SL resiste – e avança!

Há mais de um ano eu já havia dado uma passada d’olhos sobre o assunto (o artigo está em algum lugar aqui no blog…), mas agora o enfoque é outro. A notícia com detalhes pode ser encontrada na última edição da Carta Capital, mas basicamente diz que “a Receita Federal suspendeu um leilão para a compra de 40,8 milhões de reais em licenças para programas de computador”. Bem, quero crer que por “leilão” deva ser entendido “licitação”, que é como os órgãos públicos usualmente adquirem bens e serviços.

Esses 40,8 milhões (sim, TUDO ISSO mesmo) seriam utilizados para adquirir licenças para o uso de programas do pacote Office, da Microsoft – que está presente em 99,9% dos microcomputadores espalhados por aí. E provavelmente 99,9% desses 99,9% sejam piratas. Não importa se dentro de casa, em empresas particulares ou mesmo órgãos públicos. A maioria foi instalada sem a “aquisição” da licença. O SEU próprio sistema, caro leitor, também deve estar sem licença…

E o que isso significaria? Ultrajante usurpação dos direitos da Microsoft? O escambau! Se eles realmente quisessem, praticamente ninguém conseguiria copiar ou destravar um software – qualquer que seja. Mas é muito mais cômodo oficialmente fazer cara de mau, enquanto que, em off, permite-se copiar descaradamente seu próprio programa. Se assim não o fosse, jamais teria se tornado o padrão no mercado. A mesma regra vale para o sistema operacional em si, o próprio Windows.

Pois bem. Voltando ao tema, parece que essa nova postura da Receita Federal seria influência do novo Presidente do Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), o sr. Marcos Vinícius Mazoni. Ainda que saiba que a transição será difícil, tudo indica que continuará nessa linha.

Repito algo que já disse antes, se não aqui, com certeza nas mesas de botecos da vida. O Software Livre (que apesar de ser free, não necessariamente significa que seja gratuito) não vai resolver todos os problemas das pessoas. Em alguns casos, somente o software proprietário é que (ainda) teria as soluções para o dia-a-dia dos usuários. Mas essa diferença vem diminuindo radicalmente. Entretanto há que se ter um pouco de boa vontade, também. Não digo que se deva fazer vista grossa ao que não funciona ou ao que é ruim – pois nesses casos há que se criticar, mesmo. Mas simplesmente baixar a guarda e trabalhar focando mais em seu produto final e não no meio pelo qual vai se chegar a ele. É como dirigir. Ainda que você já tenha dirigido a vida inteira, mas repentinamente se vê obrigado a dirigir lá pelas bandas da Inglaterra (mão invertida), isso não significa que você nunca mais conseguirá dirigir. Pode até dar umas rateadas no início, mas – com certeza – não vai demorar a dirigir normalmente. E até com gosto! Software Livre também é assim, gente…

De minha parte, ainda que o sistema operacional lá do trabalho seja o Window$ (até porque veio pré-instalado na máquina), mesmo assim só tenho usado complementarmente SL – em especial o Firefox como navegador de Internet e o OpenOffice como editor de textos, planilhas, apresentações, etc. E, diga-se de passagem, sem nenhum problema de conflitos…