Valorizando seu dinheiro – III

Republiquemo-nos!

(Ainda no Mil-Réis…)

Chegou o ano de 1889 e, com ele, a Proclamação da República. Com o primeiro presidente, Deodoro da Fonseca, começa de novo todo o trabalho de “colocar a casa em ordem” (conforme o gosto do ocupante do cargo, é lógico). Foi mantido o padrão “Mil-Réis” e o Governo Provisório Republicano caiu na besteira de permitir que alguns bancos emitissem cédulas – o que, obviamente, resultaram na multiplicação dos peixes. Ou, no caso, do dinheiro. Estava demais. Assim retornou-se à ideia de um único emissor que, de 1892 a 1896, já com Floriano Peixoto e, em seguida, Prudente de Morais, foi o Banco da República do Brasil (sendo este considerado o “terceiro” Banco do Brasil, resultado da fusão do falido Banco do Brasil anterior e o Banco da República dos Estados Unidos do Brasil – BREUB).

Só que, mais uma vez, o furdúncio já estava feito. A grande quantidade de bancos emissores acabou provocando uma grave crise financeira, de modo que em 1896 voltou à incumbência do Tesouro Nacional ser o único responsável pela emissão das cédulas e a partir daí todas as cédulas em circulação foram substituídas por cédulas padronizadas do Tesouro Nacional.

Entre 1896 e 1923 (passando nesse período pelos presidentes Campos Sales, Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha, Hermes da Fonseca, Venceslau Brás, Delfim Moreira, Epitácio Pessoa e Artur Bernardes), além da Casa da Moeda do Rio de Janeiro, outros fabricantes estrangeiros receberam encomenda de cédulas brasileiras, tais como Bradbury Wilkinson, Georges Fuval, Cartiére Pietro Milani, American Bank Note Company e Thomas de La Rue & Company Limited.

Nesse período, foram lançadas cédulas com valores que variavam desde 500 Réis até um conto de Réis (um milhão de Réis) e, novamente, para cada valor, diversas estampas:

500 Réis (4 estampas). A quarta, de 1901, possuía na face a efígie da República à esquerda; no verso, as Armas da República e valor facial.

1.000 Réis (13 estampas). A décima terceira, de 1923, possuía na face David Campista, Ministro da Fazenda (1906-1909) ao centro; no verso, o valor facial.

2.000 Réis (15 estampas). A décima quinta, de 1923, possuía na face Joaquim Murtinho (Ministro da Fazenda, 1898-1902) ao centro; no verso, a inscrição REPUBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL e valor facial.

5.000 Réis (19 estampas). A décima nona, de 1942, possuía na face José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco, ao centro; no verso, a Alegoria da Indústria e do Comércio.

10.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1942, possuía na face Manuel Ferraz de Campos Salles, Presidente da República 1898-1902, ao centro; no verso, a Avenida Beira Mar, no Rio de Janeiro.

20.000 Réis (16 estampas). A décima sexta, de 1942, possuía na face o Marechal Deodoro da Fonseca, 1º Presidente da República de 1889 a 1891, ao centro; no verso, uma mulher sentada representando Minerva.

50.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1936, possuía na face Joaquim Xavier da Silveira Júnior (1864-1912) à esquerda; no verso, o Monumento do Ipiranga, em São Paulo.

100.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1936, possuía na face Alberto Santos Dumont (1873-1932) ao centro; no verso, vista da Enseada da Glória, no Rio de Janeiro.

200.000 Réis (17 estampas). A décima sétima, de 1936, possuía na face Joaquim Saldanha Marinho (1816-1895) à direita; no verso, vista do Flamengo e Jardim da Glória, no Rio de Janeiro.

500.000 Réis (15 estampas). A décima quinta, de 1936, possuía na face Floriano Peixoto, Presidente da República de 1891 a 1894, ao centro; no verso, as Armas da República e valor facial.

1.000.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1921, possuía na face a Alegoria do Comércio à esquerda; no verso, valor facial.

A partir de 1923 e até 1930, ainda com o presidente Artur Bernardes e também com Washington Luís, a emissão da moeda de papel ficaria novamente sob a incumbência do Banco do Brasil (sendo este o “quarto” Banco do Brasil – o atual -, resultado da encampação pelo governo da mais uma vez falida instituição anterior), finalmente com tecnologia suficiente para criar uma família de cédulas que praticamente não permitiu falsificações:

1.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face Manuel Ferraz de Campos Sales, Presidente da República de 1898 a 1902, ao centro; no verso, as Armas da República e valor facial.

2.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face Prudente José de Morais, Presidente da República de 1894 a 1898, à direita; no verso, as Armas da República e valor facial.

5.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face José Maria da Silva Paranhos, Barão do Rio Branco (1845-1912), à esquerda; no verso, as Armas da República e valor facial.

10.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face Francisco de Paula Rodrigues Alves, Presidente da República de 1902 a 1906, ao centro; no verso, a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

20.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face Artur da Silva Bernardes, Presidente da República de 1922 a 1926, à direita; no verso, o Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

50.000 Réis (2 estampas). A segunda, de 1930, possuía na face Pedro de Araújo Lima, Marquês de Olinda (1793-1870), à esquerda; no verso, o Canal do Mangue, no Rio de Janeiro.

100.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face Diogo Antônio Feijó (1784-1843) ao centro; no verso, a Avenida Niemeyer, no Rio de Janeiro.

200.000 Réis (uma estampa). Emitida a partir de 1923, possuía na face D. Pedro II à direita; no verso, o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro.

500.000 Réis (2 estampas). Num primeiro momento foi aproveitada uma estampa anterior, ainda do Império. Emitida a partir de 1923, possuía na face José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) à esquerda; no verso, o Jardim da Glória, no Rio de Janeiro.

1.000.000 Réis (2 estampas). Também num primeiro momento foi aproveitada uma estampa anterior, ainda do Império. Emitida a partir de 1923, possuía na face D. Pedro I ao centro; no verso, “Independência ou Morte”, óleo sobre tela de Victor Meirelles.

E entre 1918 e 1935, mais uma vez com a finalidade de facilitar o troco, foi cunhada uma nova série de moedas em cuproníquel que substituíram as cédulas de valores pequenos e as moedas antigas. É desse período a moeda de 100 Réis que assumiu o apelido de “Tostão”, antes pertencente à antiga moeda de LXXX Réis…

Nesta terceira parte dessa história passamos pela chamada “República Velha”, que perdurou até 1930, e começamos a entrar na era ditatorial de Getúlio Vargas. Como veremos a seguir, nos 53 anos de sobrevida do “Mil-Réis” junto ao período republicano, mais uma vez – pelos mais diversos motivos nacionais e internacionais – a moeda brasileira estava desvalorizada. Era preciso tomar uma providência – a qual já vinha sendo engedrada desde 1930 mas somente se efetivaria em fins do ano de 1942…


E a Família Andrade, como vai?

Em 6 de março de 1909 nasceu meu avô, Antonio de Andrade que em 1936 viria a casar-se com Sebastianna dos Santos (esta nascida a 13 de abril de 1920). Não cheguei a conhecê-lo, pois faleceu quando eu tinha apenas 1 ano de idade… Dos 12 filhos que tiveram, o primogênito já veio no ano seguinte ao casamento: em 27 de abril de 1937 nasceu José Bento de Andrade, meu pai.


Antonio de Andrade


(Início da Saga)

(Continua…)