10 jan 2015 - 15:57  

A insustentável leveza do ser

Parmênides, um filósofo que já era filósofo antes mesmo de Sócrates (o filósofo, não o jogador), lá pelos idos de 500 a.C. (“antes de Cristo”, ô sapiência!) defendia uma tese acerca das dualidades ontológicas do ser, ou seja, suas propriedades transcedentais do ponto de vista da metafísica. Parece complicado, mas não é. Explico. Como o ser é, por excelência, unitário, então as dualidades surgem de acordo com a sua própria perspectiva, sua percepção do mundo que o cerca, conforme venha notar a presença ou a ausência de uma determinada entidade. Focando no que é o natural, naquilo que seria óbvio, percebe-se a existência de seu contrário. Nesse sentido, o frio é apenas a ausência de calor, o “não-calor”. As trevas são a ausência de luz, a “não-luz”. E, diferente do que poderíamos supor, o peso, por sua vez, seria a ausência de leveza, ou seja a “não-leveza”. Na minha opinião, uma lógica bastante consistente, jogada digna do calcanhar de Sócrates (o jogador, não o filósofo).

Ou seja, o óbvio para o ser humano é o “peso” que surge naturalmente em sua vida, uma “não-leveza”. Esse peso pode ser percebido como um sem número de coisas ou fatores: o peso de um comprometimento, o peso de um engajamento, o peso do medo, o peso da ansiedade, o peso da vida…

Sim, pois não se iluda! A vida pesa, sim – e muito!

Afinal de contas, quantas vezes já não fomos simples e inevitavelmente levados pelo destino ao encontro de uma situação improvável, ingenuamente acreditando que o acaso estaria traçando os rumos de nossas vidas – mas que, sobretudo, estaríamos sempre no controle.

Ledo engano!

Basta puxar pela memória. Pense no passado e como hoje você veio parar onde está, na tão peculiar situação em que se encontra. Tá vendo? Não disse? Minha memória pode não ser tão boa, mas em sua seletividade ela consegue me reconduzir pelos caminhos que já trilhei. Como eu já disse por aqui antes, você pode passar toda uma existência andando pelos jardins de Destino, sempre com bifurcações e múltiplas opções de caminhos. Mas, ao parar e olhar para trás, verá que deixou atrás de si um único caminho trilhado. Assim é o destino.

Então qual é o segredo? Pois, ao perceber a pequenez dessa vida em que vivemos e sobre a qual não temos, de fato, controle nenhum, percebemos também o quanto isso pesa. Como se livrar desse peso?

Bem, se pensarmos como o filósofo ali de cima, a nossa verdadeira busca é tentar transcender para a outra ponta da dualidade que envolve a entidade peso: passar da “não-leveza” para a leveza.

Ou seja, é abandonar o medo de arriscar, abandonar o medo de ser superficial, buscar a leveza da franqueza aliando-a à beleza da sinceridade.

Almejar essas metas são simplesmente um começo. É certo, sim, que buscar deixar pra trás aquilo que te cansa, aquilo que te desgasta, aquilo que te rejeita, bem, não tenha dúvidas: isso tudo gera ansiedade. E ansiedade também é um peso desgraçado para se carregar. E, ainda que não seja preciso, é preciso continuar!

É… Não tem jeito… Viver é para profissionais!

Então deixe de lado a leveza do País das Maravilhas e busque a leveza em sua própria vida.

Sem medo. Sem peso. Sem culpa. Pois culpa também é peso.

Somente com tudo isso em mente – que é e sempre vai ser apenas uma parte do todo – é que será possível dar a devida importância àquilo que realmente é importante.

A vida é assim. Sozinhos viemos, sozinhos nos fizemos e sozinhos partiremos. Mas, nesse meio tempo, façamos com que seja possível mudar o rumo das coisas de modo tal que a vida siga seu rumo, que seja possível compartilhar a alegria que é viver, que seja possível dividir e mostrar que viver é bom – afinal, tem que ser gostoso! Há que se preocupar com quem se preocupa com você, há que se fazer rir, há que se consolar, há que se responder as perguntas (em especial as que não são feitas), há que se acalmar, há que se cuidar.

Há que se ter leveza.

Faça isso. Vai por mim: faça!

Transformar a própria vida não é fácil. E a de outrem, então? Dangerosíssima missão quase que impossível!

Mas, ainda assim, é possível.

E, diferente da canção, a que diz que no coração cabem três vidas inteiras, em cada fase de nossas vidas cabem muitas vidas inteiras…

De minha parte já perdi a conta de quantas vidas tive. E olhe que estou falando somente desta vida!

Bem, é isso Fica a dica. Viva. Deixe viver. Compartilhe a vida. Não há que se preencher o espaço da vida de outrem, mas sim fazer com que perceba como deve ser preenchido.

É isso. Vamos viver. Plenamente. Um dia de cada vez. Com alegria, com amor, com carinho, com paixão, com tesão.

E, finalmente, parafraseando o autor, entenda que as perguntas mais simples são sempre as mais profundas, com respostas por muitas vezes pra lá de complexas.

Quer um exemplo? Fácil. Vejamos a mais simples de todas elas:

“Você é feliz?”

Pense sobre isso de vez em quando e observe suas respostas se modificarem…

 
 


7 jan 2015 - 12:08  

O Bicarato que não era Bicarato

Quebra-cabeças.

Definitivamente, eu gosto desse tipo de desafio.

E, pior, aventureiro genealogista que sou, os quebra-cabeças que me atraem são aqueles que dizem respeito ao misterioso passado das famílias. De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos? Qual o porquê desse desgraçado calor insuportável?

Enfim, como já costuma dizer a amiga virtual Regina Cascão, sempre estou na busca dos “meus mortinhos”…

Mas minha curiosidade extrapola minha família! Basta eu ouvir um nome diferente e já fico pensando de onde é que veio, qual sua história, como se formou.

E com o amigo e copoanheiro Bicarato não foi diferente. Paulo Henrique de Almeida Bicarato. Sim, um nome de família com todo jeitão de ser italiano, mas de onde? Ninguém nunca descobriu. E resolvi assumir esse desafio já tem um bom tempo – mas as correrias do dia a dia sempre foram deixando essa pesquisa para trás. Até agora.

Tudo (re)começou quando o Bica me encaminhou a transcrição da certidão de nascimento de seu avô, Bento, nascido em 09/10/1913. Filho de Giovanni Bicarato e Colomba Muscini. A notícia é que esse Giovanni quem teria vindo da Itália para trabalhar no Brasil.

Mas o raio é que esse nome, “Bicarato”, teimava em se esconder em todas as pesquisas que fiz, pois jamais encontrei qualquer referência genealógica fora do contexto da própria família no Brasil. Daí resolvi ir atrás das ilações sobre a grafia errada do nome – coisa muito comum na virada do século, quando a grande maioria dos imigrantes aportou neste nosso país. Poderia ser Bicaratto, Biccarato, Bigarato, ou qualquer outra coisa do tipo. Mas a luz no fim do túnel começou a surgir quando, das pesquisas detetivescas de meu amigo, cogitou-se a possibilidade de, de repente, ter existido alguém cujo nome seria B. Carato e daí, da corruptela da escrita e da pronúncia, ter surgido o atual Bicarato. Idéia interessante a ser explorada, até porque existem vários núcleos de famílias Carato na Itália.

Resolvi tentar essa hipótese através de uma busca no acervo digital do Museu da Imigração. Lancei o nome Carato, apertei a tecla Enter e cruzei os dedos. De cara surgiram 37 ocorrências espalhadas por várias páginas e justamente num dia em que a conexão estava péssima! Paciência. A busca retornou a parte final do nome de várias famílias, além de Carato, tais como Boscarato, Macarato, Zacarato e por aí afora.

Fui pacientemente avançando, página por página, já sem esperanças mas ainda munido da minha habitual teimosia. Espera, carrega página, consulta nome a nome, nada; espera mais um pouco, carrega nova página, consulta, nada… E assim foi indo. Quando cheguei na última página, passando pelos nomes, justamente no penúltimo registro, lá estava ele: Giovanni! Seria ele mesmo? Fui conferir a cidade de destino: conferia. Fui conferir se, nos membros da família que vieram com ele, estaria o nome de sua mulher: também conferia! Só podia ser ele!

Mas o mais curioso e a revelação do dia foi outra: Ele não era um Bicarato, mas sim um RICARATO!

Clique na imagem para ampliar!

Como esse negócio de escrita antiga é complicado, ainda fiquei com uma pulguinha atrás da orelha com a grafia utilizada. Aquilo seria mesmo um “R”? Poderia, na prática, se tratar de muitas outras letras… Mas a essa altura do campeonato, feliz com minha “descoberta”, mais que prontamente comuniquei a alvissareira notícia ao amigo e copoanheiro! Juntos, explorando um pouco mais, ele percebeu o nome do navio em que viajou seu antepassado: “Re Umberto”. Lembrei-me que poderia constar seu nome na lista de passageiros e lá fomos explorar. Sucesso!

Clique na imagem para ampliar!

Apesar de ter sido ticado bem em cima da primeira letra, vendo a letra de baixo, nitidamente um “B”, não tem como confundir. Aquilo é um “R”!

Enfim, mais algumas peças foram encontradas nesse quebra-cabeças familiar que é o nome Bicarato. Dali teremos condições de explorar novas alternativas, audaciosamente indo onde nenhum Bicarato jamais esteve! Os becos sem saída continuam, pois o nome Ricarato, na Itália, parece ser tão misterioso quanto sua versão brasileira.

Mas tempo ao tempo, paciência e perseverança. Tenho certeza que ainda vou encontrar mais alguma coisa por aí afora.

Agora, a pergunta que não quer calar: devo notificar todos os atuais membros da família Bicarato para que providenciem a alteração de seus nomes para a correta forma Ricarato?…
 
 


7 jan 2015 - 6:57  

Dilma demite São Pedro

Roubartilhado daqui

ALVORADA – A presidenta Dilma Rousseff resolveu interceder junto às esferas celestes para acabar de vez com as chuvas de verão. “São Pedro está fazendo uso político desse aguaceiro. Todo ano é a mesma coisa”, argumentou ao receber Deus Pai em seu gabinete. O Todo-Poderoso redargüiu com tergiversações. Insatisfeita com a resposta, a presidenta mirou-O nos olhos e sapecou: “Meu Querido, você fez tudo em seis dias, sem licitação. Se a mídia fuçar, vai achar uma ONG nessa História”. Sem alternativa, o Supremo Arquiteto demitiu São Pedro.

Em fração de segundos, o PMDB apresentou sete candidatos ao cargo. “São Pedro só estava na função desde o Big Bang. Nessa época, Sarney já acumulava duas concessões de TV e trinta anos de vida pública. Não nos falta experiência para assumir a regulação das chuvas, trovoadas e ventanias”, discursou Michel Temer.

Esperançosos com a perspectiva de controlar a precipitação nacional, a bancada peemedebista do sertão nordestino já começou a empregar recursos não contabilizados para adquirir largas extensões de terra onde, segundo relatório confidencial, será construído o complexo hoteleiro que servirá às Cataratas de Quixeramobim, cujo volume de água será três vezes maior do que as Cataratas de Iguaçu.

Ao final do dia, assessores próximos à presidenta confidenciaram que Dilma pretende intervir na logística de atendimento de Santo Expedito. “As causas urgentes já foram atendidas com mais rapidez”, disse contrafeita a colaboradores. A partir de fevereiro, quem fizer um pedido e não for atendido em no máximo quatro horas poderá se queixar a São Longuinho, mediante o preenchimento de um DARF em três vias.
 
 


6 jan 2015 - 12:52  

Ex-noivo pagará indenização por casamento cancelado

Não, você não leu errado. É isso mesmo.

Não entrando no mérito da questão, o interessante é o porquê foi negado o dano moral!

Quando a gente pensa que já viu de tudo…

Acórdão da 7ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, registrado no último dia 12, manteve sentença da Comarca de Rio Claro para condenar um homem a pagar indenização por danos materiais à ex-noiva, para ressarcimento dos gastos com preparativos do casamento que foi cancelado. O valor é de aproximadamente R$1.800,00. A autora também pretendia receber indenização por danos morais sob o argumento de que descobriu uma traição cinco meses antes do casamento, motivo do rompimento da relação. A turma julgadora, no entanto, negou o pedido.

O relator do recurso, desembargador Rômolo Russo, ressaltou em seu voto que realmente houve abalo emocional por parte da autora, mas essa sensação não é indenizável no status jurídico. “Nosso ordenamento não positiva o dever jurídico de fidelidade entre noivos ou namorados. Tal previsão restringe-se ao casamento civil (artigo 1.566, inciso I, do Código Civil). A conduta do apelante, portanto, não configura ato ilícito que acarretasse diretamente indenização por dano moral.” E também afirma: “É inegável que houvera a quebra abrupta nas expectativas da autora. No entanto, essa decepção, tristeza e sensação de vazio é fato da vida que se restringe à seara exclusiva da quadra moral e, portanto, não ingressa na ciência jurídica. Por isso, mesmo reconhecendo-se certa perturbação na paz da apelada, tal não é indenizável em moeda corrente”.
 
 


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