21 jan 2014 - 7:35  

A vida e suas escolhas

Será que eu teria tido coragem de lutar como eles lutaram?

Alcançamos o valor da multa em dez dias de campanha familiar. Essa é uma vitória que tem um significado enorme dentro de nossa incansável luta em busca de verdadeira justiça para José Genoino

por Miruna Kayano Genoino, especial para Rede Brasil Atual publicado 20/01/2014 01:16, última modificação 20/01/2014 01:38

Quando eu tinha por volta de 13, 14 anos, comecei a ter consciência de tudo o que meu pai e minha mãe tinham feito na época da ditadura. Abriram mão de família, amigos, conforto, estabilidade e entraram em clandestinidade, fuga, medo, prisão e tortura porque não duvidaram um minuto sobre de que lado estavam: o de quem lutava pela liberdade para todos. Apesar de ser para mim claro o fato de que tinham lutado por algo sem dúvida muito importante, sempre me vinha à mente uma pergunta: será que se eu vivesse naquela época, teria tido coragem de fazer tudo isso? Será que eu teria tido essa força? Será?

Hoje percebo que em alguns momentos da vida não temos escolha quanto a tomar essa ou aquela decisão, quando tudo em que acreditamos está em risco, seja, como naquela época, a liberdade, seja, como agora, a justiça para uma pessoa honesta, como meu amado pai, José Genoino Neto. Ao longo de mais de oito anos de martírio e sofrimento, foram muitas as situações de desespero, de angústia e de muita, muita solidão.

E por isso, quando de repente percebemos pequenos espaços de luz e força que vão se abrindo e se construindo por meio de atitudes generosas de tantas pessoas, o alívio e a emoção são sentimentos que ocupam totalmente tudo aquilo que pensamos e vemos acontecer nessa trilha tão difícil que temos percorrido nos últimos tempos.

Gostaria de mencionar uma grande amiga que no dia 15 de novembro levou meus filhos para passear, dispondo de seu tempo para nos ajudar a lidar com toda a perseguição que estávamos sofrendo na casa sitiada pela mídia. Com seu pequeno gesto, poupou duas crianças de 7 e de 5 anos, de presenciar o momento em que o avô saiu de casa para ser preso injustamente.

Aquele gesto, de dar carinho e acolhimento para meus filhos, quando eu apenas podia ser filha, e não mãe, vai marcar sempre minha vida e meu coração, porque mostra que mesmo em meio a tanta desgraça, sempre existe o lado da humanidade pura, bondosa, generosa, e capaz de acolher, verdadeiramente.

Esse gesto pequeno, individual, pode ser comparado ao que estamos vivendo agora, com a multa imposta a meu pai em decorrência de sua condenação injusta. No primeiro momento de desespero, pelo valor solicitado, tão enormemente distante de nossas possibilidades, já surgia um primeiro site que se dispôs a unir muita gente e assim iniciar uma primeira arrecadação para meu pai. E ainda que aquele site não tenha seguido em frente por questões técnicas, acredito profundamente que foi uma ação que nos deu força para prepararmos o segundo site que possibilitou a arrecadação do valor total da multa.

Foram muitas doações, muitas. Pessoas que dedicaram parte de seu tempo para enviar a nós R$ 10, R$ 20, R$ 50, R$ 100 reais, às vezes mais, R$ 1.000, R$ 5.000… e mensagens, muitas mensagens, de carinho e solidariedade.

Aposentados, desempregados, professores, advogados, secretárias, jornalistas, dentistas, bordadeiras, gente, muita gente, que quis de alguma maneira, mostrar que estão conosco, que sabem que apenas assim poderíamos pagar esta enorme multa, porque José Genoino nunca acumulou riqueza material, nunca, ainda que alguns tenham tido coragem de condená-lo por corrupção. Sua riqueza é apenas de ideias, de sonhos, de esperança, de verdade e de justiça – que um dia, de alguma forma, acreditamos que chegará.

Essa campanha foi criada pela mulher e pelos filhos de José Genoino. Nós mesmos elaboramos e escrevemos cada uma das palavras que aparecem no site. Nós mesmos mandamos os e-mails a amigos e familiares contando sobre o início desse pedido de ajuda. Nós mesmos fomos em busca de tentar compreender e organizar toda a burocracia necessária para que tal arrecadação desse certo.

E com a ajuda de amigos queridos, que nunca deixaremos de agradecer, fomos lendo os e-mails um a um, cadastrando cada pessoa, respondendo cada mensagem, ainda que, pela forma familiar de ação, esteja acontecendo em uma velocidade nem sempre compreendida por um mundo sempre recheado de grandes grupos administrando eficazmente grandes gestões e situações. Nossa resposta não é automática, mas sim manual, e foi feita por outras tantas pessoas especiais que também dedicaram seu tempo e sua alma, para permitir que a campanha funcionasse.

Alcançamos o valor da multa em dez dias de campanha familiar. Essa é uma vitória que tem um significado enorme dentro de nossa incansável luta em busca de verdadeira justiça para José Genoino. Em nome dele, que está impedido de falar publicamente, precisamos agradecer com toda a intensidade possível a todas essas pessoas que tornaram esse momento de vitória possível.

A você, que contribuiu. A você que divulgou o site. A você que respondeu os emails. A você que nos informou. A você que escreveu honestamente sobre nós. A você que são tantos vocês, nosso agradecimento por não terem tido nenhuma dúvida de que sim, quando chega o momento de dificuldade, vocês são daquele grupo de pessoas que têm coragem de lutar por algo que é verdadeiro e no qual acreditam. De verdade.

Obrigado, sempre.

Miruna Genoino, em nome da família Genoino

Brasília, 19 de janeiro de 2014

(Observação: Em breve divulgaremos o total arrecadado e as resoluções práticas quanto a possíveis excedentes.)


16 jan 2014 - 21:33  

A esquerda e o iphone

Excelente texto! Roubartilhado daqui.

Confesso que não sabia bem o que era um iphone até ouvir esse tipo de frase de efeito: “é comunista/socialista, mas usa iphone”. Só então descobri que era uma marca comercial específica de smartphone, que não é a mesma coisa que um ipod.

Descobri isso graças à wikipedia, uma enciclopédia virtual construída por cooperação voluntária, usando um computador fabricado por alguma empresa capitalista, mas inventando em universidades públicas, através do sistema operacional Linux, software livre, produzido por cooperação voluntária, acessando a internet, rede de comunicação criada no setor público militar dos Estados Unidos, e das redes de telecomunicação via satélite, uma invenção soviética. No dia em que fiz essa descoberta sobre smartphones e ipods, comi três refeições de alimentos produzidos pela agropecuária, uma invenção das comunidades tribais neolíticas. Tenho certeza que vários produtos que utilizei hoje tem origens heterogêneas, em culturas capitalistas, socialistas, feudais, escravistas, camponesas, nômades, etc, originadas em uma, aperfeiçoadas em outras, e assim por diante.

É praticamente impossível mapear a origem da técnica e o processo econômico pelo qual passaram os produtos que eu utilizo no meu cotidiano. Pelo meu conhecimento histórico e sociológico, presumo que algumas coisas que consumo passam, em pelo menos um elo da produção, pela devastação ecológica e trabalho escravo ou precário. Alguns são de grandes marcas, outros de pequenos produtores, alguns de cooperativas.

O que eu nunca fui capaz de descobrir é qual é a contradição entre ser de esquerda e usar algum produto tecnológico. Pessoas de mentalidade conservadora/direitista pensam saber o que é ser de esquerda e poder ensinar para quem é de esquerda o que significa sê-lo. E o que parece se depreender de uma postura de esquerda coerente, segundo os reacionários, é ser um eremita. Afinal, nada melhor para a direita se toda a esquerda fosse morar em comunidades hippies ou em Cuba. Os ricos respirariam aliviados, pois seus inimigos não criariam problemas gravíssimos, como denunciar injustiças e participar de mobilizações populares.

Não direi que estão completamente incorretos em algumas críticas. Não sou extremista. É realmente “feio” alguém da esquerda anticapitalista ter um comportamento consumista, fazendo questão de esbanjar riquezas e acumulando coisas desnecessárias.

Muito pior que isso, no entanto, é defender abertamente e incentivar o consumismo individualista e desenfreado como privilégio de alguns bem-nascidos, estigmatizando quem sofre com baixos salários ou desempregado como “vagabundos” e coisas semelhantes. É muito mais “feio” naturalizar desigualdades extremas, patrimônios exorbitantes e exclusão social. Porque aí não se trata apenas de um comportamento privado “feio”. É também o comportamento público horrendo. É uma conduta integralmente perversa.

Uma parte importante da esquerda busca uma reforma dentro dos limites do capitalismo, para redução das desigualdades, exclusão e exploração mais extremas. Outros tentam ir além, procurando meios de superação do modo de produção capitalista. A questão chave é a redistribuição dos produtos e meios do trabalho que se encontram concentrados nas mãos, principalmente, de quem não trabalha, mas é proprietário do capital.

De uma perspectiva de esquerda, ou seja, do igualitarismo social, não há lugar para repúdio à tecnologia, apenas as suas funções e usos numa sociedade injusta. Não condenamos todo e qualquer uso da energia nuclear, se denunciamos o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki como um ato genocida. A energia nuclear tem muitos usos pacíficos. Da mesma forma que os iphones e ipods provavelmente tem outros usos, além da ostentação consumista.

O problema para a esquerda não é a tecnologia dos ipods e iphones, é a falta de acesso universal à alimentação, moradia, vestuário, transporte coletivo, educação, saúde, aposentadoria e trabalho digno. E também a cultura e meios de comunicação. É a existência de uma ínfima minoria riquíssima, em contraste com grandes massas relativa ou absolutamente pobres e desamparadas.

O que impõe limites à difusão dos ipods e iphones não é a esquerda. É o planeta. Os recursos são limitados, e a generalização de um padrão de consumo como o dos estadunidenses (que são pouco menos de 5% da população mundial e concentram 25% da renda, além de consumir 30% do petróleo), exigiria quatro planetas. Aí é que há limitação legítima do consumo: pela sustentabilidade ecológica de longo prazo. É por isso que melhorar e expandir o transporte coletivo e ciclovias é preferível a universalizar o casso pessoal. Em qualquer um desses casos, trata-se de uma questão coletiva, objeto de políticas públicas, e não de escolhas privadas.

Isso significa que o homem ou mulher de esquerda, como já disseram muitos reacionários, deveria doar sua renda individual? Esse ato seria indiferente. Não é raro que o esquerdista que siga esse conselho seja em seguida acusado de demagogo… Parece que é impossível a pessoa de esquerda ser coerente, não acham? Na verdade, a filantropia é uma escolha privada. A opção pela esquerda é política, diz respeito a decisões de alcance coletivo, e, primeiramente, ao modo de governar e utilizar o Estado.

A economia capitalista certamente não funcionaria caso todos os ricos fossem adeptos da total filantropia, e escolhessem viver com uma renda equivalente a um salário modesto, dividindo todo o resto. Afinal, quem trabalharia para produzir a riqueza?

A esquerda não defende a filantropia, que é uma escolha privada, possível apenas para quem já tem muito mais do que precisa. A filantropia se baseia uma relação de dependência entre o doador e o beneficiário. Às vezes o filantropo tira maior benefício para si deste ato, pois adquire prestígio e influência (e em muitos casos, consegue esconder a sonegação de grandes somas). A esquerda promove a solidariedade, que é a ajuda mútua entre iguais, e políticas públicas, ativas e coativas de redistribuição de renda.

Sim, coativas. Um imposto de renda progressivo é coação. Qualquer imposto é coercitivo – então que ao menos seja justo. Esse imposto arrecadado deve ser direcionado para um investimento social eficiente, que beneficie aos mais pobres (Bolsa-Família, reforma agrária, etc) ou a todos (educação e saúde públicas, transporte coletivo, etc).

Antes que digam que isso é um atentado à liberdade, gostaria de lembrar que a propriedade privada é tremendamente coativa. A propriedade privada é exclusiva: o bem é apropriado por um, que faz dele o que bem entender, quando é excluído do usufruto de todos os outros. Grande parte da violência policial e encarceramento é repressão aos crimes contra a propriedade privada. Grande parte da criminalidade de rua é tentativa de obter propriedade privada por meios ilegais. Qual liberdade proprietária tem o miserável, que nada tem para si? A liberdade individual do pobre é ser escravizado pela necessidade. Uma redistribuição de riquezas desigualmente distribuídas é a maior promoção da liberdade, pouco importando que seja realizada mediante coerção política e jurídica.

Ser de esquerda, portanto, não é ser contra qualquer tecnologia X por ter sido inventada numa sociedade capitalista, feudal ou escravista, mas, pelo contrário, lutar pela socialização dos benefícios do progresso tecnológico. E desde que (re)descobrimos a finitude dos recursos do planeta, de um modo que não comprometa o futuro dos nossos filhos, netos e bisnetos.


13 jan 2014 - 7:22  

Questão de escala

O programa Conta Corrente, da Globonews, apresentou na última sexta o seguinte gráfico referente à inflação de 2013:


Copiei daqui

Considerando que o Conta Corrente é um programa “especializado” em economia, exibido num canal fechado, tendo como público-alvo pessoas (em tese) bem informadas, imaginem eventuais “descuidos” que poderiam ocorrer no canal aberto para um público “não tão seleto”…


9 jan 2014 - 5:52  

Goin’ crazy…

— Onde você vai?

— Vou sair um pouco.

— Vai de carro?

— Sim.

— Tem gasolina?

— Sim. coloquei.

— Vai demorar?

— Não. Coisa de uma hora.

— Vai a algum lugar específico?

— Não. Só rodar por aí.

— Não prefere ir a pé?

— Não. Vou de carro.

— Traz um sorvete pra mim!

— Trago. Que sabor?

— Manga.

— Ok. Na volta eu passo e compro.

— Na volta?

— Sim. Senão derrete.

— Passa lá, compra e deixa aqui…

— Não. Melhor não! Na volta. É rápido!

— Ahhhhh!

— Quando eu voltar eu tomo com você!

— Mas você não gosta de manga!

— Eu compro outro. De outro sabor.

— Aí fica caro. Traz de cupuaçu!

— Eu não gosto também.

— Traz de chocolate. Nós dois gostamos.

— Ok! Beijo. Volto logo…

— Ei!

— O quê?

— Chocolate não. Flocos.

— Não gosto de flocos!

— Então traz de manga prá mim e o que quiser prá você.

— Foi o que sugeri desde o começo!

— Você está sendo irônico?

— Não tô! Vou indo.

— Vem aqui me dar um beijo de despedida!

— Querida! Eu volto logo. depois.

— Depois não. Quero agora!

— Tá bom! (Beijo)

— Vai com o seu ou com o meu carro?

— Com o meu.

— Vai com o meu. Tem cd player. O seu não!

— Não vou ouvir música. Vou espairecer.

— Tá precisando?

— Não sei. Vou ver quando sair!

— Demora não!

— É rápido. (Abre a porta de casa)

— Ei!

— Que foi agora?

— Nossa! Que grosso! Vai embora!

— Calma. estou tentando sair e não consigo!

— Porque quer ir sozinho? Vai encontrar alguém?

— O que quer dizer?

— Nada. Nada não!

— Vem cá. Acha que estou te traindo?

— Não. Claro que não. Mas sabe como é?

— Como é o quê?

— Homens!

— Generalizando ou falando de mim?

— Generalizando.

— Então não é meu caso. Sabe que eu não faria isso!

— Tá bom. Então vai.

— Vou.

— Ei!

— Que foi, cacete?

— Leva o celular, estúpido!

— Prá quê? Prá você ficar me ligando?

— Não. Caso aconteça algo, estará com celular.

— Não. Pode deixar.

— Olha. Desculpa pela desconfiança, estou com saudade, só isso!

— Ok, meu amor. Desculpe-me se fui grosso. Tá… eu te amo!

— Eu também! Posso futricar no seu celular?

— Prá quê?

— Sei lá! Joguinho!

— Você quer meu celular prá jogar?

— É.

— Tem certeza?

— Sim.

— Liga o computador. Lá tem um monte de joguinhos!

— Não sei mexer naquela lata velha!

— Lata velha? Comprei pra a gente mês passado!

— Tá… Ok. Então leva o celular senão eu vou futricar.

— Pode mexer então. Não tem nada lá mesmo.

— É?

— É.

— Então onde está?

— O quê?

— O que deveria estar no celular mas não está.

— Como?

— Nada! Esquece!

— Tá nervosa?

— Não. Tô não.

— Então vou!

— Ei!

— O que ééééééé, caralho?

— Não quero mais sorvete não!

— Ah é?

— É!

— Então eu também não vou sair mais não!

— Ah é?

— É.

— Oba! Vai ficar comigo?

— Não vou não. Cansei. Vou dormir!

— Prefere dormir do que ficar comigo?

— Não. Vou dormir, só isso!

— Está nervoso?

— Claro, porra!

— Então por que você não vai dar uma volta para espairecer?


8 jan 2014 - 14:51  

Admirável Gado Novo

Massa de manobra se refere ao conceito de violência simbólica de Pierre Bourdieu, onde a sociedade é conduzida por uma ideologia dominante, se anulando enquanto ser histórico e protagonista. Traduzindo: massa de manobra é um grupo de pessoas que são motivadas por uma opinião ou ideologia pré-formada por um grupo político, mídia, ou de outra forma, para fazer passeatas ou movimentos para defenderem a ideologia sob a qual estão influenciadas.

Ou seja, é como se fosse um gado que os vaqueiros conduzem para onde querem.

E nós, demais mortais, é que temos que suportar os berrantes…


4 jan 2014 - 11:32  

“Built to suit”

Hein?

Você não sabe o que raios é isso?

No problem! Basta ter paciência e conferir os mais de seis metros de parecer deste causídico que vos tecla!

E, mais uma vez, “brincando” com esse tal de Slideshare…

Mas se quiser baixar o arquivo, então clique aqui.


26 dez 2013 - 20:40  

Nós em Foz – Saindo das docas

Diário de bordo. Data estelar: vinte, seis, treze, doze, ponto, vinte, quarenta. Primeiro Ciclo. Fim de ano. A fronteira final. Estas são as viagens da família Miura-Andrade em sua missão de sete dias para explorar novos e estranhos lugares, pesquisar novas formas de divertimento e novas comunidades, audaciosamente indo onde nenhum deles jamais esteve.

Pois bem. No capítulo de hoje, já tendo combinado encontrar com nossos amigos e companheiros de viagem às oito da matina para pegar a estrada, e com as malas prontas desde a noite anterior, restaram apenas as últimas recomendações e providências no tocante à casa e sua guarda. Desligar o gás, recolher as roupas do varal, tirar alguns aparelhos das tomadas, congelar algumas comidas e livrar-nos de outras que certamente iriam estragar – coisas do gênero. Nessa tarefa acabei encontrando jogado num canto um interessante bottom. Perguntei aos filhotes se pertencia a algum deles ou a algum jogo. Nada. Fiquei feliz com o bom augúrio. Isso porque o desenho gravado era o de uma coruja branca. E – não sei se já comentei por aqui – já tem uns dez anos que adotei esse animal como o totem de nossa família. Isso graças a uma teimosa corujinha que costumava nos vigiar quando morávamos num apartamento… Mas isso já é outra história! Por ora a corujinha vai pra carteira, pra sempre me acompanhar, e de lá não sai mais…

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Aliás, ainda na noite anterior recebi uma ligação do amigo Flávio não só para desejar um Feliz Natal como também acabamos combinando um almoço já para o dia seguinte, pois ele e a família estavam em uma cidade que fica mais ou menos na nossa rota: Conchas – um pouco depois de onde Judas perdeu as meias (as botas ficaram bem antes). A propósito, quem nasce em Conchas é o quê? Aproveitando o ensejo já nos convidou para passar a virada de ano lá com ele e a família. Conversei com a Dona Patroa e tive a melhor resposta que eu poderia ouvir: “Por que não?”

Afinal combinamos que seriam dois dias de ida, dois dias de passeio e dois dias de volta. Exatamente a tempo de parar no meio do caminho. Tá, um quarto do caminho pro lado de cá. Ainda assim certamente valeria a pena!

Pois bem, às oito em ponto estávamos no local combinado e acabamos tendo que aguardar uma horinha até que Wagner, Dani e família também estivessem prontos. Como a viagem havia sido originalmente programada por eles a regra geral num caso destes é não causar nenhum embaraço aos planos traçados. E assim o fizemos.

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Nesse meio tempo, enquanto esperávamos, acabei descobrindo que a Spin já contava com seu primeiro amassadinho, nem tanto perceptível e num local quase impossível (em que pese o engate instalado somente para evitar colisões): bem na parte superior mais alta da tampa traseira. Não me perguntem. Não sei como aconteceu. Nem a Dona Patroa. Nem ninguém. É sempre assim…

Mas zuzo bem, afinal de contas o carro é dela, não é mesmo?

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Enfim, todos prontos, tanque cheio, pneus calibrados, carros lotados, então toca pra estrada!

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É curioso…

Acho que realmente há muito tempo não fazíamos uma viagem bem longa. Na verdade creio que a última foi aquela para Minas – nem tão longe assim – e que já tem pelo menos mais de dois anos! Além de meu inseparável pendrive com a coleção de músicas em MP3 que mais gosto (e percebo que tanto a Dona Patroa quanto os filhotes já estão ficando meio que saturados dessas músicas), viagens assim me fazem pensar e pensar muito… Num dia lindo, com o céu azul, nuvens com formações fantásticas e uma estrada tranquila, a capacidade que tenho de me abstrair é gigantesca!

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E, na memória, um assunto puxa outro e acabei por me lembrar de nossa Lua de Mel, há pouco mais de 15 anos, quando fomos para Porto Seguro. Na verdade foi um presente de nossos amigos, demais advogados do escritório em que trabalhávamos, quando nos casamos. E, na verdade da verdade, ela meio que tentou “trocar” a passagem com eles, pois já naquela época queria conhecer Foz do Iguaçu – o que, é lógico, acabou não rolando. É que ela já havia viajado para Porto Seguro – e, se não me engano, com a mesma amiga Dani que agora nos acompanhava no outro carro – só que eu não. E, talvez, tenha sido por isso que, na época, acabou concordando em ir novamente para lá. Paciência. Ainda assim foi muito bom – novidades para mim e uma outra visão para ela. Mas durante todos estes anos parece-me que, ainda que secretamente, ela acalentou a idéia de viajar para o Sul e realizar seu desejo. Bem, demorou, mas enfim o sonho se realizaria!

Já bem adiantados na Castelo, depois de umas duas fechadas involuntárias que dei em uns apressadinhos na Marginal do Tietê, resolvemos dar uma parada rápida para as necessidades básicas do ser humano. Entenda-se: banheiro e café, não necessariamente nesta ordem. Aliás foi o momento também para um sorvete (tava quentepracaramba) e para avaliar a quantidade monumental de insetos que sacrificaram suas nada preciosas vidas nos pára-brisas dos carros… Aliás, lembrei-me de Bee Movie

De volta pra estrada, não demorou muito para fechar este primeiro ciclo com uma parada estratégica para almoço – num desses postos Graal (e que tem tudo a mesma cara). E, é claro, aquele que ficava “perto” de Conchas. Ou seja, coisa de uns trinta quilômetros… Mesmo assim meus amigos Flávio e a Carina fizeram questão de ir até lá – muito bem acompanhados do sobrinho Júlio – para, pelo menos um café. Combinamos o que tínhamos que combinar para o Ano Novo (que, é lógico, foi tudo recombinado novamente depois) e preparamo-nos para retomar viagem – não sem antes ao menos uma foto para registrar o momento:

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Da esquerda para a direita: Isabela, Wagner, Capitão América, Flávio, Júlio, Carina, Dona Patroa, Stela, Daniela, Luís Miguel, Erik e Kevin. Onde está o Jean? Bem, alguém tinha que tirar essa foto, não tinha?…

(Ah, cá entre nós, segundo o Flávio quem nasce em Conchas é “PÉROLA”… Tomô?)


24 dez 2013 - 15:07  

Nós em Foz – Prelúdio

Diário de bordo. Data estelar: vinte, quatro, treze, doze, ponto, quinze, sete. Fim de ano. A fronteira final. Estas são as viagens da família Miura-Andrade em sua missão de sete dias para explorar novos e estranhos lugares, pesquisar novas formas de divertimento e novas comunidades, audaciosamente indo onde nenhum deles jamais esteve.

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Nossa aventura começa exatamente num “concílio familiar”, onde, logo após um intercolóquio etílico-churrasquístico para comemorar o aniversário do filhote do meio, eu e a Dona Patroa chamamos toda a Tropinha de Elite para uma proposta simples jamais realizada (ao menos não com essa distância): percorrer os aproximadamente 1.200 quilômetros que nos separam de Foz do Iguaçu.

Após algumas discussões curtas, óbvias e básicas – como, por exemplo, a certeza absoluta que tanto nossas contas bancárias quanto nossos cartões de crédito é que a médio prazo iriam sofrer com uma decisão dessas – resolvemos que sim, iríamos enfrentar a estrada. A bem da verdade acompanhando um casal de amigos nossos – Daniela e Wagner – juntamente com seus também três filhos. Até não muito tempo atrás eu costumava dizer que era o único casal com quem nos encontrávamos, no mínimo, seis vezes por ano: nas festas de aniversário dos três filhos deles e nas dos nossos três. Mas agora, com a adolescência batendo à porta dos mais velhos, essa constância já não é tanta…

Mas tergiverso.

A data marcada para lançamento foi fixada para dali a apenas cinco dias, logo após o Natal. Os preparativos começaram quase que imediatamente, pois a fortaleza precisaria ser lacrada, com acesso apenas ao sempre pronto e atento sobrinho de plantão – o Heidy – que se dispôs, durante nossa ausência, a cuidar da nossa prole canina, felina e aquática.

Como iríamos todos, inclusive meu sogro – que, lá pela quarta tentativa (surdo-como-uma-porta-sem-maçaneta) conseguiu entender que viajaríamos -, a primeira providência seria acomodar as malas de todos confortavelmente. Bem, a Spin, com todos os bancos em uso (até porque o último somente rebate em dupla), não deixa muita opção para bagagem, de modo que resolvemos dar uma checada no quanto custaria um daqueles “bagageiros maleiros de teto” – que parece PRA CARAMBA com o caixão-torpedo do Spock em Star Trek II

Clique na imagem para ampliar!

A variação foi de 900 contos a mais de dois mil! Dependendo do tamanho e da facilidade de acesso – pois, no caso da Spin, um carro alto, o melhor seria um maleiro que tivesse a abertura pelas laterais – o custo aumenta prodigiosamente. Na boa? Vai é todo mundo apertado mesmo, com mala no colo, colo no colo, tudo espremido ou seja lá o que for! O que não dá é deixar de viajar porque o dinheiro foi todo consumido nos preparativos da viagem. Esse certamente vai ficar para uma próxima viagem…

Outra “novidade” com que a Dona Patroa apareceu foi o tal de “Sem Parar”: uma espécie de assinatura que dá direito a um aparelhinho que serve para reconhecimento automático nos pedágios da vida. Dezessete reais de manutenção mensal e cobrança diretamente em conta-corrente de todos os valores referentes aos pedágios que encontrarmos pelo caminho. A vantagem, nesse caso, para uma viagem longa como a nossa é que pouparemos um grande tempo com relação às filas que certamente enfrentaríamos se não fosse isso.

Aliás, falando em pedágio e viagens, é lógico que fomos dar uma fuçada na Internet para saber um pouco mais sobre dicas e rotas e custos e outros quetais. Um site muito legal para se visitar é o www.mapeia.com.br, que faz o cálculo do total a ser gasto com pedágios (inclusive indicando os locais e valores em cada um deles), do tempo de viagem e até mesmo do gasto estimado de combustível. Ali verificamos que gastaríamos pouco mais de R$150,00 em pedágio (só ida) e até traçamos o roteiro, saindo de São José dos Campos, atravessando a Capital, pegando a Castelo, passando por Ourinhos em direção à Londrina e, dali, rumo a Cascavel e finalmente Foz do Iguaçu.

Aproveitei ainda para atualizar os mapas do meu bom e velho (e trollador) GPS Foston. Baixei quase um giga de arquivos, transferi para a memória do bichinho, atualizei o software e constatei que, definitivamente, ele estava mudo. Nem tanto pelos mapas, mas pelos alertas de radar ele sempre se mostrou útil (ou quase). Que fazer? Bem, tendo verificado que o problema era no alto falante dele a única opção seria utilizá-lo com um fone de ouvido, pois essa saída estava funcional. Incômodo, eu sei – mesmo usando apenas um. Mas como sou eu que vou dirigir e a Dona Patroa que vai ao lado…

Ela só não sabe disso.

Ainda.


22 dez 2013 - 8:43  

Espacate

Espacate (do italiano spaccata) é um movimento ginástico que consiste em abrir as pernas de modo que estas formem um ângulo de 180º e fiquem paralelas ao solo.

Nas telinhas o ator que ficou famoso por usar esse recurso em seus filmes de artes marciais foi ninguém menos que o belga Jean-Claude Van Damme.

E agora, aos 53 anos de idade, num comercial da Volvo ele veio provar que ainda continua em forma!

Apoiado na lateral de dois caminhões, num teste criado para demonstrar a estabilidade e precisão da Volvo, ele discorre: “Eu já tive meus momentos bons e ruins. A minha parte de estradas esburacadas e fortes ventos. Foi isso que fez de mim o que sou hoje. E agora, aqui estou, diante de vocês. E o que vocês vêem é um corpo trabalhado até a perfeição; um par de pernas projetadas para desafiar as leis da física e uma mente que domina a mais épica das espacatas.”

Confiram:

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Mas o mais legal não é isso!

O mais legal é que Chuck Norris, o fodão do impossível, resolveu mostrar que é ainda melhor que Van Damme. E recitando Shakespeare! E, como se já não bastasse, ele aproveita esse momento tranquilo e, descontraído, deseja um feliz Natal e feliz Ano Novo…

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