A vida é mais!!!

Quanto mais eu conheço dessa raça (humana), mais vergonha acabo sentindo…

Mas quando encontro sentenças como essa a seguir ainda tenho alguma esperança!

Trata-se de ação de indenização por danos morais e materiais por um suposto “erro médico” que tramitou no Juizado Especial Cível da comarca de Goioerê, Paraná, uma simpática cidadezinha com cerca de 30 mil habitantes encravada pro lado da região oeste do estado. Essa pitoresca sentença (a original pode ser visualizada aqui) foi prolatada nos autos do processo nº0003331-47.2019.8.16.0084 pela Juíza Fabiana Matie Sato.

SENTENÇA

1. Afasto o parecer, de seq. 44, nos termos do artigo 40 da lei 9.099/95.

2. Os autores pretendem ser indenizados, por dano material de R$ 4.987,00 mais dano moral de R$ 15.000,00, sob a alegação de que o médico, após realizar ultrassom, informou que o bebê era menino, mas no sétimo mês de gravidez, os autores vieram a descobrir que o requerido errou no diagnóstico, porque a mãe estava grávida de uma menina.

3. Adoto a fundamentação da rejeição das duas preliminares, pela desnecessidade de prova pericial, e a incompetência territorial, do parecer de seq. 44.

4. É de conhecimento popular e raso que, no início da gestação, qualquer informação sobre o sexo do bebê está sujeita à alteração, seja pela limitação do exame de ultrassom, seja pela posição da criança no ventre materno. Conforme seq. 1.4, tratava-se de exame com uma gravidez de 14 semanas.

O casal de autores informa a realização de Ultrassonografia Pélvico Endovaginal, em 28/02/2018, 07/03/2018, 29/03/2018 e 26/04/2018 e Ultrassonografia Obstétrica no dia 01/08/2018.

No exame Ultrassonografia Pelvico Endovaginal, de 26/04/2018, da gravidez de 14 semanas, o médico disse que era um menino.

E eles não se importaram em fazer novo exame para apurar o sexo do bebê, e apenas no 7º mês descobriram que era uma menina, mas tudo já estava comprado.

O casal comprou todo o enxoval da criança em coloração azul e roupas próprias para meninos, e gastaram cerca de R$ 4.987,00.

Pelo engano do médico, sustentam o dano moral, quantificado em R$ 15.000,00.

Nesta ação, os autores pretendem empurrar para o médico, a conta do chá de bebê e das roupas também.

Tenho dó desta menina, porque os pais queriam que ela fosse um menino, porque o médico disse que era menino, e a mãe não fez outro exame para confirmar o sexo do bebê, após o exame de ultrassom, de 14 semanas, e os pais compraram tudo, desde chá de bebê azul até roupas azuis, e só descobriram que era uma menina, no 7º mês.

Coitada. Veio ao mundo, recebida, com este clima, sem direito dos pais de serem reembolsados pelas despesas com enxoval e chá de bebê.

Meu Deus, quanta pequenez para celebrar a vida. Quanto despreparo para uma gravidez e para reconhecer a dádiva das belezas da vida.

A culpa foi dos pais, e ele pretendem colocar a culpa no médico, no exame, em todos, menos neles.

A vida é mais!!!

Os pedidos são totalmente improcedentes.

DISPOSITIVO

Ante o exposto, julgo IMPROCEDENTES os pedidos.

Sem custas ou honorários advocatícios.

Publique-se, registre-se e intime-se.

Goioerê, 27 de fevereiro de 2020.

Fabiana Matie Sato
Magistrada

Valorizando seu dinheiro – XI

Recapitulando
(As principais representantes da moeda em cada época…)

Moeda de Cerco – Doze Florins (1645)
 

Vintém – Vinte Réis (1695)
 

Meia Pataca – Cento e sessenta Réis (1695)
 

Dobrão – Vinte mil Réis (1724)
 

Escudo – Doze mil e oitocentos Réis (1727)
 

Tostão – Oitenta Réis (1727)
 

Cinco mil Réis (1833)
 

Dois mil Réis (1888)
 

Quinhentos Réis (1901)
 

Quinhentos mil Réis (1936)
 

Dez Cruzeiros (1950)
 

Dez Cruzeiros Novos (1967)
 

Cem Cruzeiros (1970)
 

Barão – Mil Cruzeiros (1978)
 

Quinhentos Cruzados (1986)
 

Cinquenta Cruzados Novos (1989)
 

Cinquenta mil Cruzeiros (1990)
 

Cinco mil Cruzeiros Reais (1993)
 

Cem Reais (1994)
 

E aqui concluímos esta nossa histórica história, tendo passado por todos os períodos do Brasil, desde a época colonial até os tempos atuais. Poderíamos também ter falado das recém-surgidas criptomoedas, um novo meio de troca que se utiliza das tecnologias de protocolos seguros e da criptografia para assegurar a validade das transações efetuadas através do computador – mas isso já é matéria para algum outro dia…


(Início da Saga)

Volta ao Mundo em 80 Horas – VIII

VIII – E quando você acha que tudo acabou…

(Para os desavisados de plantão: esta é a conclusão da narrativa de uma de minhas desventuras que comecei a contar no final de 2016 – já há quase quatro anos! – e que até agora ainda faltava um desfecho. Nada demais, apenas um pré-infarto pelo qual passei. Se quiserem saber como tudo isso começou ou rememorar o causo desde o princípio, desçam direto lá para o final deste texto e cliquem no link “Início da Saga”.)

(Mais um recadinho do coração para um avisado de plantão: o amigo Hideki me cobrou por mais de uma vez quando sairia a continuação desta “saga” e, brincando, lhe disse que seria antes do capítulo final da Caverna do Dragão (entendedores entenderão). Pois é, meu amigo. Falhei com você. Pois finalmente esse capítulo saiu (está disponível aqui) e eu ainda não tinha conseguido terminar estas mal traçadas linhas. Perdoe-me. Agora que já fiz a média com meu vasto público de uma pessoa, continuemos de onde paramos!)

E finalmente chegamos na manhã de sábado! Durante quatro incompletos dias estive internado, numa viagem em torno de mim mesmo que durou cerca de 80 horas (Júlio Verne que me perdoe o infame trocadilho) e agora estava eu ali, com a alta na mão, uma lista de remédios a comprar e exames a fazer e sem ter como ir pra casa (dramático, não?).

Sinceramente não me lembro mais o motivo pelo qual a Dona Patroa não poderia me buscar naquele horário matutino – com certeza alguma correria com a criançada – mas, como diz o ditado, “quem tem amigo, não morre pagão”. As mesmas amigas que vieram tripudiar de minha internação também estavam disponíveis para me dar uma carona para minha casa, na cidade vizinha de onde eu estava “hospedado”.

Mas antes mesmo de voltar para meu abençoado lar e para os braços de minha amada, idolatrada, salve, salve, Dona Patroa, ainda precisava comprar a batelada de medicamentos que teria que tomar por algum tempo. Passamos em uma farmácia próxima do hospital e fui encantadoramente apresentado ao Programa Farmácia Popular, uma iniciativa criada pelo Governo Federal para distribuição de medicamentos com custos reduzidos, ou mesmo de forma gratuita, e que visa a universalização do acesso aos serviços voltados à saúde – principalmente no que diz respeito aos medicamentos referentes à diabetes e hipertensão arterial – de modo que não haja interrupção no tratamento dos pacientes em decorrência de uma eventual falta de dinheiro.

E como sou usuário de carteirinha do SUS e aparentemente “hipertensão arterial” tinha tudo a ver com o que passei, é lógico que saí dali com toda uma farmacopeia digna de fazer inveja a qualquer indústria química…

Pois bem. Apesar de ter tido alta e ter perdido (desinchado) uns cinco quilos no processo, ainda existem mais duas intercorrências dignas de nota.

Como acabei de lhes dizer, além dos remédios em si, também saí com a missão de fazer alguns exames específicos. O primeiro deles foi um teste ergométrico, ou seja, enfrentar uma esteira de forma monitorada para ver a quantas andam as batidas do combalido e sempre apaixonado coração deste que vos tecla.

Agendamento feito, no horário marcado compareci na câmara de tortura no consultório onde iria fazer o teste. O atendente-enfermeiro, muito atencioso, me explicou detalhadamente como seria: começaria com uma caminhada tranquila na esteira e, aos poucos, ele iria aumentando o ritmo e monitorando os resultados até uma determinada velocidade específica (ou até que eu fosse atirado pela janela por não ter conseguido acompanhar essa velocidade). Simples, prático e aparentemente indolor. “Então vamo que vamo!” Ato contínuo ele pediu para que eu tirasse a camisa para colocar os eletrodos.

– Xiiiii…

Caráy! De novo? Lembram-se lá no começo da saga que eu lhes falei dos meus nada ralos pelos no peito? Então. Ele coçou a cabeça, fez alguns testes para tentar colar um ou outro eletrodo, deu um passo pra trás e sentenciou:

– É. Não tem jeito. Vai ter que raspar.

– CUMÉQUIÉ???

– Eu tenho mais de uma dezena de eletrodos que preciso espalhar em diversos pontos específicos de seu corpo para que o teste possa ser validado. Eles têm que ficar bem firmes. Só que com toda essa Mata Atlântica aí não vai ter jeito.

– (Suspiro resignado) Quer dizer que vou ter que virar um atleta da natação, com peito pelado e tudo mais?

– Não! Basta raspar somente nos pontos que vou colocar os eletrodos, não precisa ser tudo não. E isso cresce rapidinho, você vai ver só!

Bem, como diz outro ditado, “já que está no inferno, abrace o capeta”. E lá foi ele dar uma “raspadinha” nos tais dos pontos específicos. Nem quis olhar. Depois de tudo colado e eu me sentindo uma daquelas marionetes do Cirque du Soleil de tanto fio que saía de mim, começamos o teste. Não vou entrar em detalhes de quanto tempo durou ou como foi minha (nada) atlética performance sedentária perante uma esteira que, eu nem sabia, podia chegar à velocidade de uns oitenta quilômetros por hora. Ao menos foi isso que me pareceu.

Concluído o teste e eu, com algumas pontadas nas costelas e com o coração parecendo que tinha acabado de participar de uma competição de taikô (aqueles tambores japoneses), ainda estava tentando recuperar o fôlego enquanto pontinhos prateados bruxuleavam à minha frente, e o atendente-enfermeiro-demônio-torturador já começou a arrancar todas as centenas de eletrodos que havia espalhado pelo meu corpo (provavelmente tendo colado com SuperBonder). Assim, sem cerimônia nenhuma. Já foi puxando e descolando na raça um por um. Sem um chamego. Sem um carinho. Sem um “vem cá meu bem”… Que puxa.

Só então tive coragem de dar uma olhada para baixo e ver o que sobrou do meu estofamento.

Lembram daqueles antigos filmes de guerra, com crateras gigantescas das explosões dos campos minados? Ou uma mata que tenha sido bombardeada e foram abertas clareiras nos locais mais inusitados? Ou um avião com horrendos buracos na fuselagem? Então. Foi mais ou menos essa a impressão que tive quando olhei para minha pobre caixa torácica.

Resultado disso tudo? “Arritmia não constante nos picos de esforço.” Ou seja, NADA. Normal. Segundo ele, qualquer pessoa que coleciona anos de sedentarismo e se submete a um teste de esforço como aquele vai ter esse mesmo diagnóstico. E, no mais, até que eu tinha aguentado bem, já que ele tinha dado um gás a mais no final só para ver se eu aguentava. Foi assim que, enquanto me despedia, olhos nos olhos, sorri carinhosamente enquanto pensava “fiadaputa!”

Ainda cansado, o fôlego irregular, fui para o carro pensando em mil coisas e no próximo exame que ainda teria que fazer. Ao colocar o cinto de segurança senti uma violentíssima fisgada, assim, bem aqui do ladinho, abaixo das costelas. Fiquei lívido. Num átimo de segundo inúmeras situações se descortinaram à minha frente. Será que eu tinha me esforçado demais? Será que prejudiquei algum órgão interno? Afinal de contas o que é mesmo que a gente tem aqui do lado? Não entendo bulhufas de anatomia! Soltei o cinto e enquanto levantava a camisa para apalpar onde doía fiquei imaginando o que seria. Será o baço? Será o rim? Será o fígado?

ERA UM ELETRODO!!!

O desinfeliz do Torquemada 2.0 havia esquecido um eletrodo na minha carroceria e quando ajustei o cinto fui espetado de uma maneira espetaculosa que eu nem sabia que era possível!

Arranquei o eletrodo e a pele que o forrava, joguei no lixo e, praguejando, fui pra casa.

Mas ainda faltava mais um exame.

O derradeiro exame seria o de cateterismo. Basicamente trata-se de enfiar uma mangueira (e vamos parando com esse pensamento pecaminoso aí!) em uma artéria até alcançar as vizinhanças do coração e soltar um líquido especial – o tal de “contraste” – para verificar se há algum entupimento no encanamento.

Me foi esclarecido que, basicamente, seriam quatro as hipóteses acerca da minha situação: normal; veias com paredes finas; com entupimento leve (até uns 20%); ou com entupimento pesado (70% ou mais de obstrução). Nesse último caso é considerado pra lá de preocupante e seria um forte candidato a algum tipo de cirurgia de desobstrução.

Apesar de ser um procedimento relativamente simples, essa “mangueira” – ou melhor, “cateter” – deve ser introduzida (sem gracejos, você aí do fundo) pela artéria da coxa ou do braço. Na maioria dos casos a probabilidade maior é que seja mesmo através da artéria femural, na coxa, o que implica em algumas restrições pós-procedimento: três dias sem esforço nenhum, sete dias sem esportes, e oito dias torcendo para que a Dona Patroa não expulse aquele vagabundo do sofá.

Mas não deixa de ser um “procedimento”. E com isso sempre há alguma preocupação. Amigos e família ficaram sabendo pelo que eu iria passar e não deixaram de me encaminhar diversas mensagens de ânimo:

– Vai dar tudo certo.

– Tenha fé em Deus.

– A gente confia na ciência, mas, ainda assim, boa sorte!

– Deixa o cesto de roupa suja pra fora quando for tomar banho.

E no dia marcado lá estou eu na clínica, de novo com a porra do avental de bunda de fora – mas ao menos agora com direito a touquinha e sapatinhos… Uma graça que vocês nem imaginam…

A enfermeira veio me posicionar no equipamento e avaliar por onde seria a introdução (óóóiii…). Concluiu que eu tinha uma veia boa, com uma pressão boa (“de menino!”, ela disse) e poderíamos fazer pelo braço mesmo. Vou lhes contar: não é uma dor, é uma espécie de desconforto. É como se uma longa minhoca viesse se esgueirando braço acima, parece que se aproxima da garganta e então, de repente, mergulha em direção ao coração. Muito esquisito. Na sequência é baixada aproximadamente meia tonelada de equipamento sobre o peito e tudo que lhe resta é ficar ali, quietinho e imóvel, com mais de um metro de mangueira enfiada pelo seu braço e torcendo para que a) o resultado do exame seja benéfico, b) que o braço mecânico que segura aquela parafernália não desmonte sobre você, e c) será que vai dar tempo de passar no boteco e tomar uma breja antes de ir embora?

Bão, enfim, pouquíssimo tempo depois, uma vez que injetado o contraste e feitas as chapas, o exame já estava concluído e enquanto eu me vestia o médico me veio com os resultados.

– Parabéns!

– Pelo quê, messs? Vou ganhar uma ponte de safena ou algo do gênero?

– Não, nada disso, muito pelo contrário. Seu exame foi excelente. Suas veias estão limpas e saudáveis. Lisas como um bumbum de bebê!

– Não!

– Sério!

– Doutor, eu tenho, hoje, 47 anos. Disso, quase uns 35 de esbórnia. O que o senhor está me dizendo é que estou garantido para mais uns 35 anos de farra?

– NÃO, não foi isso que eu disse, eu só comentei que…

Mas eu já não estava mais ouvindo. Para o desespero Dona Patroa, que estava na expectativa que minhas veias estivessem equiparadas a um cano de esgoto pantanoso após tantos anos de patuscadas, não teria mais como ela implicar com minhas eventuais cervejinhas. Não que ela vá deixar de implicar com minhas (nada) eventuais cervejinhas!

Mas com esse último exame concluímos toda essa desventura que me deu um belo susto, me fez passar três dias na UTI e me fez chegar a conclusões, no mínimo, interessantes.

Ora, minhas veias estavam perfeitas, sem entupimentos (apesar da ferrugem de Opaleiro que por ali circula). Meu coração continuava batendo forte (fraco somente para as paixões que a vida nos apresenta). Meus pulmões estavam em dia e com a respiração normal (exceto para tudo aquilo que me tira o fôlego). Ou seja, então por que catzo eu passei tão mal e fui parar no hospital?

Olhando pra trás creio que a resposta seja uma só: ansiedade.

O que muito provavelmente eu tive foi uma GIGANTESCA crise de ansiedade, ainda que não tenha percebido. Isso porque quem sinalizou foi meu corpo, pois na minha cabeça tudo estava normal. Vejam só: após longos 16 anos trabalhando na Prefeitura, 8 cuidando de todas as licitações do Município e outros 8 como Secretário de Assuntos Jurídicos, eu meio que me acostumei a trabalhar sob pressão. Pressão absoluta. Tudo é pra agora e não há como delegar. E no final de 2016 o nosso partido perdeu na cidade, o que significava que no dia 31 de dezembro cada qual tomaria seu rumo. Mas nesse meio tempo era minha obrigação ajudar a preparar tudo para a transição, disponibilizando todas as informações necessárias para o novo governo. E pensar no que fazer a partir de 1º de janeiro. E como pagar as dívidas que ainda estavam em aberto. E como dar o melhor encaminhamento para a parte de minha equipe que também estava saindo (servidores comissionados). E como lidar com a arrogância e despeito da parte da minha equipe que ficou na Prefeitura (servidores de carreira). E mil e uma outras pequeninas coisas com que eu teria que lidar antes do final do ano e depois que ele acabasse.

Como eu disse, na minha cabeça estava tudo normal, pois trabalhar sob pressão já era o meu padrão no dia a dia. Mas meu corpo abriu o bico. Não aguentou. E me obrigou a desacelerar mais que bruscamente antes que entrasse em colapso total. Pura ansiedade.

Desde então não tenho mais levado a vida tão a sério. Não que eu fuja de minhas responsabilidades, mas sempre procuro fazer avaliações acerca daquilo que me compete. Isso é realmente urgente? Isso é realmente necessário? Eu preciso mesmo disso? Tenho aprendido a viver mais tranquilo, com menos esforço, ganhando o que me é suficiente, compartilhando mais, convivendo mais com outras pessoas…

Acho que ainda estou longe da qualidade de vida que eu consideraria ideal, mas, cá entre nós: o que é “ideal”? Pois é, eu também não sei. Mas enquanto não descubro, só sei que vou levando. Me preocupando e cuidando com aquilo que está ao meu alcance, sem sofrência por aquilo que não me compete.

E com isso encerramos nossa volta ao meu próprio mundo e que resultou nessa bagunça toda que vocês tiveram a pachorra de acompanhar, sendo que, em verdade, em verdade vos digo: nem doente eu estava!

E só sei que foi assim!… 😉

(Início da Saga)                        (…acabou!)

Caverna do Dragão: o tão esperado final

Caverna do Dragão – ou, no original, Dungeons & Dragons – foi um desenho animado baseado no homônimo RPG (Role-Playing Game – um gênero de jogo no qual os jogadores assumem o papel de personagens imaginários em um mundo fictício) e que foi ao ar aqui no Brasil em meados da década de oitenta.

Trata-se da estória de seis jovens que, num parque de diversões, embarcam em uma montanha russa chamada Dungeons & Dragons. Entretanto, durante o passeio, um portal se abre e os transporta para um outro mundo, chamado simplesmente de Reino, no qual o grupo já aparece trajando outras roupas e recebendo logo em seguida armas mágicas — as Armas do Poder — de um baixinho de cara simpática que se autodenomina “Mestre dos Magos” (e que sempre desaparece misteriosamente, num piscar de olhos, quando menos se espera).

Assim temos Hank, O Guarda, que recebeu um arco mágico capaz de criar flechas energéticas que podem ser esticadas, dobradas ou até mesmo utilizadas como corda; Eric, O Cavaleiro, que recebeu um escudo que protege contra ataques mágicos ou físicos; Diana, A Acrobata, que recebeu um bastão tão flexível quanto as flechas de Hank e que se regenera quando quebrado; Sheila, A Ladra, que recebeu uma capa com capuz que lhe dá invisibilidade; Presto, O Mago, que recebeu um chapéu de feiticeiro do qual podem ser retirados objetos e magias aleatórias; e Bobby, O Bárbaro, que recebeu um tacape cujo golpe fortíssimo é capaz de quebrar pedras e criar pequenos abalos sísmicos.

A partir daí, os jovens passam por diversas aventuras buscando voltar para casa, durante as quais o Vingador, um mago maléfico, tenta a todo custo tomar as armas do poder dos jovens com a intenção de derrotar tanto o Mestre dos Magos quanto Tiamat, uma deusa-dragoa de cinco cabeças, para assim dominar o Reino.

Olhando agora, os desenhos até que eram meio toscos, sem aquela vivacidade garantida pelas películas produzidas em ambiente gráfico com supercomputadores e artistas de primeira linha. Mas dane-se! As estórias eram ótimas, às vezes até mesmo sombrias (novidade para aquela época), os roteiros inteligentes, a trilha sonora impactante, as características de cada um dos personagens em algum momento foram exploradas e não raro você se pegava torcendo por este ou aquele no decorrer de suas aventuras…

Foi um desenho que deixou saudades. E justamente por isso que, mais de trinta anos após seu encerramento, a Peugeot deu um solavanco nos combalidos corações dos antigos fãs ao lançar um comercial que explorava o universo desse desenho. Garanto que todos aqueles que acompanhavam a série ficaram maravilhados ante a expectativa de que eventualmente fosse produzido um “filme de verdade” com os personagens!

 
Voltando à década de oitenta, infelizmente, após três temporadas e 27 episódios a série foi cancelada, deixando uma legião de fãs órfãos, pois não houve um encerramento, uma conclusão. Acabou acabando e sem nos dizer se nossos heróis teriam conseguido voltar para casa e que fim levou o Vingador. Apesar de já existir um rascunho de um roteiro para o capítulo final, escrito pelo roteirista Michael Reaves e com o nome de Requiem, este nunca saiu oficialmente do papel.

Até agora!

Há anos esse roteiro final já circulava na Internet, já tendo sido feita, com base nele, uma versão adaptada para os quadrinhos, bem como um áudio drama. Mas foi somente agora neste pandêmico ano de 2020 que alguns fãs arregaçaram as mangas e verdadeiramente produziram um episódio completo com o tão esperado capítulo final de A Caverna do Dragão.

Divirtam-se!

Minha inguinorância é pobrema meu!

Rosana Hermann

Minha Santa Gramática das Últimas Concordâncias! Meu Santo Aurélio da Ordem Alfabética! Herrar é Umano, ninguém é per-feito, cultura não é inteligência, ninguém tem culpa de não ter formação cultural num país que só tem Juiz Lalau mas… o que é essa santa inguinorância da Solange do Big Brother Brasil de Quatro??? Gente, eu temo pela vida dessa moça! Se ela entrar no Zoológico de São Paulo, corre o risco de ser envenenada! De onde ela veio? Do Poço das Antas? Sai Capeta!!!

Não vou nem entrar em detalhes da edição de ontem que mostrou a grande final da 1a. Mar-anta-tona de Asneiras Estratosféricas, com Cida e Solange competindo de pau a pau nos quesitos “brócos” e “personal trem”. A gente sabemos (!) que elas têm origem humilde e que se tivessem tido oportunidade tudo seria diferente. Mas assim como o pior cego é aquele que não quer ver o pior burro é aquele que não quer aprender! Solange QUER ficar na santa inguinorânça, quer ser grossa, faz questã (!) de se manter porquinha!

A Solange é o tipo de pessoa que vai no aeroporto pra dar milho pra avião. Ela acredita piamente que quando sobe, o avião degola e quando desce, aterroriza! Pra ela, prédio moderno é aquele que tem garagem mediterrânea, luz de spock, sistema de esquecimento central e playboy pra criança brincar. Tenho certeza que ela não gosta de casa germinada onde as paredes estão cheias de humildade e nem aceita dormir em cama boliche!

Ela é do tipo que mata dois coelhos com uma caixa d’água e não põe a mãe no fogo por ninguém! E tem mais: garanto que ela nunca aprendeu português porque acha que a matéria é um bife de sete cabeças! Um dia eu posso até fazer uma meia-culpa por falar tudo isso da moça, já que a ignorância é uma questão de forno íntimo, mas eu acho que ela está indo com muita sede ao poste!!! De qualquer forma, ela não me respira confiança!

A ignorância da moça é tão genuína que deveria ser tombada pelo patrimônio histórico! (Já a Marcela deveria ser tombada pelo patrimônio… histérico!)

Aliás, nesta edição que está fadada (pra não dizer mordida…) a ter uma mulher como vencedora, estamos totalmente mal representadas. Além da turma das superpobrinhas de espírito, há várias suspeitas sobre a conduta das moças mais bem afortunadas. Várias matérias já insinuaram que se uma delas for morar na Índia, vai ser considerada uma criatura sagrada! Pegou? Pegou? Então larga que tá doendo!

Mas a vida é como circuito elétrico, sempre tem um lado positivo. E neste caso, o lado positivo é que um dia o programa acaba, a Solange ladra, as caravanas passam e a gente nunca mais vai ter que assistir em horário nobre alguém dizer ‘Jack o Estuprador’ sem saber que está num programa de humor!!

Agora, com licença, que eu tenho que me recompor, de tanto rir desta participante que tem mais sorte do que juiz! Já ri tanto que depilei o fígado!

Um beijo, um browse, um aperto de mouse, da
Rosana Hermann

Na boca do povo

Claudemir Beneli

As expressões populares que colocam a comida na “ponta da língua” dos brasileiros

Quando comecei com essa coluna, pensava que escrever sobre comida seria sopa no mel, mamão com açúcar. Só que depois de um certo tempo dá crepe, você percebe que comeu gato por lebre e acaba ficando com uma batata quente nas mãos. Como rapadura é doce mas não é mole, nem sempre você tem ideias e pra descascar esse abacaxi só metendo a mão na massa. E não adianta chorar as pitangas ou, simplesmente, mandar tudo às favas.

Já que é pelo estômago que se conquista o leitor, o negócio é ir comendo o mingau pelas beiradas, cozinhando em banho-maria, porque é de grão em grão que a galinha enche o papo.

Contudo é preciso tomar cuidado para não azedar, passar do ponto, encher linguiça demais. Além disso, deve-se ter consciência de que é necessário comer o pão que o diabo amassou para vender o seu peixe. Afinal não se faz uma boa omelete sem antes quebrar os ovos.

Há quem pense que escrever é como tirar doce da boca de criança e vai com muita sede ao pote. Mas como o apressado come cru, essa gente acaba falando muita abobrinha, são escritores de meia tigela, trocam alhos por bugalhos e confundem Carolina de Sá Leitão com caçarolinha de assar leitão.

Há também aqueles que são arroz de festa, com a faca e o queijo nas mãos, eles se perdem em devaneios (piram na batatinha, viajam na maionese… etc.). Achando que beleza não põe mesa, pisam no tomate, enfiam o pé na jaca, e no fim quem paga o pato é o leitor que sai com cara de quem comeu e não gostou.

O importante é não cuspir no prato em que se come, pois quem lê não é tudo farinha do mesmo saco. Diversificar é a melhor receita para engrossar o caldo e oferecer um texto de se comer com os olhos, literalmente.

Por outro lado se você tiver os olhos maiores que a barriga o negócio desanda e vira um verdadeiro angu de caroço. Aí, não adianta chorar sobre o leite derramado porque ninguém vai colocar uma azeitona na sua empadinha não. O pepino é só seu, e o máximo que você vai ganhar é uma banana, afinal pimenta nos olhos dos outros é refresco.

A carne é fraca, eu sei. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir plantar batatas. Mas quem não arrisca não petisca, e depois quando se junta a fome com a vontade de comer as coisas mudam da água pro vinho.

Se embananar, de vez em quando, é normal, o importante é não desistir mesmo quando o caldo entornar. Puxe a brasa pra sua sardinha que no frigir dos ovos a conversa chega na cozinha e fica de se comer rezando. Daí, com água na boca, é só saborear, porque o que não mata, engorda.

Acompanhamentos

Como vimos, além de rica em cores e sabores a culinária brasileira também oferece ótimos eufemismos e deliciosas metáforas. Desempenhando uma função social que vai muito além da nutrição, a comida, no Brasil, está relacionada a diversas manifestações da cultura popular, entre elas a linguagem.

Dessa interação nasceram várias expressões famosas e corriqueiras, verdadeiras “pérolas” do colóquio nacional. Saber a origem de algumas delas pode ser tão prazeroso quanto provar um bom prato. O difícil é conseguir provar a tal origem, pois quando se trata de expressões populares cada um tem sua própria versão.

As descritas abaixo são as minhas versões, às vezes, inspiradas na de outros, já que andei pesquisando um pouco. Não acredite em tudo. Mas, por mais estapafúrdias que pareçam, certas origens podem muito bem ser verdadeiras.

A carne é fraca – Essa expressão retirada da Bíblia representa a dificuldade de se resistir a certas tentações. A gula (pecado ou não) está sempre nos mostrando isso, porque a carne pode até ser fraca, mas grelhadinha no molho de mostarda… hum! Fica divina. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt. 26:41)

Apressado come cru – Como o micro-ondas e o fast food são invenções recentes, até certo tempo atrás era preciso esperar um pouco mais para a comida ficar pronta, ou então comê-la crua. Nessa época a culinária japonesa ainda não estava na moda, logo comida crua era vista com maus olhos, e a expressão passou a ser usada para significar afobamento, precipitação… etc.

Arroz de festa – Assim são chamadas aquelas pessoas que não perdem uma festa por nada, tendo ou não sido convidadas pra mesma. A origem dessa expressão talvez advenha do costume de se jogar arroz em recém casados. Mas o mais provável é que ela tenha surgido devido a uma antiga tradição portuguesa. Nas festas e comemorações das tradicionais famílias portuguesas nunca faltava uma sobremesa feita com arroz, leite, açúcar e algumas especiarias (arroz doce) e que era conhecida, na época, como “arroz de festa”.

Chorar as pitangas – Pitangas são deliciosas frutinhas vermelhas cultivadas e apreciadas em todo o país, principalmente nas regiões norte e nordeste. A palavra pitanga deriva de pyrang, que em tupi guarani significa vermelho. Sendo assim a provável relação da fruta com o pranto vem do fato de os olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas, quando se chora muito.

Comer o pão que o diabo amassou – Significa passar por uma situação difícil, um sofrimento. Imagino que a origem dessa expressão venha do fato de que deve ser, realmente, indigesto engolir um pão amassado (amassar é o mesmo que fazer a massa) pelo capeta. Além da procedência, nada confiável, do produto (se vem do coisa ruim, boa coisa não pode ser) tem grandes chances desse pão vir queimado, já que foi assado no fogo do inferno.

Dar uma banana – É das poucas expressões que são acompanhadas por um gesto. Aliás, neste caso, o mais provável é que o gesto tenha inspirado a expressão, já que ele existe em vários países como Portugal, Espanha, Itália e Brasil. Em todos esses lugares o gesto significa a mesma coisa: um desabafo ou uma ofensa. Já a alusão à banana é exclusividade tupiniquim e fica por conta da criatividade, tão peculiar ao brasileiro.

Farinha do mesmo saco“Homines sunt ejusdem farinae” esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

Pagar o pato – A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado, sendo assim passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem obter um benefício em troca.

Ser de meia tigela – Na época da monarquia portuguesa muitos jovens habitavam os castelos, eles prestavam serviços domésticos à corte e recebiam alimentação e moradia por isso. Entre estes jovens, haviam vários vindos do interior, que pela pouca experiência e origem humilde, eram desprezados pelos veteranos, sendo ironicamente tratados por “fidalgos de meia tigela”, já que embora habitassem o palácio não participavam de rituais importantes da corte. Como em alguns desses ritos quebravam-se tigelas, dizia-se que eles eram de meia tigela porque nunca quebrariam a tigela, privilégio reservado aos nobres.

Bom, essas são algumas das histórias mais interessantes, mas se você se interessou pelo assunto e quer continuar a desvendar a origem das expressões, pode recorrer a sua própria criatividade, a sua avó e as amigas dela do jogo de biriba ou então aos seguintes livros:

– De onde vêm as palavras, Deonísio da Silva (Editora A Girafa, 2004). – Neste livro se encontram milhares de verbetes explicando a origem etimológica de várias palavras e expressões. Mais do que desvendar a origem, Deonísio explica, em alguns casos, a história das palavras e como elas se modificaram desde o seu surgimento.

– Mas será o Benedito?, Mario Prata (Editora Globo, 1996) – Várias histórias criadas pelo autor para explicar a origem de algumas expressões populares faladas por nós estão presentes neste livro. Privilegiando mais o humor que o rigor científico, Mario Prata assume que inventou a maioria dos verbetes sem se preocupar com a verdade histórica.

Meus secretos amigos

Paulo Sant’Ana

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

“A gente não faz amigos, reconhece-os.”

Apenas um registro…

Diário de Bordo. Data Estelar: centésimo octogésimo sexto dia da Era Covid. Confinamento. A fronteira final. Estas são as viagens, elucubrações e alucinações de um nada ortodoxo causídico cinquentão que teima em ficar em casa, mas nem sempre consegue.

Já faz um bom tempo que estou ensaiando para tentar escrever alguma coisa que preste por aqui. Às vezes tenho lampejos de ideias excelentes para colocar no papel (ou na tela), mas quando percebo, já foi, evanesceu, esvaiu-se…

Desde o início da pandemia publiquei muitos textos alheios que achei interessantes – e alguns excelentes – mas de minha autoria mesmo foi bem pouca coisa: fiz uma comparação da quarentena com o teor do livro Decamerão, escrevi mais um capítulo sobre aquela minha internação na UTI (êita novela sem fim!), contei um causo vexatório envolvendo a Dona Patroa lá da nossa época de namoro, dei algumas dicas sobre higiene em época de quarentena, compartilhei gratuitamente meu livro para quem quisesse baixar, apresentei a melhor justificativa de lei de todos os tempos, falei do uso de máscaras pelos personagens de HQs, expliquei as complicações em minha relação com meus filhos, falei sobre as dificuldades da comunicação nos dias atuais e ainda consegui resgatar uma de minhas primeiras crônicas, antes mesmo de começar a escrever nesse formato aqui no blog. Se considerarmos que essa foi minha “produção” em 186 dias de quarentena, então não é quase nada.

E vinha eu levando mansamente minha vida, quieto cá no meu canto, fazendo meus trabalhos dentro do possível e com alguns esporádicos contatos com alguns de meus poucos amigos – que, justiça seja feita, também já entraram em contato para saber como eu estava, principalmente após a perda de dois amigos fantásticos e que significavam muito para mim: o Flavinho e o Bicarato. Pessoal, valeu mesmo!

Mas foi somente ontem, por conta de uma mensagem da amiga Sheilíssima, que meio que caiu a ficha. Apesar de admitir que já fazia até um tempinho que queria entrar em contato, pela dinâmica de seu dia a dia sempre ia deixando para depois. Mas acontece que ela foi visitar uma amiga doente e, sinceramente, não sei o porquê lembrou-se de mim. Preocupou-se comigo. Quis saber como eu estava.

E isso me tocou.

Muito.

E é lógico, como não podia deixar de ser, sendo eu a Rainha do Drama, somente mesmo escrevendo aqui no blog é que eu iria responder – com detalhes – como tenho passado e o que tenho feito…

Caríssima, o comecinho dessa quarentena foi meio zoado e com um confinamento não levado tão a sério nos primeiros dias. Mas quando começamos a perceber a gravidade da situação rapidamente tomamos medidas sanitárias rigorosas para o controle do que quer que viesse da rua.

Como em casa, apesar das duas portas, sempre entramos pelo corredor lateral diretamente para a cozinha então ali mesmo montamos nossa estratégia. Embaixo do balcão cimentado foi instalada uma sapateira, de modo que nenhum calçado que tenha vindo da rua vá para dentro de casa, onde passamos a andar somente de chinelos – ou de meia ou descalço, conforme for a pressa… Bem “casa de japonês”, mesmo…

No começo deixávamos sobre o balcão um reservatório de álcool gel e um rolo de toalhas de papel para limpeza de chaves, celulares, carteiras, cartões, pacotes, embalagens e o que mais que tivesse vindo da rua. Uma meleca só! Quase estraguei o alarme do carro por conta disso. Mas isso foi até descobrirmos o álcool spray 70! Tcha-rãããã! Muito mais simples, eficiente e prático, inclusive porque seca rapidamente (royalties, please). Não suja, não mancha (só de vez em quando), não arde (exceto nos cortes e arranhados), é barato (de dez a quinze dinheiros), dura bastante, abre tampa emperrada de vidro de azeitonas, ajuda a carregar as compras, faz a lição dos filhotes, vigia a casa, traz a pessoa amada em até sete dias, enfim, é pau-pra-toda-obra! Só perde para a dupla WD-40 e Silver Tape…

Bão, vortando ao assunto, quem quer que tenha chegado da rua já tem a obrigação de colocar as próprias roupas diretamente no cesto de roupas sujas, mas não sem antes ter realizado o “ritual de lavagem das mãos”, pois ali mesmo no corredor, antes da porta da cozinha, já havia antes uma “pia de jardim” que passou a ser devidamente abastecida de sabonete e toalha. Saiba que o sabão ainda é a arma mais eficaz para se livrar de um indesejável Coronavírus que tenha lhe acompanhado até em casa.

Falando no vírus em si (e não tem como deslembrar), confesso, Sheila, que andei meio surtado com tudo isso. Bastava qualquer alteração do tempo e eu já achava que estava com febre. Às vezes ficava experimentando cheirar coisas diferentes para ver se não estava perdendo o olfato. Por mais de uma vez confundi uma certa crise de ansiedade com falta de ar e daí já concluía que estava doente: “Pronto. Fodeu.” Mas bastou passar um pouco o tempo, tomar os devidos cuidados de distanciamento e de higiene, que uma certa serenidade finalmente se estabeleceu. E também depois de fazer um teste rápido, é lógico.

Os dias têm sido relativamente iguais – exceto quando são diferentes. Estabelecemos algumas rotinas aqui em casa, o que ajuda a passar o tempo. Ou não.

Jean, o caçula, segundo ano no curso técnico de informática, está tendo aulas remotamente, de segunda a sábado, e não sai de casa.

Erik, o do meio, concluiu o curso técnico de publicidade e está em seu “ano sabático” para decidir o que fazer, o que já havia sido planejado anteriormente e coincidiu com o isolamento, também sem sair de casa.

Kevin, o mais velho, está fazendo duas faculdades EAD (Ensino a Distância, veja só quanta modernidade!): engenharia informática e marketing. Mas faz estágio de segunda a sexta, então usa o carro praticamente todos os dias. Antes o estágio era na área de informática na Secretaria Municipal de Educação e ele ia de ônibus, o que nos deixava de orelhas em pé. Mas bem no comecinho da pandemia ele mudou e passou a fazer estágio na área de administração e marketing – adivinhe onde? Na área administrativa de uma igreja evangélica! E o fato de o pastor dessa igreja ser o pai da menina que ele namora há anos é meramente uma coincidência…

Levanto bem cedinho todos os dias e preparo o café da trupe inteira, pois a aula do Jean começa às sete e o Kevin sai de casa às nove e meia. Eu e a Dona Patroa temos trabalhado em casa – o que ela já fazia, pois na função de Auxiliar do Juiz tudo passou a ser via “home office” – e praticamente só saímos uma vez por semana: às quintas, bem de manhãzinha, para ir até a feira e reabastecer a geladeira, a fruteira, e o consumo de pastel e de caldo de cana.

Confesso-lhe que no meu caso já ando mais “saidinho”… Sempre que posso e não devo dou uma passada na firma para a qual presto serviços (aquela mesma), na casa de meus pais para ver como estão meus velhinhos e na “Autoelétrica do Japonês” para vagabundear um pouco, que é a oficina do sujeito que fez toda a parte elétrica do meu Opala e acabamos ficando amigos. Aliás, acho que até você já deve saber, mas além do bom e velho Titanic, voltei ao mundo de duas rodas!

Ou seja, além do Opala 1979 – que atualmente está na oficina mecânica do “Seo” Waltair, aí em Jacareí, para a revisão dos 1.000km (isso mesmo, milão, pois foi feito o motor, lembra?) agora também sou o feliz proprietário de uma CB 400 1981 (não deixe se enganar pelo adesivo), uma moto cujo dono anterior mandou fazer o motor, rodou cerca de 300 quilômetros em uma única viagem e em seguida a encostou num canto da casa. Por mais de quatro anos! Comprei a moto “no estado”, levei-a num mecânico especializado em motos antigas que trocou tudo que tinha que trocar por ter se estragado por todo o tempo em que ficou parada (mangueiras, cabos, relação, lonas, pastilhas, etc), revisou parte elétrica, mecânica e pronto! De volta ao mundo dos vivos! Ou seja, só eu mesmo para me sentir realizado com veículos com mais de 40 anos de uso…

No mais, vamos levando. Não consegui ser o abstêmio que pretendia, pois concluí que para mim é mais fácil me associar a alguma professora hare krishna de yoga e fundar um centro público de meditação transcendental lá no meio do mato do que deixar de tomar as minhas cajibrinas de vez em quando. Mas também não acho que seja o alcoólatra que pensava ser, pois tomar umas e outras apenas uma vez por semana não seria sinal de falta de moderação. Bem, só não podemos esquecer que todo viciado sempre encontra meios de defender seus vícios, então…

Falando em vícios, sabia que a Dona Patroa se tornou uma viciada? É sim: em suculentas! E não, não é nada dessa besteira que você pensou aí, não! É que no ano passado ela resolveu que iria presentear a cada uma das mães lá da Igreja Holiness com um vasinho de suculenta e então, desde dezembro, começou a cultivá-las. Apenas algumas dezenas já seriam o suficiente. Mas veio a pandemia, o isolamento, o Dia das Mães chegou e passou e as suculentas continuaram aqui em casa. E ela se encantou com sua variedade. E ela arranjou mais suculentas – “Ah, desse tipo eu ainda não tenho!” – e o negócio foi se multiplicando. E eis que na última contagem que fiz ali na varanda tínhamos nada menos que 166 vasinhos de suculentas! É ou não é um vício?

E vocês, como estão? Pelo que percebi o maridóvski voltou (com todos os cuidados) à ativa, certo? E o escritório? Transferiu pra casa ou ainda vai lá de quando em quando? As crianças estão bem? Seu caçula perdeu aquela mania de ralar a tela do iPhone no chão? 😂

Do tempo livre que passo em casa tenho aproveitado para aprofundar minhas pesquisas genealógicas (em linha reta já consegui chegar no final do século XVI, na Freguesia de Santa Comba de Fornelos, Distrito de Braga, região norte de Portugal), tenho lido um bocado (menos do que gostaria), e assistido muitos filmes e séries, alguns novos e outros repetidos (sempre naquele meu esquema de fuçar até achar na Internet e baixar tudo via Torrent).

Praticamente não tenho me exercitado, mas até que tenho segurado a boca – o que é bem difícil quando você tem um enorme tempo livre em casa e a sua cara metade adora fazer “experimentações culinárias”. Considerando que comecei o ano com 110kg e agora estou com 102kg, até que tá bom. Ainda é um excesso, mas tá bom.

E assim prosseguimos, bem no estilo do Bill Murray no filme Feitiço do Tempo (ou “Dia da Marmota”), lembra?

Ainda estamos nos acostumando ao “novo normal” e ainda não temos ideia de quando tudo isso vai acabar. Nem SE vai acabar. Talvez quando a vacina chegar as coisas mudem um pouco, mas não dá para se ter certeza. Só sei que ainda vai demorar. Mais de 130 mil pessoas (até onde é possível aferir) já morreram diretamente em decorrência do Coronavírus e na presidência do país temos um insano que teima em fazer vista grossa a tudo que está ocorrendo enquanto que uma boa parte da população, por sua vez, também insana, teima em não querer enxergar que essa família de corruptos não possui um projeto de governo, mas sim um projeto de poder. É bem como escrevi outro dia no Twitter: “E eis que as dez pragas do Egito estão sendo reeditadas no Brasil, pois até agora já tivemos, além da pandemia em si, ciclone com cerca de 250 km/h, gafanhotos se aproximando pelo sul, incêndio incontrolável no sudeste e Bolsonaro no Planalto”.

Minha linda amiga, obrigado pela mensagem. Obrigado por me lembrar que as pessoas são importantes e que não podemos deixar de entrar em contato porque estamos muito ocupados aqui em nossa terra de lugar nenhum fazendo nossos inexistentes planos mirabolantes exatamente para ninguém (e sim, isso é da música Nowhere Man). O tempo passa e a gente não percebe. Que eu me lembre a última vez que conversamos pessoalmente foi em novembro do ano passado. Foi a última vez que nos abraçamos – e convenhamos que, de lá pra cá, não tem sido possível abraçar mais ninguém…

Enfim, Sheilíssima, basicamente é isso! Mande notícias suas, quer seja por aqui, pelo zap, por telefone, através de carta, sinal de fumaça, transmimento de pensação, por onde quiser, mas mande! Parafraseando aquela música do Chico, seria mais ou menos assim (dê um play e só leia se for pra cantar junto 😁):


Minha cara amiga, me perdoe, por favor

Se eu não lhe faço uma visita
Mas até agora não tenho um portador
Então mando notícias por esta escrita

Na minha terra eu não jogo futebol
Não tem samba, não tem choro, mas rock’n’roll
Uns dias chove, noutros dias bate sol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão

Minha cara amiga, eu não pretendo provocar
Nem atiçar suas saudades
Mas acontece que não posso me furtar
A lhe contar as novidades

Não vou pescar, que não tenho vara nem anzol
E na segunda é dia de mudar lençol
As baixelas vou limpando com caol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

É pirueta pra cavar o ganha-pão
Que a gente vai cavando só de birra, só de sarro
E a gente vai fumando que, também, sem um cigarro
Ninguém segura esse rojão

Minha cara amiga, eu quis até telefonar
Mas a conexão não é de graça
Eu ando aflito pra fazer você ficar
A par de tudo que se passa

Pra esquecimento vou tomando Fosfosol
E de nervoso me ataca o terçol
Só não tem cura pr’esse meu besteirol
Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

Muita careta pra engolir a transação
Que a gente tá engolindo cada sapo no caminho
E a gente vai se amando que, também, sem um carinho
Ninguém segura esse rojão

Minha cara amiga, eu bem queria lhe escrever
Mas o Whatsapp andou arisco
Se me permite, vou tentar lhe remeter
Notícias frescas com estes riscos

Outro dia me foi queimando o farol
Mas o motor com afinação de rouxinol
E de moto vou desviando de cerol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta

A Mieko manda um beijo para os seus
Um beijo na família, no Rodrigo e nas crianças
E eu já aproveito pra também mandar lembranças
A todo o pessoal
Adeus!

Tabela de Calorias

Sexo é a maneira mais prática e divertida de perder peso. Segundo esta tabela (ligeiramente baseada no livro Como emagrecer fazendo sexo, de Richard Smith) veja quantas calorias se perde em cada embate, com atenção especial para os valores…

* TIRANDO AS ROUPAS
Com o consentimento dela ............................12 cal
Sem o consentimento dela ...........................187 cal
Tirar as meias sacudindo os pés violentamente ......418 cal

* ABRINDO O SUTIÃ
Com as duas mãos, sem tremer .........................7 cal
Com uma mão, trêmula ................................12 cal
Com uma mão sendo espancado por ela .................37 cal
Com a boca ..........................................85 cal

* COLOCANDO A CAMISINHA
Com ereção ...........................................6 cal
Sem ereção .........................................315 cal

* PRELIMINARES
Tentando encontrar o clitóris ........................8 cal
Tentando encontrar o ponto G ........................92 cal
Não ligar a mínima ...................................0 cal

* NA HORA DE TRANSAR
Pegar no colo .......................................12 cal
Deitar no solo .......................................8 cal
Fazer mulher ........................................12 cal

* POSIÇÕES
Papai-mamãe .........................................12 cal
69 deitado ...........................................8 cal
69 em pé ...........................................112 cal
Carrinho de mão ....................................216 cal
Candelabro italiano ................................912 cal

* TENDO UM ORGASMO
Real ...............................................112 cal
Falso (se for mulher) ...............................36 cal
Falso (se for homem) ...............................315 cal

* PÓS ORGASMO
Ficar na cama abraçadinho ...........................18 cal
Pular da cama logo em seguida .......................36 cal
Explicar para ela porque você pulou logo da cama ...816 cal

* CONSEGUINDO A SEGUNDA EREÇÃO
Se você tem de 16 a 19 anos .........................12 cal
de 20 a 29 ..........................................36 cal
de 30 a  39 ........................................108 cal
de 40 a 49 .........................................324 cal
de 50 a 59 .........................................672 cal
acima de 60 ......................................2.916 cal

* COLOCANDO A ROUPA
Calmamente ..........................................32 cal
Com pressa para se mandar ...........................98 cal
Com o marido dela esmurrando a porta .............1.218 cal

Veja se você está velho…

Em dias de pandemia, distanciamento social e forçada reclusão domiciliar o que nos resta é caprichar nas faxinas – tanto materiais quanto virtuais. E eis que limpando os antigos e-mails acumulados nas catacumbas de meu computador, encontrei estas 100 perguntas enviadas no início de 2003 pela querida amiga Larissa – só porque eu era dez anos mais velho que ela. Bem, continuo sendo… Enfim, o que me chamou a atenção é que eu tive a pachorra de respondê-los! 😀

1. Antes do Ferrorama, que tal o Hit Train (e o Hit Car, que ninguém tinha…)
Lembro bem do Ferrorama, mas nunca tive um…

2. Ouvia o USA For África, cantando We Are The World?
“We are the world, we are the children…” – Adorava as partes com a Cindy Lauper e com o Bruce Springsteen.

3. E o Band Aid, cantando Do They Know It’s Christmas?
Esse eu já não gostei tanto…

4. Assistiu o Rock’n Rio (“-Se a vida começasse agora e o mundo fosse nosso de vez…”)
Olha só! Me lembrei da melodia! Não só assisti, como gravei. Acho que até hoje tenho a fita (de 1985).

5. Passava a tarde na Sessão Desenho da Record.
Lembro-me disso e mais: dos desenhos da TV Tupi, antes do Sílvio Santos comprar a Record.

6. A atração era o desenho do Jambo e Ruivão, com seus longos episódios de 2 minutos.
Esse eu achava sacal.

7. Você teve um Relógio Casio Rei e os com joguinhos (Batalha espacial, batalha naval e pirâmide).
Desse não me lembro.

8. E o joguinhos dos números dos Casio com calculadora?
Nem desse.

9. Jogava Game & Watch, principalmente os com tela dupla.
???

10. Tentava imitar o saque Jornada nas Estrelas do Bernard.
O pior é que eu conseguia (estava na sétima série), mas nem sempre a bola caía dentro da quadra.

11. Assistia o Clip Clip da Globo, o Clip Trip da Gazeta e o Som Pop da Cultura, morrendo de inveja da MTV (lançamento nos EUA).
Oooooo! Gravei uma porrada de clips desses aí! Na gazeta tinha o Mr. Sam, com o boneco Capivara.

12. Fazia origami no Bambalalão.
Nãããão!

13. Não perdia o Globinho Repórter, com a Paula Saldanha.
Não era “Globinho Repórter”, era só “Globinho”. E tinha a música de entrada: “Não existe nada mais antigo do que caubói que dá cem tiros de uma vez…”

14. E assistia A Linha, Miu e Mau, família Barbapapa…
Tudo do Globinho…

15. Para variar, assistia o Amaral Netto, o Repórter.
Putz! Assistia.

16. Ficou emocionado no final de “A Incrível Fábrica de Chocolates.”?
E como não? Mr. Wonka e a Fantástica Fábrica de Chocolates, com Gene Wilder.

17. Usou calça OP verde limão com a camiseta Hang Loose laranja, achando que estava combinando.
Ah, vamos lá! Na época combinava…

18. Para arrematar, o tênis quadriculado.
Com a gente não tinha tênis quadriculado, pintávamos os quadradinhos com caneta esferográfica no Bamba branco que usávamos…

19. E o gel New Wave no cabelo.
Isso não!

20. Tentava imitar o ‘andar para trás’ do Michael Jackson (que ainda era negro).
E nunca consegui…

21. Andava de Caloicross Extra Light, com banco concorde e adesivos Kuwahara.
Que nada! Eu tive uma BMX, aquela com um tanquinho amarelo (é lógico que eu o tirei…).

22. Ou então, andava de Caloi C3, aquela com o cambio de 3 marchas. E a Peugeot com bancos de mola?
Essas são do tempo em que eu trabalhava em bicicletaria. As Peugeots eram ótimas pra sacanear com quem estava andando: um tranco atrás e a bicicleta empinava!

23. Ou então de Ceci ou dobrável.
Tinha a Ceci (feminina) e a Peri (masculina – uma bosta). A dobrável se chamava Berlineta.

24. Assistiu todos os filmes do Jerry Lewis e do Trinity.
Do Jerry Lewis até hoje eu rio. Já do Trinity tem apenas uns poucos realmente engraçados.

25. Assistia (escondido) a Sala Especial nas noites de sexta na Record, para tentar pegar a Vera Fisher nua.
Que nada! Aquilo era a maior enganação! Nunca aparecia nada! Eu mudava para a Bandeirantes para assistir aos filmes B de Terror.

26. Levava o material escolar numa sacola da Tiger.
Nãããão. O que era da hora era a Knapsack.

27. Brincava com o Falcon (olhos de águia) contra o Torak, com a ajuda do Condor.
É. Pois é. Eu tinha um Falcon desses. Aliás tinha também um pessoal que me enchia o saco, tentando me apelidar de Falcon, por causa da cicatriz que tenho no rosto (igual à do boneco). Ainda bem que não pegou.

28. Colecionou as figurinhas do Paulistinha.
Com certeza não.

29. Você se lembra quando inauguraram a TV Manchete?
Perfeitamente! A primeira coisa que passou foi o filme Contatos Imediatos.

30. Você se lembra quando Tancredo morreu e ficavam tocando “Coração de Estudante” o dia todo na TV?
Ô! Fora a teoria da conspiração sobre esse episódio, envolvendo, inclusive, a sem sal da Glória Maria.

31. Você não achava o Bozo um idiota?
Sem chance. Aquilo sempre foi ridículo.

32. Lembra da TV POW, que um mané ficava gritando PAU! no telefone para acertar as naves espaciais?
Lembro. E era mais ridículo ainda.

33. Você ia domingo ao “Jack in the box”?
Não tenho nem ideia do que seja isso.

34. Você chorou com o ursinho da abertura da Olimpíada de Moscou?
Não mesmo.

35. Tem o primeiro número da Superinteressante? E se lembra de Ciência Ilustrada?
Não tenho. Mas colecionei todos os fascículos da Ciência Ilustrada, inclusive as 4 capas duras.

36. Você ouviu Imagine milhares de vezes na semana da morte de John Lennon?
Lembro-me que desenhei um quadro com o rosto dele, em negativo. Onde será que foi parar?…

37. Você aprendeu a desenhar com Daniel Azulay?
Nah! Aprendi sozinho mesmo.

38. Já ouviu falar em contaminação por Radiação em Goiânia?
Para sua informação foi com Césio 147. Você nem imagina quantas piadinhas isso rendeu com relação ao Fiat 147…

39. Relógios Gran Prix para homens e Champions para mulheres (aqueles que trocavam de pulseira) faziam parte do seu dia a dia?
Dei um desses de presente para a ex. Mas as pulseiras eram beeeem vagabundinhas.

40. Assistia com sua vó o Cassino do Chacrinha?
Que nada! Minha avó me excomungaria! Mas desde aquela época eu já não gostava de programas de auditório (mas as chacretes…)

41. Você teve o forte apache e o circo do Playmobil?
Pô! O Forte Apache era caro pra caramba! Eu morria de inveja de um amigo meu que o tinha. Mas até hoje tenho um Playmobil que restou guardado em casa.

42. Você se lembra quando a União Soviética se dissolveu?
Perfeitamente. Passei a noite toda consolando a Evanilda, que chorou amargamente…

43. Você usava discos de vinil?
Tinha uma senhora de uma coleção…

44. Você adorava o lanche paulista no McDonald’s?
Quê! Sou do interior! NO McDonald’s na época.

45. Depois de ter um Stratus, pediu um carrinho de controle remoto como o Pegasus série ouro e prata ou o Colossus vermelho?
Não. Dinheiro era um negócio meio complicado na minha infância.

46. Brincava de autorama com o TCR ou de Ferrorama?
Nem um, nem outro.

47. Você gostava mais de Ultraman, Spectroman ou Ultra Seven?
Ultraman. O resto foi imitação.

48. Você assistiu filme dos Trapalhões no cinema na época em que eles ainda tinham cabelo preto? E Bambi?
Não só esses, como também A Bela Adormecida…

49. Você ria com Guerra dos Sexos, Dancing Days e Roque Santeiro?
Pra caramba!

50. Comprou a fita K-7 do Plunct-Plact-Zum?
Não. Eu emprestava os discos de quem comprava e gravava em casa.

51. E a Blitz, não tinha documentos ou instrumentos? Ia ao aquário de Santos nos tempos áureos do leão marinho?
Tenho minha fitinha K7 da Blitz até hoje. Já em Santos nunca fui quando era pequeno.

52. Usava caneta de 10 cores com cheiro ?
Isso existiu?

53. Comia geleia de mocotó Embasa pela manhã (aquela que a mãe ficava com o copo)?
Bleeaaarghhh! Nossa finíssima coleção de copos era de massa de tomate (o famoso Cristal-Cica).

54. Dava seus pulinhos com o Pogobol?
Com o quê?

55. Pagava um pau para a Gigi do Bambalalão?
Quem?

56. E cantava junto com o Zecão, Lili, Macarrão?
Eeeh. Não conheço esse pessoal não.

57. Ia na matinê da Up-Down?
Não tenho nem ideia do que seja isso.

58. Colecionou o Álbum de figurinhas Amar é…?
Autocolantes, diga-se de passagem. Não colecionei, mas sempre comprava para colar nos cadernos das meninas de classe…

59. Seu pai tinha um Puma e o Miura era o carro importado mais moderno que você via na rua?
Não. Meu pai tinha uma Variant. Aliás, tem até hoje. Lembro-me que, uma vez, o chefe dele na Johnson levou um Miura para arrumar alguma coisa. Era cinza e o supra-sumo da modernidade.

60. Assistia na sessão comédia Super Vicky e Caras e Caretas?
Ela era um robô e Caras e Caretas era com o… fugiu o nome. Aquele do “De Volta para o Futuro”.

61. Chips para você não eram batatas, mas dois policiais?
California HIghway Patrol, com John Baker e Francis Poncherello.

62. Assistia desenhos do Brucutu?
Era meio sem graça…

63. E do homem 6 milhões de dólares e da mulher biônica?
TU-TU-TU-TU-TU-TU… Se eles se moviam super-rápido, por que aparecia tudo em câmera lenta?

64. Você sabe quem é o Tatoo da Ilha da Fantasia?
“Eu sou Holk, seu anfitrião. Bem-vindos à Ilha da Fantasia!” Desse eu gostava.

65. Você se lembra do Halleyfante?
De jeito nenhum.

66. Foi na estreia dos Caça Fantasmas e Goonies no cinema?
Siiiiiim! Ghostbusters! Parará-pá-pá!

67. E na de Tron, War Games e a trilogia de Guerra nas Estrelas?
Lembro-me de todos, com detalhes.

68. Assistia Armação Ilimitada depois que chegava da escola?
Naquela época o André Di Biasi e o Kadu Moliterno ainda tinham cabelo. E tinha a (ahh…) Andréa Beltrão…

69. Depois da novela a sua mãe queria ver o Casal 20 e Dallas?
Não. Era eu mesmo.

70. Sabe com detalhes sobre a reportagem do Jacques Cousteau fez sobre o Pantanal e que passou no Globo Repórter, que era apresentado pelo Hélio Costa?
Desse não.

71. O Jô antes não era tão inteligente e fazia o Capitão Gay na Globo.
Não esqueça seu assistente: Carlos Sueli! O nome do programa era Viva o Gordo.

72. Você jogava Genius?
Sempre ganhava, mas achava um porre.

73. Colecionava Mad?
E ainda era a versão americana, muito mais engraçada que a brasileira.

74. Queria um Kichute, pois era uma chuteira confortável?
É. Tive um sim. Por quê? Vai encarar?

75. Se agoniava quando no domingo no parque trocavam uma bicicleta por uma caixa de fósforos? Ou pelo famoso “milhão”?
Siiiiiiim! Nãããããão! Põe agonia nisso!

76. Se lembra que o tênis Montreal era antimicróbios? E qual era o Slogan?
Não tenho nem ideia.

77. Brincava de Acquaplay?
Outro que era um porre.

78. Sabe o que era Trovão Azul?
Grande seriado de um super-helicóptero. Xarope, mas um grande seriado. Particularmente eu preferia a super-máquina.

79. Se lembra da briga entre VHS e Betamax ? E entre Odissey e Atari?
Venceram os padrões VHS e Atari. Sifudeu quem comprou o resto.

80. Carregou joguinhos de computador com fita-cassete?
Isso foi antes dos microcomputadores. Usávamos os PC-300 e PC-500.

81. Você sabe quem foi O Incrível Hulk? Que cor ele era?
O curioso é que o verdão só se transformava duas vezes em cada episódio.

82. Você se lembra quem matou Odette Roitman? E o Barbosa (TV Pirata)?
Grande atuação de Beatriz Segall. E não tem como esquecer o Barboooooooooosa…

83. Você já usou roupas US TOP?
E LEVIS também!

84. Você já teve uma sandalinha Ortopé? Ou um tênis Bubble Gummers com cherinho de chiclet?
Nai.

85. Você assistia Fantástico, só pra ver as garotas do final?
Nai, também.

86. Você foi ver a Monga no Playcenter? E Nandú e Samôa, a baleias assassinas?
Levei um PUSTA susto quando estourou a jaula da Monga…

87. Você usou o Passaporte que vinha no disco do Bozo para ir ao Playcenter?
Insuportável Sem chance de comprar um disco do bofe.

88. Você comia Cremogema?
Não, mas me lembro da musiquinha: cre-cremo-cremo-cremoge-ma…

89. Você assistia “As aventura de Cacá” no SBT, durante seu café da manhã?
De quem?

90. Você assitia Clube da Criança na Manchete, só pra ver a Lucinha Lins naquelas roupinhas brilhantes?
Nossa! Isso foi antes da Xuxa!

91. E o Programa do Palhaço Carequinha?
Cacirda! Desse eu me lembro!

92. Você já usou Conga? E Conguinha?
Antes mesmo do Kichute…

93. Assistia o Fusquinha Herbbie?
Quando passava na Disneylândia, aos sábados, na Globo.

94. Você se lembra do “Balança Mas não Cai”?
Sim, desde quando ainda era um programa de rádio.

95. Tinha medo do “Homem do Saco”?
Não. Mas a “loira-com-algodão-na-boca” que se escondia no banheiro deixava a gente meio cabreiro.

96. Teve um patins de rodas paralelas?
Não, mas já caí com uma porcaria dessas que tinha emprestado de uma amiga.

97. Já foi ameaçado pelos seus pais, de ter que comer pimenta ou lavar a boca com sabão?
Acredite em mim: o gosto do sabão é horrível!

98. Brincava de Barra-Manteiga, Balança Caixão e Alerta?
Pra caramba!

99. Gostava do picolé Fura Bolo?
Não. Era sem graça.

100. Assistia o Clube do Mickey (aquele que aparecia várias crianças brincando com o famoso chapeuzinho de orelhas do ratinho)?
Siiim! Tinha, inclusive, uma japonesinha linda, pré-adolescente, que eu adorava…

Você sabe qual é a origem da arroba?

Reinaldo Pimenta
No livro: A Casa da Mãe Joana

Na Idade Média os livros eram escritos pelos copistas à mão. Precursores da taquigrafia, os copistas simplificavam o trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios, por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido (tempo era o que não faltava naquele tempo). O motivo era de ordem econômica: tinta e papel eram valiosíssimos.

Foi assim que surgiu o til (~), para substituir uma letra (um “m” ou um “n”) que nasalizava a vogal anterior. Um til é um enezinho sobre a letra, pode olhar.

O nome espanhol Francisco, que também era grafado “Phrancisco”, ficou com a abreviatura “Phco.” e “Pco”. Daí foi fácil Francisco ganhar em espanhol o apelido Paco.

Os santos, ao serem citados pelos copistas, eram identificados por um feito significativo em suas vidas. Assim, o nome de São José aparecia seguido de “Jesus Christi PaterPutativus”, ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde os copistas passaram a adotar a abreviatura “JHS PP” e depois “PP”. A pronúncia dessas letras em sequência explica porque José em espanhol tem o apelido de Pepe.

Já para substituir a palavra latina et (e), os copistas criaram um símbolo que é o resultado do entrelaçamento dessas duas letras: &. Esse sinal é popularmente conhecido como “e comercial” e em inglês, tem o nome de ampersand, que vem do and (e em inglês) + per se (do latim por si) + and.

Com o mesmo recurso do entrelaçamento de suas letras, os copistas criaram o símbolo @ para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de “casa de”.

Veio à imprensa, foram-se os copistas, mas os símbolos @ e & continuaram a ser usados nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço – por exemplo: o registro contábil “10@£3” significava “10 unidades ao preço de 3 libras cada uma”. Nessa época o símbolo @ já ficou conhecido como, em inglês como at (a ou em).

No século XIX, nos portos da Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar práticas comerciais e contábeis dos ingleses. Como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses atribuíam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo seria uma unidade de peso. Para o entendimento contribuíram duas coincidências:

1 – a unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cujo “a” inicial lembra a forma do símbolo;

2 – os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Dessa forma, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registro de “10@£3” assim: “dez arrobas custando 3 libras cada uma”. Então o símbolo @ passou a ser usado pelos espanhóis para significar arroba.

Arroba veio do árabe ar-ruba, que significa “a quarta parte”: arroba (15 kg em números redondos) correspondia a ¼ de outra medida de origem árabe (quintar), o quintal (58,75 kg).

As máquinas de escrever, na sua forma definitiva, começaram a ser comercializadas em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais datilografados). O teclado tinha o símbolo “@”, que sobreviveu nos teclados dos computadores.

Em 1872, ao desenvolver o primeiro programa de correio eletrônico (e-mail), Roy Tomlinson aproveitou o sentido “@” (at), disponível no teclado, e utilizou-o entre o nome do usuário e o nome do provedor. Assim “Fulano@Provedor X” ficou significando “Fulano no provedor X”.

Em diversos idiomas, o símbolo “@” ficou com o nome de alguma coisa parecida com sua forma, em italiano chiocciola (caracol), em sueco snabel (tromba de elefante), em holandês, apestaart (rabo de macaco); em outros idiomas, tem o nome de um doce em forma circular: shtrudel, em Israel; strudel, na Áustria; pretzel, em vários países europeus.