Caro, caro, muito caro

A título de extrema curiosidade resolvi levar o carro para dois funileiros aqui por perto, para ver quanto que ficaria consertar SÓ o assoalho. O primeiro: quinhentos paus. É. Quinhentão. O segundo (que, por ser mais humildezinho, sem oficina, pensei que seria mais barato): OITOCENTOS CONTOS.

É… Seu Bento (vulgo meu pai) VAI TER que me emprestar a solda a oxigênio que ele tem…

Mais miudezas

Duas comprinhas básicas: uma para mim e outra para o carro. Para mim, um par de óculos de segurança, pois não quero correr o risco de que alguma lasca de alguma coisa voe para meus olhos enquanto estiver trabalhando – é o chamado EPI (Equipamento de Proteção Individual). Para o carro, alguns parafusos para a tampa do distribuidor.

Apesar de ter trocado a dita tampa por uma nova, por algum motivo o parafuso original não “pegou” a rosca da base. Precisei comprar alguns com a mesma rosca, mas comprimento um pouco maior para ver se dá o encaixe correto. Até porque são apenas dois parafusos, sendo que um está com o encaixe perfeito. Se eu não colocar o outro, estarei sobrecarregando o aperto desse um, que estaria segurando sozinho a tampa do distribuidor, e correria o risco de que a curto ou médio prazo acabasse bichando também…

A aula

E o professor veio. Junto com seu filho de apenas 16 anos (que com certeza manja muito mais de mecânica do que eu).

Como eu estava fora de casa naquele momento, ele acabou ficando de proseio com a Dona Patroa (sua irmã). Ao que ela perguntou:

– E aí, Ha? Já viu o trambolho que o Adauto comprou?

– Hm? Esse carro ele não comprou, não. Ele casou com ele.

É lógico que só vim a saber disso mais tarde…

Enfim, cheguei em casa e, junto com ele, aperta daqui, desmonta dali, tenta de novo e… A bateria arriou. Também. Depois de tantos dias tentando fazer o carro pegar, ela não duraria pra sempre.

Interlúdio: tivemos que tirar a bateria e com um par de cabos específicos a conectamos na bateria do carro da Dona Patroa. Deixamos o carro dela ligado por uns cinco minutos para transferir um pouco da carga da bateria carregada para a vazia – procedimento que é tradicionalmente conhecido como fazer uma “chupeta”…

Com a bateria carregada e recolocada, ainda verificamos que a tampa do distribuidor possuía um pouco de zinabre em suas extremidades – uma camada esverdeada que “cresce” entre contatos elétricos e que impede a plena transmissão de energia, gerando mau contato. Pra simplificar, é um tipo de ferrugem da parte elétrica. Uma raspadinha serviu pra melhorar a situação.

Vamos reconectar os cabos na tampa do distribuidor e… Qual era a ordem mesmo? Ah! Bem que eu sabia que o Manual seria útil. Tá lá: motor 2500 (151) – ordem de ignição – 1-3-4-2. Ou seja, é a sequência de explosões dos cilindros do motor (lembram que eu já expliquei?). Primeiro o cilindro nº 1. Então o cabo desse cilindro vai para a primeira conexão do distribuidor (quando se olha a peça de frente, a do lado esquerdo). Depois o cilindro nº 3. Na sequência do distribuidor (sentido horário), é a próxima conexão. E então, na ordem, também as conexões dos cilindros nº 4 e nº 2.

Pronto.

Liga de novo e… FUNCIONOU!!!

E morreu de novo.

– Péraê, que deve ter mais alguma coisa por aqui – foi o que ele disse.

Testou mais alguns componentes e chegou à conclusão de que o motor não estava conseguindo se manter ligado porque o avanço (uma pecinha ligada ao distribuidor) talvez não estivesse funcionando direito e que a bobina do platinado (condensador) com certeza estava descarregada. Teria que trocar. Já recomendou a troca também da própria tampa do distribuidor (zinabrada) e também do rotor (gasto).

Pra finalizar me ensinou que, para regular o platinado, teria que girar o motor até que o eixo do distribuidor estivesse com uma parte que é saliente numa posição em que o platinado ficasse em sua posição mais aberta (só pra entenderem: o platinado se assemelha a um prendedor de roupas). Pra girar o motor, bastava puxar lentamente a correia que o liga a hélice de refrigeração do radiador (onde vai a água que refrigera o carro). Uma vez que o eixo e o platinado estivessem nessa posição, e com a bandeja solta (aquela cujo parafuso estava espanado), fecha-se o platinado até que tenha aproximadamente apenas 1mm de abertura. Aí fixa-se o parafuso da bandeja.

Já quanto ao ponto do motor, todo o conjunto do distribuidor é preso por apenas um parafuso (sextavado, de 14mm). Ao soltar esse parafuso permite-se um giro de todo o conjunto em cerca de uns 10 a 15°. Assim, com o carro ligado, basta girar manualmente o conjunto do distribuidor até atingir um ponto em que a rotação esteja mais estável (ou seja, de ouvido mesmo). Atingido esse ponto, reaperta-se o parafuso. E pronto.

E tudo isso é mais ou menos o procedimento sugerido naquela parte do Manual do Proprietário que transcrevi aqui outro dia.

Bão, agora é só comprar as peças que ele pediu e colocar de volta no bichão…

Em busca de um macho

Para resolver o problema do parafuso espanado (já que o furo também estava na mesma situação), nada melhor que uma pequena visita à super hiper mega blaster ultra vitaminada plus oficina do seu Bento (vulgo meu pai).

Lá podem ser encontradas todas as ferramentas do mundo para solução de qualquer problema. E as que ele não tem, ele as fabrica. Simples assim.

Só pra dar uma idéia geral, assim que ele se aposentou uma das “coisinhas” que ele resolveu comprar pra brincar foi um torno.

Mas, no meu caso, tudo que preciso é de apenas um macho. EPA! PÉRAÊ! NÃO É NADA DISSO NÃO! “Macho” é uma ferramenta utilizada para se fazer rosca em um furo. Bastou escolher numa das inúmeras caixas de parafusos que existem na oficina (“um dia pode ser que precise”) um que fosse cerca de 1mm maior que o utilizado na bandeja do platinado. Depois foi só escolher um macho da mesma medida e alargar o furo existente com uma rosca nova.

Pronto.

Bandeja recuperada e platinado firme outra vez.

Basta colocar de volta e aguardar o “professor”…