República de Sete Lagoas

Pensei em classificar esse texto na categoria “Juridiquês“, mas, dado o absurdo da coisa, percebi que de tão bizarro ele se enquadraria melhor em “FEBEAPÁ”…

Somente para situá-los, caros leitores, a Lei nº 11.340/2006, conhecida como “Lei Maria da Penha”, foi um marco na defesa à mulher, eis que não só criou instrumentos para ajudar a coibir a violência contra a mulher no lar como também aumentou o rigor nas penas para esses tipos de agressões.

Creio que seja desnecessário ressaltar que, ainda que apregoem o contrário aos quatro ventos, na realidade vivemos, sim, numa sociedade machista, preconceituosa e dada a descalabros inomináveis.

Pois bem.

O juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, da Primeira Vara Criminal e de Menores de Sete Lagoas, simplesmente negou a vigência da Lei em sua comarca. Considerou a Lei absurda e inconstitucional, afirmando que “o mundo é masculino”. Segundo ele, que vê na Lei “um conjunto de regras diabólicas”, ressaltou o seguinte: “Ora, a desgraça humana começou no Éden: por causa da mulher, todos nós sabemos, mas também em virtude da ingenuidade, da tolice e da fragilidade emocional do homem (…) O mundo é masculino! A idéia que temos de Deus é masculina! Jesus foi homem!”.

Enfim, dentro de sua convicção, parece que sua comarca não faz parte do ordenamento jurídico vigente no resto do país, pois tem sistematicamente rejeitado pedidos de medidas contra homens que agrediram e ameaçaram suas companheiras.

As notícias que li falam muito mais, porém não tive estômago para reproduzir a quantidade de disparates desse dito “juiz”.

E pensar que um sujeito como esse está por aí, solto, decidindo sobre as vidas das pessoas…

Próclises, ênclises e Ruy Barbosa

Participo de uma comunidade no Orkut chamada Salvem a Língua Portuguesa!!! e de quando em quando dou uma passadinha por lá. Vejam alguns trechos selecionados de uma “discussãozinha” que se deu em 17/10 (transcrevi ipsis litteris):

F:

Uma amiga na sala estava lendo uma redação e……
Ela gritou: Nossa! Que cara burro! Vem ver professora, ele escreveu ” faça” com “ç”!
hauhuhauhauhauhauahuahuahuahuahuahuahuahuahuahuahuahuahuah
8ª série com um erro desses, credo!
Outra: Minha professora disse:
-Me entreguem as provas para eu corrigí-las!
Aí um bobão gritou:
-HAHAHA! “Para eu!” HAHAHAHAHA! Você que é professora de português fica errando?

P:

Felippe et al:
Há, sim um problema na frase a seguir:
-Me entreguem as provas para eu corrigí-las!
Na verdade, dois.
i. Não se inicia período com pronome oblíquo (“Me entreguem…”);
ii. Não se usa ênclise em final de frase (“… corrigi-las”).
“Consertando” a frase, ficaria:
– Entreguem-me as provas, para que eu as possa corrigir.
Obviamente, ninguém (A não ser Ruy Barbosa) falaria assim.
E, se falasse, ninguém entenderia…

R:
Só uma observação…
O fato de a ênclise estar de forma inapropriada no período em questão, se dá pelo fato de que o pronome pessoal reto “eu” serve como uma espécie de atrativo, propondo a próclise; e não pelo fato de estar no final da frase. Exemplo de ênclise em final de frase: “Dê-me as provas, preciso corrigi-las.”.
E concordo com a parte do Rui Barbosa!! hehehe

M:

Nossa …
Fiquei confusa….
1 – Faça não é com ç???
2 – só o “para eu” estava certo….e é justamente isso que você acha que está errado???
não entendi nadinha….

M2:

O “eu” não é palavra atrativa obrigatória então é facultativo usar próclise ou ênclise.
Frase pode sim acabar com ênclise, desde que o verbo não esteja no futuro, onde só se pode usar mesóclise.
Mas como (tirando o caso do futuro) qualquer palavra pode ser atrativo, na dúvida coloque uma palavra antes do verbo e vá de próclise!

F:

e quem é Ruy Barbosa?

Nesse ponto eu desisti de continuar lendo…