black Sabbath, já esclareceu o seguinte:

“O orçamento era mínimo… eu acho que eram 500 libras para fazer o primeiro álbum. Então não dava para comprar cordas novas. Eu tinha três caixas que funcionavam com um gabinete 4 por 12, então todo o equipamento estava caindo aos pedaços… e eu acho que foi isso que deu aquele tipo de som distorcido. E as peles da bateria do Bill não eram trocadas há dois anos e ele tocava com baquetas pela metade porque não podia comprar novas.”

Ou seja, eles baixaram a afinação da guitarra em meio tom para fazer a guitarra soar mais pesada (heavy) e tocavam mais devagar. Com isso a música ficou mais “destruidora”. Esse estilo totalmente diferente do que era ouvido à época, somado às letras pseudo-satânicas de Ozzy Osbourne, acabaram por funcionar como um elemento de contracultura face à uma sociedade conservadora.

De qualquer forma é um gênero de música que pegou e já tem filhos e netos. São inúmeras as divisões e sub-gêneros existentes, desde os mais melódicos até os mais pesados.

De um modo particular gostei de recentemente ter conhecido o chamado Symphonic Metal, que tem ponto forte nos vocais, sem deixar de lado os tradicionais riffs da guitarra, com aquela “pegada” pesada. Comecei com o Therion e neste exato momento estou ouvindo (e conhecendo) o Epica – mas continuo preferindo o Nightwish!

Apesar de tudo, não deixo de também apreciar (ou pelo menos suportar) outros gêneros de músicas, praticamente de todos os tipos e com uma quedinha pela música de raiz, aquela música da roça mesmo, estilo Rolando Boldrin. Perdoem-me aqueles que preferem, mas deixo totalmente de fora a música sertaneja (sertanojo ou de dor-de-corno), pagode em geral e funk em particular…

* Trechos obtidos no documentário Heavy Metal – Louder Than Life, da Focus Music.

2 thoughts on “Velhas paixões não morrem jamais

  1. Não sei se é porque estou ficando meio velho, mas para mim o heavy metal atual, com todas as suas variações de nomenclatura, não se compara aos velhos dinossauros: Sabbath, Iron Maiden, Deep Purple, Uriah Heep, AC/DC, Led Zeppelin. E o interesante é que a maioria deles ainda está na ativa, para nossa sorte.

  2. Com certeza! Mas não atribua essa “aversão” aos seus recém-completados quarenta… Eu mesmo vinha ouvindo somente os clássicos até há pouco tempo, mas “aprendi” a dar uma chance para outros conjuntos mais recentes. E, repito, o Nightwish é tudo de bom…

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