Valorizando seu dinheiro – IV

Do Estado Novo ao Fim do Estado…

Cruzeiro
(Cr$1,00 = Rs1:000$000)

O Cruzeiro (Cr$) começou a circular em 01/11/1942, criado pelo Decreto-Lei nº 4.791, de 05/10/42. Nessa troca de moeda do Brasil, os Réis foram substituídos pelo Cruzeiro e 1 mil Réis passaram a valer 1 Cruzeiro, tendo sido este o primeiro corte de três zeros da história monetária do país. É aí que surge também o centavo.

Ainda que desde o início de 1930 o então presidente Washington Luís já viesse pretendendo uma reforma monetária, esta somente se deu durante o governo de Getúlio Vargas. Foram vários os motivos para postergá-la por mais de uma década, dentre eles, a crise do capitalismo de 1929, a Revolução de 30, e, em especial, em decorrência da inflação gerada durante a Segunda Guerra Mundial.

A escolha do nome dessa nova moeda baseou-se na constelação do Cruzeiro do Sul, escolhida como símbolo da pátria.

Os valores eram de 10, 20, 50, 100, 200, 500 e 1.000 Cruzeiros. Por um curto período existiram também as notas de 1, 2 e 5 Cruzeiros, mas essas somente foram introduzidas em circulação por conta da situação de guerra, uma vez que havia falta de condições para a emissão de moedas metálicas.

Pelos próximos 25 anos seriam estas as cédulas que circulariam pelo Brasil, paulatinamente eliminando o sistema monetário anterior que, em última instância, ainda havia sido herdado do antigo Governo Português. Diferente do antigo sistema, não houve diversas estampas para cédulas do mesmo valor, de modo que elas perduraram no tempo e facilitaram o seu reconhecimento pela população. Foram as seguintes as cédulas lançadas (as originais não tinham esses carimbos – mais pra frente eu o explicarei):

Cr$1,00. Na face possuía Joaquim Marques Lisboa, Marquês de Tamandaré (1807-1897), ao centro; no verso, a Escola Naval do Rio de Janeiro.

Cr$2,00. Na face possuía Luiz Alves de Lima e Silva, Duque de Caxias (1803-1880), ao centro; no verso, a Escola Militar de Resende, fundada em 1944 (em 1951 teve o nome mudado para Academia Militar das Agulhas Negras).

Cr$5,00. Na face possuía José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912), ao centro; no verso, “A Conquista do Amazonas”, de Antônio da Silva Parreiras.

Cr$10,00. Na face possuía Getúlio Vargas, Presidente da República de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, ao centro; no verso, a Alegoria Unidade Nacional.

Cr$20,00. Na face possuía Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, ao centro; no verso, “Proclamação da República”, tela de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$50,00. Na face possuía a Princesa Isabel (1846-1921) ao centro; no verso, “Lei Áurea”, tela de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$100,00. Na face possuía D. Pedro II ao centro; no verso, “Cultura Nacional”, quadro de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$200,00. Na face possuía D. Pedro I ao centro; no verso, “Independência ou Morte”, óleo sobre tela de Pedro Américo.

Cr$500,00. Na face possuía D. João VI ao centro; no verso, “Abertura dos Portos”, alegoria de Cadmo Fausto de Souza.

Cr$1.000,00. Na face possuía Pedro Álvares Cabral (1467-1520) ao centro; no verso, “A Primeira Missa no Brasil”, óleo sobre tela de Victor Meirelles.

Em 1961, já tendo passado pelos presidentes Eurico Gaspar Dutra, novamente Getúlio Vargas, Café Filho, Juscelino Kubischek, Jânio Quadros e João Goulart, houve a primeira experiência de emissão de cédulas por parte da Casa da Moeda do Brasil, que emitiu uma nota de 5 Cruzeiros que passou a ser conhecida como a Nota do Índio.

Cr$5,00. Na face possuía a figura de um índio à direita; no verso, ao centro, um lago com vitórias régias.

Mais uma vez a inflação voltou a assombrar o Brasil e, por conta disso, em 1963 foi lançada a nota de 5.000 Cruzeiros e, mais tarde, em 1966, já em plena Ditadura, durante o governo de Humberto de Alencar Castelo Branco, também foi lançada a de 10.000 Cruzeiros. A primeira fabricação ficou a cargo da American Bank Note Company e a segunda, da Thomas de La Rue & Company Limited.

Cr$5.000,00. Na face possuía Joaquim José da Silva Xavier, Tiradentes (1746-1792), ao centro; no verso, “Tiradentes ante o Carrasco”, quadro de Rafael Falco.

Cr$10.000,00. Na face possuía Alberto Santos Dumont (1873-1932) à direita; no verso, 14-bis à direita.

Mas a essa altura do campeonato a Ditadura Militar já estava estabelecida e novas medidas seriam necessárias… O AI-5, o mais infame de todos os Atos Institucionais, foi emitido em 13 de dezembro de 1968 e resultou no imediato fechamento do Congresso Nacional, na perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções ordenadas pelo presidente nos municípios e estados e também na suspensão de quaisquer garantias constitucionais que eventualmente resultaram na institucionalização da tortura, comumente usada como instrumento pelo Estado.

Com tudo que estava acontecendo no país naquele momento parece até bobagem tratar de uma coisinha boba e pueril como o sistema monetário nacional e esse tal de negócio chamado inflação… Mas era necessário. E uma nova moeda estava a caminho…


E a Família Andrade, como vai?

Em eis que José Bento de Andrade, meu pai, em 1960 casou-se com minha mãe, Bernardete Nunes, nascida em 10 de setembro de 1943, descendente dos mineiros Antunes e dos joseenses Nunes. Dessa união é que viemos, eu e meus irmãos: Adilson Aparecido de Andrade em 1962, Anselmo Aparecido de Andrade em 1963 e este que vos tecla, Adauto de Andrade, em 1969…

     


(Início da Saga)

(Continua…)