Psicose

É interessante de quando em quando nos questionarmos sobre quão tênue é a linha que nos liga à realidade…

Há pouco tempo a filha de uma amiga foi abordada por seu recente ex-namorado que simplesmente surtou! Na véspera o rapaz havia desaparecido de sua própria casa, tendo surgido na casa da moçoila em andrajos, sem carro, documentos, dinheiro, nada. Mesmo após a vinda de sua família, somente queria falar com ela e nada mais. O ponto forte de seu discurso era de que havia se tornado um “Soldado do Senhor”. Tirem suas próprias conclusões…

Outro caso nas proximidades diz respeito a um sujeito que teve “alta” da instituição onde estava internado e encasquetou que um vizinho estava tentando matar seu filho. Situação digna de delegacia, onde todos foram parar ante as ameaças do desconcertado.

Mesmo na época em que eu trabalhava num banco também tivemos uma colega que chegou, acomodou-se em seu lugarzinho e começou a chorar copiosamente. Não conseguia falar nada e com ninguém. Simplesmente chorava. Lembro-me que deu um trabalho danado para levá-la a um centro médico, pois não tínhamos a quem recorrer – ela não tinha família na cidade.

Enfim, todo mundo sempre tem alguma história para contar sobre alguém assim, que, do nada, tem um curto-circuito no cérebro e passa a considerar irrelevante o que é relevante, e vice-versa. É curioso como essa conduta – quer seja definitiva ou temporária – normalmente está vinculada a algum tipo de evento ocorrido, alguma situação que faz disparar o gatilho que ativa esse comportamento esquizofrênico do indivíduo.

Acho complicado dizerem que foi algo que aconteceu num momento de fraqueza da pessoa. Ou que talvez tenha sido uma situação de stress (não, não gosto da palavra “estresse”). Afinal, o que tornaria este ou aquele indivíduo mais forte ou fraco que outrem? Qual a variável genotípica ou fenotípica que revelaria uma tendência a ser vítima de tal situação? Qual a condição espiritual dos afetados?

Podemos tão-somente conjecturar acerca das prováveis causas que levariam alguém a relevar tudo aquilo que achava importante para tornar-se uma visão deturpada de um “Soldado do Senhor”. Mas duvido que consigamos chegar a uma verdade definitiva sobre esse assunto.

De minha parte, para uma melhor compreensão acerca do que estou falando, recomendo assistir a um filme antigo chamado “Mr. Jones”, com Richard Gere, que mostra de uma maneira romântica e divertida o dia-a-dia de um psicótico maníaco-depressivo.

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