Arquivos de 2010

Los Tres Dos Amigos

sexta-feira, 12 de março de 2010, às 10:52

O cartunista Glauco Villas Boas, 53 anos, e seu filho de 25 foram mortos a tiros na madrugada de hoje, dentro da própria casa, em Osasco, durante uma tentativa de assalto.

Triste. Revoltante. Indigno.

E assim Los Tres Amigos efetivamente deixam de existir…

Emenda à Inicial: mais do mesmo aqui e aqui.

Embargos Auriculares: por uma dica do copoanheiro fui parar lá no Universo HQ e puxei mais algumas charges…

Questão de Direito

sexta-feira, 12 de março de 2010, às 9:20

Revista Hellblazer nº 162, com o inveterado fumante John Constantine num momento em que havia saído das terras britânicas para uma visita aos States…

Sobre cotas raciais

terça-feira, 9 de março de 2010, às 5:56

Antes de mais nada quero deixar claro que sou contra.

E esse meu posicionamento não tem nada a ver com “racismo” – antes o contrário, eis que o próprio sistema de cotas cria um preconceito (pré-conceito?) em face das pessoas. Aliás, já falei sobre isso antes, bem aqui.

Mas o Jorge Araujo, de uma maneira clara e objetiva, falou muito mais que isso lá no Direito e Trabalho.

Só pra ter uma palhinha:

Lá (nos Estados Unidos) os estudantes universitários são escolhidos a dedo e a segregação racial foi, durante muito tempo, explícita. Assim se não tivesse havido a intervenção do poder público naquele país, haveria ainda hoje um apartheid educacional. Situação que nunca ocorreu no Brasil, país no qual, inclusive o fundador da Academia Brasileira de Letras, Machado de Assis, era mulato e não cursou, sequer o ensino fundamental, ou seja o anti-exemplo da política de cotas.

Se ao Estado brasileiro está, de fato, parecendo que o acesso ao ensino superior poderá redimi-lo de seus erros para com negros e índios, porque não o concede a todos e se redime da sua má distribuição de Justiça Social também a todos.

Aliás, além do texto integral, que está aqui, não deixem de dar uma olhada também no começo desse raciocínio, bem aqui – onde realmente vale a pena ler os comentários…

Confiram!

Perguntar pra quem?

domingo, 7 de março de 2010, às 18:56

Deu lá no IOB Jurídico: O Poder Judiciário precisa aumentar os investimentos em tecnologia, em procedimentos eletrônicos, na unificação dos seus sistemas e na qualificação profissional dos seus servidores como medida prioritária e imediata. Essa é a principal conclusão de uma pesquisa de opinião, realizada em janeiro de 2010, que ouviu ministros do governo federal, secretários, juízes, deputados, senadores, e representantes de instituições públicas e privadas e da sociedade civil.

Legal.

Essa pesquisa, que possui o pomposo nome de Cenários Prospectivos do Poder Judiciário, tem por objetivo dar elementos para elaboração de uma estratégia de atuação de longo prazo no Poder Judiciário, e  foi desenvolvida pelo Departamento de Gestão Estratégica (DGE) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Bom.

Dos mais de 37 mil questionários enviados para integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público, advogados e representantes de empresas privadas, quase 5% foram repondidos (o que dá aproximadamente umas 1.800 respostas). Essa “taxa de retorno” foi considerada alta pelos técnicos do CNJ e da FGV…

Brincou, né?

Será que alguém, em algum momento de todo esse devaneio tecnológico, lembrou de perguntar aos próprios servidores da Justiça sobre o que eles acham? Ou qual seria a opinião deles sobre esse assunto?

Tenho certeza absoluta que a “taxa de retorno” teria sido bem maior…

Tecnologia e aprendizado: uma falácia?

quinta-feira, 4 de março de 2010, às 14:30

No bom e velho estilo recortar-e-colar, compartilho com meus quase quatro leitores a sempre lúcida opinião do Jarbas, esse grande amigo botequeiro virtual

Tecnologia: dependência e fatalidade

Preocupa-me um discurso entusiasmado de educadores sugerindo que o uso de tecnologias é um fatalidade. A cadeia argumentiva é mais ou menos a seguinte:

1. as novas tecnologias são maravilhosas;

2. abrem horizontes para assimilação de mais informação e conhecimento;

3. crianças e jovens usam-nas naturalmente;

4. o uso delas é preferível a qualquer outra alternativa;

5.  velhas tecnologias morrerão fatalmente;

6. professores precisam utilizá-las;

7. elas devem estar disponíveis o tempo todo nas escolas;

8. quem não usa tecnologia em educação é atrasado.

Minha descrição parece caricata. Não acho. Eu até poderia carregar um pouco mais nas tintas, pois os tecnófilos rezam sempre um credo tecnológico mais ortodoxo que o credo de Nicéia.

Hoje, caiu uma ficha importante sobre consequências da fé inabalável dos tecnófilos. Percebi “on the spur of the moment” que a tecnofilia resulta em aceitação de depedência e em declarações de fatalidade. Isso é contraditório, uma vez que a maior parte do educadores entusiasmados com artefatos tecnológicos são, consciente ou inconscientemente, escolanovistas. E um dos principais itens da fé da Escola Nova é o de que o aluno deve ser o centro de toda a prática educacional.

E onde está a contradição? Ela está num modo de ver as novas tecnologias como invenções científicas e de engenharia portadoras de progresso. Este último lhes é inerente. Ou seja, quem as usa é progressista, quem não as usa ou sugere moratórias para alguns usos é retrógado. Assim, uma vez que as tecnologias são ontologicamente boas, é preciso a elas se converter e proceder de acordo com o que ditam. Isso não é novo. Donald Nornan, que já foi vice-presidente de pesquisas da Apple e da HP, chama a nossa atenção para o bordão da Feia de Chicago de 1933

  • A ciência descobre, a indústria aplica, os homens se adaptam.

Já nos idos da primeira metade do século passado, a idéia de submissão do humano a conveniências de engenharia (tecnológicas) era um must. Norman, importante cientista no campo das ciências da informação e do conhecimento, denuncia isso. A tecnofilia coloca a tecnologia no centro do palco. O papel dos humanos neste drama é o de submissos personagens que fazem tudo o que o personagem principal determina. Em poucas palavras: no mundo da fé tecnófila as ferrramentas são mais importantes que os seres humanos. Em educação isto significa deslocar o aluno para papel secundário de usuário de tecnologias. O discurso continua escolanovistas, mas a prática nega o ideário inaugurado por Rousseau e concretizado por Dewey.

Alguém dirá que a centralidade do humano se resolverá colocando ferramentas a serviço de seus criadores. Mas esse caminho voluntarista nada muda. A  prioridade continua a ser de máquinas e sistemas. O que é preciso é reconceber a tecnologia a partir de sua gestação. Isso implica em ferramentas bastante diferentes das ferramentas às quais devemos nos adaptar.

Como não posso me estender demais num post, resolvi colocar em Páginas, neste Boteco, um texto de Donald Norman sobre o assunto. Interessados poderão acessá-lo com uma clicada aqui.

Estatística

quinta-feira, 4 de março de 2010, às 10:41

Frase do dia

terça-feira, 2 de março de 2010, às 7:23

Quem não lê livro de papel, não vai passar a ler por causa do livro eletrônico

Pedro Herz, da Livraria Cultura, na Folha de S. Paulo.

De volta aos palcos da vida

terça-feira, 2 de março de 2010, às 6:02

E eis que, após alguns anos de serviços dedicados a ações culturais, volta aos palcos ninguém menos ninguém mais que o copoanheiro eventual, amigo dos bão, contador de causos como ele só, Pérsio Assunção!

Simplicidade é tudo!

segunda-feira, 1 de março de 2010, às 15:44

Três filhos saíram de casa, conseguiram bons empregos e prosperaram.

Anos depois, eles se encontraram e estavam discutindo sobre os presentes que eles conseguiram comprar para a mãe, que já era bem idosa.

O primeiro disse:

- Eu consegui comprar uma casa enorme para nossa mãe…

O segundo disse:

- Eu mandei para ela uma Mercedes zerinho com motorista.

O terceiro sorriu e disse:

- Certamente meu presente foi melhor. Vocês sabem como a mamãe gosta da Bíblia, mas ela está praticamente cega e não consegue mais ler. Então mandei pra ela um papagaio marrom raro que consegue recitar a Bíblia todinha. Foram 12 anos de treinamento num mosteiro, por 20 monges diferentes. Eu tive de doar US$100, 000.00 para o mosteiro, mas valeu a pena. Nossa mãe precisa apenas dizer o capítulo e versículo que o papagaio recita sem um único erro.

Tempos depois, os filhos receberam da mãe uma carta de agradecimento pelos presentes:

Primeiro: “Milton, a casa que você comprou é muito grande. Eu moro apenas em um quarto, mas tenho de limpar a casa todinha…”.

Segundo: “Maycon, eu estou muito velha pra sair de casa e viajar. Eu fico em casa o tempo todo e nunca uso o Mercedes que você me deu. E o motorista também é muito mal educado….”.

Terceiro: “Querido Marvin, você foi o único filho que teve bom senso pra saber que o que a sua mãe realmente gosta é de coisas simples. Aquele franguinho estava delicioso, muito obrigada.”

Direito de Esquecimento

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010, às 14:22

Fiquei sabendo da história pelo Bruno (do Mera Falácia) lá no Trezentos. Trata-se do caso em que editoras entraram com um processo em face da Denise Bottmann, do blog Não gosto de plágio, em virtude de suas opiniões concretas no munto virtual. Segue, na íntegra.

justiça e internet

sexta-feira recebi uma carta de citação da quarta vara cível de são paulo.

numa ação movida pela editora landmark e pelo sr. fábio cyrino, estou sendo processada por pretensas calúnias contra os reclamantes, por ter publicado no nãogostodeplágio provas mostrando a prática de plágio nas traduções de persuasão, de jane austen, e o morro dos ventos uivantes, de emily brontë, ambas publicadas pela referida editora em 2007.

além de vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais, os reclamantes solicitaram:
- ”publicidade restrita”, isto é, que o processo corresse em sigilo de justiça,
- a remoção do blog nãogostodeplágio da internet, invocando o “direito de esquecimento”,
- ”antecipação dos efeitos da tutela de mérito”, isto é, que a justiça determinasse a remoção imediata do blog antes da avaliação do mérito da ação impetrada.

o juiz, em seu despacho, não determinou segredo de justiça e negou a antecipação de tutela, por considerar que se trata de uma questão complexa, envolvendo discussão a respeito da liberdade de expressão e crítica na internet, sendo necessária uma análise mais apurada dos fatos para verificar a verossimilhança das alegações.

entre as variadas reações extrajudiciais e judiciais que tenho enfrentado a partir das denúncias feitas aqui no nãogostodeplágio, esta é a primeira que solicita a remoção do blog.

isso, a meu ver, extrapola o campo em que devo me defender contra acusações de pretensa denunciação caluniosa e adquire envergadura mais ampla. estamos aqui numa seara muito mais delicada e fundamental, a saber, a simples e básica necessidade de constante defesa do estado de direito, contra tentativas de amordaçamento e atropelo das garantias democráticas da sociedade.