A pergunta que não quer calar
(…)
” Quis custodiet ipsos custodes? “

(…)
” Quis custodiet ipsos custodes? “

Tão pouco tempo disponível e centenas de livros para ler…
Honorários de sucumbência têm caráter alimentar
A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que os honorários de sucumbência têm caráter alimmentar e, por isso, merecem tratamento equivalente ao dos créditos trabalhistas no que diz respeito ao seu pagamento pela parte devedora. O entendimento da 3ª Turma diverge das recentes decisões da 1ª e 2ª Turmas.
A decisão foi proferida em ação de execução de honorários advocatícios sucumbenciais, na qual a União pleiteava preferência com fundamento no artigo 286 do Código Tributário Nacional *. O advogado, contrapondo-se à pretensão da União, alegou que a natureza alimentar da verba honorária a equipara aos salários, de forma que a preferência não se justificava.
Segundo a relatora, ministra Nancy Andrighi, é possível que uma verba tenha caráter alimentar ainda que seja incerto e aleatório o seu recebimento. Como exemplo, ela citou as gratificações com base em metas, participações nos lucros (sem acordo ou convenção coletiva), diárias e comissões, verbas que têm natureza salarial.
Para ela, acontece o mesmo com os honorários de sucumbência: o advogado contratado para atuar num processo cobra um valor fixo inicial, mais a eventual sucumbência, para o caso de vencer o pleito, o que representaria adicional aleatório. A ministra lembrou ser comum o advogado formar uma “reserva de capital” quando recebe os honorários de sucumbência, economia que depois utiliza por vários meses até que outras causas em andamento lhe rendam uma nova reserva, razão pela qual as verbas sucumbenciais, para a grande massa dos advogados, fazem parte do seu sustento.
De acordo com o voto da relatora, a inexistência de relação de emprego entre advogado e cliente não influi no caráter alimentar da verba honorária, já que o salário de um empregado é protegido por lei porque representa sua fonte de sustento, não porque há subordinação. A ministra ressaltou ainda que, dada a natureza alimentar dos honorários de sucumbência, eles podem ser considerados “créditos decorrentes da legislação do trabalho”, o que os privilegia sobre os créditos tributários.
Votaram com a relatora os ministros Castro Filho, Humberto Gomes de Barros e Carlos Alberto Menezes Direito. O ministro Ari Pargendler foi voto divergente.![]()
Jornal do Advogado – OAB/SP – Ano XXI – nº 297 – Agosto de 2005
* Nota: Com certeza houve um erro de transcrição por parte do jornal, pois o CTN não tem um “artigo 286″; muito provavelmente deve se referir ao artigo 186, o qual determina: “O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for a natureza ou o tempo da constituição deste, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho.”

Lembra a preguiça de ontem? Continua…
Conversando com o André hoje de manhã ele me perguntou se eu tinha alguma coisa sobre câmeras digitais. Aí eu me lembrei que fiquei uns seis meses ensaiando para comprar a que tenho hoje (uma Canon A75), pois eu queria uma câmera que atendesse exatamente às minhas necessidades. Para tanto fui levantando as informações disponíveis na época, de modo que eu pudesse entender perfeitamente o que é que afinal eu estaria comprando. O curioso é que eu achei que já tinha postado essa informação aqui no site. A senilidade deve estar começando a me atingir…
Bem, de lá pra cá (cerca de um ano) provavelmente já deve ter havido alguma mudança no atual estado da técnica, de modo que algumas recomendações aqui talvez até se mostrem modestas ante o que pode ser encontrado no mercado. Mas ainda assim creio que tem informações o suficiente para dirimir as dúvidas.
CÂMERA DIGITAL – RECOMENDAÇÕES E ESCLARECIMENTOS
“Quem compra uma câmera muito básica pode ter um equipamento obsoleto em seis meses.”
As características técnicas “enganam muito” e escolher uma máquina pensando apenas no preço nem sempre é uma boa alternativa. Máquinas muito simples, geralmente, não oferecem altas resoluções de imagem e são mais indicadas para quem quer publicar imagens na Internet ou então guardar as fotos no computador.
Um item essencial é a tela de cristal líquido (LCD). Com o visor de LCD, o usuário pode conferir imediatamente se a foto tirada ficou do jeito que ele queria. Caso a imagem tenha ficado ruim, é possível apagá-la e bater outra foto. “O principal benefício é poder ver a foto na hora – sem esse recurso, o usuário sai perdendo.”
E, ainda, essa tela deve ser do tipo REFLEX, ou seja, o que se vê no visor é exatamente o que sai na foto. Câmeras que não são do tipo Reflex podem ocasionar fotos com o efeito paralaxe, isto é, a imagem final sai deslocada em relação ao que se pretendia.
De se destacar que o sistema operacional deverá ser compatível para se efetuar o download das fotos (baixar para o computador). O ideal é que possua diversas possibilidades, tais como Windows 98, Windows 2000, Windows XP, ou até mesmo Linux.
RESOLUÇÃO:
“Para imprimir fotos no tamanho 10 x 15 cm [tamanho padrão para uma foto], a câmera deve ter resolução de pelo menos 2 megapixels”
Pixel: elemento da construção de todas as imagens digitais.
Resolução da imagem: o número de pixels que compõem uma imagem digital (definido por pixels de altura por pixels de largura).
MegaPixel (MP): um milhão de pixels/imagem (i.e. 1000×1000 pixels=1 milhão).
Contagem de pixels: quanto mais pixels capturar, mais detalhada será a imagem. Para imprimir as fotos, uma regra básica é:
- pelo menos 1 MP para 13x18cm
- pelo menos 2 MP para 20x25cm
- pelo menos 3 MP para 28x36cm
Usar impressora fotográfica com, pelo menos, 1200 dpi.
FUNÇÃO MACRO:
Não é essencial para a câmera, porém esse recurso auxilia muito para fotos de documentos, por exemplo. É uma função que permite fotos com aproximação de até 4cm.
FUNÇÃO BSS (Best Shot Selection):
É um recurso que, ao se manter pressionado o botão de disparo, tira automaticamente cerca de dez fotos seguidas, selecionando a melhor. COMPRESSÃO:
- Pró: capaz de acomodar mais imagens em um cartão de armazenamento pela redução do tamanho do arquivo por meio de compressão.
- Contra: reduz o tamanho do arquivo fazendo a média dos valores da cena, eliminando desta maneira informações valiosas da imagem.
Ou seja, COMPRIMIR = perder informação valiosa.
ZOOM DIGITAL X ZOOM ÓPTICO:
Quem quer esse recurso de zoom “deve se preocupar com o zoom óptico”. Essa aproximação é obtida a partir das lentes da câmera, o que garante uma qualidade melhor nas fotos.
“O zoom digital é conseguido por meio de um programa, prejudicando a imagem em casos onde o nível de aproximação é alto.” O zoom óptico encarece bem o custo do equipamento.
Zoom óptico – permite que você se aproxime e componha a cena, conservando a qualidade da imagem. Um zoom óptico funciona da mesma maneira que uma lente zoom tradicional. A óptica conserva a qualidade em toda a extensão do zoom da lente.
Zoom digital – oferece a flexibilidade de compor antes de tirar a foto. Não tem partes móveis. O zoom é feito usando o software da câmera. No entanto o zoom digital pode limitar o tamanho final da impressão. Uma câmera de 2 MP é capaz de produzir uma impressão 20x25cm sem zoom. Usando do zoom digital em 2X, o maior tamanho de impressão de boa qualidade será de aproximadamente 9x13cm.
MEMÓRIA:
A maioria das máquinas usa memória interna para guardar as fotos.
Recomenda-se modelos que possam ter sua capacidade de armazenamento expandida com cartões de memórias externos. “Sem esse recurso, o usuário fica limitado. É como ficar sem filme. O ideal é ter um cartão de no mínimo 128 megabytes.”
Há três tipos de cartões de memória disponíveis: Compact Flash, Smart Media e o Memory Stick. As memórias Compact Flash e Smart Media são compatíveis com diversos modelos de câmeras digitais. Essa compatibilidade pesa na hora de trocar de câmera, pois, dependendo do modelo escolhido, pode ser preciso comprar um novo cartão de memória. Já o Memory Stick é fabricado pela Sony e só funciona com produtos desenvolvidos pela empresa japonesa.
SmartMedia – É um cartão pequeno e fino, com 4,5 cm de comprimento e menos de 1 mm de espessura, desenvolvido originalmente pela Toshiba. Armazena de 2 Mbytes a 128 Mbytes e é utilizado por câmeras simples.
Compact Flash – Foi desenvolvido em 1994 pela Sandisk e tem um circuito de memória flash e um chip de controle. É um cartão mais robusto, que pode armazenar até 4 Gbytes.
Memory Stick – Desenvolvido pela Sony, com capacidade que varia de 16 Mbytes a 256 Mbytes; o Memory Stick Pro chega a guardar até 1 Gbyte, com taxa de transferência de até 15 Mbytes por segundo.
SD – Desenvolvido pela Panasonic, Toshiba e Sandisk, pode ser usado em câmeras digitais e outros equipamentos eletrônicos. Armazena de 8 Mbytes a 512 Mbytes.
MMC – Cartão multimídia que pode ser usado em vários equipamentos eletrônicos, além de câmeras digitais. Tem capacidade de 32 Mbytes a 128 Mbytes.
xD-Picture Card – Desenvolvido pela Fuji e Olympus, tende a substituir o SmartMedia; no futuro, poderá armazenar até 8 Gbytes, com velocidade de gravação de até 5 Mbytes por segundo; hoje guarda de 16 Mbytes a 128 Mbytes.
A escolha até mesmo do tipo de bateria deve considerada quando da aquisição de uma câmera. Câmeras que utilizam baterias comuns (tipo AA ou AAA) são interessantes na medida em que dão flexibilidade quando do esgotamento da pilha, pois essas baterias são facilmente encontradas em qualquer tipo de loja. Ainda assim existiria a possibilidade de comprar, a um preço inicial um pouco mais caro, baterias recarregáveis, cujo valor se dilui no decorrer da utilização. Já outras câmeras que utilizam baterias com as de celular possuem a desvantagem de que, uma vez esgotada a bateria, deve-se aguardar a recarga para utilizá-la novamente (ou, como nas filmadoras, trabalhar com ela plugada na rede de energia elétrica). Em locais abertos, festas, campo, praia, etc, isso traz nítida desvantagem.
Recomendação final para dúvida na escolha entre máquinas com características semelhantes: “Certifique-se de que existe GARANTIA NO PAÍS para o equipamento.”

Uma preguiça do tamanho do MUNDO…
Mais alguns “causos” interessantes de doutores adEvogados de direito jurídico…
E diz que o advogado estava na sala do juiz, sozinho, esperando o meritíssimo voltar. Entra um outro advogado, com um processo na mão.
- Bom dia, doutor.
- Bom dia…
- Escuta, o senhor não acha que esse caso, segundo essa ótica, de acordo com as minhas argumentações, deveria ter uma solução distinta?
- Hmmm (lendo)… Sim, sim, o senhor está coberto de razão!
- Que bom que pense assim! O senhor poderia despachar no processo, então?
- Claro, claro.
Puxou o processo e deu um despacho minucioso acerca do caso.
- Obrigado excelência, muito obrigado. Vou indo para o cartório então.
- Não por isso. Só mais uma coisinha doutor.
- Pois não, excelência?
- Eu não sou o juiz não. Sou advogado, tanto quanto o senhor…
Sinceramente não sei qual foi a reação do advogado.
Noutra oportunidade, esse mesmo advogado – já famoso por suas gozações – chegou numa sala de audiência onde estava uma escrevente de sala nova. Ela ainda não conhecia o juiz. Aproveitando a situação, o danado senta-se de frente para ela, puxa um processo crime e lhe diz:
- Vamos lá! Vou lhe ditar uma sentença.
E a menina, toda solícita, começou a digitar a malfadada sentença, sendo que ele enveredou pelas teses mais absurdas jamais sequer cogitadas no mundo jurídico. Estava já ao final da sentença, quando chega o verdadeiro juiz, se posta entre ambos e fica observando, com um mal disfarçado sorriso no canto da boca.
- … e assim, ante as provas constantes dos autos, condeno o réu ao ENFORCAMENTO em praça pública, a ser realizado ao meio-dia do dia tal, na presença de testemunhas e autoridades de direito, nos termos da Lei. Publique-se, registre-se, intime-se.
Os olhos da escrevente já estavam DESTE TAMANHO, mas não perdeu uma vírgula da sentença. Nisso, o juiz falou:
- Mas o doutor não acha que está carregando muito na sentença, não?
Ao que ele se voltou para o juiz, sorrindo, mas com o dedo em riste:
- Ah não, não, não. Ele merece… Aliás, se o doutor não estiver contente, que apele!

“Ainda não havia pra mim rock´n roll e Rita Lee…”
Bons tempos, aqueles…


Lembram-se da música? “É proibido proibir…”
E por que “NÃO”?
Ora, porque sim…
Que papo de louco, não é? Mas é assim que me sinto com relação ao bendito referendo… Recentemente no blog da Ju (respirapelabarriga), uma publicitária de mão cheia, ela trouxe um comentário MUITO feliz acerca do direcionamento de pesquisas. Vejam só:
“Exemplos, há aos montes. O mais recente (e recorrente nos blogs amigos), refere-se ao referendo (com o perdão da redundância). A pergunta ‘O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?’ é propositalmente confusa, para induzir ao erro. Se até para nós, teoricamente privilegiados, a coisa é complexa, cheia de afirmações embutidas dentro de negações, imagine para aquelas pessoas que têm o primeiro grau mal e porcamente concluído que, por sinal, são a maioria da população?”
Tenho visto na televisão uma das discussões mais absurdas dos últimos tempos. De um lado um povo mostrando criancinhas que morreram porque encontraram armas carregadas dentro de casa. De outro um pessoal que discute mais o DIREITO de possuir armas que qualquer outra coisa.
Ainda que muitos possam considerar suspeita minha opinião, pois sou advogado, é preciso deixar uma coisa bem clara: ARMAS NÃO MATAM PESSOAS. PESSOAS ARMADAS MATAM PESSOAS.
Ou seja, como tudo mais nesse nosso país tupiniquim, tudo é uma questão cultural. Só pra um exemplo bem próximo: meu pai, em sua mocidade, foi armeiro na roça. E durante toda minha infância, volta e meia, chegava algum caboclo ou compadre que trazia alguma coisinha pra ele consertar. Ora, NUNCA tivemos NENHUM problema em casa com armas. E mesmo meu pai é uma das pessoas mais pacatas e sensatas que conheço – jamais tirou a vida de nenhum ser vivo.
Quando eu falo que é uma questão cultural, é porque essa história de comercialização de armas envolve diretamente o caso do desarmamento (ainda que a médio e longo prazo). E não é com o simples desarmamento que vamos resolver todos os problemas do mundo. Com educação, treinamento e – sobretudo – fiscalização é que poder-se-á ter algum controle.
Veja o caso da habilitação para dirigir automóveis. Ora, eu tirei minha carteira de habilitação em 1987. Sabem quando vence meu exame médico? Em 2009! Sou totalmente a favor dessas novas carteiras, onde os exames vencem de cinco em cinco anos – é muito mais razoável.
E por que não se poderia fazer algo similar com a questão do porte de arma? Por exemplo: quem tivesse uma arma (com o devido porte, é claro), seria obrigado a cada três anos se apresentar perante a Polícia Federal para atualização do porte, apresentação da arma, e quaisquer outras coisas afim – sendo aplicável pesadas multas para quem não comparecesse ou não tivesse mais a arma.
Bem, é uma idéia…
Depois de tudo isso, pra que não haja dúvidas, cumpre esclarecer: a pergunta é: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?” Responderá SIM quem quiser a proibição. Responderá NÃO quem quiser a manutenção do atual estado das coisas. O que não ilide eventual regulamentação futura mais severa para assegurar o direito da comercialização e do porte de armas.
A propósito, EU sou total e completamente contra armas.
Mesmo assim o direito de escolha deve SEMPRE ser do povo. Por isso votarei NÃO!

“Tédio…”
“Sabe esses dias em que horas dizem nada
E você nem troca o pijama, preferia estar na cama
Um dia a monotonia tomou conta de mim
É o tédio, cortando os meus programas, esperando o meu fim
Sentado no meu quarto
O tempo voa
Lá fora a vida passa
E eu aqui a toa
Eu já tentei de tudo
Mas não tenho remédio
Pra livrar-me deste tédio
Vejo um programa que não me satisfaz
Leio o jornal que é de ontem, pois pra mim, tanto faz
Já tive esse problema, sei que o tédio é sempre assim
Se tudo piorar, não sei do que sou capaz
(…)
Tédio, não tenho um programa
Tédio, esse é o meu drama
O que corrói é o tédio
Um dia, eu fico sério
Me atiro deste prédio.”

“Bom dia amiguinhos, já estou aqui…”
- ROOOONNCC…
- Bonito, hein?
- Hmm?
- A que horas o senhor chegou ontem?
- UAAHH… Umas onze, eu acho…
- Pois é. Custava ligar? Volta e meia o senhor me apronta uma dessas. Já parou pra pensar por um único momento que eu fico preocupada com você? E se tivesse acontecido alguma coisa? Se ia demorar e sabia que ia demorar então ao menos avisasse. Já perdi a conta de quantas vezes o senhor me aprontou uma dessas. Eu já devo ter direito a sair de casa sem deixar nenhum recado por pelo menos umas duzentas e cinquenta e seis vezes, você não…
- Oito…
- Quê?
- Oito.
- Como assim, “oito”?
- Duzentas e cinquenta e OITO vezes. Não seis.
- …
- Mi?
- VOCÊ. NÃO. TEM. JEITO ! ! !
- Mas te amo tanto…
- @#$%¨&*!!!!

Antes que eu me esqueça, faltou comunicar à população em geral que o André da Diretoria de Suprimentos – e que vai ser papai – já tem informações fidedignas sobre o sexo da criança.
MENINA!
Em função disso ele comunicou que agora já sabe como vai votar no referendo do dia 23… Tenho insistentemente tentado convencê-lo acerca da pertinência e vantagens de desde já deixar tudo acertado no tocante a compromissos futuros de nossos filhos, mas ele tem se mostrado muito reticente nesse sentido. Recalcitrante, até, eu diria. Tenho culpa se agora ele passou a fazer parte do time de fornecedores? De minha parte tenho três bons partidos em casa, um com seis, outro com três e o caçulinha com um ano e meio, que no momento certo, bem, vocês sabem…
No Japão tem uma palavra pra isso: “MIAI”.
Brincadeiras à parte, meus sinceros parabéns, André e Lizandra. Tenho certeza que vocês vão amar essa nova aventura da paternidade e da maternidade, audaciosamente indo onde ninguém em plena sanidade jamais foi. Posso falar de cátedra…
“LIVRE ARBÍTRIO” = “ETERNAS DÚVIDAS”
“Só tô tentando ser feliz. Só tentando te fazer feliz.” Era mais ou menos esse o refrão da música que ouvi ontem à noite, enquanto bebericava uma cerveja antes de ir pra casa. Nostalgia pura. Não sei, pode até ser dela, mas estava MUITO parecido com as musiquetas da Paula Toller do início da década de 80. Sim, sim, sou um fóssil ambulante…
Naquela época, aproximadamente em 85, as músicas eram mais simples e ingênuas. Mas tudo bem, nós também éramos. Pelo menos é o que pensávamos.
Quando eu era garoto, fui um dos mais comportados da classe, com as melhores notas, do tipo que as próprias professoras vinham agradar e elogiar. E isso é verdade.
Quando eu era garoto, nossa turma tinha uma cinquentinha de tanque azul, que rodava de mão em mão, a qual esmerilhávamos no asfalto do bairro, sem equipamentos, capacete ou sequer documentos, sendo que vivíamos fugindo da baratinha da polícia (um fusquinha preto e branco). E isso é verdade.
Quando eu era garoto, era tímido e retraído, sem conseguir sequer me declarar para as garotas que eu estava a fim. E isso é verdade.
Quando eu era garoto, fui tão salafrário que uma amiga de minha ex a aconselhou a não ter nada comigo, pois eu era mulherengo demais. E isso é verdade.
Quando eu era garoto, era extremamente religioso, enfiado dentro da Igreja, participava de grupo de jovens, ajudava nas missas e comungava toda semana. E isso é verdade.
Quando eu era garoto, já tinha tatuagem, orelha furada e cabelo comprido, curtia rock pesado, fumava e bebia todas, sequer me preocupando com questões d’alma ou o dia de amanhã. E isso também é verdade.
Heh… Como diria o Coringa, já que eu tenho que ter um passado, ao menos que seja de múltipla escolha!…
Tudo que acabei de dizer realmente é verdade, mas depende do ponto de vista sob o qual analisamos essas informações. É certo que houve um pequeno lapso de tempo entre um e outro evento, porém isso varia de acordo com o observador. Apesar da decepção à época, já me referi a alguma parte do que está aqui em janeiro deste ano, mas sempre tem algo que fica pra trás. Que é novidade. Que é surpresa.
O ponto é que pessoas que me conheceram naquela época, até mesmo vivendo num mesmo grupo, podem me pintar como um anjo ou como a cria do demônio encarnada na terra. Tudo depende do ponto de vista, do aspecto sob o qual me conheceram.
O que nos leva às minhas considerações. Quão verdadeiramente conhecemos um ao outro? Quem nos garante que sabemos do brilho escondido no coração das pessoas, ou então da negritude que lhes macula a alma? Não, não pensem que sofri alguma desilusão ou que estou chateado – são apenas meras divagações de um bebedor solitário.
Por mais intimamente que conheçamos uma pessoa, NUNCA será o suficiente. Sempre existirão segredos. A eterna dúvida se o lado negro da força ainda vai se manifestar. Ou se existe um lado bom dentro daquele vilão. Creio que já comentei isso por aqui uma vez, mas num livro de Jack Kerouac – “On the road” – que tratava da geração beatnik, tinha uma passagem onde dois caras estavam tentando ser ABSOLUTAMENTE SINCEROS um com o outro. É uma coisa de louco. E veja que não falo de sinceridade no sentido contrário de falsidade, mas simplesmente no sentido de franqueza. Dá pra se ter uma noção da nóia permanente que nós vivemos com nossos pequeninos (ou não) segredos do dia a dia. Alguns tão superficiais que serão esquecidos antes do final do dia; outros tão profundos como se tivessem sido marcados com ferro em brasa na própria alma. E volta e meia a cicatriz coça.
De minha parte sou um livro aberto, tento sempre deixar bem claro a transparência de meus atos e de minhas palavras, porém existem algumas páginas coladas nesse livro, e creio que jamais consegui ser total e completamente franco com quem quer que seja. Sempre existiram segredos, meias palavras ou palavras nunca ditas que ajudam a manter a barreira da sanidade entre mim e outras pessoas. De igual maneira, tenho certeza que jamais conheci ninguém que fosse total e absolutamente sincero comigo.
Mas isso não é novidade. É da natureza humana. Psicólogos que estudaram a vida inteira levam anos para conseguir dar uma raspadinha superficial nesse casco sentimentalóide que usamos pra nos proteger. Na prática acho que não existe na face da Terra quem consiga o prodígio de ser absolutamente franco um com o outro. Exceto os personagens do livro que citei. E olha o que aconteceu: praticamente enlouqueceram…

MUITO quente!
Só pra não passar em branco o dia de hoje, mais duas historinhas (com “H” mesmo) da hora do almoço.
Um certo advogado foi contratado para fazer a defesa em um crime de assassinato. A vítima fôra esfaqueada pelas costas. TREZE vezes.
A teste defendida: “Legítima defesa”.
“Como assim, doutor??? Cumpre lhe lembrar que foram TREZE facadas. Ainda que fosse legítima defesa, como se justificariam os demais golpes?”
“Simples” – ele disse. “O meu cliente sofre do mal de Parkinson.”
Outra:
A vítima levou uma surra e, como golpe final, ao cair de costas no chão, o assassino esmagou sua cabeça com um paralelepípedo (ARGH!).
A tese defendida: “Meu cliente é inocente. Acontece que a vítima já morreu ANTES do golpe final. De susto.”
O juiz, num lampejo de misericórdia, convocou o dito advogado para que trocasse a defesa antes que ele a avaliasse “oficialmente”. Ao que sei, ele trocou…

Sono, soninho, eu…
“Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.”
É uma parte da música Serra do Luar, totalmente apaixonante na voz de Leila Pinheiro. Bem, isso é quase uma filosofia de vida. Tudo bem que é BEEEM difícil (ainda mais pra mim) manter a mente quieta. E a espinha ereta, então? Mas o coração… é, acho que essa seria a parte mais fácil.
Depois de uma noite insone debruçado sobre o trabalho no computador em casa, o dia começa com aquela falsa sensação de ânimo, de lucidez. Porém, pouco a pouco o cansaço vai batendo, o corpo vai pedindo arrego, os músculos vão relaxando, os olhos vão se enchendo de areia…
Zzzzzzzzzzzz…

Histórias da hora do almoço… Conversando hoje com uma funcionária do Cartório Eleitoral ela nos contou acerca das urnas que chegaram para o referendo sobre a comercialização de armas. E, junto com as urnas, os manuais de operação e o pessoal técnico.
Mas… Havia um estagiário no meio do caminho; no meio do caminho havia um estagiário…
Avisaram o rapaz que, como ele era novo no serviço, teria uma “provinha” a ser feita sobre o manual da urna. “Tudo bem”, ele comentou com os amigos, “quando chegar a hora eu puxo o manual e dou uma colada básica!”
Ao saber disso essa funcionária simplesmente chegou pra ele, com aquela cara de casualidade mais normal do mundo e disse: “Olha, a gente tinha marcado sua prova pra sexta, mas o juiz não vai estar aí. Então vamos fazer o seguinte: fica pra segunda-feira que com certeza o doutor estará no cartório. É até bom, pois daí você vai ter o final de semana pra estudar, né?”
O rapaz ficou verde.
Antes do final do dia ele voltou pra perguntar se tinha que vir vestido “socialmente”. Disseram-lhe que um esporte fino já estava bom.
Correrias normais de um cartório e esqueceram o caso. Já na terça alguém lembrou: “E aí? Foi fazer a prova”, ao que o rapaz respondeu, num cochicho: “Fica quieto, acho que esqueceram…”
Heh… Pequenas maldades. Nada como isso pra alegrar o dia…