3 out 2013 - 5:29  

Segurança

O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança. Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados.

Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas.

Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.

Mas os assaltos continuaram.

Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morrese, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar.

Mas os assaltos continuaram.

Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram engradadas.

Mas os assaltos continuaram.

Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa com o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das saídas. Para sair, só com um exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno.

Mas os assaltos continuaram.

Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para um chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema. Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos.

E ninguém pode sair.

Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua.

Mas surgiu outro problema.

As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade.

A guarda tem sido obrigada a agir com energia.

Luís Fernando Veríssimo


1 out 2013 - 7:06  

Atividade perigosa

Invariavelmente, tanto em clubes particulares quanto em atividades coletivas promovidas pelo poder público, quando existem mínimos riscos ou perigos ou até mesmo para organizar uma desenfreada corrida entre os participantes atrás deste ou daquele equipamento, criaram a figura do “monitor”, ou seja, quase um guarda salva-vidas, alguém que está ali para efetivamente monitorar, ajudar, acompanhar, organizar e, principalmente, garantir a segurança do público de um modo geral.

É assim que eu entendo.

Então, por isso mesmo, não pude deixar de rir com a dangerosíssima atividade para a qual gostariam de escalá-los, conforme nota de hoje num jornal local:

No encontro setorial que discutiu a política para os idosos, uma das propostas aprovadas sugere a criação de um abrigo municipal para os idosos e a instalação de um hospital geriátrico público. Entre as reivindicações pontuais, houve o pedido de contratação de monitores de xadrez para as casas dos idosos.

:-/

Emenda à Inicial: Às vezes esqueço-me que nem todos têm as mesmas referências que eu… Então explico: o desenho aí de cima refere-se a uma animação da Pixar, “O Jogo de Geri”, onde o simpático velhinho encontra um adversário mais que a altura para o desafio do xadrez. Abaixo segue o curta-metragem, na íntegra!

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20 set 2013 - 13:50  

“Toca Raul!”

Conheço um número grande de pessoas que torce o nariz ao ouvir essa frase nalgum show.

Mas conheço um número infinitamente maior que vibra de verdade quando essa frase é atendida. Este ser arcaico que vos tecla, inclusive.

Qualquer um pode dizer o que quiser acerca de Raul Seixas, mas é incontestável que foi um ídolo que não passou indelével na história da música brasileira. Aliás, recentemente tratei um pouco tanto da história quanto da discografia dele – tá bem aqui.

E agora, nestes novos tempos de “Rock’n Rio”, com seres e ritmos pra lá de duvidosos subindo ao palco, eis que o velho soteropolitano resolveu dar o ar da graça – ainda que por interposta pessoa! Quem me deu a dica da história e do vídeo foi o copoanheiro de plantão, Bicarato, e ainda com os pitacos do hd e do Inagaki.

Sobre o que exatamente estou falando?

Ora, confiram por si mesmos como Bruce Springsteen abriu o show dele:

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Tá, tá, eu sei. Muita gente – mesmo os fãs – podem argumentar que isso já estava programado, que foi um pusta lance de marketing, etc, etc, etc. É claro que estão certos. Mas nada disso impediu que ele saísse literalmente ovacionado pelo público presente!

Aliás, vejam o relato que rolou no site oficial de Bruce Springsteen: “For over three hours, the audience witnessed Bruce’s endless vigor and stamina on stage, kicking off with ‘Sociedade Alternativa’, originally performed by one of the greatest Brazilian rock stars ever, Raul Seixas. Brazilian crowds often chant ‘Play Raul’ at different shows, but before the first fan even had the chance to scream these two words, Bruce beat them to the punch, pronouncing flawless Portuguese with a slight accent, only adding to his version of the song. Wherever he is, Raul surely smiled and chanted with excitement: ‘This gringo is the man!’ ”

Hein? Não manja nada do ianque vernáculo? Tãotáintão. Segue uma (bem livre) tradução:

“Por mais de três horas, o público acompanhou o infindável vigor e resistência de Bruce no palco, que começou sua apresentação com ‘Sociedade Alternativa’, música originalmente interpretada por uma das maiores estrelas do rock brasileiro, Raul Seixas. Multidões brasileiras muitas vezes pedem ‘Toca Raul’ em diferentes shows, mas antes mesmo que o primeiro fã tivesse a chance de gritar essas duas palavras, Bruce golpeou-os no estômago, brindando-os em um português impecável, mas com um ligeiro sotaque, com a sua versão da música. Onde quer que esteja, Raul certamente deve ter sorrido e cantado com entusiasmo: ‘Esse gringo é o cara’ ”


12 set 2013 - 8:13  

O Deus de Spinoza

Clique na imagem para ampliar!
“Acredito no Deus de Spinoza,
que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe,
e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens.”
(Albert Einstein)

Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.

Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.

Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.

Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?

Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.

Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.

Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.

Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?

Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… aí é que estou, batendo em ti.

Baruch Spinoza


8 set 2013 - 14:38  

Na ponta dos pés

Sei bem o que é isso…

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7 set 2013 - 6:21  

De volta ao passado

Outro dia comentando com uma amiga a respeito de algumas músicas, acho que supreendi-a (na verdade, também a mim), cantarolando um longo trecho de uma enigmática música da qual ela jamais ouviu falar – coisas dinossáuricas da bolha que me cerca e que permanecem gravadas em minha memória.

E, é lógico, acabei ficando com a música na cabeça…

Mas o mais interessante foi contar um pouco de história para essa Geração MP3 – eu ia escrever “Geração CD”, mas acho que isso também já deve estar ficando obsoleto (assim como eu) – em especial o fato de que aquela música fazia parte de um álbum lançado em 1982, ou seja, ainda estávamos em plena Ditadura Militar, inclusive com a Censura a todo vapor.

Os músicos de então aproveitavam-se de trocadilhos e sutilezas para brincar um pouco com os censores, dando a luz a músicas que nos dias de hoje podem até ser vistas como ingênuas – quase infantis – mas que, à época, divertiam justamente por flertar com o proibido. Mas, mesmo assim, às vezes exageravam na dose e daí a música não passava mesmo. Nesse caso em particular as duas últimas canções foram proibidas, o que levou a gravadora a inutilizar as duas últimas faixas do disco de vinil, riscando-as manualmente.

Eu tive esse disco. E, assim como eu, tenho certeza absoluta que todo mundo que já o teve também estragou agulhas e agulhas de seus toca-discos tentando ouvir alguma coisa daquelas faixas censuradas…

Aliás que, ouvidas nos dias de hoje, é lógico que nem são tudo isso – inclusive o último é um blues até razoável. As músicas? “Ela quer morar comigo na Lua” e “Cruel, cruel, esquizofrenético blues”. Algum outro dia até as coloco aqui. Pois hoje o que quero mesmo é exorcizar essa música que continua zumbizando na minha cabeça e que agora compartilho com vocês – uma baladinha vinda diretamente da (quase) inocente década de oitenta!

Blitz – O romance da universitária otária

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6 set 2013 - 7:44  

Vamos todos morrer?

Há algum tempo vi uma fantástica, do fundo do elevador que caía…

Mas desta vez a LG resolveu mostrar que sua nova TV tem uma definição tão real, mas tão real, mas tão real, a ponto de quem estiver olhando pra ela não conseguir perceber que é apenas um aparelho – gigante, diga-se de passagem, com 84 polegadas, ou seja, uma verdadeira janela! Colocaram-na então em uma parede e simularam uma entrevista de emprego, com os entrevistados bem de frente e, sem saber, prestes a presenciar uma catástrofe.

O mais legal é ficar todo mundo no escuro, depois. Acho que deve ficar a pergunta: “morri?”…

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4 set 2013 - 3:09  

O mundo é como você vê

Muito bom esse vídeo.

Singelo e objetivo.

Percebam os detalhes de como reagem aqueles que estão ao redor da personagem.

E assistam até o fim.

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