Linux em máquinas (em tese) obsoletas

TuxEis alguns trechos interessantes de um flamewar ocorrido já há algum tempo numa lista de discussões sobre o Linux. A conclusão a que se chega vai ao encontro da linha que defendo no que diz respeito ao aproveitamento de computadores antigos aqui no Brasil (em tese, obsoletos).

E, detalhe: não estou falando de aproveitamento dessas máquinas como “terminais burros” de algum computador mais potente. Mas a verdadeira utilização das mesmas isoladamente. Pra se ter uma idéia, por falta de um Linux melhor, tenho um Pentium 100 com Windows 95 que faz tudo que seus irmãos mais novos e maiores fazem, desde acesso à Internet (via rede e também via dial up), compartilhamento de arquivos em rede, manuseio de textos, planilhas, arquivos gráficos, etc.

Pois bem. Segue a transcrição ipsis litteris. O assunto inicial da discussão versou sobre uma distribuição Linux compacta que rodava direto do CD…

Trombel:

Acho interessante este tipo de distribuição. Mas não vejo lá muito bem para que serve. Fico pensando que aqui no Brasil, quando se vai à qualquer escola de periferia, estadual ou municipal, que tenha a sorte de possuir um ou mais computadores, nota-se que são antigos 386 ou 486. A memória RAM nunca passa 16 MB, mas geralmente é de 8MB. O disco rígido não ultrapassa 200MB. Deste modo acho meio ridículo alguém montar uma distribuição de 100, 200, 300MB e incluir o KDE 3 ou superior. Nunca vai rodar. O verdadeiro desafio para se popularizar o Linux nas escolas públicas deste país é alguém lançar uma distribuição que possa rodar o X em 8MB de RAM. Que contenha um pacote Office leve, um browser rápido, um programinha de e-mail e mais algumas coisinhas…

Seria um linux simples e funcional, leve e útil.

Outra coisa importante: deve poder ser instalável por meio de disquete. Sim, meus amigos, os computadores das escolas públicas ainda não chegaram à era do CD-ROM. Lembro que em 1995, após vários travamentos, reinstalei meu Windows95 em meu notebook. O programa vinha todo em disquete (13 disquetes, se bem me lembro). O Windows 3.11 e Windows 95 rodam muito bem em computadores modestos como os que eu descrevi. E têm programas em profusão para rodar nestas máquinas. É verdade que um linux antigo, um Red Hat 5.0, de 1999 (ou será 2000?) também roda num computador de 16MB RAM, mas como instalá-lo com disquete? Obviamente, o ideal seria podermos usar programas modernos em micros antigos. Mas não podemos usar o melhor dos dois mundos. Precisamos encontrar um meio termo.

De qualquer sorte, lanço o desafio: Necessita-se de um Linux leve, capaz de rodar em computadores antigos (de 8MB a 16MB de RAM), com office, browser, um visualizador de imagens, etc., que possa ser instalado via disquete (via rede não vale: OK Morimoto?) Se o Windows pode, por quê não o nosso bem amado Linux??? Caros leitores, já se deram conta do alcance social que uma distribuição com estas características teria? E que imenso impulso nas mentes jovens dos nossos estudantes?

Parem de anunciar toda a hora estas distribuições pequenas “que cabem num CD que se guarda no bolso”, mas que no Brasil para quase nada serve.

O desafio está lançado.

Junior:

Caro Trombel:

Poucas vezes vi nesse sítio um comentário tão útil e profundo como o seu, e com tanto alcance social.

Baixei o Kurumin do Morimoto, e embora seja realmente muito bom, pois é todo em pt-Br e é direcionado para máquinas que realmente existem no parque brasileiro, ainda é pesado para máquinas simples.

Aqui no meu serviço temos três maquinas Pentium 100 e um 486 encostadas (não aguentam windows novo), mas que poderiam ter uma destinação social muito grande se pudessemos instalar um sistema operacional e doa-los para entidades ou escolas (pois se não tem dinheiro nem para comprar as máquinas, que dirá do sistema operacional) e acho que há muitas empresas e pessoas com equipamentos nestas mesmas condições.

Sei que há uma ONG em São Paulo que já faz um serviço parecido com este, mas não sei que sistema operacional instalam, e nem sei se é possível espalhar pelo país.

Portanto, Morimoto, pense no alcance social de um projeto que contemplasse estas máquinas, sendo que você já tem uma experiência muito bem sucedida com o seu Kurumin, que pode servir de base.

Veja bem, não precisa ser o novo e belíssimo KDE 3, estas pessoas nunca viram nada e o conceito você com muita competência já definiu com o Kurumin.

Imagine o grande parque de máquinas encostado no Brasil que poderia servir para inclusive ajudar na inclusão social de muitas comunidades, organizações e escolas pelo Brasil afora, pois como não possuem nada, um simples ambiente gráfico, com algum editor e planilha simples e um navegador seria suficiente para trazer cidadania a muitas pessoas.

Desde já conte com o meu apoio para esta iniciativa, que com certeza terá todo o apoio muitas organizações e de todos os frequentadores deste sítio, e parabéns ao Trombel pelo momento iluminado que ele teve.

Trombel:

Eu ja testei o Vector Linux 1.0 e 3.0. Sao mais leves, mas ainda estao longe do sistema que a escola precisa. Sem duvida, fazer uma distribuicao como a descrita eh um enorme desafio, mas acredito possivel. E creio que o lugar certo para propor a construcao deste linux “especial” eh aqui. Obrigado, Junior! Fico feliz que haja mais gente que entenda nossa realidade. Espero que alguem com “expertise” suficiente em Linux possa tornar, este pequeno sonho que tenho, rodar Linux para o pessoal de baixa renda, uma realidade.

Marcio:

Pessoal! Parabéns pela iniciativa!

Olhei os comentários e me lembrei que a uns dois anos atrás me deparei com uma mini distribuição com quatro disquetes que rodava o X e com o IceWM, não recordo o nome, mas é possível sim, desenvolver uma mini-distribuição em disquetes, inclusive para instalar no HD, basta unir as forças. Para quem não sabe o Debian pode ser instalado assim, mas não vem completo, precisa de uma conexão via rede o CD para completar com os programas mais sofisticados, mas levendo em cosideração o desempenho não acho viável para máquinas abaixo de 486.

Confesso que a muito tenho vontade de fazer sobre isto e convoco os ILUMINADOS a este desafio.

O projeto do Morimoto pode ser o inicio se ele concordar é claro.

Pedro:

Há muito tempo eu venho tentando mudar minha plataforma de sistema operacional. Linux seria uma boa opção mas vejo que a cada dia que passa mais distribuições são “inventadas” precisamos de um sistema que seja pequeno e facil de trabalhar…

A instalação do menor linux que conheço, (do Morimoto) consome 600MB (instalação) o bom e velho windows95 instala em 70MB e faz tudo que o linux faz (desproporcional né?) quando vamos ter um bom linux pequeno só com o necessário e sem esses pacotes horriveis que vem com ele?

Roger:

Olá pessoal, vi os comentários e resolvi dizer que consegui com sucesso e até com um bom desempenho rodar o kde 1.1.2, com seus utilitários, e como navegador Opera 5.5 e dillo, alguns joguinhos, entre outros utilitários, com kernel 2.2, a distribuição é slackware 7.0 num pentium 100 32MB, eu desativei alguns recursos e entre outras coisas que peguei na internet. Uma dica seria a distribuição Delilinu delilinux.berlios.de que roda em 486, ocupa 300MB vem com várias interfaces gráficas, como icewm, blackbox, windowlab e vem com programa de desktop vem discador ppp, fldesk que colcoca ícones no desktop, flwm gerenciador de arquivos, vem com kernel 2.2.25, xfree 3.3.6, siag office (um office com editor de texto, planilha eletronica, etc muito leve), dillo, links2, mutt, sylpheed (cliente e-mail muito leve), gcc 2.95 e outros programas.

Existe ainda outra distribuição mais leve ainda só que não me recordo agora. O que eu fiz e faço as vezes é procurar várias distribuições pequenas e ajunto o recurso de uma com outro.

Athayde:

Gostaria de informar que ando trabalhando exaustivamente em cima de uma distribuiçao que rode em 486, achei muito importante o comentário do trombel, minha intençao eh fazer a partir de disquetes o que eh muito dificil, também vejo que se utilizarmos distribuiçoes antigas obteremos um grande desempenho, a conectiva 4.0 eh um exemplo disso, enfim temos uma grande quantidade de PCs bastantes antigos que ainda podem ser utilizados, temos que parar com essa historia de que processador é Pentium-4, SO é win XP, quanta besteira, e o incrivel é q muitas vezes sao usuarios comuns que falam isso sendo que nao utilizam nem metade dos programas que o acompanham

Adriano:

Galera, não sei nem se alguém ainda lê esse fórum, mas achei o assunto muito bom. Testei o Vector sem muito sucesso, pois ele é pequeno mas não é nada leve para máquina com 16 de RAM. Testei agora mesmo o DSL e tive vários problemas com a memória. Se alguém achar alguma distro grite, mas grite muito alto pois ganhar do XP é fácil, o problema é bater o WIN95 ainda!!!!

1 thought on “Linux em máquinas (em tese) obsoletas

  1. Olá!! to adorando a ideia de uma distro leve pra maquinas antigas. tenho aki um pentium 100 e com conectiva 7 ele fica uma carroça. o redrat 5 fica legal mas não tem nada nele. o kernel 2.2 roda bem o 2.4 fica medio. O kurumin 3, kernel 2.4 e boot por CD fica insuportavelmente lento. Eu usaria uma distro mais leve com certeza e apoio o projeto. Parabens!!
    Adriano Garcia, Porto Alegre, RS

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