Valorizando seu dinheiro – VII

Uma moeda que não durou muito…

Cruzado Novo
(NCz$1,00 = Cz$1.000,00)

Apenas três anos depois da última mudança, foi ainda o presidente Sarney que instituiu o Cruzado Novo (NCz$) através da Medida Provisória nº 32, de 16 de janeiro de 1989 (mais tarde convertida na Lei nº 7.730, de 31 de janeiro de 1989), tendo havido novamente um corte de três zeros no sistema monetário nacional.

Novamente usou-se a estratégia de apor um carimbo identificador nas cédulas mais altas do sistema anterior, só que desta vez ele era – a-ha! – triangular… As primeiras emissões foram cédulas de 1.000, 5.000 e 10.000 cruzados reaproveitadas com esse carimbo triangular com a nova denominação em cruzados novos, respectivamente 1, 5 e 10 cruzados novos.

No decorrer do ano de 89 e início do ano 90 entraram em circulação as novas cédulas no valor de 50, 100, 200 e 500 cruzados novos.

NCz$50,00. Na face possuía a efígie de Carlos Drumond de Andrade (1902-1987), aparecendo, ao fundo, o casario e as montanhas de Itabira, MG; no verso, uma gravura representa o poeta em sua mesa, no ofício de escrever e, à direita da gravura, estão reproduzidos os versos do poema “Canção Amiga”.

NCz$100,00. Na face possuía o retrato de Cecília Meireles (1901-1964), tendo à esquerda a reprodução de desenho de sua autoria, ao qual se sobrepõem alguns versos manuscritos extraídos de seus “Cânticos”; no verso, uma gravura, à esquerda, representa o universo da criança, suas fantasias e o momento da aprendizagem e o painel é completado, à direita, com a reprodução de desenhos feitos pela escritora, representativos de seus estudos e pesquisas sobre folclore, músicas e danças populares.

NCz$200,00. Na face possuía a efígie simbólica da República, interpretada sob a forma de escultura e, à esquerda, gravura simbolizando a reunião de ideais republicanos, onde aparecem as personagens históricas de Silva Jardim, Benjamim Constant, Marechal Deodoro da Fonseca e Quintino Bocaiúva; no verso, detalhe do quadro “Pátria”, do pintor Pedro Bruno (1888-1949), onde aparece a bandeira do Brasil sendo bordada no seio de uma família.

NCz$500,00. Na face possuía a efígie do cientista Augusto Ruschi (1915-1986), ladeada por alegorias de flora e fauna, destacando-se uma representação da “Cattleya labiata warneri”, orquídea que, com dezenas de variedades, é a mais típica do Espírito Santo e a maior flor do gênero no Brasil; no verso, Ruschi examinando orquídeas, aparecendo em destaque a figura de um beija-flor.

Mas…

Curta vida teve o Cruzado Novo…

Apesar de todas as medidas que tomou (e lembro-me bem da famosa campanha chamando a população para que fossem “Fiscais do Sarney”) a inflação seguia em desvairado galope. Em fevereiro de 1990 Sarney deixava para seu sucessor tanto o governo quanto uma inflação anual acumulada batendo na casa de 3.348,74%!


E a Família Andrade, como vai?

Um ano. Apenas um ano durou essa moeda! E nesse ano de 89 foi a vez de meu irmão mais velho, o Adilson se casar – com a Catarina Trone. Fora isso, não tivemos mais nenhum evento familiar digno de nota…


(Início da Saga)

(Continua…)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *