Valorizando seu dinheiro – V

Ditadura Militar

Cruzeiro Novo
(NCr$1,00 = Cr$1.000,00)

O Cruzeiro Novo (NCr$) começou a circular em 13/02/1967, criado pelo Decreto-Lei nº 1, de 13/11/65 e pelo Decreto nº 60.190, de 02/02/67, já com o presidente Artur da Costa e Silva. O Cruzeiro Novo foi criado como um padrão de caráter apenas temporário, para vigorar durante o tempo necessário ao preparo das novas cédulas e à adaptação da sociedade ao corte de três zeros. Para isso não houve a emissão de novas cédulas, para circular com o Cruzeiro Novo simplesmente foram utilizadas exatamente as mesmas cédulas do padrão anterior, só que carimbadas pelo Governo com os novos valores. Os centavos foram também representados em moedas metálicas, criadas especialmente para esse padrão.

Isso se deu em decorrência, mais uma vez, da desvalorização do moeda – fruto da instabilidade política e das contas públicas em descontrole – de modo que era necessário criar um novo padrão de cédulas, o que ficaria a cargo do recém-criado Banco Central do Brasil (1964), mas era preciso algum tempo para esse preparo. Por isso o caráter temporário do Cruzeiro Novo, feito para durar apenas até o próximo ficar pronto.

Aliás, não só não houve a emissão de novas cédulas como algumas também já foram sendo paulatinamente tiradas de circulação (é o caso das cédulas de 1, 2, 5, 20 e 200 Cruzeiros). Com o corte de três zeros o que era Cr$10,00 passou a ser um NCr$0,01, o que era Cr$50,00 passou a ser NCr$0,05 e assim sucessivamente. Foram carimbadas as cédulas do padrão anterior de modo a colocar em circulação os valores de 0,01, 0,05, 0,10, 0,50, 1,00, 5,00 e 10,00 Cruzeiros Novos.

     

     

     

Cruzeiro
(Cr$1,00 = NCr$1,00)

Como o padrão anterior foi apenas um intermediário para a volta do Cruzeiro (Cr$), o que se deu em 15/05/1970, já com o presidente Emílio Garrastazu Médici, através da Resolução 144, de 31/03/1970, do Conselho Monetário Nacional, não houve “tempo suficiente” para a inflação corroer o poder aquisitivo do dinheiro, de modo que um Cruzeiro era equivalente a um Cruzeiro Novo. Todas as cédulas do período anterior foram substituídas por outras com novas efígies e o dinheiro passou a ser impresso em definitivo somente pela Casa da Moeda do Brasil.

Ou seja, a moeda em vigor voltou a se chamar somente Cruzeiro e as cédulas em circulação foram substituídas pela nova série, nos valores de 1, 5, 10, 50 e 100 Cruzeiros.

Cr$1,00. Na face possuía a Efígie da República à direita; no verso, o Edifício da Caixa de Amortização à esquerda.

Cr$5,00. Na face possuía D. Pedro I à direita; no verso, a Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, à esquerda.

Cr$10,00. Na face possuía D. Pedro II à direita; no verso, o “Profeta Daniel”, escultura em pedra sabão de Aleijadinho, no Santuário de Bom Jesus de Matosinhos-Congonhas do Campo, à esquerda.

Cr$50,00. Na face possuía o Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, à direita; no verso, “Embarque do Café”, Cândido Portinari, à esquerda.

Cr$100,00. Na face possuía o Marechal Floriano Vieira Peixoto, Presidente da República de 1891 a 1894, à direita; no verso, o Congresso Nacional à esquerda.

Em 1972, em comemoração aos 150 anos da Independência do Brasil, foi lançada a cédula de 500 Cruzeiros.

Cr$500,00. Na face possuía uma representação da evolução étnica brasileira; no verso, mapas histórico-geográficos.

Em 1978, já quase no final do mandato do presidente Ernesto Geisel, foi lançada a cédula de 1.000 Cruzeiros, que seria a primeira dessa segunda família do Cruzeiro, inspirada no padrão de cartas de baralho, ou seja, com imagens duplicadas tanto na frente quanto no verso, permitindo a leitura tanto num sentido quanto noutro. Popularmente foi quando se começou a chamar qualquer unidade monetária de dinheiro de “Barão”, por conta da efígie do Barão do Rio Branco na frente da cédula.

Cr$1.000,00. Na face possuía a figura de José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912); no verso, Delimitação das Fronteiras.

Mais tarde, em 1981, durante a presidência do último ditador (militar), João Figueiredo, novas cédulas foram incrementadas, com os valores de 100, 200, 500 e 1.000 Cruzeiros. Tanto a cédula de 100 quanto a de 1.000 foram reformuladas, mantendo o mesmo padrão de tamanho de desenho das demais, o que valeu à antiga cédula de 1.000 o apelido de “Barão Cabeção”…

Cr$100,00. Na face possuía Luís Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias (1803-1880); no verso, a Pacificação Interna.

Cr$200,00. Na face possuía a figura da Princesa Isabel (1846-1921); no verso, a Abolição da Escravatura.

Cr$500,00. Na face possuía o Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente do Brasil de 1889 a 1891; no verso, a Proclamação da República.

Cr$1.000,00. Na face possuía José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912); no verso, Delimitação das Fronteiras.

Cr$5.000,00. Na face possuía Humberto de Alencar Castello Branco, Presidente da República durante a Ditadura Militar (1964-67); no verso, Usinas hidroelétricas e telecomunicações.

Em 1984, em decorrência de uma absurda inflação que não parava de crescer, as cédulas de 1, 5, 10 e 50 Cruzeiros deixaram de circular. Nesse mesmo ano houve a emissão de novas cédulas, nos valores de 10.000 e 50.000 Cruzeiros. Já em 1985 a cédula de 100.000 cruzeiros viria acompanhá-las.

Cr$10.000,00. Na face possuía Rui Barbosa de Oliveira (1849-1923) à direita, e uma composição representando sua mesa de trabalho ao centro; no verso, Rui Barbosa discursando na Segunda Conferência da Paz, realizada em Haia em 1907.

Cr$50.000,00. Na face possuía Oswaldo Cruz (1872-1917) à direita, e um microscópio óptico ao centro; no verso; no verso, o Edifício principal do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Cr$100.000,00. Na face possuía Juscelino Kubitschek de Oliveira, Presidente da República de 1956 a 1961, à direita, bem como estradas e redes de transmissão de energia elétrica ao centro; no verso, o Congresso Nacional em primeiro plano; ao fundo, à esquerda, “Catetinho” e, à direita, o Palácio da Alvorada.

Aliás, estas são as cédulas que me acompanharam durante toda minha infância e boa parte da adolescência…

Esta quinta parte de nossa história durou 16 anos, que, somados aos 3 anos da época do Cruzeiro Novo, nos dá um total de 19 anos sem “cortes de zeros”. Mas o final da década de setenta trouxe a crise do petróleo e o premente fim da ditadura, já em meados da década de oitenta, levou a inflação do Brasil a patamares inimagináveis!


E a Família Andrade, como vai?

Tendo passado minha infância na década de setenta e minha adolescência na década de oitenta, acompanhei toda a trajetória econômica de nossa moeda que acabaria nos levando a índices inflacionários sequer imaginados! Não que eu me preocupasse com isso na época…

     

     

     


(Início da Saga)

(Continua…)

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