Valorizando seu dinheiro – V

Ditadura Militar

Cruzeiro Novo
(NCr$1,00 = Cr$1.000,00)

O Cruzeiro Novo (NCr$) começou a circular em 13/02/1967, criado pelo Decreto-Lei nº 1, de 13/11/65 e pelo Decreto nº 60.190, de 02/02/67, já com o presidente Artur da Costa e Silva. O Cruzeiro Novo foi criado como um padrão de caráter apenas temporário, para vigorar durante o tempo necessário ao preparo das novas cédulas e à adaptação da sociedade ao corte de três zeros. Para isso não houve a emissão de novas cédulas, para circular com o Cruzeiro Novo simplesmente foram utilizadas exatamente as mesmas cédulas do padrão anterior, só que carimbadas pelo Governo com os novos valores. Os centavos foram também representados em moedas metálicas, criadas especialmente para esse padrão.

Isso se deu em decorrência, mais uma vez, da desvalorização do moeda – fruto da instabilidade política e das contas públicas em descontrole – de modo que era necessário criar um novo padrão de cédulas, o que ficaria a cargo do recém-criado Banco Central do Brasil (1964), mas era preciso algum tempo para esse preparo. Por isso o caráter temporário do Cruzeiro Novo, feito para durar apenas até o próximo ficar pronto.

Aliás, não só não houve a emissão de novas cédulas como algumas também já foram sendo paulatinamente tiradas de circulação (é o caso das cédulas de 1, 2, 5, 20 e 200 Cruzeiros). Com o corte de três zeros o que era Cr$10,00 passou a ser um NCr$0,01, o que era Cr$50,00 passou a ser NCr$0,05 e assim sucessivamente. Foram carimbadas as cédulas do padrão anterior de modo a colocar em circulação os valores de 0,01, 0,05, 0,10, 0,50, 1,00, 5,00 e 10,00 Cruzeiros Novos.

     

     

     

Cruzeiro
(Cr$1,00 = NCr$1,00)

Como o padrão anterior foi apenas um intermediário para a volta do Cruzeiro (Cr$), o que se deu em 15/05/1970, já com o presidente Emílio Garrastazu Médici, através da Resolução 144, de 31/03/1970, do Conselho Monetário Nacional, não houve “tempo suficiente” para a inflação corroer o poder aquisitivo do dinheiro, de modo que um Cruzeiro era equivalente a um Cruzeiro Novo. Todas as cédulas do período anterior foram substituídas por outras com novas efígies e o dinheiro passou a ser impresso em definitivo somente pela Casa da Moeda do Brasil.

Ou seja, a moeda em vigor voltou a se chamar somente Cruzeiro e as cédulas em circulação foram substituídas pela nova série, nos valores de 1, 5, 10, 50 e 100 Cruzeiros.

Cr$1,00. Na face possuía a Efígie da República à direita; no verso, o Edifício da Caixa de Amortização à esquerda.

Cr$5,00. Na face possuía D. Pedro I à direita; no verso, a Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, à esquerda.

Cr$10,00. Na face possuía D. Pedro II à direita; no verso, o “Profeta Daniel”, escultura em pedra sabão de Aleijadinho, no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos-Congonhas do Campo, à esquerda.

Cr$50,00. Na face possuía o Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, à direita; no verso, “Embarque do Café”, Cândido Portinari, à esquerda.

Cr$100,00. Na face possuía o Marechal Floriano Vieira Peixoto, Presidente da República de 1891 a 1894, à direita; no verso, o Congresso Nacional à esquerda.

Em 1972, em comemoração aos 150 anos da Independência do Brasil, foi lançada a cédula de 500 Cruzeiros.

Cr$500,00. Na face possuía uma representação da evolução étnica brasileira; no verso, mapas histórico-geográficos.

Em 1978, já quase no final do mandato do presidente Ernesto Geisel, foi lançada a cédula de 1.000 Cruzeiros, que seria a primeira dessa segunda família do Cruzeiro, inspirada no padrão de cartas de baralho, ou seja, com imagens duplicadas tanto na frente quanto no verso, permitindo a leitura tanto num sentido quanto noutro. Popularmente foi quando se começou a chamar qualquer unidade monetária de dinheiro de “Barão”, por conta da efígie do Barão do Rio Branco na frente da cédula.

Cr$1.000,00. Na face possuía a figura de José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912); no verso, Delimitação das Fronteiras.

Mais tarde, em 1981, durante a presidência do último ditador (militar), João Figueiredo, novas cédulas foram incrementadas, com os valores de 100, 200, 500 e 1.000 Cruzeiros. Tanto a cédula de 100 quanto a de 1.000 foram reformuladas, mantendo o mesmo padrão de tamanho de desenho das demais, o que valeu à antiga cédula de 1.000 o apelido de “Barão Cabeção”…

Cr$100,00. Na face possuía Luís Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias (1803-1880); no verso, a Pacificação Interna.

Cr$200,00. Na face possuía a figura da Princesa Isabel (1846-1921); no verso, a Abolição da Escravatura.

Cr$500,00. Na face possuía o Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente do Brasil de 1889 a 1891; no verso, a Proclamação da República.

Cr$1.000,00. Na face possuía José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912); no verso, Delimitação das Fronteiras.

Cr$5.000,00. Na face possuía Humberto de Alencar Castello Branco, Presidente da República durante a Ditadura Militar (1964-67); no verso, Usinas hidroelétricas e telecomunicações.

Em 1984, em decorrência de uma absurda inflação que não parava de crescer, as cédulas de 1, 5, 10 e 50 Cruzeiros deixaram de circular. Nesse mesmo ano houve a emissão de novas cédulas, nos valores de 10.000 e 50.000 Cruzeiros. Já em 1985 a cédula de 100.000 cruzeiros viria acompanhá-las.

Cr$10.000,00. Na face possuía Rui Barbosa de Oliveira (1849-1923) à direita, e uma composição representando sua mesa de trabalho ao centro; no verso, Rui Barbosa discursando na Segunda Conferência da Paz, realizada em Haia em 1907.

Cr$50.000,00. Na face possuía Oswaldo Cruz (1872-1917) à direita, e um microscópio óptico ao centro; no verso; no verso, o Edifício principal do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Cr$100.000,00. Na face possuía Juscelino Kubitschek de Oliveira, Presidente da República de 1956 a 1961, à direita, bem como estradas e redes de transmissão de energia elétrica ao centro; no verso, o Congresso Nacional em primeiro plano; ao fundo, à esquerda, “Catetinho” e, à direita, o Palácio da Alvorada.

Aliás, estas são as cédulas que me acompanharam durante toda minha infância e boa parte da adolescência…

Esta quinta parte de nossa história durou 16 anos, que, somados aos 3 anos da época do Cruzeiro Novo, nos dá um total de 19 anos sem “cortes de zeros”. Mas o final da década de setenta trouxe a crise do petróleo e o premente fim da ditadura, já em meados da década de oitenta, levou a inflação do Brasil a patamares inimagináveis!


E a Família Andrade, como vai?

Tendo passado minha infância na década de setenta e minha adolescência na década de oitenta, acompanhei toda a trajetória econômica de nossa moeda que acabaria nos levando a índices inflacionários sequer imaginados! Não que eu me preocupasse com isso na época…

     

     

     


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – IV

Do Estado Novo ao Fim do Estado…

Cruzeiro
(Cr$1,00 = Rs1:000$000)

O Cruzeiro (Cr$) começou a circular em 01/11/1942, criado pelo Decreto-Lei nº 4.791, de 05/10/42. Nessa troca de moeda do Brasil, os Réis foram substituídos pelo Cruzeiro e 1 mil Réis passaram a valer 1 Cruzeiro, tendo sido este o primeiro corte de três zeros da história monetária do país. É aí que surge também o centavo.

Ainda que desde o início de 1930 o então presidente Washington Luís já viesse pretendendo uma reforma monetária, esta somente se deu durante o governo de Getúlio Vargas. Foram vários os motivos para postergá-la por mais de uma década, dentre eles, a crise do capitalismo de 1929, a Revolução de 30, e, em especial, em decorrência da inflação gerada durante a Segunda Guerra Mundial.

A escolha do nome dessa nova moeda baseou-se na constelação do Cruzeiro do Sul, escolhida como símbolo da pátria.

Os valores eram de 10, 20, 50, 100, 200, 500 e 1.000 Cruzeiros. Por um curto período existiram também as notas de 1, 2 e 5 Cruzeiros, mas essas somente foram introduzidas em circulação por conta da situação de guerra, uma vez que havia falta de condições para a emissão de moedas metálicas.

Pelos próximos 25 anos seriam estas as cédulas que circulariam pelo Brasil, paulatinamente eliminando o sistema monetário anterior que, em última instância, ainda havia sido herdado do antigo Governo Português. Diferente do antigo sistema, não houve diversas estampas para cédulas do mesmo valor, de modo que elas perduraram no tempo e facilitaram o seu reconhecimento pela população. Foram as seguintes as cédulas lançadas (as originais não tinham esses carimbos – mais pra frente eu o explicarei):

Cr$1,00. Na face possuía Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré (1807-1897), ao centro; no verso, a Escola Naval do Rio de Janeiro.

Cr$2,00. Na face possuía Luiz Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias (1803-1880), ao centro; no verso, a Escola Militar de Resende, fundada em 1944 (em 1951 teve o nome mudado para Academia Militar das Agulhas Negras).

Cr$5,00. Na face possuía José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912), ao centro; no verso, “A Conquista do Amazonas”, de Antônio da Silva Parreiras.

Cr$10,00. Na face possuía Getúlio Vargas, Presidente da República de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, ao centro; no verso, a Alegoria Unidade Nacional.

Cr$20,00. Na face possuía Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, ao centro; no verso, “Proclamação da República”, tela de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$50,00. Na face possuía a Princesa Isabel (1846-1921) ao centro; no verso, “Lei Áurea”, tela de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$100,00. Na face possuía D. Pedro II ao centro; no verso, “Cultura Nacional”, quadro de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$200,00. Na face possuía D. Pedro I ao centro; no verso, “Independência ou Morte”, óleo sobre tela de Pedro Américo.

Cr$500,00. Na face possuía D. João VI ao centro; no verso, “Abertura dos Portos”, alegoria de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$1.000,00. Na face possuía Pedro Álvares Cabral (1467-1520) ao centro; no verso, “A Primeira Missa no Brasil”, óleo sobre tela de Victor Meirelles.

Em 1961, já tendo passado pelos presidentes Eurico Gaspar Dutra, novamente Getúlio Vargas, Café Filho, Juscelino Kubischek, Jânio Quadros e João Goulart, houve a primeira experiência de emissão de cédulas por parte da Casa da Moeda do Brasil, que emitiu uma nota de 5 Cruzeiros que passou a ser conhecida como a Nota do Índio.

Cr$5,00. Na face possuía a figura de um índio à direita; no verso, ao centro, um lago com vitórias régias.

Mais uma vez a inflação voltou a assombrar o Brasil e, por conta disso, em 1963 foi lançada a nota de 5.000 Cruzeiros e, mais tarde, em 1966, já em plena Ditadura, durante o governo de Humberto de Alencar Castelo Branco, também foi lançada a de 10.000 Cruzeiros. A primeira fabricação ficou a cargo da American Bank Note Company e a segunda, da Thomas de La Rue & Company Limited.

Cr$5.000,00. Na face possuía Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (1746-1792), ao centro; no verso, “Tiradentes ante o Carrasco”, quadro de Rafael Falco.

Cr$10.000,00. Na face possuía Alberto Santos Dumont (1873-1932) à direita; no verso, 14-bis à direita.

Mas a essa altura do campeonato a Ditadura Militar já estava estabelecida e novas medidas seriam necessárias… O AI-5, o mais infame de todos os Atos Institucionais, foi emitido em 13 de dezembro de 1968 e resultou no imediato fechamento do Congresso Nacional, na perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções ordenadas pelo presidente nos municípios e estados e também na suspensão de quaisquer garantias constitucionais que eventualmente resultaram na institucionalização da tortura, comumente usada como instrumento pelo Estado.

Com tudo que estava acontecendo no país naquele momento parece até bobagem tratar de uma coisinha boba e pueril como o sistema monetário nacional e esse tal de negócio chamado inflação… Mas era necessário. E uma nova moeda estava a caminho…


E a Família Andrade, como vai?

Em eis que José Bento de Andrade, meu pai, em 1960 casou-se com minha mãe, Bernardete Nunes, nascida em 10 de setembro de 1943, descendente dos mineiros Antunes e dos joseenses Nunes. Dessa união é que viemos, eu e meus irmãos: Adilson Aparecido de Andrade em 1962, Anselmo Aparecido de Andrade em 1963 e este que vos tecla, Adauto de Andrade, em 1969…

     


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – III

Republiquemo-nos!

(Ainda no Mil-Réis…)

Chegou o ano de 1889 e, com ele, a Proclamação da República. Com o primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, começa de novo todo o trabalho de “colocar a casa em ordem” (conforme o gosto do ocupante do cargo, é lógico). Foi mantido o padrão “Mil-Réis” e o Governo Provisório Republicano caiu na besteira de permitir que alguns bancos emitissem cédulas – o que, obviamente, resultaram na multiplicação dos peixes. Ou, no caso, do dinheiro. Estava demais. Assim retornou-se à ideia de um único emissor que, de 1892 a 1896, já com Floriano Peixoto e, em seguida, Prudente de Morais, foi o Banco da República do Brasil (sendo este considerado o “terceiro” Banco do Brasil, resultado da fusão do falido Banco do Brasil anterior e o Banco da República dos Estados Unidos do Brasil – BREUB).

Só que, mais uma vez, o furdúncio já estava feito. A grande quantidade de bancos emissores acabou provocando uma grave crise financeira, de modo que em 1896 voltou à incumbência do Tesouro Nacional ser o único responsável pela emissão das cédulas e a partir daí todas as cédulas em circulação foram substituídas por cédulas padronizadas do Tesouro Nacional.

Entre 1896 e 1923 (passando nesse período pelos presidentes Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás, Delfim Moreira, Epitácio Pessoa e Artur Bernardes), além da Casa da Moeda do Rio de Janeiro, outros fabricantes estrangeiros receberam encomenda de cédulas brasileiras, tais como Bradbury Wilkinson, Georges Fuval, Cartiére Pietro Milani, American Bank Note Company e Thomas de La Rue & Company Limited.

Nesse período, foram lançadas cédulas com valores que variavam desde 500 Réis até um conto de Réis (um milhão de Réis) e, novamente, para cada valor, diversas estampas:

500 Réis (4 estampas). A quarta, de 1901, possuía na face a efígie da República à esquerda; no verso, as Armas da República e valor facial.

1.000 Réis (13 estampas). A décima terceira, de 1923, possuía na face David Campista, Ministro da Fazenda (1906-1909) ao centro; no verso, o valor facial.

2.000 Réis (15 estampas). A décima quinta, de 1923, possuía na face Joaquim Murtinho (Ministro da Fazenda, 1898-1902) ao centro; no verso, a inscrição REPUBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL e valor facial.

5.000 Réis (19 estampas). A décima nona, de 1942, possuía na face José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco, ao centro; no verso, a Alegoria da Indústria e do Comércio.

10.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1942, possuía na face Manuel Ferraz de Campos Salles, Presidente da República 1898-1902, ao centro; no verso, a Avenida Beira Mar, no Rio de Janeiro.

20.000 Réis (16 estampas). A décima sexta, de 1942, possuía na face o Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, ao centro; no verso, uma mulher sentada representando Minerva.

50.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1936, possuía na face Joaquim Xavier da Silveira Júnior (1864-1912) à esquerda; no verso, o Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

100.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1936, possuía na face Alberto Santos Dumont (1873-1932) ao centro; no verso, vista da Enseada da Glória, no Rio de Janeiro.

200.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1936, possuía na face Joaquim Saldanha Marinho (1816-1895) à direita; no verso, vista do Flamengo e Jardim da Glória, no Rio de Janeiro.

500.000 Réis (15 estampas). A décima quinta, de 1936, possuía na face Floriano Peixoto, Presidente da República de 1891 a 1894, ao centro; no verso, as Armas da República e valor facial.

1.000.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1921, possuía na face a Alegoria do Comércio à esquerda; no verso, valor facial.

A partir de 1923 e até 1930, ainda com o presidente Artur Bernardes e também com Washington Luís, a emissão da moeda de papel ficaria novamente sob a incumbência do Banco do Brasil (sendo este o “quarto” Banco do Brasil – o atual -, resultado da encampação pelo governo da mais uma vez falida instituição anterior), finalmente com tecnologia suficiente para criar uma família de cédulas que praticamente não permitiu falsificações:

1.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face Manuel Ferraz de Campos Sales, Presidente da República de 1898 a 1902, ao centro; no verso, as Armas da República e valor facial.

2.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face Prudente José de Morais, Presidente da República de 1894 a 1898, à direita; no verso, as Armas da República e valor facial.

5.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912), à esquerda; no verso, as Armas da República e valor facial.

10.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face Francisco de Paula Rodrigues Alves, Presidente da República de 1902 a 1906, ao centro; no verso, a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

20.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face Artur da Silva Bernardes, Presidente da República de 1922 a 1926, à direita; no verso, o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

50.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face Pedro de Araújo Lima, Marquês de Olinda (1793-1870), à esquerda; no verso, o Canal do Mangue, no Rio de Janeiro.

100.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face Diogo Antônio Feijó (1784-1843) ao centro; no verso, a Avenida Niemeyer, no Rio de Janeiro.

200.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face D. Pedro II à direita; no verso, o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.

500.000 Réis (2 estampas). Num primeiro momento foi aproveitada uma estampa anterior, ainda do Império. Emitida a partir de 1923, possuía na face José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) à esquerda; no verso, o Jardim da Glória, no Rio de Janeiro.

1.000.000 Réis (2 estampas). Também num primeiro momento foi aproveitada uma estampa anterior, ainda do Império. Emitida a partir de 1923, possuía na face D. Pedro I ao centro; no verso, “Independência ou Morte”, óleo sobre tela de Victor Meirelles.

E entre 1918 e 1935, mais uma vez com a finalidade de facilitar o troco, foi cunhada uma nova série de moedas em cuproníquel que substituíram as cédulas de valores pequenos e as moedas antigas. É desse período a moeda de 100 Réis que assumiu o apelido de “Tostão”, antes pertencente à antiga moeda de LXXX Réis…

Nesta terceira parte dessa história passamos pela chamada “República Velha”, que perdurou até 1930, e começamos a entrar na era ditatorial de Getúlio Vargas. Como veremos a seguir, nos 53 anos de sobrevida do “Mil-Réis” junto ao período republicano, mais uma vez – pelos mais diversos motivos nacionais e internacionais – a moeda brasileira estava desvalorizada. Era preciso tomar uma providência – a qual já vinha sendo engedrada desde 1930 mas somente se efetivaria em fins do ano de 1942…


E a Família Andrade, como vai?

Em 6 de março de 1909 nasceu meu avô, Antonio de Andrade que em 1936 viria a casar-se com Sebastianna dos Santos (esta nascida a 13 de abril de 1920). Não cheguei a conhecê-lo, pois faleceu quando eu tinha apenas 1 ano de idade… Dos 12 filhos que tiveram, o primogênito já veio no ano seguinte ao casamento: em 27 de abril de 1937 nasceu José Bento de Andrade, meu pai.


Antonio de Andrade


(Início da Saga)

(Continua…)

Valorizando seu dinheiro – II

Brasil: Império Independente!

Mil-Réis

Como toda grande mudança implica em “botar a casa em ordem”, com o Brasil não foi diferente. Com a independência proclamada em 1822 teve início o Império Brasileiro, tendo D. Pedro I como imperador. Seu período inicial foi marcado por profunda crise (êêê… já começou…) devido às dificuldades de organizar uma nova nação, pois toda gastança necessária resultou na diminuição da quantidade de ouro e prata em circulação, de modo que predominavam as moedas de cobre.

Aliás as moedas mantiveram o mesmo padrão das moedas do período colonial, sofrendo pequenas alterações para se adequar à nova situação política. As Armas de Portugal foram substituídas pelas do Império e acrescentou-se a frase “IN HOC SIGNO VINCES” (“Com este sinal vencerás”).

Já que o “Brasil era nosso”, com o tempo algumas padronizações foram necessárias. Como a população já estava acostumada com o “Réis” como sendo o dinheiro oficial e, graças à desvalorização através do tempo, o “Mil-Réis” é o que fazia parte de seu dia a dia, o então Imperador D. Pedro II (veja só: com apenas 8 anos de idade…) resolveu oficializar essa situação através da Lei nº 59, de 08/10/1833, de modo que o Mil-Réis passou a designar a unidade monetária e Réis os valores divisionários (algo como nossos centavos de hoje em dia). Na mesma época ficou conhecido o Conto de Réis, que correspondia a 1 milhão de Réis ou mil Mil-Réis.

Confuso? Nem tanto. Imaginemos a importância de “2 contos, 320 mil e 160 Réis”. Sua grafia seria assim: R2:320$160.

A nova “família” de moedas criada desde então, ainda que com os mesmos valores de referência de réis, foi conhecida como “Cruzados”.

Pois bem. Com o império já estabelecido era necessário garantir o progresso econômico do país, o que por sua vez exigia recursos monetários distribuídos por várias regiões. Para suprir essa demanda começaram a surgir bancos em diversas cidades brasileiras e, com as bênçãos do governo, cada qual emitindo dinheiro – isto é, tal qual na época de D. João VI, “bilhetes pagáveis ao portador”.

Foi um período interessante e de transformação para a população. Aquela “moeda de papel” foi aos poucos conquistando sua confiança, que começou a adquirir o hábito de usá-la em substituição ao conhecido dinheiro de metal – principalmente quando se tratava da necessidade de se transportar grandes quantias.

Mas Murphy é Murphy em qualquer época! Pra “ajudar” nos trancos e barrancos que um sistema monetário nacional incipiente e em surgimento por si só já tem, eis que desse nosso povinho começaram a surgir inúmeras falsificações. Lembram que, pela escassez dos metais nobres, predominavam as moedas de cobre? Então. Com esse tipo de metal em abundância, essas moedas eram facilmente falsificáveis. Para tentar acabar com isso a partir de 1833 o governo passou a emitir cédulas do Tesouro Nacional que serviam exatamente para substituir as moedas de cobre em circulação.

Vejam o furdúncio: além de todas aquelas antigas moedas em circulação, tínhamos as moedas de cobre falsificadas, os antigos bilhetes ao portador do extinto Banco do Brasil, as cédulas dos bancos locais e mais as cédulas emitidas para troca do cobre. E tudo circulando como moeda corrente! Era preciso começar a dar um basta nisso!

E foi assim que em 1835, não só visando resolver esse problema mas também para uniformizar as cédulas em circulação, o governo emitiu a primeira família de cédulas próprias, criadas e impressas na Inglaterra pela Perkins, Bacon & Petch.

Foi essa a primeira vez que o Tesouro Nacional assumiu o monopólio das emissões de dinheiro.

O Segundo Banco do Brasil

O segundo Banco do Brasil foi criado pelo Visconde de Mauá, e foi formado pela fusão do antigo Banco do Brasil com o Banco Comercial do Rio de Janeiro, tendo iniciado suas atividades em 1854, passando a ser o único emissor de moeda.

Com a generalização do uso de cédulas, a cunhagem de moedas direcionou-se para a produção de valores destinados ao troco. O cobre foi sendo substituído por ligas modernas, mais duráveis, de modo a suportar a circulação do dinheiro de mão em mão. A partir de 1868 foram introduzidas moedas de bronze e a partir de 1870 moedas de cuproníquel (uma liga de cobre e níquel). Com essa palavrinha difícil para a população – “cuproníquel” – por comodidade foi anunciada como se fosse apenas de “níquel”; e daí, dada a nossa brasileira facilidade de criar apelidos para seja lá o que for, de “níquel” pra “Nicolau” foi só um instante…

No tocante às cédulas, no decorrer do tempo as mesmas muitas vezes eram fabricadas com diversas estampas (com as figuras/apresentação diferentes), ainda que com o mesmo valor, por conta das falsificações. Pela ordem cronológica, ainda durante o Império, foram lançadas pelo Tesouro Nacional as seguintes cédulas:

1.000 Réis (lançada em 1835, teve 7 estampas). A sétima, de 1888, possuía na face o Museu Imperial de Petrópolis à esquerda e D. Pedro II à direita; no verso, a estátua equestre de D. Pedro I, com a inscrição IMPERIO DO BRAZIL e valor facial.

2.000 Réis (lançada em 1835, teve 8 estampas). A oitava, de 1888, possuía na face D. Pedro II à esquerda e a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo (Rio de Janeiro) à direita; no verso, a Rua Direita, no Rio de Janeiro.

5.000 Réis (lançada em 1835, teve 9 estampas). A nona, de 1888, possuía na face D. Pedro II à esquerda, um querubim ao centro e a Alegoria das Artes à direita; no verso, as Armas do Império, a inscrição IMPERIO DO BRAZIL e valor facial.

10.000 Réis (lançada em 1835, teve 8 estampas). A oitava, de 1888, possuía na face D. Pedro II à esquerda, o Brasão do Império ao centro e a Alegoria da Fortuna à direita; no verso, as Armas do Império, a inscrição IMPERIO DO BRAZIL e valor facial.

20.000 Réis (lançada em 1835, teve 8 estampas). A sexta, de 1870, possuía somente a face, com a vista do Ancoradouro do Rio de Janeiro ao centro e figuras alegóricas à esquerda e à direita.

50.000 Réis (lançada em 1835, teve 6 estampas). A segunda, de 1839, possuía somente a face, com o Brasão do Império do Brasil à direita e a Alegoria da Justiça com a data da independência brasileira ao centro.

100.000 Réis (lançada em 1835, teve 5 estampas). A quarta, de 1867, possuía somente a face, com a Alegoria do Descobrimento do Brasil ao centro e figuras alegóricas à esquerda e à direita.

200.000 Réis (lançada em 1835, teve 6 estampas). A quarta, de 1867, possuía somente a face, com D. Pedro II nos cantos superior esquerdo e inferior direito, bem como a Alegoria da Justiça ao centro.

500.000 Réis (lançada em 1836, teve 5 estampas). A quinta, de 1885, possuía na face D. Pedro II acima, o Brasão do Império à esquerda e uma mulher à direita; no verso, D. Pedro II à esquerda e a inscrição IMPERIO DO BRAZIL e Armas do Império à direita.

500 Réis (lançada em 1874, teve 2 estampas). A segunda, de 1878, possuía na face D. Pedro II ao centro, ladeado por duas figuras femininas; no verso, as Armas do Império do Brasil, a inscrição IMPERIO DO BRASIL e valor facial.

Aliás, uma curiosidade inútil: sabiam que D. Pedro II foi a personalidade cujo rosto mais apareceu na moeda brasileira?

Bem, nesta segunda parte dessa história pudemos verificar que esse negócio de emitir moeda não era fácil não! Desde priscas eras esse nosso povinho já tinha uma certa predisposição para querer levar vantagem em tudo, certo? (e olha que a “Lei de Gérson” somente viria muito tempo depois…), pelo que a falsificação era uma constante. Para tentar coibir isso, durante os 67 anos que durou o Império Brasileiro foi emitida uma variedade absurda de cédulas, sempre tentando cada vez mais melhorar a qualidade de sua confecção. Mas a vindoura República também teria seus próprios problemas!


E a Família Andrade, como vai?

Agora é que a história dá um nó! Lembram-se de meu tetravô que foi casado com a própria prima? Então. Ele era um dos mais velhos dentre seus 11 irmãos e teve meia dúzia de filhos, inclusive minha trisavó Maria da Glória Teixeira Guimarães, nascida em 1850. E eis que ela casou-se com Joaquim Theodoro de Andrade, um dos irmãos mais novos de seu pai. Sim, isso mesmo, ela casou-se com o próprio tio! Tudo bem, os tempos eram outros, as idades eram compatíveis e tudo ficaria em família mesmo… Mas isso dá um nozinho na cabeça, pois acabou que ele ficou sendo ao mesmo tempo tanto meu “tio-tetravô” quanto meu “trisavô”… Enfim, casaram-se e seu filho, meu bisavô, João Agnello de Andrade, nasceu em 1877. Mais tarde, logo após a virada do século, viria a casar-se com Iria Rita de Bem (descendente das famílias Novaes e Carneiro de Bem).


(Início da Saga)

(Continua…)