Música-tema do dia…

Uma das últimas, digamos, “sugestões” acerca desse tema eu passei aqui.
E, desde então, não tive mais problemas!
Tá, na verdade eu tive. Mas consegui resolver, como contei nesta outra dica…
E, mais uma vez, deparo-me com a insatisfatória mensagem de que não seria possível copiar um determinado DVD – veja bem, somente para fins de backup ou, ainda, como “cópia de avaliação” (perpétua), certo? – o que me deixa sensivelmente emputecido.
E lá vamos nós!
Fuça daqui, dali, acolá e mais um pouco.
E pronto!
Bastou uma singela reconfiguração dos softwares já instalados pra tudo funcionar conforme manda o figurino…
A preciosa dica veio daqui (que me mandou pr’aqui), a qual transcrevo abaixo, mas sem as imagens do original – quem quiser que vá até lá pra ver!
DVDs Novos “I/O ERRO!” (Erros de Redundância Cíclica) resolvido.
Boa Tarde a todos.
Esse eh meu primeiro post aqui. Vou ensinar como gravar os DVDs dos filmes novos com “erro de redundância” ex: Miami Vice e Fast and Furious Tokyo.
Configurando o DVD Decrypter 3.5.4.0
Vá em Tools > Settings e na aba I/O vá no Options e marque 0 onde diz “Software Read Error Retries” e marque a caixinha onde diz “Ignore Read Errors”.
Sobre a trava
Tem coisas que são meio obvias, por exemplo: As travas pra DVD, qualquer uma q seja feita vai ter q fazer o DVD funcionar em qualquer aparelho de DVD já existente no mercado, por esse motivo não existe muito recurso p/ travas. Isso pq os DVDs devem funcionar em “TODOS” os players de mesa sendo velhos ou não.
Essa travinha nova e nada mais que erros propositais colocados no começo dos arquivos principais dos DVDs na maioria os “VTS_01_1.VOB” e “VTS_03_1.VOB” do exemplo “Velozes e Furiozos Tokyo Drift”. Os outros aquivos vc consegue copiar normalmente (desencryptando obviamente).
Método
Eu usei o AnyDVD apenas pra copiar os outros arquivos pra dentro do HD estilo “copiar e colar” menos o “VTS_01_1.VOB” e “VTS_03_1.VOB”. Após isso eu utilizei o Decrypter já com as modificações vistas acima e selecionei apenas os arquivos q estavam faltando(um de cada vez). O detalhe é o seguinte: pra copiar ele vai demorar de 40min a uma hora apenas 1 arquivo de 0.99 Giga e vai encontrar uma quantidade próxima a 210 erros conforme mostra o desenho. Após passado a area de erros ele copia tudo normalmente.
Ação Civil Pública – Ministério Público – Demanda Intentada contra o Município – Promoção de Infraestrutura Urbana e Acessibilidade em Determinado Bairro da Urbe – Improcedência – Ofensa ao Princípio da Igualdade – Obras – Reserva do Possível – Inadmissibilidade da Interferência do Judiciário no Executivo – Separação dos Poderes
É improcedente a ação civil pública intentada pelo Ministério Público contra o Município cujo pedido seja a promoção de infraestrutura urbana e acessibilidade em determinado bairro da urbe, não somente pela ofensa ao princípio da igualdade, tendo em vista a pretensa condenação em realização de melhorias em local específico, mas também pela impossibilidade de o Judiciário invadir assunto ou matérias que não sejam de sua competência, principalmente quando diz respeito a obras, o que exige a análise de todo um contexto, “em especial a realidade e a possibilidade financeira da [comuna], devendo-se observar a reserva do possível”.
TJMS – ApCv nº 2011.015177-20000-00 – 5ª Turma Cível – Rel. Desembargador Júlio Roberto Siqueira Ardoso – Publ. em 19.7.11.

Quem já conversou comigo sobre trabalho por mais de cinco minutos sabe que sempre costumo dizer que os advogados, mais que o direito, precisam conhecer é a língua portuguesa. Sem o pleno domínio da escrita não há conhecimento de lei que salve quem quer que seja. É preciso saber se expressar, explanar e convencer. E a ferramenta que temos à mão é nada mais, nada menos, que a própria linguagem…
E eis que então encontrei esse texto na edição nº 62 da revista Visão Jurídica – que vai exatamente ao encontro desse meu posicionamento.
Leiam. Vale a pena.
LILIAN DAMASCENO
O bom exercicio do da advocacia demanda domínio da língua portuguesa pelo profissional
No mundo jurídico, tudo se faz por meio da linguagem: a recriação dos fatos se dá por escrito, bem como o direito no qual se fundamenta o processo.
Uma disputa judicial se trava a partir da descrição e construção que os advogados fazem para o juiz acerca daquilo que ambas as partes entendem como fatos narrados, descritos e devidamente provados de acordo com a lei, em prazos determinados e por meio de fórmulas legais.
Tudo isso ratifica a ideia de que o domínio dos fundamentos da comunicação e da língua portuguesa é da essência do trabalho do advogado, pois é somente pelo bom uso da linguagem que este poderá exercer a profissão de defender os interesses de seus clientes. Assim, tem-se que o advogado é antes de tudo um profissional da comunicação.
A relação do profissional que atua na área jurídica com a linguagem é muito mais complexa do que a dos outros profissionais. Para o profissional da área jurídica, tudo é linguagem: esse é o único instrumento de que ele dispõe para tentar convencer, refutar, atacar ou defender-se. Também é na linguagem que se concretizam as leis, as petições, as sentenças ou as mais íntimas cláusulas de um contrato – que não passam, no fundo, de formas peculiares de textos que o profissional jurídico terá que redigir ou interpretar. O profissional do Direito, desse modo, precisa conhecer os principais recursos do idioma.
Isso exige que o profissional do Direito seja um usuário exímio da língua portuguesa. Além de dominar o indispensável vocabulário especializado, ele precisa conhecer todos os recursos expressivos do idioma, as sutilezas semânticas, as ramificações etimológicas que as palavras mantêm entre si e a variada gama de estruturas sintáticas que a língua desenvolveu para caracterizar ênfase ressalvas e atenuações, os chamados recursos linguísticos e estilísticos.
Cada universo profissional desenvolve uma linguagem própria, com características inconfundíveis, que todos os seus membros terminam naturalmente por adotar.
Esse vocabulário técnico, criado dentro do âmbito de cada profissional é importantíssimo para evitar as confusões de sentido tão comuns de coloquialidade, além de servir para deixar mais rápida e eficiente e comunicação entre os interlocutores especializados. A boa comunicação é uma necessidade básica na vida jurídica.
É na linguagem que se concretizam as leis, os códigos, as petições, as sentenças ou as cláusulas de um contrato – que não passam, no fundo, de formas peculiares de textos que o profissional jurídico terá que redigir ou interpretar. O profissional do Direito, desse modo, precisa conhecer os principais recursos do idioma.
Os tradicionais conceitos de que a petição inicial limita a sentença e de que as razões do recurso restringem o acórdão mostram claramente que toda e qualquer oportunidade de falar nos autos deve ser aproveitada. Tão importante quanto dominar tais conceitos do processo é aplicá-los com eficiência, não deixando dúvidas quanto à extensão da inicial ou das razões do recurso.
O uso da má linguagem é duramente punido em juízo. O advogado pode perder o processo, obter apenas parte do que pediu, alcançar resultado diferente do que esperava ou nem sequer ser compreendido. Não há uma segunda chance, pois a coisa julgada é imutável.
Diante disso, espera-se que o profissional do Direito seja um usuário privilegiadíssimo da língua portuguesa, visto que a justiça e o Direito materializam-se por meio da linguagem.
Podemos afirmar, portanto, que sem linguagem não há justiça nem direito. É por meio da linguagem que os usuários do contexto jurídico solicitam, respondem, narram, descrevem, explicam, opinam e decidem. O uso correto e adequado do idioma não é apenas um dos vários instrumentos de trabalho valiosos para o advogado, como são a capacidade de argumentação, o poder de síntese, o conhecimento do Direito, a cultura geral e o bom senso; ele é o elemento essencial, fundamental, podendo ampliar os efeitos dos demais ou, se ausente, diminuí-los sensivelmente.
Dominar a língua portuguesa para expressar-se com clareza e eficiência é o principal fundamento da profissão do advogado. Não basta ter razão, é preciso saber dizê-la.![]()
(E olha que já tenho uma cicatriz no joelho direito desde que o arrebentei pulando um muro…)

Pois é.
Desde o acidente que o joelho esquerdo deste velho contador de causos que vos tecla não anda lá essas coisas (infame, inconsequente e inesperado trocadilho)…
E como o danado deu a doer nos últimos tempos – e juro que não é nenhuma influência Houseriana – resolvi tomar a mais inesperada das atitudes (vinda de mim): voltei ao médico.
Analisa daqui, cutuca dali, fuça acolá. Diagnóstico (que eu já sabia) é a do “engavetamento nível três”. Significa que tá no limite da manutenção. Mais ou menos como amortecedor estourado, mola vencida, pivô arrebentado – e isso sem nem falar da rebimboca da parafuseta (que vai muito bem, obrigado). Na prática quer dizer que meu ligamento cruzado posterior esgarçou que nem um elástico velho e já não garante a firmeza do conjunto. Não sabem o que é isso? É por isso que coloquei aquela imagem ali em cima, pô!
Bem, isso feito fui encaminhado para a ressonância. Prenderam, engaiolaram e transportaram minha perna para aquela caverna magnética que faz picadinho (virtual) de tudo que passa por ela. E comigo junto da perna. Já na posição e com tudo pronto, o médico sai da sala e tem a audácia de fazer uma última recomendação:
- Não vá se mexer, hein?
Pronto.
Era tudo que eu NÃO precisava ouvir.
Nos minutos que fiquei ali acorrentado minha cabeça mandou tudo que podia lá pro final da perna esquerda: coceira, cócegas, arrepio, caimbra e o que mais quer que seja possível pensar. Mas resisti estoicamente e consegui fazer o exame.
Resultado: “Alteração de sinal que pode estar relacionada a edema pós contusional acomentendo o côndilo femoral medial. / Degeneração do corpo do menisco medial, sem evidências de rotura. / Lesão parcial do ligamento cruzado posterior, sem descontinuidade completa de suas fibras, de acordo com a hipótese clínica. / Pequeno derrame articular. / Importante edema da gordura supra-patelar, indicativo de hipersolicitação do mecanismo extensor.”
E sabem o que tudo isso significa?
Não?
Nem eu.
Entretanto não me parece que seja lá muito bom…
Mas, na realidade, não era nada disso que eu queria tratar aqui.
É que falando de joelho, lembrei-me do “joelhaço” (assim mesmo, com artigo definido). O famoso tratamento clínico do Analista de Bagé (personagem do Luís Fernando Veríssimo). Segue uma pequena estória para que possam entender…
Outra do Analista de Bagé
Existem muitas histórias sobre o analista de Bagé mas não sei se todas são verdadeiras. Seus métodos são certamente pouco ortodoxos, embora ele mesmo se descreva como “freudiano barbaridade”. E parece que dão certo, pois sua clientela aumenta. Foi ele que desenvolveu a terapia do joelhaço.
Diz que quando recebe um paciente novo no seu consultório a primeira coisa que o analista de Bagé faz é lhe dar um joelhaço. Em paciente homem, claro, pois em mulher, segundo ele, “só se bate pra descarregá energia”. Depois do joelhaço o paciente é levado, dobrado ao meio, para o divã coberto com um pelego.
- Te abanca, índio velho, que tá incluído no preço.
- Ai – diz o paciente.
- Toma um mate?
- Na-não… – geme o paciente.
- Respira fundo, tchê. Enche o bucho que passa.
O paciente respira fundo. O analista de Bagé pergunta:
- Agora, qual é o causo?
- É depressão, doutor.
O analista de Bagé tira uma palha de trás da orelha e começa a enrolar um cigarro.
- Tô te ouvindo – diz.
- É uma coisa existencial, entende?
- Continua, no más.
- Começo a pensar, assim, na finitude humana em contraste com o infinito cósmico…
- Mas tu é mais complicado que receita de creme Assis Brasil.
- E então tenho consciência do vazio da existência, da desesperança inerente à condição humana. E isso me angustia.
- Pois vamos dar um jeito nisso agorita – diz o analista de Bagé, com uma baforada.
- O senhor vai curar a minha angústia?
- Não, vou mudar o mundo. Cortar o mal pela mandioca.
- Mudar o mundo?
- Dou uns telefonemas aí e mudo a condição humana.
- Mas… Isso é impossível!
- Ainda bem que tu reconhece, animal!
- Entendi. O senhor quer dizer que é bobagem se angustiar com o inevitável.
- Bobagem é espirrá na farofa. Isso é burrice e da gorda.
- Mas acontece que eu me angustio. Me dá um aperto na garganta…
- Escuta aqui, tchê. Tu te alimenta bem?
- Me alimento.
- Tem casa com galpão?
- Bem… Apartamento.
- Não é veado?
- Não.
- Tá com os carnê em dia?
- Estou.
- Então, ó bagual. Te preocupa com a defesa do Guarani e larga o infinito.
- O Freud não me diria isso.
- O que o Freud diria tu não ia entender mesmo. Ou tu sabe alemão?
- Não.
- Então te fecha. E olha os pés no meu pelego.
- Só sei que estou deprimido e isso é terrível. É pior do que tudo.
Aí o analista de Bagé chega a sua cadeira para perto do divã e pergunta:
- É pior que joelhaço? ![]()
Muito bem crianças, vamos a mais uma aulinha…
Acontece que, apesar das dicas que já foram dadas aqui, de vez em quando ainda surge um ou outro DVD que não possibilita que se faça uma cópia de segurança – ou, ao menos, uma “cópia para avaliação… perpétua”.
Para esses casos – e após uma leve fuçada internetística – encontrei o AnyDVD (cujo download de uma cópia de avaliação pode ser feita no Baixaki). Eis sua descrição:
O AnyDVD funciona como um controlador que desencripta de forma automática e em plano de fundo, qualquer DVD de vídeo.
O DVD aparece como desprotegido e sem código regional para qualquer programa e para o próprio sistema operativo.
Daí, com o bichinho instalado e funcionando em segundo plano, ainda que apenas na versão trial, basta usar seu programa de cópia favorito – no meu caso, o DVD Shrink – e seguir o caminho da roça, como se fosse qualquer outro DVD “normal”.
Simples assim.
Pois bem, eis uma boa dica para quem – como eu – seja um fissurado em quadrinhos.
A comunidade de HQs tem criado softwares específicos para leitura de quadrinhos digitalizados (HQs). Sabendo onde fuçar (e sendo curioso o suficiente) dá pra encontrar praticamente de tudo na Rede – tanto a título de revistas quanto a título de programas. E esses programas são uma espécie de “leitores sequenciais de imagens” (Sequential Image Readers).
Alguém poderia perguntar: “e por que não utilizar os leitores de arquivos PDF?” Bem, creio que talvez seja uma questão mais organizacional que qualquer outra coisa. Isso porque os arquivos PDFs são, digamos, estáticos. Em um arquivo isolado já estariam todas as informações (ou imagens) que serão lidas. Já os arquivos de HQs digitalizadas são, na realidade, arquivos compactados com uma sequência de imagens referentes a cada página de uma HQ. Ou seja, muito mais fácil de editar, incluir ou excluir informações.
Esses arquivos costumam possuir as extensões .CBR ou .CBZ – e essas letras “CB” referem-se a Comic Book. E o “R” ou o “Z”? Referem-se à forma de compactação utilizada, sendo .RAR no primeiro caso e .ZIP para o segundo.
Contudo, independentemente do tipo de extensão utilizada, esses programas leitores de quadrinhos “entendem” que se trata de um arquivo compactado com imagens de quadrinhos e já o lê direto. Sem precisar descompactar, nem nada. Simples assim.
E mais: possuem recursos interessantes de tela cheia, duas páginas, avançar, retroceder, ampliar, reduzir, enfim, tudo que é necessário para poder curtir sua HQ virtual da melhor forma possível.
Bem, uma vez explicado do que se trata e como funciona, a próxima pergunta seria qual programa utilizar, certo?
Pois bem, testei diversos e cheguei a alguns programas específicos que funcionam perfeitamente.
No caso do Linux basta utilizar o Gerenciador de Pacotes Synaptic e localizar o pacote com o programa a ser instalado. No Ubuntu 8.04 recomendo utilizar o Qcomicbook, que vai ser instalado e disponibilizar um link lá em Aplicações > Gráficos. Já no Xandros, que vem com o EEE PC, é melhor optar pelo Comix, também leve e eficiente.
Já no caso do Windows (do XP pra “cima”) a opção que funciona melhor é o Quivi. Não lembro mais qual é o link, basta dar uma fuçada por aí…
O mais interessante é que, dentro do bom e velho espírito do compartilhamento, tem bastante gente por aí que baixa HQs de outros países – muitas vezes “de$continuadas” pelas editoras brasileiras – e photoshopeia elas, traduzindo até os mínimos detalhes do gibi.
Para quem quiser, um bom local para começar suas buscas (com links para diversos outros sites e blogs) é o Vertigem – qualquer semelhança com o selo Vertigo não deve ser mera coincidência…
Esta é para aqueles que têm por costume fazer uma cópia de segurança de seus DVDs…
Acontece que alguns DVDs vêm com uma trava que os torna, em tese, impossíveis de copiar. Em especial os da Disney foram aprimorados de tal maneira que nem mesmo o DVDFab (que conseguia fazer a cópia) tem adiantado.
Como para tudo a gente dá um jeito, anotem aí os programas necessários para viabilizar uma cópia – mesmo daqueles DVDs de 9Gb que rodam por aí: DVD Shrink, DVD Decrypter e RipIt4Me.
Todos são gratuitos, para Windows e podem ser encontrados em qualquer site de download, como o Baixaki, por exemplo. Instale os dois primeiros, deixando o RipIt4Me por último. Para copiar um DVD protegido basta executar esse programinha e, em apenas dois cliques, o computador fará todo o trabalho. Esse programa vai “burlar” as travas de proteção, ativando o DVD Decrypter para criar uma cópia dos arquivos do DVD em seu disco rígido, depois ele faz uma verificação de tudo que foi copiado, e, por fim, ativa o DVD Shrink para criar a cópia propriamente dita, quer seja uma imagem ISO, quer seja já queimando o DVD.
Tudo simples, rápido, prático e eficiente.
Totalmente gratuito e disponível na própria Internet…
Conheci e aprendi a gostar do personagem Calvin graças ao amigo Fábio, advogado e fã incondicional desse maroto. Através de outro amigo, o Bicarato, recentemente resgatei esse gosto. Essa tira abaixo é simplesmente o máximo: traduz de forma excepcional não só os anseios de escritores com seus textos, como os de advogados ante o prazo final que se aproxima.

Não.
Esse é só o nome do doce.
O doce não é “em pó”, mas feito de “leite em pó”.
Apesar de ser uma assunto bem mais afeito ao sempre apetitoso site da Ju (http://come-com-os-olhos.blogspot.com), a pedidos das meninas e moçoilas aqui do trabalho, segue a receita. Passada pela Dona Patroa, é óbvio.
Doce de Leite em Pó (já expliquei…)
Ingredientes:
1 vidro de leite de côco
1 kg de açúcar
1 pacote de Sococo (50g ou 100g)
1 pacote de leite em pó integral
1 bocadinho de leite de vaca
Modo de Fazer:
Coloque o leite de côco em um copo de requeijão e complete o que faltar com leite de vaca (nota: não, não vai requeijão na receita; o copo é só pra efeitos de medida).
Despeje o conteúdo em uma panela e acrescente 1 kg de açúcar.
Após a fervura, mexa por 3 (três) minutos. Tá anotado aqui no papel: “importante” – então realmente deve ser. Portanto, não se esqueça dessa etapa.
Acrescente o côco e mexa. Após, acrescente o leite em pó e mexa até o ponto de brigadeiro (desgrudando do fundo).
Desligue o fogo e mexa até grudar na colher – olha aí o “importante” de novo…
Despejar na pedra untada com manteiga. Corte após esfriar.
Pra quem conhece meu estilo de descrever uma receita já deve ter percebido que não fui eu quem preparou essa iguaria. Mas acreditem-me: fica leve (não é doooooooce) e muito bom!
Já há alguns finais de semana estou ensaiando para colocar em prática a receita de “Torta de Morango Tão Fácil de Fazer, que eu Tenho Até Vergonha de Dar a Receita” que a Ju (Respira pela Barriga) passou em seu site. Finalmente chegou o momento!
Primeiramente é preciso deixar bem claro que nós, homens, temos uma dificuldade enorme para quantificar e pressupor determinadas coisas. Por exemplo, não adianta dizer que tem que misturar todos os ingredientes e pronto. Cumassim? (Sim, isso é plágio descarado!) Qual ingrediente vai primeiro? Em que quantidade? Vira, amassa, mexe ou aperta? Pode ser que essa deficiência seja só minha, mas como já me deparei com muitos outros seres com o mesmo problema, ouso dizer que é generalizada.
Por isso mesmo, vou tentar descrever a “Operação Torta de Morango” da maneira mais detalhada possível.
Como não passo de um exímio-fritador-eventual-de-ovo-na-manteiga, com algumas recaídas para doces, bolos e afins, já aprendi que a primeira coisa a fazer é separar e deixar a mão os ingredientes que vai usar. Sim, TODOS. Nada pior que, no meio de uma receita, descobrir que acabou alguma coisa…
A Ju passou o rol, mas, devido a circunstâncias específicas, fui obrigado a improvisar um pouco. Leia-se “circunstâncias específicas” o fato de que não tenho nada que se assemelhe remotamente a uma balança em casa. Até mesmo aquela de banheiro foi sumariamente aposentada quando me aproximei perigosamente dos três dígitos (o pior cego é aquele que não quer ver). Ainda que não aparente (tanto) – pois com 1,90m de altura a coisa fica bem distribuída – para resolver o problema de sobrepeso fiz o que qualquer pessoa sensata faria: parei de me pesar.
Mas voltemos à receita.
Num primeiro momento serão necessários:
- 300g de farinha de trigo (que dá um pouco menos que um terço de um pacote de 1kg, OU 3 copos americanos até a boca, OU pouco menos que 3 medidas de xícara (daqueles frascos que já vem com os risquinhos dizendo quanto é o quê);
- 175g de manteiga (que dá um pouco mais que a metade de uma daquelas barrinhas que você compra na padaria quando não teve tempo de ir até o supermercado e ainda levou bronca por causa disso);
- 100g de açúcar (vide logo acima a maneira científica de mensurar isso);
- 1 gema (sim, de ovo);
- 1 pitada de sal (generosa).
Falou-se em multiprocessador na receita original, mas “não trabalhamos com multiprocessadores”. Então, munido de uma tigela ou bacia de médio tamanho (da largura de uma frigideira grande, por exemplo), coloque a farinha, o açúcar e a generosa pitada de sal. Mexa lentamente com uma colher até que fique tudo com uma cor homogênea. Agora vem a luta.
Quebre um ovo, colocando o conteúdo numa xícara, depois, com uma colher, retire a gema e coloque na tigela. Esse é o modo básico. Nós, exímios-fritadores-eventuais-de-ovo-na-manteiga, podemos trabalhar com o modo avançado, mantendo a gema na casca enquanto despejamos a clara na xícara – crianças, não tentem isso sem estar acompanhadas de um adulto!
Você mal vai começar a mexer aquela única e solitária gema no meio daquele mundo farináceo e ela já vai sumir. Não se preocupe. Em tese, é assim mesmo. E quanto à clara? Guarde carinhosamente a xícara com a clara dentro da geladeira – até que venha a ser necessária em alguma outra receita ou então que estrague de vez em decorrência do tempo sem uso. Provavelmente opção “b”, se você for solteiro.
Pegue a manteiga. É LÓGICO que você já a tinha retirado da geladeira ANTES de começar com tudo isso. Se não o fez, dê um tempinho para amolecer. Coloque-a dentro da tigela e, com a colher, corte-a em pedaços misturando-a de leve. Caroços enormes surgirão em sua tigela…
Pois é. Agora não tem jeito. Teremos que – literalmente – botar a mão na massa. Recomendo veementemente, pelo bem dos degustadores, que lave as mãos ANTES de começar. Aliás, mais veementemente ainda, sugiro que, se o caso, tire e guarde a aliança em local seguro. Também ANTES de começar.
Essa parte é mais ou menos como fazer bonequinhos de areia na praia, ou de argila na beira da represa (conforme tenha sido sua infância). Vai apertando, virando, apertando, mexendo, apertando, puxando, apertando, até que aquela massa farinácea comece a ter uma muito sutil consistência. Ou que seus antebraços comecem a ficar dormentes e os dedos formigando, numa nítida sensação de estar sendo afetado por L.E.R. O que vier primeiro.
Particularmente acho que jamais vou conseguir voltar a segurar um copo de cerveja com firmeza novamente…
Depois disso, descanse e deixe a massa descansar por 10 minutos. Como foi dito no original: “Por descansar, entenda: deixe a massa quieta, num canto, em paz.”
Passados os 10 minutos, ligue o forno (para ir aquecendo), e, enquanto isso, coloque toda a massa numa forma com fundo desmontável. É uma espécie de prato com colarinho – um disco de metal cujas laterais podem ser removidas (só vim a descobrir que esse tipo de coisa existia depois de uns trinta anos de vida e dois casamentos). Vá ajeitando a massa na forma com a mão mesmo (droga, esqueci de tirar a aliança!), deixando-a firme, uniformemente distribuída no fundo e com uma ligeira borda subindo pelas extremidades. Para que a massa não estufe, dê asas à criatividade, fazendo furos com um garfo por toda ela. Manda pro forno pelos próximos 15 minutos.
Enquanto isso, pegue os morangos que estavam de molho no hipoclorito (você pôs de molho, não pôs?) e enxague-os abundantemente. Com cabinhos e tudo. Deixe escorrer e secar por um tempinho, e então, munido de uma boa faca corte esses cabinhos (ou cabelinhos, como disseram meus filhos). Após todos ficarem carecas, quer dizer, sem cabinhos, corte os morangos no meio, colocando-os de bruços sobre uma toalha de papel absorvente.
Que cheiro é esse? Putz, a massa!
Tire-a do forno, rápido! Não! Aaaaiiii!!! Pega uma luva, pano de prato, sei lá! Isso. Ufa…
Não sei se era pra esperar esfriar tudo, mas, com medo de queimar, já desmontei a forma desmontável (quente mesmo) e tirei a massa. Ela ficou com uma certa consistência e no formato de uma espécie de prato.
Enquanto a massa esfria e os morangos secam, vamos à geléia. Na receita fala-se de geléia de framboesa, amora, laranja e mesmo morango. Ataquei com o que tinha à mão, ou seja, tuti-frutti… Vale a dica original de, se a geléia for muito encorpada, aquecê-la ligeiramente no fogo, diluindo com pouquíssima água.
Com tudo frio e seco, basta voltar a dar asas à imaginação, distribuindo os morangos sobre a massa e cobrindo tudo com a geléia. Foi aí que descobri que um potinho de geléia não era suficiente – deveriam ser, no mínimo, dois. Paciência. Cobri apenas os vãos. Aliás, para esse tipo de operação, sugiro procurar morangos aproximadamente do mesmo tamanho. Ficaria beeeem mais bonito.
A Ju deu algumas sugestões para complementar essa iguaria, mas acho que já abusei da sorte por demais. Então a torta ficou assim mesmo, na sua versão básica. Como dá pra perceber, pode não ter ficado lá muito bonita, mas que ficou uma alegre delícia – hmmmmmmm – isso eu garanto! Com direito a atestado do Inmetro conferido pela Dona Patroa e mais três experts (adivinhem)…

Ah! E não adianta querer fugir. Sobrou a louça pra lavar, viu?
Alguém, EM NOME DE DEUS, sabe dizer quando necessariamente começa o Inferno Astral pré-aniversário?
Estou desconfiado que o meu está começando com MUITA antecedência…
Talvez seja castigo por não ter cumprimentado direito os amigos que têm feito aniversário por esses dias (discurpa Paulo!).
Creio que abril vai ser um looooongo mês – que, inclusive, já começou em março…
Até onde sei, esta é uma redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE – Universidade Federal de Pernambuco – Recife, que obteve vitória em um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa. (Publicada na coluna LIVRE PENSAR, de Ivaldo Gomes):
“Mesóclise a Trois
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.
Aí, ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa.
Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.
Nisso a porta abriu-se repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
E ainda há quem diga que já esgotamos todas as possibilidades de uso da língua falada e escrita. Pelo jeito, quem fez tal afirmação não leu este texto.”