Arquivos de março/2009

Na terça, uma foto

terça-feira, 31 de março de 2009, às 7:05

Copiando descaradamente o costume do Pedro Dória (e já que não tenho conseguido atualizar direito os super-heróis de sábado), vamos combinar o seguinte: toda terça vou colocar uma foto antiga por aqui, relacionada às cidades da região ou à minha própria família.

Como “primeirinha” temos a Capela de Santa Cruz. Tá, e o que é que tem demais? Essa foto era de quando a capela estava começando a ser desmontada (dá pra ver que parte do telhado já tinha sido retirado), sei lá há quantos anos atrás. Talvez há uns cinquenta anos, pois ali ao fundo, do lado direito, hoje existe a casa de meu pai, a qual foi construída entre 1960 e 62. Tudo que restou dessa capelinha foi o nome da praça: Praça de Santa Cruz. Fica no bairro de Santana (de onde sou nascido e criado), em São José dos Campos, SP – subindo pela Av. Rui Barbosa, bem no ponto onde se vira à direita para chegar até o SENAI. O curioso é que havia um senhor que tomava conta dessa capela e, todos os dias, tocava o sino em determinados horários. Quando a construção veio abaixo, levou esse sino para casa, próxima dali, pendurou-o na varanda e continuo a tocá-lo nos mesmos horários de sempre. A capela já não mais existia, mas continuava dando sinal de sua presença através dos badalos diários de seu sino…

PS.: Meus agradecimentos à senhora Joana Rosa Savastano, viúva do “sineiro”, moradora do bairro de Santana e amiga da minha mãe, que permitiu que essa foto fosse escaneada.

“I had a dream”

sexta-feira, 27 de março de 2009, às 6:26

Foi um sonho até meio maluco – daqueles que misturam montes e montes de coisas e situações totalmente insólitas.

Lembro-me que estava numa oficina mecânica, onde, além de motores consertava-se também bicicletas e estofados. De lá, talvez já na sala ao lado, fui para uma reunião com o presidente da OAB local, mas tive que sair correndo para salvar de uma enchente uma das crianças gêmeas guerreiras, que tinham cavalos alados, as quais estavam tentando insistentemente me matar. Ambas resolveram deixar isso de lado depois que, após tirá-la da morte certa em uma verdadeira cachoeira com apenas uma toalha (algo bem a la Indiana Jones), dei-lhe um pouco de café quente e uma toalha, já de volta naquela oficina do começo.

Como minhas mãos e unhas estavam totalmente pretas de graxa peguei um pouco de pasta arenosa para limpá-las e foi quando chegou O Feio um de meus melhores amigos, acompanhado de sua namorada do momento, uma baixinha de cabelo curto. Dali já fomos (surgimos?) em um show de rock, onde estava rolando um AC-DC (com os próprios), mas, quando percebi, de um ponto de vista totalmente surreal eu era o vocalista, mas, no instante seguinte, o foco e o ângulo de visão mudaram totalmente e já estávamos numa mesa a um canto do palco, bebericando algo, enquanto rolava a música pauleira e Angus Young derretia a guitarra num solo pra lá de memorável.

Daí em diante as coisas ficaram um pouco confusas – se é que já não estavam – e acabei acordando.

Mas o “ponto alto” do sonho foi a namoradinha do amigo meu (não, não trabalhamos com Roberto Carlos), pois ele estava extremamente feliz com ela. Em paz. Aliás, não tinha como não ficar assim perto de alguém como ela. Sabem daquelas pessoas que possuem um bom humor insuportável? Pois é. Essa era ela.

Mal me lembro de seu rosto (aquele rotineiro “efeito névoa” pós-sonho), mas tenho certeza de que era linda. Ou melhor, lindinha. Em termos de comportamento lembrava bastante uma gracinha de menina que esse mesmo amigo já namorou há um bom tempo atrás.

Era uma daquelas pessoas de um tipo especial, pelas quais é fácil, muito fácil, se apaixonar. Mas não estou falando de nada carnal – esqueçam o sexo nesse assunto -, estou falando de uma garota bem resolvida, de bem com a vida, cujas preocupações meramente resvalam em sua pessoa. De risada fácil e extremamente sincera. Com um ar de real curiosidade sobre absolutamente tudo aquilo que você fala ou faz. Com uma simplicidade e uma alegria de viver tão grande que é quase impossível de descrever. Enfim, alguém que não estaria verdadeiramente de corpo presente nesta grande bola de lama à qual chamamos Terra.

Já sinto saudades dela.

Na prática, sinto saudades de todas as pessoas que já conheci (e as que ainda não) e que também são assim.

Tem muita gente assim no mundo – não são necessariamente difíceis de encontrar. Depende de onde você está. De onde você vive. Estuda. Ou trabalha.

E esse é o ponto.

Apesar de eu ter a felicidade de trabalhar com pessoas maravilhosas (e não, isso não é uma rasgação de seda – é fato), sendo um órgão público, tem muita gente, mas MUITA GENTE MESMO, que destila fel em vez de mel. Pessoas cujo caráter é totalmente o avesso dessa menina que acabei de descrever. Por poucas que sejam, têm amargura suficiente para puxar todos a sua volta abaixo da linha d’água, nos envolvendo no redemoinho de conflitos que suas vidas se tornaram – por opção própria. Não conseguem ver beleza, alegria ou sequer esperança ao seu redor. Apenas um dia após o outro. E outro. E outro. E assim por diante.

E, por mais que não se queira, por mais que se combata, isso acaba nos contaminando. Bem devagarinho. E, em lenta intoxicação, quando menos se percebe, já começamos a ver o mundo com os olhos de pessoas como essas.

Ou seja, num ambiente como esse que descrevi é extremamente difícil encontrar Gracinhas como a de meu sonho. Não é um ambiente nada propício para sua existência ou seu florescimento. Talvez até existam, mas certamente não fazem parte de meu dia-a-dia.

Isso me fez recordar de uma tia de minha ex-esposa. Certo dia fomos à sua casa, de moto, numa pequenina cidade vizinha, e lembro-me que a sensação foi como a de conhecer um furacão encarnado numa pessoa. Sentados à uma grande mesa no quintal – onde ela fazia salgados “pra fora” – comentamos de uma bebida que havíamos tomado num bar no dia anterior – abacaxi com champanhe. Foram apenas alguns minutos até ela arranjar um abacaxi e uma garrafa de champanhe e fazer a mesma bebida só para experimentar. Ela era uma pessoa um pouco como a Gracinha, algumas fagulhas nesse sentido centelhavam dentro dela. Para se ter uma idéia, apesar da idade não deixava de frequentar um bailão toda semana. Quantos anos tinha? Cinquenta? Talvez sessenta? É difícil avaliar a idade de alguém quando se é bastante jovem – mas vai ficando mais fácil na medida em que chegamos quase lá…

Mas, enfim, talvez tudo isso seja apenas um pouco de minha boa e velha rabugice que resolveu aflorar. Ou talvez um sinal de incômodo por estar acomodado – pois sempre dei guinadas em minha vida, em média, a cada quatro anos, e onde estou já tem uns oito. Não que eu não goste do que faço – amo meu trabalho! – mas num devaneio escrito como este muitas vezes constatamos o óbvio.

Falta renovação.

Sangue novo.

Gente nova.

E, a exemplo da tia que um dia tive, gente nova não significa necessariamente gente jovem, mas sim gente com alegria sincera pela vida.

Creio que talvez já seja hora de, ainda que continue fazendo tudo igual, começar a fazer tudo diferente…

E torcer para encontrar com alguma Gracinha no meio do caminho!

Alien versus Predador

terça-feira, 24 de março de 2009, às 18:16

Metareciclagem – chegando no bando

quinta-feira, 19 de março de 2009, às 14:09

Já faz algum tempo que participo do fórum de discussão lá da Metareciclagem (graças à intervenção do amigo e copoanheiro Bicarato) e tenho ficado quietinho no meu canto, lendo muito e me situando mais ainda. Entretanto, hoje (ontem?) foi postada uma mensagem muito bacana, que revela a fundo o que verdadeiramente entendo ser o “movimento” da Metareciclagem:

Olá a todos,

Meu nome é Carmem e fui apresentada a metareciclagem pelo Régis do Bailux, a principio não me conectei muito bem com as informações pois não estava inserida no contexto do que realmente tava rolando pois muitos papos giravam em torno de uma linguagem técnica a qual não tenho acesso ainda, mas agora com um pouco mais de tempo consegui fazer algumas pesquisas, assistir alguns videos, então tomei meio pé das coisas.

Me emocionou a atitude a coragem e determinação de todos vocês, sem aqueles discursos ultrapassados populistas de inclusão através de partidos, seitas e o caralho a quatro, mas uma inclusão consciente de cidadão para cidadão, de ser humano para ser humano, existem tantas possibilidades, tantas fronteiras a serem desvendadas acessadas que é dificil definir onde estamos, e aonde queremos chegar, como dizemos no budismo, o importante é o aqui e o agora porque o tempo não existe, o espaço não existe, consequentemente não existem fronteiras quando decidimos seguir em frente, mas sempre tendo consciencia de que sozinhos não vamos a lugar algum, juntos podemos tudo, até mesmo salvar nosso planeta, com pequenas ações que se replicam infinitamente, conseguimos criar um ambiente propicio para o crescimento de todos sem exceção.

Parabéns ao bando (como diz meu querido amigo Régis), espero poder ser uma replicadora também, dentro de minhas possibilidades, em algum momento, com alguma ação por menor que seja.

Carmem Caudana
Artematéria

Processos provocam rachadura em Fórum

terça-feira, 17 de março de 2009, às 14:13

Depois de ler essa notícia lá no Clipping da AASP mais do que nunca tenho certeza da NECESSIDADE de, quanto antes, implantação do chamado processo digital…

A quantidade excessiva de processos no prédio do Fórum de Execuções Fiscais Estaduais, no centro de São Paulo, provocou fissuras na parede de todos os andares do edifício, que tem apenas 12 anos. O fórum, que antes ficava na Rua Vergueiro, na zona sul, foi transferido para o bairro da Liberdade há pouco mais de um ano. O número de processos, de acordo com a juíza auxiliar Ana Maria Brugin, que responde pela vara de execuções paulista e pela diretoria do prédio, é superior a 2 milhões.

Segundo o engenheiro do Tribunal de Justiça, Cláudio Roberto Vaguetti Ferrari, o volume de papel fez a parede se distanciar do pilar de sustentação. Em um cálculo aproximado, cada processo pesa, no mínimo, 50 gramas, o que renderia um peso mínimo de 100 toneladas de papel em uma laje totalmente despreparada para esse volume. “A quantidade de processos empilhados no centro do prédio faz a laje começar a ceder, o que causa a movimentação da parede e provoca a rachadura”, explica Ferrari. A fissura começou no 11º andar e já atingiu a parede do 2ª pavimento.

“A rachadura tem crescido cerca de 1 milímetro por dia. É assustador, pois muitas pessoas passam pelo fórum diariamente”, declara o advogado Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, que acompanha o problema.

Filmes no Nordeste

sexta-feira, 13 de março de 2009, às 14:51

Boa indicação do amigo Eduardo…

Para conseguir a aceitação do público nordestino, os cinemas da região decidiram mudar os nomes dos filmes, adequando-os à realidade local. Veja abaixo os novos títulos:

De: Uma Linda Mulher
Para: Uma Quenga Aprumada

De: O Poderoso Chefão
Para: O Coroné Arretado

De: O Exorcista
Para: Arreda, Capeta!

De: Os Sete Samurais
Para: Os Jagunço di Zóio Rasgado

De: Godzila
Para: Calangão

De: Perfume de Mulher
Para: Cherim de Cabocla

De: Tora, Tora, Tora!
Para: Ôxente, Ôxente, Ôxente!

De: Mamãe Faz Cem Anos
Para: Mãinha Num Morre Mais

De: Guerra nas Estrelas
Para: Arranca-Rabo no Céu

De: Um Peixe Chamado Wanda
Para: Um Lambari Cum Nome di Muié

De: A Noviça Rebelde
Para: A Beata Increnquêra

De: O Corcunda de Notre Dame
Para: O Monstrim da Igreja Grandi

De: O Fim dos Dias
Para: Nóis Tâmo é Lascado

De: Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita
Para: Um Cabra Pai D’égua di Quem Ninguém Discunfia

De: Os Filhos do Silêncio
Para: Os Mininu du Mudim

De: A Pantera Cor-de-Rosa
Para: A Onça Viada

Dúvida cruel

sexta-feira, 13 de março de 2009, às 13:35

Sim, eu sei que o pó está acumulando pelos cantos aqui do blog e o pergaminho aí do fundo está até amarelando. Mas tô trabalhando paca, fazer o quê?…

Mas para que não passemos mais de uma semana totalmente em branco, convém contar um pequeno causo desta semana.

É que meu caçula, o Jean, com quase cinco anos, agora também passou a ter “tarefinhas” da escola. Na realidade algumas atividades lúdicas somente para contextualizar o caboclinho que também existem deveres na vida. Coisas como pintar uma casa, desenhar um gato, fazer as letrinhas do nome, etc.

Devidamente de banho tomado, a Dona Patroa disse-lhe:

- Muito bem. Agora vai lá pra sala com o seu irmão e faça sua tarefinha, tá bom?

- Tá.

Detalhe: quem já estava na sala era o segundo-dos-três, Erik, de sete anos, também cuidando de seus deveres.

E eis que, de longe, foi possível ouvir o seguinte diálogo:

- Oi, Jean. Arruma suas coisinhas aí, tá?

- Tá bom.

- Ah, e se você tiver alguma dúvida me avisa que eu ajudo, tá bom?

- Tá bom. Brigádu.

(Pequena pausa…)

- Erik?

- Oi, Jean?

- Quiquié “dúvida”?…

Projeto três-por-quatro

sexta-feira, 6 de março de 2009, às 6:28

Numa daquelas aventuras etílicas de elucubrações mentais (talvez até mais digna de figurar lá no Copoanheiros que aqui), eis que eu e o nobre cervejonauta Bicarato, num arroubo de valentia face à extremamente cansativa semana que se encerra, resolvemos tecer nossas teorias acerca da injusta divisão semanal de trabalho-descanso.

Explico.

A semana tradicional, a qual classificamos de cinco-por-dois (cinco dias de trabalho por dois de descanso) necessitaria de uma imediata reformulação. A primeira proposta – prontamente deixada de lado – seria de uma relação dois-por-cinco, mas aí até nós dois mesmos já concluímos que seria vagabundagem demais…

Então resolvemos fechar que o mais coerente a se adotar seria a relação três-por-quatro (retratistas do Brasil, segurem-se pois isso NÃO é com vocês!). Ou seja, três dias de trabalho por quatro de descanso.

A regulamentação disso deverá se dar por Decreto Presidencial, pois, primeiramente, somente o Poder Executivo é quem teria a rapidez necessária de baixar unilateralmente uma norma nesses moldes; segundamente, apresentar uma lei dessas à Câmara poderia gerar meses (anos?) de discussão até que nossas centenas de deputados NÃO chegassem a um acordo definitivo; e, terceiramente, não seria justo submeter ao Poder Legislativo um projeto dessa estirpe. Concorrência desleal, sabe? Afinal de contas eles JÁ praticam essa relação três-por-quatro em seu dia-a-dia…

Mas voltemos ao que interessa.

Algumas peculiaridades seriam necessárias para essa formatação. A melhor maneira de implementar o Projeto três-por-quatro seria extirpando diretamente determinados dias da semana – mas creio que discordamos em alguns pontos nesse quesito, talvez por entendermos que dias diferentes deveriam ser suprimidos. Ou será que foi porque acabei com o amendoim enquanto ele tomou o último gole de cerveja?… Não me lembro bem, mas tenho certeza de que em alguma coisa discordamos!

Enfim, segundo o MEU entendimento, os dias Terça, Quinta e Sábado deveriam desaparecer. Coisa mais inócua e dias mais sem graça esses! Assim a semana teria somente a Segunda, Quarta e Sexta. E, é lógico, até pegar no tranco ninguém começa mesmo a trabalhar antes do meio-dia da Segunda. Já na Quarta dá pra se trabalhar direitinho, que nem gente grande. Porém, na Sexta, dando meio-dia já diminui o ritmo do trabalho enquanto começa o agito porque o final de semana está chegando!

Enquanto isso o Domingo seria multiplicado por quatro. Não chegamos exatamente a concluir como isso se daria, pois entramos numa ferrenha discussão sobre qual seria a origem da palavra “Domingo” para que pudéssemos dar uma destinação semântica coerente a todos os dias da semana. Lembro de algo sobre o Mingo, aquele índio do Daniel Boone, o que nos levou à possível figura de um ordenança do Senhor chamando “Min”, oriundo da terra do Tio Sam, o qual receberia ordens em inglês no sentido de “Do! Min, go!”. Mas, apesar de concordar com a figura desse ordenança, o copoanheiro discordou de seu nome, pois poderia trazer algum conflito com a figura da Madame Min, e ninguém aqui tá a fim de enchimento de saco por causa de direitos autorais. Então voltaria a ser Mingo, esse atrapalhado faz-tudo de Deus.

Mas, nesse ponto, o teor etílico comprometeu a seriedade do estudo, que resolvemos deixar para outro dia, e passamos então a falar de bobagens e amenidades…

Sobre músicas de ninar

terça-feira, 3 de março de 2009, às 0:16

Conversa entre duas crianças….

- E aí, véio?

- Beleza, cara?

- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.

- Quer conversar sobre isso?

- É a minha mãe. Sei lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me botando um terror, sabe?

- Como assim?

- Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo doido aí. Mandou eu dormir logo senão uma tal de Cuca ia vir me pegar. Mas eu nem sei quem é essa Cuca, pô. O que eu fiz pra essa mina querer me pegar? Você me conhece desde que eu nasci, já me viu mexer com alguém?

- Nunca.

- Pois é. Mas o pior veio depois… O papo doido continuou. Minha mãe disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai tinha ido pra roça e minha mãe passear. Mas tipo, o que meu pai foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?

- Sabe a sua vizinha ali da casa amarela? Minha mãe diz que ela tem uma hortinha no fundo do quintal. Planta vários legumes. Será que sua mãe não quis dizer que seu pai deu um pulo por lá?

- Hmmmm, pode ser. Mas o que será que ele foi fazer lá? VIXE! Será que meu pai tem um caso com a vizinha?

- Como assim, véio?

- Pô, ela deixou bem claro que a minha mãe tinha ido passear. Então ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois tão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!

- Calma maninho. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.

- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre a minha mãe.

- Tipo o quê?

- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato. Assim, do nada. Puta maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!

- Caramba! Mas por que ela fez isso?

- Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.

- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara…

- E sabe a Francisca ali da esquina?

- A Dona Chica? Sei sim.

- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá, paradona, admirada vendo o gato berrar de dor.

- Putzgrila! Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.

- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe, né? Ela me contou isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter feito essa selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de careta. Eu não achei legal, né. Aí ela começou a falar que ia chamar um boi com cara preta pra me levar embora…

- Nossa, véio. Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com o filho.

- Mas é ruim saber que o casamento deles é essa zona, né? Que meu pai sai com a vizinha e tal. Apesar que eu acho que ele também leva uns chifres, sabe? Um dia ela me contou que lá no bosque do final da rua mora um cara, que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela chama ele de “Anjo”. E ela disse que o tal do Anjo roubou o coração dela… Ela até falou um dia que se fosse a dona da rua, mandava colocar ladrilho em tudo, só pra ele pode passar desfilando e tal.

- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.

- É. Só sei que tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes ela fala algumas coisas sem sentido nenhum. Ontem mesmo veio me falar que a vizinha cria perereca em gaiola, cara. Vê se pode? Só tem louco nessa rua.

- Ixi, cara. Mas a vizinha não é sua mãe?

- Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito!

Tribunal de Contas: conselheiros sob suspeita

segunda-feira, 2 de março de 2009, às 5:35

Lá d’O Globo:

Conselheiros de tribunais sob suspeita. De fiscais das contas, eles passam a investigados por desvio de verbas

Levantamento feito pelo GLOBO e publicado na edição desta segunda-feira em reportagem de Jailton de Carvalho, mostra que conselheiros de tribunais de contas dos estados e municípios foram ou estão sendo alvo de investigação em operações de combate à corrupção da Polícia Federal e do Ministério Público Federal nos últimos cinco anos. As acusações giram em torno de uma prática apenas: cobrança de propina para aprovação de contas irregulares de prefeituras. O privilégio de ocuparem cargos vitalícios, com altos salários e mordomias, não tem impedido que esses conselheiros troquem de lado e, em vez de combater, passem a se envolver com desvios de verbas públicas.

Esses tribunais são os principais órgãos de controle das contas de estados e municípios. São fiscais que devem zelar pela correta aplicação de cada centavo de verba pública. Mas a inversão de valores está na ordem do dia. Nas recentes investigações da polícia já foram fisgados conselheiros dos tribunais de contas do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Paraíba, Amazonas, Sergipe e Maranhão. Governadores e parlamentares não gostam de tratar do assunto.

Afinal, cabe aos tribunais aprovar ou não a engenharia financeira dos governos estaduais e das prefeituras.

- São necessários procedimentos modernizadores nos tribunais de contas para que se adequem aos novos tempos em termos de fiscalização – afirma Marinus Eduardo, um dos procuradores do Ministério Público do Tribunal de Contas da União.

Procurador defende controle externo

O procurador, mesmo comedido nas palavras, entende que, para frear a corrupção em tribunais de contas, seria importante até mesmo a criação de um órgão de controle externo nos moldes do Conselho Nacional de Justiça, instituído para fiscalizar o Judiciário. Hoje, os tribunais de contas não sofrem fiscalização de espécie alguma. São órgãos auxiliares das assembleias estaduais, mas os conselheiros apenas podem ser investigados e, se for o caso, punidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Não existem mecanismos de controle interno dos conselheiros.

- Quem tem a possibilidade de decidir tem a possibilidade de vender a decisão. A ocasião faz o ladrão – alerta o diretor da Transparência Brasil, Cláudio Abramo, que também defende a fiscalização sobre os tribunais de contas.

Projetos tentam coibir corrupção

O senador Renato Casagrande (PSB-ES) e a deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), entre outros parlamentares, apresentaram projetos para tentar melhorar a eficiência e coibir a corrupção nos tribunais de contas. A proposta de emenda constitucional da deputada prevê o fim do caráter vitalício dos mandatos dos conselheiros. A proposta também muda os critérios de indicação dos conselheiros. Hoje, quase todos são indicações políticas. A emenda está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Para a deputada, o assunto não é dos mais agradáveis, mas com a crescente pressão da sociedade por lisura na administração pública, a proposta tem mais chances de seguir adiante.

Os cargos de conselheiros dos tribunais de contas dos estados estão entre os postos mais cobiçados do serviço público. Os conselheiros ganham salários de aproximadamente R$ 23 mil mensais, têm direito a carro com motorista e, em geral, trabalham de dois a três dias por semana. Os conselheiros têm ainda prerrogativas de desembargadores: só podem ser investigados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Isso tudo com uma vantagem adicional: estão longe das pressões por trabalho e eficiência que recaem sobre juízes e parlamentares. Para o diretor-executivo da Transparência Brasil, Cláudio Abramo, muitos conselheiros vivem “como se estivessem na corte de D. Pedro”.