Bem-vindos ao mundo do Xeque-Mate!

O conceito de organizações governamentais ultra-secretas que nos protegem do mal reverte às próprias raízes das histórias em quadrinhos. Antes de existirem as revistas em quadrinhos, havia os pulps – revistas de contos policiais e de terror, editadas em papel de preço muito baixo, que apresentavam todo tipo de combatentes do crime, os encapuzados, os do governo e outros (Sombra e Doc Savage são os que mais se destacaram nesse tipo de publicação). Mas, antes dos pulps, já existiam os chamados penny-dreadfuls (misto de romance e conto nascido na Inglaterra que, depois, levado aos Estados Unidos, acabou dando origem aos pulps). Os penny-dreadfuls eram revistas semanais e quinzenais da virada do século que apresentavam ficções heróicas mais violentas. Uma forma de entretenimento carregada de ação, com aventuras bastante romanceadas de mitos da história, como Buffalo Bill Cody, Jesse James e até Teddy Roosevelt, ou de personagens totalmente fictícios como Nick Carter. As revistas em quadrinhos, portanto, evoluíram indiretamente dos penny-dreadfuls (um aparte: o título de uma das revistas mais populares da DC nos anos 60 e 70, The Brave and The Bold, originalmente era usado como nome de um penny-dreadful.

Esses três tipos de publicação apresentavam como tema aventuras heróicas. Parece que nós queremos ter certeza de que alguém lá fora está nos protegendo. E muita gente acredita que o governo deveria se esforçar para fornecer essa proteção. Pense nisso: James Bond, o agente secreto X-9, Nick Carter, Napoleão Solo… nossa cultura popular está abarrotada de agentes do governo que são superpoliciais.

Mais recentemente, tivemos muitas histórias mostrando como o governo lida com tais elementos. Você já leu sobre isso em aventuras do Capitão Átomo, Esquadrão Suicida, Lendas e muitos outros títulos (o exemplo mais famoso é a influência do governo sobre Super-Homem em O Cavaleiro das Trevas).

Assim como o Esquadrão Suicida representa os esforços do governo em recrutar criminosos para realizar o serviço que lhe cabe (isto é, proteger a sociedade), Xeque-Mate representa os esforços do governo em recrutar heróis. Para os membros do Xeque-Mate, as missões são só um serviço (mas um serviço que precisa ser feito), onde cada agente realiza suas aspirações pessoais a fim de transformar o mundo num lugar melhor.

Vai ser um trabalho bem duro para essas pessoas, mas para nós, leitores, será, no mínimo, emocionante. Você encontrará muitas referências ao Vigilante (Adrian Chase), o ex-juiz que trabalhava para a agência de Harry Stein antes de sucumbir às pressões de sua própria vida.

O policial reformado da cidade de Nova Iorque, Harry Stein, dirigia uma agência federal sem nome, encarregada de neutralizar terroristas internacionais que se infiltrassem no território nacional. Atuava como seu braço direito, Harvey Bullock, um veterano do departamento de polícia de Gotham City. A organização já empregou muitas pessoas, incluindo dois agentes uniformizados de estabilidade emocional questionável: o já mencionado Vigilante e Christopher Smith, mais conhecido como Pacificador. Dizer que eles tinham uma “estabilidade emocional questionável” é eufemismo: o Pacificador é um louco comprovado, e o Vigilante entrou em profunda depressão e acabou se suicidando.

Como você pôde ver na história Jogada de Abertura (no Brasil publicada em DC 2000 nr 01), a agência conseguiu uma chance de entrar nos eixos. Agora, há uma nova superestrutura. A popular Amanda Waller, do famoso Esquadrão Suicida, um dos braços da Força-Tarefa X (o outro é o Xeque-Mate), está nos bastidores, de olho em tudo. Há uma equipe de agentes de campo totalmente diferente e até uma perspectiva mais urbana: a agência não ficará limitada à luta contra o terrorismo internacional.

Há, entretanto, uma peça atrapalhando o jogo. A personagem Espinho Negro não trabalha com Stein, porém, ela tem uma forte vinculação com a equipe: é compelida a prosseguir com a missão de Adrian Chase, ou seja, caçar criminosos. Nós sabemos muito pouco a respeito da Espinho Negro, mas, em edições posteriores, conheceremos mais fatos que explicam por que Stein e Bullock se preocupam tanto com ela.

A Equipe de Criação do Xeque-Mate

O argumentista Paul Kupperberg nasceu no dia 14 de junho de 1955, no Brooklin, Nova Iorque. Como a maioria dos jovens, Paul era um voraz leitor de quadrinhos. Quando conheceu Paul Levitz no Ginásio Meyer Levin, os dois se tornaram muito amigos, e essa amizado os lançou no caminho da fama. Os dois Pauls começaram editando e publicando fanzines, logo assumindo as rédeas da já consagrada revista mensal The Comics Reader. Por ser a mais importante e mais lida publicação dos bastidores de quadrinhos, ela levou o nome dos dois jovens ao conhecimento das grandes editoras americanas.

Paul Kupperberg deixou de ser fã para se tornar profissional da área quando vendeu sua primeira história à Charlton Comics em 1975 (publicado em Scary Tales nr 3, com arte de Mike Zech). Meia dúzia de histórias depois, ele recebeu um convite do editor da DC, Denny O’Neil, para escrever uma história para a série O Mundo de Krypton, na revista Superman Family (desenhada por Marshall Rogers). Ele passou a fazer roteiros para Asa Noturna (não confundir com o atual Asa Noturna, ex-Robin) e Pássaro Flamejante (que também não tem nada a ver com a Pássaro Flamejante das aventuras do Nuclear) e escreveu também várias histórias de mistério e guerra. A partir daí, Kupperberg fez uma tonelada de outros trabalhos. Seu primeiro título regular foi Aquaman, depois tornou-se o escritor de Showcase (a série da Patrulha do Destino e da Poderosa, bem como o famoso crossover gigante da Showcas nr. 100) e ganhou do editor Julius Schwartz toda a família de personagens do Super-Homem: Super-Homem, Superboy, Supermoça, a tirinha de jornal do Super-Homem e a mini-série do mundo de Krypton.

Mais tarde, Paul roteirizou a Tropa dos Lanternas Verdes (na revista Lanterna Verde), Vigilante e a mini-série do Pacificador. Fez também alguns trabalhos para a Marvel Comics, incluindo o Capitão América, a revista Crazy (uma concorrente da Mad) e dois romances do Homem-Aranha. Além de Xeque-Mate, escreveu a Patrulha do Destino, a mini-série da Poderosa e as histórias do Vingador Fantasma na revista Action Comics.

O desenhista Steve Erwin nasceu em 16 de janeiro de 1960, em Oklahoma. Ele foi praticamente autodidata, embora tenha estudado arte comercial na Escola Técnica Estadual do Oklahoma. Depois de se formar, entrou para o ramo da arte comercial, tendo vários trabalhos publicados. Estreou nos quadrinhos em 1985, na revista Grimjack, da First Comics. Ainda na mesma editora, ele usou seu talento para a graphic novel parcialmente gerada por computador chamada Shatter. Steve passou para Epsilon Wave antes de vir para a DC desenhar o Vigilante.

O arte-finalista Al Vey nasceu em 22 de abril de 1955, em Milwaukee, Wisconsin. Como Steve, Al é um autodidata, e os dois são realmente novos no ramo. Al Vey começou fazendo alguns trabalhos para fanzines e acabou conseguindo um emprego de assistente num estúdio de Milwaukee, o mesmo onde atuavam Jerry Ordway, Mike Machlan e Pat Broderick. Ele colaborava virtualmente em todos os trabalhos desses desenhistas.

Com mais experiência, Al passou a arte-finalizar as revistas DC, Os Renegados, Centurions, Corporação Infinito, Gladiador Dourado, Teen Titans Spotlight (edição que traz aventuras solo dos Novos Titãs), Super-Homem IV (o filme) e a Legião dos Super-Heróis. Também arte-finalizou Nexus, Psychoblast e outros títulos para diversas editoras. Xeque-Mate é a primeira série de histórias em que Al trabalhou regularmente.


Mike Gold
Texto publicado na revista DC 2000 nr 01

  (Publicado originalmente em algum dos sites gratuitos que armazenavam o e-zine CTRL-C)

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