Arquivos de junho/2009

A tecnologia tem outro tom

segunda-feira, 29 de junho de 2009, às 6:52

Depoimento de Higino Tuyuka – Enviado por Fernando Mathias em 25/04/2009
Encaminhado à lista Metareciclagem pelo M’Braz

Durante o Encontro, Higino Tuyuka em um belo depoimento fez a crítica ao uso da tecnologia pelos povos indigenas na estratégia de revitalização cultural. Enquanto transcrevia os relatos, resolvi puxar esse trechinho para colocar em destaque:

Higino Tuyuka: “a tecnologia tem um lado negativo, que não fortalece o costume de transmissão das práticas tradicionais, na nossa vida. O que fazia aprender é a vida dinâmica da prática. Através da tecnologia você pode gravar milhões de CDs, está guardado, pelo menos serve para memória, lembrança morta. Quando você abre, consegue decifrar como era antigamente; só isso, você não retorna a viver. Essa é a mentalidade que temos. A cultura vai ser preservada, mas morta.

Falamos que queremos preservar nossa cultura através da tecnologia. Isso todo mundo quer. Gravar filme para história ser revitalizada. É bom isso, é para preservar, mas é uma lembrança morta, está lá no CD, não tem dinâmica, está guardada no arquivo, só traz tristeza. Vamos transformar essa tecnologia? Vamos viver? Vamos ressuscitar? Ninguém confia em fazer isso, porque a tecnologia tem outro tom! A cultura vai ser guardada morta lá. Nasci dentro da cultura viva, no contexto social. Hoje será que realmente a tecnologia vai revitalizar?

Tudo o que conhecemos de nossos sábios – dar passo, cantar, entoar – vem na dinâmica das práticas culturais. Se um antropólogo descreveu, você vai ler mas não vai reviver isso, não vai ter o som da flauta, ninguém vai estar dançando, a gente só conhece a vida do passado, nunca vamos viver, conviver. Devemos discutir isso, que nos ofereçam uma tecnologia que nos dê vida.

Vamos preservar, tudo bem; muitas vezes acreditamos na tecnologia mas não acreditamos na vida dinâmica da sociedade. Branco não inventou a tecnologia à toa, inventou para viver. Vamos ser eternamente olhados como pesquisados, também vou ser pesquisador indígena pesquisando a própria família, eu conheço mas não vou viver esse conhecimento.

Hoje mudou tudo, não conseguimos direcionar a política de revitalização e fortalecimento. Uma parte a gente fortalece, mantemos nossa língua, mas e o costume, as danças?

Será que conseguimos fazer aqui na cidade? Conseguimos fazer canoa como fazíamos? Aquele indígena que nasceu na aldeia sabe porque saiu de lá sabendo, e quem nasce aqui? Vai olhar na figura e dizer ‘essa canoa meu pai quem fez’.

E tu sabe fazer? Não, é meu pai que sabia.”

A morte de Michael Jackson

sexta-feira, 26 de junho de 2009, às 7:07

E então morreu Michael Jackson.

Apesar de todos os erros que ele cometeu no decorrer de sua vida – e não foram poucos – antes de mais nada ele foi uma vítima de seu próprio sucesso.

Tá, eu sei que parece um chavão. Mas é verdade.

No início dos anos 80, quando ele ainda não tinha literalmente “mudado de cor” fez um enorme sucesso nas rádios e hit parades. Os adolescentes da época – eu inclusive – se divertiram muito nas danceterias sob as batidas de suas músicas mais famosas.

Foram bons tempos dos quais tenho boas lembranças…

Que descanse em paz.

BILLIE JEAN

BEAT IT

THRILLER

Escola é assombrada por fantasma de moça rica da época do Império

terça-feira, 23 de junho de 2009, às 15:00

Lendas, sacis, mulas sem cabeça, corpos secos, cucas e lobisomens sempre encantaram o imaginário dos povos e a região do Vale do Paraíba é muito rica em literatura oral na qual se destaca as lendas e mitos. A história de Maria Augusta, por exemplo, é muito conhecida em Guaratinguetá. Filha de Francisco de Assis Oliveira Borges, Visconde de Guaratinguetá e de sua segunda esposa, Amélia Augusta Cazal, Maria Augusta teve infância privilegiada. Num baile oferecido em 1878, a beleza de Maria Augusta encantou o Conde d’Eu. Na época, o que se levava em conta para um casamento não era o sentimento, mas uma transação simplesmente econômica ou meramente política, e foi justamente isso que fez com que o Visconde de Guaratinguetá unisse sua filha com 14 anos de idade a um ilustre Conselheiro do Império Francisco Antonio Dutra Rodrigues. A vida do casal não era nada fácil, o que fez com que Maria Augusta fugisse para a Europa na companhia de um titular do Império e alto ministro das finanças do reino. No dia 22 de abril de 1891, com 26 anos, ela morreu. O corpo de Maria Augusta foi embalsamado e recoberto por todas as jóias que possuía e enviado de Paris para sua mãe, a Viscondessa de Guaratinguetá. A mãe colocou o corpo da filha no centro do salão de visitas do sobrado, mas um certo dia sonhou que Maria Augusta suplicava angustiada que seu corpo fosse sepultado. Depois da morte da Viscondessa, o sobrado foi transformado em escola, hoje Escola Conselheiro Rodrigues Alves. Em 1914, foi consumido por um incêndio, quando muitas pessoas afirmaram ter visto pelos corredores uma moça vestida com elegante traje de tafetá preto e branco. Dizem que ainda hoje é possível ver a moça atravessando a ponte sobre o Ribeirão dos Motas, subir a ladeira de acesso à escola e desaparecer por seu portão, muitas vezes fechado, ou dele sair, atravessando a rua e entrando no sobrado em frente. Outros afirmam que é também constante a prensença da moça nos banheiros da escola, onde várias vezes torneiras já amanheceram abertas.

Direito autoral de poeta psicografado

terça-feira, 23 de junho de 2009, às 13:00

Uma das listas das quais participo é de genealogia (a excelente Geneal-BR). E lá surgiu uma questão para qual não tive resposta imediata. Tá, na prática posso encher livros e mais livros com questões para as quais não tenho resposta – mediata ou imediata – mas em termos de juridiquês fiquei curioso. A mensagem que surgiu foi mais ou menos a seguinte:

Sapeando pela internet, achei o seguinte site: (…) Nele é possível ver que estão publicando um livro sobre poesias, que está sendo vendido nas Lojas Americanas, inclusive, informando que um dos poemas é de (…) – meu tio-bisavô – e que foi psicografado! Meu sentimento é de que isso está errado. O que vcs acham? Gostaria de uma opinião.

Alguns palpitaram que os direitos autorais caem em domínio público após 70 anos de sua publicação – mas não estamos falando aqui de obras publicadas, mas sim, em tese, de um “original”.

Outros sugeriram a cobrança dos royalties que seriam devidos à família por essa produção post-mortem.

Uma boa parte ainda achou que trata-se meramente do uso indevido do nome do falecido.

Foi destacado que o grande dilema diz respeito a quem na realidade seria o titular dos direitos autorais da obra psicografada. Seria o médium? Os herdeiros do de cujus? O próprio espírito?

O problema aí é que a “existência da pessoa natural” termina com a morte do indivíduo – tá lá no Código Civil. É a “Lei”. Assim, tecnicamente falando, uma pessoa falecida não poderia ser titular de direitos. Dessa forma parece que afastamos a possibilidade de abrir uma caderneta de poupança em nome do espírito.

Já no que diz respeito aos herdeiros, estes o são daquele monte-mór apurado quando do falecimento do indivíduo. Nesse sentido há que se diferenciar entre descobrir algo que não havia sido originalmente colacionado à herança de algo que sequer fazia parte da herança – no caso a obra literária – eis que produzida depois. Até porque os tribunais decidem sobre fatos que lhes são apresentados, não lhes cabendo decidir acerca da existência ou não desses fatos – no caso a atividade intelectual de um falecido. Assim, afastamos também uma eventual guerra jurídica interminável de famílias querendo receber por tudo que o Chico Xavier já tenha escrito.

Portanto, ainda que em nome de “terceiro”, parece-me que o direito autoral efetivamente dito acerca da obra psicografada realmente pertenceria ao médium que a escreveu.

Restaria então um único pontinho a ser esclarecido: o eventual uso indevido do nome, ou, como diria o Código Penal, “atribuir falsamente a alguém, mediante uso de nome, pseudônimo ou sinal por ele adotado para designar seus trabalhos, a autoria de obra literária científica ou artística”.

E aí eu entro numa seara que efetivamente não saberia definir.

Acontece que o psicógrafo realmente acredita ser aquela obra de autoria de um espírito. Em tese não haveria que ser falar de plágio, pois nada foi reproduzido e tampouco adaptado – quando muito talvez tenha ocorrido uma espécie de “pastiche inconsciente”.

Mas isso também seria juridicamente questionável.

Enfim, fica a pergunta no ar…

Jornalismo, diploma e software livre

terça-feira, 23 de junho de 2009, às 11:00

Ainda ontem conversava eu com o copoanheiro Bicarato – caboclo que, apesar de ter o diploma, é jornalista (não meramente está jornalista) – acerca da necessidade ou não de formação profissional para determinadas áreas. Na prática, com toda essa balbúrdia que estão fazendo por aí (aliás, maior sacanagem com os cozinheiros, pô!), o que parece que vai acontecer é que o próprio mercado vai destilar esse canavial de pretensos jornalistas.

O fato é que não é o diploma que faz o profissional.

Tá, eu sei que na maior parte das “profissões” (na minha, inclusive) sem o diploma não dá sequer para trabalhar. Mas o ponto é que o verdadeiro profissional está além de seus anos de faculdade. Uma boa parte do povo encontrado lá nos “templos do saber” visa simplesmente ter paciência suficiente para acabar de pagar pelo diploma para poder sair no mercado – não estão nem um pouco interessados em realmente aprender. Assim como boa parte dos professores também não estão realmente interessados em ensinar. Aliás, posso contar nos dedos de uma mão os professores que tive que efetivamente puderam (ou quiseram) ensinar de verdade, ou seja, além das questiúnculas catedráticas – mas sim partindo para o que seria a verdade lá fora

Qual a conclusão?

Não tem.

Ou melhor, tem sim.

“Quem tem competência se estabelece” - não é o que diz o ditado?

Pois é, concordo.

Aliás, tudo isso era simplesmente para transcrever aqui (talvez um futuro lembrete para mim mesmo, caso um dia seja necessário) uma “oportunidade de trabalho” que saiu há algum tempo para um profissional de software livre lá no ABC Paulista. Achei muito bem estruturada a maneira de descrever o tipo procurado, principalmente no tocante à sua “formação”. Segue, na íntegra:

Empresa especializada em serviços em serviços baseados em softwares e soluções livres, baseada no ABC paulista, em Santo André, oferece oportunidade de trabalho para Analista de Suporte Pleno.

O candidato à vaga deve possuir o seguinte perfil :

- Autodidata. Não necessariamente é exigida formação de nível superior, mas sim que o candidato tenha experiência na resolução de problemas (troubleshooting), na implantação e administração de soluções baseadas em softwares livres e que tenha facilidade de aprendizado de novas tecnologias e tópicos avançados relacionados a tecnologias já conhecidas;

- O candidato deve ter facilidade em pesquisar e filtrar informações sobre novos problemas encontrados no dia-a-dia e, com base em suas
pesquisas, desenvolver e/ou saber eleger e aplicar soluções para os problemas que lhe forem apresentados;

Adicionalmente, o candidato deve possuir os seguintes conhecimentos específicos :

- Redes de computadores e protocolos (LAN, WAN, TCP/IP, roteamento, cabeamento básico, redes wireless);

- Conhecimentos avançados em implantação e administração de sistemas operacionais GNU/Linux, especialmente nas distribuições Debian GNU/Linux e Red Hat Enterprise Linux;

- Experiência na resolução de problemas e em tópicos avançados da administração de sistemas, como desenvolvimento de scripts shell para automatização de tarefas de administração rotineiras;

- Conhecimentos avançados na compreensão, criação e administração de soluções de firewall baseadas em iptables/netfiler e em soluções de proxy baseadas no servidor proxy Squid;

- Conhecimentos avançados na compreensão, criação e administração de soluções de VPN baseadas nas soluções OpenVPN e OpenSWAN;

- Conhecimentos avançados na compreensão, criação e administração de soluções de e-mail, baseadas nos softwares Postfix, Dovecot/Courier-IMAP, amavisd-new, SpamAssassin e ClamAV;

- Bons conhecimentos na implantação e administração de servidores de arquivos Samba, incluindo integração do mesmo a serviços de diretórios LDAP;

- Bons conhecimentos em servidores DNS, DHCP, TFTP, XDMCP, servidores Web (Apache), bancos de dados (MySQL e PostgreSQL) e servidores de
impressão (CUPS);

- Bons conhecimentos em soluções de virtualização baseadas na solução de virtualização Xen e em ambientes de alta disponibilidade envolvendo as
ferramentas heartbeat, mon e DRBD;

Aos interessados, currículos e maiores informações podem ser conseguidas enviando mensagens para rh@…

What?

terça-feira, 23 de junho de 2009, às 4:32

Esse negócio de “mundo globalizado” já tá começando a ficar meio que complicado…

Como se não bastasse a criançada agora, desde a mais tenra idade, já começar a aprender inglês na escola – pô, eu fui ter meus primeiros passos de inglês lá pela quinta série, com o malfadado Book One, bem no estilo “what is this? / this is a pencil / what is that? / that is a book / the book is on the table” e por aí afora.

E, além disso, onde outrora reinava o francês (ainda no tempo de meus irmãos mais velhos), temos também o espanhol, que cada vez mais foi ganhando seu espaço e garantindo sua presença nas salas de aula. O mais próximo que chego dessa língua é o famoso “uno pão com mortaduela e una cueca-cuela”

Ou seja, NADA.

Pois bem, agora a Dona Patroa entendeu que a criançada de casa, a famosíssima Tropinha de Elite, deve ter seu nível elevado a Pequenos Ninjas ou Mini Samurais ou Changeboys ou seja lá o raio que for.

Começou a ensinar japonês para eles.

Tudo bem que eu concordo em gênero, número e grau com essa decisão – afinal é uma herança cultural que eles têm todo o direito de possuir e quanto antes puderem aprender, melhor.

Mas nessa brincadeira quem ficou solitário perante os filhotes foi este velho lobo que vos escreve.

É um tal de onegaishimassu daqui, tadaimá dali, shirimassen numa geral, que, não demora muito, creio que não vou conseguir prosear nem mesmo com o caçulinha de cinco anos, ou seja, vou acabar ficando totalmente como um kitigai nessa história (ha!)…

Definitivamente.

O termo ultrapassado obsoleto acabou de ser elevado a um novo patamar…

Gravando DVDs – Widescreen (formato 16:9)

domingo, 21 de junho de 2009, às 15:18

Confesso que deu trabalho.

Tudo começou com um filme baixado pelos torrents da vida e que estava em formato widescreen. É que o padrãozão que vemos por aí é 4:3, sendo que esse formato widescreen – que é o 16:9 – é o mesmo que encontramos nas grandes telas de cinema – digamos que “encompridado”…

O primeiro dilema: extensão RMVB.

Bastou dar uma fuçada básica na Internet e baixar (sempre trabalhando com os frees da vida) o programa Real Alternative. Executou perfeitamente o arquivo e na telinha do computador tudo ficou às mil maravilhas.

Só que a criançada também queria assistir.

E uma coisa é você assistir um filme sozinho no seu computador, outra – BEM DIFERENTE – é aninhar no seu minúsculo escritório três pequerruchos com seus 5, 7 e 10 anos para tentar assistir alguma coisa.

Inviável.

Nem tentei.

Melhor seria optar pelo Plano B

- Pódexá. O Papai* vai dar um jeito de passar isso para um DVD, ok? Daí assistiremos todos lá na sala!

Besta que eu sou.

Por que é que eu vivo prometendo essas coisas?

Enfim, aproveitando a calmaria do final de semana lá fui eu passar o filme para um DVD. Uso normalmente um programa simprão de tudo, o PowerProducer Gold, que veio com o leitor de CD/DVD, tem umas funçõezinhas básicas e grava DVDs sem maiores dores de cabeça.

Começou mal.

O programa sequer “enxergava” o arquivo com o filme.

- Ah, é lógico! Tem que estar num formato que ele “entenda”.

E lá vai o Dom Quixote que vos escreve fuçar novamente atrás de um conversor. Tenho certeza absoluta que já existe algum programa desse tipo perdido nas catacumbas do meu computador, mas, do jeito que está (des)organizado,  seria mais fácil achar algo na Internet que no meu próprio disco rígido. Assim resolvi ficar com o RMVB Converter, que não só converte arquivos RMVB para outros formatos, como também de outros formatos para outros formatos. Sei que parece confuso, mas até que é simples. Pra mim, pelo menos, é.

Beleza. Converti o arquivo para MPEG2 e voltei lá para o PowerProducer para gravar o DVD. Gravei. Sem menus, que é para não complicar. Fui checar. Deu merda.

O programa “esticou” a imagem. Transformou o filme em 4:3. E isso, dentre outras coisas, ainda implica na perda de qualidade do vídeo.

E como esse programa é, como eu já disse, simprão de tudo, não consegui encontrar nenhuma opção para alterar esse formato (ou ratio se preferirem). Então o negócio seria arranjar um programa que fizesse a coisa certa.

Fóruns de cá, fóruns de lá, Google, Yahoo, Baixaki, AltaVista, orações, promessas, ameaças, incenso, búzios, despachos, pactos de sangue… Só sei que deu trabalho para achar algo que fosse free e que efetivamente funcionasse. Testei pelo menos uns dez programas. Perdi uma meia dúzia de DVDs. Mas – ufa! – teve um que resolveu.

Trata-se do Express Burn.

Copia discos, grava CDs de áudio, de dados, DVDs, Blu-Ray, HD-DVD e sei lá que outros perrengues mais. Mas, além de tudo isso – e o que mais interessava – é que ele tem um botãozinho ali do lado, simplezinho de tudo: Aspect Ratio.

Indiquei a origem do filme (arquivo do computador), escolhi o formato widescreen e mandei gravar.

Demorado.

Levou pelo menos 2/3 do tempo de execução do filme para concluir a gravação.

Mas, pelo menos, parece que ficou bom.

Agora, se me dão licença, vou me reunir com o resto da criançada, lá na sala, com uma boa bacia de pipocas e curtir esse friozinho de domingo à tarde assistindo um bom (espero) filme…

* Perguntinha digna de Júlio César: por que com os filhos referimo-nos a nós mesmos sempre na terceira pessoa?

Emenda à Inicial: é, com todas as limitações que podem advir de um arquivo de filme que foi compactado ao extremo, ainda assim o resultado final até que foi razoável (sim, sou BASTANTE crítico quanto à qualidade). Na prática isso até me animou para buscar uma ou outra coisinha aí pela Internet… Já ouviram falar do filme Cannonball – aquela corrida maluca com o Burt Reinolds, Roger Moore, Dean Martin, Sammy Davis Jr, Jackie Chan e o impagável Captain Chaos? Tem também o Il buono, Il brutto, Il cattivo – mais conhecido por aqui como Três homens em conflito, ou melhor, O bom, o mau e o feio… Também bastante divertido Smokey and The Bandit, ou então Agarra-me se puderes (tudo a ver, não?) – só de ver aquele Trans Am queimando o chão já tá pago!…

CQC em São Sebastião

sexta-feira, 19 de junho de 2009, às 7:31

Só posso dizer que é MUITO esquisito quando coisas assim acontecem em lugares que a gente conhece…

Esses vídeos são do CQC (ainda não consegui me posicionar sobre esse programa) em uma “reportagem” em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, onde antes existia uma praia.

Parte 1:



Parte 2:



Na terça, uma foto

quinta-feira, 18 de junho de 2009, às 5:50

Tá.

Eu sei.

“Mas é quinta…”

Tô meio corrido, tá bom?

Mesmo assim, vamos lá. Nessa foto de São José dos Campos – dá pra ver a Igreja Matriz lá no fundo – apesar de estar escrito “Béla Vista” (esqueçam, por favor, as atuais regras ortográficas), a coisa talvez seja um pouquinho diferente. É que hoje o chamado bairro Bela Vista, na realidade, fica à esquerda de quem passa pelo “Viaduto de Santana”, sobre a estrada de ferro, que liga o bairro ao Centro.

Já deu pra perceber que o viaduto ainda não existia quando a foto foi batida…

Apesar de na época ter o nome de Rua Paraíba, trata-se da hoje conhecida Av. Rui Barbosa (aquele morro lá na frente é o ponto onde ela chega na Rodoviária Velha) e a foto deve ter sido tirada perto de onde atualmente está o carrinho de lanches Pascoaleto’s, de meu amigo Edilson (roaylties, please).

Ali à direita, uns cinquenta metros adiante de onde está aquela casinha com um arco na entrada, hoje fica o CooperRhodia Coop, lá de Santana (e eu aqui, sem cobrar nada dessa propaganda gratuita para meus milhares de leitores).

Aliás, essa mesma casinha ainda existia até pouco tempo atrás e foi uma das residências da Dona Victória, uma senhora já idosa quando da minha adolescência, mas com um bom humor insuportável. Ela fazia salgadinhos para vários bares da região e um de meus primeiros empregos foi justamente entregar, de bicicleta e ainda de madrugada, esses salgadinhos – os quais muitas vezes eu mesmo ajudava a fazer…

Tecnologia Social

terça-feira, 16 de junho de 2009, às 6:03

Só para lembrar que estão abertas as inscrições para a 5º edição do  Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. Mais informações sobre regulamento, etc, podem ser obtidas bem aqui.

Tecnologia Social compreende produtos, técnicas ou metodologias reaplicáveis, desenvolvidas na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social.

É um conceito que remete para uma proposta inovadora de desenvolvimento, considerando a participação coletiva no processo de organização, desenvolvimento e implementação. Está baseado na disseminação de soluções para problemas voltados a demandas de alimentação, educação, energia, habitação, renda, recursos hídricos, saúde, meio ambiente, dentre outras.

As tecnologias sociais podem aliar saber popular, organização social e conhecimento técnico-científico. Importa essencialmente que sejam efetivas e reaplicáveis, propiciando desenvolvimento social em escala.

São exemplos de tecnologia social: o clássico soro caseiro ( mistura de água, açúcar e sal que combate a desidratação e reduz a mortalidade infantil); as cisternas de placas pré-moldadas que atenuam os problemas de acesso a água de boa qualidade à população do semi-árido, entre outros.

Sobre a USP

segunda-feira, 15 de junho de 2009, às 13:17

Direto lá do Trezentos:

De quem é o Lobo que atacou a USP?

do Trezentos de Henrique Antoun

A guerra de informação (infowar) deflagrada pela Secretaria de Educação de São Paulo está tropeçando na guerra em rede (netwar) dos movimentos sociais. A gritaria dos 4 irmãos – mesquitinha, friazinho, civitinha e marinho – destinadas a nos convencer que “essa gente do PSOL autoritária e violenta provocou a pancadaria na USP” esbarrou na inteligência coletiva da blogosfera. A internet aditivada com a Web 2.0 esta virando de cabeça para baixo as versões oficiais dos fatos.

Enquanto a máfia do noticiário se esgoela para assentar a versão oficial, o material que eles produziram é revirado pelas vozes independentes do ativismo interneteiro que revelam toda a armação por trás do barulho. Desde o dia 9 eles venderam o peixe da “minoria-intolerante-e-violenta-que-confrontou-a-polícia.” Mas a blogosfera não arrefeceu e flagrou a fala do comandante Lobo esquecida no vídeo da Globo dizendo ter “uma ordem pra prender alguns líderes” por estarem “incitando esta greve.” Epa! Ah, ié? Como nos lembra o Túlio “a ordem de reintegração de posse tem natureza civil e, portanto, jamais ordenaria a prisão de quem quer que seja.” Tulio prossegue: “a juíza cível, aliás, é incompetente para ordenar prisões, salvo no caso de pensão alimentícia.” Cabe portanto perguntar como o Arles: de quem é essa ordem? E eu acrescentaria: quem comanda esse Lobo e seu bando truculento?

Se eles tinham ordem de prender grevistas por exercerem seus direitos de greve, de fato eles tinham sido ordenados a provocar o conflito para poder seqüestrar a liderança da greve. O que, aliás, se coaduna com o farto material produzido pelos quatro irmãos quando examinados com objetividade. Em nenhum momento se vê estudante atirando pedra ou policiais cercados de estudantes e ameaçados de seqüestro – como o Lobo repetiu o tempo todo como uma vitrola enguiçada. A tropa já chegou jogando bombas e atirando nos manifestantes como esse vídeo mostra claramente.

Por essas e outras os brucutus do tucanato se escondem por trás do Azeredo e seu AI 5 digital. A tucanaria quer o monopólio do barulho. Quer liberdade para comprar a peso de ouro os serviços dos 4 irmãos e calar o chilrear da passarada que canta livremente na blogosfera.

Pequeno manual de sobrevivência (masculina)

sexta-feira, 12 de junho de 2009, às 8:59

Tenho certeza que já comentei algo do tipo aqui antes. Mas SEMPRE é bom renovar e reaprender como tentar agir corretamente – independentemente de estarmos fadados ao fracasso no final. A lição veio da amiga virtual Cláudia

As dez palavras mais usadas pelas mulheres e seu real significado

1) BEM: esta é a palavra que as mulheres usam para terminarem uma discussão quanto têm razão e você deve ficar quieto.

2) 5 MINUTOS: se a mulher estiver se vestindo, significa meia-hora. 5 minutos só são 5 minutos quando ela te dá 5 minutos para guardar o playstation, ou parar de ver o jogo de futebol, antes de sair ou de fazer qualquer outra coisa no lugar.

3) NADA: É a calmaria antes da tempestade. Ela quer dizer alguma coisa… e você deve estar alerta! Discussões que começam com NADA normalmente terminam em BEM (ver item 1).

4) PODE FAZER: é um desafio, não uma permissão. Não faça…

5) SUSPIRO ALTO: é como se fosse uma palavra, mas é uma afirmação não-verbal que sempre confunde os homens. Um suspiro significa que ela pensa que você é um idiota e se perguntar o motivo, estará perdendo seu tempo, porque ela responderá NADA (volte ao item 3 para o significado desta palavra)

6) OK: esta é uma das palavras mais perigosas que uma mulher diz a um homem. Significa que ela precisa pensar longamente como e como te fará pagar pelo que você fizer.

7) OBRIGADA: uma mulher te agradece. Não faça perguntas, ela quer somente te agradecer (a menos que diga mil vezes obrigada, que é puro sarcasmo e ela não está te agradecendo).

‘8) COMO QUEIRA: é o modo da mulher dizer vá praquele lugar!

9) NÃO SE PREOCUPE, EU MESMA FAÇO: uma outra afirmação perigosa. Significa que a mulher pediu um homem para fazer alguma coisa diversas vezes, mas agora ela mesma está fazendo. Isso levará o homem a perguntar: é pra fazer o quê? A resposta da mulher o fará voltar ao item 3.

10) QUEM É?: esta é só uma simples pergunta. Lembre-se apenas de que, cada vez que uma mulher te pergunta quem, o que ela quer saber na verdade é quem é aquela vaca e o que ela quer contigo? Cuidado com a sua resposta…

Cordel da Pirataria

terça-feira, 9 de junho de 2009, às 12:34

Boa sacada lá do Bardo (com arte de Karlisson Bezerra).

Naquele tempo antigo
Dos grandes descobrimentos
Navios cruzavam mares
Levando dor e tormento
Às terras por toda a vida
Fossem novas ou antigas
Sem respeito e violentos

Iam à costa africana
Com suborno ou então bravos
Deixavam terra levando
Dezenas de homens, escravos
Outros levavam empregados
E muitos deles, coitados,
Eram mortos por centavos

Esses homens nesses barcos
Dominavam o mar selvagem
Subjugando outros povos
Mas tinham uma boa imagem
Pois nos livros de História
Ainda hoje levam glória
Por cada dessas viagens

Nesse mar, sem ter direito
A ter u’a vida de gente
Muitos se reagruparam
Num caminho diferente
Nessa realidade ingrata
Criaram as naus piratas
E enfrentaram o mar de frente

Piratas, os homens livres
Diferiam dos demais
Dentro da embarcação
Tinham direitos iguais
Cultivavam parceria
Contra toda a tirania
Confrontando as naus reais

Atacavam naus tiranas
Roubando o que foi roubado
Matavam os ocupantes
Escravos, são libertados
Onde gastar o obtido?
Tudo o que era conseguido
Mundo afora era trocado

Esses eram os piratas
Daquela época esquecida
Que se ergueram contra reis
Nessa tortuosa vida
De “crimes”, mas foi assim
Pois em alto mar, no fim,
Não tinham outra saída

Mas vamos falar agora
De algo dos dias atuais
Que é estranho e nasceu
Já nem tanto tempo faz
Hoje o tema da poesia
Chamam de pirataria
E os direitos autorais

Para contar essa história
De leis, direito e valor
Temos que entender primeiro
Como a gente aqui chegou
Por isso, como esperado
Vamos voltar ao passado
Onde tudo começou

No ano de 62
Do século XVII
O país, a Inglaterra
E a censura, um canivete
Cortava a produção
De tudo que era impressão
Pois besta em tudo se mete

E os livreiros desse tempo
Cada editora antiga
Precisava de um aval
Para que imprimir consiga
O aval do Rei, do Estado
Que se não for do agrado
Deles, a impressão não siga

Um monopólio formado
Pra controlar a leitura
Terminou dando poderes
Além do que se procura
Dessa forma os livreiros
Cresceram muito ligeiro
Nessa forma de censura

Já no século XVIII
Bem lá no ano de 10
Naquela mesma Inglaterra
Uma nova lei se fez
Hoje ninguém lembra mais
De direitos autorais
Foi ela a primeira lei

Right em inglês é direito
E copy é copiar
O Estatuto de Anne
Só disso ia tratar
Direito direcionado
Aos livreiros, que afetados
Tinham que se acostumar

Pois copyright falava
De cópia em larga escala
E o direito é o monopólio
Sobre cada obra criada
E esse direito, notamos
Durava quatorze anos
E o monopólio acabava

Note que essa nova lei
Não veio favorecer
Os livreiros da Inglaterra
E o monopólio a nascer
Não era bem algo novo
E era o bem ao povo
Que essa lei veio fazer

Nasceu o Domínio Público
Nesta distante Idade
Os livreiros exploravam
Seus direitos à vontade
Mas terminado o prazo
Toda obra era, no caso
Doada à Humanidade

Os livreiros reclamaram
Pedindo ampliação
Para aquele monopólio
Mas não teve apelação
Pois se fosse concedida
Mais outra seria pedida
E o prazo seria em vão

Isso lá naquele tempo
Eles podiam prever
Que se o prazo aumentasse
De novo iam querer
Sempre após mais alguns anos
E o prazo se acumulando
No fim “pra sempre” ia ser

Mas o mais interessante
Pros livreiros e editores
É que o que eles previam
Houve com novos atores
E hoje o direito autoral
Vale tanto, que é anormal
Pra agradar exploradores

Por que, vê se faz sentido
A desculpa que eles dão
Pra monopólio de livros
É incentivo à criação
Se é assim, por que, ora pois
Ele dura anos depois
Da morte do cidadão?

Que eu saiba depois de morto
Eu garanto a você
Por grande artista que seja
Ele não vai escrever
Só se for, caso aconteça
Com um médium, mas esqueça
Não é o que a Lei quis dizer

O direito agora vale
Por toda a vida do autor
Depois mais setenta anos
Depois que a morte chegou
Pra incentivar o defunto
Mesmo estando de pé junto
Continuar a compor

Por que funciona assim
Não é difícil notar
“Incentivo” é só desculpa
Para o povo aceitar
Quem lucra são editores
Sendo atravessadores
É a Lei da Grana a mandar

As empresas mais gigantes
Que corrompem os governos
Que publicam propagandas
De produtos tão maneiros
Com um gigantesco ganho
Artistas são seu rebanho
E a Lei garante o dinheiro

Toda essa exploração
Funciona desse jeito
O pobre artista cria
O seu trabalho perfeito
Um trabalho bom e novo
Ele faz é para o povo
Poder ver o que foi feito

Para o povo ter acesso
Ao que ele produziu
Não é algo assim tão fácil
Atingir todo o Brasil
Pra isso que produtores,
Gravadoras, editores
Tudo isso se construiu

Porém esse monopólio
Garantido ao autor
É o preço que eles cobram
Pra fazer esse “favor”
Se a editora tem confiança
Facilmente a obra alcança
Além do que se sonhou

O autor perde o direito
Sobre a sua criação
Quem vende é atravessador
E lhe paga comissão
Alguns centavos pingados
E o maior lucro somado
É da empresa em questão

Vejam só que curioso
São “direitos autorais”
Mas pra chegar no mercado
Alguns contratos se faz
E os direitos de repente
A que tanto se defende
Do autor não serão mais

Como se vendesse a alma
Para uma empresa privada
Nem ele pode copiar
A obra por ele criada
Mesmo quando ele morrer
A empresa é que vai dizer
Como a obra é usada

Autores bem talentosos
Que se encontram no caixão
Sem obras suas à venda
Com fãs, uma legião
Mesmo a pedidos dos fãs
Toda essa força é vã
Pra ter republicação

Pois o direito estará
Numa empresa transferido
Que é quem dirá se é viável
Atender a esse pedido
E se ela não publicar
Nenhuma outra poderá
Pois o direito é exclusivo

Esse jogo de direitos
Ilude a maioria
Dos artistas existentes
Como uma loteria
Onde muita gente investe
Mas pra poucos acontece
Algum sucesso algum dia

E os artistas que investiram
Enriquecendo a empresa
Olham para os de sucesso
Não percebem serem presas
Sonhando chegarem lá
Seguem a financiar
Essa indústria com firmeza

Quem tem direito exclusivo
Cobra o quanto quiser
Esse é o mal do monopólio
Mas sempre é assim que é
Quando surge alternativa
A essa prática nociva
Reclamam, não saem do pé

Copiar é ilegal?
É, mas a Lei que hoje vale
Foi feita por essa gente
Que corromper tudo sabe
Alterando o Direito
Para funcionar do jeito
Que melhor a elas agrade

Desde os tempos mais antigos
Alguém canta uma cantiga
Outro aumenta um pouquinho
E ela cresce e toma vida
Na cultura popular
Logo ela se tornará
Bem melhor do que a antiga

Com cultura é desse jeito
Que se faz evolução
Sempre se inspira nos outros
Na imagem, prosa ou canção
Do Teatro à Literatura
Cultura gera cultura
Não queira fingir que não

Hoje com toda mudança
Que fizeram, quem diria?
Compartilhar e expandir
Chamam de Pirataria
E o direito à cultura?
Criou-se uma ditadura
Como há muito se temia

O que querem impedindo
O poder da interação
É tornar todos iguais
Seja massa a multidão
É uma questão de Poder
Pra mais lucro acontecer
Todos com o mesmo feijão

Deixo então esta pergunta
Que ainda não tem solução
Num país de tradições
Que futuro elas terão?
O que será da cultura
Vivendo na ditadura
Dos livreiros, da opressão?

Piratas no fim das contas
Apoiavam igualidade
Hoje chamam de pirata
Quem age contra a maldade
E compartilha o que tem
Dando cultura por bem
Quem tem solidariedade

Cárlisson Galdino