Fechando uma etapa

Sim, é hora de fechar mais uma etapa neste nosso Projeto.

No caso, as portas! 😀

Como vocês devem se lembrar, nossas últimas atividades foram em dezembro de 2017. Pois bem. Após um conturbado início de ano (pra variar…) agora estamos em junho de 2018. O chicote já foi distribuído de ponta a ponta e as laterais, setas, faróis e lanternas já estão no lugar.

E já que o negócio do japonês é cuidar da parte elétrica e ultimamente eu tenho tido mais tempo livre do que gostaria, o negócio é aportar lá na oficina dele e começar a montar o que eu puder, certo?

Então decidi começar pelas portas.

Só para não deslembrar elas estavam assim:

   

E agora estão assim:

   

Bão, o primeiro passo a ser dado é o seguinte: “como é mesmo que monta essa bagaça”???

Antes de mais nada resolvi dar uma consultada nos alfarrábios da vida e fui conferir o que temos lá no Catálogo de Peças e Acessórios da Chevrolet (o link de acesso tá aí do lado, na sessão Jogado no Assoalho). Capítulo 12: pára-brisa – portas – controles.

Ok. O esquema é até interessante, mas por si só não me responde como o que vai onde. Por isso me precavi e lá atrás, quando desmontei as portas, tive o cuidado de registrar o antes e o depois, só para não correr o risco de me perder…

Comecemos pela limpeza das peças para que fique tudo razoavelmente apresentável, certo? A que estava em estado mais lastimável era a fechadura, entre óleo, graxa e sujeira acumulada.

Mas nada que não se resolva com um bom banho de gasolina acompanhado de um pincel para cutucar todos os cantinhos que puder. A bichinha já ficou com outra aparência…

Mas como eu sou eu e Murphy parece ser um sujeito que tem dedicado sua vida para me infernizar, alguma coisa tinha que acontecer, certo? Ou melhor, errado. Pois bem. Temos duas fechaduras e ambas deveriam estar funcionando perfeitamente. Só que após a limpeza, ao testar todos os cliques e claques e vais e vens que elas teriam que fazer, percebi que uma não estava funcionando direitinho. Comparando uma e outra para descobrir o que poderia estar errado, acabei descobrindo. Acontece que ambas têm uma mola (se bem me lembro para dar o retorno da lingueta) que deveriam estar na mesma situação dessa aí embaixo.

E como é que estava a mola da outra fechadura?

Merda.

E a fechadura sem a mola não tinha como dar o retorno.

Fui fuçar no monte de tralhas que tenho guardado na garagem – que nem é tanto assim, mas sempre acabo me surpreendendo por ter guardado alguma coisa que já deveria ter jogado fora e que no final das contas acaba me servindo – e acabei por encontrar uma mola mais ou menos parecida…

Paciência. Não é bem a mesma, mas a pressão dela está boa e dá para encaixar no lugar. É que tem pra hoje e vai ter que servir. Aperta daqui, torce dali, enfia acolá, arranja um novo pino pra prender, fecha o conjunto, testa tudo. Perfeito!

Muito bem. Continuando a “operação limpeza” as vítimas seguintes foram os batentes. Esqueci de registrar como estava o “antes”, mas garanto-lhes que estava bem ruinzinho, pois antes mesmo de limpá-los ainda tive que raspar toda a tinta que os recobria, pois algum esperto proprietário anterior resolveu que não era necessário tirá-los para pintar o carro. Ficaram assim:

Detalhe importante: ainda que não pareça, essas arruelas não são arruelas comuns, pois elas têm ranhuras e ressaltos que servem para travar os batentes no lugar, já que eles possuem uma certa regulagem para poder acertar o ponto certo de fechamento das portas. Como nesse momento não haveria nenhum problema maior em já deixá-los no lugar, já aproveitei e aparafusei-os no canto deles.

   

Um trabalho um pouco maior, que foi além da limpeza, foi com a chapa que serve para travar a maçaneta externa da porta. Mesmo que sua maior parte fique escondidinha, ainda assim uma parte fica exposta – que é justamente a que usamos para poder tirar a maçaneta. Então o negócio seria também jogar uma tinta nela.

      

(Por gentileza, ignorem as latas de cerveja ao fundo, pois eu só as mantenho ali para… bem… para… quer dizer… Ah, sim! “Fins medicinais”. Isso mesmo. Para fins medicinais, ok?)

Com tudo limpo e (em tese) funcionando, agora começa a operação para colocar cada peça no seu devido lugar. Então comecei a montagem com tudo aquilo que fosse possível de encaixar antes mesmo de fixar, a começar pela alavanca que liga e controla a vareta que vem da fechadura com o liame – mais conhecido como “o pininho da porta”…

Percebam que essas travas existem para que não se corra o risco de que escapem à toa.

E após estarem no lugar devem estar firmes.

E depois é só já conectá-lo com o outro balancim da própria fechadura.

Uma fez afixado no seu devido lugar, o pininho da porta, desculpem, o liame já voltou a ter uma função ativa!

É lógico que vocês não vão fazer como o cabaço aqui que, encantado com a fechadura já instalada, simplesmente fechou a porta para ver se travava. Só que sem as maçanetas interna e externa como mesmo que eu iria abrir a porta? Então. Besta quadrada que sou…

Bom, para garantir que eu não cometa novamente a mesma gafe, melhor já colocar a maçaneta interna de uma vez, conforme dá para se ver pela foto a seguir. Detalhe: aquele protetor que fica ali bem na altura da metade da vareta foi colado com Super Bonder mesmo.

Agora é a vez da maçaneta externa – que recebeu um acabamento em Bombril para voltar a ter o brilho de outrora!

A lingueta que vocês viram na foto anterior vai ter que encaixar perfeitamente no respectivo buraco da fechadura, que, se tudo estiver no gabarito, vai estar na mesma posição dessa foto a seguir.

E para travar a maçaneta externa? Como fazer? Lembram-se daquela chapa que eu pintei. Então. Basta simplesmente encaixá-la na maçaneta por dentro, como se fosse uma gaveta.

   

E, finalmente, eis a porta como estava antes e como ficou agora:

   

Ou seja, as portas do Titanic voltaram a funcionar perfeitamente!

   

E para provar que é verdade verdadeira, vejam só isso:

Esse clique-claque de porta de geladeira antiga é simplesmente maravilhoso, não é mesmo? E, de fato, como vocês viram no finalzinho do filme, o mardito japonês continua usando o porta-malas do Opala como depósito mundial de qualquer coisa que tenha que jogar em qualquer lugar…

Ao menos o garrafão de cachaça continua ali… E é da boa! 🙂

Luto

Amigo que é amigo é assim:

“- Se eu pular, você pula?”

“- Tamo junto!!!”

Pois é. Apesar de todo o esforço para a retomada aqui do blog, fui obrigado a me ausentar por um tempo para tentar entender tudo isso. Ou não. Um querido amigo, Flávio, assim, do nada, resolveu ir embora. Infarto fulminante. 38 anos. Já faz mais de uma semana e ainda me dá um nó na garganta ao escrever estas palavras. Ainda vou procurar fazer uma justa homenagem a ele, mas por enquanto só passei aqui pra avisar para vocês, quatro ou cinco que ainda restam, que agora – ao menos para mim – o mundo ficou bem menor e absurdamente mais chato.

Vamos ver se pra semana a gente volta…

“A vida é o aquilo que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos.”

John Lennon

Quer comprar um Opala?

É sério.

Alguém aí quer comprar um Opala?

E não, é lógico que não é o meu!

Afinal de contas, após tantos anos eu e o nosso querido, amado, idolatrado, salve, salve Titanic já desenvolvemos uma relação de amizade, mútuo carinho e confiança que não pode mais ser suplantada com apenas o vil metal…

O que acontece é que descobri que um vizinho de apenas algumas quadras de casa estava com esse carro lá encostado. Curioso que sou, fui conferir – até pra ver se de repente não teria uma ou outra pecinha que me fosse útil.

O Opalão, modelo entre 75 e 79 até que está bem inteiro. Bom, quase. Até que tem um tanto de funilaria pra fazer, mas infinitamente menos do estado em que estava o Titanic quando começamos esta nossa aventura. De um modo geral a lata até que está bem razoável. Faltam os forros das portas, os bancos estão detonados, mas praticamente todas as peças estão lá.

Menos o motor.

Explico. Acontece que o tiozinho que é dono dessa relíquia tirou o motor para retificá-lo. Segundo ele o motor foi feito e está “novinho”, só que desmontado na casa dele. Aliás ele é o dono desse Opala há mais de vinte anos, então é muito pouco provável que tenha algum problema com a documentação.

Enfim, gente, é isso. Sei que muitos vão olhar para essas fotos e ver apenas um carro velho e largado no tempo, mas de minha parte a única coisa que eu consigo ver é uma oportunidade! Se eu tivesse tempo, espaço e dinheiro certamente eu me meteria a dar uma arrumada nesse Opala… Mas atualmente mal consigo dar conta do Titanic, então é melhor não.

E o valor mínimo que ele quer, com o carro no estado em que se encontra, é de R$ 3.500,00. Isso mesmo: três mil e quinhentos reais.

Se alguém quiser conferir pessoalmente, o Opala está em São José dos Campos, SP, no bairro Bosque dos Eucaliptos. O nome do proprietário é José (“Seo Zé”) e o telefone dele é (12) 98877-4150.

E se der negócio com alguém, me avisem, ok?

Só para que eu possa cobrar uma cervejinha pela dica… 😉

Pela sua atenção, muito obrigado!

Sexta-fotos

O Titanic, em suas origens, era tal e qual este Opala 77 do Shibunga – que já nem sei mais por onde e a quantas anda. O Shibunga, não o Opala. Mas voltemos a falar dele. Do Opala, não do Shibunga. É lógico que esse “tal e qual” a que me referi não tem nada a ver com o excelente estado de conservação deste exemplar aqui, até porque senão sequer teríamos que ter dado início aO Projeto! Hmmm… Talvez. Mas tá tudo ali, do jeito que um dia o Titanic também já foi: o bege sem graça, as calotas, os cromados, os forros, o banco inteiriço, o painel marrom e o motor de 4 cilindros…

E não, aquele Opala laranja ali no fundo não é o Titanic!