Motorizando – parte XII

Para quem não lembra ou sequer chegou a conhecer, uma das “brincadeiras” que sempre fiz por aqui foi atualizar meus quase três e meio leitores acerca das movimentações da Frota Chevrolata em casa. Ainda que o Bilbo ainda continue por lá, firme e forte, resistindo… Inclusive ao meu agora habilitado filhote mais velho…

Tudo começou lá atrás, quando resolvi mostrar para vocês todos – mas todos mesmo – veículos que já tive na vida, começando por estes aqui.

Desde então, a cada atualização (ou, às vezes, “desatualização”) eu costumo vir aqui para compartilhar com vocês qual é a bobagem da vez.

Bão, acontece que até então estávamos com a Madame Zafira, de uso quase exclusivo da Dona Patroa, por uma questão de necessidades – simplesmente para que coubesse todo mundo! É que moramos juntos, na mesma casa, eu, a Dona Patroa, nossos três filhotes adolescentes e o meu sogro-japonês-mais-surdo-que-uma-porta-de-carvalho-dupla. Bem, morávamos. Ele veio a falecer neste último dia 13 de setembro, aos 87 anos. Paciência. É para que sempre nos lembremos que também a morte faz parte da vida…

Mas, enfim, por conta disso a Dona Patroa decidiu nós decidimos que não precisávamos mais de um carro tão grande e gastão. E toca pra procurar algum negócio que fosse razoavelmente mais ou menos bão.

E, sem muita procura, acabamos chegando num Agile LTZ 2010 prata. Até agora parece bem comportadinho, não deu problema, não reclamou, não falou mal de ninguém… Mas veremos. Depois lhes contarei mais um pouco sobre isso.

PS1: Não, essa foto não é do nosso carrinho, pois descobri que ainda não tirei nenhuma foto dele e neste momento tô com uma preguiça dos infernos de ir lá para garagem para providenciar isso.

PS2: Não, isso se chama post scriptum, é latim, e não tem nada a ver com console de jogo PS2. Mas gostaria de sugestões… É que, não sei se vocês perceberam, mas todos nossos carros sempre tiveram um nome. E não sei se é pelo momento, falta de inspiração ou seja lá o que for, até agora esse bichinho segue sem. Que acham? Palpites? Valendo!

A estrada até agora

Muito bem, estamos em dezembro de 2017.

Não, não estamos, é brincadeira.

Só que não é.

Acontece que os serviços no Titanic foram feitos, as fotos foram tiradas, alguns vídeos foram editados, mas cadê de atualizações por aqui no blog? Neca de pitibiribas!*

Então vamos combinar, tá? Faz de conta que estamos em dezembro de 2017 (apesar de na data de hoje O Projeto já ter avançado anos-luz) e, ainda que essa história já tenha sido contada com detalhes anteriormente, vamos dar uma rápida recapitulada no que foi feito até agora, desde que o Titanic aportou na autoelétrica do Japonês em meados de abril deste ano, ok?

Como podem ver, reinstalei os para-lamas dianteiros depois de uma trabalheira do cão para reconstruir as roscas fixas que em sua maioria estavam enferrujadas, pintadas, entupidas e zicadas.

Com os para-lamas no lugar foi possível instalar o conjunto de seta, lanterna e faróis propriamente ditos – logo depois de um breve trabalho de “recuperação” do que foi possível recuperar.

Nesse meio tempo o Japonês já tinha reconstruído parte do chicote, refeito um tanto das ligações, tendo passado o bichinho de cabo a rabo no carro. De quebra já deixou instalado, também, o motor do limpador do para-brisa.

Com o chicote no devido lugar as lanternas traseiras também já puderam ser acomodadas, bem como a singela tampa do tanque de combustível bem ali no meio (que a bem da verdade não dependia em nada da parte elétrica, mas é que eu precisava falar dela…).

Aliás, o caboclo é foda. É bão. Mas é foda. Durante todo o tempo que o Titanic esteve “internado” lá na autoelétrica, pouco a pouco ele foi se tornando um repositório de qualquer coisa que precisasse ser jogado nalgum canto – só que nesse caso o “canto” era ele. Jornais velhos, pedaços de fio, lâmpadas queimadas, caixas vazias, sacos plásticos, peças avulsas, mais pedaços de fios, ferramentas, latas de cerveja, caixas de ovos, catálogos velhos, um garrafão de cachaça, correspondências, boletos, contas – enfim, não havia limite para o que poderia ser encontrado por ali. E olhe que estamos falando do porta-malas de um Opala, hein? Quando do fim dessa etapa eu levei um dia inteiro – um dia inteiro! – para tirar tudo que tinha ali e guardar o que precisava ser guardado e jogar fora o que precisava ser jogado. Menos o garrafão de cachaça, pois até hoje ainda dou uma passadinha por lá para “fins de degustação”… 😀

Mesmo com tantas idas e vindas, ao menos as portas parecem que continuam alinhadas.

Se bem que vou ter que dar uma boa olhada nesse vão aí…

Do outro lado o alinhamento também está ok – só não parou no lugar porque está sem as maçanetas.

Esta foto da porta é especificamente para que eu tenha a referência de furos, formatos e medidas do que terei que caçar lá em casa para poder montar novamente suas fechaduras e trincos.

Que é exatamente a mesma justificativa para esta foto do batente.

E aqui, além da questão dos trincos, também terei que preparar as máquinas dos vidros laterais, tanto dianteiro quanto traseiro, bem como o quebra-vento. E o meu pobre painel recuperado ali no assoalho, empoeirando… Ai, ai…

E, ainda que não dê para perceber por essa foto, mas a “barrigada” do carro já está toda ali. Me refiro àquele emaranhado inominável de fios e cores que passam por baixo do painel e que invariavelmente dão desgosto para qualquer opaleiro de primeira viagem que resolva enfiar a cabeça ali debaixo para conferir como está…

Muito bem, então está combinado! O próximo passo será a limpeza e recuperação das peças, bem como a montagem dos trincos das portas Ou seja, preparem-se, porque lá vem mais um passo a passo neste nosso cantinho virtual, cada vez mais deixando o nosso caríssimo Titanic menos distante de voltar às ruas!

E enquanto isso vou procurar continuar recheando o blog aqui com novidades do arco da velha, ok?

Semana que vem tem mais!

* Se você, incauto opaleiro, não entendeu lhufas o que eu quis dizer com essa expressão (e talvez nem com essa palavra aí atrás), então você é ainda muito mais jovem que este ancião que vos tecla, de modo que sugiro que vá conferir o seu exato significado lá no Alfarrábio, do amigo e copoanheiro Bicarato, um dos poucos blogs que ainda sobrevivem às redes sociais de hoje em dia. Fica a dica: perca-se lendo os comentários! 😉

Sexta-fotos

Já que estamos retomando nosso espaço, nada como também retomar algumas tradições que tínhamos outrora, como aquele velho costume de toda sexta-feira publicar alguma foto interessante por aqui. Bem, pelo menos que eu ache interessante e que talvez vocês também venham a achar. Tá, às vezes pode até ser que não seja interessante, mas pelo menos curiosa… Enfim, vocês entenderam! Ou não?

Por hoje temos essa raríssima Caravan 4 portas, até onde eu sei lá de Belo Horizonte. Alguém já viu alguma dessas por aí? Garanto-lhe que ao menos eu nunca vi…

O Projeto

Seja bem-vindo você que chegou aqui pela primeira vez. E também seja bem-vindo você que, após longo e tenebroso inverno, talvez mais por fé do que por esperança, ainda voltou para dar uma olhada nas garatujas deste ancião que vos tecla…

Este é o blog do Projeto 676: a fronteira final. Estas são as viagens e desventuras da reforma de um Opala 1979, numa missão que já dura doze anos para exploração de novas peças, para pesquisar novas formas de montagem, novas comunidades, audaciosamente indo onde nenhum opaleiro jamais esteve!

Pois bem. A última “postagem séria” que fiz remonta a outubro. DO ANO PASSADO! De lá pra cá muita coisa já se alterou, muito trabalho já foi feito no nosso amado, idolatrado, salve, salve Titanic – que, inclusive já se aventura para umas voltinhas no bairro. Mas ainda há muito trabalho para ser feito e dinheiro de menos para conseguir fazer esses trabalhos…

Mas quem sou eu pra reclamar? Um cinquentão taurino, teimoso e turrão que depois que enfia uma coisa na cachola não desiste nunca. E a “coisa”, neste caso, é ver esse carro pronto. E lembrando que não se trata de uma restauração, mas sim de uma reforma – só que do meu jeito, ou seja, de baixo pra cima, de dentro pra fora, deixando-o original na aparência externa, mas buscando conforto e comodidade na parte interna.

Mas, enfim, isso tudo é só para me (re)apresentar para vocês. O antigo endereço deste blog (www.projeto676.com.br) foi desativado, apesar de o domínio ainda me pertencer. Questão de contenção de despesas neste ano que, definitivamente, foi ímpar. E por isso fiz um “puxadinho” aqui no meu blog oficial (www.legal.adv.br), no qual já escrevo há mais de vinte anos e transportei tudo que estava no endereço antigo para este novo endereço.

Todos os 469 posts.

Todos os 1.646 comentários.

E tudo foi revisado, um a um, de modo que não há nenhum link quebrado, nenhuma foto faltando, nenhum vídeo que não execute, nenhum arquivo que não baixe. Dei uma acertada no visual como um todo e aí do lado distribui mais alguns links interessantes. E mais: criei um Canal no Youtube! Também está aí do lado, mas é este aqui. Inclusive já coloquei um vídeo com uma montagem das principais fotos do que já aconteceu nessa reforma nestes últimos doze anos – aumentem o som e aproveitem! Na verdade ainda não sei bem o que vou fazer por lá (e fiquem à vontade para ajudar e palpitar!), mas é uma rede a mais para espalhar a palavra, juntamente com as que tenho no Facebook e no Instagram

Enfim, este blog voltará a ser atualizado e poderei compartilhar com vocês as alegrias e dificuldades que passei no último ano com o Titanic, vou mostrar as montagens em detalhes (daquele meu jeito que muitos já conhecem) e tentar reativar as antigas sessões de fotos e causos que tínhamos por aqui. A data será atual, mas a cronologia vai continuar de onde parei, quando ainda estávamos lá na autoelétrica do japonês.

E vamo que vamo!!!

E faltou o furo…

É, o Projeto continua…

Agradeço a presença dos meus quase quatro fiéis leitores que ainda teimam em aparecer por aqui, talvez movidos mais por fé do que por esperança…

Mas o último ano e meio foi bastante atribulado para mim, conforme eu já havia explicado lá em dezembro de 2016. Em que pese eu ter montado uma empresa de consultoria (Ases Consultoria), também voltei a advogar – mas só que no muito específico ramo de licitações e contratos perante a Administração Pública. Afinal foram 16 anos de experiência acumulada nessa área que eu não poderia simplesmente descartar para voltar ao mercado ombro a ombro com outros advogados, às vezes até mesmo recém-formados.

Ou seja, voltei àquela vida de vagabundo que pedi a Deus! #SQN

E desde abril de 2017, quando demos início à Sexta Fase deste nosso Projeto, ou seja, a reconstrução da parte elétrica do Titanic, o bólido está lá com o Japonês (ou “Osvaldinho”), que trabalha sozinho e nem sempre tem tempo pra ele. Mas tudo bem, faz parte do combinado. Apesar que nos últimos tempos eu tenho dado uma pressão em cima dele…

E por essas e outras, mesmo eu tenho estado um pouco afastado aqui do blog – desde novembro do ano passado, quando a última coisa que lhes contei foi acerca da montagem dos faróis. Apesar de já termos evoluído em outras frentes, tais como as fechaduras das portas e do tampão traseiro, bem como a trava do capô, fora a “retífica” pela qual passou o painel, outra hora eu volto pra contar sobre isso – ainda que fora da nossa rigorosa “ordem cronológica”, mas verão que não fará mal nenhum ao desenvolvimento d’O Projeto.

Enfim, agora não falta muito para terminar a parte elétrica: basicamente só testar e providenciar a montagem do painel. Todo o restante (faróis, setas, lanternas, etc) já está devidamente no lugar e funcionando. Ah, mas ainda faltava a luz de teto, ou como é denominada nos manuais, “Luz de Cortesia”. Como a que estava originalmente instalada encontrava-se numa situação digna de pena, resolvi dar uma fuçada numa lojinha lá do Centro da cidade – “O Lanterneiro” (royalties, please) – para ver se encontrava alguma coisa. E não é que encontrei?

Beleza! Uma vez instalada com a fiação, seria só questão de conectá-la nos botões da porta, certo? Daí vocês poderiam me perguntar se eu tenho esses botões e responder-lhes-ia eu com um sonoro “YES, I DO”!!! É esse caboclinho do esquema aí de baixo…

E minha certeza de que os tinha se deu porque quando eu e meu pai passamos pela Segunda Fase, ou seja, a “funilaria grossa”, desmontamos e guardamos todas essas miudezas. Até porque foi mesmo preciso trocar a chapa da coluna da porta…

GLUP.

Foi só então que minha ficha caiu.

Não só nós não furamos o local onde seriam instalados esses botões, como também sequer tiramos o molde dos furos da chapa anterior que descartamos…

Bem, como praguejar não adiantava (muito), o negócio era meter mãos à obra e construir um molde a partir do próprio botão interruptor da porta que eu tinha em mãos. Já em casa, bem lá no meio das tralhas do meu sogro encontrei o que eu precisava: uma pequena chapa de alumínio, perfeita para construir um gabarito. Pelo desenho do esquema lá do começo ficou claro que o parafuso a ser utilizado seria um de rosca soberba, ou seja, a ser fixado na própria lataria do carro. Encontrei o que melhor se ajustava ao botão e daí fiz as marcas iniciais na chapa de alumínio para montar o gabarito.

Com um paquímetro medi o diâmetro interno do parafuso (isto é, sem considerar a própria rosca dele). Três milímetros. Ato contínuo medi o diâmetro do botão interruptor. Onze milímetros.

Não vou cansá-los contando detalhes da desventura que se seguiu, pelo fato de eu não ter uma broca de 3 milímetros e precisar emprestar do meu sogro japonês, que mora conosco, tem 86 anos, mal fala português e é surdo como uma porta de carvalho dupla, pois foi só com muito custo – e depois de recusar várias vezes o arco de pua que ele queria que eu usasse – que consegui encontrar a bendita broca.

Também não vou nem citar que eu também não tinha uma broca de 11 milímetros, pedi para meu filho comprar uma no caminho da escola até em casa, somente para descobrir que o mandril da minha furadeira era de 10 milímetros – e não, a broca não era rebaixada, pelo que tive que perder ainda mais um tempo considerável indo até a loja trocá-la.

E muito menos vou relatar a maneira como eu, cabaço, mesmo tendo à minha disposiçã na minha bancada uma morsa de bom tamanho, alguns grampos sargentos guardados na gaveta e mesmo um bom alicate de pressão, ainda assim resolvi segurar a chapa de alumínio com a mão enquanto a furava com a outra. É LÓGICO que a chapinha travou na furadeira, rodopiando igual uma hélice de um avião monomotor e fez UM SENHOR DE UM TALHO no dedão da minha mão esquerda.

Não, não, não. Não vou perturbá-los com essas histórias que fogem do nosso contexto, que é a efetiva instalação do botão interruptor das portas para acender a luz de cortesia do meu Opala 1979, vulgo Titanic.

Enfim, vamos ao nosso passo a passo de hoje. Tendo o gabarito em mãos bastou localizar o ponto em que eu pretendia fazer os furos na coluna da porta. Para isso tive que fazer umas buscas pela Internet até encontrar alguém que tivesse tirado alguma foto de um veículo similar com as portas abertas e daí eu pudesse ter uma noção aproximada da posição dos furos. O primeiro passo foi desenhar sua posição na coluna da porta.

Se algum de vocês já tentou furar uma chapa de aço utilizando uma broca de metal então já deve saber que nessa hora a furadeira vira uma bailarina russa, com a broca bailando pra tudo quanto é lado, menos no lugar que a gente quer que ela fure. Por isso mesmo, antes de começar a furar, o negócio é pegar um bom punção e com uma boa martelada marcar a posição inicial dos furos.

Não, não tentem já furar diretamente com a broca de 11 milímetros, pois é arriscado até mesmo perder a broca com o superaquecimento. Então vamos por etapas. Façam os dois furos iniciais usando a broca de 3 milímetros. Um deles já vai ser o definitivo, enquanto que o outro ainda vai sofrer mais algumas intervenções…

Ato contínuo vamos usar uma broca intermediária para ampliar o furo onde vai efetivamente ser encaixado o interruptor. No meu caso usei uma de 7 milímetros.

Agora sim, com um furo já bem desenvolvido e fortinho podemos tranquilamente meter-lhe a broca de 11 milímetros goela abaixo. Para todos os furos comecem devagar e com firmeza, com cuidado para que quando a broca atravessar não deem uma cacetada com o mandril da furadeira no buraco, o que só iria estragar a pintura, ok?

E só para fins de comparação, eis o gabarito que eu criei (e que me custou somente um dedão) em relação aos furos que fiz na lataria do carro. Perfeito!

E este, meus caros, é o nosso herói do dia. É o sujeitinho que vai garantir o acender e apagar da nossa luz do teto – ops, quer dizer, “Luz de Cortesia”. Reparem que ao instalá-lo no furo maior a parte de metal vai fazer contato direto com a lataria, fechando assim a fase do terra sempre que o botão estiver desarmado (ou seja, com a porta do veículo aberta), fazendo com que a luz se acenda.

E quando a porta se fechar, pressionará o botão, fazendo com que se desconecte da fase do terra, apagando assim a luz. E, por favor, nem reparem no sangue coagulado ali do meu dedão, ok?

Eis aqui o botão devidamente instalado, num encaixe perfeito com os furos que fiz.

Aqui vocês podem vê-lo mais de esgueio, ficando fácil de perceber como o bichinho funciona.

Enfim, caríssimos, não tem segredo. Apenas é um pouquinho trabalhoso, mas nada impossível de ser feito – desde que munidos de um pouco de paciência, bom senso e as ferramentas certas. Ah, e diferente de mim, para vocês não haverá necessidade de realizar um sacrifício de sangue aos deuses da ferrugem e do antigomobilismo…