Zerando tudo

Bom dia senhoras e senhores!

Hoje o nosso proseio é rápido, mas essencial.

Estamos em agosto de 2018.

Com a pressão que tenho colocado em cima do japonês (até porque quase todos os dias apareço lá na oficina, nem que seja para tomar daquela cachacinha), ele já está nos finalmentes da parte elétrica. Ou seja, está quase na hora de instalar aquele painel que eu reformei.

Só que eu tinha minhas dúvidas se ele realmente estaria funcionando perfeitamente. Quer dizer, as lâmpadas e a placa de circuito impresso eu tinha (quase) certeza que sim. Mas como desmontei ele inteirinho eu gostaria de testá-lo antes de aparafusá-lo no lugar. Foi daí que o japonês sugeriu:

– Ué? Então leva ele lá no Barbosa.

– Cuméquié?

Daí ele me explicou que aqui na cidade de São José dos Campos tem uma oficina chamada Barbosa Velocímetro e Instrumento de Precisão (royalties, please), inclusive autorizada do Inmetro, que faz conserto, manutenção, regulagem e aferição de velocímetros, tacógrafos e outros quetais.

Levei o painel lá e fiquei de buscar dentro de dois dias.

Quando voltei, dentro do prazo, estava prontinho. Já estava colocando debaixo do braço e saindo quando, sei lá de onde, surgiu uma ideia, vinda de parte alguma, mais como um raio atravessando meu cérebro.

– Dá pra zerar?

– Oi?

– Zerar o hodômetro. Dá pra fazer isso? É demorado?

– Não, não é demorado não. Mas isso pode te dar um problemão, hein?

– Fique tranquilo. O carro está desmontado, com mais dez anos de documentação para regularizar, mudei a cor dele e ainda troquei o motor. Um velocímetro zerado seria o menor de meus problemas!

O sujeito deu uma gostosa gargalhada e foi lá para o cantinho dele na oficina para zerar o bichinho. Enquanto isso eu pensava comigo: por que não? Afinal de contas o Titanic de fato está zerado: suspensão nova, freios novos, parte elétrica reconstruída e com o motor retificado. E praticamente não rodou sequer um quilômetro por conta própria (sempre foi guinchado, lembram?). Então nada mais justo que quando ele estiver pronto para rodar começarmos do zero, inclusive com o velocímetro!

Ah, e nessa brincadeira morri com quatrocentos contos…

Sexta-fotos

A sessão de fotos de hoje é bem especial. Ao menos para mim. Eis que num domingo desses (no dia 16/09/2018 para ser bem exato) estava eu lá na feirinha de automóveis de sempre, dando uma fuçada sem comprar nada, mais para ver o povo, as ofertas e tomar uma brejinha, quando não mais que de repente eu o vi. Parado bem ali na esquina, brilhando como ele só, com a pintura completamente restaurada e pneus zerados: o Cruzador Imperial!

Mais talvez pelas histórias e aventuras que já passamos, juro que se tivesse dinheiro eu teria recomprado esse meu bom e velho Opala 90…

E mais um detalhe final: como muita gente me conheceu com esse carro, eles ainda facilmente o identificam na rua. Tanto é que um amigo meu me mandou um Zap em 17/02/2019 com essa foto a seguir. Ainda à venda.

Acabando o fechamento

Agora que as portas estão funcionando perfeitamente ainda temos a questão do porta-malas. Estamos em julho de 2018 e o trabalho maior não foi nem a limpeza da máquina da fechadura, mas o tanto de Bombril que tive que utilizar para limpar cada cantinho das peças cromadas…

Na realidade a fechadura do tampão traseiro é bem mais simples do que as das portas…

É composta basicamente por esse fecho com lingueta aí debaixo, que quando está sem a chave fica com os pinos de fora para travamento.

Mas, como podemos ver a seguir, ao colocarmos a chave os pinos se retraem, permitindo girar o tambor e abrir o porta-malas.

Essa lingueta atravessa um suporte com rosca, o qual vai ser fixado na própria lataria do veículo.

   

E eis o conjunto montado!

Basta colocá-lo no lugar e rosqueá-lo com a respectiva porca, deixando a lingueta pronta para encaixar na fechadura, como mostra a foto seguinte e as outras duas da parte interna do porta-malas.

   

E, por fim, aparafusar a fechadura no devido lugar, tomando o cuidado de que a lingueta encaixe perfeitamente em sua posição para poder abrir e fechar a máquina.

   

Agora essa fechadura também está pronta e apta a funcionar!

E eu digo “apta a funcionar” somente porque ainda não coloquei o tampão traseiro propriamente dito, que é onde vai o engate para o travamento da fechadura. Isso vou deixar para colocar quando levar o Titanic para casa, quando também já aproveitarei e colocarei o capô.

Aliás, um pouquinho de cultura inútil para vocês: ainda que já esteja consagrada a palavra capô em termos automobilísticos, constando com esse formato até mesmo nos dicionários da vida, sabiam que, ao menos até por volta da década de setenta, essa peça era chamada de “capuz”? É como consta, inclusive, no próprio Manual do Proprietário do Opala 1978 (também disponível aí do lado, na sessão Enfiado no Porta-Luvas). Vejam só:

Enfim, ainda ficou um perrengue para trás: acontece que fui fazer uma catança no meio das peças guardadas para montagem do carro para localizar as chaves das portas. Encontrei umas quinze. Uma boa parte do tambor de partida (ou “cilindro de ignição”, se preferirem) e outras tantas esparsas sabe-se lá Deus de onde.

Testei todas.

Ficamos assim: a porta direita não tem chave, uma chave para a porta esquerda, uma chave para partida e uma única chave para o tampão traseiro e a tampa de combustível – se bem que desconfio que até com a unha dá pra abrir essa tampa…

Já consultei um chaveiro das antigas (todos os profissionais que arranjo para mexer com o Titanic obrigatoriamente tem que ser “das antigas”) e para unificar todas deve ficar nuns R$150,00. Isso mesmo. Cento e cinquenta contos. Mas como isso não é prioridade por enquanto vai ficando assim mesmo…

E, por fim, voltando por alguns momentos à nossa cronologia normal, tenho a desejar a todos vocês quatro ou cinco fiéis seguidores (vocês ainda estão por aí, não estão?…) um FELIZ ANO NOVO, com muitas realizações, vitórias, novos sonhos e, sobretudo, muita ferrugem nas veias! 😉

Semana que vem tem mais!

Fechando uma etapa

Sim, é hora de fechar mais uma etapa neste nosso Projeto.

No caso, as portas! 😀

Como vocês devem se lembrar, nossas últimas atividades foram em dezembro de 2017. Pois bem. Após um conturbado início de ano (pra variar…) agora estamos em junho de 2018. O chicote já foi distribuído de ponta a ponta e as laterais, setas, faróis e lanternas já estão no lugar.

E já que o negócio do japonês é cuidar da parte elétrica e ultimamente eu tenho tido mais tempo livre do que gostaria, o negócio é aportar lá na oficina dele e começar a montar o que eu puder, certo?

Então decidi começar pelas portas.

Só para não deslembrar elas estavam assim:

   

E agora estão assim:

   

Bão, o primeiro passo a ser dado é o seguinte: “como é mesmo que monta essa bagaça”???

Antes de mais nada resolvi dar uma consultada nos alfarrábios da vida e fui conferir o que temos lá no Catálogo de Peças e Acessórios da Chevrolet (o link de acesso tá aí do lado, na sessão Jogado no Assoalho). Capítulo 12: pára-brisa – portas – controles.

Ok. O esquema é até interessante, mas por si só não me responde como o que vai onde. Por isso me precavi e lá atrás, quando desmontei as portas, tive o cuidado de registrar o antes e o depois, só para não correr o risco de me perder…

Comecemos pela limpeza das peças para que fique tudo razoavelmente apresentável, certo? A que estava em estado mais lastimável era a fechadura, entre óleo, graxa e sujeira acumulada.

Mas nada que não se resolva com um bom banho de gasolina acompanhado de um pincel para cutucar todos os cantinhos que puder. A bichinha já ficou com outra aparência…

Mas como eu sou eu e Murphy parece ser um sujeito que tem dedicado sua vida para me infernizar, alguma coisa tinha que acontecer, certo? Ou melhor, errado. Pois bem. Temos duas fechaduras e ambas deveriam estar funcionando perfeitamente. Só que após a limpeza, ao testar todos os cliques e claques e vais e vens que elas teriam que fazer, percebi que uma não estava funcionando direitinho. Comparando uma e outra para descobrir o que poderia estar errado, acabei descobrindo. Acontece que ambas têm uma mola (se bem me lembro para dar o retorno da lingueta) que deveriam estar na mesma situação dessa aí embaixo.

E como é que estava a mola da outra fechadura?

Merda.

E a fechadura sem a mola não tinha como dar o retorno.

Fui fuçar no monte de tralhas que tenho guardado na garagem – que nem é tanto assim, mas sempre acabo me surpreendendo por ter guardado alguma coisa que já deveria ter jogado fora e que no final das contas acaba me servindo – e acabei por encontrar uma mola mais ou menos parecida…

Paciência. Não é bem a mesma, mas a pressão dela está boa e dá para encaixar no lugar. É que tem pra hoje e vai ter que servir. Aperta daqui, torce dali, enfia acolá, arranja um novo pino pra prender, fecha o conjunto, testa tudo. Perfeito!

Muito bem. Continuando a “operação limpeza” as vítimas seguintes foram os batentes. Esqueci de registrar como estava o “antes”, mas garanto-lhes que estava bem ruinzinho, pois antes mesmo de limpá-los ainda tive que raspar toda a tinta que os recobria, pois algum esperto proprietário anterior resolveu que não era necessário tirá-los para pintar o carro. Ficaram assim:

Detalhe importante: ainda que não pareça, essas arruelas não são arruelas comuns, pois elas têm ranhuras e ressaltos que servem para travar os batentes no lugar, já que eles possuem uma certa regulagem para poder acertar o ponto certo de fechamento das portas. Como nesse momento não haveria nenhum problema maior em já deixá-los no lugar, já aproveitei e aparafusei-os no canto deles.

   

Um trabalho um pouco maior, que foi além da limpeza, foi com a chapa que serve para travar a maçaneta externa da porta. Mesmo que sua maior parte fique escondidinha, ainda assim uma parte fica exposta – que é justamente a que usamos para poder tirar a maçaneta. Então o negócio seria também jogar uma tinta nela.

      

(Por gentileza, ignorem as latas de cerveja ao fundo, pois eu só as mantenho ali para… bem… para… quer dizer… Ah, sim! “Fins medicinais”. Isso mesmo. Para fins medicinais, ok?)

Com tudo limpo e (em tese) funcionando, agora começa a operação para colocar cada peça no seu devido lugar. Então comecei a montagem com tudo aquilo que fosse possível de encaixar antes mesmo de fixar, a começar pela alavanca que liga e controla a vareta que vem da fechadura com o liame – mais conhecido como “o pininho da porta”…

Percebam que essas travas existem para que não se corra o risco de que escapem à toa.

E após estarem no lugar devem estar firmes.

E depois é só já conectá-lo com o outro balancim da própria fechadura.

Uma fez afixado no seu devido lugar, o pininho da porta, desculpem, o liame já voltou a ter uma função ativa!

É lógico que vocês não vão fazer como o cabaço aqui que, encantado com a fechadura já instalada, simplesmente fechou a porta para ver se travava. Só que sem as maçanetas interna e externa como mesmo que eu iria abrir a porta? Então. Besta quadrada que sou…

Bom, para garantir que eu não cometa novamente a mesma gafe, melhor já colocar a maçaneta interna de uma vez, conforme dá para se ver pela foto a seguir. Detalhe: aquele protetor que fica ali bem na altura da metade da vareta foi colado com Super Bonder mesmo.

Agora é a vez da maçaneta externa – que recebeu um acabamento em Bombril para voltar a ter o brilho de outrora!

A lingueta que vocês viram na foto anterior vai ter que encaixar perfeitamente no respectivo buraco da fechadura, que, se tudo estiver no gabarito, vai estar na mesma posição dessa foto a seguir.

E para travar a maçaneta externa? Como fazer? Lembram-se daquela chapa que eu pintei. Então. Basta simplesmente encaixá-la na maçaneta por dentro, como se fosse uma gaveta.

   

E, finalmente, eis a porta como estava antes e como ficou agora:

   

Ou seja, as portas do Titanic voltaram a funcionar perfeitamente!

   

E para provar que é verdade verdadeira, vejam só isso:

Esse clique-claque de porta de geladeira antiga é simplesmente maravilhoso, não é mesmo? E, de fato, como vocês viram no finalzinho do filme, o mardito japonês continua usando o porta-malas do Opala como depósito mundial de qualquer coisa que tenha que jogar em qualquer lugar…

Ao menos o garrafão de cachaça continua ali… E é da boa! 🙂