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BIOGRAFIA DE JERRY SIEGEL

A primeira criação de Jerome "Jerry" Siegel para gibis foi o Super-Homem, o personagem quintessencial dos quadrinhos e bisavô de milhares de super-heróis, que desde então tomaram o meio. A carreira de Siegel foi assombrada pelo personagem desde sua concepção, em 1933, e sua primeira aparição no número um da revista Action Comics, da editora National Periodics, em junho de 1938. Siegel e o artista Joe Shuster, um amigo de infância, venderam o personagem por 130 dólares e receberam pouco mais a partir de então. Na verdade, Siegel gastou boa parte de sua vida adulta tentando inutilmente reconquistar um pouco dos direitos sobre o que é indiscutivelmente o personagem mais lucrativo dos quadrinhos.

Nascido em Cleveland, Ohio, em 17 de outubro de 1914, Siegel baseou frouxamente seu conceito de Super-Homem no romance Gladiator, escrito por Philip Wylie em 1930. A origem do Homem de Aço foi incorporada às tradições norte-americanas, naturalmente, e centenas de imitações o seguiram. Em retrospectiva, porém, o personagem de Siegel era único, pois mostrava um ser superpoderoso adotando o disfarce de um repórter tímido, Clark Kent. Os contemporâneos do Super-Homem costumavam ser humanos normais que se transformavam em super-heróis. As implicações psicológicas de sua criação têm sido estudadas há anos.

Mas, apesar de sua posição atual de destaque, o Super-Homem foi inicialmente rejeitado por todas as grandes agências de tiras de jornal da época. Somente em 1938, os editores da revista especializada em histórias policiais e de aventura, Detective Comics, compraram os direitos do Super-Homem e o publicaram na revista Action Comics: o personagem de Siegel e Shuster decolou imediatamente. Siegel continuou a trabalhar no herói até 1948 - com histórias que consistem em pequenas peças de moralidade. Sua caracterização do Homem de Aço era mais sóbria que a de escritores posteriores - e a disputa em torno da propriedade do herói se seguiu quase imediatamente. Até hoje, Siegel e a National (agora DC Comics) estão nos tribunais por causa do personagem.

Todavia, apesar de Jerry afirmar constantemente que foi incluído na lista negra da indústria de gibis por causa do processo contra a National, seu rol de créditos é tão longo quando o de qualquer um da área. Siegel trabalhou em muitas tiras de jornal - incluindo Super-Homem, Funnyman, Reggie Van Twerp, Ken Winston, Tallulah - e também foi o primeiro diretor de revistas em quadrinhos da Ziff-Davis. Mas muitos especialistas acham estranho que nenhuma de suas criações tenha alcançado sucesso prolongado. Muitos acreditam que, embora Siegel possa não estar na lista negra, talvez ele tenha sido punido constantemente por suas tentativas de reconquistar o Super-Homem.


Mário L. C. Barroso

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