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	<title>Legal &#187; Jus libertatis</title>
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	<description>Filosofices de um velho causídico</description>
	<lastBuildDate>Thu, 09 Feb 2012 18:38:14 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Anonyupload</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 10:27:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adauto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Informatiquês]]></category>
		<category><![CDATA[Jus libertatis]]></category>

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		<description><![CDATA[Então. O Megaupload já não é mais tão mega assim e também já não uploadeia nem downloadeia mais nada&#8230; Aqueles que ainda ousam se aventurar por ali vão acabar encontrando a seguinte mensagem: Em tais circunstâncias já era de se esperar que os menores (menores?) também tomassem alguma medida para se resguardar da truculência digital. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Então.</p>
<p>O Megaupload já não é mais tão mega assim e também já não uploadeia nem downloadeia mais nada&#8230; Aqueles que ainda ousam se aventurar por ali vão acabar encontrando a seguinte mensagem:<br />
<center><a href="/img/shots/mega1.jpg" target="_blank"><img style="vertical-align: middle;" src="/img/shots/mega1.jpg" alt="" width="450" /></a></center><br />
Em tais circunstâncias já era de se esperar que os menores (menores?) também tomassem alguma medida para se resguardar da truculência digital. Eis uma sinopse da coisa:</p>
<p align="center"><a href="/img/shots/mega2.jpg" target="_blank"><img style="vertical-align: middle;" src="/img/shots/mega2.jpg" alt="" width="450" /></a></p>
<p>Mas como a Rede é a Rede e todo mundo NO MUNDO sempre dá um jeito de contornar a coisa (ou, ao menos, de tentar), eis que o anúncio da vez é sobre a criação do <a href="http://www.anonyupload.com" target="_blank">Anonyupload</a>, com inauguração prevista para a próxima sexta-feira. Os meios noticiosos já tentaram vincular esse novo site com o grupo <strong>Anonymous</strong> (o que seria, no mínimo, interessante), mas logo na entrada já encontramos a seguinte mensagem: <em>&#8220;We are not Anonymous Member, but we defend the anonymity. / IT&#8217;S NOT FAKE ! / IT&#8217;S NOT A SCAM!&#8221;</em>.</p>
<p align="center"><a href="/img/logos/anonyupload.jpg" target="_blank"><img style="vertical-align: middle;" src="/img/logos/anonyupload.jpg" alt="" width="250" /></a></p>
<p>Fica difícil de saber se existe realmente um vínculo ou não, mas bastou aventar essa notícia nas plagas internetísticas que os hackers de plantão decidiram apoiar a iniciativa&#8230;</p>
<p>Bem a proposta é clara: <em>&#8220;100% gratuito, sem limites, sem propagandas e 100% anônimo&#8221;</em>.</p>
<p>E, independentemente, de tudo isso, na própria página inicial do <a href="http://www.anonyupload.com" target="_blank">Anonyupload</a> temos a seguinte explicação (tradução <em>bem</em> livre deste internauta que vos tecla):</p>
<blockquote><p>
<em><strong>Por que eu deveria utilizar o Anonyupload.com?</strong></p>
<p>Anonyupload.com é, na realidade, um serviço centralizado. Quando você faz o upload de seus arquivos eles são guardados em nossos discos rígidos, num local fixo. E isso não é bom. Isso é justamente o oposto do que a Internet é: descentralizada. A Internet é uma rede global de computadores interconectados e quando seu computador está conectado na Internet (tá bom, menos com a ChinaNet) ele pode se comunicar com qualquer outra máquina que também estiver conectada, da mesma maneira que essa máquina pode se comunicar com a sua &#8211; se você assim o permitir. Se você apenas visita sites como o Facebook, Twitter ou Anonyupload, você está sempre se comunicando com as mesmas máquinas. <strong>E isso não é bom!</strong></p>
<p>Existem muitas razões pelas quais isso não é bom. A primeira delas é que você acaba armazenando arquivos e informações pessoais em máquinas que não lhe pertencem e sobre as quais não tem nenhum tipo de controle. A segunda razão é que você acaba se conectando às mesmas redes, o que significa que alguém mal intencionado pode espionar, monitorar suas atividades ou decidir te excluir da rede (mais ou menos como aconteceu com o Megaupload). Isso pode ser evitado através da utilização de tecnologias descentralizadas e a primeira coisa a fazer &#8211; caso você esteja interessado nisso &#8211; é armazenar seu próprio conteúdo em sua própria máquina.</p>
<p>Se você acha que isso não é possível porque, tecnicamente falando, não se considera com habilidade para tanto, porque não tem paciência para ler manuais ou porque sequer possui uma boa conexão com a Internet, então dê uma fuçada sobre como funciona o P2P (rede ponto a ponto). Compartilhar um arquivo através de uma rede p2P implica em multiplicar consideravelmente as cópias desse arquivo através dos computadores conectadas na rede e quando alguém quiser fazer o download desse arquivo, irá buscar pedacinhos dele que estarão distribuídos simultaneamente em diferentes computadores, que serão novamente reconstruídos num único arquivo. Ainda que se desligue ou desconecte alguns desses computadores que hospedam esse arquivo, mesmo assim será possível obtê-lo, porque esses mesmos pedacinhos poderão ser encontrados em muitos outros computadores. E precisamos de mais!</p>
<p>Finalmente, se ainda assim você prefere utilizar serviços de hospedagem tais como o Anonyupload.com, então ao menos envie seus arquivos para outros do mesmo tipo&#8230;</p>
<p>Existem muitas outras razões acerca do porquê utilizar apenas um servidor é ruim, e se você conhece um pouquinho da história do Megaupload (ainda que gostasse do site), percebará que seu proprietário ganhou muito mais dinheiro do que aquilo que realmente gastou para montar sua infraestrutura. Grandes e centralizados sites podem render muito dinheiro apenas colocando uma simples advertência em suas páginas.</p>
<p><strong>Então por que do Anonyupload?</strong></p>
<p>Porque é divertido e tecnicamente interessante&#8230;</p>
<p>Aliás, tenha em mente que a intenção não é se tornar um substituto do Megaupload.</p>
<p>Se nós conseguirmos um bom pacote de doações &#8211; e desde que não falhemos tão logo o site seja lançado &#8211; faremos o possível para continuar ampliando. Mas sinceramente tentaremos não fazer parte de um sistema que somente funciona com dinheiro.</p>
<p><strong>Lembre-se: descentralização.</strong></em>
</p></blockquote>
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		<title>Quadrinhos digitalizados</title>
		<link>http://www.legal.adv.br/20080916/quadrinhos-digitalizados/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 12:50:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adauto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comics]]></category>
		<category><![CDATA[Jus libertatis]]></category>

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		<description><![CDATA[Pois bem, eis uma boa dica para quem &#8211; como eu &#8211; seja um fissurado em quadrinhos. A comunidade de HQs tem criado softwares específicos para leitura de quadrinhos digitalizados (HQs). Sabendo onde fuçar (e sendo curioso o suficiente) dá pra encontrar praticamente de tudo na Rede &#8211; tanto a título de revistas quanto a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois bem, eis uma boa dica para quem &#8211; como eu &#8211; seja um fissurado em quadrinhos.</p>
<p>A comunidade de HQs tem criado softwares específicos para leitura de quadrinhos digitalizados (HQs). Sabendo onde fuçar (e sendo curioso o suficiente) dá pra encontrar praticamente de tudo na Rede &#8211; tanto a título de revistas quanto a título de programas. E esses programas são uma espécie de &#8220;leitores sequenciais de imagens&#8221; (<em>Sequential Image Readers</em>).</p>
<p>Alguém poderia perguntar: &#8220;e por que não utilizar os leitores de arquivos PDF?&#8221; Bem, creio que talvez seja uma questão mais organizacional que qualquer outra coisa. Isso porque os arquivos PDFs são, digamos, estáticos. Em um arquivo isolado já estariam todas as informações (ou imagens) que serão lidas. Já os arquivos de HQs digitalizadas são, na realidade, arquivos compactados com uma sequência de imagens referentes a cada página de uma HQ. Ou seja, muito mais fácil de editar, incluir ou excluir informações.</p>
<p>Esses arquivos costumam possuir as extensões .CBR ou .CBZ &#8211; e essas letras &#8220;CB&#8221; referem-se a <em>Comic Book</em>. E o &#8220;R&#8221; ou o &#8220;Z&#8221;? Referem-se à forma de compactação utilizada, sendo .RAR no primeiro caso e .ZIP para o segundo.</p>
<p>Contudo, independentemente do tipo de extensão utilizada, esses programas leitores de quadrinhos &#8220;entendem&#8221; que se trata de um arquivo compactado com imagens de quadrinhos e já o lê direto. Sem precisar descompactar, nem nada. Simples assim.</p>
<p>E mais: possuem recursos interessantes de tela cheia, duas páginas, avançar, retroceder, ampliar, reduzir, enfim, tudo que é necessário para poder curtir sua HQ virtual da melhor forma possível.</p>
<p>Bem, uma vez explicado do que se trata e como funciona, a próxima pergunta seria qual programa utilizar, certo?</p>
<p>Pois bem, testei diversos e cheguei a alguns programas específicos que funcionam perfeitamente.</p>
<p>No caso do Linux basta utilizar o Gerenciador de Pacotes Synaptic e localizar o pacote com o programa a ser instalado. No <span style="text-decoration: underline;">Ubuntu 8.04</span> recomendo utilizar o <strong>Qcomicbook</strong>, que vai ser instalado e disponibilizar um link lá em Aplicações &gt; Gráficos. Já no <span style="text-decoration: underline;">Xandros</span>, que vem com o <span style="text-decoration: underline;">EEE PC</span>, é melhor optar pelo <strong>Comix</strong>, também leve e eficiente.</p>
<p>Já no caso do Windows (do XP pra &#8220;cima&#8221;) a opção que funciona melhor é o <strong>Quivi</strong>. Não lembro mais qual é o link, basta dar uma fuçada por aí&#8230;</p>
<p>O mais interessante é que, dentro do bom e velho espírito do <span style="text-decoration: underline;">compartilhamento</span>, tem bastante gente por aí que baixa HQs de outros países &#8211; muitas vezes &#8220;de$continuadas&#8221; pelas editoras brasileiras &#8211; e <em>photoshopeia</em> elas, traduzindo até os mínimos detalhes do gibi.</p>
<p>Para quem quiser, um bom local para começar suas buscas (com links para diversos outros sites e blogs) é o <a href="http://hqvertigem.blogspot.com/" target="_blank">Vertigem</a> &#8211; qualquer semelhança com o selo <em>Vertigo</em> <strong>não</strong> deve ser mera coincidência&#8230;</p>
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		<title>SL em Guarulhos</title>
		<link>http://www.legal.adv.br/20050913/sl-em-guarulhos/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Sep 2005 08:07:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adauto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jus libertatis]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu já não tinha dito que não se deve usar calça social, no frio, de moto? Bem, bem, bem&#8230; Somente pra dar um rápido sinal de vida. Ontem fui num seminário sobre software livre promovido pela Prefeitura de Guarulhos, terrinha onde nasceu uma grande amiga. MUITO bom. Tem tanta coisa pra se falar que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small>Eu já não tinha dito que não se deve usar calça social, no frio, de moto?</small></p>
<p><img class="alignleft" src="/img/logos/tux_br.jpg" hspace="20">Bem, bem, bem&#8230; Somente pra dar um rápido sinal de vida. Ontem fui num seminário sobre software livre promovido pela Prefeitura de Guarulhos, terrinha onde nasceu uma grande amiga. MUITO bom. Tem tanta coisa pra se falar que o espaço aqui não comporta, de modo que ainda essa semana estaremos com mais um número do Ctrl-C! Aguardem&#8230;</p>
<p>Para deleite de vossas senhorias dêem uma olhada nesse vídeo do &#8220;<a href="http://www.youtube.com/watch?v=6TBpTUqCQbA" target="_blank"><u>Saulo Bulhosa</u></a>&#8220;, que dá todas as dicas indispensáveis para participação em palestras e afins.</p>
<p>E, falando em grandes amigas, ontem &#8211; depois de longo e tenebroso inverno &#8211; eis que a Márcia (aquela do famoso tombo no elevador) deu sinal de vida! Já começou bem, pois meu filho ao atender o telefone lhe deu uma bronca: &#8220;Por que você não veio mais aqui?&#8221; Tá vendo? É a voz do povo!</p>
<p>E como corolário da minha ausência de ontem chegou um funcionário novo na repartição. E não é que fizeram o infeliz sair em busca de &#8220;carbono pautado&#8221;? Eu não sei o que é pior: se o fato de ele ter saído incontinenti atrás do produto ou o fato de ele TER ENCONTRADO!</p>
<p>Tinha que ser o Xina&#8230;<br />
<center><strong><em>Tirinha do dia:</em></strong><br /><img src="/img/hq/hugo1/tira12.gif" border="0" alt="Desventuras de Hugo..." align="middle" /></center></p>
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		<title>Linuxbrás</title>
		<link>http://www.legal.adv.br/20050512/linuxbras/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 May 2005 15:10:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adauto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jus libertatis]]></category>

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		<description><![CDATA[Quinta (manhã geladinha&#8230;) A gente fica um tempo sem escrever e, quando tenta retomar o ritmo, se vê afogado de idéias e temas que gostaria de abordar&#8230; Como diria Jack&#8230; bem, vocês sabem o resto. Eu tenho uma acordo tácito com um amigo onde ele me repassa todos os suplementos de informática do jornal que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small>Quinta (manhã geladinha&#8230;)</small></p>
<p>A gente fica um tempo sem escrever e, quando tenta retomar o ritmo, se vê afogado de idéias e temas que gostaria de abordar&#8230;</p>
<p>Como diria Jack&#8230; bem, vocês sabem o resto.</p>
<p>Eu tenho uma acordo tácito com um amigo onde ele me repassa todos os suplementos de informática do jornal que assina (O Estadão). Às vezes acabam se acumulando os suplementos de algumas semanas e, quando dá, ele me traz &#8211; um dia o Nelsinho ainda vai querer uma porcentagem na assinatura&#8230; E, leitor contumaz que sou, não descarto absolutamente nada antes de ler absolutamente tudo. O porquê dessa conversa? Em função de um único termo que li num desses suplementos &#8211; o de 4 de abril, se não me engano &#8211; <em>&#8220;Linuxbrás&#8221;</em>.</p>
<p>No texto em questão, o Marcelo Taz fala acerca do fato de o governo brasileiro estar cada vez mais adotando o software livre, fazendo parte da vanguarda mundial nessa área. Porém ele externa sua preocupação de que aconteça uma espécie de &#8220;fechamento&#8221; da idéia, estatizando &#8211; e engessando &#8211; o que, a princípio, deveria ser MUITO bom. Teríamos, então, uma espécie de Linuxbrás&#8230;</p>
<p>Achei o artigo de uma lucidez enorme.</p>
<p>Na minha profissão tenho íntimo contato com órgãos públicos diversos, bem como a própria dona patroa, que atua em âmbito estadual. Em ambos os casos eu vejo uma regressão do que deveria estar crescendo de maneira benéfica. As rosas foram plantadas, sua cor e seu perfume estavam começando a se destacar, mas, como o Tropeço da família Adams, corta-se o que é belo e deixa-se a parte com espinhos.</p>
<p>Explico.</p>
<p>A característica principal do software livre é que ele é customizável, ou seja, você o altera de acordo com suas necessidades (ou do seu departamento, órgão, divisão, seja lá o que for). Isso te livra do monopólio do software proprietário (leia-se Microsoft), onde, se alguma coisa não funciona, há que se COMPRAR o complemento necessário para que atenda o desejado.</p>
<p>Ou seja, trabalhar com software livre parece um Paraíso, não? Mas existe, também nesse caso, uma serpente que é representada pela própria incompetência de se gerir a implantação de novos sistemas abertos. Ocorre que os usuários, tão acostumados que estão com o software proprietário, não entendem &#8211; ou aceitam &#8211; o conceito de customização. Enquanto não houver gente competente o suficiente para adaptar o software aberto para os anseios dos usuários, é certo que este estará fadado ao fracasso.</p>
<p>Há que se ter um pessoal de apoio que conheça o suficiente não só para implantação como também para o gerenciamento e constante adaptação dos programas, fazendo com que evoluam naturalmente até ter a &#8220;cara&#8221; do usuário. Sem esse pessoal, normalmente não se consegue fazer com que os programas funcionem a contento, gerando desconforto e reclamações constantes.</p>
<p>Mas já existe uma empresa, em tese Cobra na área, que está trabalhando para tentar customizar isso da melhor forma possível para o setor público. Porém mesmo os técnicos dessa empresa parecem que ainda estão engatinhando no aprendizado. Ao perdurar esse laboratório de testes, sem uma extrema profissionalização das atividades, creio que estaremos fadados, sim, a suportar uma espécie de &#8220;Linuxbrás&#8221;&#8230;<br />
<center><strong><em>Tirinha do dia:</em></strong><br /><img src="/img/hq/deus/deus_07.jpg" alt="Deus!" align="middle" border="0" width="450" /></center></p>
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		<title>Pirataria &#8211; Rota de Bucaneiros</title>
		<link>http://www.legal.adv.br/19990801/pirataria-rota-de-bucaneiros-2/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 1999 15:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adauto</dc:creator>
				<category><![CDATA[ex libris]]></category>
		<category><![CDATA[Jus libertatis]]></category>

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		<description><![CDATA[( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 00, de agosto/99 ) Desde a criação do PC houve a natural evolução do software, muitas vezes em detrimento do hardware, de modo que a tecnologia como um todo permitiu a existência de equipamentos mais velozes com programas cada vez mais sofisticados, versáteis e fáceis de usar. De [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small><em>( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 00, de agosto/99 )</em></small></p>
<p>Desde a criação do PC houve a natural  evolução  do  software,  muitas vezes em detrimento do hardware, de modo que a tecnologia como um todo permitiu a existência de equipamentos mais velozes com programas  cada vez mais sofisticados, versáteis e fáceis de usar.</p>
<p>De igual maneira a &#8220;duplicação não  autorizada  de  software&#8221;, a  qual romanticamente denominamos PIRATARIA, acompanhou esse desenvolvimento, permitindo a proliferação desses mesmos softwares em todos os meios. A pirataria de  software  é  definida  como  sendo  uma  prática ilícita caracterizada  pela  reprodução  e  uso  indevidos  de   programas  de computador legalmente protegidos.</p>
<p>Um dos primeiros casos de pirataria em PCs se deu com  nada  mais nada menos que o próprio Bill Gates. Mas para melhor entender esse  quadro, bem como dar o devido valor a prática ou não de pirataria, vamos a  um pouco de história:</p>
<p>Na  era  pré-cataclísmica,  lá  pelo  final  dos   anos   60,   quando microcomputadores ainda eram sonhos distantes e os programadores  jedi começavam a surgir, os adolescentes Bill Gates e Paul Allen faziam sua especialização  como  ratos  de  laboratório  viciados  em  PDP-10 (um caríssimo  minicomputador  conectado  através  de  um  teletipo  a  um &#8220;computador de verdade&#8221; cujo tempo de acesso tinha que ser  comprado). Concomitantemente, já no início dos anos 70 a Intel, uma  recém-criada empresa que, dentre outras coisas, fabricava chips para  calculadoras, lançou o histórico microprocessador chamado 8008.</p>
<p>É importante ter em mente que ainda não existiam microcomputadores, os computadores e minicomputadores  disponíveis  eram  poucos,  os  quais possuíam tempo de  acesso  caros,  a  linguagem  era  complexa  e  não existiam programas para uso popular, o que acabava por torná-los pouco acessíveis, desencorajando assim a incursão dos novatos.</p>
<p>Pois  bem,  o  lançamento  do  microprocessador  8008  foi  visto  com entusiasmo pela  dupla,  a  qual  resolveu  criar  uma  ferramenta  de programação para o chip. Escolheram o BASIC, uma linguagem que  usaram bastante em seus tempos de escola.</p>
<p>O BASIC (Beginner´s All-purpose Symbolic Instruction Code), apesar  de parecer uma  linguagem  para  principiantes  com  poucos  recursos  de programação, é na realidade composto por comandos poderosos, porém com uma sintaxe muito simples. Ao ser criado pelos professores John Kemeny e Thomas Kurtz, em  1963,  sua  missão  era  permitir  que  os  alunos concentrassem seus esforços no aprendizado de programação  em  vez  de gastar seu tempo decorando comandos esotéricos  e  destrinchando  como compilar e linkeditar os programas. Decididamente o  BASIC  era  muito mais inteligível a um leigo que o Cobol, Fortran, Assembler ou JCL, as linguagens dominantes na época.</p>
<p>A versão do BASIC da dupla Gates-Allen foi tão bem escrita que liderou o mercado nos seis anos seguintes; mais tarde recebeu a denominação de GW-BASIC, distribuída com o MS-DOS até a versão  4.01,  e  em  1982  a sintaxe  foi  redefinida  e  foram  implementados  todos  os  recursos necessários para se desenvolver  programas  utilizando  a  técnica  da programação estruturada &#8211; surgia o QuickBasic. Por fim,  os  conceitos utilizados em um programa chamado &#8220;Ruby&#8221;, criado por  Alan  Cooper  em 1987, foram implementados no QuickBasic, dando  origem,  em  1991,  ao Visual Basic. Como se percebe, nada se perde, nada se  cria,  tudo  se copia&#8230;</p>
<p>Voltando ao fio da meada, em 1974 a Intel lançou o  chip  8080,  muito mais poderoso que seu predecessor e que foi utilizado  na  criação  do que pode ser chamado de primeiro microcomputador, criado pela MITS:  o ALTAIR. O proprietário da MITS (Micro  Instrumentation  and  Telemetry Systems), Ed Roberts, contratou a dupla para escrever  uma  versão  de seu BASIC para o Altair &#8211; uma opção  óbvia,  já  que  a  intenção  era comercializar o microcomputador para o público em geral, que precisava de  uma  ferramenta  de  programação  acessível  ao   seu   nível   de conhecimento.</p>
<p>A fim de realizar as negociações com a MITS, Gates e Allen formaram em julho de 75 uma sociedade de nome Micro-Soft (o hífen caiu depois),  e no contrato foi  estipulado  que  nenhum  fabricante,  programador  ou usuário final seria totalmente dono do software. Essa tornou-se a base da relação legal que existe atualmente entre quem cria software e quem comercializa ou usa seu produto.</p>
<p>Apesar de a MITS possuir exclusividade na distribuição da licença para o BASIC da Microsoft, após alguns meses, verificou-se duas coisas: que o programa era um sucesso e que, paradoxalmente, a receita havia  sido mínima.</p>
<p>A razão disso era um fenômeno novo e insidioso:  a PIRATARIA !  O  que ocorreu foi que muitos aficcionados que iam a reuniões dos  clubes  de computação estavam copiando descaradamente o BASIC e distribuindo-o de graça a qualquer interessado. Gates ficou puto da vida e escreveu  uma carta aberta a todos  os  aficcionados  em  fevereiro  de  1976,  cujo conteúdo era o seguinte:</p>
<p><em>&#8220;A maioria dos aficcionados precisa saber que grande  parte  de  vocês rouba o software dos outros. Paga-se pelo hardware,  mas o software  é copiado livremente. E daí se as pessoas que o criaram  ganham ou  não? Esse roubo de software pode impedir  os  programadores  talentosos  de escrever programas para microcomputadores. Quem trabalha de graça? Que aficcionado  está  disposto  a  investir  três  anos   da   sua   vida programando, descobrindo  erros  e  documentando  seu  programa,  para depois distribuí-lo de graça?&#8221;</em></p>
<p>Nem é preciso dizer que a dita carta, apesar de corajosa e direta, não foi nem  um  pouco  bem  recebida,  sendo  que  um  desses  clubes  de computação ameaçou processá-lo por chamar os aficcionados de ladrões.</p>
<p>A argumentação utilizada para justificar a  atitude  desses  primeiros &#8220;piratas&#8221; era basicamente a seguinte: o BASIC era  implicitamente  uma linguagem de domínio público; os aficcionados eram  altruístas  e  não ladrões; sem o BASIC seus sistemas eram  praticamente  inúteis;  se  o software necessário para processar o computador era tão caro nada mais aceitável do que copiá-lo para uso próprio ou de outros.</p>
<p>Bem, esse foi, creio eu, realmente o primeiro  caso  de  pirataria  no mundo da microinformática. Há de se ressaltar, entretanto, que se  não fosse por essa mesma prática de pirataria o MS-Windows não seria  hoje o programa líder de mercado. Apesar da possibilidade  de  se  instalar travas e dispositivos anti-pirataria em seus  softwares,  a  Microsoft jamais o fez. Entendo isso como uma grande jogada mercadológica:  você alardeia aos quatro ventos que é contra a cópia  ilegal,  mas  permite que façam tantas cópias quanto quiserem de seus programas, de modo que sejam instalados em cada vez mais microcomputadores,  tornando-se  por fim o padrão do mercado.</p>
<p>Do ponto  de  vista das  empresas  e  distribuidoras  de  software,  a pirataria é um problema a ser  solucionado,  visto  que,  segundo  seu raciocínio, prejudica não só essas próprias  empresas  como  também  o usuário final. Graças à  pirataria  reduz-se  o  nível  do  suporte  e retarda-se  o  desenvolvimento  de  novos  produtos,  o  que   influi, diretamente, na qualidade dos  programas.  Nesse  contexto  relacionam basicamente quatro tipos de prática de pirataria:</p>
<p><strong>- Pirataria Corporativa</strong>: a empresa até  chega  a  adquirir  um  pacote oficial de programas para  o  computador,  mas  esse  mesmo  pacote  é instalado em diversos computadores sem a necessária aquisição de novas licenças. Não pense que isso acontece  somente  em  grandes  empresas, isso é uma montanha que vai desde  os  pequenos  escritórios  de  cada cidade até as grandes estatais e órgãos  do  governo  (a  maioria,  eu diria);</p>
<p><strong>- Pirataria Individual</strong>: o indivíduo tem diversos softwares  instalados em seu computador e vive &#8220;trocando figurinhas&#8221; com outros colegas. Tem plena consciência de que são  cópias  ilegais,  mas  simplesmente  não acredita que será descoberto no meio de tanta  gente  que  se  utiliza dessa prática;</p>
<p><strong>- Revendas de Software</strong>: esses já têm um comportamento criminoso,  pois simplesmente duplicam e distribuem cópias de programas com o  objetivo de lucro.  Abra  qualquer  jornal  no  caderno  de  informática  e  os encontrará;</p>
<p><strong>- Revendas de Hardware</strong>: computadores são vendidos quase que pelo preço de custo  de seus  componentes,  com  lucro  mínimo,  e  os  programas pré-instalados são cópias não autorizadas de software,  não  existindo documentação técnica ou discos de (re)instalação. A  dureza é  que  os computadores que vêm com o software original, discos de  instalação  e manuais, possuem apenas o sistema operacional instalado, o que  obriga o feliz consumidor a adquirir o pacote de programas que realmente  vai precisar  (editor  de  textos,  no  mínimo),   seja   comprando-o   ou pirateando-o.</p>
<p>Não digo que seja a favor da pirataria, mas é difícil de engolir que o sistema básico mais utilizado para trabalhar com um micro hoje em  dia (sistema operacional, processador  de  textos,  planilha  eletrônica), quando adquirido através dos  meios  legais  (comprando-se),  tem  seu valor total próximo a 50% do custo do hardware. É justamente por  isso que aqueles que mal conseguiram  juntar  o  dinheiro  suficiente  para comprar um microcomputador (a maioria dos mortais) não  tem  escrúpulo algum de instalar um software pirata, a custo zero.</p>
<p>As maiores dificuldades  encontradas  por  estes  usuários  de  cópias ilegais é o fato de não contarem  com  suporte  técnico,  não  recebem nenhuma  documentação,  apoio  e  informação  sobre  atualizações   de produto, sem falar na possibilidade de infecção por  vírus.  Respeitar os direitos de  propriedade  intelectual  exige  determinado  grau  de diligência por parte dos usuários finais, uma vez que duplicar é muito fácil, e a cópia fica em geral tão boa quanto o original.</p>
<p>Nos casos mais extremos, existem alguns programas que  trazem  senhas, bloqueios e até mesmo identificação do disco original  de  instalação. Tudo isso é passível de ser violado,  existindo  na  própria  Internet listas completas de senhas, códigos de instação e programas elaborados para desbloquear os mais variados softwares. É lógico que aqueles  que quiserem  encontrar  essas  pérolas  vão  ter   que   navegar   muito, enfiando-se  em  páginas   suspeitas,   desvendando   alguns   truques labirínticos e escapando de armadilhas em java criadas para dificultar o acesso aos &#8220;não-iniciados&#8221;.</p>
<p>Um exemplo (mais ou menos) recente de pirataria através de desbloqueio do código se deu no início de 97. A Microsoft lançou  o  Office 97  e, para promover o produto, distribuiu uma versão em CD-ROM ao  preço  de US$ 4.99, só que com prazo certo de expiração: 90 dias. Ao final desse prazo o consumidor  precisaria  comprar  o  produto  oficial  por  uma &#8220;bagatela&#8221; que variava de US$ 300.00 a US$ 500.00. Entretanto um jovem estudante de Minneapolis, Minnesota, &#8211;  Christopher  Fazendin,  de  22 anos &#8211; infortunadamente resolveu distribuir em seu  site  um  programa que removia a limitação, liberando o uso  do  software.  Resultado:  a Microsoft descobriu e  providenciou  não  só  a  remoção  do  site  de Fazendin como também processou-o, exigindo a indenização por perdas  e violação  de  direitos  autorais,  indenização  esta  que,  segundo  a legislação  norte-americana,  poderia  chegar  a  US$ 500.000.00.   Na realidade nosso desastrado amigo  acabou servindo de  bode expiatório, visto que o dito programa podia ser facilmente encontrado na  Internet na época&#8230;</p>
<p>Mas, oras bolas, a grande maioria  dos  profissionais,  consultores  e desenvolvedores de hoje se formaram na escola de pirataria  de  ontem. Dentre os dinossauros  respondam-me:  quem  é  que  da  velha  guarda, juntamente com seu primeiro micro (XTssauros e afins  da  época),  não tinha no mínimo uma cópia do MS-DOS, PCTools, dBase, Clipper e  outras &#8220;ferramentas&#8221;? Trocava-se o horário de almoço  por  uma  boa  hora  de estudo (de preferência nos livros da biblioteca) até que se  conseguia desenvolver um primeiro programa  razoável  (normalmente  em  cima  de outro já existente). Aliás nem poderia  ter  sido  diferente,  já  que cumprir a lei era economicamente inviável para a grande maioria  &#8211;  há apenas alguns anos atrás um 386, visto como lixo hoje em  dia,  era  o supra sumo do mercado nacional de PCs,  custando  alguns  milhares  de dólares. Os programas então, pffff, nem pensar.</p>
<p>Vejam  o caso  do  AutoCAD,  utilizado  normalmente  por  8  entre  10 engenheiros e arquitetos: ele custa aproximadamente  uns  US$ 4.000.00 &#8211; é isso aí, QUATRO MIL DÓLARES &#8211; e mesmo assim é pirateado  entre  os usuários; acontece  que  para  poder  apresentar  um  projeto  oficial utilizando o programa, o profissional deve ter uma cópia registrada do mesmo, o que o obriga a desembolsar essa pequena  fortuna  para  poder trabalhar. Conheço o caso de vários profissionais que simplesmente  se reúnem, fazem a famosa &#8220;vaquinha&#8221;, compram o  software,  fazem  tantas instalações quanto necessário, e na hora de  apresentar  o  projeto  o fazem em nome daquele que registrou o programa &#8211; o qual, é lógico, tem um percentual disso. É o nosso jeitinho brasileiro&#8230;</p>
<p>Apesar de  parecer  desnecessária  tal  lembrança,  é  importante  não confundir o programa, ou software, com o respectivo suporte (disquete, cd-rom, etc). O programa é a obra intelectual (<em>corpus  mysticum</em>)  e  o suporte é simplesmente seu meio físico (<em>corpus mechanicum</em>).</p>
<p>Nos dias de hoje, piratear software no Brasil é simples e  visto  como xerocar um livro ou gravar uma música do  rádio  &#8211;  e  teoricamente  a infração aos direitos autorais seria a  mesma.  Na  prática  existe  o pressuposto de uma certa conivência  na  pirataria  entre  aquele  que vende ou cede e  aquele  que  compra  ou  ganha  a  cópia  pirata,  ao contrário  de  outros  tipos  de  falsificações,  onde  normalmente  o consumidor final é vítima de um engodo, pois acreditava  tratar-se  de produto original. No fundo tudo é questão de conscientização cultural.</p>
<p>Mesmo no caso de diversas empresas, se for prevista uma verba  de  &#8220;X&#8221; no orçamento para a área de informática, 99,9% desta  verba  vai  para hardware e o restante vai para o software, aplicando-se  a  já  citada pirataria corporativa.</p>
<p>Ainda assim as grandes empresas alegam prejuízos de milhões de dólares devido à pirataria. Na realidade não há prejuízo e sim o chamado lucro cessante &#8211; aquilo que as empresas deixaram de ganhar.  Particularmente acredito que seus planos de  venda  contabilizam  somente  aquilo  que sabem que vão vender de fato, já  prevendo  um  percentual  de  cópias piratas que acabam servindo de &#8220;amostra&#8221; de seu software aos usuários. Se alguém vier a comprar, tudo bem, aí sim é lucro. Porém,  mesmo  com todo esse alegado &#8220;prejuízo&#8221; ainda assim continuam trabalhando a pleno vapor, lançando versões mais novas e complexas de seus programas.</p>
<p>Enfocando o tema pelo âmbito legal, e para melhor entedermos  como  se dá a proteção aos programas de computador,  é  importante  compreender que o  software,  não  obstante  seu  uso  prático,  tem  sua  criação revestida  de  esteticidade,  cumprindo  as  funções  primordiais   de transmissão de conhecimentos  e  de  sensibilização.  Ora,  como  tais funções são as mesmas que emanam de obras estéticas, o caminho  lógico a se seguir é protegê-las através do Direito do Autor.</p>
<p>Aliás a proteção de obras estéticas tendo por base  as  funções  acima citadas se dá desde a Convenção de Berna,  em  1886;  mas  a  tese  de proteção pelo Direito do Autor no caso específico do software  só  foi aprovada internacionalmente após os debates  realizados  pelas  Nações Unidas, por volta de 1970, e trabalho posterior da OMPI.  Nos  Estados Unidos o software foi inserido no regime do Copyright em 1980, estando desde então sob os  princípios  e  regras  que  protegem  os  direitos autorais. Outros países que definiram normas específicas sobre o tema, e na mesma linha  de  raciocínio,  foram:  Filipinas  (1972),  Itália, Países  Baixos,  Hungria  (1983),  Austrália  (1984),  França  (1985), Espanha (1987) e Brasil (dezembro de 1987).</p>
<p>O tratamento mundial dado à pirataria varia de país  a  país.  Existem aqueles que a toleram, ou até mesmo a patrocinam; em outros, mesmo não sendo  permitida,  as   leis   de   direito   autoral   não   protegem especificamente o software, ou, quando protegem, tratam-se  de  normas vagas ou que estabelecem penalidades  tão  ínfimas  que  acabam  sendo ignoradas; havendo  ainda  países  que  sequer  têm  leis  de  direito autoral.</p>
<p>No caso específico do Brasil a proteção aos  programas  de  computador era regulamentada pela Lei 7646/87, a qual foi expressamente  revogada pela Lei 9609/98  (na  íntegra,  ainda  nesse  número).  A  legislação brasileira foi claramente inspirada  nos  direitos  norte-americano  e francês (será que esses países não farão exigência  de  seus  direitos autorais?), estabelecendo que a a violação dos  direitos  autorais  de programas de computador é passível de ação criminal e de ação cível de indenização. Traduzindo: o pirata pode  ser  processado  criminalmente (cadeia,  multa,  etc)  e  também  pode  ser   processado   civilmente (indenização por perdas e danos, lucros cessantes, danos morais, etc).</p>
<p>Segundo a  Lei  de  Software,  a  reprodução  da  cópia  legitimamente adquirida é  permitida  apenas  na  medida  do  indispensável  para  a utilização adequada do programa, ou seja, quando muito  uma  cópia  de segurança. Aliás, aproveito para informar aos incautos que, em caso de pirataria, NÃO ADIANTA ALEGAR DESCONHECIMENTO DA LEI !  Isso  conforme estipulado no artigo 3º da LICC (Lei de Introdução ao  Código  Civil): <em>&#8220;Ninguém se escusa de cumprir a lei,  alegando  que  não  a  conhece&#8221;</em>. Entretanto o Código Penal, em seu artigo 21, minimiza um pouco o fato: <em>&#8220;O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a  ilicitude  do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço&#8221;</em>.</p>
<p>Sob a ótica da pessoa ou empresa  que  teve  seu  programa  pirateado, conforme lhe pareça mais adequado, existem três caminhos a  seguir:  o administrativo, acionando os órgãos do setor que formam instâncias  de consulta e de solução de dúvidas; o civil, procurando a justiça  comum para cessação das violações, cominação de sanções, reparação de  danos e outras providências cabíveis; e o penal, pelo  ingresso  na  justiça repressiva a fim de obter-se o apenamento do infrator.</p>
<p>Já sob a ótica do pirateador de  programas,  verificamos  a  pirataria ocorre com base em um dos seguintes pressupostos: ou pelo  intuito  de lucro,  ou  pela  oportunidade/necessidade  de  se  ter  a  cópia   de determinado programa.</p>
<p>A pirataria pelo intuito de lucro é  tão  óbvia  que  nem  adianta  me prolongar  nesse  tema.  Já  a  pirataria  devido  a  oportunidade  ou necessidade  de  obter  determinado  programa  nos  leva   a   algumas considerações. O pirata, nesse caso, é um verdadeiro colecionador  que almeja conseguir as cópias mais recentes dos programas  existentes  no mercado &#8211; muitas vezes possui arquivos  completos  com  softwares  que jamais teve sequer tempo para verificar como funciona. O simples  fato de saber que possui uma cópia já é o suficiente.</p>
<p>Na maioria das vezes esse indivíduo usa  os  próprios  programas  como moeda de troca, repassando aqueles que estão em seu arquivo  em  troca de outros que ainda não possui. Já vi casos em que se  chega  a  pagar por uma cópia pirata ou até mesmo a comprar  o  software  original  só para fazer parte de sua &#8220;coleção&#8221;. O  fato  de  passar  a  cópia  para outros também não o incomoda, pois sente verdadeiro orgulho de  ser  o primeiro a ter em mãos determinado  programa,  sentindo-se  lisonjeado pelo reconhecimento de usuários menos experientes.</p>
<p>No seu entendimento a pirataria não pode ser vista como uma espécie de contrabando &#8211; muitos piratas  simplesmente  abominam  tal  título.  Na realidade não conseguem enxergar em seu comportamento nada  de  ilegal ou imoral, pois simplesmente não entendem estar prejudicando  ninguém, muito pelo contrário:  estão  auxiliando  aqueles  que  não  conseguem comprar ou instalar os programas que possuem.  O  divertido  da  coisa está em repartir seu conhecimento  num  comércio  onde  a  moeda  é  a informação &#8211; os &#8220;verdadeiros&#8221; piratas  estão  sempre  em  contato  com grupos de pessoas que possuem a  mesma  afinidade,  onde  o  princípio básico é &#8220;você tem que dar um pouco para conseguir  um  pouco&#8230;  você recebe aquilo que você  dá&#8221;.  A  diversão  de  encontrar  um  programa obscuro para alguém, a emoção de quebrar a proteção de um programa,  a corrida para ver quem consegue obter a última versão de algum software &#8211; esta é a sedução da pirataria.  São  verdadeiros  colecionadores  de informação, pois ao contrário daqueles que  guardam  seu  conhecimento informático para uns poucos, os piratas preferem  torná-lo  disponível para as massas.</p>
<p>No que tange aos alegados prejuízo das indústrias, os piratas entendem que na realidade são um verdadeiro benefício para  as  empresas,  pois funcionam como fonte de propaganda  da  qualidade  de  seus  produtos. Muitas pessoas acabam por comprar um programa por causa dos manuais ou do suporte, mas  quem  vai  investir  em  quatro  ou  cinco  programas similares só para saber qual deles atende às suas necessidades? Se não fosse a pirataria, muito provavelmente estaríamos hoje inseridos  numa babel de sistemas operacionais, editores de textos, etc.  A  Microsoft que o diga&#8230;</p>
<p>Os &#8220;verdadeiros&#8221; piratas entendem que seu  comportamento,  mesmo  indo contra a letra fria da lei, na realidade tem um fim mais elevado,  não podendo ser questionado nem mesmo sob o  ponto  de  vista  ético:  por manter  o  conhecimento  disponível  e  fluindo,  estão  promovendo  a democracia e a liberdade de mercado.</p>
<p>Pois é&#8230; a conclusão a que se chega é que tudo sempre vai depender do ponto de vista adotado para glorificar ou crucificar a  pirataria.  Em particular concordo plenamente  com  o  desmantelamento  dos  esquemas daqueles que desejam ganhar  dinheiro  paralelamente  com  o  trabalho alheio. A indústria de software subsiste e mantém milhares de empregos simplesmente através da venda de seus programas,  e  aproveitar-se  do esforço de outrem é vil e asqueroso. Por outro lado  os  &#8220;verdadeiros&#8221; piratas causam mais bem que  mal,  pois  através  de  suas  abordagens virtuais o conteúdo de sua pilhagem informática acaba por beneficiar o usuário final (serão esses modernos bucaneiros as  atuais  versões  de Robin Hood?).</p>
<p>Enfim,  a  pirataria  como  meio  de  disseminar  o   conhecimento   e compartilhar programas é que veio a dar origem a  mais nova  tendência mundial: o software gratuito &#8211; o qual na maior  parte  das  vezes  tem muito mais qualidade e menos bugs do que os softwares comerciais.  Mas isso já é assunto para uma outra edição&#8230;</p>
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		<title>Ctrl-C nº 00</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 1999 03:00:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adauto</dc:creator>
				<category><![CDATA[ex libris]]></category>
		<category><![CDATA[Jus libertatis]]></category>

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		<description><![CDATA[( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 00, de agosto/99 ) * NOTA: Essa foi a abertura da primeira edição de um e-zine que escrevi, de nome Ctrl-C, a qual transcrevo aqui no blog para viabilizar futuras buscas por artigos. Buenas. ============================================================= ##### ## #### ##### ago/99 ########### #### #### ########### ##### #### #### #### [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><small><em>( Publicado originalmente no e-zine CTRL-C nº 00, de agosto/99 )</em></small><br />
<em><strong>* NOTA:</strong> Essa foi a abertura da primeira edição de um e-zine que escrevi, de nome Ctrl-C, a qual transcrevo aqui no blog para viabilizar futuras buscas por artigos.</em></p>
<p>Buenas.</p>
<pre>
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   #######     ##### ####     ####         #######  Ctrl-C 00
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            Por que todo e-zine começa com 00?
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</pre>
<p>&#8220;Putz. Mais um e-zine  de  alguém  metido  a  entendido  de  Internet, hacking, phreaking, etc.&#8221; Se é isso  que  você  está  pensando,  sinto muito, mas está errado. Não sou hacker. Nem phreaker. Nem cracker. Nem outro &#8230;er qualquer. Sou apenas um cara igual  a  todo  mundo  e  que gosta de informática e tá a fim de dividir o pouco que  sabe.  Ou  que pensa que sabe.</p>
<p>&#8220;Tá, e o que é que eu tô fazendo aqui então?&#8221; Sei lá.  De  repente  te deu vontade de ler isso, tava a fins, sacumé&#8230;  Bem,  pra  começo  de conversa,  na  realidade  sou  advogado  (!!!).  E  como  advogado   e infomaníaco que sou, me interesso por assuntos de segurança,  direitos autorais, e outros do gênero. Vou tentar falar sobre isso  aqui  nesse espaço. É lógico que vai sobrar uns dois dedos de  prosa  para  outros assuntos mais obscuros, mas vamos devagar com o andor&#8230;</p>
<p>&#8220;Pô, dá pra tirar os acentos? Tá tudo truncado!  Quem  manja  não  usa acentos&#8230;&#8221; Discordo. Tanto é que pelo menos 90% desse povo que  gosta de e-zines (inclusive você, se não me engano) usa mesmo  é  o  Windows (me segurei pra não dizer rWindows). E mesmo que não usasse, em outros ambientes gráficos você consegue muito bem visualizar  estes  acentos. Se não acredita, tenta o bloco de notas do KDE, ou o StarOffice, ou  o WordPerfect. Sei lá. Se vira meu.</p>
<p>Por fim desde já aviso que os textos  ora  beiram  o  juridiquês,  ora beiram o informatiquês, mas se você chegou até aqui, tenho certeza que conseguirá dar conta do  recado.  Se  não,  bem,  sempre  é  tempo  de aprimorar seus conhecimentos, certo? Agora que já enchi o saco de todo mundo, vamos trabalhar. Ah, cabe ainda uma  última  perguntinha:  &#8220;por que esse nome esquisito: &#8216;Ctrl-C&#8217;?&#8221; Aí você pergunta pro Derneval,  do e-zine Barata Elétrica. Mesmo sem saber foi ele quem sugeriu&#8230;</p>
<p>Se você gostou do Ctrl-C, me avise. Se não gostou,  me  avise  também, mas tenha a decência de dizer o  porquê.  Contribuições  na  forma  de textos, artigos, notícias, ou mesmo críticas serão bem-vindas.</p>
<p>Um abraço.</p>
<pre>
                        ________________         _
                         __(=======/_=_/ ____.--'-`--.___
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 Adauto                           .--`--'../
                                 '---._____./!

                             INFORMATION MUST BE FREE !
</pre>
<p><em><strong>ADVERTÊNCIA: </strong></em></p>
<p><em>O material aqui armazenado tem caráter exclusivamente educativo. Como já afirmei, minha intenção é apenas compartilhar conhecimentos de modo a informar e prevenir. Não compactuo nem me responsabilizo pelo uso ilegal ou indevido de qualquer informação aqui incluída. Se você tem acesso à Internet e está lendo estas linhas significa que já é grandinho o suficiente para saber que a utilização deste material visando infringir a lei será de sua própria, plena e única responsabilidade.</em></p>
<p><em> Você pode, inclusive com minha benção, reproduzir total ou parcialmente qualquer trecho deste e-zine. A informação tem de ser livre. Mas não se esqueça de citar, também, quem é o autor da matéria, pois ninguém aqui está a fim de abrir mão dos direitos autorais. </em></p>
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